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Guimarães afinal está a mudar




A cidade está mesmo a sofrer alguma alteração. Senão analisemos alguns dos resultados eleitorais do último domingo. A CDU perdeu cerca de 2000 votos em todo o concelho. Voto na esmagadora maioria de António Magalhães ou apenas um castigo à campanha de "preguiça" que assistimos um pouco por todo o concelho por parte da Coligação.

Contrastando totalmente com o resultado do CDS, que ganha à volta também de 2000 votos alicerçado, claro está, no crescimento nacional, mas também na renovação do partido em Guimarães, no aparecimento com alguma visibilidade da Juventude Popular, e na campanha que fomos capazes de ver na rua.

Já o Bloco de Esquerda foi claramente castigado por um eleitorado muito próprio vimaranenses, onde vão buscar votos à juventude e às elites culturais, que sendo-o esforçam-se por estar informadas, e dessa forma foram capazes de reconhecer a fraca participação dos mesmos no último mandato da Assembleia Municipal. Reforça a ideia que tinha previamente: não existe Bloco em Guimarães com a actual estrutura.

O MRPP perde também cerca de 300 votos, num ano em que até aposta forte nas campanhas das freguesias. Sofre aqui uma derrota que pode ter sinais em termos de futuro em Guimarães.

Mas o derrotado da noite não pode deixar de ser o PSD. O único partido que se dizia alternativa ao poder, perde cerca de 1000 votos, perde 1 vereador e 2 deputados na AM, e perde na minha opinião, e como tive oportunidade de o dizer em análise à entrevista a Carlos Vasconcelos, porque não apresenta uma verdadeira alternativa.

Não apresenta um projecto totalmente diferente, reforça as mesmas críticas que não colaram no passado, falha na comunicação das propostas ao público geral que não percebe alguma parte dos cartazes da rua, nem dos títulos que passam para os jornais, falha globalmente na comunicação desta campanha com alguns "tiros nos pés" desde cedo com uma cidade na moda que queriam que mudasse de vida, e falha, por fim, ao apresentar um candidato pouco carismático, que pouco apareceu, e que foi abandonado a meio do processo eleitoral por um colectivo que nunca se viu fortalecido como se dizia estar. Apresentou Alexandre Cunha, líder da JSD, como responsável pela campanha, mas apresentou como mandatário da juventude um jovem à revelia dessa estrutura. Apostou na juventude nas listas autárquicas, mas convidou Pedro Rodrigues, eterno derrotado em Guimarães pela actual direcção, para regressar. Quiseram mostrar união, partindo por dentro aos poucos. 

Passam para o próximo mandato a ter que encontrar culpados. A ter que fazê-los assumir a culpa. Juntando tudo isso ao facto de terem uma gestão que se adivinha penosa para Carlos Vasconcelos (?) da bancada da Assembleia Municipal onde se encontram as facções que vão querer chegar ao poder.
Se ao analisarmos tudo isto, sob o resultado a nível distrital do PSD, a mais que provável saída de Virgílio Costa, e a possibilidade de desde já termos a primeira divisão da concelhia social-democrata para o suceder, adivinhamos tempos difíceis.
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Vitória Esmagadora



fotografia Expresso do Ave

No final da tarde do último dia de campanha, em tom de encerramento do acto eleitoral em que estive mais directamente envolvido, disse publicamente e ao lado de António Magalhães que fosse qual fosse o resultado da minha freguesia (habitualmente PSD), para Câmara íamos ajudar a reforçar a maioria do Presidente da Câmara. Dito e feito. Até em S.Sebastião, a vitória para a Câmara foi esclarecedora, e o resto do concelho correspondeu tirando um vereador ao PSD e entregando-o directamente à maioria socialista.

Foi por isso uma vitória absoluta, mais absoluta do que há quatro anos. E não é inocente que assim seja. Antes de mais porque as pessoas sabem reconhecer o mérito de 20 anos de Magalhães. Sabem reconhecer 20 anos de gestão socialista.

Sentem-se reconhecidas ao homem e à equipa que fez com que possamos dizer à boca cheia que somos Património Cultural da Humanidade, e que seremos Capital Europeia da Cultura em 2012.
Sabem reconhecer que temos um património recuperado, um centro cheio de vitalidade, espaços verdes e de lazer de referência, infraestruturas desportivas capazes de nos permitirem praticar qualquer desporto, actividade cultural permanente e um espaço de referência como Vila Flor.

Mas foram também capazes de dizer que estão à espera de ver progredir o AvePark, de ver crescer o CampUrbis, de ver requalificar os centros cívicos das vilas, de ter piscinas nas suas freguesias e de acreditar no sucesso de todos os previstos para a Capital Europeia de Cultura a 2 anos de distância.
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Absolutamente Magalhães

O Ministério da Justiça divulgou finalmente os resultados oficiais finais em Guimarães. António Magalhães não só vence com maioria absoluta, como reforço a votação, garantindo mais um deputado à custa do PSD.
Um triunfo estrondoso de Magalhães que ganha 6500 votos. O PSD não capitaliza as boas propostas e perde mesmo em número de votantes. Amanhã farei uma análise mais pormenorizada dos resultados.
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Às urnas


Durante duas semanas o Colina Sagrada tentou trazer uma visão diferente à campanha autárquica em Guimarães. Com o ambiente pouco animado no que toca à discussão política pública, pensamos que demos um contributo interessante para todos aqueles que quiseram conhecer as várias propostas dos partidos que se apresentam às eleições de hoje.

Nesse período o blogue teve cerca de 2500 visitantes e 4500 páginas vistas. Esperamos que tenha sido proveitosa a experiência para esses muitos leitores e que, no caso de alguns, possa até ajudar a escolher melhor a sua opção de voto.

