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Autárquicas 2009: Se esta Câmara fosse minha (III)


Foi com prazer que aceitei o desafio proposto pelo Colina Sagrada para aqui deixar este testemunho. Convém, no entanto, que deixe desde já, um ponto prévio: sinto-me muito mais próximo da política nacional do que propriamente da local, mesmo que seja, e com gosto, eleitor em Guimarães.


Acho sempre que Guimarães vive demasiado do seu passado, mesmo que por vezes os “olhos” lhe “fujam” (e bem) para o futuro, mas esquecendo vezes sem conta o seu presente. Não me parece razoável que Guimarães, sendo sede de uma das mais prestigiadas universidades do país, não tenha sido ainda capaz de oferecer valências aos jovens que aqui estudam. Braga continua a ser o “dormitório” e local de diversão preferencial, mesmo daqueles que estudam no Campus de Azurém. Guimarães precisa, mais do que nunca, de ser um atractivo para os jovens. Saber dotar-se de espaços que façam da cidade um lugar conhecido e reconhecido no que ao convívio de jovens diz respeito.


Não pode Guimarães continuar a assistir à constante e crescente “diáspora” dos mais novos para as cidades vizinhas, sem ser capaz de os cimentar aqui mesmo. Sejam eles os jovens que estudam na Universidade do Minho ou aqueles que por cá ainda vivem. Uma modernização deste género é mais do que exigível para uma cidade que, mesmo orgulhando-se do passando, tem de ter forçosamente os olhos no presente e no futuro. Guimarães tem de saber tornar-se numa cidade universitária, saber conviver com esse epíteto e fortalecer a sua posição enquanto tal. Saibamos aproveitar CEC 2012 também para isso. E vale para os jovens, como terá de valer para as crianças. Locais de atracção para as nossas crianças são coisas que Guimarães não tem conseguido saber ter. Assistir ao erro de Braga e nada fazer para que se transformasse num triunfo de Guimarães, é algo que só posso lamentar.


A juntar a isto, é imperial que para um desenvolvimento sustentado da cidade e da região onde se encontra, que tudo seja feito para Guimarães se aproximar das cidades vizinhas. Quando as duas cidades mais importantes do Minho não são capazes de estar ligadas por uma verdadeira rede de transportes, algo tem de ser invertido. É completamente surreal que não haja sequer uma ligação directa de comboio entre Guimarães e Braga e, mais do que isso, que Guimarães não seja capaz de fazer pressão suficiente para – porque não? – conseguir que se dote as duas cidades de uma rede de metro que será fulcral para o desenvolvimento de ambas.


Mais do que isso, parece-me indispensável que a cidade saiba responder ao seu crescimento em termos de áreas populacionais e com isso dotar Guimarães de uma rede de transportes públicos abrangente. Mais e melhores. Para que seja possível – a curto espaço – a diminuição drástica do trânsito nas principais artérias da cidade. Para que se respire e viva melhor. Para isso, será também importante que seja aumentado o número de parques de estacionamento que façam diminuir esse mesmo tráfego no centro da cidade.


A necessária criação de mais valências hospitalares no Hospital de Guimarães, como serviço de urgência de Neurologia, por exemplo, deverá ser também uma prioridade do executivo camarário e na pressão que terá de exercer junto do Ministério da Saúde.


O aproveitamento da sua principal beleza natural – Montanha da Penha – com a instalação de um hotel prestigiado e com condições de excelência, bem como uma melhor utilização das condições excepcionais que a Penha nos oferece, deverá ser também um objectivo claro. Será utópico ou irreal pensar-se que a Penha poderia oferecer uma pista de neve artificial? Sem destruição da sua beleza natural? E assim servir ainda de mais um ponto de atracção turística? Não estou em posição de ter uma posição muita clara, mas genericamente seria uma ideia a ter em conta. Esta, como outras.

Por Carlos Ribeiro

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Os programas para a Cultura

Amaro das Neves faz, no Araduca, uma análise muito completa e pertinente aos programas eleitorais dos seis partidos que se apresentam às eleições do próximo Domingo, com especial enfoque para a área da cultura.

Conheças aqui as propostas de PS, PSD, CDU, CDS, BE e MRPP.
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Frases para pensar

"Em Guimarães, património da humanidade, onde trabalhei, eu digo: “Já não posso com isto”. Guimarães sempre teve mais de dois terços da população e do emprego fora do perímetro urbano. E sempre acharam normal; agora cavou-se uma trincheira. Só se preocupam com o centro histórico, com a cidade extraordinária. Do outro lado da trincheira, está a cidade ordinária, a genérica, que não tem marca e ninguém vê... As pessoas agarram-se ao que acham que conhecem, e, à medida que vai aumentando o trauma da perda da cidade extraordinária, aumenta a amnésia do resto. Por isso acho que os investigadores, e o planeamento, se devem centrar nesta área da cidade, que da outra já há muito quem se ocupe".

Álvaro Domingues, geógrafo, ao Público de sábado

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Autárquica: Guimarães na Rádio Universitária do Minho

A Rádio Universitária do Minho transmite, a partir de amanhã, as entrevistas realizadas com os seis candidatos à Câmara Municipal de Guimarães. São seis conversas de cerca de 20 minutos que valem a pena ouvir.

Permitam-me destacar: António Magalhães admite governar com maioria relativa e está disposto a coligações e Vítor Ferreira assume que retirar a maioria absoluta ao PS e influenciar o rumo da governação podia ser um pequena vitória.

Salgado Almeida afirma que quer eleger o segundo vereador para ser poder com o PS, mas recusa um cargo na vereação a tempo inteiro e Alberto Fernandes acredita na eleição de um vereador, mas recusa coligações.

Rui Barreira defende que a obra do Toural vai ser desfeita no futuro, porque a cidade vai precisar do parque de estacionamento subterrâneo e Domingos Torres defende a criação de um rede de lares e infantários públicos para combater o desemprego.

As entrevistas vão para o ar às 14h00 horas de quarta, quinta e sexta-feira. Amanhã ouvem-se as ideias de Alberto Fernandes e Domingos Torres, no dia seguinte a conversa tem Salgado Almeida e Rui Barreira como protagonistas e, no último dia da campanha, conhecemos as propostas dos dois principais candidatos, Vítor Ferreira e António Magalhães.

Depois de emitidas, as entrevistas vão estar disponíveis aqui.
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E no dia 5 de Outubro

Fotografia do Movimento 1128.

A antiga bandeira Portuguesa foi hasteada na Câmara Municipal de Guimarães na noite passada. A iniciativa do Movimento 1128 pretende continuar a onda iniciada pelo blogue 31 da Armada em Agosto passado.
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O renovado Largo do Carmo



Foi hoje inaugurado o Largo Martins Sarmento requalificado. Conhecido como Largo do Carmo é um dos meus largos preferidos da cidade de Guimarães. Gostei do resultado da intervenção da autoria de Miguel Frazão, que valoriza bastante este lugar tão especial. As obras irão agora continuar, com uma nova ligação directa do Largo da Mumadona à Colina Sagrada.
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Autárquicas 2009: Se esta Câmara fosse minha (II)


Gerir um concelho como o de Guimarães, com 69 freguesias, não será tarefa fácil. É muito densa a teia administrativa que cobre o concelho e disto resultam perdas, insuficiências e desigualdades – não se consegue chegar a todo o lado e a todos. Como agravante, uma estratégia que aplique a maior parte dos recursos financeiros na sede do concelho faz com que essas desigualdades sejam mais agudas.


Nesse sentido, “se esta câmara fosse minha”, trabalharia no sentido conseguir uma maior coesão do território de todo o concelho. A coesão territorial costuma ficar bem nos programas e nos discursos, mas teima em não ter efeitos práticos notáveis.


Em Guimarães facilmente se comprova que um munícipe da freguesia de Castelões, não tem as mesmas oportunidades, nem os mesmos recursos que tem um outro munícipe de S. Sebastião. É absurdo pensar que um e outro devem ter exactamente os mesmos recursos e exactamente as mesmas oportunidades. Será mais sensato, antes, pensar em maneiras de compensar essas diferenças.


Tornar a estrutura administrativa mais leve passaria por uma reorganização do mapa das freguesias do concelho, agrupando-as, diminuindo assim o seu número e diminuindo também o número de intermediários no processo de decisão. Ao fazê-lo, contrariamente ao que possa parecer, aproximar-se-ia o poder autárquico do cidadão, na medida em que se tornaria o sistema mais eficiente.


A coesão territorial passaria ainda pela definição de três centralidades no concelho: Caldelas, S. Torcato e Moreira de Cónegos. Estes estariam organizados subsidiariamente relativamente à sede do município, com a descentralização de vários serviços, redistribuição de competências e de recursos financeiros. Hoje, os sistemas de informação digitais permitem que a localização deixe de ser uma condicionante em muitos aspectos. A nível empresarial, por exemplo, esta realidade há muito que foi absorvida.


