A nossa linha vale muito pouco

Recuso normalmente comentar no blogue os temas sobre os quais me debruço profissionalmente. Abro uma excepção, por causa da minha relação com o tema. Há uns meses, o vereador Rui Victor Costa lançou algumas questões na reunião de Câmara sobre a utilização da linha de Guimarães, exigindo melhorias no serviço. Hoje o Público traz alguns desses dados:

"O número de passageiros da linha de Guimarães representa apenas 10 por cento do total de utentes dos quatro eixos ferroviários centrados no Porto. Por ano, circulam menos de dois milhões de pessoas naquela ligação. O tempo excessivo da viagem é apontado como um dos principais problemas da linha.

Segundo dados da CP, em média 160 mil pessoas viajam no serviço urbano daquela linha em cada mês. Guimarães perde assim claramente face às ligações a Braga, Aveiro e Caíde. Na linha da principal cidade do Minho viajam, segundo a CP, 450 mil pessoas por mês.

De resto, nenhuma das estações da linha de Guimarães se encontra entre as 15 mais utilizadas pelos passageiros do Norte. Estas paragens, onde se incluem por exemplo, Ermesinde, Espinho, Aveiro e Penafiel, representam 75 por cento de todo o tráfego da rede de comboios urbanos do Porto".

3 reacções:

Eduardo Brito | 00:43
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Eduardo Brito | 11:03

Evidentemente que é o eixo com menos gente. Fazer, por 2 Euros, 52 km em 1h36min no ano de 2009 é um ultraje, um insulto. Nada que uma boa libertação de co2, meia horita nas calmas e 2,35 Euros de portagem compensem perfeitamente. Enquanto a CP não se iluminar com o conceito de "directo", terá os pássaros a fugir e as mãos cheias de comboios vazios.

casimirosilva | 11:11

Inteiramente de acordo. Na verdade, o conceito de distância e tempo há muito que se misturam para bem de quem tem que se deslocar. E isso, para a CP, apesar do grande investimento nas infraestruturas, parece não contar. A não ser que seja para agradar a quem não utiliza o comboio. Com paragens, por exemplo, em dois locais diferentes dentro da mesma freguesia. Paragens que claramente são para dar cumprimento a algo que - pelo menos quem viaja nesses momentos - não entende, porque por ali não entra nem sai ninguém.