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Sinais de cena

No palco do CCVF houve discursos em jeito de recado. Quem lá esteve deve tê-los percebido. E os sinais que passaram revelam algum do desconforto pela forma como o evento tem vindo a ser liderado.


É certo que a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, elogiou o trabalho da presidente da Fundação Cidade de Guimarães (a quem chamou Catarina), mas fê-lo en passant. E dedicou os minutos seguintes a sublinhar o envolvimento de João Serra no processo, o papel do administrador na comunicação com a tutela.


Reduzir a líder da estrutura que organiza o evento a uma nota de rodapé num discurso feito num momento crucial para a CEC tem significado. Só não percebe quem não quiser que a ministra não morre de amores pela presidente da Fundação. E que isso pode ser prejudicial para todo o processo.


O mesmo João Serra, no momento em apresentava os eventos previstos já para este ano, fez aquele que me parece ter sido a intervenção mais relevante da tarde. “O que julgamos possível há dois ou três anos parece agora mais difícil. Mas a CEC merece que nos sentemos a conversar sobre o sentido do que fazemos, para podemos corrigir erros”, afirmou na abertura do discurso.


Serra faz um mea culpa que tenta responder à frustração instalada entre algumas das principais instituições culturais do concelho. E fâ-lo num momento solene, mostrando a todos que se não se faz mais, não é por responsabilidade sua. Também por isso, o elogio de Canavilhas tem simbolismo.

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Haverá obras em 2012

Magalhães confirmou no domingo aquilo que já sabíamos: Haverá obras a decorrer durante a Capital da Cultura. O CampUrbis só ficará pronto em Março e a Casa da Memória no mês seguinte, estando previsto apenas para Junho a inauguração da obra mais emblemática do evento, a Plataforma das Artes.


A boa notícia é que as obras vitais para o dia-a-dia da cidade têm prazos de execução que garantem a sua conclusão até ao final deste ano. E isso é que é essencial. Seria impensável começar o evento com obras em zonas centrais da cidade. Porque durante aquele ano a CEC é acima de tudo uma montra. E ninguém imagina como seria mostrar a cidade com o Toural ou o Castelo convertidos em estaleiro.


Se esses prazos forem cumpridos – e tudo indica que serão – é um bom sinal para a CEC. É certo que Magalhães não cumpre a promessa feita quando o evento ainda vinha longe. Tudo estaria pronto no final de 2011, disse. Não vai estar, mas os 63 milhões investidos garantem a Guimarães um incremento do valor das suas infra-estruturas nunca antes conseguido.


Além disso, os três equipamentos que serão inaugurados já com a Guimarães 2012 a decorrer não são essenciais do ponto de vista do programa artístico. Felizmente a cidade está bem dotada nesse domínio. Serão acima de tudo equipamentos para o futuro, o legado que tanto tem sido sublinhado por estes dias pelos responsáveis. Por perceber está a sua sustentabilidade futura. Mas isso há-de ser outra história.

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Caótico

Mais do que do conteúdo, as conversas sobre a apresentação do programa da Guimarães 2012 têm tido ênfase na forma. E a verdade é que a sessão de domingo foi caótica. Um verdadeiro fungagá da bicharada, diria um dos embaixadores do evento.

Houve deputados da Assembleia da República que não foram sequer convidados, deputados municipais que foram convidados mas ficaram à porta, bem como dirigentes de escolas, de associações culturais.

E mais umas dezenas de pessoas que não pediram para lá estar, mas receberam um telefonema (vindo de um número com prefixo 21) com esse convite. Acederam, foram ao CCVF e ficaram a apreciar a beleza dos jardins. Houve ainda jornalistas a mais para espaço a menos, sentados nas escadas, no chão e onde coubessem.

Coisa nunca vista por estes lados. Porque a máquina da Câmara de Guimarães nunca falhou numa coisa destas. Está tão bem oleada e tem tantos anos de provas dadas na organização de eventos do género que não se compreende a necessidade de pagar fora o que se podia fazer sem custos com a estrutura de cá.

De tão má que foi a coisa, o melhor é rir como faz o Dom Mikelem na discrição mais próxima daquilo a que assistimos no domingo que podemos ler por aí.
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Programa apresentado (II)

Ainda na sequência da apresentação da primeira versão do programa da Guimarães 2012, a Comunicação Social de hoje revela mais algumas coisas e começa a tomar o pulso aos vimaranenses.

