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E agora?

A moção ontem aprovada pelo Conselho Geral da FCG é de tal modo violenta para com algumas opções da administração que quase fala por si. Mas ao exigir que se criem “condições para relançar a confiança e entusiasmo em torno do projecto” e “melhorias rápidas e eficazes” na comunicação do evento, os conselheiros acabam por fazer a mais relevante crítica recebida pela administração desde que iniciou funções.


O documento mostra uma coisa: acabou-se a margem de manobra dos gestores da CEC. E só se estranha que tenha sido necessária a intervenção de Jorge Sampaio para que finalmente houvesse uma censura forte a algumas opções que já mereceram reparos dos vimaranenses várias vezes ao longo dos últimos meses.


Os conselheiros fartaram-se do triste espectáculo que tem sido a preparação da CEC e exigem mudanças rápidas. O documento foi aprovado por unanimidade, mas apresentado inicialmente pelos “pesos pesados” do Conselho, Sampaio, José Manuel dos Santos, Braga da Cruz e Adriano Moreira. O que também demonstra que as críticas, ao contrário do que foi dito não há muito tempo pela principal responsável da FCG, não são apenas feitas nos jornais.


Ao dizer o que disse, o Conselho põe a partir de agora o ónus do que possa correr mal sobre a administração. E impõe mudanças que, se não acontecerem, podem vir a resultar numa reacção ainda mais enérgica por parte de Jorge Sampaio, o porta-voz do bom senso na Guimarães 2012 desde que esta começou a ser preparada.


As críticas feitas não são novas para quem tem acompanhado minimamente o processo. Mas parece-me particularmente importante o relevo dado à falta de envolvimento dos vimaranenses na Guimarães 2012. O Conselho dá razão às críticas das associações locais e exige mudanças. O Conselho Geral aponta também baterias à política de comunicação do evento, que tem sido uma verdadeira catástrofe neste ano e meio de vigência da FCG.


Mas a moção de nada valerá se não acarretar consequências. Como se pode criticar tão duramente a política de comunicação e manter a confiança nos responsáveis pela mesma? E que alteração de fundo vai haver na organização da Fundação que permita, por exemplo, dar mais poder à vereadora da Cultura, como é exigido pelos conselheiros?


É isso que falta perceber: que impacto real terá esta tomada de posição enérgica. Esse será um motivo extra para nos mantermos atentos ao longo dos próximos dias. Porque estou em crer que só depois de verem o que se vai passar no palácio Vila Flor é que os vimaranenses se disponibilizarão a assumir a segunda parte do repto lançado ontem por Sampaio: o de se voltarem a dirigir à Fundação como uma entidade em quem podem confiar para fazer da CEC um evento de todos.


Post scrtipum: Sobre a programação cultural, nem uma palavra é dita. Penso ser um sinal de que os conselheiros não estão preocupados, por acreditarem que essa é a área que melhor está a ser trabalhada. É também a minha opinião, se exceptuarmos um ou outro exemplo menos feliz.

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Bastos

Não me apetece escrever sobre o tema de que mais tenho ouvido falar nos últimos dias. Porque me entristece perceber que a realpolitik à nossa moda possa dar cabo de quase dez anos de trabalho na cultura vimaranense e a cinco de afirmação do Centro Cultural Vila Flor como o melhor equipamento do género existente no país.

Apetece-me antes falar de José Bastos e de uma conversa que tive com ele, ainda o CCVF não era sequer um estaleiro. Falou-me de residências artísticas, de projectos de comunidade, da aposta numa cidade que se afirmasse pela criatividade. Foi há oito anos, ainda a Guimarães 2012 era mais do que uma miragem.

Não estivemos sempre de acordo, como alguns textos publicados neste blogue foram disso testemunho. Duvidei - e não fui o único - que o caminho que estava a ser traçado para o CCVF desse frutos. Cinco anos volvidos, restam poucos críticos. E duvido que haja alguém que desminta que este é o melhor centro cultural do país.

Três coisas explicam isto. A primeira é que a programação do CCVF foi sofrendo ajustamentos, mostrando uma abertura assinalável às discussão que se iam fazendo na cidade. A segunda é que essas alterações não traíram o essencial: uma linha de rumo que estava traçada desde o início e que nos trouxe ao lugar onde estamos hoje. Porque se Guimarães tem um espaço no panorama cultural português, deve-o sobretudo ao CCVF e obviamente ao seu principal responsável.

A terceira explicação é que as casas de cultura que foram referência a muitos dos críticos de José Bastos foram caindo no esquecimento, porque não tinham nem a linha estratégica do CCVF, nem a capacidade para se reinventaram em momentos de crise.

Feito o elogio, resta-me uma certeza: aconteça o que acontecer daqui para a frente, o simples facto de se por em causa este trabalho por motivos menores é já uma derrota. Dez anos de aposta na Cultura não fizeram afinal de Guimarães um lugar de gente mais culta.

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O dia que define uma época

Domingo, em Coimbra, o Vitória não joga "apenas" a final da Taça. Da forma como a época tem vindo a decorrer, um revés no Domingo quase que hipotecará a confiança vitoriana em terminar a época nos cinco primeiros lugares, que dão acesso à Europa.

É por isso que é de enaltecer a paixão e a confiança dos adeptos nesta equipa, como o demonstra o excelente vídeo de motivação do Pedro Ribeiro, também conhecido por Whiteshadow. Depois de o ver, voltei a acreditar que vamos chegar ao Jamor. Espero que os jogadores também o vejam.

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José Bastos

Lancei uma petição pública há dois dias com o título "Queremos José Bastos no CCVF e na CEC". O título e o texto da petição falam por si. Peço-vos que a leiam e se estiverem de acordo assinem.

