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Mais perguntas

Depois da "crise que veio de fora" chegou a altura dos cortes a sério na despesa do Estado e de mais um aumento de impostos. Os funcionários públicos serão os grandes afectados pelas medidas ontem anunciadas, sendo que estes mesmos funcionários públicos representam uma enorme grande percentagem da classe média portuguesa. Com a diminuição brutal no rendimento disponível destas famílias que se aproxima, a despesa que têm com actividades e produtos culturais sofrerá certamente um significativo corte. A cultura será relegada muito lá para trás na lista das prioridades das famílias. A Capital Europeia da Cultura dificilmente poderia vir em pior altura.
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Criminalidade e Pobreza

Alertado por algumas conversas na rua, e por notícias mais oficiais de alguns órgãos de comunicação social, estou neste momento muito preocupado com a onda de criminalidade que se tem vindo a sentir na nossa região. A situação económica, aliada a esta altura do ano em que normalmente sentimos com mais força a entrada de outros tipos de criminalidade no dia-a-dia estão a começar a assustar. E quem vive atento e virado para zonas mais problemáticas, no caso, do nosso concelho, vê como nunca viu, além dos roubos, situações de pobreza extrema que levam a situações de desespero como a procura de alimentos nos despojos em qualquer esquina.

É um facto que existem demasiados cidadãos sem capacidade financeira, e por vezes a vida não dá mesmo grandes soluções. Por más opções individuais mas não só. E é urgente resolver este problema. Mais do que policiamento, também esse necessário, precisamos de crescer economica e socialmente de forma a podermos dar soluções a quem delas precisa. Mais emprego e mais segurança social. Aproveitemos esta fase de boas graças e bolsos largos de quem quer ganhar eleições para exigir soluções.
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A falsa questão Norte-Sul

Muito se tem falado sobre o investimento nacional na região sul em detrimento do norte do país. Tais queixas motivaram recentemente uma acto oficial de Rui Rio, presidente da câmara do Porto. A sustentação da queixa está assente nas supostas obras feitas em Lisboa com dinheiro que estava previsto para a zona Norte. Só que a pré-campanha de uma luta que se adivinha complicada para Rio pode ter apressado o autarca a querer preencher as noticias com argumentos que põe qualquer portuense ou nortenho bairrista (que pleonasmo!) do seu lado.

A verdade é que o desmentido do Governo Português explica sucintamente a forma como o QREN e Quadros Comunitários de Apoio têm vindo a tentar distribuir de forma equilibrada os fundos, consoante as necessidades das regiões.

De 93 a 99, no QCA II, a zona de Lisboa e Vale do Tejo açambarcou mais de um terço das verbas com que o Pais foi dotado. No QCA seguinte, houve uma diminuição de 50% do valor representativo dessa cota. Passou de 33 a 15%. No que ao QREN diz respeito, Lisboa contará apenas com 2.7% dos quase 20 mil milhões de euros da tranche entregue a Portugal. Esta redução ímpar na história do fundos comunitários vem de encontro aos pedidos contínuos das regiões menos desenvolvidas e de outras a necessitar de reconfigurações a diversos níveis: Se Lisboa é Portugal, refiro-me aos arredores, ou seja tudo o resto em que não se investiu o necessário em tantos anos de fundos comunitários.

No entanto a Comissão Europeia e o Governo Português reflectiram e aperceberam-se, por alerta inicialmente de Bruxelas, que a redução brusca dos investimentos na capital portuguesa, sendo esta geradora de riqueza e sede de actividades, como os centros de apoio ao financiamento ou serviços centrais administrativos, de que depende o resto do pais, poderia ter efeitos nefastos no crescimento económico das outras regiões.

Mas mesmo estes casos são excepcionais e em número reduzido. Ou seja, ao contrário da informação que tentaram passar, não vão ser transferidos grandes investimentos dos fundos atribuídos ao norte, para Lisboa. Senão vejamos, até 31 de Março de 2009, mais de 40% das verbas do QREN distribuídas em Portugal, destinam-se à região Norte. Monitorizável por todos, aqui.

Aliás, podemos afirmar sem grandes receios, que nunca Portugal assistiu, proporcionalmente falando, a um tal investimento no Norte e interior do país em detrimento da grande capital.