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Marcas

Nos dias de hoje há uma grande preocupação dos responsáveis pela gestão das cidades de as promoverem. As cidades, em particular as mais antigas, com uma história e património edificado e imaterial interessantes, vêem na sua promoção enquanto centros urbanos com uma identidade própria uma oportunidade para atraírem turismo, habitantes e investimento. No final da década de 1970, foi isso que fez Nova Iorque, quando criou a marca I Love NY, um conceito replicado em muitas outras cidades do mundo.

Nos últimos anos, esta tendência chegou a Portugal, primeiro através de slogans (Guimarães, neste aspecto, parece-me ter sido pioneira com o seu "Aqui Nasceu Portugal" escrito na muralha), mais recentemente com a criação de marcas propriamente ditas. Foi o que aconteceu em Viana do Castelo. Após vários anos de política autárquica vocacionada para a reinvenção da cidade, através da recuperação do centro histórico e a aposta em novos edifícios com traços arquitectónicos característicos, que hoje atraem, por si, um grande número de turistas, a Câmara Municipal julgou ter chegado a altura de complementar este esforço com a criação de um símbolo que caracterize a cidade e a possa publicitar interna e externamente. Viana do Castelo era já promovida como sendo a cidade dos namorados, mas foi necessário renovar esse conceito. No dia 2 de Agosto de 2010, foi apresentada a marca "Viana Fica no Coração".


À falta de outros elementos distintivos que encarnassem o espírito da urbe (como o comprovou o estudo que esteve na base da criação), a conclusão a que se chegou foi que os vianenses sentiam um forte apego à sua cidade, um grande amor. E foi inspirado nesta questão dos afectos, relacionando-os com a arte da filigrana típica da região e aos lenços dos namorados que surgiu esta marca. Quando, na semana passada, conheci esta marca e o que esteve por detrás dele, não pude deixar de notar as semelhanças entre esta e a da CEC2012: o logotipo propriamente dito, o conceito, aquilo a que pretende apelar e, até, os cinco dias que separaram a apresentação pública de ambas.


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Uma discussão absolutamente necessária

A Câmara de Guimarães anunciou que, a partir de Janeiro, vai entrar em discussão pública o regulamento de requalificação de edifícios no centro histórico e zona tampão. Arrisco dizer que é uma discussão absolutamente necessária, urgente mesmo.

Viver no centro histórico da cidade, sendo um absoluto prazer que dificilmente dispensarei nos próximos anos, é uma aventura difícil. E muitos dos problemas que se colocam aos moradores do coração da cidade são motivados por este documento e pelas limitações que o GTL coloca a investidores e projectistas.

Volta e meia chove em minha casa. E chove por culpa do GTL, que impôs a utilização de umas telhas excessivamente leves para o vento que sopra por estes lados. Num dia de tempestade, voam as telhas e entra a água. Lê-se no regulamento que "o tipo de telha a aplicar será sempre definido pelos técnicos do GTL, consoante a data de edificação dos edifícios".

O mesmo vale para as janelas da casa, cuja utilização de caixilharias mais eficientes do ponto de vista energético - que até tem apoio do Estado através de deduções fiscais - está dificultada pelas limitações que este regulamento introduz. Na leitura do velho documento - de 1994 - saltam à vista normas cuja imposição é dificilmente justificável, como a que define que "na área de intervenção do GTL, apenas são permitidas áreas comerciais ao nível dos pisos térreos".

O GTL foi um instrumento vital da renovação vimaranense e da afirmação da cidade no contexto nacional e internacional. Tem esse mérito e um trabalho reconhecido que fala por si. Mas não pode transformar-se num empecilho ao desenvolvimento da cidade nem conservar-se como uma estrutura autista face às necessidades que 2010 e os anos que aí virão impõe.

Não defendo que se permita tudo no centro histórico - nem isso seria admitido pela Unesco, imagina-se. Não é o 80 aquilo que se quer, mas o GTL não pode também impor o 8. É por isso importante esta discussão, para que possamos chegar a uma solução equilibrada, moderna e capaz de facilitar os investimentos no centro histórico e a contínua manutenção da revitalização do centro da cidade.