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Um grande enigma

As reportagens que o Público publicou no passado dia 17 de Janeiro sobre a Capital Europeia da Cultura estavam carregadas de declarações. Mas uma dessas declarações destaca-se, a da vereadora da Cultura. Francisca Abreu tem sido a responsável por este pelouro em Guimarães nos últimos mandatos autárquicos. Tem, portanto, responsabilidades directas no caminho que levou a cidade a ser escolhida para Capital Europeia da Cultura. Desde o Verão que é público o desconforto de Francisca Abreu com o rumo que o projecto está a tomar, o que terá motivado até uma tentativa, certamente coordenada com a própria, de a afastar da vereação. As palavras da vereadora só vêm adensar as suspeitas. Aqui as deixo, tal como foram publicadas.

A vereadora da Cultura, Francisca Abreu, faz também profissão de fé na confiança que a câmara depositou na estrutura criada em Agosto passado e dirigida pela economista e gestora Cristina Azevedo para pôr de pé Guimarães 2012. "Eu poderia dar mais do que tenho sido chamada a dar, mas compreendo que esta é uma nova fase, e que agora é menos o lugar dos políticos e mais dos programadores" (...)

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Das reportagens do Público



No passado Domingo, o jornal Público publicou, no seu mais recente caderno "Cidades", um trabalho sobre Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012. Em quatro páginas passa em revista os projectos que estão a ser pensados (numa peça assinada pelo meu amigo e fundador deste blogue, Samuel Silva) e analisa o processo até ao momento. Já tardava um trabalho como este, que fosse mais fundo que a simples notícia sobre novidades. Que eu saiba, nada foi publicado até ao momento que se assemelhasse a estas reportagens.

Nota-se, nestas quatro páginas, que algo não está a correr como seria expectável. Há uma "euforia esvaída" e um sentimento de dúvida perante o rumo que a CEC tem ou está a tomar. Esse sentimento já vem de trás, e pelo que sei foi bem notório no debate do passado dia 8 na Sociedade Martins Sarmento. São muitas as críticas sobre a falta de envolvimento da sociedade civil, principalmente das associações culturais que tiveram um papel preponderante na construção da Guimarães que hoje somos; envolvimento esse prometido em todos os discursos dos decisores políticos até ao momento. Esta falta de envolvimento é agravada pela falta de informação. Segundo o Presidente da Câmara e a Presidente da Fundação Cidade de Guimarães, estamos numa "fase de alguma discrição e de 'trabalho de bastidores'". Pois é, estamos nesta fase desde Outubro de 2006.

É verdade que os vimaranenses estão um pouco afastados da CEC. Estão porque a CEC se afastou deles. Ao preparar-se tudo em segredo, o envolvimento dos cidadãos ficou-se por pedidos de sugestões, não por qualquer discussão do projecto de fundo.

2012 necessita de um antes e de um depois, de uma preparação e de uma continuidade. A preparação fica-se, até ao momento, pelos projectos nos gabinetes, mas é preciso mais. O que tem sido efectivamente feito por parte da Câmara, nos últimos quatro anos, para dinamizar a sua vida cultural? Tem, havido, é claro, um investimento notório no CCVF. Mas é também o seu próprio director, José Bastos, a lamentar "que os timings da Fundação não tenham permitido coordenar a programação".

Este trabalho é necessário fazer-se. É preciso que a CEC saia desde já às ruas, para ser discutida e para fazer acontecer.

Eu tenho esperanças que 2012 seja um marco para Guimarães, muito mais do que um ano de festa. Gostava que a cidade ganhasse aí fôlego para se lançar no futuro. Há oportunidades neste processo que já se perderam, outras que dificilmente se recuperarão. Mas muito pode ser ainda feito e melhorado.

Por último, um louvor ao Público que nos trouxe este trabalho e a todos quantos têm vindo a público contribuir para esta discussão. Quantos mais foremos a acompanhar o que se faz, quantos mais formos a discutir o que se faz, tenho certeza que se irá fazer melhor.