Com o apoio do Restaurante e Cervejaria Vira Bar conversamos com quatro dos protagonistas de candidaturas aos órgãos autárquicos. Uma experiência que enriqueceu os autores do blogue e esperamos tenha sido proveitosa para os nossos visitantes.

Tivemos o privilégio de contar com quatro excelentes contributos de outros tantos vimaranenses na iniciativa “Se esta câmara fosse minha”. Esperamos que tenha sido uma oportunidade de trazer à discussão propostas diferentes e, acima de tudo, afastadas de qualquer cunho partidário.

Por fim, demo-nos ao trabalho de fazer o que quase ninguém faz e lemos os programas eleitorais dos seis partidos concorrentes. Boas e más ideias vistas de um ponto de vista obviamente pessoal. Mas muitas das quais esperamos que se mantenham em cima da mesa, independentemente dos resultados desta noite.

Esperemos que o nosso contributo possa ter sido pertinente. Agora vamos votar!

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Conselho Geral da CEC reúne pela primeira vez

O CG da Fundação Cidade de Guimarães reuniu ontem pela primeira vez. No órgão presidido por Jorge Sampaio têm assento Nuno Azevedo, da Casa da Música, Gomes Pinho, da Fundação de Serralves, Eduardo Lourenço, Adriano Moreira e José Manuel dos Santos. A quota vimaranense está entregue à câmara, Universidade do Minho, Fundação Martins Sarmento, Museu Alberto Sampaio e Paço dos Duques.


A primeira reunião tratou das deliberações necessárias à instalação do órgão e foi feita uma apresentação geral do projecto aos conselheiros. Para Dezembro está marcada nova reunião daquele órgão onde será aprovado o plano de acção para os três anos de implementação do projecto da CEC e os respectivos orçamentos.


À margem da mesma, Jorge Sampaio defendeu que a CEC não deve envolver apenas Guimarães, mas toda a região Norte. “Espero que a CEC possa emergir como um projecto que não se confine às fronteiras do concelho e que haja uma apropriação pela cidade, mas também pela região”, afirmou.


Para o ex-Presidente da República, a CEC 2012 é uma oportunidade para gerar emprego numa região que precisa dele através de ideias modernas e criativas, antecipando que o evento pode contribuir para a mudança de paradigma económico da região. Sampaio pede união de esforços à volta do evento e assegura que a dimensão internacional vai assegurar a perdurabilidade dos efeitos da CEC. “Deve ser assegurado uma nova oferta cultural e formar e criar novas públicos e novos criadores”, defendeu, apelando a um trabalho “contínuo” que tenha apenas um pico em 2012.

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Conversas Autárquicas - César Machado (PS)

Há quatro anos foi uma das novidades na lista do PS à Câmara de Guimarães. Foi vereador no último mandato e volta a surgir em lugar elegível na candidatura socialista. César Machado é o último convidado das Conversas Autárquicas do Colina Sagrada no restaurante Vira Bar.


O vereador do PS entende que o mandato que agora termina foi conseguido, apesar das particularidades que teve. “Foi um mandato diferente porque a partir do meio do mandato começamos a trabalhar para o próximo por causa da CEC”, avalia César Machado.


Ainda assim, há marcas que o socialista aponta, como a abertura do AvePark – “algo que marcará decisivamente o nosso futuro” – o aumento do afluxo de turistas e o reforço da afectividade dos vimaranenses para com a sua cidade. César Machado diz que os últimos anos foram também marcados pela reabertura do São Mamede o que, não sendo responsabilidade da câmara, “é representativo da forma como se tem trabalhado na cultura nos últimos anos”.


Machado defende ainda o executivo das críticas pela não concretização das piscinas municipais prometidas para as vilas. “Decidimos suportar um custo político depois dos problemas existentes na Muvipar”, explica, lembrando que o PSD concordou com essa postura, antes de ter criticado a situação. “Isto não é sério. Estávamos todos de acordo e não me parece que seja razoável atacar o outro depois disso”, aponta.


A mesma crítica é feita em relação ao novo espaço da feira semanal. “O PSD bateu-se pela retirada da feira do espaço actual e agora propõe que ela fique lá”, lembra. O autarca do PS defende que o espaço actual não tem condições para ser controlado por ser excessivamente aberto, situação que a nova localização vai contornar.


O vereador socialista defende também a gestão das cooperativas municipais. “Funcionam muito bem e permitem fazer uma gestão autónoma em áreas que deve ter autonomia”, afirma, recusando que a forma jurídica seja uma forma de ocultar as contas: “Esses documentos são registados e são públicos”.


O mandato da CEC


Grande parte da conversa com César Machado girou em torno da Cultura e da CEC 2012. “É incontornável”, assume o vereador. “A CEC tem uma dimensão que não se compara a nenhum outro desafio que o município teve e é concentrador de muitas energias. Tem necessariamente que ser uma coisa que concentre a atenção da câmara municipal”, assegura, explicando que o programa eleitoral do PS seja muito centrado no evento.


Entre elogios à colega da vereação na Cultura – “Temos uma politica nessa área que fez de Guimarães uma cidade que se tornou numa referência nacional” – Machado diz ver “com bons olhos” a proposta do PSD tendo em vista o estabelecimento da Orquestra do Norte no CCVF. E espera que 2012 consiga gerar potencialidade suficiente para se dispersar para muitas áreas e ser um catalisador, especialmente para o turismo e para a aposta nas indústrias criativas. O vereador não tem dúvidas que “será um ano de viragem”.


As Conversas Autárquicas organizadas pelo Colina Sagrada têm o patrocínio do restaurante e cervejaria Vira-Bar, na Alameda de S. Dâmaso, em Guimarães.

