Debate "O Centro Histórico de Guimarães"
Estão espalhados por diferentes pontos da cidade uns flyers de um projecto de animação pedagógica promovido pela Fraterna. Trata-se, segundo percebi, de um jogo-debate, para discutir o Centro Histórico de Guimarães. Será dia 26 de Maio, às 21:30, no Paço dos Duques.Esperam-se mais informações (que devem surgir no site indicado, que não está ainda no ar).
Maus Sinais
Conforme se pode perceber pela caixa de comentários do post anterior e por notícias e opiniões que vieram hoje a público, os sinais que a Fundação Cidade de Guimarães deu enquanto resposta à moção aprovada pelo Conselho Geral não foram os melhores. Pelo contrário.A demissão do Director do Projecto, Carlos Martins, a cerca de meio ano do início da CEC, em aparente rota de colisão com o núcleo duro da Administração, não é a melhor forma de responder ao apelo do Conselho Geral de criar “condições para relançar a confiança e entusiasmo em torno do projecto”.
Já parecia difícil, nos poucos meses que faltam para o arranque, reverter todo um caminho feito de silêncios e uma aparente má gestão das críticas, construtivas ou infundadas, que a pouco e pouco se foram acumulando em torno da FCG.
Agora, com estes sinais, torna-se quase impossível reler os primeiros documentos do Grupo de Missão, que preparou a candidatura, e de Cristina Azevedo, cheios de entusiasmo e ambição, de envolvimento e partilha, sem ficarmos com o travo amargo do que Guimarães 2012 poderia ter sido e, muito provavelmente, já não irá ser.
Comunicação?
Ouvindo João Serra, fica a sensação de termos sido demasiado rigorosos para com o Departamento de Comunicação aqui, aqui e aqui.E agora?
A moção ontem aprovada pelo Conselho Geral da FCG é de tal modo violenta para com algumas opções da administração que quase fala por si. Mas ao exigir que se criem “condições para relançar a confiança e entusiasmo em torno do projecto” e “melhorias rápidas e eficazes” na comunicação do evento, os conselheiros acabam por fazer a mais relevante crítica recebida pela administração desde que iniciou funções.
O documento mostra uma coisa: acabou-se a margem de manobra dos gestores da CEC. E só se estranha que tenha sido necessária a intervenção de Jorge Sampaio para que finalmente houvesse uma censura forte a algumas opções que já mereceram reparos dos vimaranenses várias vezes ao longo dos últimos meses.
Os conselheiros fartaram-se do triste espectáculo que tem sido a preparação da CEC e exigem mudanças rápidas. O documento foi aprovado por unanimidade, mas apresentado inicialmente pelos “pesos pesados” do Conselho, Sampaio, José Manuel dos Santos, Braga da Cruz e Adriano Moreira. O que também demonstra que as críticas, ao contrário do que foi dito não há muito tempo pela principal responsável da FCG, não são apenas feitas nos jornais.
Ao dizer o que disse, o Conselho põe a partir de agora o ónus do que possa correr mal sobre a administração. E impõe mudanças que, se não acontecerem, podem vir a resultar numa reacção ainda mais enérgica por parte de Jorge Sampaio, o porta-voz do bom senso na Guimarães 2012 desde que esta começou a ser preparada.
As críticas feitas não são novas para quem tem acompanhado minimamente o processo. Mas parece-me particularmente importante o relevo dado à falta de envolvimento dos vimaranenses na Guimarães 2012. O Conselho dá razão às críticas das associações locais e exige mudanças. O Conselho Geral aponta também baterias à política de comunicação do evento, que tem sido uma verdadeira catástrofe neste ano e meio de vigência da FCG.
Mas a moção de nada valerá se não acarretar consequências. Como se pode criticar tão duramente a política de comunicação e manter a confiança nos responsáveis pela mesma? E que alteração de fundo vai haver na organização da Fundação que permita, por exemplo, dar mais poder à vereadora da Cultura, como é exigido pelos conselheiros?
É isso que falta perceber: que impacto real terá esta tomada de posição enérgica. Esse será um motivo extra para nos mantermos atentos ao longo dos próximos dias. Porque estou em crer que só depois de verem o que se vai passar no palácio Vila Flor é que os vimaranenses se disponibilizarão a assumir a segunda parte do repto lançado ontem por Sampaio: o de se voltarem a dirigir à Fundação como uma entidade em quem podem confiar para fazer da CEC um evento de todos.
Post scrtipum: Sobre a programação cultural, nem uma palavra é dita. Penso ser um sinal de que os conselheiros não estão preocupados, por acreditarem que essa é a área que melhor está a ser trabalhada. É também a minha opinião, se exceptuarmos um ou outro exemplo menos feliz.