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No Público de domingo

Evito misturar trabalho e participação na blogosfera. Mas o tema, parece-me, merece uma excepção.
O caderno Cidades do Público deste domingo terá como tema central a Guimarães 2012. Um trabalho de quatro páginas que aborda as obras previstas em termos de infra-estruturas e regeneração urbana (onde quem for estando atento encontrará, infelizmente, poucas novidades), mas também o trabalho de preparação da vertente cultural do evento. Uma peça assinada pelo Sérgio C. Andrade que fala do que será a CEC, com declarações amargas de alguns responsáveis políticos locais e alertas pertinentes das associações culturais.
Parece-me um trabalho a não perder. Façam lá o favor de amanhã esgotar o Público cá na urbe.
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À procura de emprego?

 


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Do Plano Estratégico

Consegui ter tempo para ler com calma o Plano Estratégico apresentado pela Fundação Cidade de Guimarães. Centrei-me mais na questão da programação cultural, embora o documento não o faça. Aliás, o documento não é, em grande parte, dedicado à Cultura no sentido estrito.

Acho que a originalidade da Guimarães 2012 pode ser essa mesma. E não é uma crítica. Acho mesmo que é um dos seus pontos fortes. Na cidade em que vivemos, com os problemas que todos conhecemos, os planos de regeneração económica e social através da criatividade são uma aposta arrojada, ambiciosa e acertada. Só espero que seja bem sucedida.

No entanto, isso não me impede de ter um olhar crítico sobre o que li. Parece-me nesse aspecto uma proposta genérica, que podia ser utilizada numa outra qualquer cidade da nossa dimensão. Pode ser parte da ambição do plano estratégico em ser exportado, mas não deixa de ser um obstáculo para uma Capital da Cultura feita numa cidade com tantas idiossincrasias.

O documento está também pejado de clichés modernitos (palavra com direitos autorais, suponho). “Sustentabilidade económica”, “responsabilidade social”, “boas práticas de governo”, “direitos humanos”, “eficiência energética” e até “alterações climatéricas” são termos caros à tecnocracia, mas dispensáveis num documento de âmbito cultural. Estranhei até que não surgisse uma ou outra vez a expressão “pró-actividade”, que costuma sair das mesmas bocas que as restantes em discursos públicos.

No mais retive duas frases que me parecem ser a chave para compreender a ambição da Fundação Cidade de Guimarães e para manter esperanças que a CEC seja de facto o sucesso que todos desejamos. Por um lado, a ambição. “Guimarães 2012 pode e deve constituir-se como modelo de desenvolvimento para outras cidades europeias de dimensão semelhante ao optar por um processo de regeneração suportado num modelo estratégico: cultural-led urban regenaration”.

E por outro a promessa que responde aos anseios que tenho conhecido em muitos vimaranenses e nas associações do concelho: “A programação da Guimarães 20120 vai envolver todos os agentes e habitantes da cidade nos diferentes programas e projectos e apostar numa cultura urbana que concilie as práticas de planeamento e gestão públicas das cidades com as expectativas de cada cidadão”.
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Sobre o Programa Cultural G12

Como disse em artigo anterior, o Plano Estratégico da Guimarães 2012 fala menos de Cultura do que à partida seria expectável. Sobre o que será a programação cultural do evento, levanta pouco o véu. Mas ainda assim demonstra alguns dos caminhos por onde se deverá ir. Este é “um programa em clusters”. E, segundo o documento, serão quatro os nichos: Cidade, Comunidade, Pensamento, Arte.

O documento promete mais uma vez que o programa “terá em conta as estruturas e manifestações culturais da comunidade, conferindo-lhes visibilidade e integrando-os na programação especial do evento”. Novidade: núcleo central da programação será orientado por autores seniores com o estatuto de consultores, aos quais competirá identificar os projectos-âncora do evento.

