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O Blog e a Cidade

É dia 6 de Julho de 2010 e o blog está a banhos, em respeito para com a cidade que o alimenta.
Uma cidade que tem o período mais marcante da sua história recente a um passo, mas que mais parece vegetar na acalmia que antecede a tempestade. Assim o esperamos, que a CEC tenha esse efeito em Guimarães. Mas porque aproveitámos o conselho do Sr. Presidente da República e passamos férias cá dentro, ainda podemos debater alguns assuntos na ordem do dia:

  1. Enquanto se ultimam os detalhes para as obras que começam já em Setembro no Largo do Toural, e depois da ACIG, CDS-PP e PSD virem defender novamente (e tarde demais?) um parque de estacionamento na praça, eis que vem a público, por intermédio do Povo de Guimarães, um estudo a revelar que a maioria da população vimaranense estaria a favor do parque de estacionamento subterrâneo.
    Surpreendentemente, tal notícia não causou qualquer impacto.

  2. O Vitória apresentou-se a uma parte dos seus associados, em pleno Mundial de Futebol, com duas semanas de preparação e ainda sem o plantel completo, jogando numa sexta-feira contra a equipa que no último jogo da época passada nos tirou a possibilidade de jogar a Liga Europa. Perdemos 2-0. Que isto não seja um prenúncio para a nova época, é o que desejo. Quanto ao jogo, independentemente do resultado, estou com o Prof. Manuel Machado: esta equipa tem soluções. Agora é preciso trabalhar.

  3. A Capital Europeia da Cultura domina as Assembleias Municipais desde o início do ano, sem que, em concreto, se saiba muito mais do que já se sabia na reunião anterior. A parte material parecer estar com dificuldades em função da crise económica, os apoios do governo têm vindo a diminuir e vai ser necessária muita cautela e parcimónia para gerir todo essa parte do processo. Já a parte imaterial teremos que ir acompanhando através do site www.guimaraes2012.eu que parece, finalmente, começar a ter informação actualizada.
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Nova GmrTV


A GmrTV lançou esta semana o seu novo site. Mais arejado, moderno, preparado para novos desafios e para uma cidade com uma nova dinâmica no que à informação online diz respeito. O site está bem feito e introduz maior facilidade de manuseamento para os utilizadores. De destacar as rubricas assumidas de gmr noite, comédia, memória e toponímia. 

Mais importante ainda de assinalar é que este projecto está a pouco mais de duas semanas (24 de Junho) de fazer 3 anos, e atingiu a marca importante de 3 milhões de visitas. Uma média de 1 milhão de visitantes por ano a um sítio mantido pela dedicação e enorme capacidade de trabalho dos profissionais do CyberCentro de Guimarães. Ao Vítor Oliveira e à sua reduzida equipa de trabalho, pelo empenhamento posto no terreno, e pelos frutos que vemos dar, os meus parabéns. 
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Debate "Os jovens e a política: de costas voltadas?"

O Canal Guimarães resume o debate do último Sábado.

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Do debate "Os jovens e a política"

A primeira reacção que se pode ter depois do debate sobre os jovens e a política, que decorreu ontem no CAE São Mamede, é a de que é urgente a criação de um Conselho Municipal de Juventude.

Este organismo poderia colmatar duas lacunas que se tornaram evidentes ontem: o enquadramento local das várias opções políticas manifestadas pelos representantes das diversas forças partidárias; e a inclusão de jovens que, alheios aos organismos partidários, usam os movimentos sociais e associações da mais variada índole para definir a sua intervenção cívica.

Dos representantes partidários presentes, a principal limitação que na minha opinião se tornou evidente, foi a incapacidade, por um lado, dos partidos de esquerda, de fugir das questões ideológicas de base e terem uma visão mais genérica do sistema que actualmente nos rege (pelo que seria interessante perceber quais os seus contributos para políticas locais concretas); e por outro, a dificuldade dos partidos centro-direita terem uma voz activa no âmbito das políticas de juventude quer no próprio partido, quer nas instituições locais e nacionais que as implementam.

Se algo que, quem esteja por fora, possa ter suspeitado é a ideia de que o IPJ está caduco, as vereações ligadas à juventude são autistas e os organismos públicos que possam ter políticas de juventude não têm uma estratégia comum, deixando-se levar pelo sabor do vento e a competência ou falta dela dos seus responsáveis.

Mas no essencial, parece-me haver nos jovens massa crítica suficiente para conseguirem esgrimir entre si os seus projectos e pontos de vista (e pelo que se viu ontem, mais centrados no conteúdo do que na forma, ao contrário dos seus congéneres seniores da Assembleia Municipal), pelo que a criação de um organismo como o Conselho Municipal de Juventude poderia aproveitar
para o bem do município toda a vontade e dedicação representadas diariamente, quer pelos elementos das várias forças partidárias, quer pelos jovens que dão a cara a um vastíssimo conjunto de intervenções na sociedade.

Em jeito de conclusão, mais do que o paternalismo vaidoso de quem possa achar que tem alguma coisa a ensinar aos jovens, parece-me que são eles que podem realmente mudar as formas de representatividade democrática e de diálogo entre forças políticas, conseguindo provavelmente aquilo que manifestamente não foi conseguido pelos intervenientes políticos actuais, que é a discussão das ideias e dos projectos pelo que valem e não por quem os apresenta.

A criação dum CMJ poderia também dificultar, dessa forma, através de um novo paradigma na intervenção política, a fácil subordinação dos jovens deputados a um sistema velho e pouco produtivo do ponto de vista da capacidade de gerar consensos e políticas seriamente discutidas e adoptadas para o médio e longo prazo.

Assim o espero.
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CEC2012: o baixar da fasquia

Dentro de 19 meses Guimarães será Capital Europeia da Cultura. O evento, em preparação desde Outubro de 2006, já passou por diversas fases e percalços. Primeiro os atrasos na aprovação da candidatura, com um longuíssimo e injustificável período de silêncio. Depois, a euforia com a divulgação de novidades e uma vaga apresentação do projecto. Agora estamos num período em que baixamos a fasquia para 2012.

Houve revezes na maioria dos projectos e a CEC que teremos será quase nada daquilo que foi inicialmente anunciado. Há um evidente atraso em tudo o que vai ser feito, e o próprio grupo parlamentar do PS na Assembleia Municipal é o primeiro a dizer que, se muitas das estruturas não estiverem prontas em 2012, daí não  virá qualquer problema. Vem, sim. Veja-se o que aconteceu com o Porto 2001.

O PCP, através de Capela Dias, espera que no futuro os vimaranenses olhem para 2012 como olham hoje para 1884: um momento de viragem na vida do concelho. Muitos no PS continuam encantados com o discurso das indústrias criativas e as maravilhosas potencialidades que estas podem trazer. Certamente que isto acontece por não perceberem o que isto envolve e por não verem a impossibilidade de concretizar tudo o que é prometido em alguns discursos políticos.

É, aliás, o próprio Presidente da Câmara quem insiste em baixar a fasquia. "Quem pensa que a CEC será remédio para os problemas de Guimarães, desengane-se", declarou ontem. A mim desenganou-me. E aos seus? Falou ainda das restrições orçamentais, que não permitem fazer tudo o que se pretende. A centena de milhões de euros, aproximadamente, que estão reservados para 2012 não chegam para tudo. Espanta-me então a constante mudança de planos e a longa lista de aquisições de imóveis que a Autarquia vem fazendo ao longo dos últimos anos. Só em 2013 poderemos fazer um primeiro balanço. Mas adivinho tempos difíceis para Guimarães no futuro, com uma Câmara que poderá ficar muitíssimo endividada.

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Debate - "Os jovens e a política: De costas voltadas?"

O blogue Colina Sagrada, em colaboração com a livraria do Centro de Artes e Espectáculos São Mamede, organiza no próximo sábado, dia 15 de Maio, a partir das 15h30, um debate subordinado ao tema “Os jovens e a política: De costas voltadas?”.

Para esta iniciativa já confirmaram a sua presença os representantes das juventudes afectas ao PS, PSD, CDS, BE e PCP, que assim se reúnem à mesma mesa pela primeira vez em quatro anos, em Guimarães.

Neste debate pretende-se discutir a participação dos jovens na política local e nacional, bem como as formas de participação cívica que a juventude tem encontrado para manifestar as suas opiniões.