Navegar à vista

Há uma crítica recorrente a esta Câmara liderada por António Magalhães que é a da ausência de um rumo, a falta de uma visão, a "gestão casuística", na expressão de Carlos Vasconcelos. Terminada a conversa com César Machado, essa convicção ficou-me reforçada.

Por um lado, este PS promete tudo para todos os gostos no seu programa Autárquico, que será de dificílima execução. Por outro, nota-se a inexistência de uma linha de rumo, uma navegação à vista. E pede-se mais. Guimarães precisa de mais ousadia.

As propostas que o PS nos traz não são inovadoras, seguem todas um exemplo ou outro de cidades portuguesas ou estrangeiras. Pretendem reproduzir aqui uma série de fórmulas experimentadas noutras paragens. E para quem vai ser Capital Europeia da Cultura muito brevemente, isto claramente não chega. E ainda há a incompreensível limitação de horizontes aos limites das freguesias da cidade, como se Guimarães terminasse a 2 quilómetros de Santa Clara.

Se o PS ganhar estas eleições autárquicas, estou convencido que acordaremos em 2013 com uma enorme ressaca do festim anterior, mas continuaremos sem um rumo para o futuro do concelho. Duas décadas depois, a receita de Magalhães é a mesma de sempre, e não se adequa aos tempos que vivemos.
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A continuidade

A conversa com César Machado encerrou de forma interessante as Conversas Autárquicas. O vereador deixou-me algumas certezas quanto à CEC. Pela descrição daquilo que entender ser este projecto, parece-me que vai de encontro a apresentar respostas aos maiores receios que têm vindo a público. 2012 não vão ser 365 dias, nem 500 espectáculos. Vai ser o ano 0 para muitos projectos e produção cultural em Guimarães.
Fiquei ainda com uma ideia: se por terras do berço da nação se discutisse mais publicamente, e se levassem a terreiro algumas das críticas mais recorrentes da oposição, muito mais gente estaria esclarecida sobre a veracidade de algumas das questões.
Os próximos 4 anos serão uma continuidade de 20 anos de Magalhães. O PS aposta num projecto vencedor e premiado para prosseguir com os destinos de Guimarães. Com uma ligeira diferença: Temos uma enorme âncora de projecção e desenvolvimento a diversos níveis, que é a CEC.
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Autárquicas 2009: Os programas eleitorais – PS

Quem acha que Guimarães é um concelho com grande qualidade de vida e bem governada deve votar PS. O programa eleitoral do partido usa e abusa de verbos como “prosseguir”, “reforçar”, “continuar”. Não há praticamente novas ideias, projectos surpreendentes. Os socialistas estão confortáveis no poder e prometem a mesma receita para os próximos quatro anos.


A única novidade em termos económicos apresentada pelo PS é a criação de um Centro de Serviços ao Empresário. Não conhecendo o seu modo de funcionamento, antecipo que pode ser um instrumento útil. De resto, o programa insiste na importância (que reconheço) do AvePark, da Escola Formação Profissional do CampUrbis e do cluster de indústrias criativas a desenvolver no âmbito da CEC.


2012 ocupa, aliás, um quarto do programa eleitoral socialista. Sem nenhuma novidade a não ser a citação do projecto apresentado em Bruxelas e pouca gente conhece. CampUrbis, Plataforma das Artes, renovação do Toural, Alameda e Colina Sagrada, Veiga de Creixomil, Laboratório da Paisagem, Ampliação da Biblioteca, Extensão do Museu Alberto Sampaio e Casa da Memória são projectos de todos conhecidos para a CEC e que fazem o grosso da obra prevista pelo PS para os próximos quatro anos. Com a vantagem de, no documento, estarem explicados com uma clareza nunca vista.


O PS volta a prometer desta vez a construção de piscinas municipais nas vilas e coloca no documento uma proposta já anunciada pela câmara para o alargamento das ciclovias e renovação da ligação a Fafe. No desporto, a câmara propõe ainda a criação de um campo de futebol sintético municipal (na cidade desportiva, supõe-se) e o início do processo tendo em vista a abertura de um campo de golfe em Guimarães.


Acho estranho que o PS defensa o policentrismo e aposta nas vilas quando a prática desmente essa prioridade. O programa socialista dá também grande importância ao ambiente e à proteicas civil, áreas “silenciosas” onda a câmara tem feito um excelente trabalho. Nesta área, a novidade é a criação de centro de interpretação ambiental na casa agrícola da quinta de Monchique.


Na área da mobilidade o PS aposta em velhas bandeiras como o excelente programa MobiGuimarães, que vem do mandato anterior, a segunda fase da circular sul-nascente, que era prometida há quatro anos, e o desnivelamento do nó de Silvares, que foi ainda mais atado por estes dias.


Por último, olho para as propostas do PS em relação aos TUG e não fico satisfeito. O programa antecipa a necessidade de nova concessão dos transportes e estabelece algumas condicionantes: Melhorar o acesso para pessoas com mobilidade condicionada, os horários e frequência dos circuitos, a diminuição da idade média dos veículos e a sua substituição por veículos menos poluentes ou mais pequenos no serviço urbano. Não vai mais longe do que um pequeno partido como o BE e esquece necessidades básicas de um serviço de transportes decente. Com estas condições de contrato, a Arriva pode ficar descansada.


O programa do PS pode ser encontrado na íntegra no site do partido

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Autárquicas 2009: Os programas eleitorais – PSD

O PSD tem um bom programa eleitoral e verdadeiramente diferente do socialista. É equilibrado, focado e tem uma clara ideia para o desenvolvimento do concelho que, concorde-se ou não com ele, é coerente. O partido apresenta um projecto para todo o concelho e não apenas para a cidade e mostra-se preocupado com o desenvolvimento económico, embora mantenha uma fé cega – e errada – nas indústrias tradicionais.


