A alternativa

Carlos Vasconcelos é um dos protagonistas da campanha autárquica do PSD. Ao fim de oito anos como vereador, assume o desafio de encabeçar a lista à Assembleia Municipal. É uma das figuras que prepararam a candidatura de Vitor Ferreira, bem como o seu programa. E o PSD tem um programa. Pode-se gostar ou desgostar, mas apresenta uma alternativa para o concelho, um novo paradigma de desenvolvimento assente noutros vectores que não o que o PS apresenta há vinte anos: uma Câmara para as freguesias, que vá para além dos limites medievais da cidade, para usar a expressão feliz do candidato do MRPP.

Vasconcelos dá a cara por uma alternativa que se quis abrir à sociedade, que procurou ideias e pessoas muito para além da cor do partido. Num momento em que o PS no concelho se apresenta nos mesmos moldes de sempre, sem um projecto de fundo nem perspectivas de futuro, o PSD trabalhou para marcar a diferença. Longe de ser consensual, esta candidatura dá o corpo ao manifesto, quer ganhar Guimarães. Merece ganhar Guimarães.
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Existe alternativa?

Da conversa com Carlos Vasconcelos retirei uma conclusão primordial: as diferenças de opinião entre os dois partidos não são suficientemente grandes para que se crie uma alternativa a António Magalhães. E talvez resida aqui um dos principais motivos para a falta de crescimento do partido, em Guimarães nos últimos 20 anos: O PSD quer governar em vez do PS, mas não necessariamente mudando muito o rumo do estado da cidade que até Está na Moda.

A maior critica para com o actual executivo prende-se com a aposta entre muros da cidade, deixando cair no esquecimento as freguesias do concelho.

Carlos Vasconcelos propõe a alteração das régie-cooperativas para empresas municipais, e por outro lado não vê a utilidade da existência de um director geral da Oficina, que exerce funções que entende que devem estar na mão do vereador da cultura.

Das palavras e propostas do PSD a nível económico gera em mim também uma certa desconfiança: parecem-me demasiado eleitoralistas, muito à base de descer tudo quanto forem impostos e taxas, sem grandes estudos de possibilidades de facto o fazer.
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Autárquicas 2009: Se esta Câmara fosse minha (III)


Foi com prazer que aceitei o desafio proposto pelo Colina Sagrada para aqui deixar este testemunho. Convém, no entanto, que deixe desde já, um ponto prévio: sinto-me muito mais próximo da política nacional do que propriamente da local, mesmo que seja, e com gosto, eleitor em Guimarães.


Acho sempre que Guimarães vive demasiado do seu passado, mesmo que por vezes os “olhos” lhe “fujam” (e bem) para o futuro, mas esquecendo vezes sem conta o seu presente. Não me parece razoável que Guimarães, sendo sede de uma das mais prestigiadas universidades do país, não tenha sido ainda capaz de oferecer valências aos jovens que aqui estudam. Braga continua a ser o “dormitório” e local de diversão preferencial, mesmo daqueles que estudam no Campus de Azurém. Guimarães precisa, mais do que nunca, de ser um atractivo para os jovens. Saber dotar-se de espaços que façam da cidade um lugar conhecido e reconhecido no que ao convívio de jovens diz respeito.


Não pode Guimarães continuar a assistir à constante e crescente “diáspora” dos mais novos para as cidades vizinhas, sem ser capaz de os cimentar aqui mesmo. Sejam eles os jovens que estudam na Universidade do Minho ou aqueles que por cá ainda vivem. Uma modernização deste género é mais do que exigível para uma cidade que, mesmo orgulhando-se do passando, tem de ter forçosamente os olhos no presente e no futuro. Guimarães tem de saber tornar-se numa cidade universitária, saber conviver com esse epíteto e fortalecer a sua posição enquanto tal. Saibamos aproveitar CEC 2012 também para isso. E vale para os jovens, como terá de valer para as crianças. Locais de atracção para as nossas crianças são coisas que Guimarães não tem conseguido saber ter. Assistir ao erro de Braga e nada fazer para que se transformasse num triunfo de Guimarães, é algo que só posso lamentar.