Este será o primeiro de um ciclo de debates denominado "Conversas na Colina" que o blogue Colina Sagrada e a livraria do São Mamede CAE vão organizar nos próximos meses sobre um conjunto de temas da actualidade de Guimarães e de Portugal.
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Da Assembleia Municipal de ontem II

Ontem houve uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal para debater a Capital Europeia da Cultura 2012. Foi uma sessão concorrida, com várias intervenções de todos os partidos. Ao contrário do que eu pensava que poderia acontecer, havia de facto muitas questões a colocar por parte da oposição, sobre as opções estratégicas, os atrasos nos projectos e muitas de pormenor sobre as opções feitas na preparação do evento.

A Câmara optou por não responder a praticamente nenhuma questão, refugiando-se em considerações genéricas e ataques a quem a questionou. António Magalhães optou por ignorar as várias perguntas objectivas directamente colocadas pela oposição. No entanto, da sessão podem-se tirar algumas conclusões interessantes.

O Presidente da Câmara foi claro em esclarecer a responsabilidade da Autarquia no processo que agora decorre de preparação da Capital Europeia da Cultura: cabe-lhe apenas a preparação das infra-estruturas. Sobre o planeamento, programação e todo o software necessário (a chamada "parte imaterial"), a responsabilidade é toda da Fundação Cidade de Guimarães, e a Câmara não responde a nenhuma questão relacionada com ela. Magalhães foi também claro ao declarar que à Assembleia Municipal não cabe a fiscalização da actividade desta fundação. António Mota Prego (num discurso cheio de auto-referências) chegou a acusar a oposição de estar a "vasculhar" a fundação ao requisitar documentos relacionados com a sua actividade. Se à Assembleia Municipal - que é, relembre-se, o supremo órgão do poder autárquico - não cabe esta fiscalização de uma fundação que a Câmara patrocina e cuja direcção nomeia, que tem como objecto a preparação de 2012, então a CEC é infiscalizável.

Um outro esclarecimento importante prendeu-se com o modelo de gestão escolhido para a Capital Europeia da Cultura: a repartição das responsabilidades entre a parte "material" (leia-se, a construção das infra-estruturas) e a "imaterial" (tudo o resto). Segundo Magalhães, esta ideia surgiu do próprio gabinete do Primeiro Ministro. Uma fundação criada por sugestão do Governo, que escapa à fiscalização dos órgãos a quem cabe fiscalizar, que presta apenas contas quando a isso é pela lei obrigada... Onde é que eu já vi isto? Espero sinceramente melhor sorte que esta para a Fundação Cidade de Guimarães.

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Da Assembleia Municipal de ontem

Sobre a Assembleia Municipal extraordinária de ontem muito há a dizer. Uma das coisas que mais me marcou foram as declarações do PS e da missiva de Cristina Azevedo a remeter quem procura informação para a internet. Acontece que a página da Capital Europeia da Cultura não é actualizada desde 17 de Março. Acontece que o principal documento deste projecto, aquele que foi levado a Bruxelas e que motivou a aprovação da candidatura, nem sequer está online. E é à net que pretendem que vá quem procura informação...

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Frases

"A Câmara de Guimarães vai continuar a fazer obra para os vimaranenses e a obrar para vossa excelência".
O presidente da câmara, António Magalhães, dirigindo-se ao deputado do PCP João Salgado Almeida.
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Quando já ninguém respeita o Vitória

As obrigações profissionais mantiveram-me em Braga à hora do último jogo do campeonato. De ouvido na rádio, fui acompanhando as más notícias que chegavam do D. Afonso Henriques. O desfecho do campeonato não foi aquele que todos esperávamos, mas acaba por ser facilmente explicável atendendo a uma época titubeante.

Em 12 meses, o clube teve contrato com três treinadores. Nelo Vingada foi um dos maiores erros de casting da história do clube. Paulo Sérgio saiu a três jornadas do final, quando nada estava conquistado, como se viu. Os dedos de uma mão não chegam para contar os jogadores de qualidade miserável que por cá passaram este ano. E os pontos perdidos em casa acabaram por ser fatais para afastar o clube do objectivo da Liga Europa.

Num campeonato nivelado por baixo – se exceptuarmos os dois da frente – o Vitória foi maquilhando com uma boa classificação uma época péssima. Raramente a equipa jogou bom futebol. E não fossem Nuno Assis e, a espaços, Rui Miguel, Desmarets e Andrezinho, duvido que o fim do sonho europeu tivesse acontecido apenas ontem.

E depois houve as arbitragens. Já ninguém respeita o Vitória e não me lembro de uma época em que o clube tenha sido tão prejudicado como nesta. O golo do Benfica em Guimarães e a agressão de Javi Garcia na Luz; o escândalo de Braga e o penalti sobre João Alves frente ao Sporting; a eliminação em Vila do Conde e a encomenda de Paixão há uma semana; as duas arbitragens do grande artista Benquerença. Tudo somando, é uma dezena de pontos a menos e a presença nas meias-finais da Taça de Portugal que nos tiraram.

Todas estes problemas têm algo em comum: A liderança do Vitória. Por muito que Emílio Macedo da Silva tenha sido legitimado nas última eleições, o presidente do clube é hoje uma figura desgastada. Especialmente junto das cúpulas do futebol português. Assim se percebe que o Sporting tenha mandado em casa alheia antes do fim da época e que as arbitragens prejudiquem o Vitória continuadamente. Porque já ninguém tem respeito por este clube.
José Pereira disse, há uma semana, que ia estar atendo a manobras de bastidores. E o que vimos? Olegário volta cá depois de ter ultrajado os vitorianos há escassas quatro jornadas. E vem acompanhado de um fiscal de linha de Braga. Isto acontece porque, no futebol português, ninguém respeita Macedo da Silva. E, desta forma, já ninguém respeita o Vitória
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Sempre?

No dia em que se celebram os 36 anos do 25 de Abril, vale a pena parar para pensar. Guimarães teve uma tradição de grandes lutadores anti-fascistas, mas de repente parece que essa memória se esvaiu.
A cidade inaugurou com pompa um monumento aos soldados que fizeram a guerra do fasciscmo, mas não tem um marco que assinale a Revolução Democrática. Sobra um largo da cidade, que a maioria das pessoas desconhece chamar-se 25 de Abril. E até a Alameda, que foi da Resistência, hoje tem nome de santo.
Mas como disse, parei para pensar. E lembrei-me que as paredes pintadas na madrguada anterior a cada comemoração da Revolução há muito passaram a ser só memória. E lembrei-me que a cidade mantém uma estátua a um ditador e um largo com o seu nome.
É coincidência? Não, é a ideologia.
A (magnífica) ilustração é de Paula Saavedra e é capa do Povo de Guimarães desta semana.
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A rua D. João I

...tem tudo isto que o Eduardo Brito enumera. Tem o encanto que lhe encontra Ramalho Ortigão. Mas não tem um único caixote do lixo ao longo dos seus 700 metros. E tem um padrão - uma das peças mais encantadoras da cidade - que é o local onde se coloca o lixo para a recolha. E uma praça em frente a uma capela de 1600 que é um parque de estacionamento. Isto é cuidar o Património?
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Subsídio público para a azelhice privada



Circula há dias em alguns estabelecimentos comerciais vimaranenses um "Guia de Guimarães" editado pela empresa de publicações periódicas Porto de Sempre. Com uma tiragem de 10 mil exemplares e paga por publicidade quase maioritariamente de empresas privadas que viram ali um meio de promoção. Nada contra.

A edição é má, feita com fotografias maioritariamente disponíveis on-line e cuja autoria não é creditada. A edição é má, feita com textos copiados da internet e alguns deles claramente desfazados da realidade, como aquele em que se indicada que o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta funciona na antiga capela do convento de Santa Clara.


A edição usa, parece-me que de forma abusiva, o logótipo desenhado pela autarquia para pomover a Capital Europeia da Cultura de 2012 (foto acima). A edição ilustra o texto sobre a Câmara Municipal de Guimarães com uma fotografia do edifício da Câmara Municipal de Braga...(foto abaixo, canto superior direito).



Tudo isto seria apenas uma curiosidade, entre o divertido e o trágico, não fosse dar-se o caso de a mesma edição ter sido também paga com dinheiro públicos. Logo na página 3, é afirmado "Edição com o alto patrocínio da junta de freguesia de Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião".

Estas três autarquia, que tantas vezes se queixam da falta de recursos, pagaram, com dinheiro que é de todos, um edição má, com erros graves, cujo objectivo é puramente comercial e da qual não se vislumbram mais-valias para as mesmas.

Pergunto: Que gestão dos dinheiros públicos é esta? Que critérios presidem à decisão de apoiar esta edição? Que critérios presidem à decisão de colocar dinheiro público a pagar uma edição claramente comercial? Que tipo de acompanhamento deram as autarquias em causa ao processo de feitura da edição sob forma de evitar erros como os que aqui se reportam?