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Pechincha

Como mostra a GMR TV, a Guimarães 2012 tem um novo vídeo de apresentação. Está bem catita. E custou 21 mil euros.
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Embaixadores

Além de José Barata-Moura, que será o embaixador da Guimarães 2012 para a Região de Lisboa e Vale do Tejo, o conjunto de personalidades que vão ser figuras centrais da divulgação do evento inclui o Catedrático de Medicina da Universidade do Porto Manuel Sobrinho Simões (Norte), a ex-directora da Casa das Histórias Paula Rego, Dalila Rodrigues (Centro), O empresário Rui Nabeiro (Alentejo), a pró-reitora da Universidade do Algarve Maria Cabral (Algarve), a designer de interiores Nini Andrade e Silva (Madeira) e o padre Duarte Melo (Madeira).

A estes juntam-se 69 crianças de 12 anos, em cada uma das freguesias do concelho, representantes das comunidades portuguesas nas cidades europeias com quem Guimarães está geminada e as artistas vimaranenses Elisabete Matos e Sofia Escobar.
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Banda sonora


José Barata-Moura é um dos embaixadores da Guimarães 2012
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Programa apresentado

A primeira versão do programa cultural da Guimarães 2012 foi ontem apresentado. Eis os ecos dessa sessão na comunicação social nacional.


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O desenho de Ana Jotta para o novo Toural



É de mim ou o piso do Toural vai ficar muito bonito?

E, já agora, aproveitando uma conversa com o Samuel há uns dias sobre a perda da famosa cruz junto às cabines telefónicas e que todos os estudantes vimaranenses evitavam... tenho a certeza que não vão faltar motivos para se construírem novos mitos.
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O que se escreverá em 2022?

Jorge Marmelo assina um excelente trabalho no Cidades desta semana. O PÚBLICO foi atrás dos protagonistas do Porto e de 2001 e encontrou um cenário algo triste: da grande festa que foi a CEC portuense, quase só a Casa da Música é herança unanimemente reconhecida.
O que se escreverá em 2022, uma década depois da Guimarães 2012? A pergunta faz mais sentido se levarmos em conta os preocupantes sinais que têm vindo a público nos últimos tempos envolvendo a CEC vimaranense. Esperemos ir a tempo de evitar que seja feita uma análise desiludida quando chegar a altura dos balanços.
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No centro das atenções do mundo


Guimarães foi distinguida esta semana, como uma das 41 cidades a visitar no ano de 2011, pelo jornal New York Times, uma das mais reconhecidas publicações a nível mundial. 
Tecendo algumas considerações sobre a importância história da cidade para o país e sobre a juventude da sua população, o principal foco de interesse sobre Guimarães são as suas duas mais recentes distinções: Capital Europeia da Cultura em 2012, e Património Cultural da Humidade para a Unesco. 
Guimarães é ainda considerado um "hot spot" de cultura da Península Ibérica, dando-se destaque ao centro nevrálgico da cena cultural: O Centro Cultural de Vila Flor. 
Aconselha-se aos visitantes a escolha do mês de Março, para vir à cidade, altura em decorrerá o Festival Internacional de Dança Contemporânea.
Esta notícia é antes de mais um motivo de orgulho para os Vimaranenses em particular, mas também para todos os Portugueses. Um pouco o espírito que se espera transversal no ano de 2012, e que se sentiu na altura da distinção da Unesco. Ao mesmo tempo, traz a responsabilidade de saber receber bem, e de proporcionar a actividade cultural que espera quem lê esta sugestão do periódico norte-americano. 
Mas esta distinção é mais do que sentimentos de orgulho. É o reconhecimento do trabalho feito na recuperação urbana e requalificação do centro histórico, pela Câmara Muncipal de Guimarães. Da aposta nas infra-estruturas culturais e na programação daqueles espaços, pela Oficina. Mas também a todo o movimento cultural transversal à cidade e ao concelho, que cria uma imagem de dinâmica capaz de trespassar para uma publicação desta dimensão. 

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Novo site da CEC

Está em linha o renovado site da CEC 2012. Há claros e significativos melhoramentos face à versão anterior. Aos poucos, vão surgindo notícias agradáveis sobre o evento, o que é mais que expectável dada a proximidade de 2012.