A habitação é também uma questão essencial – não só ao nível da sua organização territorial, mas sobretudo na gestão da sua oferta. Sabe-se que, nas últimas décadas, o poder autárquico se foi tornando dependente financeiramente das receitas sobre a ocupação do território, o que promoveu uma ocupação desordenada, descaracterizadora e dispersa. Essa seria a primeira tendência a inverter. Não se percebe como é que, conhecidas as desvantagens de uma a ocupação dispersa do território, se insiste na sua continuidade, com o consequente agravamento das dificuldades já existentes – desde logo dos custos com a infra-estruturação, dos transportes públicos, etc.


Aspecto preocupante, ainda na área da habitação, é o envelhecimento e gradual esvaziamento do centro histórico e de toda a zona envolvente. Num trabalho de continuidade, seria urgente definir uma política que habitação que invertesse essa sangria, promovendo condições para a requalificação urbana e para a ocupação dos muitos edifícios vazios localizados naquela zona nobre do concelho. À sua escala aplicar o mesmo modelo nas três centralidades. Criando condições para a fixação, também aí, de população.



Num mesmo contexto do fomento da coesão territorial, a mobilidade teria um elevado nível de importância. Neste campo, haveria duas escalas de planeamento – uma concelhia, outra regional. O sistema de transportes no concelho seria ordenado em torno das três centralidades, cada uma deveria ser equipada com uma central de transportes públicos, de forma a garantir uma melhor cobertura em todo o concelho. Estas três centrais estariam articuladas com uma outra, em Guimarães (que além de ser a sede do concelho é também o seu centro geográfico), sendo que esta faria a articulação com os sistemas de transporte a nível regional.


Felizmente, há em Guimarães vários bons exemplos decorrentes da gestão autárquica dos últimos anos. Nomeadamente, a identificação do capital histórico da cidade que foi em boa hora exemplarmente aproveitada, com o trabalho desenvolvido no Centro Histórico. Esse modelo deveria ser replicado em todo o concelho: identificando as potencialidades existentes; definir prioridades; canalizar investimento público e cativar o privado.


Concluindo, tornar o território concelhio mais coeso, aproximando e redistribuindo o poder autárquico tornando-o mais eficiente, criar condições de qualidade de vida para a fixação de população e interligar essa população entre si, seriam as minhas prioridades “se esta câmara fosse minha”.

Por Paulo Dumas

Editado às 10h42 (06/10)

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Conversas Autárquicas - Domingos Torres (MRPP)

Foto Notícias de Guimarães

Domingos Torres é técnico postal nos CTT e cabeça de lista do PCTP-MRPP à câmara de Guimarães, depois de ter sido deputado na Assembleia Municipal durante dois anos. Foi o primeiro a aceitar o desafio do Colina Sagrada para jantar com os três autores do blogue no Vira-Bar.


“As pessoas gostaram do trabalho que tem sido desenvolvido pelo MRPP. Penso por ser uma voz diferente e independente”. A explicação de Domingos Torres para as votações do partido em Guimarães é simples. Sem meios – “Reunimo-nos num café e somos nós quem cola os cartazes” – o MRPP elege, há oito anos, um deputado para a Assembleia Municipal fruto dos cerca de 1400 votos conseguidos.


Este ano aposta nas freguesias, apresentando candidaturas em seis juntas. E só não são mais porque os responsáveis não quiseram. “Tivemos pessoas que se ofereceram para fazer listas, mas não podemos meter qualquer pessoa no partido”, conta. Os objectivos eleitorais estão bem definidos: “Queremos eleger mais deputados municipais”. Até porque o trabalho de um parlamentar sozinho torna-se “muito difícil”. Chegar à vereação é quase impossível, mas o MRPP “ousa sonhar”.


Se fosse eleito presidente da câmara, Domingos Torres, gostava de tornar Guimarães “uma cidade de ciência e do conhecimento, moderna, em que as pessoas vivessem bem, com bons transportes, na linha da frente da ecologia e com emprego”. De resto, é muito crítico do desenvolvimento da cidade nas últimas três décadas. “O que Guimarães tem de melhor é a Universidade do Minho. Temos o CCVF, o futebol, com o Euro 2004. E agora vem a CEC. A câmara só faz alguma coisa se vier dinheiro de fora”, acusa. “Guimarães não mudou da época medieval até hoje. A câmara praticamente não saiu daqui das muralhas, só vê o que está dentro delas”, critica ainda candidato.


As propostas do MRPP


O emprego é uma das prioridades do programa eleitoral do MRPP. “Queremos criar mais lares de acamados e idosos e infantários. Isso criava mais emprego e contribuía para o bem-estar dos cidadãos”, assegura. O partido é também favorável à criação de uma equipa da polícia municipal que seja responsável por vigiar os rios e as áreas florestais do concelho.


Na área ambiental, o PCTP-MRPP defende também uma proposta de criação de um ou mais parques eólicos nas zonas de S. Torcato, Gonça e Souto. “Ajudavam a diminuir os custos energéticos”, considera Domingos Torres, que antecipa também a alimentação da rede pública de iluminação através de painéis solares.


A cultura é por estes dias incontornável, mas nenhum partido tem uma proposta como a do MRPP. “Vi gente a defender um centro de arte contemporânea ou um museu. Guimarães tem é que a apoiar os museus que já existem”. Por isso propôs numa das reuniões preparatórias da CEC a criação de um centro de astronomia na Penha, proposta que recupera agora no programa eleitoral. “Assim os estudantes iam estudar os astros, dinamizava o teleférico e ficávamos conhecidos. Preferia isso a um museu de arte contemporânea”.


As Conversas Autárquicas organizadas pelo Colina Sagrada têm o patrocínio do restaurante e cervejaria Vira-Bar, na Alameda de S. Dâmaso, em Guimarães.

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Ousar Sonhar

O primeiro entrevistado pelo Colina Sagrada foi Domingos Torres. O candidato do MRPP assume-se um homem de esquerda, democrata e sem extremismos. E demonstrou isso mesmo ao longo da conversa. Longe do registo ideologicamente vincado da estrutura nacional.

Nota-se em Domingos Torres a despreocupação nas propostas de quem apenas “ousa sonhar”. A alegria de tentar ajudar quem mais precisa, e genuinidade com que o faz. Quer mais lares, que não sejam pagos a peso de ouro e fazem-lhe confusão os grandes investimentos porque só se fazem com apoios europeus. Injustamente, mas não reconhece o premiado desenvolvimento da cidade dos últimos 20 anos.

Tem como bandeiras emblemáticas o observatório de astronomia da Penha, que parece muito pouco para figura de proa de uma Capital Europeia da Cultura. Quer criar fundo municipal para famílias carenciadas. Para isso, e para gerar capacidade de investir a nível autárquico, acabava com as régie cooperativas e os seus gestores de largas centenas de euros. Tremendamente questionável pelo principio e pela suposta capacidade que isso criaria de incentivar as famílias mais carenciadas.
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Um bom homem

A conversa com Domingos Torres surpreendeu-me. O candidato do MRPP é um homem simples, mas cheio de ideias e iniciativa, longe do protótipo de militante deste partido que imaginamos. Talvez seja este o segredo para os resultados que este partido que já foi maoísta tem em Guimarães.

Nota-se que a sua principal preocupação são as pessoas, em especial os trabalhadores e os reformados. Torres entusiasma-se a falar das suas propostas para a terceira idade. Claro que tem fraquezas: as propostas que apresenta para a economia (criar lares e creches) carecem de um estudo aprofundado e não são capazes de responder ao drama do desemprego que o concelho vive. E depois há a sua grande proposta para a Capital Europeia da Cultura 2012, a construção de um observatório astronómico na Penha.

Domingos Torres é um homem preocupado e genuíno, que se fez a pulso e que gosta de partilhar as suas ideias. Foi um excelente início para as Conversas Autárquicas deste blogue.
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O fenómeno MRPP


Na sequência de uma notícia da agência Lusa, Diário de Notícias, Jornal e Notícias e o jornal i publicaram hoje artigos acerca do fenómeno PCTP-MRPP em Guimarães. Hoje TSF e TVI também entrevistaram Domingos Torres, o cabeça de lista do partido à Câmara de Guimarães.

Ontem, o candidato jantou com o Colina Sagrada no restaurante Vira Bar, na primeira das conversas com os candidatos à Câmara. Amanhã publicaremos o resultado desse encontro, onde pudemos conhecer melhor um dos rostos deste curioso fenómeno da política vimaranense.