A juntar a isto, é imperial que para um desenvolvimento sustentado da cidade e da região onde se encontra, que tudo seja feito para Guimarães se aproximar das cidades vizinhas. Quando as duas cidades mais importantes do Minho não são capazes de estar ligadas por uma verdadeira rede de transportes, algo tem de ser invertido. É completamente surreal que não haja sequer uma ligação directa de comboio entre Guimarães e Braga e, mais do que isso, que Guimarães não seja capaz de fazer pressão suficiente para – porque não? – conseguir que se dote as duas cidades de uma rede de metro que será fulcral para o desenvolvimento de ambas.


Mais do que isso, parece-me indispensável que a cidade saiba responder ao seu crescimento em termos de áreas populacionais e com isso dotar Guimarães de uma rede de transportes públicos abrangente. Mais e melhores. Para que seja possível – a curto espaço – a diminuição drástica do trânsito nas principais artérias da cidade. Para que se respire e viva melhor. Para isso, será também importante que seja aumentado o número de parques de estacionamento que façam diminuir esse mesmo tráfego no centro da cidade.


A necessária criação de mais valências hospitalares no Hospital de Guimarães, como serviço de urgência de Neurologia, por exemplo, deverá ser também uma prioridade do executivo camarário e na pressão que terá de exercer junto do Ministério da Saúde.


O aproveitamento da sua principal beleza natural – Montanha da Penha – com a instalação de um hotel prestigiado e com condições de excelência, bem como uma melhor utilização das condições excepcionais que a Penha nos oferece, deverá ser também um objectivo claro. Será utópico ou irreal pensar-se que a Penha poderia oferecer uma pista de neve artificial? Sem destruição da sua beleza natural? E assim servir ainda de mais um ponto de atracção turística? Não estou em posição de ter uma posição muita clara, mas genericamente seria uma ideia a ter em conta. Esta, como outras.

Por Carlos Ribeiro

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Os programas para a Cultura

Amaro das Neves faz, no Araduca, uma análise muito completa e pertinente aos programas eleitorais dos seis partidos que se apresentam às eleições do próximo Domingo, com especial enfoque para a área da cultura.

Conheças aqui as propostas de PS, PSD, CDU, CDS, BE e MRPP.
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Frases para pensar

"Em Guimarães, património da humanidade, onde trabalhei, eu digo: “Já não posso com isto”. Guimarães sempre teve mais de dois terços da população e do emprego fora do perímetro urbano. E sempre acharam normal; agora cavou-se uma trincheira. Só se preocupam com o centro histórico, com a cidade extraordinária. Do outro lado da trincheira, está a cidade ordinária, a genérica, que não tem marca e ninguém vê... As pessoas agarram-se ao que acham que conhecem, e, à medida que vai aumentando o trauma da perda da cidade extraordinária, aumenta a amnésia do resto. Por isso acho que os investigadores, e o planeamento, se devem centrar nesta área da cidade, que da outra já há muito quem se ocupe".

Álvaro Domingues, geógrafo, ao Público de sábado

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Autárquica: Guimarães na Rádio Universitária do Minho

A Rádio Universitária do Minho transmite, a partir de amanhã, as entrevistas realizadas com os seis candidatos à Câmara Municipal de Guimarães. São seis conversas de cerca de 20 minutos que valem a pena ouvir.

Permitam-me destacar: António Magalhães admite governar com maioria relativa e está disposto a coligações e Vítor Ferreira assume que retirar a maioria absoluta ao PS e influenciar o rumo da governação podia ser um pequena vitória.

Salgado Almeida afirma que quer eleger o segundo vereador para ser poder com o PS, mas recusa um cargo na vereação a tempo inteiro e Alberto Fernandes acredita na eleição de um vereador, mas recusa coligações.

Rui Barreira defende que a obra do Toural vai ser desfeita no futuro, porque a cidade vai precisar do parque de estacionamento subterrâneo e Domingos Torres defende a criação de um rede de lares e infantários públicos para combater o desemprego.