Faz todo o sentido o alerta de Amaro das Neves, em declarações ao Público: "A cidade ainda não está completamente envolvida nos processos da Capital Europeia da Cultura". Que 2012 será um sucesso em si, poucos duvidarão. Será certamente uma grande festa, uma enorme oportunidade para acedermos a produtos que normalmente não nos estão tão próximos. O busílis da questão é saber o que permanecerá. Haverá capacidade para alimentar as infra-estruturas, manter a oferta cultural e sobretudo a procura, em Guimarães, a um nível superior do que aquele que temos, por exemplo, hoje? Haverá capacidade para não nos deixarmos toldar pela ressaca de 2012? Estejamos optimistas, mas cautelosos. E, já agora, vamos usufruindo daquilo que vai acontecendo.

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Casa da Memória

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O que vale uma CEC, afinal?


Quando foi apresentada a Guimarães 2012 divulgou os seus objectivos em números que impressionaram. Durante um ano, a organização espera atrair à cidade 1,5 milhões de visitantes, bem como seis mil artistas, organizando para isso 500 eventos culturais.

Por muito que a cidade não saiba ao certo quantos turistas recebe por ano – porque usa métodos incompreensivelmente falíveis – são objectivos claramente acima daquilo que alguma vez Guimarães imaginou poder atingir e dificilmente repetíveis por muito que a CEC deixe lastro a nível turístico.

Aqui bem perto, a Galiza encerrou esta semana o Xacobeo, o ano santo de calendário incerto – celebrado sempre que o dia de S. Tiago, 25 de Julho, acontece num domingo. Mesmo com corte orçamental de nove milhões de euros face a 2004, este foi um ano de particular sucesso para a festa galega.

Ao longo de um ano, mais de nove milhões de pessoas passaram por Santiago de Compostela. Fizeram-no atraídas não apenas pelo lado religioso que a cidade encerra, mas também por um programa cultural fantástico. Foram mais de 600 eventos, da música medieval, à arte contemporânea, passando muito particularmente pela música, que atraiu à Galiza gente como Muse, Pet Shop Boys, Jónsi, The Temper Trap, Jean Michel Jarre ou Mika. E, permitam-me a nota pessoal, o Xacobeo permitiu assistir aqui bem perto a dois dos melhores espectáculos que vi no último ano: Arcade Fire, em Santiago, e Leonard Cohen, em Ourense.

Esta é outra particularidade do Xacobeo. O centro da festa é Santiago, mas o programa estende-se por toda a Galiza. Por isso, centenas de eventos estenderam-se Ourense, Vigo, Corunha, entre outras cidades. Ganhou claramente uma das regiões mais pobres de Espanha.

É impossível comparar Guimarães com Santiago em termos turísticos. Por muito que as cidades sejam quase equivalentes em termos populacionais, a verdade é que há séculos de tradição, não só religiosa, a jogar em favor da cidade galega. Mas é relevante observar-se que uma festa cíclica (a próxima é em 2021) vale seis vezes mais que um evento com carimbo europeu. Com a CEC a aproximar-se a passos largos, factos como estes devem fazer-nos reflectir.
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Marcas

Nos dias de hoje há uma grande preocupação dos responsáveis pela gestão das cidades de as promoverem. As cidades, em particular as mais antigas, com uma história e património edificado e imaterial interessantes, vêem na sua promoção enquanto centros urbanos com uma identidade própria uma oportunidade para atraírem turismo, habitantes e investimento. No final da década de 1970, foi isso que fez Nova Iorque, quando criou a marca I Love NY, um conceito replicado em muitas outras cidades do mundo.

Nos últimos anos, esta tendência chegou a Portugal, primeiro através de slogans (Guimarães, neste aspecto, parece-me ter sido pioneira com o seu "Aqui Nasceu Portugal" escrito na muralha), mais recentemente com a criação de marcas propriamente ditas. Foi o que aconteceu em Viana do Castelo. Após vários anos de política autárquica vocacionada para a reinvenção da cidade, através da recuperação do centro histórico e a aposta em novos edifícios com traços arquitectónicos característicos, que hoje atraem, por si, um grande número de turistas, a Câmara Municipal julgou ter chegado a altura de complementar este esforço com a criação de um símbolo que caracterize a cidade e a possa publicitar interna e externamente. Viana do Castelo era já promovida como sendo a cidade dos namorados, mas foi necessário renovar esse conceito. No dia 2 de Agosto de 2010, foi apresentada a marca "Viana Fica no Coração".


À falta de outros elementos distintivos que encarnassem o espírito da urbe (como o comprovou o estudo que esteve na base da criação), a conclusão a que se chegou foi que os vianenses sentiam um forte apego à sua cidade, um grande amor. E foi inspirado nesta questão dos afectos, relacionando-os com a arte da filigrana típica da região e aos lenços dos namorados que surgiu esta marca. Quando, na semana passada, conheci esta marca e o que esteve por detrás dele, não pude deixar de notar as semelhanças entre esta e a da CEC2012: o logotipo propriamente dito, o conceito, aquilo a que pretende apelar e, até, os cinco dias que separaram a apresentação pública de ambas.


