O debate final

A discussão em torno do projecto de intervenção no Toural teve ontem o seu último capítulo. O projecto foi apresentado a 27 de Setembro do ano passado, e desde aí já se passaram mais de cinco meses de intensa discussão, que convocou algumas das vozes clássicas de Guimarães e alimentou também o debate nos novos meios de cidadania, no qual a blogosfera ganhou particular relevo.

Antes de mais, parece-me importante destacar o debate em si. Antes de mais, a decisão da autarquia de colocar os projectos (e o do Toural em particular) em discussão pública é uma prova de democracia e de abertura muito pouco comum. Além disso, os vimaranenses responderam à chamada e envolveram-se como há muito não se via num assunto de extrema importância para o futuro da sua cidade.

A decisão só deverá ser definitiva no final do ano. Há muitos dados novos que o debate trouxe que vai ser preciso ponderar antes de um decisão. Para já, sabemos que o facto de a decisão só ser tomada no final de 2008, atira o início da obra para 2010, já depois das próximas autárquicas.

Quanto ao debate de ontem, estiveram mais de 100 pessoas no Auditório do CCVF. Os argumentos foram, no essencial, os mesmos que já tinham sido ouvidos noutras ocasiões, pelo que destaco aquilo que ouvi de novo.

Estiveram presentes vários comerciantes e a ideia geral é a de que, para estes, o parque de estacionamento é uma necessidade. Aliás, ao contrário de discussões anteriores em que participei, a maioria das opiniões foram favoráveis à intenção autárquica.

Uma opinião que me pareceu particularmente relevante foi a defesa de uma intervenção mais arrojada no Toural, capaz de se tornar uma referencia arquitectónica, ideia que eu já tinha defendido no início da discussão.

Há dúvidas que mantenho sobre o projecto e que nenhum dos debates me conseguiu dissipar. Há discordâncias de monta relativamente às soluções propostas. E não sou o único. Pelo que pude perceber ontem, o próprio presidente da Câmara não tem certezas, neste momento, das vantagens da intervenção, nomeadamente a nível político. Agora: cabe-lhe a decisão.

6 reacções:

Albano Dias | 19:09

Isto das necessidades dos comerciantes ditarem a marcha das obras públicas tem que se lhe diga. Toda a gente sabe qual é a sua única pr€ocupação. Vamos deixar que destruam irreversivelmente o Toural em nome dos comerciantes? É isso?

Emanuel | 21:25

Que "soluções arrojadas" foram propostas?

Cumprimentos

ES

Samuel Silva | 01:08

Em concreto, nenhuma. Foi sugerido que se optasse por uma solução desse tipo e dado o exemplo da obra de Santiago Calatrava.

Pedro Ribeiro | 11:42

Tenho um pouco de medo de soluções arrojadas em cascos velhos de cidades classificadas pela Unesco...

Para mim:
- Sim a passagem subterranea;
-Nim ao parque subterraneo (temos estadio, hortas, caldeiroa, Alfredo Pimenta, CC Palmeiras, etc)
- Sim a um Toural pedonal no enfiamento do jardim da Alameda.
- Analise das possiilidades de retirar os veiculos de todo do eixo Paio Galvao, Campo Feira-Sto Antonio.

Abraços,
Pedro

Z | 23:07

Eu sou da opinião que se deve construir o parque subterrâneo, que se deve tirar o trânsito todo do toural e da alameda, privando os nossos prezados turistas de, quando vêm cá em excursões bus tours para conhecerem a cidade do cimo das camionetas, não se deslumbrarem com o nosso toural.

E sou da opinião de que devemos deixar o toural e a alameda para as esplanadas e para as meninas da vida, pois estão lá a ganhar o seu pão, nosso, a cada dia. Ainda p'ra mais, com tanto turista que querem ter nas esplanadas, será uma óptima situação para fanar algumas carteiras a esses francius que para aí vêm conhecer as terras por onde há duzentos anos andaram devastando. Cá se fazem, cá se pagam!

Zé Lingrinhas | 23:07

É só pr'avisar que o último comentário é MEU!