As entrevistas vão para o ar às 14h00 horas de quarta, quinta e sexta-feira. Amanhã ouvem-se as ideias de Alberto Fernandes e Domingos Torres, no dia seguinte a conversa tem Salgado Almeida e Rui Barreira como protagonistas e, no último dia da campanha, conhecemos as propostas dos dois principais candidatos, Vítor Ferreira e António Magalhães.

Depois de emitidas, as entrevistas vão estar disponíveis aqui.
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E no dia 5 de Outubro

Fotografia do Movimento 1128.

A antiga bandeira Portuguesa foi hasteada na Câmara Municipal de Guimarães na noite passada. A iniciativa do Movimento 1128 pretende continuar a onda iniciada pelo blogue 31 da Armada em Agosto passado.
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O renovado Largo do Carmo



Foi hoje inaugurado o Largo Martins Sarmento requalificado. Conhecido como Largo do Carmo é um dos meus largos preferidos da cidade de Guimarães. Gostei do resultado da intervenção da autoria de Miguel Frazão, que valoriza bastante este lugar tão especial. As obras irão agora continuar, com uma nova ligação directa do Largo da Mumadona à Colina Sagrada.
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Autárquicas 2009: Se esta Câmara fosse minha (II)


Gerir um concelho como o de Guimarães, com 69 freguesias, não será tarefa fácil. É muito densa a teia administrativa que cobre o concelho e disto resultam perdas, insuficiências e desigualdades – não se consegue chegar a todo o lado e a todos. Como agravante, uma estratégia que aplique a maior parte dos recursos financeiros na sede do concelho faz com que essas desigualdades sejam mais agudas.


Nesse sentido, “se esta câmara fosse minha”, trabalharia no sentido conseguir uma maior coesão do território de todo o concelho. A coesão territorial costuma ficar bem nos programas e nos discursos, mas teima em não ter efeitos práticos notáveis.


Em Guimarães facilmente se comprova que um munícipe da freguesia de Castelões, não tem as mesmas oportunidades, nem os mesmos recursos que tem um outro munícipe de S. Sebastião. É absurdo pensar que um e outro devem ter exactamente os mesmos recursos e exactamente as mesmas oportunidades. Será mais sensato, antes, pensar em maneiras de compensar essas diferenças.


Tornar a estrutura administrativa mais leve passaria por uma reorganização do mapa das freguesias do concelho, agrupando-as, diminuindo assim o seu número e diminuindo também o número de intermediários no processo de decisão. Ao fazê-lo, contrariamente ao que possa parecer, aproximar-se-ia o poder autárquico do cidadão, na medida em que se tornaria o sistema mais eficiente.


A coesão territorial passaria ainda pela definição de três centralidades no concelho: Caldelas, S. Torcato e Moreira de Cónegos. Estes estariam organizados subsidiariamente relativamente à sede do município, com a descentralização de vários serviços, redistribuição de competências e de recursos financeiros. Hoje, os sistemas de informação digitais permitem que a localização deixe de ser uma condicionante em muitos aspectos. A nível empresarial, por exemplo, esta realidade há muito que foi absorvida.


A habitação é também uma questão essencial – não só ao nível da sua organização territorial, mas sobretudo na gestão da sua oferta. Sabe-se que, nas últimas décadas, o poder autárquico se foi tornando dependente financeiramente das receitas sobre a ocupação do território, o que promoveu uma ocupação desordenada, descaracterizadora e dispersa. Essa seria a primeira tendência a inverter. Não se percebe como é que, conhecidas as desvantagens de uma a ocupação dispersa do território, se insiste na sua continuidade, com o consequente agravamento das dificuldades já existentes – desde logo dos custos com a infra-estruturação, dos transportes públicos, etc.


Aspecto preocupante, ainda na área da habitação, é o envelhecimento e gradual esvaziamento do centro histórico e de toda a zona envolvente. Num trabalho de continuidade, seria urgente definir uma política que habitação que invertesse essa sangria, promovendo condições para a requalificação urbana e para a ocupação dos muitos edifícios vazios localizados naquela zona nobre do concelho. À sua escala aplicar o mesmo modelo nas três centralidades. Criando condições para a fixação, também aí, de população.



