A prata da casa
No dia em que há um acordo para a rescisão de Cristina Azevedo do cargo de Presidente da Fundação Cidade de Guimarães, a CCDR-N, através do Programa Operacional do Norte (ON2), atribui a Guimarães uma "bolsa de mérito" no valor de 4,5 milhões de euros para a viabilização da Casa da Memória, um dos equipamentos idealizados para a Capital Europeia da Cultura 2012.Há uma leitura importante a fazer sobre isto: se a Câmara Municipal de Guimarães tem tido, ao longo dos últimos anos, técnicos competentes a apresentar e a executar as candidaturas aos vários fundos comunitários que servem de base a estes programas operacionais, da parte da Câmara e dos seus responsáveis máximos houve sempre a sinceridade e simpatia de enaltecer "o apoio e aconselhamento com que a CCDR-N sempre tratou Guimarães", como referiu António Magalhães na passada sexta-feira.
É por isso compreensível a confiança que Magalhães depositou em Cristina Azevedo, vinda precisamente da CCDR-N, aquando da sua indigitação como Presidente da Fundação Cidade de Guimarães. Era, afinal de contas, a tradução de uma certa continuidade, a garantia de um conhecimento muito concreto dos mecanismos necessários para a viabilidade dos projectos e candidaturas a apresentar e necessárias para o sucesso da Capital.
O que António Magalhães certamente não estaria à espera, e que esta "bolsa de mérito" vem confirmar, era de que a grande quota-parte de responsabilidade neste bom desempenho é efectivamente das equipas de trabalho do município. Cristina Azevedo poderia ser uma boa interlocutora enquanto elemento da CCDR-N, mas não conseguiu implementar no terreno equipas (a nível de execução de projectos, de produção de eventos, de comunicação) melhores do que as que já existiam e tão boa conta de si têm dado.
É também por isso que devemos acreditar, embora o tempo escasseie, de que ainda é possível reverter o rumo que a Capital Europeia da Cultura estava a tomar e que permita a Guimarães ter mais do que apenas «um belo programa de festas» em 2012.
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Crise
Há muito que assistimos a um conjunto de declarações contraditórias entre os protagonistas da CEC. Há 15 dias, era este o ponto da situação. Há dois dias, no seguimento da reunião entre o PSD e A Oficina, Magalhães põe água na fervura, afirmando inclusivé que se conseguiu "ultrapassar o Rubicão". Ontem, retira a confiança à Presidente da Fundação Cidade de Guimarães (embora não a possa demitir).
Agora, segue-se o braço de ferro entre Guimarães e os agentes culturais de Lisboa.
Não se percebe a hesitação nem a confusão de declarações.
Por mim, esta posição só peca por tardia.
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Novidades da CEC
Foi lançado o projecto Interface, que pretende promover os projectos empresariais que surjam e que, de alguma forma, se relacionem com o âmbito do projecto da CEC2012, nomeadamente nas indústrias criativas.
Entretanto, estão a ser contratados um conjunto de serviços para a produção de filmes sobre diversos aspectos da vida de Guimarães.
Vale a pena ir acompanhando as contratações que a Fundação Cidade de Guimarães anda a fazer, para perceber o que vai surgindo (e como é gasto uma parte do dinheiro da CEC). Basta aceder a este site, introduzir "Fundação Cidade de Guimarães" no campo de pesquisa e ir vendo.
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Como é que ficamos?

9 Jun 2011
“ou a FCG protocola rapidamente os 15 milhões de euros ou assumirá por inteiro essa responsabilidade, e se correr mal Guimarães não lhes irá perdoar”
“depois de ter passado pela CCDRN, onde têm de chegar as candidaturas em tempo útil e serem aprovadas lá, a verdade é que houve um hiato temporal muito longo que não se justifica a todos os níveis, e naturalmente isso preocupa-nos imenso”.
17 Jun 2011
Opinião igual tem o presidente da autarquia que disse que “as coisas têm melhorado progressivamente” e que a relação entre o município e a FCG tem estado mais próxima. “O projecto é uno”, disse, ainda, Magalhães.
1 Jul 2011
(...) “As coisas não funcionam tão bem como nós gostaríamos e eu não tenho muito mais paciência”, afirma o autarca, para quem não é possível “esperar muito mais tempo” para que haja soluções. “Começam a desesperar-nos”, sublinha o presidente de câmara.
“Eu penso que isto hoje é a machadada final”, realça o responsável, que revelou ainda que, apenas a demissão do Governo liderado pelo PS evitou uma solução definitiva para o problema mais cedo. “Garanto-vos que se a situação política fosse outra, nós já poderíamos ter tomado outra posição”, afirma António Magalhães.
Face a este cenário, o líder vimaranense promete soluções para breve. “Mais vale, num período crítico, romper do que estarmos à espera. O projecto está semi-parado e isto não pode ser”, sustenta.
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