Há quatro anos, mais de 1100 pessoas votaram no MRPP. Há oito que o partido tem uma representação na Assembleia Municipal e este ano até apresenta candidaturas a seis freguesias, factos que levam o eterno candidato Garcia Pereira a afirmar que "Guimarães é a zona do país onde o trabalho autárquico e a ligação do partido ao povo tem sido mais consistente".
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Votação

O blogue Arrastão está a promover um conjunto de inquéritos sobre as autárquicas. Quem será o presidente da Câmara? , pergunta-se, abrangendo quase 40 concelhos do país. Guimarães é um desses.
Por muito que estes inquéritos online sejam quase tão pouco fiáveis como as sondagens, uma maior participação poderá fazê-los chega mais próximo do resultado final.
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Autárquicas 2009: Se esta Câmara fosse minha (I)


"Alguns dias depois de ter aceite o convite para escrever sobre algumas ideias para Guimarães caso fosse eleito Presidente da Câmara, fiquei sem muitas dúvidas de que, mais do que ideias concretas sobre determinados projectos a implementar, faria muito mais sentido começar por reflectir sobre o processo de decisão e a relação entre o poder político e a sociedade que representa. Por um lado, porque após uma breve pesquisa verifiquei que as boas ideias que me ocorreram já têm voz. Por outro, talvez porque se dá mais importância à proveniência do que ao conteúdo, não sei realmente o que o poder político pensa delas e que alternativas tem.

Não concordo com a política de ter meia-dúzia de «projectos estruturantes» escondidos nos gabinetes de Santa Clara, conhecidos apenas por alguns, como se a simples discussão dos mesmos os pudesse levar ao fracasso. Aliás, como me parece ter ficado evidente na questão da requalificação do Toural, é mesmo a discutir, explicar, obter reacções, re-desenhar e voltar a público que se consegue transformar um projecto técnico, funcional mas sem identidade, numa requalificação profunda mas bem aceite pela maioria.

O «corpo estranho» que era o primeiro projecto concebido para o Toural, ou que ainda é hoje a Capital Europeia da Cultura 2012, não ajuda à identificação e defesa dos mesmos pelos cidadãos. Cidadãos esses que cada vez mais querem ser informados e participar das decisões, organizando-se nesse sentido. A sociedade é cada vez mais activa e alguns sectores, principalmente ligados a universidades ou grupos profissionais, têm até um conhecimento mais específico e especializado que não se pode ignorar na tomada de decisões.

Uma nova cidade terá que comunicar de forma diferente. É muito importante que o rumo estratégico seja público e que os meios com que se pretende atingir esse rumo sejam definidos e monitorizados. A universidade, as empresas, as associações de cidadãos devem fazer parte desse rumo, trabalhando em rede com os gabinetes municipais no sentido de serem mais facilmente perceptíveis os ganhos, dificuldades ou ajustes a fazer. E, obviamente, qualquer cidadão poderá ter acesso aos indicadores monitorizados. A informação é, nos tempos que correm, fulcral. O município tem o dever de dar todas as informações que permitam às entidades tomarem decisões de investimentos ou de alteração de estratégias.

Partindo deste pressuposto, torna-se essencial a criação de mecanismos que permitam estas redes de comunicação. A Carta Educativa e o projecto de Carta da Cultura que é, na essência, a Fundação Cidade de Guimarães, são embriões do que se pode também replicar para outros sectores. E as decisões, tomadas no âmbito de uma rede, com contributos de vários intervenientes, podem recentrar o debate nos projectos em si, identificando os seus pontos fortes e fraquezas, acabando com discussões inúteis e quase infantis sobre quem é o autor do projecto ou levando ao voto favorável/ desfavorável conforme seja um projecto da maioria ou da minoria.

Para terminar, voltando à ideia inicial do texto e deixando apenas uma das prioridades que acho importante resolver num futuro próximo, parece-me impossível estarmos tão longe (aparentemente) da concretização dum Plano de Mobilidade que responda às necessidades de um concelho com cerca de 2 terços da população a viver fora da cidade, e às necessidades de uma região que tem nos próximos anos uma série de desafios que a podem tornar mais competitiva, dinâmica e cosmopolita. É impossível, por exemplo, pensar na CEC 2012 sem um plano estruturado da rede de transportes públicos. Ou então imaginar o AvePark e o Instituto Ibérico sem ligações privilegiadas aos pólos universitários e centros urbanos de Guimarães e Braga. Os meios à disposição dos cidadãos determinam e muito a forma como estes se movem e transformam os hábitos duma cidade ou região. E se queremos alterar a forma como se vive Guimarães, a rede de transportes é fundamental. Sobre isto temos a certeza que o trabalho está a ser feito. O problema é que, tal como no caso da CEC, é mesmo apenas isso o que se sabe. E vivemos nós na era da Sociedade da Informação".

Por Rui Silva.
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Colina Sagrada – Autárquicas 2009

Nas próximas duas semanas os vimaranenses têm pela frente a discussão que ajudará a clarificar qual o melhor projecto para liderar a cidade e o concelho ao longo dos próximos quatro anos. O emprego e a crise social são desafios de hoje, com a aventura da Capital Europeia da Cultura e espreitar lá para o fim do mandato, condicionando muitas das suas decisões.


Este é um momento particularmente relevante para Guimarães. Magalhães joga tudo no último mandato permitido por lei, com a CEC como bandeira. O PSD tem um projecto que conseguiu convencer alguns habituais votantes de esquerda. A CDU aposta no segundo vereador, mas com as mesmas caras. O CDS fez uma forte aposta com Rui Barreira que lhe deverá garantir uma subida de votação. O BE, à boleia dos resultados nacionais, está também a crescer.


O PSD foi o primeiro a apresentar o seu programa eleitoral autárquico. Hoje será a vez do PCP e, amanhã, do PS. O Colina Sagrada vai trazer aos seus leitores algumas das principais linhas de força dos programas dos diferentes partidos.


Para acompanhar estas eleições, decidimos também lançar uma iniciativa que abre, como temos feito noutros momentos marcantes, a participação cívica a outros protagonistas. Chama-se “Se esta Câmara fosse minha” e foi uma desafio lançado a cinco vimaranenses para que apresentassem ideias, medidas e soluções para os problemas e desafios que se colocam a Guimarães nos próximos quatro anos.


Fruto de uma parceira com a Cervejaria e Restaurante Vira-Bar, vamos também entrevistar algumas das principais figuras que se candidatam à câmara de Guimarães. A partir do final desta semana começaremos também a publicar o resultado dessas conversas.


Ao longo das próximas semanas vamos como habitualmente acompanhar e comentar as entrevistas, debates e acções públicas dos vários partidos. Deste modo, esperamos contribuir para uma decisão mais esclarecido dos vimaranenses no próximo dia 11.

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O dia seguinte


Não queria deixar de fazer também aqui a minha análise ao resultado eleitoral de ontem. Em primeiro lugar falo do partido que me é mais querido, o PSD: uma desilusão a toda a linha. Há alguns dias que tinha deixado de alimentar a esperança de sairmos vencedores, mas um resultado destes, tão próximo em percentagem do de 2005, foi uma desilusão. No distrito de Braga, em particular, esperava um resultado melhor, o que não se verificou, pois o PSD perdeu um deputado face às últimas eleições.

A CDU teve uma clara derrota. É neste momento a quinta força política e já ninguém espera surpresas por aquelas bandas. Como sempre, fez um discurso vitorioso, mas no qual ninguém acredita.

O CDS é o partido que mais pode gritar vitória. Voltou aos dois dígitos e elegeu 21 deputados, afirmando-se como terceira força política. Era a vitória de que Paulo Portas precisava e, neste momento, merecia.

O BE teve uma vitória, mas não tão grande como previram. Subiu muito significativamente em número de votos e duplicou os deputados, mas não conseguiu chegar aos míticos dois dígitos e não chegou a terceiro. Perante o discurso que o partido teve nos últimos meses, parece-me que não atingiu o lugar a que se propunha.

O PS foi o partido mais votado e só por isso ganhou as eleições. Perdeu a maioria absoluta, perdeu centenas de milhar de votos, perdeu deputados, mas será Governo. Vamos ver como Sócrates se consegue safar desta.

Não posso deixar de salientar um ponto que me parece importantíssimo: neste acto eleitoral podiam ter tomado parte mais de meio milhão de jovens portugueses. Parece-me que esses novos eleitores contribuíram de forma decisiva para o maior vencedor do dia, a abstenção. Claro que isto é apenas uma leitura pessoal, que não se baseia ainda em dados que estarão disponíveis apenas mais tarde. Os partidos e o sistema político português perderam a grande batalha que era a conquista destes eleitores. É uma batalha que, muito em breve, voltará a travar-se. É uma batalha que não se pode perder.
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Delegação da Região de Turismo Porto e Norte


Há uns anos, quando se acabou com as zonas de Turismo e integraram Guimarães e o Minho na Região de Turismo do Porto e Norte de Portugal, receámos que esta se focasse no Douro e que tudo o resto se tornasse paisagem. Mas o trabalho desenvolvido até ao momento não permite essa leitura. Em primeiro lugar, optou-se por não fixar a sede desta Região de Turismo no Porto, mas em Viana do Castelo. O planeamento deste projecto focou-se na criação de 7 pacotes de produtos, que os visitantes escolhem conforme o seu objectivo. Assim, temos Turismo de Negócios, City Breaks, Saúde e Bem-Estar, Touring Cultural e Paisagístico e Turismo de Natureza, entre outras. Optou-se também por deslocalizar as delegações que tratarão especificamente de cada um destes produtos.