Porém a principal virtude do programa é também um dos seus grandes erros. Porque é excessivo. Ao enunciar as prioridades que parecem ser necessárias às vilas, escorrega ao deixar a cidade em segundo plano. E isso não pode acontecer em nenhum concelho.


Concordo na essência com essa ideia de desenvolvimento de Guimarães: O concelho é policêntrico (embora em excesso) e tem que ser desenvolvido com base nesse pressuposto. Só que o PSD propõe também uma especialização do concelho em três grandes áreas, complementada com uma rede de escolas profissionais em S. Torcato (Agricultura), Taipas (Metalurgia) e Moreira/Lordelo (Têxtil). Desconfio desta organização funcionalista, que está por provar se é eficaz e não é certamente justa.


Em matéria de apoios sociais, o PSD cai no mesmo erro da maioria socialista: A perspectiva assistencialista do que deve ser a acção social do município. Tem, no entanto, uma visão um pouco mais abrangente e, por esse caminho, mais acertada, propondo uma descida dos impostos e taxas municipais. A câmara deve ser solidária e partilhar os custos de um momento económico difícil.


Essa perspectiva correcta revela-se também na preocupação com o desenvolvimento económico, defendendo a criação de um pelouro próprio, de novos parques industriais (ideia partilhada por CDS e BE), e políticas de incremento de investimentos. É criando empresas que se combate a crise e o PSD volta a percebê-lo, depois de já ter antecipado estes problemas em 2005.


Em matéria de cultura, o PSD não demonstra grande divergência da política socialista, ainda que apela a uma maior descentralização CEC e se mostre preocupado com a verdadeira participação das populações no evento. As propostas interessantes do PSD nesta matéria foram, aliás, “pescadas” do contributo da juventude partidária, casos da defesa de uma programação paralela da CEC de âmbito mais local e a instalação da Orquestra do Norte no CCVF.


Considero, tal como o PSD, que a nova feira semanal não é prioritária, mas o partido não diz a verdade toda aos vimaranenses quando defende que o centro de arte contemporânea (equipamento que entendo ser central para a CEC) seja substituído pela recuperação de um quarteirão do centro da cidade. Os 111 milhões de 2012 não são um bolo que se pode partir da forma pretendida. As fatias são muito bem delimitadas e o dinheiro destinado a uma obra não pode ser transferido para outra. Faltou dizer isso, o que fragiliza desde logo a proposta política.


Por último, a prioridade enunciada por Vítor Ferreira quanto à regionalização. Concordo em absoluto com os pressupostos e com a urgência da medida. Mas não consigo entender como pode uma câmara ter um papel relevante em relação à matéria. E não sou o único.


O programa do PSD pode ser encontrado na íntegra no site do partido.

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Conversas Autárquicas - Rosa Guimarães (CDU)

Rosa Guimarães divide actualmente a liderança do grupo parlamentar da CDU na Assembleia Municipal com Cândido Capela Dias. É novamente a número dois da lista da coligação PCP-PEV àquele órgão autárquico. À mesa do Vira-Bar, explicou ao Colina Sagrada algumas das propostas defendidas no programa eleitoral autárquico.

A CDU aposta na eleição de dois vereadores na câmara de Guimarães nas próximas eleições. “Estamos confiantes, mas não será fácil”, avalia Rosa Guimarães. Um aumento de votação poderia garantir um lugar aos comunistas no próximo executivo eleitoral, objectivo que não tem sido escondido pelo partido.


Assumi-lo, acredita Rosa Guimarães, não fragiliza a candidatura junto do eleitorado. “O objectivo não é propriamente governar com o PS, mas a CDU não se põe de fora das suas responsabilidades”, afirma


Para a deputada municipal comunista, primordial é que o PS não tenha maioria absoluta por mais quatro anos. Rosa Guimarães considera a governação de 20 anos de António Magalhães “chata” e acusa-o de ter acabado com os movimentos culturais existentes na cidade: “Hoje não se passa nada em Guimarães”.


Proposta da CDU


A CDU dá prioridade às medidas sociais no seu programa. Defendendo propostas de apoio às rendas de casa, ao consumo de água e energia e de atribuição de bolsas de estudo especiais para famílias em situação de carências, Rosa Guimarães diz essa deve ser tarefa da câmara, mesmo que isso implique aumento das despesas. “Somos o distrito com mais desemprego, com o salário mais baixo. É uma questão de prioridades”.


Ainda assim, esclarece a deputada municipal, a política social defendida “não é assistencialista”: “Este tipo de medidas são para acudir a uma situação urgente. Não defendemos isso como política continuada, mas o momento muito especial em todo o mundo”.


A coligação PCP-PEV quer também que os TUG sejam municipalizados, lamentando que o PS tenha rejeitado há poucas semanas uma proposta da CDU para a criação de um observatório para questões de transportes. Em matéria de mobilidade, a CDU quer também que a linha de caminho-de-ferro de Guimarães seja utilizada por veículos mais pequenos entre Lordelo e a cidade, para facilitar as comunicações com a zona sul do concelho.


Apesar de as propostas eleitorais da CDU para a área da cultura irem muito além da CEC 2012, Rosa Guimarães defende a importância do evento e espera que “aconteça qualquer coisa que não sejam só os espectáculos”. “A câmara tem uma visão da cultura à base da política de espectáculo e não esta preocupada em criar raízes de crescimento”, critica.


Recusando uma programação de espectáculos efémeros para 2012, a deputado comunista defende que a CEC deve servir para “pegar naquilo que ainda existe do movimento associativo e cultural em Guimarães e por essa gente a trabalhar no evento”.



As Conversas Autárquicas organizadas pelo Colina Sagrada têm o patrocínio do restaurante e cervejaria Vira-Bar, na Alameda de S. Dâmaso, em Guimarães.