Num mesmo contexto do fomento da coesão territorial, a mobilidade teria um elevado nível de importância. Neste campo, haveria duas escalas de planeamento – uma concelhia, outra regional. O sistema de transportes no concelho seria ordenado em torno das três centralidades, cada uma deveria ser equipada com uma central de transportes públicos, de forma a garantir uma melhor cobertura em todo o concelho. Estas três centrais estariam articuladas com uma outra, em Guimarães (que além de ser a sede do concelho é também o seu centro geográfico), sendo que esta faria a articulação com os sistemas de transporte a nível regional.


Felizmente, há em Guimarães vários bons exemplos decorrentes da gestão autárquica dos últimos anos. Nomeadamente, a identificação do capital histórico da cidade que foi em boa hora exemplarmente aproveitada, com o trabalho desenvolvido no Centro Histórico. Esse modelo deveria ser replicado em todo o concelho: identificando as potencialidades existentes; definir prioridades; canalizar investimento público e cativar o privado.


Concluindo, tornar o território concelhio mais coeso, aproximando e redistribuindo o poder autárquico tornando-o mais eficiente, criar condições de qualidade de vida para a fixação de população e interligar essa população entre si, seriam as minhas prioridades “se esta câmara fosse minha”.

Por Paulo Dumas

Editado às 10h42 (06/10)

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Conversas Autárquicas - Domingos Torres (MRPP)

Foto Notícias de Guimarães

Domingos Torres é técnico postal nos CTT e cabeça de lista do PCTP-MRPP à câmara de Guimarães, depois de ter sido deputado na Assembleia Municipal durante dois anos. Foi o primeiro a aceitar o desafio do Colina Sagrada para jantar com os três autores do blogue no Vira-Bar.


“As pessoas gostaram do trabalho que tem sido desenvolvido pelo MRPP. Penso por ser uma voz diferente e independente”. A explicação de Domingos Torres para as votações do partido em Guimarães é simples. Sem meios – “Reunimo-nos num café e somos nós quem cola os cartazes” – o MRPP elege, há oito anos, um deputado para a Assembleia Municipal fruto dos cerca de 1400 votos conseguidos.


Este ano aposta nas freguesias, apresentando candidaturas em seis juntas. E só não são mais porque os responsáveis não quiseram. “Tivemos pessoas que se ofereceram para fazer listas, mas não podemos meter qualquer pessoa no partido”, conta. Os objectivos eleitorais estão bem definidos: “Queremos eleger mais deputados municipais”. Até porque o trabalho de um parlamentar sozinho torna-se “muito difícil”. Chegar à vereação é quase impossível, mas o MRPP “ousa sonhar”.


Se fosse eleito presidente da câmara, Domingos Torres, gostava de tornar Guimarães “uma cidade de ciência e do conhecimento, moderna, em que as pessoas vivessem bem, com bons transportes, na linha da frente da ecologia e com emprego”. De resto, é muito crítico do desenvolvimento da cidade nas últimas três décadas. “O que Guimarães tem de melhor é a Universidade do Minho. Temos o CCVF, o futebol, com o Euro 2004. E agora vem a CEC. A câmara só faz alguma coisa se vier dinheiro de fora”, acusa. “Guimarães não mudou da época medieval até hoje. A câmara praticamente não saiu daqui das muralhas, só vê o que está dentro delas”, critica ainda candidato.


As propostas do MRPP


O emprego é uma das prioridades do programa eleitoral do MRPP. “Queremos criar mais lares de acamados e idosos e infantários. Isso criava mais emprego e contribuía para o bem-estar dos cidadãos”, assegura. O partido é também favorável à criação de uma equipa da polícia municipal que seja responsável por vigiar os rios e as áreas florestais do concelho.