Da próxima vez que disserem que não mudam uma lâmpada na minha rua porque a câmara não deu dinheiro, lembrem-se antes de onde o andam a gastar!
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2012

Braga vai ser Capital Europeia da Juventude. Que se lixe o bairrismo. 2012 é o ano do Minho.
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Tranquilidade a sul do Toural

Ia escrever um comentário ao texto anterior, mas penso que vale a pena falar um pouco mais sobre o assunto. Numa altura em que entramos no último acto eleitoral interno antes de 2012, o Partido Socialista deu uma resposta às dúvidas lançadas nos últimos sobre a unidade e tranquilidade que se vive na sede sul do Toural.

Domingos Bragança é candidato único, e tem como principal meta para o mandato "trabalhar e reforçar a coesão do partido" como faz referência o guimaraesdigital.com. As sugestões como a apontada no texto abaixo, são naturais e saudáveis num partido com tradição altamente democrática como PS.

E se este mandato termina a um ano das eleições autárquicas, ficamos já a saber que os destinos da cidade serão escolhidos em primeira instância pelo mesmo grupo que constituía a anterior Comissão Política, e que assenta numa política de continuidade dos últimos 20 anos de hegemonia Socialista em Santa Clara. Salvo alguma cisão pouco previsível, de quem não tinha nada a apontar, ou alternativa a apresentar para a próxima sexta-feira, a aparecer a um ano da decisão final.

E diga-se: não se esperaria outra coisa. A avaliação do mandato anterior é extremamente positiva. O acompanhamento próximo aos militantes, a coesão demonstrada em diversos momentos, o apoio às candidaturas que conduziu a um excelente resultado nas freguesias e um resultado histórico na reeleição de António Magalhães para a Câmara Municipal, bem como as qualidades humanas e pessoais, fazem de Domingos Bragança um nome consensual para os destinos do PS - Guimarães. 

A última palavra caberá ao eleitorado vimaranense, daqui a 4 anos. Mas de uma coisa podem já ter todos certeza: não haverá rupturas numa política de sucesso e que conduziu Guimarães a Capital Europeia da Cultura e Património da Humanidade. 
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O fim do unanimismo?


Fiquei absolutamente surpreendido com o artigo da Juventude Socialista publicado na edição deste fim-de-semana do Povo de Guimarães. Não que discorde dele, pelo contrário. Mas o texto (não disponível on-line) critica a política municipal no que à ocupação do centro histórico diz respeito e aponta uma realidade sobre a qual já diversas vezes me debrucei neste espaço.

Diz a JS que há um perigo de “desertificação do centro histórico” e pede, por isso, um programa municipal de apoio ao arrendamento jovem no centro da cidade. Sobre isso já por mais de uma vez escrevi no blogue. Aliás, a minha recente experiência como morador do centro histórico mostrou-me uma oferta desequilibrada, que oscila entre os preços escandalosamente altos e a falta de condições mínimas.

Estando de acordo com grande parte do texto e com o princípio subjacente às posições propostas, surpreendeu-me, no entanto, que os jovens socialistas tenham sido tão assertivos na crítica à câmara que o seu partido lidera há 20 anos. Não me lembro de nada igual nos últimos tempos. O que ser terá passado, então? Trata-se de uma questão pontual onde há uma pouco comum diferença de pontos de vista entre juniores e seniores? Ou a unanimidade está a chegar ao fim, numa altura em que o PS vimaranense está prestes a entrar num processo de definições, com vista a 2013?
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Sabes que vives numa aldeia...

...quando um jornal faz capa com a abertura de um restaurante de fast food.
Temos assim tão poucas coisas relevantes no concelho? Não acontece nada de interessante? Se assim for, não entendo como é possível ouvir insistentemente perguntar porque não há um jornal diário em Guimarães...
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Gestão pública e boas práticas


A Câmara Municipal de Guimarães foi criando ao longo dos anos diversas instituições com os mais diversos objectivos. Estas instituições, que são nossas, têm-se pautado por uma gestão um tanto opaca aos olhos do comum dos vimaranenses. A verdade é que não há qualquer esforço por parte de quem tem responsabilidade para prestar contas da sua actividade. Não há um relatório de gestão disponível ao público, quanto mais um relatório de contas. Ninguém sabe, por exemplo, como são as contas da Tempo Livre ou d'A Oficina. O estatuto jurídico encontrado para muitas destas instituições, o de régie-cooperativas, facilita este encobrimento da informação.


Um exemplo da opacidade na gestão destas instituições é a Fraterna. Esta cooperativa de acção social da Câmara tem uma actividade que merece reconhecimento, desde os apoios na alimentação de famílias carenciadas, jardim-de-infância e assistência à terceira idade. No entanto é impossível, através da "cara" da instituição junto do grande público, o seu site, saber como esta é gerida. Em parte alguma do site surge a indicação sequer dos nomes que compõe a sua direcção! Daqui a pensar-se que há interesse em que esta informação seja ocultada é um passo lógico.


Problema semelhante tem o Cybercentro. Este "Centro de Divulgação das Tecnoligias de Informação" experimenta o grande contracenso de, sendo vocacionada para a divulgação, prestação de acesso e formação nas novas tecnologias, nem sequer ter uma página na internet. Esta já existiu, mas dede que arrancou com o projecto "Guimarães TV" (um projecto de utilidade duvidosa, com um site fraquíssimo - já para não falar da qualidade técnicas dos vídeos - e que se deveria antes chamar "VSC TV"), fechou-o. É neste momento impossível saber-se sem uma deslocação às suas instalações quais as formações agendadas, as valências de que dispõe, qual o seu horário (o que é apresentado no site da Autarquia não corresponde ao praticado, como já verifiquei pessoalmente) ou quem o dirige.

Num momento em que o exercício de cargos públicos está muito descredibilizado por sucessivos casos de má gestão e até de corrupção, cabe em primeiro lugar àqueles que os exercem dar o exemplo na transparência das suas acções. Sem a prestação de contas ao público da sua actividade, isto é impossível. Estas boas práticas de gestão elementares nos dias de hoje ainda não são consideradas pelos responsáveis vimaranenses. E se não o fazem, digo com certeza que não é por desconhecimento.


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Todos no Estádio para mostrar a nossa indignação

Estou, obviamente, de acordo com a proposta do Pedro Cunha, no VitoriaSempre, à qual o Carlos Ribeiro também já manifestou apoio no Vimaranes.
Abrir as portas do Afonso Henriques e lançar, ao mesmo tempo, uma forte campanha para mobilizar todos os vitorianos e irem ao estádio, é a melhor forma de respondermos à vilipendiosa actuação do senhor Soares no estádio municipal de Braga. Além disso, será um excelente momento para, uma vez mais, demonstrarmos que, aconteça o que acontecer, não fazem esmorecer o nosso amor pelo Vitória.
E ainda há uma lado desportivo: Sem cinco jogadores, castigados em função da miséria de ontem, será preciso força extra para vencermos mais este obstáculo no caminho para o lugar que já devia ser nosso.
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Eles falam...

Havia roubos de igreja. E roubos de Catedral. Agora há roubos de pedreira.
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Vereador José Augusto Araújo em acumulação ilegal


O vereador dos Recursos Humanos da Câmara de Guimarães, José Augusto Araújo, acumula o cargo com o de director da Escola Secundária de Caldas das Taipas. As duas funções são incompatíveis, o que pode dar origem a um procedimento disciplinar por parte da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). O autarca faz outra interpretação da lei, mas diz-se disposto a acatar as possíveis consequências. (...)
Este professor tem competências delegadas na área dos Recursos Humanos, mas exerce o cargo em regime de não permanência, pelo que não tem tempo atribuído, nem aufere qualquer vencimento, além das senhas de presença nas reuniões do executivo. Após a eleição como vereador, José Augusto Araújo manteve o cargo de director da escola, uma acumulação incompatível à luz do Decreto-Lei n.º 75/2008.
Contactada pelo Público, a DREN informou que "o exercício do cargo de director é feito em regime de dedicação exclusiva, o que implica a incompatibilidade com o exercício de outras funções". A lei estabelece que o cargo não pode ser acumulado com "quaisquer outras funções, públicas ou privadas, remuneradas ou não". As únicas excepções são a participação em entidades de representação das escolas, grupos de trabalho criados pelo Governo, actividade artística ou voluntariado no quadro de associações ou Organizações Não Governamentais.
O caso de Araújo poderá mesmo levar a DREN a abrir um inquérito disciplinar ao vereador. "Em caso de incumprimento, poderá ocorrer infracção disciplinar, sendo então encetadas as diligências e/ou adoptados os procedimentos inerentes", avança fonte da DREN. As sanções para este tipo de incumprimento podem ir da repreensão escrita à demissão, implicando o fim da comissão de serviço na direcção da escola.
O vereador não vê incompatibilidade entre as funções. "Trata-se de um exercício de funções políticas que não colide com as limitações impostas ao cargo de director (...)". José Augusto Araújo assume, no entanto, que caso o Ministério da Educação ou algum órgão municipal entendam que as funções não são acumuláveis, está "disposto a agir em conformidade".

in Público de 30 de Março de 2010.
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Afinal compra-se!