PCP 2.0

A CDU tem trabalho para mostrar. A grande revelação dos últimos quatro anos foi mesmo Ana Amélia, que teve uma óptima prestação na sua passagem pela vereação. Os comunistas apresentam-se fortes para este combate autárquico, nas candidaturas e no seu programa.

Focado nos problemas actuais da população, propõe diversas soluções para a crise social, algumas até um pouco atípicas para a sua tradição, principalmente porque circunstanciais. Claro que o PCP tem sempre o problema de ser o PCP, com a defesa de um Estado enorme (total?) que se estende às Autarquias. Mas muitas das suas propostas parecem-me boas e perfeitamente exequíveis.

Questionada sobre a hipótese de a CDU viabilizar a gestão autárquica do PS caso este perca a maioria absoluta, através da atribuição de um pelouro, Rosa Guimarães não excluiu a hipótese. Haverá possibilidade de coabitação de dois partidos tão diferentes em Santa Clara?
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A meio caminho do poder

Rosa Guimarães é alguém da cidade que conhece e ama a sua terra. Tem opiniões e vivências de quem conheceu por dentro a politica e o movimento associativo. E tornou-se por aí desde logo uma conversa interessante.


O programa da CDU peca do meu ponto de vista por duas questões essenciais: apesar de ter dito ao longo da conversa que não é essa a maneira de ver as coisas do partido, as propostas a nível social parecem-me ficar demasiado presas ao imediato e às soluções urgentes para os problemas. Para além disso tem muitas preocupações a outros níveis demasiado vagas, e acaba por não apresentar soluções para problemas que parecem considerar essenciais.


A vontade de governar com o PS retira, do meu ponto de vista, força a esta candidatura. Se por um lado existem criticas que não deixam de fazer, por outro chegam-se à frente para compor uma maioria de esquerda no poder. Viabilizando os possíveis tiques que dizem existir na gestão actual.


Pedem, e bem, que se municipalizem os TUG. Do ponto de vista da CEC, e tendo sido esta a última conversa antes do partido do poder, parece-me que nenhum dos partidos foge muito ao proposto pelo actual executivo.
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Autárquicas 2009: Os programas eleitorais – CDU

Há uma consideração que salta à vista assim que se começa a ler o programa eleitoral da CDU: O documento é excessivamente longo e dificilmente exequível. Propõe intervenção em áreas em que as câmaras estão de mãos atadas como a educação, a saúde e… a defesa dos serviços do Estado. Mas, ao longo das 32 páginas, há boas soluções. Desde logo na área dos transportes e da cultura, onde se assume como a força política mais consistente nestas matérias.


A CDU dá prioridade às políticas sociais. Nada que espante. O que surpreende é que as propostas sejam medidas avulsas sem uma visão abrangente do que deve ser uma acção social da câmara. As propostas urgentes são muito alargadas e algumas dificilmente enquadráveis num orçamento municipal, sob pena de o absorver na totalidade. Destaco duas ideias pertinentes, com a marca do PEV: a criação de hortas sociais e de zonas especiais de venda de produtos da terra nas feiras e mercados.


Na economia, a CDU repete a receita dos partidos da direita: isenções de taxas, agilização de licenciamentos, redução de impostos municipais. Mas tem propostas muito boas, como a criação de um roteiro turístico do concelho, a valorização da cultura castreja e a criação de uma carta das parais fluviais. Os comunistas querem ainda criar duas escolas superiores, uma dedicada à hotelaria e outra à música e artes de palco. O programa dá relevo ainda ao desporto, apresentando a ideia gira da criação dos Jogos de Guimarães.


Para a CDU a questão da mobilidade é central, como tem vindo a demonstrar nas intervenções políticas que tem tido. O partido defende a municipalização dos TUG. E tem propostas certas como o alargamento da rede e dos horários, a reorganização de trajectos, a articulação com eventos e horários de trabalho e a modernização da frota. Pode parecer que não diverge das propostas de BE e MRPP, mas a coligação contextualiza e sustenta melhor as ideias.


Tem também um projecto para a ferrovia, desde logo propondo o aumento da intervenção municipal nessa área e a utilização do troço interno ao concelho (Lordelo-Guimarães) para uma exploração autónoma e de proximidade. No meio das boas soluções, há três desatinos: a revitalização da linha até Fafe, a criação de uma rede de metro de superfície e a abolição das portagens na A11/A7 entre Serzedelo/Urgezes/Silvares.


Por fim a cultura, onde a CDU é a única força partidária que percebe que há vida para além da CEC. O programa define linhas centrais com as quais estou em total sintonia e que contrariam o que vem sendo feito por cá: O acesso generalizado das populações às actividades culturais, a valorização da função dos criadores e trabalhadores da área cultural e a defesa e estudo do património cultural local e regional.


As propostas vão nesse mesmo sentido, destacando-se ideias concretas como a criação do Conselho Municipal de Cultura, as escolas museus das Termas e Cutelaria (nas Taipas) e da Etonografia (S. Torcato), um parque arqueológico concelhio que abranja os sítios rupestres e castrejos, o centro interpretativo da batalha de São Mamede e o gabinete de arqueologia e histórica local.


O programa da CDU pode ser encontrado na íntegra no blogue do partido.

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Autárquicas 2009: Os programas eleitorais – BE

Entre ideias descontextualizadas, erros gramaticais e as incongruências ideológicas, O Bloco de Esquerda apresente propostas interessantes e aquele que é o modelo de intervenção social mais equilibrado e estruturado de entre os que são apresentados nos programas autárquicos.