Bastos
Não me apetece escrever sobre o tema de que mais tenho ouvido falar nos últimos dias. Porque me entristece perceber que a realpolitik à nossa moda possa dar cabo de quase dez anos de trabalho na cultura vimaranense e a cinco de afirmação do Centro Cultural Vila Flor como o melhor equipamento do género existente no país.O dia que define uma época
Domingo, em Coimbra, o Vitória não joga "apenas" a final da Taça. Da forma como a época tem vindo a decorrer, um revés no Domingo quase que hipotecará a confiança vitoriana em terminar a época nos cinco primeiros lugares, que dão acesso à Europa.É por isso que é de enaltecer a paixão e a confiança dos adeptos nesta equipa, como o demonstra o excelente vídeo de motivação do Pedro Ribeiro, também conhecido por Whiteshadow. Depois de o ver, voltei a acreditar que vamos chegar ao Jamor. Espero que os jogadores também o vejam.
José Bastos
Lancei uma petição pública há dois dias com o título "Queremos José Bastos no CCVF e na CEC". O título e o texto da petição falam por si. Peço-vos que a leiam e se estiverem de acordo assinem.No meio de todas as polémicas, boatos e silêncios que têm preenchido a agenda da CEC, é incompreensível que o episódio dos cargos de José Bastos, na Oficina e na Fundação Cidade de Guimarães, tenha sido o que gerou a reacção mais enérgica e pró-activa de António Magalhães, forçando José Bastos a escolher entre o lugar onde, nos últimos 5 anos, tem mostrado a sua reconhecida competência e o cargo de programador da Capital Europeia da Cultura.
Com a entrada de José Bastos no núcleo de programadores, fortaleceu-se o elo de ligação entre a Fundação e a cidade, entre o programa cultural de 2012 e tudo que a cidade tem sabido fazer até à data. Ainda mais importante, é o programador que certamente mais ênfase poderá colocar no pós-2012, na necessidade de que a festa não seja um fim em si mesma.
Tornar o cargo de programador da CEC (função que no essencial já executa enquanto director artístico do CCVF) incompatível com o de administrador d'A Oficina, parece a manifestação de uma vontade política clara: a de separar as águas entre a Fundação Cidade de Guimarães e o poder local. E isto não deixa de ter em si uma certa ironia, quando, ao mesmo tempo, a cidade continua a pedir à Fundação que saia do Palácio e se ligue mais aos vimaranenses.
Um clássico
Something is rotten in the state of Denmark
Xícara na FNAC de Guimarães
SuCECso
Agendas
Hoje realizou-se a primeira reunião de Câmara após a apresentação do programa da Guimarães 2012. Sobre o tema, nem uma palavra. A única referência - após insistência jornalística - foi sobre o não-assunto da contratação de Ricardo Rio para a CEC. É a oposição que temos.Apontamentos sobre o programa
O programa da Guimarães 2012 não nos apresenta grandes novidades face ao que já tinha aprovado no Conselho Geral de Novembro e noticiado em alguns jornais. Mas como a CEC tem passado ao lado da maioria da comunicação social nacional, percebe-se a excitação em volta de alguns nomes apresentado, mesmo que estes sejam tudo menos uma novidade.
O que nos diz, afinal, o tal programa – que dois dias depois ainda não está disponível no site? Diz-nos que a programação vai ser dividida em quatro blocos temporais. A primeira que vai de Janeiro a Março com o nome Tempo de Encontros, outra de Março a Junho (Tempo para criar), uma terceira que se prolonga até Setembro (Tempo Livre) e a última, chamada Tempo de Renascer. A programação vai durar de 20 de Janeiro a 21 de Dezembro, pelo que foi anunciado. O que é surpreendente.
O programa mostra ainda as linhas essenciais das várias áreas de programação. E da leitura dos documentos disponibilizados na sessão ficaram algumas ideias que aqui partilho. Reforço a noção de que o sector da Comunidade tem vindo a fazer um bom trabalho, envolvendo as populações das freguesias mais afastadas da cidade num projecto que é concelhio. E está a fazê-lo de uma forma transversal como foi possível ver pela apresentação do projecto Outra Voz que encerrou a sessão.
Depois do rocambolesco processo em torno do nome de Vargas Llosa, a área do pensamento parece descalça. Sem programador, sobram algumas ideias interessantes como a de recuperar as histórias dos Guimarães espalhados pelo mundo e o pensamento de vimaranenses extraordinários como Sarmento, Sampaio e Novais Teixeira. Mas é pouco para o grandiloquente discurso sobre a vontade de colocar Guimarães no centro da discussão dos grandes temas da Europa feito há um ano.
A área cidade é uma daquelas em que tenho mais dúvidas. Fico com a ideia que Tom Flemming pegou no seu modelo e o esticou sobre o território local, sem grande adesão à realidade vimaranense. A ver vamos. Sobre a programação Tempos Cruzados pensada pelas instituições culturais locais nada foi dito além de uma referência breve à sua existência. Aguardemos, pois.