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Uma discussão absolutamente necessária

A Câmara de Guimarães anunciou que, a partir de Janeiro, vai entrar em discussão pública o regulamento de requalificação de edifícios no centro histórico e zona tampão. Arrisco dizer que é uma discussão absolutamente necessária, urgente mesmo.

Viver no centro histórico da cidade, sendo um absoluto prazer que dificilmente dispensarei nos próximos anos, é uma aventura difícil. E muitos dos problemas que se colocam aos moradores do coração da cidade são motivados por este documento e pelas limitações que o GTL coloca a investidores e projectistas.

Volta e meia chove em minha casa. E chove por culpa do GTL, que impôs a utilização de umas telhas excessivamente leves para o vento que sopra por estes lados. Num dia de tempestade, voam as telhas e entra a água. Lê-se no regulamento que "o tipo de telha a aplicar será sempre definido pelos técnicos do GTL, consoante a data de edificação dos edifícios".

O mesmo vale para as janelas da casa, cuja utilização de caixilharias mais eficientes do ponto de vista energético - que até tem apoio do Estado através de deduções fiscais - está dificultada pelas limitações que este regulamento introduz. Na leitura do velho documento - de 1994 - saltam à vista normas cuja imposição é dificilmente justificável, como a que define que "na área de intervenção do GTL, apenas são permitidas áreas comerciais ao nível dos pisos térreos".

O GTL foi um instrumento vital da renovação vimaranense e da afirmação da cidade no contexto nacional e internacional. Tem esse mérito e um trabalho reconhecido que fala por si. Mas não pode transformar-se num empecilho ao desenvolvimento da cidade nem conservar-se como uma estrutura autista face às necessidades que 2010 e os anos que aí virão impõe.

Não defendo que se permita tudo no centro histórico - nem isso seria admitido pela Unesco, imagina-se. Não é o 80 aquilo que se quer, mas o GTL não pode também impor o 8. É por isso importante esta discussão, para que possamos chegar a uma solução equilibrada, moderna e capaz de facilitar os investimentos no centro histórico e a contínua manutenção da revitalização do centro da cidade.
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A CEC nos Maus Hábitos


O espaço Maus Hábitos, no Porto, organizou esta noite mais uma sessão do ciclo "Encontros de Criatividade". Este ciclo pretende pôr em diálogo e em reflexão pessoas de diferentes proveniências mas que têm acção no sector das indústrias criativas. Esta sessão respondia ao tema "Cultura: de Sector Marginal a Estratégico", e tinha como oradores Mário Rui Silva (vogal executivo da Comissão Directiva do ON.2), Manuel Heitor (Secretário de Estado do MCTES), Vergílio Folhadela (presidente da direcção da ADDICT) e Carlos Martins (director de projecto Guimarães - CEC 2012).

Antes de mais, foi curioso assistir a esta interessante conversa que versou principalmente sobre as políticas públicas para a cultura e da mudança de paradigma a que se assistiu nos últimos anos, em particular na região Norte de Portugal. Não é todos os dias que agentes culturais e programadores de políticas públicas se reúnem num mesmo espaço para, num ambiente de abertura, dialogarem. Foi também interessante ver que, das cerca de 25 pessoas presentes na sala, mais de 7 tinham formação em Economia. Um sinal claro da importância e do reconhecimento que as indústrias criativas começam a ter.

Quase todos os que intervieram referiram a importância estratégica de Guimarães - CEC2012 para a região, como um evento que pode potenciar o desenvolvimento do sector da cultura. O evento é considerado um dos pilares em que assenta esta aposta que a CCDR-N fez na valorização do património e desenvolvimento do potencial criativo e gerador de conhecimento da região (para mais informações, consultar este documento, página 4 e seguintes). Especificamente sobre Guimarães, nada de novo foi avançado. Carlos Martins reforçou o compromisso assumido há muito pela equipa que prepara o evento: gerar valor económico para Guimarães e principalmente para os vimaranenses (vale a pena rever esta apresentação). Afirmou que a CEC2012 deve gerar novas aspirações, novas inspirações e novas oportunidades para a região. Isto consegue-se não só através do significativo investimento na programação (cerca de 25 milhões de euros, segundo afirmou), mas através de uma cuidadosa programação das infra-estruturas em construção, que deverão ser capazes de impulsionar esta criação de valor.