No Sábado passado foi inaugurada a delegação de Guimarães, intitulada Delegação de Turismo Cultural, Paisagístico e dos Patrimónios. Este gabinete, criado nas instalações do antigo Museu de Arte Primitiva e Moderna, no lindíssimo edifício dos antigos Paços do Concelho, pode ser estratégico para o futuro desenvolvimento da região. Será interessante ver o trabalho desenvolvido com a Capital Europeia da Cultura 2012.


***

Soube pela notícia do Jornal de Notícias que se esperavam novidades do Governo sobre uns dinheiros para 2012. Não percebi se seriam um reforço ao orçamento ou se seriam parte dele. Não consegui também verificar se esses dinheiros foram confirmados ou não.
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As Legislativas em Guimarães

Os resultados das Legislativas em Guimarães confirmam as tendências distritais. O PS é o vencedor, com cerca de 47 por cento dos votos, mas perde mais de dois mil votos face há quatro anos. Quem cresce, e cresce muito, são CDS e BE.


Os populares são embalados pelo excelente resultado nacional e regional e ganha quase 1400 votos, tornando-se a terceira força política no concelho. Já os bloquistas alinham pelo crescimento nacional e aumentam a votação na casa dos 40 por cento (7800 votos, face aos 4700 de 2005). O MRPP, que é um fenómeno autárquico particular, mantém sensivelmente a mesma votação.


Os resultados são maus para o PSD, que não só não encurta distâncias para o PS como ainda pede votos (cerca de 400). E são também votações negativas pata a CDU, que perde mais de 600 votos, não conseguindo capitalizar o trabalho de Agostinho Lopes e das estruturas locais dos comunistas.


Bem sei que as eleições são diferentes, mas os resultados devem deixar António Magalhães e o PS satisfeitos. Pelo menos partem com vantagem confortável para as autárquicas do próximo dia 11, ainda que tenham ganham em freguesias que são social-democratas e cuja mudança não é expectável.


Mas vejamos: Face às autárquicas o PS tem mais mil e poucos votos, enquanto que o PSD perde mais de três mil. A CDU é que parece ter mais expressão local do que nacional. Pelo menos é o que parece sugerir os 3500 votos a mais que tem nas autárquicas.


Nesta análise, BE e CDS voltam a merecer destaque: Os populares tiveram míseros 2400 votos nas locais de 2005 e, meses depois, mais de 6000 mil nas nacionais. Com o crescimento que tiveram hoje e a aposta forte na campanha, podem surpreender. O mesmo pode acontecer com o BE (1900 votos nas autárquicas), ainda que os dois cabeças de lista sejam bem distintos. Começa hoje uma corrida intensa a Santa Clara.

Guimarães está a mudar...

... mas ainda não foi desta.
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Das Legislativas

O PS ganhou as eleições legislativas, mas as dúvidas sobre o futuro de Portugal ainda não estão desfeitas. Os próximos dias serão decisivos, mas os socialistas só terão uma maioria estável de fizerem uma coligação com o PP. Aliás, o CDS é o grande vencedor da noite, tal como antecipava aqui.


A nível distrital, o CDS é também um dos vencedores. Pela primeira vez em muitos anos, os populares chegam aos dois deputados em Braga. O peso da crise, em lugar de beneficiar a esquerda – como previa – veio dar força ao CDS. Já o PSD teve um resultado decepcionante, perdendo, aliás, um deputado face a 2005. Virgílio Costa tinha pedido nove mandatos, teve apenas seis. Veremos com que consequências.


Ao contrário do que antecipava na sexta-feira, a CDU não disputou o seu segundo deputado. Agostinho Lopes é o único eleito num resultado muito próximo do de há quatro anos (mais 49 votos, sinal de estabilidade do eleitorado). Já o Bloco de Esquerda elege o primeiro deputado no distrito, conquistando mais quase 17 mil eleitores face às últimas legislativas.


Mas o grande triunfo distrital é do PS. Os socialistas mantêm os mesmos nove deputados, o que contraria as sondagens feitas nos últimos tempos e até alguma da lógica da análise: a região tem sido fustigada pela crise e pelo desemprego e o PS até votou contra algumas medidas de excepção para os vales do Cávado e Ave. Perde quase 11 mil eleitores, mas mantém os mesmos mandatos.


Uma última palavra para Manuel Monteiro. O auto-intitulado "Deputado do Minho" não vai representar ninguém nos próximos quatro anos. Todo o ruído feito pelo ex-líder do CDS nos últimos anos acabou por não resultar na eleição desejada e ainda perdeu mais de 500 votos face a 2005.

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Hora de votar: O equívoco útil

A forma como é feita a campanha dos partidos e a sua cobertura pela comunicação social nacional introduz um distorção na votação. É um equívoco útil, particularmente aos grandes partidos: Ao contrário da mensagem que é feira passar, no domingo não vamos votar em José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã.


A votação é distrital e por isso, o que está em jogo, é escolher entre António José Seguro (e Miguel Laranjeiro), João de Deus Pinheiro (e Francisca Almeida e Emídio Guerreiro), Agostinho Lopes, Telmo Correia ou Pedro Soares, com uma novidade chamada Manuel Monteiro, que corre por fora, tentando assumir-se como deputado de Minho (sem sucesso, arrisco antecipar).


Vale a pena analisar o que fizeram os deputados de cada um dos partidos nesta legislatura. E olho para Agostinho Lopes, um dos mais activos de toda a AR, e Miguel Laranjeiro, o melhor estreante nestas andanças, como exemplos do que deve ser um deputado preocupado com a região que o elege. E vale a pena perceber o que cada um tem para oferecer no próximo mandato.


Felizmente a Rádio Universitária do Minho fez uma excelente cobertura destas eleições: Entrevistas individuais com cada um dos cabeças de lista, um debate a cinco e acompanhamento diário das acções de campanha distritais. Pessoalmente, foi a única forma de ficar a par das ideias dos candidatos distritais e de assim poder fazer uma melhor escolha.


Os últimos dados disponíveis permitem perceber que, dos 19 deputados que o distrito de Braga vai eleger, há 17 praticamente definidos (7 para cada um dos dois grandes partidos e um deputado para as outras três forças com assento parlamentar).


Parece certo que o BE não sobe além do primeiro deputado eleito por Braga na sua história, mas CDU e CDS disputam o segundo mandato, enquanto PS e PSD ficam à espera de perceber quem leva a melhor na recta final da campanha, para garantir o outro deputado em jogo. É esta a decisão que importa no domingo. Ainda não tomei a minha, mas a escolha já esteve mais longe.

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Hora de votar: A campanha desperdiçada

Em teoria as campanhas autárquicas deviam servir para mostrar e explicar aos cidadãos as propostas de governação que cada um dos partidos apresenta para o mandato seguinte. Deviam também avaliar a governação que cessa. Devia ter sido assim durante os últimos quinze dias. Mas esta campanha foi claramente desperdiçada.


O único partido que conseguiu fazer passar a sua mensagem foi o CDS. As propostas de Paulo Portas sobre criminalidade e rendimento mínimo colhem numa população racista, mal formada e socialmente preconceituosa. À Esquerda houve dificuldades de afirmação, entre a possibilidade ser governo com o PS e as críticas à mesma força.


Mas o maior ruído da campanha foi culpa do PS e do PSD. Inteligentemente, a estratégia socialista evitou deixar que a discussão se debruçasse sobre a governação. A crise económica e social, o ambiente crispado com os professores, o código do trabalho, valem demasiados votos e os socialistas não podiam correr o risco que estas matérias pesassem na hora de votar. Para o evitarem nem tiveram que se esforçar muito. Bastou que a principal opositora fosse Manuela Ferreira Leite.


A falta de destreza da líder do PSD nos debates televisivos fragilizou-a, particularmente e tirada bolorenta sobre a entrada dos espanhóis em Portugal (isto dava todo um outro a artigo, mas como nota história a senhora até devia saber que a distância entre carris em Portugal foi escolhida para estar em conformidade com Espanha, obrigando a refazer linhas já no século XIX). A teoria da asfixia democrática (até o termo é infeliz) ruiu como um baralho de cartas.


