Ideias avulsas (e nem sempre com sentido) para a CEC

Ontem fui rever Vicky Cristina Barcelona, ao Cineclube (Parabéns pelos 51 anos!) e pensei assim: Se Barcelona pagou dois milhões de dólares para ter Woody Allen a filmar o filme por lá (com direito a um saltinho a Oviedo), não era interessante convidá-lo a fazer algo do género por cá?

27 reacções:

aL | 21:34

basta de prostituição neste país de chulos! agora, é claro, se contabilizares quanto pagaram àquele fotógrafo para fazer a campanha 'european west coast' tudo é relativo. mas não pode ser!

p.s. filme é engraçado, para quem esteve em erasmus ali acredito que ainda mais. portanto percebo bem a "excitação" :)

João Gil | 23:49

Ai se a gente apontasse tudo o que diz...;) porque é que a gente não anda de bloquinho no bolso?

Ermelinda Deolinda Guimarães!! Fabuloso...ahahah

João | 00:20

Seria engraçado sem dúvida, mas lá se ia 1/50 do nosso orçamento.

Pois como vivemos num país dirigido por gente pequena teremos uma CEC que custará menos que apenas uma obra da última CEC realizada no nosso país.

Hugo Monteiro | 01:59

É pena não suportar determinado tipo de notação, porque a única coisa que me vem à cabeça é "LOL ao cubo".

Ainda estou para ver onde é que ias encontrar glamour neste buraco.

SicGloriaTransitMundi | 10:03

Neste "buraco" não é preciso procurar "glamour", porque há muita gente de valor, mas que ainda não anda por aí à vista de todos!

Mas já que lançaram a pergunta, lanço apenas um nome: Sofia Escobar. Uma actriz vimaranense, que está a tornar-se famosa no meio teatral londrino. E como todos sabemos, o teatro é a origem de muitos grandes actores de Holywood.

Além disso, não precisamos de nenhum Woody Allen.
Temos cá o Rodrigo Areias. Não é mundialmente conhecido, mas o seu amor a Guimarães é poe demais reconhecido!
Além disso, este ano já ganhou vários prémios internacionais e os seus filmes são presença regular em vários festivais internacionais. Aliás, uma obra sua foi vista há poucos dias no Festival de Cannes!

Por isso, mão de obra há! O que é preciso é um bom projecto e alguém que acredite nele!

Joaquim | 10:48

Caro Samuel:
O presidente do Cineclube de Guimarães pensa o mesmo.
JN, 2009-05-12
"Se dependesse do presidente do maior cineclube português, a CEC 2012 contaria com "um realizador consagrado" para projectar a cidade, o país e o cinema europeu (e esse realizador até podia ser norte-americano, caso de Woody Allen), defende Carlos Mesquita".

Rui Silva | 13:42

Não é nada de outro mundo. Aliás, o Wim Wenders foi convidado por Lisboa 98. E 1/50 do orçamento seria um bom investimento se isso significasse o nome e as ruas de Guimarães serem vistas por todo o mundo, num filme dum realizador como Woody Allen.

Hugo Monteiro | 14:15

Acho que as pessoas estão perder o conceito de "exequibilidade".

João Gil | 16:00

Agora a sério: não vejo mal nenhum. Se servisse para promover a cidade era dinheiro bem gasto. O cinema é um negócio à escala planetária que gera milhões, e mais do que isso, grandes atenções. Trazer cá um ou vários nomes famosos pode ser uma boa estratégia. Se um desses nomes famosos fizesse um filme com a cidade como pano de fundo era ouro sobre azul. Porque não? Deixemos de ser tacanhos.

p.s.: e uma coisa do tipo "In Bruges"? eheh

Hugo Monteiro | 19:48

Gil:

Com certeza Guimarães não seria a única cidade a procurar promover-se da mesma forma que fez Barcelona. Woody Allen, a entrar numa onda discos-pedidos, dificilmente viria para Guimarães. Existirão propostas muito mais aliciantes, com certeza. Sejamos realistas.

Samuel Silva | 20:45

O que eu fui fazer! :)
Como o Gil já explicou, foi uma ideia própria de um conversa sem freios que às vezes temos entre amigos. Há boas ideias que surgem dali. Outras vezes nem tanto.

E é mais ou menos isso que é este post, como se lê pelo título. Não é a ideia mais sustentada nem mais inteligente para a CEC, mas não é de todo descabida.

