A euforia de um sonho estrelado

O sonho estrelado está completo. Ainda que, como afirma e bem Emílio Macedo da Silva, saiba a pouco. Mas é justíssima a classificação do Vitória, atendendo a uma temporada fabulosa, em que não fossem as más prestações frente aos grandes e uma ou outra escorregadela fora de portas, podíamos estar a falar da melhor classificação de sempre. De qualquer das formas, o “bronze” sabe a ouro, porque nos permite chegar à antecâmara da mais importante competição futebolística de clubes do planeta.

Perante 27.700 pessoas, o Vitória fez um jogo seguro, capaz de disfarçar a falta de forças de alguns elementos que tinha ficado patente nos últimos jogos. Flávio abriu o activo, num canto em tudo idêntico ao que deu o empate em Belém, há uma semana. É o prémio justo para o capitão do clube, símbolo da raça de que se faz um vitoriano.

Antes ainda, já se tinha gritado golo. Em Alvalade o Boavista vencia e o sonho do 2º lugar chegou, por breves minutos, a parecer possível. Não o foi, mas nada nos tirou no pódio. A confirmação chegou na segunda parte, com contornos de goleada: primeiro por Alan. Uma época em branco do homem que mexe o ataque vitoriano – mas que chega a fazer desesperar o comum adepto - terminou com um golo feliz e atípico. Mas um prémio justo para uma belíssima temporada do extremo brasileiro.

O terceiro golo chegou quando a festa já se tinha instalado no D. Afonso Henriques. Andrezinho marcou um golaço improvável, depois de uma exibição em que demonstrou a falta de pulmão. Normal para quem passou uma época em campo, face à ausência de alternativas para aquele lugar.

A goleada ficou completa a dois minutos do fim, através de Desmarets. Se Flávio é o símbolo da raça vitoriana, Yves personifica o “Vitorian Dream”: motorista de autocarros há dois anos, assinou o primeiro contrato profissional quando veio para o Vitória e hoje tem meia Europa atrás dele. Tem um magnífico pé esquerdo, cultura e qualidade (O Bruno Prata do Público diz que é o único vitoriano com lugar num grande…). É por isso que mandei estampar o nome dele na camisola branca que ontem estreei!

Depois do apito final, voltei a chorar no Afonso Henriques. Outra vez frente ao Estrela, mas desta feita não por antecipar o pesadelo da II Liga. O hino da Champions (que entretanto ouvi duas dezenas de vezes no computador) soou nas colunas do estádio. E é uma sensação indescritível. Arrepiante. Foi o mote para uma festa que durou até às tantas da noite, acompanhando o percurso da equipa, desde o Estádio ao preenchidíssimo Toural, e depois até ao Hotel.

Obrigado, rapazes!

3 reacções:

António Larguesa | 01:33

Parabéns ao Vitória, ficam no lugar merecido! agora não se esqueçam do novo reforço anunciado pelo Cajuda: 'juízo'! E boa sorte, digo eu.

Um abraço leonino!

Samuel Silva | 04:37

Como quase sempre, o Cajuda tem razão. A euforia deve acabar esta semana, porque em Agosto o Vitória é o mesmo clube de sempre, com muitas dificuldades pela frente.

A sorte que desejas é bem vinda. A começar desde logo pelo sorteio.

Tiago Gonçalves | 15:20

Pois...é preciso olhar para o Boavista e ver o que aconteceu. Só espero que os dirigentes do vitória estejam à altura... ;)