E a responsabilidade até foi de alguém próximo de MFL, que prometeu não se meter na campanha, mas acabou por dar cabe dela. A gestão da comunicação de Cavaco Silva foi, ao longo de todo o processo eleitoral, verdadeiramente catastrófica. Sobre o episódio das escutas há muito por explicar e isso devia ter sido feito o quanto antes. Não o fazendo, Cavaco enche de ruído a campanha, dispersando a atenção de políticos, jornalistas e dos eleitores.


E assim matou uma campanha que já estava a ser fraquinha, mas pior ficou. O que é particularmente triste numa eleição em que havia tantos motivos de divergências entre os vários partidos em áreas tão marcantes como a Segurança Social, a Saúde ou a Educação.


No meio disto, perdeu o povo, que tem menos ferramentas para decidir um voto responsável. E perdeu, fundamentalmente, a democracia, que sai destas eleições um pouco mais rebaixada do que quando a campanha começou.

4 com

Que Governo para os próximos 4 anos?

Domingo temos eleições legislativas. Ao contrário do que sugere o Tiago, não vai a eleições o Governo dos últimos 4 anos, mas sim o dos próximos 4. Vão a eleições 15 partidos, 15 manifestos eleitorais. E cabe aos Portugueses tomarem opções.

Escolherem claramente que futuro querem para o seu país. E de 15 partidos, convém que saibam identificar qual a opção que mais se identifica com a sua ideologia. Mas mais do que isso, que projecto de facto lhe apresenta garantias de segurança em opções do passado, e em soluções do futuro.

E trata-se acima de tudo de escolher, para além de representantes, o seu Governo. E a divisão a dois entre PS e PSD fará os votos tenderem a bipolarizarem-se. E em termos de Governo temos duas posições absolutamente diferentes nos mais variados temas. E é por isso, mais fácil tomarmos uma decisão.

Podemos então escolher entre o progresso e o imobilismo. Entre os grandes investimentos, e o travão na economia. Entre o caminho a passos largos para as privatizações dos sectores fundamentais, ou o controlo pelas mãos do Estado do acesso livre a todo e qualquer cidadão aos serviços essenciais.

Podemos escolher entre a aposta no Estado Social, que protege os seus cidadãos, ou da entrega a privados da nossa Segurança nos momentos mais complicados.

E daqui para a frente torna-se muito complicado continuar a comparar. Porque me limitaria a mostrar a opção do projecto do PS, ou do "sabe Deus" das propostas que ninguém conhece ao PSD.
Fazemos então a opção entre uma proposta de Futuro, com resultados e provas dadas, ou uma não-opção, que não nos foi apresentada, que surgiu em formato de crítica ao Governo antigo, em formato de descrença e de crítica pessoal, fácil e destrutiva. E que acabou manchada pelo maior telhado de vidro que encontrei em 22 anos (dos 35) de democracia que conheço.

Amanhã é dia de reflexão. E serão estas e outras questões que vão ajudar a decidir o futuro dos Portugueses.
8 com

O Governo do DesNorte

Domingos temos eleições legislativas. O Governo dos últimos quatro anos vai a votos.

Este foi o Governo que deixou passar 64 milhões de euros de apoios comunitários para a Agricultura. Este foi o Governo que baixou a exigência do Ensino para melhorar a estatística. Este foi o Governo que ergueu mil barreiras na angariação dos 111 milhões de euros para a Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012 e que gastou quatro ou cinco vezes este valor a aumentar o metropolitano de Lisboa. Este foi o Governo que não permitiu que avançassem as obras do metro do Porto. Este foi o Governo que não resolveu qualquer problema na mobilidade no Minho. Este foi o Governo em cujo mandato o desemprego no Norte subiu para níveis que não lembram. Este foi o Governo do partido que rejeitou na Assembleia da República um plano de apoios à indústria têxtil no Vale do Ave que teve o apoio de todos os partidos da oposição. Este foi o Governo que empobreceu o Norte. Este foi o Governo do Primeiro-Ministro dos casos mais que suspeitos, da licenciatura às casas da Guarda ao caso Freeport, passando por muitos outros. Este foi o Governo dos Magalhães que já não existem nas Escolas.

Como dizia ontem Rui Rio, "não me recordo de ter havido um Governo no pós- 25 de Abril que ignorasse tanto o Norte".

Domingo, este Governo vai a votos. Queremos mais quatro anos deste Governo?
3 com

Novidades da CEC

Afinal, não é por estarmos em período de campanha eleitoral que deixaremos de ter novidades da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012. No dia 29 de Setembro, pelas 18:00, serão apresentadas no Centro Cultural Vila-Flor as principais linhas orientadoras do Serviço Educativo para 2012.

***

Adenda:
Há mais novidades para além desta de que aqui dei nota. Está a ser preparado um Fórum Guimarães - Uma Alma para a Europa, a decorrer a 16 e 17 de Outubro. Não percebi ao certo no que constará, mas agrada-me a ideia.

3 com

#blogconf com António José Seguro

Estamos já à espera apenas de um último elemento, para começar a "#blogconf" com António José Seguro, o cabeça de lista do Partido Socialista no distrito de Braga. Além da actualização via blogue que acontecerá neste post, sigam também a página de facebook do candidato, onde através da última fotografia comentada surgirão comentários dos bloguers presentes.

18h56 - Estão reunidas as condições para que se inicie o debate. Moderados por Luis Soares, estão presentes Vitor Pimenta, do "Mal Maior", Pedro Morgado e Claúdia Rocha Gonçalves, do Avenida Central, além do Colina Sagrada, com Paulo Lopes Silva

18h59 - Tempo de 2 perguntas e resposta, para cada blogue marcado para 10 minutos máximo.

19h00 - Começa Vitor Pimenta, do "Eixo do Mal". A primeira pergunta é sobre o preço da Auto-Estrada de quem vem de Cabeceiras para Braga, de quase 5 euros.  Num distrito com tantas dificuldades, não seria interessante diminuir a taxa, para equilibrar as contas de quem passa dificuldades, como neste Distrito. E o TGV?

19h02 - Responde António José Seguro. Temos um País desequilibrado, porque grande parte do país mora na zona de Lisboa e Setúbal. Devemos obedecer a  um visão global do país, ou aposta estratégica nos aglomerados urbanos? Na opinião de António José Seguro uma mistura de ambas. Há necessidade de apostar na ferrovia. E não temos dinheiro para nos comprometermos com ferrovia e rodovia ao mesmo tempo. A ferrovia do ponto de vista energético é mais eficiente. Poupa o carro, descansa, proporciona o diálogo.
O facto de haver uma ligação Cabeceiras-Braga é um beneficio. E por isso, tem que ser pago. Quanto à linha ferroviária, fechar o anel entre as 4 principais cidades. "Vamos lutar pela ligação Braga-Guimarães".

19h06 - Claúdia Rocha Gonçalves, arquitecta, mais interessada pelo ordenamento de território. Qual a política ao nível do planeamento regional urbano?  Visto que estamos longe de outro países europeus nesta matéria. Sabendo que o planeamento aumenta o nível de qualidade de vida. Pensamos sempre em planeamento mas temos que pensar a 100 anos.

19h08 - Responde AJS. Foram feitos desenvolvimentos nos últimos anos. A nossa cultura portuguesa, é de ausência de constância de políticas, e de avaliação das próprias políticas. Há demasiados experimentalismo. A alteração da paisagem tem consequências difíceis de corrigir a longo prazo. Temos que ter planeamento regional. E não apenas um conjunto de PDM's.

19h11 - Pedro Morgado, na àrea da investigação científica. O distrito de Braga, foi assolado pela crise e o desemprego. A aposta na investigação científica pode ser o caminho para competir com as economias emergentes. Em Braga, por exemplo, a autarquia estão de costas voltadas para a universidade.   O que pretende o próximo Governo fazer?

19h13 - António José Seguro: Houve uma nova vaga de apoios à investigação. A alavanca do crescimento económico tem que ser assente na investigação cientifica. É impossível competir pelo preço.  Temos que ter medidas de curto prazo. Mas depois de sair da crise, o país ainda tem problemas de crescimento económico. Temos que qualificar a mão-de-obras e os empresários. Há nesta zona bons exemplos de sensibilidade a este nível. Muita competência e muita inteligência no distrito de Braga.
Temos um problema de organização. Porque temos boa mão-de-obra. Trabalhamos muitas horas. Há é um problema de produtividade.
O investimento nesta àrea continuará, mas é necessário que se juntem as forças das autarquias do distrito.

19h21 - Pergunta o Colina  Sagrada, no seguimento da conversa da convergência entre autarquias,  do conjunto de visões em vez de um maço de PDM's, de investimento na investigação entre autarquias. Temos que caminhar no sentido da Regionalização?