São também definidos 12 pressupostos de programação, entre os quais destacado a articulação privilegiada com a Universidade do Minho, aposta em eventos para uma pluralidade de públicos, projectos originais e uma componente formativa e experimental. Prevê-se também a possibilidade de acolher projectos não solicitados e valoriza-se a apresentação de eventos em ambientes inusitados, especialmente no espaço urbano.

Na área Cidade, vai valorizar-se a Economia Criativa, os Espaços Públicos, a Memória e Paisagem e o Turismo Cultural. Na vertente comunidade serão reforçadas as redes de parcerias, o voluntariado, o envolvimento das escolas e o envolvimento da comunidade.

Centro-me na vertente Arte. Há quatro áreas de programação definidas: Artes Visuais, Artes Performativas, Música e Cinema e Multimédia. Livros e Literatura não merecem sequer uma referência, o que é estranho. E centram-se muitas das orientações em artes tecnológicas, em vez das artes clássicas.

De resto, não são dadas grandes novidades quanto à programação, além da proposta de um festival internacional de artes digitais, que já constava da candidatura validada por Bruxelas. Mas não surgem os restantes eventos propostos nesse documento, o que não deixa de ser assinalável.

Sobre as associações locais, referências breves a instituições óbvias: UM, a ESAP, Laboratório das Artes, Academia Valentim Moreira de Sá e Cineclube e os festivais Gil Vicente e Guimarães Jazz. Há quem olhe para isto como um conhecimento profundo da realidade local. A mim parece-me pouco mais do que superficial.
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Faltam dois anos

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Cara nova

O CCVF está de cara lavada e eu gosto.
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G12

Depois do domínio online, alguém queria também levar duas marcas associadas à Guimarães 2012. Pelo menos a lei protege Guimarães, neste caso. Mas esta não é uma daquelas coisas que já devia estar prevista há muito?

Adenda em 07/01: Na reunião de câmara de hoje foi afirmado pelo vereador André Coelho Lima que a câmara já tinha feito o pedido do registo da marca Guimarães 2012 em 2007. Assim sendo, fica dada a resposta à minha pergunta. Pelos vistos as coisas estavam salvaguardadas.
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Vimaranenses



Queremos começar o ano a mostrar vimaranenses que valem a pena. Nuno Cachada é um deles. Como se pode ver neste video, gravado ao vivo na Casa das Artes de Famalicão, e que anda pelo youtube.
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O novo PG

O novo ano trouxe um novo jornal a Guimarães. O Povo de Guimarães é um velho título, mas a avaliar pela nova cara, quer voltar a ser o mais moderno. O novo design é muito bonito, embora peque pela demasiada colagem ao moderninho i. Mas é uma lufada de ar fresco desde logo na imagem do próprio jornal e depois na cinzentona imprensa local.

Tenho duas dúvidas: Vai o PG a tempo de travar a delapidação da marca que o atingiu nosa últimos anos? Será esta mudança gráfica acompanhada por uma (necessária) mudança a nível de conteúdo do jornal?

Apesar das questões, parece-me que o PG está num caminho de melhoria, o que me satisfaz. E a minha segunda questão pode ter tido uma boa resposta no último número antes da alteração gráfica: o Povo foi o único jornal local que tratou a apresentação do Plano Estratégico da CEC como o documento merecia: uma apresentação de algo estrutural e não uma assinatura de um mero protocolo como vi pelos outros jornais. Se assim continuar, vai melhorar. Bom trabalho.
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2009 em revista


 Fotografia de trekearth.com.

O fim de ano é o período ideal para balanços. Multiplicam-se os artigos e as peças na comunicação social (e nos blogues) sobre o melhor e o pior do ano. Aqui deixo também a minha visão do que se passou em Guimarães no último ano.

