Património da Humanidade aqui ao lado

Ontem, terça-feira, no Correio da Manhã, publicava-se uma notícia sobre a ideia da candidatura do Bom Jesus do Monte, em Braga, a Património da Humanidade da UNESCO. É, sem dúvida, um local de grande beleza e com um muito interessante conjunto arquitectónico mas... será suficiente?

Entretanto, não se fala mais da candidatura das Nicolinas a Património Imaterial da Humanidade. E da ideia da candidatura dos castros da região também não temos notícia. Demasiado património de valor para a nossa capacidade técnica e política de o afirmar? Ou tendemos a sobrevalorizar do que temos?

10 reacções:

aan | 16:06

Meu caro Tiago,

Do resto não sei, mas posso esclarecer algo acerca do projecto de candidatura da rede de castros do noroeste, onde se integra a Citânia de Briteiros. Para a candidatura poder ser apresentada, os castros têm que estar dotados de um conjunto de condições (há muito existentes em Briteiros), nomeadamente de acolhimento e informação aos visitantes. Acontece que boa parte dos castros que devem integrar a rede ainda não adquiriram essas condições, e isso tem impedido que a candidatura avance. Muitos deles carecem de investimentos algo significativos (provavelmente agora mais difíceis do que antes). Alguns têm, cumulativamente, problemas relacionados com o facto de não serem propriedade pública, o que complica ainda mais a possibilidade de se avançar com as intervenções necessárias.

Tiago Laranjeiro | 03:35

Caro Amaro das Neves,

Sem dúvida que, na vertente do estudo técnico, os castros do Noroeste ganham vantagem sobre todos os outros possíveis candidatos que referi. Os problemas que refere são, sem dúvida, de difícil resolução, em particular no momento actual. Espero sinceramente que tudo se resolva pelo melhor e o mais brevemente possível. Seria um enorme salto para a projecção de Guimarães.

Anónimo | 01:11

Caro Tiago Laranjeiro,
Mas que chocante visão de paróquia. Nós perdoamos-lhe a imprudência e a incoerência porque, como se sabe, a idade nem sempre traz a maturidade na devida proporção.
Então o Tiago termina o texto a questionar se subvalorizamos o património que temos quando, no parágrafo imediatamente anterior, coloca em dúvida a candaidatura do Bom Jesus de Braga a Património da Humanidade? Já viu o ridículo em que incorre?
Além do mais, as suas dúvidas relativamente à candidatura do Bom Jesus de Braga demonstram manifesto desconhecimento em relação aos processos de classificação de Património Mundial da UNESCO. Sabia, porventura, o senhor Tiago Laranjeiro que o Bom Jesus de Congonhas (em Minas Gerais, no Brasil), inspirado no nosso Bom Jesus português de Braga, já obteve essa classificação? Pelos vistos está o senhor Tiago Laranjeiro muito longe de perceber o que é suficiente para um candidatura desta envergadura.
Saúda-se a posição da nossa autarquia que, prontamente, se associou à candidatura do património do concelho vizinho, deixando de parte rivalidades que mentes pequenas não conseguem digerir.
Com os melhores cumprimentos,
Josefina.

Tiago Laranjeiro | 01:18

Cara Josefina,

Ainda bem que me perdoa pelas minhas dúvidas, ainda que não lhe tenha pedido tal coisa.
Por acaso conheço o caso do Bom Jesus de Congonhas, com grandes semelhanças com o Bom Jesus do Monte, em Braga. E sei também do "facilitismo" com que a UNESCO parece encarar muitas candidaturas de países em desenvolvimento, contra as exigências que faz a outros. Faço votos para que o processo chegue a bom porto, pois será uma grande mais-valia para divulgação do património da região e para a sua atractividade turística. E Braga bem precisa que se valorize o seu património...

Anónimo | 10:31

Caro Tiago Laranjeiro,
Fico satisfeita por ter emendado a mão. Só lhe fica bem.
Com os melhores cumprimentos,
Josefina.

Anónimo | 19:49

Completamente descabido. Se deseja felicidades à candidatura porque é que põe o Património em dúvida??? Digo-lhe mais: em termos arquitectónicos (e isoladamente) não encontra conjunto monumental de idêntico valor arquitectónico em Guimarães... Ou acha que o conjunto Castelo + Paço supera o Bom Jesus? Guimarães foi muito justamente Património Mundial devido ao trabalho de recuparação do centro histórico e não pela monumentalidade/valor histórico isolado dos seus monumentos. Meta isso na cabeça e informe-se um pouco mais de história e arquitectura.
Sabe, porventura, quem foi André Soares? E Carlos Amarante? Leia, leia, leia.

Tiago Laranjeiro | 23:40

Já expliquei em resposta anterior o porquê das dúvidas: a exigência que parecem exigir do património localizado nalguns países, face àquelas que fazem de outros. Não percebo o porquê de tanta preocupação com a minha dúvida.

Redutora é a consideração que tece sobre a zona considerada Património da Humanidade em Guimarães, que vai muito para além da Colina Sagrada, cobrindo todo o Centro Histórico intramuros, pelo seu muito bem preservado traço medieval, bem mais relevante para a classificação do que o Paço dos Duques. Leia, leia, leia. Talvez venha a descobrir que também na zona-tampão há obras de André Soares...

Mas parece não querer ver para lá da posição que alega defender.

Samuel Silva | 23:47

Ia tão bem encaminhada a Josefina e deixou entornar o caldo ao escorregar no barrisimo. Comparar o Bom Jesus (sítio que eu adoro) com o centro histórico de Guimarães é como comparar o Duomo de Milão (sítio que eu adoro) com o centro histórico de Florença. É um só monumento contra uma imensidão de espanto arquitectónico. Não que isso valha alguma coisa para a Unesco, mas se é por aí que quer ir...

O próprio presidente da confraria do Bom Jesus admite que a classificação pela Unesco é mais um "objectivo mobilizador" do que algo a que se possa muito fortemente almejar.

Anónimo | 01:25

Comparar o Bom Jesus (sítio que eu adoro) com o centro histórico de Guimarães é como comparar o Duomo de Milão (sítio que eu adoro) com o centro histórico de Florença.
Não, não é. E sabe porquê? Porque o centro histórico de Florença tem inúmeras obras de elevado valor arquitectónico e que rivalizam sem qualquer dúvida com o Duomo de Milão. Pelo contrário, o centro de Guimarães (que eu adoro) não tem qualquer obra de valor arquitectónico (per se) capaz de rivalizar com o Bom Jesus. Até lhe digo mais: é óbvio para qualquer ignorante que o centro histórico de Guimarães é (muito justamente) Património da Humanidade pelo valor do conjunto e pela preservação da traça medieval mas não pelo valor arquitectónico (per se) de nenhum dos seus monumentos.
Aprendam a ver as coisas com isenção que eu gosto tanto da nossa terra quanto V. Ex.as.
Quem vê caldo de bairrismo no meu comentário anterior é porque já o adivinhara nas palavras do autor do post.
Luciano Tavares

Anónimo | 01:28

O comentário das 19.49 é da minha douta autoria.
Luciano Tavares