19h23 - Sobre a proximidade eleitor e eleito, que agradeci na pergunta, AJS lembra que criou  o Gabinente de Atendimento ao Cidadão no Governo Civil. Mas que não chega. O deputado tem que ser mais agil neste contacto com os eleitores. Uma pagina pessoal por deputado. Para que seja mais fácil avalia-lo. O deputado AJS, fez isso, e pagou pela pagina, e não o parlamento, apesar de ter sido aprovado. Resultado: aumentou o numero de pessoas que o contactam. Propôs ainda um dia por semana dedicado ao circulo eleitoral.
Quanto à regionalização: É a favor. Há mais ou menos consenso das 5 regiões. Mas mais do que 5 grandes autarquias é importante aproximar os poderes de decisão das pessoas.. os deputados por Braga querem fazer um congresso de 2 em 2 anos no distrito. Pôr as pessoas a conversar. Porque conversando é mais fácil chegarmos a consensos. e no caso da regionalização é essencial que se vá a referendo já com consenso.

19h32 - Enquanto escrevia, perdi por segundos a capacidade de actualização por estar a ouvir a resposta de AJS. Fala neste momento respondendo a Vítor Pimenta, dizendo que deve haver liberdade de escolha de voto por cada deputado. Liberdade de voto. Escolha por um sistema misto. Linhas gerais do partido, mais a votação de cada deputado.
Para além disso defende ainda os círculos uninominais. A pessoa pode escolher dentro das listas quem de facto quer eleger. Apesar de que se vota nos partidos pelas propostas gerais dos partidos.
Sobre os custos da regionalização, preocupa mais os custos da não-regionlização. É necessário reorganizar. Temos que mexer na história. Esquecer o estatuto da nossa terra, e concentrarmo-nos nos recursos da nossa terra.
Pede ainda uma chamada de atenção para a forma como funciona a Assembleia da República. Além dos temas de agenda, os deputados devem ainda propor a discussão de outros temas. Em cada mês , dois meses, haver um problema. Pegar nos recursos disponíveis e resolve-lo. E acabar com a política a retalho.

19h38 - Cláudia Rocha Gonçalves: Os PDM's deviam ser delegados em ministérios competentes. Os PDM's são constantemente alterados e parados. É um círculo muito pequeno de competências.

19h40 - Os PDM's são aprovados em Câmara, segue-se Assembleia Municipal, e passa ao Governo e Assembleia da República. Por isso, já há um ministério que passa pelo PDM. Do ponto de vista do procedimento, não há muito a fazer. A nível de conteúdo, haver uma maior proximidade entre responsáveis e técnicos.

19h42 - Pedro Morgado volta às questões económicas. Volta à questão estrutural dos apoios. Existe um sub-desenvolvimento do turismo. A estratégia foi apostar no Porto, para o Norte de Portugal. Há um desvio do investimento que estava virado para a região Verde Minho. Vivemos na sombra do Porto.
Já agora, os próprios transportes do Norte estão viradas de e para o Porto.

19h45 - Responde António José Seguro: O tempo médio de permanência de um turista nesta zona é muito curto. Temos que dar resposta para que fique mais tempo. Seria um erro para o país não aproveitar as potencialidades próprias do distrito de Braga. "Tornar Braga subsidiária do Porto é um disparate." Quem lidera e promove isto? O Quadrilátero neste momento é o mais interessante para potenciar o Minho, que temos actualmente.

19h48 - Colina Sagrada: Que tipo de expectativas podem ter os vimaranenses em termos de Capital Europeia da Cultura em 2012, que especificamente a este blogue diz alguma coisa, consoante o resultado eleitoral de Domingo?

19h51 - Temos que esquecer a questão do bairrismo bacoco. E pegar nesta oportunidade e desenvolver toda a região. E com isso ir buscar também o turismo de Espanha. Mas temos que ser mais do que 2012. Não pode valer por si só. Tem que ficar criação artística, espaços para espelhar o que já se vai fazendo. Mas também ao nível de edifícios. 

19h54 - Luis Soares, pergunta se a diferença entre gastos em transportes em Braga, ou Lisboa e Porto, não serve também para aumentar o fosso entre as diferenças de uma região que já sente mais a crise. As contas foram feitas por Pedro Morgado, e gasta-se muito mais em Braga que nas duas cidades principais.
Também, perdemos uma oportunidade de fazer regionalização no último mandato sem referendo?

19h55 - Não podemos legislar a regionalização sem consultar o povo por uma questão legal. E mesmo que pudesse, depois de rejeitar, devemos devolve-lo à população.
A modelo de região que faz mais sentido neste momento, e que gera consenso é NUT II.
Em Inglaterra por exemplo é complicado identificar as cidades com mais visibilidades. E devemos fazê-lo também em Portugal.

Terminou e fica a promessa de novas formas de contacto para o próximo mandato. Mais próximidade entre blogoesfera e cidadãos, dos políticos.
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Blogconf com António José Seguro

Começa dentro de cerca de 20 minutos a "blogconf" de António José Seguro com os bloggers do Minho. A partir do café Astoria, em Braga, o candidato socialistas às eleições de domingo conversa com os autores de vários blogues regionais.

O Colina Sagrada foi um dos blogues convidados, mas ao contrário do que estava inicialmente previsto, compromissos profissionais impedem-me de estar presente. Assim sendo, será o Paulo Lopes Silva quem vai acompanhar esta interessante iniciativa do cabeça de lista do PS por Braga às próximas legislativas. Cultura e Mobilidade, temas habituais aqui no blogue, serão privilegiados na conversa com o deputado socialistas.

A aceitação do convite não indica nenhum tipo de apoio político do blogue. Parece-me, no entanto, uma iniciativa feliz do PS, que mostra abertura às novas formas de comunicação e de cidadania que a Internet proporcionou. Fiquem atentos, porque a blogconf será acompanhada em directo aqui no Colina Sagrada.
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Propostas para a CEC

A referência chega um pouco atrasada, mais ou menos ao ritmo que tenho tido para ler a blogosfera local. À pertinência habitual das intervenções de Amaro das Neves no Araduca, desta feita juntam-se propostas consistentes para a CEC 2012. Das poucas que, para já, tenho lido e ouvido por aí.


Vale a pena por isso lê-las (aqui e aqui), tal como o enquadramento que é feito no mesmo blogue [1, 2, 3].


Já passaram mais de dois meses desde que a CEC foi apresentada. Desde então, nada mudou. Percebo o dilema: Se alguma coisa fosse divulgada por estes dias, choveriam acusações de eleitoralismo. Mas este desafio é demasiado grande para ficar dependente dos calendários dos sufrágios.

21 com

Guimarães está a mudar

Guimarães quer mudar de rumo. Sócrates veio a este "bastião" socialista e foi mal recebido. Sinal dos tempos...
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Os públicos do Vila Flor e a CEC


O estudo de públicos do CCVF analisou uma perspectiva que me pareceu interessante, particularmente do ponto de vista da imagem externa de Guimarães. Os investigadores pediram aos espectadores que destacassem as três ideias que associaram a Guimarães.


A primeira ideia tem muito a ver com o Património. Cidade-Berço, Castelo, História e D. Afonso Henriques foram as ideias mais referidas, mas logo seguidas de Cultura. Na segunda e terceira ideias associadas a Guimarães, o maior número de respostas dadas foi precisamente Cultura. Tratando-se de questões de resposta aberta os dados têm ainda mais valor. De facto, Guimarães é hoje uma cidade associada nacionalmente à cultura, como o estudo demonstra.


O trabalho dos sociólogos da UP tentou também entender a percepção dos públicos acerca da CEC 2012. A maioria das pessoas entende o evento como uma oportunidade de promoção da história e do património da cidade, mas também para a sua renovação urbana, para a melhoria do espaço público e para um reposicionamento internacional de Guimarães. No entanto, os espectadores do CCVF temem que o evento possa tornar-se elitista e que não tenha continuidade no tempo para além de 2012 e apontam como fraquezas do projecto as fracas perspectivas de continuidade e a possibilidade de o evento ser apenas muito mediatizado, mas pouco concretizado.

1 com

CCVF: jovem, transversal, regional

Das primeiras conclusões do estudo de públicos do Centro Cultural de Vila Flor hoje apresentado há três características dos espectadores da sala de espectáculos vimaranense que saltam à vista: o público é maioritariamente jovem, transversal nas preferências artísticas e tem uma abrangência regional.


Desde logo, o dado que salta à vista é que o CCVF é uma sala de todo o Norte. 58 por cento dos espectadores são de fora de Guimarães. De entre estes, os habitantes do Grande Porto (40 por cento) e de Braga (17 por cento) são os que mais frequentemente assistem a espectáculos naquele espaço, mas a abrangência do centro cultural chega também à zona centro e à Galiza.


