O cinema ao povo

Até quando Magalhães?
Fotografia de Guimarães Digital.Passaram três semanas desde a apresentação do projecto de Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012 e o projecto (se é que existe) continua fechado a sete chaves. Aliás, nada se sabe dele para além do que nos disseram as bonitas palavras de 14 de Julho. A página da Autarquia dedicada ao assunto parou em Novembro de 2008 e nenhum novo site foi lançado, bem como nenhuma novidade se soube mais.
Parece-me que só lá para Setembro, com a mítica reentré e o aquecimento dos ânimos da campanha autárquica teremos novidades. Serão servidas ao gosto eleitoral. Magalhães pensa que isso chega para encher os olhos aos vimaranenses e que lhe garantirá a reeleição. É possível que esteja certo e que a sua aposta em mostrar obra passada e projectos de projectos para futuro sirvam. É possível que a aposta que fez em jogar tudo em resultados de anteriores mandatos e no capital de confiança que pensa inspirarem esses mesmos resultados saia vencedora. É possível. Mas não é correcto, não é ético nem democrático.
Os vimaranenses continuam afastados da cozinha de Santa Clara, onde 2012 e o futuro da cidade se está a preparar. É isto que queremos para a nossa cidade?
Eu não. Prefiro isto.
As Gualterianas
Para começar, houve uma feira de artesanato; não era como a de Vila do Conde mas estava bem melhor do que foi antes de decidirem acabar com ela. Depois, houve verdadeira animação pela cidade, com concertos em diversos pontos e por vezes em simultâneo. Terei de salientar o concerto da Banda Musical de Pevidém no Largo do Toural, uma óptima ideia para o local.
Por outro lado, melhorou a vida na cidade por estes dias. Ainda é difícil circular a pé ou de automóvel à noite, mas consegue-se atravessar melhor a cidade desde que acabaram com os vendedores ambulantes pela Alameda de São Dâmaso fora e com a música estridente das Hortas.
Não são as minhas festas e duvido que alguma vez venham a ser, mas tornaram-se para mim, sem dúvida, mais agradáveis.
Das listas legislativas
O PS de Guimarães zangou-se com os camaradas da distrital. Porque queria manter dois deputados na Assembleia da República, perdida que está para as estruturas nacionais a presença de Sónia Fertuzinhos.Das listas autárquicas – um twit
Se o presidente do CAR está na lista do PSD e o presidente do Convívio está na lista do PS, quer dizer que o CAR é de direita e o Convívio de esquerda?
Das listas autárquicas (V)

António Magalhães tinha dito que “ia ao mercado” buscar um vereador para o Urbanismo. A Lei da Paridade também já obrigava a uma alteração na lista socialista. A solução acabou por não ser tão ousada quanto se supunha das palavras do autarca.
Alexandra Gesta, ex-estrela do Património vimaranense, técnica proscrita e agora recuperada, é a grande novidade. Mas Magalhães põe ter oferecido um presente envenenado à arquitecta. O Bloco, o PCP e a crise social podem pôr em causa a maioria absoluta. E Gesta é precisamente a número seis, ou seja, a vereadora que pode “desempatar” a contenda. A arquitecta pode, por isso, expor-se em demasia para depois…volta ao gabinete técnico.
A outra novidade é a saída de Armindo Costa e Silva, que até sai com um bom trabalho feito e uma das obras do último mandato no currículo. O seu substituto é Amadeu Portilha, que depois de ter chegado à vereação em face da saída de Júlio Mendes, tem agora um lugar à medida do trabalho partidário que protagoniza e das suas próprias ambições.
Nos primeiros lugares da lista não há alterações. Mas parece-me relevante o sétimo lugar de José Luís Araújo. As negociações falhadas para a lista de deputados à Assembleia da República terão algo que ver com isto.
Das listas autárquicas (IV)