2009 foi um ano de muitas eleições. Para Guimarães parece-me que o melhor que há a registar foi a eleição de seis naturais de Guimarães para a Assembleia da República (embora apenas 5 pelo círculo eleitoral de Braga). Miguel Laranjeiro e Sónia Fertuzinhos (quem?) foram novamente eleitos pelo PS. Com eles continua Emídio Guerreiro, a quem agora se juntam na mesma bancada Pedro Rodrigues e Francisca Almeida. Consta que Alberto Martins, o cabeça de lista do PS pelo Porto, também nasceu em Guimarães, embora não seja por cá visto desde a década de 1960. É desde Outubro Ministro da Justiça.

Em Outubro de 2009 houve eleições autárquicas, tendo estas resultado numa enorme vitória eleitoral para o PS de António Magalhães. É inquestionável o peso que o Presidente de Câmara tem no concelho, que continua assim o seu feudo.

Neste ano que passou foram-se sabendo novidades da Capital Europeia da Cultura 2012. Criou-se uma Fundação e passaram-se atestados de incompetência aos locais ao só chamar gente de fora para a dirigir. A política continua a ser a mesma: preparar o projecto no maior dos segredos, sendo a informação divulgada a conta-gotas quando as decisões estão tomadas e os processos em andamento. A excepção foi o projecto do Toural, rejeitado de forma veemente pela população. Dos outros quatro, apenas dois, o Campurbis e a feira semanal, continuam como estavam. Certo é que faltam menos de dois anos para o evento e ainda nenhuma das obras anunciadas começou a ser feita. Pá ninguém duvida que se repetirá por cá o que aconteceu no Porto em 2001, onde o único projecto que ficou para a cidade foi inaugurado quatro anos depois do evento.

Ainda sobre a CEC, é do conhecimento geral (até porque a polémica chegou a aparecer nos jornais) a incompatibilidade entre aquele que foi, para o bem e para o mal, o rosto da cultura em Guimarães nos últimos anos, a Vereadora Francisca Abreu, e a senhora que foi chamada a dirigir 2012, Cristina Azevedo. Esta querela terá até levado António Magalhães a intervir, sem sucesso, na elaboração das listas de deputados, nas quais tentou integrar a sua Vereadora. A ver vamos onde isto vai dar.

Na oposição, a grande surpresa foi o CDS, a ressurgir das cinzas, tendo conseguido mais do que duplicar o seu resultado eleitoral. Também o seu grupo parlamentar na Assembleia Municipal já conquistou o seu espaço. A CDU sofreu também uma pesada derrota. O BE continua como dantes, irrelevante. O PSD está em "banho-maria" após a pesada derrota nas Autárquicas. Procura reorganizar-se e repensar-se para o próximo "combate".

Por fim, o mais importante. Continua o ritmo de encerramento de empresas na nossa região, o que tem arrastado muita gente para o desemprego e sem grandes perspectivas de futuro. Os desempregados da região já têm uma idade considerável mas são muito novos para a reforma, têm família para sustentar e perdeu os meios para o fazer, tem um nível de formação baixo e não encontra soluções viáveis para o que aí vem. É um drama para o qual não há resposta. Os caminhos abertos pelos nossos dirigentes para a economia não os inclui. Há um enorme grupo de vimaranenses, de minhotos, de portugueses que não irão embarcar no comboio que nos prometem. Para eles, não serão as indústrias criativas nem de alta tecnologia que lhes darão de comer.

Não sei se relacionado com este desemprego está o aumento da criminalidade. Não sei sequer se as estatísticas reflectem a insegurança que é cada vez mais sentida nas ruas e pelos cidadãos. Cada vez ouvimos de mais assaltos na cidade, a casas, lojas e transeuntes, a horas e a desoras.

Não sei como será o ano que agora começa, mas não me parece que seja o da anunciada recuperação. Infelizmente vejo oportunidades a passarem-nos ao lado e problemas a avolumarem-se. Gostava de, daqui a um ano, vir cá dizer que me enganei.
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Música para encher o CCVF

Se há crítica que faço à programação do CCVF do ano que agora termina é a da pouca música programada. Quanto ao mais, foi um ano positivo na afirmação da sala de espectáculos em termos nacionais, nomeadamente na área do teatro (estrearam por cá algumas das melhores peças que passaram pelos palcos nacionais este ano, por exemplo) e da dança contemporânea.