No plano do discurso, parece-me que os diversos responsáveis pela CEC2012 estão articulados. São coerentes e deixam uma sensação de optimismo com as suas palavras. O problema, a meu ver, é a falta de concretização no terreno deste mesmo discurso. Quem vir do Porto (a meros 50 km!) o que se está prepara para Guimarães certamente que ficará muito agradado. O problema é quem vê a realidade no terreno: um atraso tão grande que, se não fossem as obras no Toural há um mês, ficaria a sensação de que a CEC não está a 13 meses (400 dias exactos) de distância. Bem sei que o resultado deste trabalho, em particular da realização destes objectivos que Carlos Martins enunciou, demora tempo a dar os seus frutos. Mas "esperar o melhor, mas estar preparado para o pior" é uma velha máxima. Temos assistido à primeira parte. Sem querer ser pessimista, penso que talvez seja altura de começarmos a pensar na segunda.
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Provincianismos

Afinal houve mesmo quem tenha levado isto a sério. De repente, uma manchete de um jornal com a abertura de um restaurante de fast food não parece uma coisa tão descabida. Guimarães está assim tão mal?
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É Guimarães que está em jogo

De que falamos quando falmos de Guimarães? De um centro histórico recuperado através de um processo unanimemente reconhecido. De uma cidade que se orgulha desse património, das suas festas e da sua história. De desporto, especialmente do Vitória. Hoje falamos também de Cultura, por via de uma tradição que não foi inventada pelos poderes políticos, mas que teve o mérito de ser potenciada por acção municipal, com particular relevo nacional desde que o CCVF foi inaugurado.

Esta dimensão vai acentuar-se nos próximos anos. Porque calhou de Guimarães ser Capital Europeia da Cultura em 2012 (não sou eu que o digo, é o presidente da Câmara , que esta semana afirmou que "não pediu para ter esta responsabilidade"). Mas muito do que é a imagem externa da cidade, em Portugal e no Mundo, vai depender da forma como a CEC correr.

Já está a acontecer assim. Há cada vez mais olhos postos sobre nós. Especialmente desde que começaram a ser noticiados os problemas na organização do evento das nossas vidas. Dos salários chorudos e profusamente criticados, aos estatutos adjudicados por ajuste directo e por uma verba ainda inexplicada, passando pela incapacidade comunicativa que afecta a estrutura da FCG. São problemas que o país discute e que têm, obviamente, o nome de Guimarães associado.

À opinião pública nacional não chega a mensagem de que esta Capital está a ser feita por forasteiros. É Guimarães que está em jogo. É a credibilidade merecidamente conquista pela cidade ao longo dos últimos anos que sofre um rombo de cada vez que uma destas informações vem a público. E é isso que os responsáveis políticos tardam em perceber.

Por excesso de confiança ou incompetência, os estatutos da FCG foram aprovados. Por unanimidade. E blindam a instituição de tal modo ao escrutínio público que deixam pouca margem de intervenção política ao governo ou à autarquia. Mas se vemos o governo empenhado em intervir numa instituição que financia - e que manifestamente não funcina bem - temos assistido a uma curiosa proximidade de posições entre a liderança da FCG e o presidente da Câmara de Guimarães.

O autarca defende com unhas e dentes a líder da FCG. Como se a escolha tivesse sido sua. Em troca de um biscate na preparação de candidaturas a fundos comunitários. Reconhece-lhe competências de burocrata. Como se essas fossem esssenciais em alguém que lidera um evento cultural. É de Cultura que falamos, acima de tudo, quando se fala de uma CEC.

Enquanto isso, o país vai tomando o hábito de olhar para Guimarães como a cidade que tem uma oportunidade única nas mãos e está a preparar-se para deixá-la escapar. Com os políticos, está visto, que dificilmente podemos contar. Podem os cidadãos ir a tempo de evitar uma catástrofe destas?

post scriputm: Ao contrário do que afirma o presidente da Câmara, a líder da CEC não foi escolhida pelo Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães. A presidente da FCG foi apresentada como titular do cargo a 14 de Julho e, meses antes, já era anuncaida como líder da CEC. O CG reuniu pela primeira vez a 10 de Outubro. Um lapso de memória, com certeza.
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A CEC é boa ou má?

A vereadora Alexandra Gesta não sabe bem se a Capital Europeia da Cultura é uma coisa boa ou má. Vejam o vídeo na GMRTV, ali pelos três minutos e poucos.