O Teatro Jordão sempre vai ser adquirido pela Câmara Municipal de Guimarães. Ao fim de anos e anos a ouvirmos falar de negociações falhadas (a última vez ainda não fez um ano), finalmente António Magalhães admite que se chegou a acordo. Montantes ainda não foram divulgados. Como não foi ainda definido o que se vai fazer com o teatro, embora haja várias ideias, como a instalação lá da Academia Valentim Moreira de Sá, de espaços para ensaios de bandas de garagem, bem como a instalação de valências da Universidade do Minho.

A Plataforma das Artes, uma das infra-estruturas nucleares do projecto Guimarães 2012, havia sido pensada para aquele teatro, mas na altura não foi possível chegar a um acordo entre as partes para a aquisição do espaço. Isso conduziu a uma total reformulação dos projectos para a CEC, bem como à aquisição de outros espaços para os instalar.

São boas notícias para a cidade. 

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As Indústrias Criativas

Neste período de preparação da Capital Europeia da Cultura 2012 muito se tem falado das indústrias criativas, que são uma das apostas para o futuro de Guimarães. Este tema pode parecer um tanto estranho, pois desde sempre que as melhores indústrias, os melhores negócios, nascem de uma ideia inovadora, criativa portanto. Convém conhecer melhor este tema, que é o que proponho fazer uma série de artigos.

Há na Wikipedia uma entrada para indústrias criativas. Define-as como sendo um sector onde se "intersectam a criatividade, a arte, o negócio e a tecnologia". O Department for Culture, Media and Sport do Governo Britânico é o responsável, entre muitas outras áreas, pelo incentivo destas indústrias e dá-nos uma definição interessante do conceito:


The creative industries are those industries that are based on individual creativity, skill and talent. They are also those that have the potential to create wealth and jobs through developing intellectual property. 


Estamos então perante um conceito abrangente, que cobre desde a publicidade à moda, à edição, media, design, cinema, património, etc. Estes sectores, antes vistos como realidades separadas, são nestas indústrias criativas pensados como uma mesma realidade, ainda que multipolar.

Richard Florida é um dos mais destacados investigadores desta área. Defende a tese de que as cidades do século XXI, para prosperarem, têm de ser atractivas para pessoas criativas e talentosas e que isso se consegue através de um ambiente estimulante onde prosperem estas indústrias. Autor de vários livros sobre este tema, tem alcançado reconhecimento global pelas suas ideias.

A tão badalada "sociedade do conhecimento" está relacionada com estas indústrias criativas. O conhecimento é cada vez mais "fonte de riqueza das nações, empresas e pessoas" (in Plano Estratégico 2010-2012 da Capital Europeia da Cultura 2012), sendo também um importante factor na sinalização da produtividade dos seus detentores. Num mundo policêntrico e globalizado, a realidade local não é mais separável do que se passa em pontos muito distantes. O desenvolvimento destas indústrias pode significar a mudança de paradigma numa sociedade que atravessa uma forte crise económica. É nesta perspectiva que se foca a Fundação Cidade de Guimarães ao defender a aposta na criatividade.

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Novidades da CEC

No site da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012 estão disponíveis dois novos documentos, interessantes para a compreensão do que está a ser feito.



Entretanto, foram apresentados hoje, em conferência de imprensa, os nomes dos programadores da CEC. A grande surpresa foi a presença de Tom Flemming, consultor na área das indústrias criativas e colaborador da Fundação Serralves.
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Ainda a conferência de Eduardo Lourenço

No passado dia 23 de Janeiro a Fundação Cidade de Guimarães promoveu uma conferência de Eduardo Lourenço, na sede da Sociedade Martins Sarmento. Já muito se falou em Guimarães sobre esta iniciativa, que não teve qualquer divulgação pública, apenas tendo alguns e-mails com convite circulado por alguns vimaranenses escolhidos e que para irem precisavam de confirmar com antecedência junto da organização.

No site da CEC 2012 há um pequeno artigo a dar nota da conferência. Foi publicado a 22 de Janeiro à 1:40. Curioso que fale da iniciativa como tendo já acontecido, quando só se realizou no dia seguinte...

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2012 já ali

Com 2012 a caminho, e com todas as questões, dúvidas e anseios que isso levanta, chega a Guimarães uma boa notícia para o que de Cultura já se produz na "cidade-berço". Parabéns ao Teatro Oficina! Ainda não se sabe se vence, pelo menos até logo à noite (a ver em directo na RTP1), mas só a nomeação já merece o reconhecimento. 
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Tiro ao Lado

O Papa Bento XVI diz que ninguém é proprietário da própria vida. Alguém que o acorde e lhe diga que estamos no séc. XXI, onde a vida é um bem essencial e cada um tem a consciência do seu ser, não um bem descartável, ao abrigo de quem tivesse poder, como no tempo de Abraão.

E no séc. XXI, ao contrário dos tempos sombrios da Idade Média, as pessoas que acreditam têm a coragem de decidir o seu destino e serem julgadas por quem de direito, na passagem desta para outra vida, e não pelos comuns mortais, sabe-se lá com que defeitos.

E por falar em defeitos, parece que existem cerca de 100 clérigos envolvidos em escândalo pedófilo em escolas catélicas alemãs.

Cem! Não 1, não 2, mas 100! Juntando isto aos escândalos na Irlanda e nos Estados Unidos parece-me que seria mais correcto à Igreja Católica virar-se para dentro e tentar moralizar, no sentido literal, as próprias hostes, antes de condenar o resto do mundo.

São notícias destas que me fazem questionar porque, ainda hoje, há pessoas no mundo que se acham moralmente superiores às outras. Não fosse a falta de honestidade e capitulavam num dos principais mandamentos católicos: a modéstia.
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Dose Dupla

Os Tindersticks regressam a Portugal para tocar esta quinta-feira no CCVF e, a julgar pelo novo álbum "Falling Down a Mountain", o concerto promete.



Três dias depois oportunidade para ver o primeiro filme de Claire Denis em película, "35 Shots de Rum", com banda sonora composta pelos mesmos Tindersticks. É a terceira vez que o grupo colabora com a promissora realizadora francesa, depois de "Nenette et Boni" e "Trouble Every Day". A ver, Domingo, no Cineclube.



Para quem segue a carreira destes rapazes de Nottingham desde o primeiro álbum e tem como recordação inesquecível o primeiro concerto na Aula Magna em 1995, o regresso a Portugal dos Tindersticks é sempre uma excelente notícia.

PS: Parece que também já esgotou. Começa em grande o CCVF este ano.
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A dupla vida da Capital Europeia da Cultura



Numa altura em que se ouvem publicamente os primeiros sinais de insatisfação ao pouco envolvimento e à falta de informação da comunidade sobre a componente cultural da CEC 2012, parece-me importante olhar para estes últimos três anos e reflectir sobre a forma como o processo foi evoluindo.

E olhando para trás, algo torna-se por demais evidente: a CEC nasceu em Novembro de 2006, por decisão do Conselho de Ministros, morreu a Novembro de 2007 com a entrega da candidatura na União Europeia e ressuscitou, não ao terceiro dia, mas 18 meses depois, com o anúncio oficial de Guimarães como Capital Europeia da Cultura 2012.

Mais do que tentar apurar responsabilidades sobre a letargia que contaminou a evolução da CEC e que se manifesta agora nos sinais de impaciência e insatisfação evidenciados no debate de há alguns dias na Sociedade Martins Sarmento, importa perceber que muito do trabalho que se iniciou em Julho de 2009, podia e devia estar já feito.