A avaliar pela programação de Janeiro e por aquilo que se conhece para os meses seguintes, em 2010 vai inverter-se a tendência no que à música diz respeito. Seis concertos seis no espaço de um mês. E todos muito bons. Pelo Café Concerto vão passar quatro dos melhores projectos da música nacional. Sean Riley, The Weatherman, Old Jerusalem e Paparcutz. Para o Grande Audtitório está programada a reposição do concerto de Buika (adiado em Outubro) e Tom Zé.

Recebo com especial alegria o concerto do músico brasileiro. Um artista genial e subversivo, o concerto de Tom Zé tem tudo para ser marcante. É certamente um daqueles espectáculos a que será impossível faltar. Fica em baixo um vídeo que mostra o outro lado de um homem que vale sobretudo por aquilo que continua a ser capaz de criar.

Novidades já conhecidas para os próximos meses são também Beach House (que tinha sugerido aqui, há dez meses) e Tindersticks.

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O receio do desastre em 2012

A CEC2012 não pode correr o risco – nem dar-se ao luxo – de ser uma espécie de “Rock in Rio” em Lisboa. Os vimaranenses não querem ser só o público da CEC2012 e não querem que o evento seja apenas um ano de espectáculos, com Guimarães como palco.

 Francisco Brito, no seu novo blogue - a não perder -, Coisas Leves e Pesadas.

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Da Assembleia Municipal de Guimarães



Já tinha há vários dias, desde a discussão do Plano Plurianual de Investimentos e do Plano e Orçamento da Câmara Municipal, em Assembleia Municipal, a intenção de discorrer algumas considerações sobre o órgão que mais respeito em democracia, tanto ao nível de freguesia, como municipal e mesmo nacional: A sua Assembleia. A discussão recente neste blogue levou-me para a frente da folha em branco.

Findas as eleições e constituída a Câmara de maioria “absolutíssima” de António Magalhães, reuniu já por 3 ocasiões o órgão que fiscalizará a sua acção.

Desde já saltam à vista 3 considerações fundamentais: O MRPP desapareceu, o CDS dobrou a sua representatividade e os dois maiores partidos políticos vimaranenses reforçaram as suas bancadas de forma distinta: O PS reconduziu o passado e aproveitou o crescimento, resultado do reconhecimento da população no último acto eleitoral, para alicerça-lo numa segunda linha jovem, na casa dos 35, promissora. Já o PSD, apesar do emagrecimento em número, optou também por meia-dúzia de caras jovens, mas essencialmente, por uma politica de reaproveitamento e reutilização, tentando recuperar todas as peças com que já tentaram no passado, mas invariavelmente falharam ou foram substituídas por questões que a mim não me dizem respeito.

Mas com algumas Assembleias decorridas é já aceitável que se comecem a criar as primeiras impressões. O Bloco de Esquerda reforçou-se na juventude do deputado Frederico Pinheiro. A primeira impressão é francamente negativa. Um discurso formatado, com a necessidade de o tentar carregar ideologicamente assente em premissas erradas e propositadamente agressivo, sem respeito, já por mais que uma ocasião, pela restante composição do parlamento local.

O CDS está a ser uma surpresa. Não deixam pontas soltas, preparam cada ponto como se do mais importante se tratasse, e intervêm nem que seja para dizer que estão em total acordo com o proposto. Excesso? Talvez. Mas mostra o respeito e dedicação para com aqueles que os elegeram para lá estarem.

A CDU mantém o estilo. Tem agora uma deputada dos Verdes, que é a grande novidade daquela bancada.