O PSD defende uma gestão política que pense em todo o concelho e não apenas na cidade e isso vê-se na lista à Câmara. Dos 11 nomes apresentados, há cinco autarcas das freguesias e um ex-autarca. Só que estão quase todos nos lugares mais baixos da lista, o que não deixa de ser uma fragilidade.
O único em lugar elegível é Daniel Rodrigues, presidente da junta de Ronfe, que assim dá mais um passo na ascensão que vem fazendo nos últimos anos. Mas, na minha opinião, o grande “reforço” social-democrata é André Coelho Lima.
Depois de todo o trabalho desempenhado enquanto líder da bancada da AM, onde levou Magalhães a cometer um dos grandes erros do mandato, terá agora um palco mais destacado para mostrar argumentos. E o presidente de Câmara terá, em caso de vitória, que ignorar a cada 15 dias a presença de Coelho Lima, se quiser ser coerente. Ou resolver de vez um problema que nunca o foi, se quiser ser responsável.
Quanto ao mais, a lista do PSD não oferece, no que toca a lugares elegíveis, grandes novidades. José Manuel Antunes mantém-se como “número 2” de forma expectável, até por ser o líder da concelhia, enquanto Luísa Oliveira é promovida por força da Lei da Paridade. Olhando para a lista social-democrata mais uma vez destaco a vitalidade da JSD: Joana Bourbon é a sexta o Alexandre Barros da Cunha é o sétimo. Em caso de vitória, um deles até podia ser vereador.
Das listas autárquicas (III)
A lista do PS à Assembleia Municipal é menos fértil em surpresas do que a social-democrata. Desde logo, mantém-se o cabeça-de-lista, Remísio de Castro, que os socialistas dão como reeleito, a avaliar pela forma como foi anunciado no sábado – “o homem que vai presidir aos trabalhos na AM”.
O PS mantém também os melhores elementos. Desde logo Miguel Laranjeiro, que quando intervém na assembleia destoa pela qualidade. Depois há Miguel Alves, o líder parlamentar, José Lopes e Paula Oliveira. A novidade chama-se Armindo Costa e Silva que, abandonando a vereação, terá assento na bancada. Mas a candidatura parece-me menos forte para um combate “mano-a-mano” com um PSD reforçado. Pelo menos em número de gente com talento parlamentar.
Apesar disso, destaco o regresso de Raúl Rocha, que andou afastado mas é um histórico da política local, e as entradas já salientadas de Bastos e Torrinha. Novos são também Rogério Pais, que desconheço, Gabriel Pontes, administrador hospitalar, e Sandra Traquino, professora. Contas feitas, está quase tudo na mesma na bancada socialista.
Das listas autárquicas (II)

O desafio para Vasconcelos será manter, durante quatro anos, a coesão das diferentes facções, depois de um trabalho que se advinha ter sido difícil para coser todos estes nomes na lista apresentada há dias. É uma boa jogada política. Além de passar uma imagem de união do partido, agora que Magalhães se aproxima do fim, deixa as hostes mais próximas para 2013.
Esse pode ser o calcanhar de Aquiles do PSD em toda a campanha. O partido parece jogar mais no futuro do que no presente. Mas, assumindo a reeleição do PS, Magalhães e seus pares terão pela frente quatro anos de “martírio”. A oposição está mais forte.
Roriz Mendes e Paula Damião foram escrutinadores ferozes da acção socialista no mandato anterior. Vítor Borges e Vasconcelos bons no debate, até por força da profissão. E depois há Luís Cirilo, disposto a mostrar que Gaia não lhe tirou vitalidade, Emídio Guerreiro, e Esser Jorge.
Uma última nota: há muito sangue novo na lista do PSD. No último mandato, surgiu uma surpresa chamada Francisca Almeida. Mantém-se por lá, como também está o líder local Alexandre Barros da Cunha, num total de seis “jotas”. E o líder nacional, Pedro Rodrigues, que pode assim mostrar serviço na sua cidade.
O presidente do Vitória...
...devia meter 2,2 milhões de euros do próprio bolso na conta do clube. Foi quanto custou a incompetência de não ter sabido manter Ghilas.Das listas autárquicas (I)

Com a divulgação da lista do PSD à Câmara Municipal ficamos a conhecer as equipas com que os dois principais partidos se apresentam às eleições locais do próximo Outubro. Desde logo duas semelhanças: nos primeiros lugares das listas à câmara há duas alterações em cada partido. Mas as semelhanças terminam aqui.
Existem várias surpresas. Desde logo a aposta do PS em Alexandra Gesta que, embora se estivesse a desenhar há alguns dias, não era previsível há dois ou três meses e ainda menos há dois ou três anos quando a arquitecta passou de “estrela” da recuperação urbana de Guimarães a técnica proscrita.
A outra grande surpresa é a lista do PSD à Assembleia Municipal. Carlos Vasconcelos – que lidera a lista, transitando da vereação – teve desde já o mérito de conseguir unir as várias facções do partido, passando uma imagem de unidade que pode ter um efeito catalisador importante para um bom resultado em Outubro e…em 2013.
A terceira grande surpresa é a ausência de Rui Victor Costa, candidato pelo PSD à Câmara em 2001 e 2005, de todas as listas do partido, depois de oito anos em que foi o principal rosto da oposição.
Além destas três surpresas major descubro algumas mais pequenas. Na lista do PS à Câmara, José Augusto Araújo é o sétimo, tão perto da vereação que podemos perceber a sua “futuribilidade” (roubei a palavra aos espanhóis) como vereador. Nas hostes socialistas, há novidades na Assembleia: o director da Oficina e do CCVF, José Bastos; o presidente do Convívio, José Torrinha; e o regresso de Raúl Rocha. No PSD, surpreendem-me Pedro Rodrigues, Esser Jorge e o regressado Luís Cirilo.
A Feira volta a casa
Os novos vereadores PS
A Lei da Paridade veio obrigar a alterações. Assim, sai Costa e Silva, já há muitos anos tido como um dos possíveis "removíveis", dando lugar a Alexandra Gesta.
Não deixa de ser interessante esta remodelação. Por um lado, a arquitecta que durante anos dirigiu e deu visibilidade ao Gabinete Técnico Local. Lembremo-nos que Alexandra Gesta saiu dessa posição depois de profundos desentendimentos com o vereador que tutelava o gabinete, Júlio Mendes, que acabou por cair há uns meses.
Amadeu Portilha vai em quinto lugar. Após anos e anos afastado dos lugares elegíveis e depois de António Magalhães ter demonstrado por ele algum desprezo e má vontade, eis que Portilha ascende à vereação. Caso se verifique o cenário que muitos especulam, de o PS voltar a ganhar as eleições embora perdendo a maioria absoluta, é provável que este antigo dirigente da Juventude Socialista consiga um pelouro em Santa Clara. Nesse caso terá de deixar a direcção da Tempo Livre, que lidera desde a sua criação. Será interessante ver quem lhe sucederá...
O bom exemplo