Disse Eduardo Lourenço, no Salão Nobre da SMS, que "Guimarães tem um tempo muito particular". Passe o abuso do aproveitamento de tais palavras, atrevo-me a dizer que, entre Dezembro de 2007 e Maio de 2009, o tempo parou em Guimarães. O Grupo Missão, que elaborou um ambicioso Documento de Candidatura, depois de vários meses de preparação e contacto com os mais variados agentes da cidade, retirou-se de cena. E com a sua extinção, o entusiasmo até aí gerado não foi devidamente potenciado. Tarefas importantes que dariam visibilidade e poderiam ajudar a manter o envolvimento dos cidadãos não foram realizadas. A publicação do Documento de Candidatura, por exemplo. A criação do logótipo. A implementação da marca "Guimarães 2012" nos eventos referência da cidade. O aproveitamento do Serviço Educativo do CCVF e a sua ligação já estabelecida com as escolas. Ao contrário do que seria expectável, na componente cultural da CEC investiu-se no sigilo e no silêncio.

Provavelmente existirão razões formais, estratégicas ou políticas para este comportamento. Como mencionei anteriormente, mais importante do que apurar responsabilidades, é contextualizar a evolução do processo e perceber que a origem da insatisfação não incide propriamente sobre o que não se fez nestes últimos 6 meses, mas sim sobre o que não se fez nos últimos 2 anos.

Partindo daqui, duma consciência colectiva de que podia ter sido feito mais por todos os actores até agora envolvidos no processo, parece-me mais fácil olharmos para este novo início com a Fundação Cidade de Guimarães e concentrarmo-nos no essencial: refocar o projecto na comunidade e aproveitar todos os recursos e pessoas disponíveis, para que o objectivo ambicioso das linhas orientadoras da Capital Europeia da Cultura, de transformar Guimarães, esteja mais próximo de se tornar realidade.
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O impacto da UM na comunidade

Hoje no Público (sempre o Público) vem um artigo sobre o impacto económico directo dos estudantes da Universidade do Minho na comunidade. A principal conclusão é que os 16.000 estudantes universitários gastam por ano 20 milhões de euros em alojamento, alimentação e despesas associadas ao ensino. De fora destas contas ficam as despesas em bares, espectáculos culturais, etc. O estudo, encomendado pela Associação Académica da UM, nada diz sobre que fatia deste dinheiro fica em Braga ou em Guimarães. Aí reside, na minha opinião, o principal problema. Não estudo na UM, mas a conclusão a que chegou pelos contactos que tenho com estudantes de lá e pelo que vejo nas duas cidades, Braga consegue atrair muito mais os alunos que Guimarães. A nossa cidade andou durante décadas de costas voltadas para a UM. Os estudantes não frequentavam e continuam a não frequentar a cidade, ficando-se pelos arredores do campus de Azurém. Por exemplo, se excluirmos os estudantes de Arquitectura, é difícil encontrar um aluno da UM no Centro Histórico.

Penso que teríamos todos muito a ganhar por um contacto mais próximo com a UM. O projecto Campurbis é um passo muito importante para a aproximar da cidade, mas a grande barreira que falta transpor é a de um certo preconceito que permanece na nossa mente por não vermos a Universidade como nossa também.

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Tom Zé

O homem é brilhante. Uma figura incontornável da cultura Lusófona. Como músico, encanta-me a versatilidade, mas também a persona pública que revela, um misto de intelectual amaldiçoado e provinciano provocador. O concerto de ontem, no CCVF, foi por isso fabuloso. Um êxtase de humor e inteligência que dificilmente vou esquecer. Uma vénia, seu Tom.


Ele disse mesmo isto.
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Um grande enigma

As reportagens que o Público publicou no passado dia 17 de Janeiro sobre a Capital Europeia da Cultura estavam carregadas de declarações. Mas uma dessas declarações destaca-se, a da vereadora da Cultura. Francisca Abreu tem sido a responsável por este pelouro em Guimarães nos últimos mandatos autárquicos. Tem, portanto, responsabilidades directas no caminho que levou a cidade a ser escolhida para Capital Europeia da Cultura. Desde o Verão que é público o desconforto de Francisca Abreu com o rumo que o projecto está a tomar, o que terá motivado até uma tentativa, certamente coordenada com a própria, de a afastar da vereação. As palavras da vereadora só vêm adensar as suspeitas. Aqui as deixo, tal como foram publicadas.

A vereadora da Cultura, Francisca Abreu, faz também profissão de fé na confiança que a câmara depositou na estrutura criada em Agosto passado e dirigida pela economista e gestora Cristina Azevedo para pôr de pé Guimarães 2012. "Eu poderia dar mais do que tenho sido chamada a dar, mas compreendo que esta é uma nova fase, e que agora é menos o lugar dos políticos e mais dos programadores" (...)

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Das reportagens do Público



No passado Domingo, o jornal Público publicou, no seu mais recente caderno "Cidades", um trabalho sobre Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012. Em quatro páginas passa em revista os projectos que estão a ser pensados (numa peça assinada pelo meu amigo e fundador deste blogue, Samuel Silva) e analisa o processo até ao momento. Já tardava um trabalho como este, que fosse mais fundo que a simples notícia sobre novidades. Que eu saiba, nada foi publicado até ao momento que se assemelhasse a estas reportagens.

Nota-se, nestas quatro páginas, que algo não está a correr como seria expectável. Há uma "euforia esvaída" e um sentimento de dúvida perante o rumo que a CEC tem ou está a tomar. Esse sentimento já vem de trás, e pelo que sei foi bem notório no debate do passado dia 8 na Sociedade Martins Sarmento. São muitas as críticas sobre a falta de envolvimento da sociedade civil, principalmente das associações culturais que tiveram um papel preponderante na construção da Guimarães que hoje somos; envolvimento esse prometido em todos os discursos dos decisores políticos até ao momento. Esta falta de envolvimento é agravada pela falta de informação. Segundo o Presidente da Câmara e a Presidente da Fundação Cidade de Guimarães, estamos numa "fase de alguma discrição e de 'trabalho de bastidores'". Pois é, estamos nesta fase desde Outubro de 2006.

É verdade que os vimaranenses estão um pouco afastados da CEC. Estão porque a CEC se afastou deles. Ao preparar-se tudo em segredo, o envolvimento dos cidadãos ficou-se por pedidos de sugestões, não por qualquer discussão do projecto de fundo.

2012 necessita de um antes e de um depois, de uma preparação e de uma continuidade. A preparação fica-se, até ao momento, pelos projectos nos gabinetes, mas é preciso mais. O que tem sido efectivamente feito por parte da Câmara, nos últimos quatro anos, para dinamizar a sua vida cultural? Tem, havido, é claro, um investimento notório no CCVF. Mas é também o seu próprio director, José Bastos, a lamentar "que os timings da Fundação não tenham permitido coordenar a programação".

Este trabalho é necessário fazer-se. É preciso que a CEC saia desde já às ruas, para ser discutida e para fazer acontecer.

Eu tenho esperanças que 2012 seja um marco para Guimarães, muito mais do que um ano de festa. Gostava que a cidade ganhasse aí fôlego para se lançar no futuro. Há oportunidades neste processo que já se perderam, outras que dificilmente se recuperarão. Mas muito pode ser ainda feito e melhorado.

Por último, um louvor ao Público que nos trouxe este trabalho e a todos quantos têm vindo a público contribuir para esta discussão. Quantos mais foremos a acompanhar o que se faz, quantos mais formos a discutir o que se faz, tenho certeza que se irá fazer melhor.

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No Público de domingo

Evito misturar trabalho e participação na blogosfera. Mas o tema, parece-me, merece uma excepção.
O caderno Cidades do Público deste domingo terá como tema central a Guimarães 2012. Um trabalho de quatro páginas que aborda as obras previstas em termos de infra-estruturas e regeneração urbana (onde quem for estando atento encontrará, infelizmente, poucas novidades), mas também o trabalho de preparação da vertente cultural do evento. Uma peça assinada pelo Sérgio C. Andrade que fala do que será a CEC, com declarações amargas de alguns responsáveis políticos locais e alertas pertinentes das associações culturais.
Parece-me um trabalho a não perder. Façam lá o favor de amanhã esgotar o Público cá na urbe.
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À procura de emprego?

 


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Do Plano Estratégico

Consegui ter tempo para ler com calma o Plano Estratégico apresentado pela Fundação Cidade de Guimarães. Centrei-me mais na questão da programação cultural, embora o documento não o faça. Aliás, o documento não é, em grande parte, dedicado à Cultura no sentido estrito.

Acho que a originalidade da Guimarães 2012 pode ser essa mesma. E não é uma crítica. Acho mesmo que é um dos seus pontos fortes. Na cidade em que vivemos, com os problemas que todos conhecemos, os planos de regeneração económica e social através da criatividade são uma aposta arrojada, ambiciosa e acertada. Só espero que seja bem sucedida.