A ideia de criar um “Concelho Local para a Cultura” pode ser bem-vinda quando for bem escrita. Descentralizar e criar espaços culturais alternativos no concelho é, em tese, uma boa ideia, mas o BE apresenta outras propostas pouco ou nada exequíveis como a gratuitidade dos espectáculos culturais para quem tiver um rendimento abaixo dos 600 euros por mês. Se os bloquistas conhecem o concelho, percebiam que esse limiar abrange quase toda a população. De quem não conhece Guimarães é também a proposta de criar espaços internet gratuitos. Exactamente iguais aos que existem na Praça de S. Tiago e CCVF?


Há propostas que parecem mesmo carregadas da displicência de quem sabe que não vai governar como a construção de ciclovias na cidade e nas freguesias, a cobertura com painéis solares de todos os edifícios púbicos e a medição da pegada ecológica de todos os cidadãos.


Ainda assim, é do BE a melhor e mais consistente propostas na área social. Uma medida que, da forma como está explicada e suportada no programa, parece até deslocada das outras ideias avulsas. É pertinente a criação de um Observatório Municipal contra a pobreza e exclusão social, que “identifique e registe situações de pobreza e exclusão”. E que utilizaria “menos de 2 por cento do resultado liquido de 2008” da câmara.


Faz sentido, nesse âmbito, a criação da bola de voluntário sociais e a criação de uma rede pública de casas de promoção inter-geracionais (o que vais mais além do que as redes de infantários e centros de dia do MRPP ou da CDU).


A polémica à volta da Comissão de Promoção dos Direitos do Idoso revela-se, na leitura dos programas, despropositadas. A proposta do BE, porque melhor, não tem nada que ver com a do CDS. Os bloquistas têm uma ideia muito coerente do que deve ser o trabalho da câmara em matéria de terceira idade, propondo a criação de centro de acolhimento temporário para idosos, um serviço de apoio domiciliário e um importante centro de formação geriátrico.


O BE olha também para os imigrantes, propondo a criação de um gabinete de apoio ao imigrante, que faça por exemplo a triagem das situações de carência social dos imigrantes. Tivesse o partido esta clareza noutras matérias e podia ter um bom programa eleitoral.


O programa do BE pode ser encontrado na íntegra no blogue do partido.

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Autárquicas 2009: Se esta Câmara fosse minha (IV)

Foi com muita satisfação que aceitei o convite do Samuel Silva para pensar esta Câmara como se ela fosse minha. Na verdade, todos nós temos ideias para a nossa cidade e para o nosso concelho, bem como projectos que gostaríamos de ver realizados ou mais desenvolvidos. Agradeço ao Samuel a oportunidade que me deu para partilhar as minhas ideias com todos vocês. Aqui vão.


Economia e desenvolvimento:


- Indústria: Ter um papel mais interventivo junto do Governo com o intuito de alertar a tutela para problemas económicos locais, nomeadamente o do sector têxtil, que sendo dos sectores que mais emprego dá à população do Concelho de Guimarães, não pode ser posto em segundo plano nas prioridades da autarquia (muito embora a autarquia não possa intervir directamente no sector).


- Agricultura: Desenvolver mercados agrícolas locais, devidamente dimensionados, onde os pequenos agricultores possam facilmente e com poucos custos vender os seus produtos, dinamizando deste modo a agricultura e, possivelmente, dando ao consumidor a hipótese de aceder a produtos mais baratos e de melhor qualidade.


Ajudar à promoção de produtos agrícolas de excelência, tornando-os pela sua qualidade produtos de referência nacional e internacional.


Criar mais condições para que a agricultura se associe ao turismo, protegendo a paisagem agrícola tornando-a ponto de visita (como já acontece noutros pontos do país) e associar os produtores locais e os seus produtos a eventos adequados, em que se possa efectivar a promoção de produtos agrícolas locais.


- Turismo: Repensar as políticas relativas ao Turismo. Sendo um dos sectores essências para futuro de Guimarães, o turismo não pode ser absorvido exclusivamente pelo centro da cidade. O município deve, por isso, promover turisticamente os pontos de interesse do concelho, de modo a que se desperte o interesse do turista em partir à descoberta do concelho, após visitar a cidade. Para que tal ideia tenha sucesso devem desenvolver-se roteiros turísticos que abranjam os pontos de interesse da cidade e do concelho e, se possível, incluir um evento cultural nesses roteiros, obrigando, deste modo, o turista a permanecer mais tempo em Guimarães. Estas medidas em conjugação com outras que têm sido levadas a cabo pela actual Câmara, poderiam ajudar a transformar o perfil do turista que visita Guimarães, dando-lhe mais qualidade e tornando-o mais vantajoso para o concelho.


- Transportes: Criar uma rede de transportes que sirva com eficácia todo o concelho (as soluções existentes actualmente não são dignas desse nome, são caras para o utente ocasional e excluem a maior parte da população). Repensar, recorrendo a um estudo, o modelo dos TUG, dotando-os de roteiros e horários mais funcionais e de veículos mais ecológicos.


Criar, em parceria com outros municípios, uma rede eficaz de transportes para as cidades vizinhas (é inconcebível que, por exemplo, se demore 1h de Guimarães a Braga nos transportes públicos).


Perceber (já não me atrevo a pedir mais do que isso…) porque razão foi permitido que o percurso Guimarães – Porto feito de comboio demore agora cerca de mais 20 minutos do que em 2004. Exigir, obviamente, uma ligação ferroviária rápida ao Porto.


Urbanismo e Ordenamento do Território:


- Ordenamento do Território: Dotar a Câmara de meios mais eficazes de controle do ordenamento do território do concelho (verificam-se por vezes casos em que o que está nas cartas usadas pelos serviços da Câmara não corresponde ao que já está no terreno).


Implementar políticas de rigor no ordenamento territorial do concelho, promovendo mais deslocações dos responsáveis camarários aos locais para onde existem projectos e um maior contacto com a população (para que a perspectiva das populações seja ouvida e os projectos explicados).