Vejo este sinal como positivo da forma marcante como o CCVF tem contribuído para divulgar Guimarães. No entanto, de entre os vimaranenses que são frequentadores habituais do centro cultural, há um claro desequilíbrio geográfico que, sendo explicável, deve ter a sua diminuição como objectivo.


10 por cento dos espectadores do Vila Flor vão a pé para os espectáculos. Sinal de que o público de Guimarães é predominantemente do centro urbano. Aliás, na apresentação foi mostrado um mapa do concelho que mostra a proveniência dos espectadores. A maioria é das freguesias da área urbana mais recente (Azurém, Urgezes, Creixomil), seguindo-se as três freguesias do centro tradicional, as vilas do Sul do concelho e da envolvente das Taipas. Quanto ao restante concelho, dois terços tem Zero por cento de espectadores no CCVF.


Os dados ontem apresentados mostram também uma grande transversalidade de públicos, nomeadamente a nível dos hábitos de consumo. João Teixeira Lopes sublinhou que coexistem “públicos que procuram eventos de massas com públicos de espectáculos eruditos”. Também a nível etário existe uma grande heterogeneidade de públicos, ainda que maioria dos espectadores tenha menos de 35 anos (quase 60%), enquanto que 46 por cento dos frequentadores do CCVF são licenciados.


55 por cento dos espectadores são mulheres, ao passo que 42% são trabalhadores assalariados qualificados. O CCVF tem também uma forte penetração na população escolar, sendo que 15% dos espectadores são estudantes. Outro dado relevante é o facto de 56% dos espectadores desconhecer o cartão CCVF. Destaco ainda o facto de 75% dos inquiridos afirmarem que frequentam outros espaços de cultura de Guimarães, destacando-se o CAE São Mamede, que partilha com o CCVF 48% do público.


Nos últimos quatro anos o CCVF recebeu 1670 espectáculos, o que atraiu 370 mil pessoas à sala vimaranense. O estudo do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto, coordenado por João Teixeira Lopes, validou 861 inquéritos, que estão na base das conclusões ontem apresentadas.


Dentro de sensivelmente um mês será apresentado o relatório final do estudo, que já inclui os dados de entrevistas, observações e recolha etnográfica realizados pelos investigadores. A autarquia anunciou a intenção de tornar esse estudo público e promover uma discussão dos resultados com a população.

10 com

Nos quatro anos do CCVF

O Centro Cultural de Vila Flor assinala hoje quatro anos com um (dispensável) concerto dos Amália Hoje. Esta tarde também são dados a conhecer as conclusões do estudo de públicos realizado ao longo dos últimos meses pela Universidade do Porto.

Ainda que esses resultados nos possam permitir, mais logo, fazer uma análise fundamentada ao que vale hoje o CCVF, a experiência como espectador permita-me fazer um balanço positivo do que foram estes quatro anos.


Desde logo, porque finalmente Guimarães teve uma casa de cultura como a actividade cultural da cidade exigia. Tal como foi reconhecido em devido tempo, a escolha de Guimarães como CEC 2012 tem muito que ver com a existência de uma estrutura com esta qualidade.


Nestes quatro anos, há apostas muito positivas, desde logo no teatro. Ao aumentar a frequência e qualidade da programação teatral, o CCVF abriu portar ao crescimento do Teatro Oficina, que se tem afirmado a nível nacional como companhia de qualidade.


A assinatura de teatro e o cartão CCVF são também boas ideias, que ajudaram a fidelizar públicos. A continuação das apostas tradicionais nos eventos marcantes (Gil Vicente, Jazz, Encontros de Música), teve continuidade, juntando-se um novo evento, a Manta (que apesar do percalço deste ano, é uma excelente aposta).


No entanto, há também espaço para críticas. A maior de todas é que o CCVF, sendo uma muito boa casa de espectáculos, teima em não justificar o nome de centro cultural. Incentivos à produção local não encontro Só se for no teatro e no excelente trabalho do serviço educativo. E isso é curto.


Além do mais, a diminuição do número de espectáculos durante o último ano é motivo de preocupação (especialmente na área da música, que praticamente desapareceu nos primeiros trimestres), enquanto que há géneros artísticos que poucas ou nenhumas vezes passam por Guimarães, o que custa a compreender numa casa de espectáculos que quer ser eclética. E o palácio tem potencialidades que poucas vezes são exploradas.

11 com

Desnorte social-democrata

Vítor Ferreira anda perdido. Para o líder do projecto “laranja” em Guimarães, a prioridade para a gestão do concelho, em caso de vitória, é concretizar a regionalização! Todos sabemos que uma das competências de um órgão autárquico é legislar. De preferência sobre a divisão e ordenamento de território nacional. Ou então, não.

Caso ninguém naquela malta tenha percebido, dizer que se está preocupado com o emprego, que se quer reduzir as taxas aos desfavorecidos ou criar um pelouro de desenvolvimento económico não chega! É preciso um plano sustentado. Com propostas sérias e a todos os níveis. Concretizáveis pela Câmara Municipal, de preferência.

Vítor Ferreira quer ainda nova centralidade para o município. A sul e a norte do concelho. E eu até já percebi onde vai ser a norte: novos centros económicos e sociais nas freguesias de Rendufe e Gonça, onde os sociais-democratas não têm candidatos.

Para terminar, o candidato a presidente da Câmara de Guimarães do PSD advoga ainda uma politica de transparência para o Município. Para mim é transparente como a água cristalina: ainda não é desta que existe mais do que uma alternativa séria ao poder, em Guimarães.
35 com

Autarquia ou partido?

Fotografia do Guimarães Digital.

O PS de Guimarães anda a aprender umas coisas com o actual Governo. À semelhança do que se passa a nível nacional, também aqui se torna imperceptível onde acaba o partido e começa a Autarquia. São muitos, mesmo muitos, aqueles que saltaram recentemente de órgãos municipais para listas do PS à Autarquia.

Outros vêem-se promovidos, aumentadas as suas responsabilidades. Ontem à noite, o candidato à Câmara Municipal de Guimarães, António Magalhães, foi apresentar a candidatura de Vítor Oliveira à Junta de Freguesia de S. Paio. Aproveitou para anunciar que o apresentado será também nomeado director do Centro Ciência Viva, um equipamento a criar no âmbito do projecto Campurbis, se o PS ganhar as eleições autárquicas.
3 com

Braga em chamas II

Após ter escrito o artigo anterior, a notícia do Público foi actualizada. Mesquita Machado veio à praça anunciar que pretende instalar videovigilância, para evitar novas situações destas.

O que sucedeu esta noite é gravíssimo, mas será a videovigilância solução? Será que com videovigilância se teriam prevenido estes crimes? E se os autores estivessem encapuçados, não ajudaria de muito a videovigilância. Penso que a videovigilância não é solução. Não quero as Autarquias a vigiarem-me quando ando na rua! Não quero que consigam saber onde estou, por onde ando nem a que horas. A privacidade dos cidadãos vale muito mais que um Big Brother. 1984?
6 com

Braga em chamas

Fotografia do Público.

Esta noite foi uma noite estranha em Braga. Foram lançados pneus em chamas para dentro de duas dependências bancárias e para a porta da Câmara Municipal. Tudo isto tem contornos muito estranhos, fazendo lembrar atentados de outros tempos e de outras paragens.

O facto de se tratar de um ataque a bancos e a uma sede de município, locais simbólicos de poder financeiro e político, sem que nada tenha sido roubado, pode indiciar um acto anarquista. Verdade é que se trata de um acto que se pode considerar terrorista.

Não deixa de ser significativa o momento escolhido para a realização destes crimes, nas vésperas de dois actos eleitorais muito significativos e numa altura de grave crise económica. Há algumas semelhanças com o ambiente do início do século XX, em que floresceu o anarquismo e actos deste género.

Mas claro que tudo isto pode não passar de coincidências e de um acto de puro vandalismo inconsequente.

2 com

Cultura urbana vimaranense

Já aqui falei de Dj Spark, jovem artista vimaranense bastante reconhecido na "cena" hip-hop portuguesa. Lançou recentemente o primeiro LP do seu projecto (com dois portuenses) Roulote Rockers, que vai buscar inspiração às sonoridades clássicas do género, numa edição dos próprios.

Não sendo este o meu género musical favorito, confesso que desde que descobri Mind da Gap, teria aí uns 14 anos, que não me entusiasmava tanto com um grupo hip-hop. O seu primeiro LP foi lançado recentemente, numa edição dos autores.

Aqui vos deixo o seu primeiro videoclip, "Vício Chave".

1 com

Johanson em Guimarães


A reentré musical promete para bandas do Minho. Em breve, escreverei sobre o que aí vem, mas para já limito-me a escrever sobre a boa notícia que acabo de confirmar. O sueco Jay Jay Johanson vai actuar no São Mamede no dia 14 de Novembro, um dia depois de tocar em Lisboa.