Sobram as áreas artísticas. Onde as artes visuais apresentam umas dezenas de nomes como Pistoletto, mas onde estranho a ausência de referências ao Laboratório das Artes. A plataforma local tinha sido sempre tida como parceiro central do evento e, de repente, não se vislumbra a sua presença no programa.
Outra apreensão que tenho prende-se com a música e a criação da Fundação Orquestra Estúdio, uma estrutura profissional para jovens músicos. O nome pressupõe que adopte o modelo jurídico de uma Fundação, mas isso não foi explicado e levanta sérias dúvidas. Além disso, por muitos méritos que este projecto possa ter não vislumbro como possa Guimarães sustentá-lo para lá de 2012. Por outro lado, não foram apresentados projectos noutras áreas musicais que não a erudita ou clássica, para além de uma vaga referência a música pop e underground (?). Não era essa a CEC que se imaginava.
De positivo, destaco as ideias apresentadas nas áreas das artes performativas e do cinema e audiovisual. A ideia de criar uma plataforma de produção audiovisual em Guimarães entusiasma, os nomes apresentados e a promessa de produzir duas dezenas de filmes para e sobre Guimarães também.
No cinema temos nomes, projectos concretos e ideias para o futuro, abrindo as portas a novos protagonistas e chegando mais além do que a cidade. Mérito de João Lopes, que soube perceber Guimarães e rodear-se de gente que a conhece melhor do que ele. Há ali competência qb para se atingir o sucesso.
Não por acaso, a outra área que destaco pela positiva é a das artes performativas, liderada pelo homem da casa Marcos Barbosa, que já sabia o que queria para Guimarães antes de o terem contratado para o fazer. Por ali virá Peter Brook, chegará teatro às 69 freguesias e a palavra residência como peça central de tudo. E ficará também na cidade outra estrutura fundamental para o futuro da criação artística local com a criação do teatro estúdio.
Sinais de cena
No palco do CCVF houve discursos em jeito de recado. Quem lá esteve deve tê-los percebido. E os sinais que passaram revelam algum do desconforto pela forma como o evento tem vindo a ser liderado.
É certo que a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, elogiou o trabalho da presidente da Fundação Cidade de Guimarães (a quem chamou Catarina), mas fê-lo en passant. E dedicou os minutos seguintes a sublinhar o envolvimento de João Serra no processo, o papel do administrador na comunicação com a tutela.
Reduzir a líder da estrutura que organiza o evento a uma nota de rodapé num discurso feito num momento crucial para a CEC tem significado. Só não percebe quem não quiser que a ministra não morre de amores pela presidente da Fundação. E que isso pode ser prejudicial para todo o processo.
O mesmo João Serra, no momento em apresentava os eventos previstos já para este ano, fez aquele que me parece ter sido a intervenção mais relevante da tarde. “O que julgamos possível há dois ou três anos parece agora mais difícil. Mas a CEC merece que nos sentemos a conversar sobre o sentido do que fazemos, para podemos corrigir erros”, afirmou na abertura do discurso.
Serra faz um mea culpa que tenta responder à frustração instalada entre algumas das principais instituições culturais do concelho. E fâ-lo num momento solene, mostrando a todos que se não se faz mais, não é por responsabilidade sua. Também por isso, o elogio de Canavilhas tem simbolismo.
Haverá obras em 2012
Magalhães confirmou no domingo aquilo que já sabíamos: Haverá obras a decorrer durante a Capital da Cultura. O CampUrbis só ficará pronto em Março e a Casa da Memória no mês seguinte, estando previsto apenas para Junho a inauguração da obra mais emblemática do evento, a Plataforma das Artes.
A boa notícia é que as obras vitais para o dia-a-dia da cidade têm prazos de execução que garantem a sua conclusão até ao final deste ano. E isso é que é essencial. Seria impensável começar o evento com obras em zonas centrais da cidade. Porque durante aquele ano a CEC é acima de tudo uma montra. E ninguém imagina como seria mostrar a cidade com o Toural ou o Castelo convertidos em estaleiro.
Se esses prazos forem cumpridos – e tudo indica que serão – é um bom sinal para a CEC. É certo que Magalhães não cumpre a promessa feita quando o evento ainda vinha longe. Tudo estaria pronto no final de 2011, disse. Não vai estar, mas os 63 milhões investidos garantem a Guimarães um incremento do valor das suas infra-estruturas nunca antes conseguido.
Além disso, os três equipamentos que serão inaugurados já com a Guimarães 2012 a decorrer não são essenciais do ponto de vista do programa artístico. Felizmente a cidade está bem dotada nesse domínio. Serão acima de tudo equipamentos para o futuro, o legado que tanto tem sido sublinhado por estes dias pelos responsáveis. Por perceber está a sua sustentabilidade futura. Mas isso há-de ser outra história.



