O Governo do DesNorte

Domingos temos eleições legislativas. O Governo dos últimos quatro anos vai a votos.

Este foi o Governo que deixou passar 64 milhões de euros de apoios comunitários para a Agricultura. Este foi o Governo que baixou a exigência do Ensino para melhorar a estatística. Este foi o Governo que ergueu mil barreiras na angariação dos 111 milhões de euros para a Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012 e que gastou quatro ou cinco vezes este valor a aumentar o metropolitano de Lisboa. Este foi o Governo que não permitiu que avançassem as obras do metro do Porto. Este foi o Governo que não resolveu qualquer problema na mobilidade no Minho. Este foi o Governo em cujo mandato o desemprego no Norte subiu para níveis que não lembram. Este foi o Governo do partido que rejeitou na Assembleia da República um plano de apoios à indústria têxtil no Vale do Ave que teve o apoio de todos os partidos da oposição. Este foi o Governo que empobreceu o Norte. Este foi o Governo do Primeiro-Ministro dos casos mais que suspeitos, da licenciatura às casas da Guarda ao caso Freeport, passando por muitos outros. Este foi o Governo dos Magalhães que já não existem nas Escolas.

Como dizia ontem Rui Rio, "não me recordo de ter havido um Governo no pós- 25 de Abril que ignorasse tanto o Norte".

Domingo, este Governo vai a votos. Queremos mais quatro anos deste Governo?

8 reacções:

Samuel Silva | 16:47

Os maiores investimentos públicos que de momentos estão a ser feitos em Portugal passam pelo Norte. Passam particularmente pelo nosso distrito. Azar o de Rui Rio, já viste?

Hospital de Braga, IIN e CEC2012. Que me lembre nunca o Norte (e o Norte não é o Porto, por muito que isso custe a algumas pessoas) teve tantos e tão preponderantes investimentos a serem realizados ao mesmo tempo.

Tiago Laranjeiro | 16:55

Samuel, o investimento feito no metropolitano de Lisboa custou várias vezes aquilo que vai custar a CEC. E a CEC não vai ser paga na totalidade pelo Estado.

O Hospital de Braga é um grande investimento, mas estão a ser feitos tantos outros pelo país fora. Ainda bem para Braga, que bem precisava.

NFC | 17:17

Sr. Tiago Laranjeiro:

Deixe-me começar por felicitá-lo porque me parece que o senhor, tal como muitos dos seus correligionários parecem ter despertado e estar honestamente dispostos a apoiar e fazer campanha em bloco pela regionalização que tão bem souberam minar há uns anos.
Depois, deixe-me dizer-lhe que citar Rui Rio, no contexto que o faz, faria corar o mais indefectível PSD tripeiro, pois nunca houve um presidente de câmara do Porto que, não só ignorasse tanto o Porto como Rui Rio, como tão mal lhe tivesse feito e tantos compadrios tivesse instalado na invicta. Aliás, quando se fala tanto de asfixia democrática e de mãs relações com os media em relação a José Sócrates, Rui Rio transforma-se num oceano, fazendo inclusive uso do sítio municipal para combater os órgãos de comunicação social, já para não falar na cláusula de apoio à autarquia que obriga os agentes da cidade a assinar se quiserem beneficiar de subsídios.
Eu tenho que enquadrar estes seus considerandos no clima eleitoral que atravessamos e no óbvio desespero que atingiu todo o PSD. Deixo-lhe apenas aqui um dado, porque talvez não tenha memória política objectiva e factual da época. A sua candidata Manuela Ferreira Leite, quando foi Ministra da Educação, proibiu taxativamente os responsáveis das escolas de tecerem comentários ou prestarem declarações à Comunicação Social. Isto não é asfixia democrática, é censura e pode perguntar a correligionários seus que o sentiram nessa época. Mais: 100 mil (número que tanto gostam de proferir) manifestaram-se em Lisboa contra a ministra da Educação actual e contra José Sócrates. Será isso asfixia democrática?
Quererão os portugueses poder continuar a manifestar-se livremente e, pela amostra, a conseguir resultados desse direito consagrado pelo 25 de Abril, ou quererão um governo dessa senhora que faz lembrar a professora primária à moda antiga, genuína, desprezando o bom que a modernidade nos dá e com a régua e a cana escondidas atrás das costas?

Eu acho que os portugueses saberão distinguir e voltarei aqui na próxima 2ª feira, se desejarem. Está prometido.

Nuno Fraga Coelho

Tiago Laranjeiro | 17:31

Caro Sr. Nuno Fraga Coelho,

Eu não defendo a regionalização, embora seja sensível a alguns dos argumentos na defesa da mesma. Como estudo no Porto, é lá que "vivo" durante a semana, pelo que conheço razoavelmente a cidade. Não vejo, portanto, onde vai buscar essa ideia da "asfixia" do Porto. O que eu vejo é precisamente o contrário, uma cidade dinâmica, com garra e iniciativa.

É curioso que tenha ido buscar o exemplo da manifestação dos professores para demonstrar o espírito "democrático" deste Governo. Não foi a mesma manifestação em cujas vésperas as forças de segurança e inclusivé forças militares (GNR) visitaram escolas e sindicatos para saber quem ia participar no protesto...

Mas ao seu comentário escapou-lhe todo o conteúdo do meu artigo. Não replica nenhuma das afirmações que faço, apenas ataca meus companheiros de partido e o que supostamente fizeram ou fazem no exercício de funções... Onde é que já vi isto?

É ou não verdade que este Governo abre os cordões à bolsa ao menor pedido de Lisboa e deixa-nos por cá a agonizar? É ou não verdade que para investimentos na capital tudo são facilidades, como seu viu no metropolitano; para o metro do Porto com nada se comprometem, adiando sine die qualquer decisão. O mesmo fizeram com a CEC2012 e o seu financiamento. E quando o PS rejeitou o plano apresentado para apoios ao Vale do Ave, que recolheu o voto favorável de TODA a oposição? Todos nós sabemos que isto se passou, que foi isto que fez este Governo.

Samuel Silva | 17:56

Tiago,

O Metro também não foi pago inteiramente pelo Estado, tanto quanto sei. Continuo a achar que os 111 milhões são curtos, mas são alguma coisa. Mais do que alguma vez algum governo investiu em Guimarães.

O hospital de Braga é um projecto de 30 anos, que finalmente está concretizado. Algum mérito terá o governo que o concretiza.

Quanto ao mais, tenho para minha que só há uma forma de combater essa desigualdade de investimento entre Lisboa e o resto do país. Eu, Rui Rio e Vitor Ferreira, pelo menos, estamos de acordo quanto à urgência da Regionalização.

Já a candidata a primeira-ministra do PSD é contra. Quem não quiser mias 4 anos de PS por causa do investimento no Norte, não irá, com certeza, votar em Ferreira Leite. Seria a maior garantia de que teríamos mais quatro anos de dicotomia Lisboa/Paisagem.

Tiago Laranjeiro | 18:07

Samuel, não partilho essa visão do "regionalização ou caos". Há outras formas de promover a descentralização, desde logo numa maior aposta na autonomia dos Municípios em várias matérias e na promoção de projectos intermunicipais, etc.

Tiago Laranjeiro | 18:09

Para além disso, o investimento directo em obras e projectos não é a única forma que o Estado tem para promover o desenvolvimento de uma região.

E já reparaste que no "núcleo duro" de Ferreira Leite há várias pessoas do Norte? Para mim isso é um bom princípio para crer que nos darão mais atenção.

Anónimo | 18:36
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