Na área ambiental, o PCTP-MRPP defende também uma proposta de criação de um ou mais parques eólicos nas zonas de S. Torcato, Gonça e Souto. “Ajudavam a diminuir os custos energéticos”, considera Domingos Torres, que antecipa também a alimentação da rede pública de iluminação através de painéis solares.


A cultura é por estes dias incontornável, mas nenhum partido tem uma proposta como a do MRPP. “Vi gente a defender um centro de arte contemporânea ou um museu. Guimarães tem é que a apoiar os museus que já existem”. Por isso propôs numa das reuniões preparatórias da CEC a criação de um centro de astronomia na Penha, proposta que recupera agora no programa eleitoral. “Assim os estudantes iam estudar os astros, dinamizava o teleférico e ficávamos conhecidos. Preferia isso a um museu de arte contemporânea”.


As Conversas Autárquicas organizadas pelo Colina Sagrada têm o patrocínio do restaurante e cervejaria Vira-Bar, na Alameda de S. Dâmaso, em Guimarães.

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Ousar Sonhar

O primeiro entrevistado pelo Colina Sagrada foi Domingos Torres. O candidato do MRPP assume-se um homem de esquerda, democrata e sem extremismos. E demonstrou isso mesmo ao longo da conversa. Longe do registo ideologicamente vincado da estrutura nacional.

Nota-se em Domingos Torres a despreocupação nas propostas de quem apenas “ousa sonhar”. A alegria de tentar ajudar quem mais precisa, e genuinidade com que o faz. Quer mais lares, que não sejam pagos a peso de ouro e fazem-lhe confusão os grandes investimentos porque só se fazem com apoios europeus. Injustamente, mas não reconhece o premiado desenvolvimento da cidade dos últimos 20 anos.

Tem como bandeiras emblemáticas o observatório de astronomia da Penha, que parece muito pouco para figura de proa de uma Capital Europeia da Cultura. Quer criar fundo municipal para famílias carenciadas. Para isso, e para gerar capacidade de investir a nível autárquico, acabava com as régie cooperativas e os seus gestores de largas centenas de euros. Tremendamente questionável pelo principio e pela suposta capacidade que isso criaria de incentivar as famílias mais carenciadas.
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Um bom homem

A conversa com Domingos Torres surpreendeu-me. O candidato do MRPP é um homem simples, mas cheio de ideias e iniciativa, longe do protótipo de militante deste partido que imaginamos. Talvez seja este o segredo para os resultados que este partido que já foi maoísta tem em Guimarães.

Nota-se que a sua principal preocupação são as pessoas, em especial os trabalhadores e os reformados. Torres entusiasma-se a falar das suas propostas para a terceira idade. Claro que tem fraquezas: as propostas que apresenta para a economia (criar lares e creches) carecem de um estudo aprofundado e não são capazes de responder ao drama do desemprego que o concelho vive. E depois há a sua grande proposta para a Capital Europeia da Cultura 2012, a construção de um observatório astronómico na Penha.

Domingos Torres é um homem preocupado e genuíno, que se fez a pulso e que gosta de partilhar as suas ideias. Foi um excelente início para as Conversas Autárquicas deste blogue.
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O fenómeno MRPP


Na sequência de uma notícia da agência Lusa, Diário de Notícias, Jornal e Notícias e o jornal i publicaram hoje artigos acerca do fenómeno PCTP-MRPP em Guimarães. Hoje TSF e TVI também entrevistaram Domingos Torres, o cabeça de lista do partido à Câmara de Guimarães.

Ontem, o candidato jantou com o Colina Sagrada no restaurante Vira Bar, na primeira das conversas com os candidatos à Câmara. Amanhã publicaremos o resultado desse encontro, onde pudemos conhecer melhor um dos rostos deste curioso fenómeno da política vimaranense.