-Urbanismo: Pensar seriamente num plano de desenvolvimento urbano e de crescimento da cidade, não deixando que esta se expanda aleatoriamente, sem qualquer tipo de estudos e muitas vezes para locais sob vários pontos de vista desaconselháveis.


Património:


-Centro Histórico: Continuar com o excelente trabalho desenvolvido no centro histórico, mantendo as políticas de rigor na defesa do património.


-Concelho: Proteger o património concelhio com rigor e eficácia. Identificar e classificar conjuntos patrimoniais de interesse (muitos deles não referenciados pelo IGESPAR nem por nenhum outro órgão) que se encontram em risco de destruição e de descaracterização arquitectónica e da paisagem envolvente.


Cultura:


-CEC2012: Fazer da Capital Europeia da Cultura muito mais do que um ano de eventos, criando para isso as condições necessárias para que Guimarães enquanto pólo cultural sobreviva a 2012 e se torne uma referência cultural incontornável no panorama nacional e do norte da Península Ibérica.


Promover a revitalização das instituições culturais vimaranenses, apostando na excelência, na qualidade, na diversidade e na crescente profissionalização da cultura.


Estabelecer parcerias com as diversas associações culturais vimaranenses (e outras que apresentem projectos de interesse) no âmbito da CEC.


Pensar a CEC de forma a que esta beneficie e chegue a todo o concelho.


Gestão autárquica:


-Descentralizar os serviços autárquicos para que qualquer vimaranense possa, sempre que possível, aceder com facilidade aos serviços de que necessita.


- Transparência: Sedimentar valores éticos e princípios de trabalho para que a Câmara se torne, no panorama autárquico, um exemplo a nível nacional de combate ao favoritismo e à corrupção.


por Francisco Brito

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Autárquicas 2009: Os programas eleitorais – CDS

O programa eleitoral do CDS-PP vai muito na linha do que têm sido as propostas do partido a nível nacional. Dedica a maior parte do documento as questões de economia e é o único partido vimaranense que apresente algumas preocupações com a agricultura.


Os centristas propõem a criação de um Gabinete Municipal de Investimento que facilite a fixação de empresas no concelho e querem “diminuir a burocracia dos regulamentos” agilizar processo administrativos e conceder “vantagens fiscais” a quem quer investir. Com outro invólucro, mas não difere muito da linha do PSD para esta matéria.


É na agricultura que há ideias mais interessante do PP. Os centristas querem um Plano Estratégico para o Desenvolvimento Rural de Guimarães (ainda que não concretizem em que é que este seria aplicado), a criação de um banco de terras municipais e a criação de um "cluster" de bioempreendedorismo na área Agro-Alimentar associado ao AvePark.


Neste domínio, além de defender a criação de um museu virtual do mundo rural – que fica bem no programa, mas ninguém lhe dará a mínima prioridade – o CDS defende a criação de uma loja AGRIFOOD, um ponto de venda em local de elevada acessibilidade, onde qualquer produtor possa comercializar os seus produtos ou excedentes e o consumidor tenha fácil acesso e visibilidade.


Mas se exceptuarmos estas duas áreas, o programa do CDS é muito frágil. Na área social as propostas limitam-se ao apoio às famílias de acolhimento e ao apoio a “famílias carenciadas devidamente sinalizadas pelos diversos agentes sociais” e à polémica criação de uma Comissão de Protecção para Idosos em Perigo.


Os centristas desenterram duas velhas guerras do passado, como a criação de um parque de estacionamento subterrâneo no Toural e Alameda, que a maioria da população recusou há dois anos, e a implementação de sistemas de videovigilância, que são tudo menos eficazes.


O CDS é também apologista da criação de zonas exclusivamente pedonais – com as quais discordo, como já aqui expliquei – e partilha a proposta do PSD de criação de uma Sociedade de Reabilitação Urbana. Na cultura, a pobreza das propostas já aqui tinha sido apontada.


O programa do CDS pode ser encontrado na íntegra no blogue do partido.

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A crise vitoriana

A miserável prestação do Vitória no início desta época já fez sangue. No Vimaranes faço, no espaço de opinião mensal que mantenho, uma análise da saída de Nelo Vingada: a meu ver, uma vítima do amadorismo que atacou o clube. Entretanto, garantem-me que há outra saída na calha, esta bem mais necessária. Como se percebe, o presidente do Vitória está já a preparar a próxima Assembleia Geral.
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Autárquicas 2009: Os programas eleitorais – MRPP

Se quisermos ser simpáticos, o programa eleitoral do MRPP é despretensioso. Se quisermos ser exigentes, é pobre. Há algumas ideias avulsas sobre matérias interessantes, mas no essencial nada do que o partido propõe pode mudar de facto Guimarães.


O MRPP estabelece como prioridade a criação de emprego. Na actual conjuntura, essa é uma questão quase unânime entre os vários partidos. Nessa matéria, defende uma linha de incentivos camarários à instalação de novas empresas, que não explica como funcionaria, o que é desde logo uma fragilidade.


O projecto liderado por Domingos Torres não inova ao propor a criação de uma rede de casas de repouso para Terceira Idade e jardins-de-infância. Não vai longe do que PS ou BE ao pedir uma frota renovada e ecológica dos TUG e um alargamento de horários. E partilha um erro com a CDU ao querer a total pedonalização do centro histórico, algo que as experiências vizinhas têm mostrado que acarreta mais problemas do que vantagens.


O programa eleitoral do MRPP tem, no entanto, três bandeiras que podem ser pontos de partida para discussões futuras. A primeira integrada no capítulo dedicado à cultura com a defesa da construção de e um observatório de astronomia na montanha da Penha. É desconexo propô-lo no âmbito da CEC, mas é uma ideia engraçada, que com os devidos apoios podia funcionar.