No PSD nota-se alguma necessidade de serem mais força de bloqueio do que oposição responsável. Para o seu grupo de deputados tudo o que é proposto está errado e havia alternativa claramente superior para o fazer. Alguns regressos, das tais peças que não funcionaram bem no passado, eram claramente dispensáveis, porque trouxeram o registo passado: a insinuação e o ataque pessoal. Veremos ao que isto leva. Mas de uma coisa dificilmente os poderão acusar: deixaram de fora este ou aquele. Para esta sinfonia, que acreditam ser o acto final da mesma música dos últimos 20 anos, trouxeram a orquestra toda. Parece-me no entanto que Carlos Vasconcelos enquanto maestro, terá que dar uso à batuta. Ainda estão todos a tocar muito desafinados. 

A bancada do PS, será publicamente mais difícil de analisar, por ser parte integrante da mesma, mas deixa-me até agora satisfeito. Em apenas 3 assembleias já fez chegar até aos microfones um grande número de deputados, entre caras de sempre como o regressado Raul Rocha (em grande nível na última sessão) ou António Mota Prego, deputados de nível reconhecido como Miguel Laranjeiro ou Miguel Alves, até às caras novas em tempo de mandato ou idade como Jorge Cristino ou Ricardo Costa.

De uma forma global é justo dizer-se que todos os Partidos partem com as armas, disponíveis ao nível local, carregadas das suas melhores munições. Estamos já em andamento numa batalha de 4 anos que se vislumbra virtuosa, difícil para todos mas que se espera justa e nivelada pelo respeito mutuo e pela dignificação das posições concedidas democraticamente pelos vimaranenses.
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O problema das tarefeiras


Fotografia da sessão da Assembleia Municipal de dia 21, do Guimarães Digital.

Se houve tema que marcou a última Assembleia Municipal, realizada nos dias 21 e 22 deste mês, foi o concurso para 48 lugares de Assistentes Operacionais (Auxiliares de Acção Educativa). O assunto não é novo, tendo já motivado vários protestos, reclamações, uma petição e notícias em órgãos de comunicação locais e nacionais. No entanto, esta foi a primeira vez que foi tratado no plano político, tendo a Câmara sido questionada pela oposição e pelo público sobre este problema.

A história pode ser explicada aqui: há mais de 15 anos que trabalham nas escolas do nosso concelho trabalhadoras, a desempenharem funções de tarefeiras, sem qualquer contrato de trabalho. No ano passado, o Ministério da Educação transferiu para as Autarquias a responsabilidade na contratação e gestão do pessoal não docente nas escolas, passando a responsabilidade destas trabalhadores precários para a Câmara Municipal de Guimarães.

A Autarquia decidiu resolver o problema lançando um concurso público para os 48 postos de trabalho em causa, que passariam a ter um contrato de trabalho e a integrar o mapa de assalariados da Câmara. Esse concurso foi publicado em Diário da República de 4 de Maio deste ano, denominado por "Aviso n.º 8973/2009". Segundo o que aqui se encontra publicado, a ordenação final dos candidatos seria dada pela seguinte fórmula: 50% da cotação para uma prova escrita sobre legislação a realizar e outros 50% para a avaliação psicológica a fazer aos candidatos (alínea 12, ponto A, número 2, b, ou na coluna da direita da página 96 do DR). Esta avaliação psicológica pretendia "avaliar se, e em que medida, os candidatos dispõem das restantes competências exigíveis ao exercício, da função".

As senhoras que até este momento tinham estado a trabalhar nestas funções apresentaram-se todas a concurso, no meio de 1511 candidatos. Realizaram a dita prova no dia 11 de Junho e no dia 19 do mesmo mês é publicado o pequeno Aviso n.º 11151/2009 no Diário da República (página 124). O que diz esse aviso?


