Um clássico

A culpa é do mensageiro. É assim que a presidente da Fundação Cidade de Guimarães resume as críticas públicas de que tem sido alvo a sua gestão da Capital da Cultura. Um clássico do alijamento de responsabilidades que, de tão velho, começou há muito a cair em desuso.

"Tem sido puxado ao conhecimento público uma apreciação sobre alguns aspectos que decidiram escolher da Capital da Cultura que não foram apresentados positivamente. Daí a imaginar que há um descontentamento da população vimaranenses em relação à CEC é extravasar e exagerar um bocadinho na apreciação que se faz", afirma ao canalguimarães.com. E, acrescenta: "Trata-se de um conjunto de notícias porque de resto não tenho pedidso de esclarecimento de mais lado nenhum".

A presidente da FCG decidiu atirar sobre os jornais e os jornalistas. Como se as notícias fossem textos de opinião ou postas blogueiras. Não são. Aliás, têm reportado críticas de pessoas com nome e com cara - à excepçao do movimento A Capital é Nossa - e como tal perfeitamente capacitadas para assumirem as críticas.

Teria feito bem melhor a presidente da FCG se tivesse pensado de outro ponto de vista. Se a mensagem não passa, já ponderou a hipótese da culpa ser da mensagem? Ou de quem a transmite?

Mostra ainda, com estas declarações, que não percebe duas coisas. A primeira é que não percebe que não há notícias coerentes onde não há factos. E nem uma qualquer conspiração pouco provável entre jornalistas chegaria para justificar que as notícias de que fala não tivessem adesão à realidade. Têm. Como mostrou a insuspeita reportagem da Visão, feita por uma jornalista que, salvo erro, poucas vezes veio a Guimarães em trabalho.

A outra coisa que a líder da FCG mostra é que não conhece Guimarães. Já o tinha feito na rábula dos media partners. Agora volta a mostrar que não faz mínima ideia de como funciona este concelho. Não basta ser fotografada na esplanada da praça de S. Tiago para ouvir, de facto, os anseios dos vimaranenses. É preciso falar com eles. Basta sair do palácio, descer a avenida e parar uns minutos que seja no Toural para perceber que a conversa não escapa ao mais comum dos cidadãos.

post scriptum: A presidente da FCG desafia nas mesmas declarações ao canal de TV online a encontrar instituições locais que não estejam a ter um papel activo na programação. De repente, lembro-me de três: A Associação de Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães, a associação Reflexo (é nas Taipas...) e o Gabinete de Imprensa de Guimarães. Não me parecem irrelevantes. E depois é preciso perceber a importância daquilo que algumas das nossas principais associações estão a fazer para a CEC: Não basta tê-los a dobrar jornais para tornar os nossos artistas úteis ao evento.

6 reacções:

João Carvalho | 15:06

O principal problema dessa senhora foi não ter percebido o que é Guimarães e que é a sociedade Vimaranense. E mais incrivel é quem a foi buscar não ter tido o cuidado de lho explicar.

PS: o canal Guimarães não é aquele que não dá noticias politicas? Pelo menos foi o que o seu director disse na ultima ass. munincipal para justificar a sua intervenção como deputado do PS. Ou a CEC não é (tambem) um acto politico?

Samuel Silva | 15:08

Não João, essa é a GMRTV.

Nuno Silva Leal | 15:26

Há uns dias dei-me ao trabalho de ver quem eram os seguidores do "A capital é nossa" no FB. Em cerca de 750 seguidores, quase 40 eram associações várias: políticas, culturais, religiosas, locais, regionais.
Encontrei ainda políticos de vários quadrantes, incluindo do PS.
E vi lá muitos artistas: plásticos, mas também escritores, cineastas, arquitectos...
Enfim, só isso acho que é suficiente para desmentir as próprias palavras da presidente...
E concordo em absoluto contigo, Samuel. Se o problema é a mensagem não passar, será que ela alguma vez pensou que pode ser no mensageiro que radica o problema?

casimirosilva | 16:00

Samuel, tu sabes isso muito melhor do que eu, mas não é verdade que quando há ruído a mensagem se perde?

Anónimo | 18:59

Parabéns pelo texto Samuel.

Um abraço,

Francisco Brito

Dom Mikelem I | 02:41

Amei o seu texto, cara. Legau!