A carreira de Johanson começou em 1996 e desde então publicou sete álbuns.Este camaleão nórdico, que recentemente assinou Self-Portrait - um belíssimo album - toca pela primeira vez em Guimarães, a única data a norte desta passagem por Portugal.
7 com

Fundação Cidade de Guimarães

Foi hoje publicado em Diário da República o Decreto-Lei que cria a Fundação Cidade de Guimarães, instituição a quem caberá a preparação e execução da Capital Europeia da Cultura. O Decreto-Lei n.º 202/2009 é um marco na história desta Capital, iniciando-se hoje uma nova fase do projecto.

Estamos a dois anos e quatro meses do evento.
1 com

Sensibilidade e bom senso

Começa hoje o Barco Rock Fest. O festival feito gratuitamente por uma dúzia de amigos das Taipas, que se reúnem no Movimento Artístico Taipense (MAT).


Desde 2006 que este festival cresce a olhos vistos, quase sem apoios. Há dois anos o festival já prometia. No ano passado cumpriu. Passaram por lá, por exemplo, os autores de um dos melhores discos do ano 2008, os peixe:avião, num cartaz de boa qualidade.


Em 2009, a aposta é mais forte. Os cabeças-de-cartaz são uma das melhores bandas nacionais. No sábado, aos Wraygunn juntam-se doismileoito e os vizinhos mui irónicos Smix Smox Smux, e ainda Abandon Mute (sedeandos no Reino Unido, mas com músicos portugueses) e os vimaranenses Let the Jam Roll.


Na sexta-feira haverá Cratera, If Lucy Fell, a energia contagiante de d3ö e Born a Lion, com Sean Riley (que em Paredes de Coura voltaram a mostrar que estão cada vez melhor) a fechar. O festival prolonga-se, no entanto, por cinco dias, entre hoje e domingo, com bandas locais, dj’s e cinema, em parceria com o Cineclube.


Mais: O MAT tem por objectivo integrar a programação da Capital Europeia da Cultura de 2012. Pelo que têm feito sem dinheiro, parece-me que o merecem. E dizem que, se os deixarem, farão um dos cinco maiores festivais da Europa desse ano na praia fluvial de Barco.


Só que tanta ambição e qualidade são traídas por uma estranha insensibilidade da Câmara de Guimarães. O único apoio que a autarquia dá ao Barco Rock Fest são 5000 euros (mil dos velhos contos) e até os TUG estavam indisponíveis para ostentar publicidade.


É estranho. Tanto mais que o Barco Rock Fest teve, no ano passado, 3700 pessoas. São quase cinco vezes o CCVF com casa cheia no Grande Auditório. Em cinco dias… E a Manta desse ano teve pouco mais do que isso.

19 com

Da ambição e do fracasso


Nem todos os partidos em Guimarães têm as mesmas ambições. E por isso é normal que chegados os períodos de eleições locais estes se dediquem a objectivos coincidentes com a capacidade de mobilização e facilidade de criação de alternativas e projectos para os diversos orgãos autárquicos. Assim o Partido Socialista, que detém a maioria na Assembleia Municipal, Câmara Municipal e número de freguesias em que preside à junta, é o único a apresentar alternativa de poder a todos eles.

A responsabilidade conferida pela confiança dos Vimaranenses de 4 em 4 anos a isso mesmo o obriga. Por seu lado, os restantes Partidos, e as suas secções de Guimarães acabam por focar-se em objectivos específicos, e onde sentem que têm capacidade para pelo menos apresentar uma alternativa. Por eles próprios ou em coligação. E se por um lado entendo as dificuldades de BE, PCP, MRPP e CDS em apresentarem-se a todas as freguesias da cidade, já me custa mais a aceitar a falta de ambição e/ou capacidade de o fazer por parte do partido que se apresenta como suposta alternativa de poder ao município: o PSD apresenta candidatura a apenas 57 freguesias, sendo que que apresenta ainda um conjunto de coligações noutras 8 e apoia oficialmente mais duas candidaturas independentes. Em Gonça e Rendufe é que não restam dúvidas à partida: alternativa de poder para aqueles lados não existe.

Apesar do líder da concelhia tentar desdramatizar dizendo que teria sido fácil apresentar listas nestas freguesias, não se percebe que não o tenha feito. Se era fácil e não o fizeram é das duas uma: falta de ambição ou comodismo. E nenhum delas me parece ser própria de um partido que pensa ser alternativa. Muito menos quando se trata do Partido que acredita nas opções de António Magalhães para a cidade, mas escolhe o caminho das descentralizações e da aposta nas freguesias. Não em todas, pelos vistos.

No fundo terei que perceber: o desgaste de 20 anos sem conhecer poder na Câmara Municipal, o desgaste dos intervenientes com as sucessivas derrotas, as constantes lutas internas e a tal falta de ambição de que já falei podem estar na origem da dificuldade em apresentarem-se como alternativa. Já que parecem ser incapazes de tentar levantar Guimarães pode estar na altura de voltarem a mudar de vida e traçarem definitivamente uma alternativa de poder séria.
3 com

Dos limites do mau jornalismo

Eduardo Ferro Rodrigues dá hoje uma entrevista ao Expresso. A TVI fez uma peça sobre algumas das coisas (acertadas) que Ferro diz. Passou-a hoje no jornal da hora de almoço.
A dada altura, a jornalista refere que Ferro Rodrigues foi o antecessor de Sócrates à frente do PS e que se demitiu "ainda na sequência do escândalo Casa Pia". Errou.
O agora embaixador na OCDE demitu-se do PS por outro motivo, como é claro a quem tem o mínimo de memória politica. Até a sempre falível Wikipédia sabe, o que a jornalista da TVI pelos vistos esqueceu.
O mau jornalismo tem limites. Neste caso a TVI roça a má-fé.
5 com

State of play II

O Samuel sugeria aqui a importância das medidas tomadas pelo Governo Português nesta crise para o resultado que ontem foi anunciado, de um crescimento de 0,3% da economia portuguesa o segundo semestre de 2009 face ao primeiro trimestre do ano. Este quase regozijo (ou regozijo mesmo) com o "feito" compara-o com o "deprimente" resultado de Espanha ou da Irlanda.

Pois bem, eu digo que preferia estar na posição da Irlanda. Reparemos nos últimos dados disponíveis da Irlanda face a Portugal. No Índice de Desenvolvimento Humano, a Irlanda conseguiu em 2008 (ano em que a crise "bateu") a 5ª posição a nível mundial. Portugal ficou em 29º. Mas falando de índices mais concretos: o PIB per capita em paridade de poderes de compra da Irlanda ficou nesse mesmo ano em 138,5, isto é, 38,5 pontos percentuais acima da média europeia. Portugal contenta-se com uns míseros 75,3, 75,3% da média europeia. Estes são índices que podemos ter em conta quando comparamos o nível de vida entre países. Portanto, na Irlanda ainda se está melhor que por cá.

Mas, segundo muitos, estamos de parabéns...

9 com

State of Play


Há algum tempo atrás, o Pedro Morgado criticava o esvaziamento do debate público sobre temas políticos - naquele caso, a localização do novo aeroporto de Lisboa e o traçado do TGV - pelo debate técnico. Na altura tinham sido especialistas da área a reduzir o debate a problemas técnicos, quando na verdade ele é muito mais amplo que isso.

Hoje soube-se que a economia portuguesa cresceu no segundo semestre 0,3% face ao primeiro semestre deste ano. Depressa se veio a público anunciar o "início do fim da crise", virou notícia do dia e há quem vaticine que do mês e do período eleitoral que se vive.

Não é preciso saber-se muito de economia para perceber do que estamos a falar: a evolução da economia portuguesa continua em terreno muito negativo quando comparada com o que era há um ano atrás (3,7%), e o crescimento de 0,3% anunciado é praticamente nulo, apenas consolando os desesperados que há muito precisavam de algum dado positivo para se agarrarem. É um sinal, muitos dizem. Talvez seja. Mas se o for, vê-se apenas à lupa.

No entanto, a Sic Notícias levou o assunto para o programa Opinião Pública, servindo de mote ao debate a suposta "recuperação económica". Ora, se por vezes nos queixamos do debate público esvaziado pelo debate técnico, aqui é o debate público desinformado que tira o carácter sério ao tema. Eu estou a cursar a licenciatura de Economia e não me sinto com preparação mínima para falar a sério sobre este tema. Preciso de aprofundar melhor o conceito de evolução da economia para perceber o que significa a sério. Porque dito assim, da boca para fora, é bonito, cheira bem, mas não diz coisa alguma. Assim foi o debate naquele programa. Assim vai grande parte do debate aqui na blogosfera, nas ruas e nos cafés.