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A CEC nos Maus Hábitos


O espaço Maus Hábitos, no Porto, organizou esta noite mais uma sessão do ciclo "Encontros de Criatividade". Este ciclo pretende pôr em diálogo e em reflexão pessoas de diferentes proveniências mas que têm acção no sector das indústrias criativas. Esta sessão respondia ao tema "Cultura: de Sector Marginal a Estratégico", e tinha como oradores Mário Rui Silva (vogal executivo da Comissão Directiva do ON.2), Manuel Heitor (Secretário de Estado do MCTES), Vergílio Folhadela (presidente da direcção da ADDICT) e Carlos Martins (director de projecto Guimarães - CEC 2012).

Antes de mais, foi curioso assistir a esta interessante conversa que versou principalmente sobre as políticas públicas para a cultura e da mudança de paradigma a que se assistiu nos últimos anos, em particular na região Norte de Portugal. Não é todos os dias que agentes culturais e programadores de políticas públicas se reúnem num mesmo espaço para, num ambiente de abertura, dialogarem. Foi também interessante ver que, das cerca de 25 pessoas presentes na sala, mais de 7 tinham formação em Economia. Um sinal claro da importância e do reconhecimento que as indústrias criativas começam a ter.

Quase todos os que intervieram referiram a importância estratégica de Guimarães - CEC2012 para a região, como um evento que pode potenciar o desenvolvimento do sector da cultura. O evento é considerado um dos pilares em que assenta esta aposta que a CCDR-N fez na valorização do património e desenvolvimento do potencial criativo e gerador de conhecimento da região (para mais informações, consultar este documento, página 4 e seguintes). Especificamente sobre Guimarães, nada de novo foi avançado. Carlos Martins reforçou o compromisso assumido há muito pela equipa que prepara o evento: gerar valor económico para Guimarães e principalmente para os vimaranenses (vale a pena rever esta apresentação). Afirmou que a CEC2012 deve gerar novas aspirações, novas inspirações e novas oportunidades para a região. Isto consegue-se não só através do significativo investimento na programação (cerca de 25 milhões de euros, segundo afirmou), mas através de uma cuidadosa programação das infra-estruturas em construção, que deverão ser capazes de impulsionar esta criação de valor.

No plano do discurso, parece-me que os diversos responsáveis pela CEC2012 estão articulados. São coerentes e deixam uma sensação de optimismo com as suas palavras. O problema, a meu ver, é a falta de concretização no terreno deste mesmo discurso. Quem vir do Porto (a meros 50 km!) o que se está prepara para Guimarães certamente que ficará muito agradado. O problema é quem vê a realidade no terreno: um atraso tão grande que, se não fossem as obras no Toural há um mês, ficaria a sensação de que a CEC não está a 13 meses (400 dias exactos) de distância. Bem sei que o resultado deste trabalho, em particular da realização destes objectivos que Carlos Martins enunciou, demora tempo a dar os seus frutos. Mas "esperar o melhor, mas estar preparado para o pior" é uma velha máxima. Temos assistido à primeira parte. Sem querer ser pessimista, penso que talvez seja altura de começarmos a pensar na segunda.
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Provincianismos

Afinal houve mesmo quem tenha levado isto a sério. De repente, uma manchete de um jornal com a abertura de um restaurante de fast food não parece uma coisa tão descabida. Guimarães está assim tão mal?
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É Guimarães que está em jogo

De que falamos quando falmos de Guimarães? De um centro histórico recuperado através de um processo unanimemente reconhecido. De uma cidade que se orgulha desse património, das suas festas e da sua história. De desporto, especialmente do Vitória. Hoje falamos também de Cultura, por via de uma tradição que não foi inventada pelos poderes políticos, mas que teve o mérito de ser potenciada por acção municipal, com particular relevo nacional desde que o CCVF foi inaugurado.

Esta dimensão vai acentuar-se nos próximos anos. Porque calhou de Guimarães ser Capital Europeia da Cultura em 2012 (não sou eu que o digo, é o presidente da Câmara , que esta semana afirmou que "não pediu para ter esta responsabilidade"). Mas muito do que é a imagem externa da cidade, em Portugal e no Mundo, vai depender da forma como a CEC correr.

Já está a acontecer assim. Há cada vez mais olhos postos sobre nós. Especialmente desde que começaram a ser noticiados os problemas na organização do evento das nossas vidas. Dos salários chorudos e profusamente criticados, aos estatutos adjudicados por ajuste directo e por uma verba ainda inexplicada, passando pela incapacidade comunicativa que afecta a estrutura da FCG. São problemas que o país discute e que têm, obviamente, o nome de Guimarães associado.

À opinião pública nacional não chega a mensagem de que esta Capital está a ser feita por forasteiros. É Guimarães que está em jogo. É a credibilidade merecidamente conquista pela cidade ao longo dos últimos anos que sofre um rombo de cada vez que uma destas informações vem a público. E é isso que os responsáveis políticos tardam em perceber.

Por excesso de confiança ou incompetência, os estatutos da FCG foram aprovados. Por unanimidade. E blindam a instituição de tal modo ao escrutínio público que deixam pouca margem de intervenção política ao governo ou à autarquia. Mas se vemos o governo empenhado em intervir numa instituição que financia - e que manifestamente não funcina bem - temos assistido a uma curiosa proximidade de posições entre a liderança da FCG e o presidente da Câmara de Guimarães.

O autarca defende com unhas e dentes a líder da FCG. Como se a escolha tivesse sido sua. Em troca de um biscate na preparação de candidaturas a fundos comunitários. Reconhece-lhe competências de burocrata. Como se essas fossem esssenciais em alguém que lidera um evento cultural. É de Cultura que falamos, acima de tudo, quando se fala de uma CEC.

Enquanto isso, o país vai tomando o hábito de olhar para Guimarães como a cidade que tem uma oportunidade única nas mãos e está a preparar-se para deixá-la escapar. Com os políticos, está visto, que dificilmente podemos contar. Podem os cidadãos ir a tempo de evitar uma catástrofe destas?

post scriputm: Ao contrário do que afirma o presidente da Câmara, a líder da CEC não foi escolhida pelo Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães. A presidente da FCG foi apresentada como titular do cargo a 14 de Julho e, meses antes, já era anuncaida como líder da CEC. O CG reuniu pela primeira vez a 10 de Outubro. Um lapso de memória, com certeza.
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A CEC é boa ou má?

A vereadora Alexandra Gesta não sabe bem se a Capital Europeia da Cultura é uma coisa boa ou má. Vejam o vídeo na GMRTV, ali pelos três minutos e poucos.