No meio de todas as polémicas, boatos e silêncios que têm preenchido a agenda da CEC, é incompreensível que o episódio dos cargos de José Bastos, na Oficina e na Fundação Cidade de Guimarães, tenha sido o que gerou a reacção mais enérgica e pró-activa de António Magalhães, forçando José Bastos a escolher entre o lugar onde, nos últimos 5 anos, tem mostrado a sua reconhecida competência e o cargo de programador da Capital Europeia da Cultura.

Com a entrada de José Bastos no núcleo de programadores, fortaleceu-se o elo de ligação entre a Fundação e a cidade, entre o programa cultural de 2012 e tudo que a cidade tem sabido fazer até à data. Ainda mais importante, é o programador que certamente mais ênfase poderá colocar no pós-2012, na necessidade de que a festa não seja um fim em si mesma.

Tornar o cargo de programador da CEC (função que no essencial já executa enquanto director artístico do CCVF) incompatível com o de administrador d'A Oficina, parece a manifestação de uma vontade política clara: a de separar as águas entre a Fundação Cidade de Guimarães e o poder local. E isto não deixa de ter em si uma certa ironia, quando, ao mesmo tempo, a cidade continua a pedir à Fundação que saia do Palácio e se ligue mais aos vimaranenses.
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Um clássico (II)

Sobre isto, leiam isto.
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Um clássico

A culpa é do mensageiro. É assim que a presidente da Fundação Cidade de Guimarães resume as críticas públicas de que tem sido alvo a sua gestão da Capital da Cultura. Um clássico do alijamento de responsabilidades que, de tão velho, começou há muito a cair em desuso.

"Tem sido puxado ao conhecimento público uma apreciação sobre alguns aspectos que decidiram escolher da Capital da Cultura que não foram apresentados positivamente. Daí a imaginar que há um descontentamento da população vimaranenses em relação à CEC é extravasar e exagerar um bocadinho na apreciação que se faz", afirma ao canalguimarães.com. E, acrescenta: "Trata-se de um conjunto de notícias porque de resto não tenho pedidso de esclarecimento de mais lado nenhum".

A presidente da FCG decidiu atirar sobre os jornais e os jornalistas. Como se as notícias fossem textos de opinião ou postas blogueiras. Não são. Aliás, têm reportado críticas de pessoas com nome e com cara - à excepçao do movimento A Capital é Nossa - e como tal perfeitamente capacitadas para assumirem as críticas.

Teria feito bem melhor a presidente da FCG se tivesse pensado de outro ponto de vista. Se a mensagem não passa, já ponderou a hipótese da culpa ser da mensagem? Ou de quem a transmite?

Mostra ainda, com estas declarações, que não percebe duas coisas. A primeira é que não percebe que não há notícias coerentes onde não há factos. E nem uma qualquer conspiração pouco provável entre jornalistas chegaria para justificar que as notícias de que fala não tivessem adesão à realidade. Têm. Como mostrou a insuspeita reportagem da Visão, feita por uma jornalista que, salvo erro, poucas vezes veio a Guimarães em trabalho.

A outra coisa que a líder da FCG mostra é que não conhece Guimarães. Já o tinha feito na rábula dos media partners. Agora volta a mostrar que não faz mínima ideia de como funciona este concelho. Não basta ser fotografada na esplanada da praça de S. Tiago para ouvir, de facto, os anseios dos vimaranenses. É preciso falar com eles. Basta sair do palácio, descer a avenida e parar uns minutos que seja no Toural para perceber que a conversa não escapa ao mais comum dos cidadãos.

post scriptum: A presidente da FCG desafia nas mesmas declarações ao canal de TV online a encontrar instituições locais que não estejam a ter um papel activo na programação. De repente, lembro-me de três: A Associação de Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães, a associação Reflexo (é nas Taipas...) e o Gabinete de Imprensa de Guimarães. Não me parecem irrelevantes. E depois é preciso perceber a importância daquilo que algumas das nossas principais associações estão a fazer para a CEC: Não basta tê-los a dobrar jornais para tornar os nossos artistas úteis ao evento.
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Merchandising




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Something is rotten in the state of Denmark


Dizem-me que o "Comércio de Guimarães" avança com mais detalhes sobre a questão. De manhã se verá.

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Xícara na FNAC de Guimarães



Os "Xícara", de que cheguei a falar há tempos aqui, já lançaram o seu EP. Este grupo do Minho, de Guimarães e Famalicão, têm sido alvo da atenção dos media internacionais e já foram destaque do programa "Mundofonias" da Rádio nacional espanhola RTVE. Também a Radio Télévision Belge Francophone (RTBF) mostrou o projecto Xícara através do programa "Le Coin Ibérique" (o recanto ibérico).

“Se me deixares eu digo” (de António Botto), “Eterno Feminino” (poema da autoria de João Penha de Oliveira Fortuna), “Cantiga” (poema da autoria do João Cabral Nascimento) e “Cantiga bailada” (tradicional da Beira Baixa) são os temas que compõem este primeiro EP dos Xícara. 

Carla Carvalho (voz), David Viegas (baixo e voz), Hélder Costa (braguesa, bandolim, cavaquinho), Pedro Oliveira (percussão), Rui Ferreira (piano, acordeão) e o amigo Nuno Cachada (guitarra clássica), são o corpo deste projecto, que tem como artista convidado o flautista e gaiteiro David Leão.

A não perder, já no próximo dia 5 de Março, Sábado, às 17h00 na FNAC de Guimarães, um dos pontos de passagem da sua tour pelas FNACs do norte do país.