Vamos lá socializar

Nos jornais de Guimarães há quem não saiba a importância de uma página ímpar na paginação de um jornal. E quem não entenda que, as páginas centrais, especialmente porque são publicadas a cores, devem ser claramente valorizadas.

O Povo de Guimarães – que “Sarkozy não quiz desmentir” (sic) – usa a página 11 da sua edição desta semana para publicar uma não-notícia, sobre um jantar de um juventude partidária, com direito a foto e a destaque colorido.

Sob o título «JS…”socializa”», o PG publica um texto claramente opinativo e faccioso, que termina com uma frase fantástica: “Ficou desta forma realizada mais uma actividade da JS, que ultimamente se tem mostrado muito activa!”.

O tom da afirmação não é digno de jornalismo sério e credível. Nem um RP excitado escreveria tal coisa. E o teor tem muito por onde se possa discutir. É que, nos últimos anos, actividade política na JS é pouco menos do que uma miragem…

12 reacções:

Vimaranes | 01:01

Duas polémicas com o PG numa só semana?
Espero uma próxima abordagem sobre a falta de liberdade de expressão no dito jornal (trouxe-me à memória uma história antiga). Comprovada estes dias, na concorrência.

Samuel Silva | 01:18

Parece-me que está a falar da lamentável carta aberta publicada no Comércio de Guimarães.
Se quer a minha opinião, a ser verdade que o Povo de Guimarães recusou a publicação do dito artigo - um escrito perfeiamente revoltante e panfletário - fez muito bem.
A liberdade de expressão não é um fim em si mesmo e um jornal com responsabilidade deve evitar publicar falácias históricas a coberto de indignações que não parecem ser mais que maus fígados de carácter ideológico.

Vimaranes | 10:42

"um jornal com responsabilidade deve evitar publicar falácias históricas"

Não posso estar mais de acordo. Mas não é isso que tem acontecido no dito jornal?

Samuel Silva | 11:20

Confesso não ter acompanhado muito atentamente o caso a que se reporta, o da (longuíssima, segundo sei) série de artigos sobre o Salazarismo. Por isso não lhe sei dizer se foram ou não igualmente falaciosos na análise do Estado Novo.

antónio larguesa | 13:28

o socializador cristino estava por lá a "beber e a ser da malta" ou já ocupa algum gabinete de assessor de assessor de secretário de estado?

Samuel Silva | 14:11

Não sei se esteve no dito jantar, mas o socializador Cristino anda bem lançado, meu caro. Com um cargo na Associação de Municipios do Ave, a presidencia da comussão politica da JS em Guimaraes e um cargo nacional de relevo na mesma estrutra. Pelo meio até entrou na direcção da cooperativa que gere o jornal a que se refere o post...
O crime compensa, afinal, meu caro.

XanaeR | 15:39

aproveitem para ver as paginas iniciais. numa caixa de texto cinzenta surge a posição da JSD Guimaraes sobre o Cartao Jovem Municipal. quem faz politica tem seis linhas a cinza escuro; quem promove jantares, tem fotos a cores em paginas centrais... enfim!

Samuel Silva | 00:30

Inteira razão, caro Alexandre (julgo que não me engano no nome...).
Tinha pensado referir exactamente essa diferença de tratamento, mas optei por um texto mais curto.
Mas ainda bem que vocês não deixam passar isso em claro.
Se calhar era interessante tentarmos entender o porquê dos "dois pesos e duas medidas"...

Anónimo | 11:21

1- a dita "carta aberta" que faz a a defesa ultrajante da ideologia fascista não foi publicada no Povo de Guimarães, apesar de o seu autor ter tentado, a todo o custo, comprar uma página do jornal como aconteceu no Comércio de Guimarães, por razões de ética e de respeito pela verdade da História. A própria Constituição da República Portuguesa proibe a defesa da ideologia fascista.
Seria interessante saber-se a razão que levou o Comércio de Guimarães a publicar essa carta. O dinheiro compra tudo?

Samuel Silva | 15:17

Já o disse e repito: O Povo de Guimarães tem toda a legitimidade para negar a publicação do artigo em causa. É insultuoso dos valores democráticos que são os que regem o jornalismo. A direcção editorial do PG tem razão e está de parabens.
Quanto ao CG, cada um responderá por si, mas o facto de quem assina o texto ser (ou pelo menos ter sido) acionista da Sociedade que administra o grupo, pode ajudar a compreender a situação.

Tiago Laranjeiro | 20:11

Nunca percebi muito bem o princípio que determina não se poder fazer uma apologia do fascismo mas ser possível (oh! quão possível é!) fazê-la do comunismo...

Samuel Silva | 00:28

Há Comunismo e comunismo, Tiago. Defender a aplicação prática em países como a Rússia, Cuba ou a Coreira é igualmente execrável e condenável.
Mas o Comunismo como ideologia, na sua génese, foi em tudo distinta dos crimes cometidos "em seu nome".