No entanto, isso não me impede de ter um olhar crítico sobre o que li. Parece-me nesse aspecto uma proposta genérica, que podia ser utilizada numa outra qualquer cidade da nossa dimensão. Pode ser parte da ambição do plano estratégico em ser exportado, mas não deixa de ser um obstáculo para uma Capital da Cultura feita numa cidade com tantas idiossincrasias.

O documento está também pejado de clichés modernitos (palavra com direitos autorais, suponho). “Sustentabilidade económica”, “responsabilidade social”, “boas práticas de governo”, “direitos humanos”, “eficiência energética” e até “alterações climatéricas” são termos caros à tecnocracia, mas dispensáveis num documento de âmbito cultural. Estranhei até que não surgisse uma ou outra vez a expressão “pró-actividade”, que costuma sair das mesmas bocas que as restantes em discursos públicos.

No mais retive duas frases que me parecem ser a chave para compreender a ambição da Fundação Cidade de Guimarães e para manter esperanças que a CEC seja de facto o sucesso que todos desejamos. Por um lado, a ambição. “Guimarães 2012 pode e deve constituir-se como modelo de desenvolvimento para outras cidades europeias de dimensão semelhante ao optar por um processo de regeneração suportado num modelo estratégico: cultural-led urban regenaration”.

E por outro a promessa que responde aos anseios que tenho conhecido em muitos vimaranenses e nas associações do concelho: “A programação da Guimarães 20120 vai envolver todos os agentes e habitantes da cidade nos diferentes programas e projectos e apostar numa cultura urbana que concilie as práticas de planeamento e gestão públicas das cidades com as expectativas de cada cidadão”.
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Sobre o Programa Cultural G12

Como disse em artigo anterior, o Plano Estratégico da Guimarães 2012 fala menos de Cultura do que à partida seria expectável. Sobre o que será a programação cultural do evento, levanta pouco o véu. Mas ainda assim demonstra alguns dos caminhos por onde se deverá ir. Este é “um programa em clusters”. E, segundo o documento, serão quatro os nichos: Cidade, Comunidade, Pensamento, Arte.

O documento promete mais uma vez que o programa “terá em conta as estruturas e manifestações culturais da comunidade, conferindo-lhes visibilidade e integrando-os na programação especial do evento”. Novidade: núcleo central da programação será orientado por autores seniores com o estatuto de consultores, aos quais competirá identificar os projectos-âncora do evento.

São também definidos 12 pressupostos de programação, entre os quais destacado a articulação privilegiada com a Universidade do Minho, aposta em eventos para uma pluralidade de públicos, projectos originais e uma componente formativa e experimental. Prevê-se também a possibilidade de acolher projectos não solicitados e valoriza-se a apresentação de eventos em ambientes inusitados, especialmente no espaço urbano.

Na área Cidade, vai valorizar-se a Economia Criativa, os Espaços Públicos, a Memória e Paisagem e o Turismo Cultural. Na vertente comunidade serão reforçadas as redes de parcerias, o voluntariado, o envolvimento das escolas e o envolvimento da comunidade.

Centro-me na vertente Arte. Há quatro áreas de programação definidas: Artes Visuais, Artes Performativas, Música e Cinema e Multimédia. Livros e Literatura não merecem sequer uma referência, o que é estranho. E centram-se muitas das orientações em artes tecnológicas, em vez das artes clássicas.

De resto, não são dadas grandes novidades quanto à programação, além da proposta de um festival internacional de artes digitais, que já constava da candidatura validada por Bruxelas. Mas não surgem os restantes eventos propostos nesse documento, o que não deixa de ser assinalável.

Sobre as associações locais, referências breves a instituições óbvias: UM, a ESAP, Laboratório das Artes, Academia Valentim Moreira de Sá e Cineclube e os festivais Gil Vicente e Guimarães Jazz. Há quem olhe para isto como um conhecimento profundo da realidade local. A mim parece-me pouco mais do que superficial.
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Faltam dois anos

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Cara nova

O CCVF está de cara lavada e eu gosto.
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G12

Depois do domínio online, alguém queria também levar duas marcas associadas à Guimarães 2012. Pelo menos a lei protege Guimarães, neste caso. Mas esta não é uma daquelas coisas que já devia estar prevista há muito?

Adenda em 07/01: Na reunião de câmara de hoje foi afirmado pelo vereador André Coelho Lima que a câmara já tinha feito o pedido do registo da marca Guimarães 2012 em 2007. Assim sendo, fica dada a resposta à minha pergunta. Pelos vistos as coisas estavam salvaguardadas.
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Vimaranenses



Queremos começar o ano a mostrar vimaranenses que valem a pena. Nuno Cachada é um deles. Como se pode ver neste video, gravado ao vivo na Casa das Artes de Famalicão, e que anda pelo youtube.
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O novo PG

O novo ano trouxe um novo jornal a Guimarães. O Povo de Guimarães é um velho título, mas a avaliar pela nova cara, quer voltar a ser o mais moderno. O novo design é muito bonito, embora peque pela demasiada colagem ao moderninho i. Mas é uma lufada de ar fresco desde logo na imagem do próprio jornal e depois na cinzentona imprensa local.

Tenho duas dúvidas: Vai o PG a tempo de travar a delapidação da marca que o atingiu nosa últimos anos? Será esta mudança gráfica acompanhada por uma (necessária) mudança a nível de conteúdo do jornal?

Apesar das questões, parece-me que o PG está num caminho de melhoria, o que me satisfaz. E a minha segunda questão pode ter tido uma boa resposta no último número antes da alteração gráfica: o Povo foi o único jornal local que tratou a apresentação do Plano Estratégico da CEC como o documento merecia: uma apresentação de algo estrutural e não uma assinatura de um mero protocolo como vi pelos outros jornais. Se assim continuar, vai melhorar. Bom trabalho.
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2009 em revista


 Fotografia de trekearth.com.

O fim de ano é o período ideal para balanços. Multiplicam-se os artigos e as peças na comunicação social (e nos blogues) sobre o melhor e o pior do ano. Aqui deixo também a minha visão do que se passou em Guimarães no último ano.

2009 foi um ano de muitas eleições. Para Guimarães parece-me que o melhor que há a registar foi a eleição de seis naturais de Guimarães para a Assembleia da República (embora apenas 5 pelo círculo eleitoral de Braga). Miguel Laranjeiro e Sónia Fertuzinhos (quem?) foram novamente eleitos pelo PS. Com eles continua Emídio Guerreiro, a quem agora se juntam na mesma bancada Pedro Rodrigues e Francisca Almeida. Consta que Alberto Martins, o cabeça de lista do PS pelo Porto, também nasceu em Guimarães, embora não seja por cá visto desde a década de 1960. É desde Outubro Ministro da Justiça.

Em Outubro de 2009 houve eleições autárquicas, tendo estas resultado numa enorme vitória eleitoral para o PS de António Magalhães. É inquestionável o peso que o Presidente de Câmara tem no concelho, que continua assim o seu feudo.

Neste ano que passou foram-se sabendo novidades da Capital Europeia da Cultura 2012. Criou-se uma Fundação e passaram-se atestados de incompetência aos locais ao só chamar gente de fora para a dirigir. A política continua a ser a mesma: preparar o projecto no maior dos segredos, sendo a informação divulgada a conta-gotas quando as decisões estão tomadas e os processos em andamento. A excepção foi o projecto do Toural, rejeitado de forma veemente pela população. Dos outros quatro, apenas dois, o Campurbis e a feira semanal, continuam como estavam. Certo é que faltam menos de dois anos para o evento e ainda nenhuma das obras anunciadas começou a ser feita. Pá ninguém duvida que se repetirá por cá o que aconteceu no Porto em 2001, onde o único projecto que ficou para a cidade foi inaugurado quatro anos depois do evento.

Ainda sobre a CEC, é do conhecimento geral (até porque a polémica chegou a aparecer nos jornais) a incompatibilidade entre aquele que foi, para o bem e para o mal, o rosto da cultura em Guimarães nos últimos anos, a Vereadora Francisca Abreu, e a senhora que foi chamada a dirigir 2012, Cristina Azevedo. Esta querela terá até levado António Magalhães a intervir, sem sucesso, na elaboração das listas de deputados, nas quais tentou integrar a sua Vereadora. A ver vamos onde isto vai dar.