Há quatro anos, mais de 1100 pessoas votaram no MRPP. Há oito que o partido tem uma representação na Assembleia Municipal e este ano até apresenta candidaturas a seis freguesias, factos que levam o eterno candidato Garcia Pereira a afirmar que "Guimarães é a zona do país onde o trabalho autárquico e a ligação do partido ao povo tem sido mais consistente".
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Votação

O blogue Arrastão está a promover um conjunto de inquéritos sobre as autárquicas. Quem será o presidente da Câmara? , pergunta-se, abrangendo quase 40 concelhos do país. Guimarães é um desses.
Por muito que estes inquéritos online sejam quase tão pouco fiáveis como as sondagens, uma maior participação poderá fazê-los chega mais próximo do resultado final.
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Autárquicas 2009: Se esta Câmara fosse minha (I)


"Alguns dias depois de ter aceite o convite para escrever sobre algumas ideias para Guimarães caso fosse eleito Presidente da Câmara, fiquei sem muitas dúvidas de que, mais do que ideias concretas sobre determinados projectos a implementar, faria muito mais sentido começar por reflectir sobre o processo de decisão e a relação entre o poder político e a sociedade que representa. Por um lado, porque após uma breve pesquisa verifiquei que as boas ideias que me ocorreram já têm voz. Por outro, talvez porque se dá mais importância à proveniência do que ao conteúdo, não sei realmente o que o poder político pensa delas e que alternativas tem.

Não concordo com a política de ter meia-dúzia de «projectos estruturantes» escondidos nos gabinetes de Santa Clara, conhecidos apenas por alguns, como se a simples discussão dos mesmos os pudesse levar ao fracasso. Aliás, como me parece ter ficado evidente na questão da requalificação do Toural, é mesmo a discutir, explicar, obter reacções, re-desenhar e voltar a público que se consegue transformar um projecto técnico, funcional mas sem identidade, numa requalificação profunda mas bem aceite pela maioria.

O «corpo estranho» que era o primeiro projecto concebido para o Toural, ou que ainda é hoje a Capital Europeia da Cultura 2012, não ajuda à identificação e defesa dos mesmos pelos cidadãos. Cidadãos esses que cada vez mais querem ser informados e participar das decisões, organizando-se nesse sentido. A sociedade é cada vez mais activa e alguns sectores, principalmente ligados a universidades ou grupos profissionais, têm até um conhecimento mais específico e especializado que não se pode ignorar na tomada de decisões.

Uma nova cidade terá que comunicar de forma diferente. É muito importante que o rumo estratégico seja público e que os meios com que se pretende atingir esse rumo sejam definidos e monitorizados. A universidade, as empresas, as associações de cidadãos devem fazer parte desse rumo, trabalhando em rede com os gabinetes municipais no sentido de serem mais facilmente perceptíveis os ganhos, dificuldades ou ajustes a fazer. E, obviamente, qualquer cidadão poderá ter acesso aos indicadores monitorizados. A informação é, nos tempos que correm, fulcral. O município tem o dever de dar todas as informações que permitam às entidades tomarem decisões de investimentos ou de alteração de estratégias.

Partindo deste pressuposto, torna-se essencial a criação de mecanismos que permitam estas redes de comunicação. A Carta Educativa e o projecto de Carta da Cultura que é, na essência, a Fundação Cidade de Guimarães, são embriões do que se pode também replicar para outros sectores. E as decisões, tomadas no âmbito de uma rede, com contributos de vários intervenientes, podem recentrar o debate nos projectos em si, identificando os seus pontos fortes e fraquezas, acabando com discussões inúteis e quase infantis sobre quem é o autor do projecto ou levando ao voto favorável/ desfavorável conforme seja um projecto da maioria ou da minoria.

Para terminar, voltando à ideia inicial do texto e deixando apenas uma das prioridades que acho importante resolver num futuro próximo, parece-me impossível estarmos tão longe (aparentemente) da concretização dum Plano de Mobilidade que responda às necessidades de um concelho com cerca de 2 terços da população a viver fora da cidade, e às necessidades de uma região que tem nos próximos anos uma série de desafios que a podem tornar mais competitiva, dinâmica e cosmopolita. É impossível, por exemplo, pensar na CEC 2012 sem um plano estruturado da rede de transportes públicos. Ou então imaginar o AvePark e o Instituto Ibérico sem ligações privilegiadas aos pólos universitários e centros urbanos de Guimarães e Braga. Os meios à disposição dos cidadãos determinam e muito a forma como estes se movem e transformam os hábitos duma cidade ou região. E se queremos alterar a forma como se vive Guimarães, a rede de transportes é fundamental. Sobre isto temos a certeza que o trabalho está a ser feito. O problema é que, tal como no caso da CEC, é mesmo apenas isso o que se sabe. E vivemos nós na era da Sociedade da Informação".