Para os devidos efeitos se torna público que por despacho do Vereador de Pessoal, datado de 1 de Junho de 2009, no uso de competências (...), foi determinado a aplicação de um único método de selecção — Prova Escrita de Conhecimentos a todos os candidatos ao procedimento concursal para 48 postos de trabalho para a carreira de Assistente Operacional (Auxiliar de Acção Educativa), aberto por aviso publicado na 2.ª série do DR, de 4 de Maio de 2009, devido ao elevado número de candidatos ao procedimento concursal e os postos de trabalhado terem de estar preenchidos aquando do início do ano lectivo 2009/2010. 

Ou seja, para facilitar a selecção alteram-se os critérios já com o concurso a decorrer. Ao que pude apurar, não há qualquer ilegalidade no procedimento da Câmara. O que há é uma enorme injustiça para com quem dedicou tantos anos da sua vida à escola pública e que, reforce-se, para facilitar, viu-se severamente prejudicada neste processo. Tão prejudicada que, no meio de todos os candidatos, nenhuma foi seleccionada, apesar de terem conseguido notas claramente positivas na prova escrita.


As tarefeiras em protesto, fotografia do Guimarães Digital.

Acontece que estas funcionárias desempenham funções muito específicas nas escolas, em particular nas Unidades de Apoio Especializado à Multideficiência, onde trabalham com crianças com deficiências profundas, incapazes de se moverem e de comunicar, na higiene e alimentação (entre outras) das mesmas, que são extremamente sensíveis a qualquer mudança na sua proximidade. Pelo que pude apurar, fazem-no com enorme brio e profissionalismo, havendo uma grande satisfação em todos os que lidam com estas crianças pelo seu trabalho. Aliás, já foi no ano passado tentada a substituição nestas funções destas tarefeiras (que trabalham com as crianças há vários anos) por outras e o resultado foi desastroso.

A Câmara Municipal de Guimarães fez com que estas tarefeiras ficassem sem o seu trabalho, sem direito a subsídio de desemprego e com as suas perspectivas futuras altamente comprometidas. Foi tudo legal, já sabemos, mas foi muitíssimo injusto.

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Novidades vimaranenses



Este blogue (e a blogosfera vimaranense em geral) tem andado parado. Mas Guimarães nem tanto. Umas quantas desgraças, entre suicídios, um corpo descoberto no Ave, uns assaltos à mão armada no centro da cidade a pessoas e lojas. Temos assistido ao habitual desenrolar da vida política numa cidade em que o partido vencedor das eleições autárquicas saiu ainda mais reforçado na sua votação: este dita e por muito que a oposição estrebuche, pouco pode fazer. Pena que quem perca seja Guimarães, pois há um progressivo desinteresse dos cidadãos pela discussão política local.

O site da Câmara Municipal de Guimarães foi renovado recentemente. A mudança é de saudar, pois surge de cara lavada e de fácil navegação. Por outro lado, o da Capital Europeia da Cultura 2012 está parado. Se quando surgiu desapontou pela falta de originalidade e design ordinário, nunca tendo sido importante fonte de informação, há um mês que está parado e não se encontra lá nada sobre as últimas novidades e sessões de esclarecimento sobre o evento. Talvez com a entrada em cena de uma nova agência de comunicação para 2012 (Comunicarte) as coisas mudem.

Ainda sobre a Capital Europeia da Cultura 2012, foi apresentado o seu Plano Estratégico no passado dia 18. Vi poucas reacções ao evento, aberto ao público, que contou com a presença de vários ministros, dando peso ao evento. Tanto quanto sei, o dito Plano Estratégico ainda não está na rede. Mas podemos conhecer as novidades através do artigo do JN.

O texto mais interessante que li nos últimos tempos sobre 2012 foi publicado num jornal do Sul, o Diário de Notícias. É o resultado de um almoço com Cristina Azevedo, a Presidente da Fundação Cidade de Guimarães, ainda pouco conhecida dos vimaranenses, na Praça de Santiago. Um trabalho muito interessante que pode ser lido no blogue do seu autor.