Na oposição, a grande surpresa foi o CDS, a ressurgir das cinzas, tendo conseguido mais do que duplicar o seu resultado eleitoral. Também o seu grupo parlamentar na Assembleia Municipal já conquistou o seu espaço. A CDU sofreu também uma pesada derrota. O BE continua como dantes, irrelevante. O PSD está em "banho-maria" após a pesada derrota nas Autárquicas. Procura reorganizar-se e repensar-se para o próximo "combate".

Por fim, o mais importante. Continua o ritmo de encerramento de empresas na nossa região, o que tem arrastado muita gente para o desemprego e sem grandes perspectivas de futuro. Os desempregados da região já têm uma idade considerável mas são muito novos para a reforma, têm família para sustentar e perdeu os meios para o fazer, tem um nível de formação baixo e não encontra soluções viáveis para o que aí vem. É um drama para o qual não há resposta. Os caminhos abertos pelos nossos dirigentes para a economia não os inclui. Há um enorme grupo de vimaranenses, de minhotos, de portugueses que não irão embarcar no comboio que nos prometem. Para eles, não serão as indústrias criativas nem de alta tecnologia que lhes darão de comer.

Não sei se relacionado com este desemprego está o aumento da criminalidade. Não sei sequer se as estatísticas reflectem a insegurança que é cada vez mais sentida nas ruas e pelos cidadãos. Cada vez ouvimos de mais assaltos na cidade, a casas, lojas e transeuntes, a horas e a desoras.

Não sei como será o ano que agora começa, mas não me parece que seja o da anunciada recuperação. Infelizmente vejo oportunidades a passarem-nos ao lado e problemas a avolumarem-se. Gostava de, daqui a um ano, vir cá dizer que me enganei.
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Música para encher o CCVF

Se há crítica que faço à programação do CCVF do ano que agora termina é a da pouca música programada. Quanto ao mais, foi um ano positivo na afirmação da sala de espectáculos em termos nacionais, nomeadamente na área do teatro (estrearam por cá algumas das melhores peças que passaram pelos palcos nacionais este ano, por exemplo) e da dança contemporânea.

A avaliar pela programação de Janeiro e por aquilo que se conhece para os meses seguintes, em 2010 vai inverter-se a tendência no que à música diz respeito. Seis concertos seis no espaço de um mês. E todos muito bons. Pelo Café Concerto vão passar quatro dos melhores projectos da música nacional. Sean Riley, The Weatherman, Old Jerusalem e Paparcutz. Para o Grande Audtitório está programada a reposição do concerto de Buika (adiado em Outubro) e Tom Zé.

Recebo com especial alegria o concerto do músico brasileiro. Um artista genial e subversivo, o concerto de Tom Zé tem tudo para ser marcante. É certamente um daqueles espectáculos a que será impossível faltar. Fica em baixo um vídeo que mostra o outro lado de um homem que vale sobretudo por aquilo que continua a ser capaz de criar.

Novidades já conhecidas para os próximos meses são também Beach House (que tinha sugerido aqui, há dez meses) e Tindersticks.

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O receio do desastre em 2012

A CEC2012 não pode correr o risco – nem dar-se ao luxo – de ser uma espécie de “Rock in Rio” em Lisboa. Os vimaranenses não querem ser só o público da CEC2012 e não querem que o evento seja apenas um ano de espectáculos, com Guimarães como palco.

 Francisco Brito, no seu novo blogue - a não perder -, Coisas Leves e Pesadas.

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Da Assembleia Municipal de Guimarães



Já tinha há vários dias, desde a discussão do Plano Plurianual de Investimentos e do Plano e Orçamento da Câmara Municipal, em Assembleia Municipal, a intenção de discorrer algumas considerações sobre o órgão que mais respeito em democracia, tanto ao nível de freguesia, como municipal e mesmo nacional: A sua Assembleia. A discussão recente neste blogue levou-me para a frente da folha em branco.

Findas as eleições e constituída a Câmara de maioria “absolutíssima” de António Magalhães, reuniu já por 3 ocasiões o órgão que fiscalizará a sua acção.

Desde já saltam à vista 3 considerações fundamentais: O MRPP desapareceu, o CDS dobrou a sua representatividade e os dois maiores partidos políticos vimaranenses reforçaram as suas bancadas de forma distinta: O PS reconduziu o passado e aproveitou o crescimento, resultado do reconhecimento da população no último acto eleitoral, para alicerça-lo numa segunda linha jovem, na casa dos 35, promissora. Já o PSD, apesar do emagrecimento em número, optou também por meia-dúzia de caras jovens, mas essencialmente, por uma politica de reaproveitamento e reutilização, tentando recuperar todas as peças com que já tentaram no passado, mas invariavelmente falharam ou foram substituídas por questões que a mim não me dizem respeito.

Mas com algumas Assembleias decorridas é já aceitável que se comecem a criar as primeiras impressões. O Bloco de Esquerda reforçou-se na juventude do deputado Frederico Pinheiro. A primeira impressão é francamente negativa. Um discurso formatado, com a necessidade de o tentar carregar ideologicamente assente em premissas erradas e propositadamente agressivo, sem respeito, já por mais que uma ocasião, pela restante composição do parlamento local.

O CDS está a ser uma surpresa. Não deixam pontas soltas, preparam cada ponto como se do mais importante se tratasse, e intervêm nem que seja para dizer que estão em total acordo com o proposto. Excesso? Talvez. Mas mostra o respeito e dedicação para com aqueles que os elegeram para lá estarem.

A CDU mantém o estilo. Tem agora uma deputada dos Verdes, que é a grande novidade daquela bancada.

No PSD nota-se alguma necessidade de serem mais força de bloqueio do que oposição responsável. Para o seu grupo de deputados tudo o que é proposto está errado e havia alternativa claramente superior para o fazer. Alguns regressos, das tais peças que não funcionaram bem no passado, eram claramente dispensáveis, porque trouxeram o registo passado: a insinuação e o ataque pessoal. Veremos ao que isto leva. Mas de uma coisa dificilmente os poderão acusar: deixaram de fora este ou aquele. Para esta sinfonia, que acreditam ser o acto final da mesma música dos últimos 20 anos, trouxeram a orquestra toda. Parece-me no entanto que Carlos Vasconcelos enquanto maestro, terá que dar uso à batuta. Ainda estão todos a tocar muito desafinados. 

A bancada do PS, será publicamente mais difícil de analisar, por ser parte integrante da mesma, mas deixa-me até agora satisfeito. Em apenas 3 assembleias já fez chegar até aos microfones um grande número de deputados, entre caras de sempre como o regressado Raul Rocha (em grande nível na última sessão) ou António Mota Prego, deputados de nível reconhecido como Miguel Laranjeiro ou Miguel Alves, até às caras novas em tempo de mandato ou idade como Jorge Cristino ou Ricardo Costa.

De uma forma global é justo dizer-se que todos os Partidos partem com as armas, disponíveis ao nível local, carregadas das suas melhores munições. Estamos já em andamento numa batalha de 4 anos que se vislumbra virtuosa, difícil para todos mas que se espera justa e nivelada pelo respeito mutuo e pela dignificação das posições concedidas democraticamente pelos vimaranenses.
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O problema das tarefeiras


Fotografia da sessão da Assembleia Municipal de dia 21, do Guimarães Digital.

Se houve tema que marcou a última Assembleia Municipal, realizada nos dias 21 e 22 deste mês, foi o concurso para 48 lugares de Assistentes Operacionais (Auxiliares de Acção Educativa). O assunto não é novo, tendo já motivado vários protestos, reclamações, uma petição e notícias em órgãos de comunicação locais e nacionais. No entanto, esta foi a primeira vez que foi tratado no plano político, tendo a Câmara sido questionada pela oposição e pelo público sobre este problema.

A história pode ser explicada aqui: há mais de 15 anos que trabalham nas escolas do nosso concelho trabalhadoras, a desempenharem funções de tarefeiras, sem qualquer contrato de trabalho. No ano passado, o Ministério da Educação transferiu para as Autarquias a responsabilidade na contratação e gestão do pessoal não docente nas escolas, passando a responsabilidade destas trabalhadores precários para a Câmara Municipal de Guimarães.

A Autarquia decidiu resolver o problema lançando um concurso público para os 48 postos de trabalho em causa, que passariam a ter um contrato de trabalho e a integrar o mapa de assalariados da Câmara. Esse concurso foi publicado em Diário da República de 4 de Maio deste ano, denominado por "Aviso n.º 8973/2009". Segundo o que aqui se encontra publicado, a ordenação final dos candidatos seria dada pela seguinte fórmula: 50% da cotação para uma prova escrita sobre legislação a realizar e outros 50% para a avaliação psicológica a fazer aos candidatos (alínea 12, ponto A, número 2, b, ou na coluna da direita da página 96 do DR). Esta avaliação psicológica pretendia "avaliar se, e em que medida, os candidatos dispõem das restantes competências exigíveis ao exercício, da função".