Por Rui Silva.
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Colina Sagrada – Autárquicas 2009

Nas próximas duas semanas os vimaranenses têm pela frente a discussão que ajudará a clarificar qual o melhor projecto para liderar a cidade e o concelho ao longo dos próximos quatro anos. O emprego e a crise social são desafios de hoje, com a aventura da Capital Europeia da Cultura e espreitar lá para o fim do mandato, condicionando muitas das suas decisões.


Este é um momento particularmente relevante para Guimarães. Magalhães joga tudo no último mandato permitido por lei, com a CEC como bandeira. O PSD tem um projecto que conseguiu convencer alguns habituais votantes de esquerda. A CDU aposta no segundo vereador, mas com as mesmas caras. O CDS fez uma forte aposta com Rui Barreira que lhe deverá garantir uma subida de votação. O BE, à boleia dos resultados nacionais, está também a crescer.


O PSD foi o primeiro a apresentar o seu programa eleitoral autárquico. Hoje será a vez do PCP e, amanhã, do PS. O Colina Sagrada vai trazer aos seus leitores algumas das principais linhas de força dos programas dos diferentes partidos.


Para acompanhar estas eleições, decidimos também lançar uma iniciativa que abre, como temos feito noutros momentos marcantes, a participação cívica a outros protagonistas. Chama-se “Se esta Câmara fosse minha” e foi uma desafio lançado a cinco vimaranenses para que apresentassem ideias, medidas e soluções para os problemas e desafios que se colocam a Guimarães nos próximos quatro anos.


Fruto de uma parceira com a Cervejaria e Restaurante Vira-Bar, vamos também entrevistar algumas das principais figuras que se candidatam à câmara de Guimarães. A partir do final desta semana começaremos também a publicar o resultado dessas conversas.


Ao longo das próximas semanas vamos como habitualmente acompanhar e comentar as entrevistas, debates e acções públicas dos vários partidos. Deste modo, esperamos contribuir para uma decisão mais esclarecido dos vimaranenses no próximo dia 11.

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O dia seguinte


Não queria deixar de fazer também aqui a minha análise ao resultado eleitoral de ontem. Em primeiro lugar falo do partido que me é mais querido, o PSD: uma desilusão a toda a linha. Há alguns dias que tinha deixado de alimentar a esperança de sairmos vencedores, mas um resultado destes, tão próximo em percentagem do de 2005, foi uma desilusão. No distrito de Braga, em particular, esperava um resultado melhor, o que não se verificou, pois o PSD perdeu um deputado face às últimas eleições.

A CDU teve uma clara derrota. É neste momento a quinta força política e já ninguém espera surpresas por aquelas bandas. Como sempre, fez um discurso vitorioso, mas no qual ninguém acredita.

O CDS é o partido que mais pode gritar vitória. Voltou aos dois dígitos e elegeu 21 deputados, afirmando-se como terceira força política. Era a vitória de que Paulo Portas precisava e, neste momento, merecia.

O BE teve uma vitória, mas não tão grande como previram. Subiu muito significativamente em número de votos e duplicou os deputados, mas não conseguiu chegar aos míticos dois dígitos e não chegou a terceiro. Perante o discurso que o partido teve nos últimos meses, parece-me que não atingiu o lugar a que se propunha.

O PS foi o partido mais votado e só por isso ganhou as eleições. Perdeu a maioria absoluta, perdeu centenas de milhar de votos, perdeu deputados, mas será Governo. Vamos ver como Sócrates se consegue safar desta.