O mais pequeno dos partidos concorrentes às eleições de domingo quer também fazer de Guimarães uma cidade verde, defendendo uma rede de iluminação pública alimentada a energia solar (sendo financeiramente exequível, soa a boa ideia) e a criação de um parque eólico concelhio. Em tese, pode parecer bom, mas a situação e causa alguma estranheza já que há dádivas da potencialidade energética dos montes locais. Mas nada como estudá-lo.


Aquela que é, a meu ver, a melhor proposta do MRPP é a da criação de uma equipa da Policia Municipal para vigilância dos rios e das matas. A GNR tem uma brigada SEPNA que é pouco mais do que inexistente e a PM não deve ser apenas uma polícia urbana e destinada a passar multas.


Quanto ao mais, o MRPP aposta por baixo, à medida do expectável resultado eleitoral. Se conseguirem continuar a defender as ideias positivas que o programa contém, podem continuar ter um papel interessante na Assembleia Municipal.


O programa do MRPP pode ser encontrado na íntegra no site do partido.

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Conversas Autárquicas - Carlos Vasconcelos (PSD)


foto guimaraesdigital

Carlos Vasconcelos é vereador do PSD na Câmara de Guimarães e lidera a candidatura social-democrata à Assembleia Municipal, experiência que antecipa nesta conversa com o Colina Sagrada à mesa do Vira-Bar.


O número um do PSD à Assembleia Municipal assume as divergências com a governação socialista em Guimarães. “Não se encontra um projecto político que tenha liderado estes 20 anos. O que há é uma gestão casuística”, acusa. Nem a actual grande bandeira do PS é, na opinião do social-democrata, mérito de António Magalhães. “Não foi o presidente da Câmara que teve o rasgo de pensar na CEC”, afirma Carlos Vasconcelos.


Guimarães faz parte dos dez maiores concelhos do país em termos de população, território e orçamento. Por isso “é natural que a câmara tenha obra”. Mas, para o candidato do PSD à AM, a questão “é saber se as potencialidades são proporcionais ao trabalho alcançado e aos resultados obtidos”. E, nesse caso, defende, “Guimarães não está nos 10 primeiros concelhos do país em tudo aquilo que é qualidade de vida”.


Em termos eleitorais “não há meias vitórias” e o objectivo é ganhar a câmara. Vasconcelos aproveita mesmo para deixar uma crítica à CDU. “Neste momento temos a candidatura do PSD que quer governar em vez do PS e há outra candidatura que quer ter mais votos para governar com o PS. Não há uma alteração significativa de governação com um pelouro da saúde ou do desporto atribuído a Salgado Almeida”, considera.


Carlos Vasconcelos antecipa ainda o que pode ser a experiência na liderança do grupo parlamentar do PSD, facto que não dá como consumado. Ainda assim, considera que a lista social-democrata é “excelente” e geri-la será “uma actividade muito estimulante”. O vereador social-democrata não prevê problemas em unir as diferentes facções do partido e até acredita que possa haver “mais divisões entre o grupo de vereadores do PS do que dentro do grupo parlamentar para o PSD”.


Propostas do PSD


Se o PSD for Câmara as régie-cooperativas existentes serão transformadas em empresas públicas municipais, por uma “questão de princípio e de controlo político”. “Nas empresas municipais, os orçamentos e as contas são discutidos na câmara e na assembleia. Essa é uma gestão muito mais transparente”, explica. Além disso, defende um “trabalho de reavaliação” do papel das cooperativa, facto que exemplifica com um caso concreto: “Se o presidente da direcção da Oficina fosse alguém que não o vereador da cultuam, o vereador da cultura não fazia nada”.


Falando em cultura e criticando a forma como a câmara tem gerido a área – “Não pode ser a Oficina e principal estrutura dos festivais de Gil Vicente”, exemplifica – Carlos Vasconcelos entende que o sucesso da Capital da Cultura será “em 2020 pudermos dizer que o que está a ser produzido acontece por causa de termos sido CEC em 2012”. “Se em 2020 só pudermos dizer «Isto faz-se neste espaço que foi construído porque fomos CEC», então não valeu a pena”, considera.


Uma das principais propostas do PSD é a criação de uma Sociedade de Reabilitação Urbana, uma entidade onde o município teria uma posição dominante, mas que teria a participação de entidades privadas. “Um modelo próximo do que tem sido colocado à prática no Porto”, antecipa Vasconcelos, com “vantagem para os proprietários do ponto de vista fiscal”. Para o social-democrata, aquilo que tem vindo a ser promovida no Centro Histórico é “uma reabilitação de fachada”. “É preciso entrar dentro das casas e as coisas dentro das casas não estão bem”, sustenta.


Os social-democratas defendem ainda uma postura activa da câmara em termos económicos, com as descida de taxas e impostos municipais. “O presidente da câmara não pode estar à espera de despachar o que chega à sua secretária. Muitas empresas instalaram-se recentemente em Famalicão em detrimento de Guimarães por causa dos custos das taxas”, exemplifica Vasconcelos. O PSD quer também reduzir as taxas de ligação às redes de água e sane manto: “Com o aumento do número de adesões, o que se verifica é uma aumento da receita e não uma diminuição”.


O PSD contesta ainda a nova feira semanal, porque “não faz sentido um investimento num espaço de raiz”, defendendo que esta se realize numa espaço já existente e devidamente ordenado, como as Hortas ou envolvente do Estádio.

As Conversas Autárquicas organizadas pelo Colina Sagrada têm o patrocínio do restaurante e cervejaria Vira-Bar, na Alameda de S. Dâmaso, em Guimarães.