As senhoras que até este momento tinham estado a trabalhar nestas funções apresentaram-se todas a concurso, no meio de 1511 candidatos. Realizaram a dita prova no dia 11 de Junho e no dia 19 do mesmo mês é publicado o pequeno Aviso n.º 11151/2009 no Diário da República (página 124). O que diz esse aviso?


Para os devidos efeitos se torna público que por despacho do Vereador de Pessoal, datado de 1 de Junho de 2009, no uso de competências (...), foi determinado a aplicação de um único método de selecção — Prova Escrita de Conhecimentos a todos os candidatos ao procedimento concursal para 48 postos de trabalho para a carreira de Assistente Operacional (Auxiliar de Acção Educativa), aberto por aviso publicado na 2.ª série do DR, de 4 de Maio de 2009, devido ao elevado número de candidatos ao procedimento concursal e os postos de trabalhado terem de estar preenchidos aquando do início do ano lectivo 2009/2010. 

Ou seja, para facilitar a selecção alteram-se os critérios já com o concurso a decorrer. Ao que pude apurar, não há qualquer ilegalidade no procedimento da Câmara. O que há é uma enorme injustiça para com quem dedicou tantos anos da sua vida à escola pública e que, reforce-se, para facilitar, viu-se severamente prejudicada neste processo. Tão prejudicada que, no meio de todos os candidatos, nenhuma foi seleccionada, apesar de terem conseguido notas claramente positivas na prova escrita.


As tarefeiras em protesto, fotografia do Guimarães Digital.

Acontece que estas funcionárias desempenham funções muito específicas nas escolas, em particular nas Unidades de Apoio Especializado à Multideficiência, onde trabalham com crianças com deficiências profundas, incapazes de se moverem e de comunicar, na higiene e alimentação (entre outras) das mesmas, que são extremamente sensíveis a qualquer mudança na sua proximidade. Pelo que pude apurar, fazem-no com enorme brio e profissionalismo, havendo uma grande satisfação em todos os que lidam com estas crianças pelo seu trabalho. Aliás, já foi no ano passado tentada a substituição nestas funções destas tarefeiras (que trabalham com as crianças há vários anos) por outras e o resultado foi desastroso.

A Câmara Municipal de Guimarães fez com que estas tarefeiras ficassem sem o seu trabalho, sem direito a subsídio de desemprego e com as suas perspectivas futuras altamente comprometidas. Foi tudo legal, já sabemos, mas foi muitíssimo injusto.

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Novidades vimaranenses



Este blogue (e a blogosfera vimaranense em geral) tem andado parado. Mas Guimarães nem tanto. Umas quantas desgraças, entre suicídios, um corpo descoberto no Ave, uns assaltos à mão armada no centro da cidade a pessoas e lojas. Temos assistido ao habitual desenrolar da vida política numa cidade em que o partido vencedor das eleições autárquicas saiu ainda mais reforçado na sua votação: este dita e por muito que a oposição estrebuche, pouco pode fazer. Pena que quem perca seja Guimarães, pois há um progressivo desinteresse dos cidadãos pela discussão política local.

O site da Câmara Municipal de Guimarães foi renovado recentemente. A mudança é de saudar, pois surge de cara lavada e de fácil navegação. Por outro lado, o da Capital Europeia da Cultura 2012 está parado. Se quando surgiu desapontou pela falta de originalidade e design ordinário, nunca tendo sido importante fonte de informação, há um mês que está parado e não se encontra lá nada sobre as últimas novidades e sessões de esclarecimento sobre o evento. Talvez com a entrada em cena de uma nova agência de comunicação para 2012 (Comunicarte) as coisas mudem.

Ainda sobre a Capital Europeia da Cultura 2012, foi apresentado o seu Plano Estratégico no passado dia 18. Vi poucas reacções ao evento, aberto ao público, que contou com a presença de vários ministros, dando peso ao evento. Tanto quanto sei, o dito Plano Estratégico ainda não está na rede. Mas podemos conhecer as novidades através do artigo do JN.

O texto mais interessante que li nos últimos tempos sobre 2012 foi publicado num jornal do Sul, o Diário de Notícias. É o resultado de um almoço com Cristina Azevedo, a Presidente da Fundação Cidade de Guimarães, ainda pouco conhecida dos vimaranenses, na Praça de Santiago. Um trabalho muito interessante que pode ser lido no blogue do seu autor.

No dia 26 de Novembro passado realizou-se a primeira Assembleia Municipal após as autárquicas. A reunião, extraordinária, visava tratar uma série de assuntos como impostos e taxas municipais, transportes públicos e aquisição de edifícios para a CEC. Decorreu em ambiente ameno, embora fosse já possível tomar um pouco o pulso ao novo ambiente que lá se respira. Há várias caras novas, principalmente no PS, PSD e CDS, o que pode permitir uma revitalização da discussão política que lá se faz. A bancada do CDS, totalmente renovada, foi uma agradável surpresa. Apresentou-se forte e com conteúdo. Pode vir a ser um osso duro de roer para o executivo. Do lado da maioria PS viram-se também alguns novos protagonistas, mas ainda é cedo para tirar conclusões. Continua a ser lamentável a postura de vários dos seus eleitos, dos que normalmente se sentam nas filas mais atrás do auditório, pelas "bocas" e mesmo insultos proferidos, que já chegaram a motivar uma intervenção do Presidente da Assembleia Municipal.

Hoje haverá nova Assembleia, pelas 21:30 no auditório da Universidade do Minho, com continuação amanhã à mesma hora.

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Novo (Re-)Começo



No dia anterior ao jogo com a Académica o Samuel antecipava, aqui no Colina Sagrada, um novo começo para a equipa de futebol do Vitória Sport Clube. Motivados pelo empate e boa exibição frente ao Sporting, pareciam, com novo treinador, prontos a começar a demonstrar o seu potencial. Esse jogo correu mal, mas Paulo Sérgio dizia no final do jogo que gostou do que viu e que se estava a ganhar uma equipa.

Seguiram-se três jogos complicados: visita a Setúbal para a taça da Liga, apesar da má equipa deste ano, sempre uma deslocação difícil, onde Nelo Vingada tinha deixado dois pontos à primeira jornada, recepção ao Braga, líder do campeonato e visita à Luz para a taça contra o mais forte Benfica dos últimos anos.

Contaram-se por vitórias todos esses encontros, significando seguir em frente em duas taças, e aproximar dos lugares europeus para o campeonato, juntando-se uma melhoria significativa no nível exibicional, um crescer dos níveis físicos apresentados, e estando finalmente encontrado o "11 idela" e a táctica que confere mais produtividade ao conjunto. Um falso 4-5-1, transformado em 3-5-2 em posição ofensiva, a fazer lembrar o Vitória de Inácio que tantas alegrias deu às gentes de Guimarães e aos adeptos do bom futebol.

Se Paulo Sérgio continuar a fazer crescer a equipa a este nível, e confirmar em Dezembro que vai emagrecer ao plantel e aumentar à qualidade, podemos acreditar numa segunda volta como nos tempos de Pacheco e no regresso à Europa. A eles, Vitória!

Nota: A jogar assim, ainda bem que Desmarets já renovou. Finalmente, "Milo"!
7 com

Habemus FNAC!


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Fado ameaça Nicolinas

Há vários anos que por Guimarães se fala da candidatura das Festas Nicolinas a Património Oral e Imaterial da Humanidade. Houve muito trabalho na Assembleia Municipal para levar este assunto avante, através da criação de uma comissão para avaliar a viabilidade da mesma e de pedidos à Assembleia da República para ratificar o tratado da UNESCO referente a este galardão (o que acabou por fazer). Mas eis que recentemente soubemos que os esforços do Estado estão todos postos na candidatura do Fado à mesma distinção. E eis que o poder político vimaranense mostra-se desconfiante quanto ao futuro da candidatura vimaranense.


Penso que ninguém duvida da mais-valia que as Nicolinas representam no âmbito da cultura vimaranense, nem da oportunidade que 2012 é para dar mais visibilidade às Festas e, eventualmente, para permitir esta candidatura. Os resultados da comissão da Assembleia Municipal foram claros: falta trabalho. Mas anda alguém a fazê-lo ou perdeu-se o interesse no assunto?