Não posso deixar de salientar um ponto que me parece importantíssimo: neste acto eleitoral podiam ter tomado parte mais de meio milhão de jovens portugueses. Parece-me que esses novos eleitores contribuíram de forma decisiva para o maior vencedor do dia, a abstenção. Claro que isto é apenas uma leitura pessoal, que não se baseia ainda em dados que estarão disponíveis apenas mais tarde. Os partidos e o sistema político português perderam a grande batalha que era a conquista destes eleitores. É uma batalha que, muito em breve, voltará a travar-se. É uma batalha que não se pode perder.
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Delegação da Região de Turismo Porto e Norte


Há uns anos, quando se acabou com as zonas de Turismo e integraram Guimarães e o Minho na Região de Turismo do Porto e Norte de Portugal, receámos que esta se focasse no Douro e que tudo o resto se tornasse paisagem. Mas o trabalho desenvolvido até ao momento não permite essa leitura. Em primeiro lugar, optou-se por não fixar a sede desta Região de Turismo no Porto, mas em Viana do Castelo. O planeamento deste projecto focou-se na criação de 7 pacotes de produtos, que os visitantes escolhem conforme o seu objectivo. Assim, temos Turismo de Negócios, City Breaks, Saúde e Bem-Estar, Touring Cultural e Paisagístico e Turismo de Natureza, entre outras. Optou-se também por deslocalizar as delegações que tratarão especificamente de cada um destes produtos.

No Sábado passado foi inaugurada a delegação de Guimarães, intitulada Delegação de Turismo Cultural, Paisagístico e dos Patrimónios. Este gabinete, criado nas instalações do antigo Museu de Arte Primitiva e Moderna, no lindíssimo edifício dos antigos Paços do Concelho, pode ser estratégico para o futuro desenvolvimento da região. Será interessante ver o trabalho desenvolvido com a Capital Europeia da Cultura 2012.


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Soube pela notícia do Jornal de Notícias que se esperavam novidades do Governo sobre uns dinheiros para 2012. Não percebi se seriam um reforço ao orçamento ou se seriam parte dele. Não consegui também verificar se esses dinheiros foram confirmados ou não.
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As Legislativas em Guimarães

Os resultados das Legislativas em Guimarães confirmam as tendências distritais. O PS é o vencedor, com cerca de 47 por cento dos votos, mas perde mais de dois mil votos face há quatro anos. Quem cresce, e cresce muito, são CDS e BE.


Os populares são embalados pelo excelente resultado nacional e regional e ganha quase 1400 votos, tornando-se a terceira força política no concelho. Já os bloquistas alinham pelo crescimento nacional e aumentam a votação na casa dos 40 por cento (7800 votos, face aos 4700 de 2005). O MRPP, que é um fenómeno autárquico particular, mantém sensivelmente a mesma votação.


Os resultados são maus para o PSD, que não só não encurta distâncias para o PS como ainda pede votos (cerca de 400). E são também votações negativas pata a CDU, que perde mais de 600 votos, não conseguindo capitalizar o trabalho de Agostinho Lopes e das estruturas locais dos comunistas.


Bem sei que as eleições são diferentes, mas os resultados devem deixar António Magalhães e o PS satisfeitos. Pelo menos partem com vantagem confortável para as autárquicas do próximo dia 11, ainda que tenham ganham em freguesias que são social-democratas e cuja mudança não é expectável.


Mas vejamos: Face às autárquicas o PS tem mais mil e poucos votos, enquanto que o PSD perde mais de três mil. A CDU é que parece ter mais expressão local do que nacional. Pelo menos é o que parece sugerir os 3500 votos a mais que tem nas autárquicas.


Nesta análise, BE e CDS voltam a merecer destaque: Os populares tiveram míseros 2400 votos nas locais de 2005 e, meses depois, mais de 6000 mil nas nacionais. Com o crescimento que tiveram hoje e a aposta forte na campanha, podem surpreender. O mesmo pode acontecer com o BE (1900 votos nas autárquicas), ainda que os dois cabeças de lista sejam bem distintos. Começa hoje uma corrida intensa a Santa Clara.

Guimarães está a mudar...

... mas ainda não foi desta.