"Like I was sixteen"

Nota prévia: Sou fã incondicional de David Fonseca. Desde os Silence 4 que acompanho a carreira do músico de Leiria. Por isso a opinião que tenho do seu trabalho e do espectáculo de sexta-feira em Guimarães enfermam de alguma falta de isenção.

Aos saltos. Como se tivesse 16 anos. David Fonseca já deixou de ser o songwriter de canções mais ou menos melancólicas. Já deixou de o ser há muito, embora boa parte dos portugueses só agora o comece a reconhecer. O repertório do músico é cada vez mais eléctrico, electrónico e caótico nas composições. Por isso é que um concerto de David Fonseca seja para ouvir, cada vez mais, de pé. Aos saltos. Como um adolescente fora de horas.

E a sala do São Mamede é óptima para isso. Como David reconheceu: “Parece um daqueles clubes à antiga”. Saem as cadeiras e a plateia parece outra. O novo centro de artes e espectáculos pode ter aí um trunfo e ganhar uma mística própria.

E a casa estava cheia. Mais de mil pessoas. Na plateia, em pé. E nos balcões, a querer arrancar-se das cadeiras ao ritmo de Our Hearts Will Beat as One, The 80’s ou a nova e fabulosa Raging Light.

David Fonseca é um grande artista. Em todos os sentidos. Não só é um bom músico, com uma criatividade fantástica, como é fotografo e realiza os seus próprios videoclips – com uma qualidade já reconhecida. E é um grande performer em palco. Conversa com a plateia, interage, responde aos pedidos para tocar versões – hábito nos espectáculos ao vivo –, com humor. Certeiro e corrosivo. Ao ponto de tocar versões acústicas de temas “dance” ou de zombar das “música do momento”, a “Umbrella” de Rhiana.

Sem gozos, passaram pelo palco de Gumarães outras versões – David já se confessou melómano e demonstra a cada dia a vasta cultura musical. Psycho Killer dos Talking Heads e Rocket Man de Elton John (incluída em Dreams in Colour e com um genial clip). Karma Police? Radiohead? Também! David Fonseca a viajar pelo melhor álbum do rock dos últimos 25 anos. E nós com ele. E depois o Boss Springsteen.

Os fãs da primeira hora não saíram desiludidos, com Angel Song e To give de roupa nova, porque a música de David Fonseca evoluiu muito nos últimos dez anos.

E o Natal… Pelo segunda vez o concerto de Guimarães foi o concerto de Natal de David Fonseca. Em 2005 no Vila Flor tocou Little Drumer Boy. No São Mamede fez de Amazing Grace o hino da quadra.

Nota final: E pessoal: Como tinha dito, era o dia de aniversário da minha mãe. E o concerto foi em família. Alargada. Com os amigos, grande parte deles, ali ao lado, bem em frente ao palco. A música tem mais significado quando é comungada e nos faz dar as mãos.

1 reacções:

mia | 20:58

:) assim estive lá. consigo imaginar.