Ao contrário do que o Hugo acha, é capaz de ser mais fácil fazer esta versão "discos pedidos" com o Woody Allen hoje em dia. S. Paulo está a tentar o mesmo que Barcelona.

E o Gil deu um bom exemplo: Bruges. In Brgues é um bom filme, extremamente divertido, feito numa cidadezinha que até tem semelhanças com Guimarães. Depois de ver o filme, decidi ir à cidade (eu que até tinha riscado a Bélgica dos meus destinos de viagem). Lá para o fim do ano, se tudo correr bem.

1/50 do orçamento era muito pouco face à capacidade de promoção de Guimarães de um filme de média distribuição comercial. Concordo por isso inteiramente com o Rui Silva.

Wender, Herzog? Não sei qual escolher. Mas não dúvido do que isso significaria em termos de sucesso do evento e de marca na cidade.

Samuel Silva | 20:45

Hugo,

sou crítico de muita coisa que (não) acontece em Guimarães, mas já vi coisas boas feitas em sítios mais bodegados do que a nossa cidade. A tua forma de pensar é assustadora num tipo de 20 e poucos anos. Isto é mau? Até pode ser. E não se pode mudar? No que depender de ti, já vi que não.

Queres pensar na exequibilidade da coisa? Fácil: apresenta o orçamento a um gajo com vontade de fazer uma coisas boa, integrada num grande evento europeu. O Copola, por exemplo, anda a pagar filmes com vinhos. Podíamos dar-lhe uma folga de 2 milhões no orçamento da quinta e ele escusava de ir fazer filmes à Roménia.

Se adoptássemos o teu conceito de “realismo” hoje não seriamos CEC. E a CEC, se fosse programada à luz do teu “optimismo” seria feita apenas de bandas filarmónicas e ranchos folclóricos. Devem ser os únicos que cabem no “buraco”.

Samuel Silva | 20:46

Ah...a ideia do post era essencialmente o que acabou de acontecer: discutam, por favor.

Se não podemos dar opinião sobre a CEC em mais lado nenhum, ao menos que nos valha a blogosfera.

Tiago Laranjeiro | 01:15

E parabéns, Samuel!

Hugo Monteiro | 15:43

Samuel:

Sou muito céptico quanto à capacidade de reformas na nossa classe política. Sempre que se fala em grandes reestruturações (a nível nacional, regional ou municipal) saem coisas como a EXPO 98, os estádios do EURO e a Casa da Música.

"A tua forma de pensar é assustadora num tipo de 20 e poucos anos. Isto é mau? Até pode ser. E não se pode mudar? No que depender de ti, já vi que não."

Tentar ser realista é assustador? Ou a ingenuidade tem de ser apanágio obrigatório na juventude?
Mas, ei, eu não sei tudo. Só achei que não haveria nada suficientemente apelativo, em Guimarães, para fazer um filme. Todos os fds me deparo com esse problema e nem sequer estou a tentar escrever um guião.

Porém, desengane-se quem acha que Guimarães não é uma cidade animada. Nas faixas etárias 0-16 e 45-cair pró lado morto é uma terra fantástica. Já para a parte da vida que está no meio, não recomendo.

Samuel Silva | 16:36

Hugo,

Também não tenho em boa conta o grosso da classe política. Pelo contrário, aprecio o que os responsáveis locais fizeram em pelo menos um dos exemplos que dás.

Guimarães foi a primeira cidade a ter o estádio pronto para o 2004 e a que conseguiu fazer a obra mais bem dimensionada à realidade do clube e da cidade e com os mais baixos custos de todo o torneio.

Acho que é motivo suficiente para confiar.

Não creio que estejas a ser realista. Também sou crítico como venho por muitas vezes demonstrando do que acontece em Guimarães. Admito alguma ingenuidade, mas não vejo outra cidade tão bem preparada quanto a nossa para ser Capital da Cultura em 2012 em representação de Portugal.

Há por aí muitos CCVF's? Há outro Cineclube como o nosso? Muitas associações como o Convívio? Muitas cidades com tantos grupos de teatro amador e ainda uma companhia profissional?

Voltando ao cinema: enquadramento certo faz milagres. E Guimarães tem um conjunto de locais onde perfeitamente caberia a acção de um filme.

Aliás, já aconteceu, ainda que fosse apenas como palco e não como protagonsita.

Para finalizar: concordo com o que dizes no fim. Para quem tem 16 a 35 anos, há pouco de interessante a acontecer. Mas sabes que a minha opinião é de que a culpa também é nossa.