No dia 26 de Novembro passado realizou-se a primeira Assembleia Municipal após as autárquicas. A reunião, extraordinária, visava tratar uma série de assuntos como impostos e taxas municipais, transportes públicos e aquisição de edifícios para a CEC. Decorreu em ambiente ameno, embora fosse já possível tomar um pouco o pulso ao novo ambiente que lá se respira. Há várias caras novas, principalmente no PS, PSD e CDS, o que pode permitir uma revitalização da discussão política que lá se faz. A bancada do CDS, totalmente renovada, foi uma agradável surpresa. Apresentou-se forte e com conteúdo. Pode vir a ser um osso duro de roer para o executivo. Do lado da maioria PS viram-se também alguns novos protagonistas, mas ainda é cedo para tirar conclusões. Continua a ser lamentável a postura de vários dos seus eleitos, dos que normalmente se sentam nas filas mais atrás do auditório, pelas "bocas" e mesmo insultos proferidos, que já chegaram a motivar uma intervenção do Presidente da Assembleia Municipal.

Hoje haverá nova Assembleia, pelas 21:30 no auditório da Universidade do Minho, com continuação amanhã à mesma hora.

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Novo (Re-)Começo



No dia anterior ao jogo com a Académica o Samuel antecipava, aqui no Colina Sagrada, um novo começo para a equipa de futebol do Vitória Sport Clube. Motivados pelo empate e boa exibição frente ao Sporting, pareciam, com novo treinador, prontos a começar a demonstrar o seu potencial. Esse jogo correu mal, mas Paulo Sérgio dizia no final do jogo que gostou do que viu e que se estava a ganhar uma equipa.

Seguiram-se três jogos complicados: visita a Setúbal para a taça da Liga, apesar da má equipa deste ano, sempre uma deslocação difícil, onde Nelo Vingada tinha deixado dois pontos à primeira jornada, recepção ao Braga, líder do campeonato e visita à Luz para a taça contra o mais forte Benfica dos últimos anos.

Contaram-se por vitórias todos esses encontros, significando seguir em frente em duas taças, e aproximar dos lugares europeus para o campeonato, juntando-se uma melhoria significativa no nível exibicional, um crescer dos níveis físicos apresentados, e estando finalmente encontrado o "11 idela" e a táctica que confere mais produtividade ao conjunto. Um falso 4-5-1, transformado em 3-5-2 em posição ofensiva, a fazer lembrar o Vitória de Inácio que tantas alegrias deu às gentes de Guimarães e aos adeptos do bom futebol.

Se Paulo Sérgio continuar a fazer crescer a equipa a este nível, e confirmar em Dezembro que vai emagrecer ao plantel e aumentar à qualidade, podemos acreditar numa segunda volta como nos tempos de Pacheco e no regresso à Europa. A eles, Vitória!

Nota: A jogar assim, ainda bem que Desmarets já renovou. Finalmente, "Milo"!
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Habemus FNAC!


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Fado ameaça Nicolinas

Há vários anos que por Guimarães se fala da candidatura das Festas Nicolinas a Património Oral e Imaterial da Humanidade. Houve muito trabalho na Assembleia Municipal para levar este assunto avante, através da criação de uma comissão para avaliar a viabilidade da mesma e de pedidos à Assembleia da República para ratificar o tratado da UNESCO referente a este galardão (o que acabou por fazer). Mas eis que recentemente soubemos que os esforços do Estado estão todos postos na candidatura do Fado à mesma distinção. E eis que o poder político vimaranense mostra-se desconfiante quanto ao futuro da candidatura vimaranense.


Penso que ninguém duvida da mais-valia que as Nicolinas representam no âmbito da cultura vimaranense, nem da oportunidade que 2012 é para dar mais visibilidade às Festas e, eventualmente, para permitir esta candidatura. Os resultados da comissão da Assembleia Municipal foram claros: falta trabalho. Mas anda alguém a fazê-lo ou perdeu-se o interesse no assunto?