Dom Mikelem I | 18:19

Começo por dizer que "Gosto de Guimarães" logo sou altamente suspeito. Já tinha dado essa ideia num forum: fazer um filme acerca de Guimarães e se possível ser sócio nesse filme, de forma a que se possa ficar com lucros... ou seja, como se a Câmara fosse o produtor. Quanto ao filme que sugeria, o realizador seria Zack Snyder e faria um filme sobre Afonso Henriques, à semelhança do 300 (com a respectiva dose de novidade), filmado essencialmente em Guimarães. Com sorte gastavam-se os 111 milhões no filme e tinhamos um retorno do dobro. Depois com os euros faziamos outra Capital da Cultura à revelia... eh, eh...

Tiago Laranjeiro | 17:32

Hugo, a Expo 98 ou a Casa da Música não foram bons investimentos?

Por acaso a Expo não valorizou muitíssimo a cidade de Lisboa? Por acaso não projectou imenso a nossa imagem além fronteiras? Por acaso não trouxe milhares (milhões?) de turistas a Portugal?

E a Casa da Música, para além das derrapagens orçamentais e dos atrasos na construção, não foi também um bom investimento? Hoje tens os melhores nomes da música a nível mundial a virem ao Porto, a 50 km de Guimarães. Apesar da derrapagem orçamental, também a CdM projecta a imagem do Porto além-fronteiras e imprimiu uma nova dinâmica à cultura no Norte do país.

Ou será que o sucesso dos investimentos têm de ser medidos em valorização de activos tangíveis e na rendibilidade das acções?

Tiago Laranjeiro | 17:32

Já quanto ao Euro2004 tenho as minhas dúvidas.

Hugo Monteiro | 22:11

Samuel:

Quanto à produção de conteúdos na cidade de Guimarães tenho uma sugestão: abrir uma Escola de Artes na UM do Minho. Mas uma coisa a sério, não como o curso de música que se foi "abrindo", com 50 vagas, para albergar, no final, 7 alunos. Cá em Aveiro os alunos do Departamento de Comunicação e Arte (Design, Música, Novas Tecnologias da Comunicação) já fez muito pela cidade.

Samuel Silva | 22:14

Concordo com a ideia, Hugo. O CampUrbis incluiu um centro de pós-graduação em Design que me parece ter um objectivo semelhante.

A UM está do avesso. A Engenharia Civil devia estar em Braga e as Ciências Sociais em Guimarães.

Hugo Monteiro | 22:34

O pólo de Guimarães está pouco entrosado com a cidade. Penso que esta minha sugestão poderia ajudar a colmatar essa falha.

Tiago:

Expo 98 - Custou o triplo e beneficiou, sobretudo, os lisboetas. Com os nossos impostos, claro está. Ainda por cima já se sabe que são eles os mais pobrezinhos do país.

Casa da Música - Custou mais do triplo e chegou com mais de 4 anos de atraso. Com certeza que se conseguia produzir tal coisa com menos esforço, não?

Além disso, toda esta ideia à volta do Estado empreendedor dá-me a volta à cabeça (e ao bolso). Não se esqueçam que com cada cêntimo que gastam em cultura se sentem legitimados a gastar um euro em betão, asfalto e comboínhos.

Hugo Monteiro | 22:37

Eng. Civil concordo. Não estou é a ver a ligação de Ciências Sociais a Guimarães. Elucida-me... Ou tem alguma coisa a ver com a Sílvia? xD

Samuel Silva | 00:53

Não pá, não costumo defender as coisas à medida dos meus interesses. Era só uma forma de nos compensarem e porque me parece que a cidade beneficiaria com a sua presença. Além disso é coerente. Especialmente ter cá o curso de História.

Já CC está bem em qualquer buraco mesmo :)

Hugo Monteiro | 10:03

"Já CC está bem em qualquer buraco mesmo :)"

Isto dava para fazer muita boa piada. Mas não acho que seja a altura nem o lugar para o fazer xD

Bi | 11:51

Mas que raio tem a Sílvia a ver com tudo isto, ah? :p

Sociologia está bem em qualquer sítio! Nós somos bastante flexíveis! ;)

A História é que realmente deveria estar em Guimarães, tal como está a Geografia. Portanto, reencaminhava-se todo o ICS para Guimarães (já que CC e Soc podem estar em qualquer lado). Defendo isso desde o meu primeiro ano de licenciatura! Já vai há alguns anitos... Lol :p

Bi | 11:56

P.S. Já Arqueologia serve ambas as cidades.