Colina da má língua
O novo Toural
Há Manta (2)

Mia Couto em Guimarães
Silvestre Vitalício afasta-se da cidade e do mundo. Com os dois filhos – Mwanito e Ntunzi –,
mais o criado ex-militar Zacarias Kalash, faz-se transportar pelo cunhado Aproximado
para o lugar mais remoto e inalcançável.
Aí, numa velha coutada de caça em ruínas, funda o seu refúgio, a que dá o nome de Jesusalém,
porque a vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado".
Jesusalém, Mia Couto (2009)
Jesusalém é já consagrada pelos críticos como a melhor obra do autor, uma narrativa em prosa ao estilo poético do Moçambicano.
Há Manta

O festival de Manta começa hoje. Apesar de a edição deste ano parecer amaldiçoada (para que acredita nisso), com a anulação de Jose Gonazalez e a chuva de hoje. Nos magníficos jardins do Centro Cultural de Vila Flor há para ver, hoje e amanhã, duas propostas muito boas. Hoje são estes rapazes e raparigas de Nova Iorque, Bishop Allen, que têm um disco recomendável, com as viciantes Tha Ancient Commonsense of Things e Clik Clik Clik que já me conquistaram. Às 22h00, com entrada livre.
Da discussão necessária
O PCP de Guimarães organiza, esta noite, um debate sobre a CEC. Ainda que o projecto já esteja em marcha, é ainda particularmente pertinente debater o que pode significar 2012 e o que pode cada organização e cada cidadão dar ao projecto. Ru Sá, vereador da Câmara do Porto, Ruben de Carvalho, autarca em Lisboa, e João Salgado, deputado municipal vimaranense, tentam lançar as pistas, a partir das 21h30, na sede da ACIG.Reflexos de ontem
Já o Público remeteu a notícia para a última página da secção Local, página partilhada pelo "Local" de Lisboa e do Porto. É inacreditável que este diário de referência dê, num texto quase do mesmo tamanho, direito a constar na secção Nacional à notícia da suspensão do advogado do Bibi (qual é o nome dele mesmo?) e remeta a notícia de um evento de dimensão EUROPEIA para as páginas menos lidas.
Das televisões só acompanhei os telejornais da noite dos três canais de sinal aberto. A SIC foi a única que deu a reportagem (pelo menos que eu tivesse visto), fazendo um directo do Grande Auditório do CCVF, com o jornalista a falar num tom tão baixo que se tornava quase imperceptível. Para piorar, estava a falar por cima do discurso de José Sócrates. Nem um minuto dedicou ao assunto.
Pode ser que agora que uma das agências de comunicação do PS está a trabalhar com o projecto as coisas mudem um bocado. Será interessante acompanhar a evolução da atenção mediática ao evento...
Nota: no meio disto tudo, o jornal que melhor está a acompanhar o projecto é o bracarense Diário do Minho. Obrigado, Braga!
Circulo de Arte e Recreio
A Comunicação na CEC
Não passei pelo CCVF ontem, na apresentação do projecto, mas segundo me disseram o aparato foi imenso. O objectivo seria conseguir impacto nos convidados, o que foi conseguido. A comunicação esteve a cargo da F5C, First Consulting Group. Trata-se de uma empresa recente, com exactamente dois anos de existência mas com um interessante trabalho. Segundo a Meios & Publicidade é, a par da LPM, a principal agência de comunicação a trabalhar com o PS/Governo. À frente desta empresa está João Tocha, um reconhecido profissional do meio. Segundo consta, a empresa já está no terreno, isto é, por aqui/aí, a monitorizar, acompanhar, medir e assessorar.
"Punch heavier then our weight"
O presidente do júri de selecção das CEC deu o mote: em 2012 Guimarães deve fazer mais do que o que a sua dimensão podia pressupor possível. Bob Scott fez rasgados elogios a Guimarães, considerou-a uma "joia escondida " e diz que é fácil apaixonar-se pela cidade: "The moment you come here you fall in love with".Scott estbeleceu uma comparação entre Liverpool e Guimarães. Numa dimensão mais pequena, é possível equivalê-las: ambas históricas, ambas classificadas e ambas vítimas de um processo de declínio económico que fizeram perder quase toda a indústria. Tal como Liverpool, Guimarães deve regenerar-se pela Cultura. E Bob Scott entende que isso é possível, sublinhando desde logo o projecto de reabilitação de Couros.
A "uniqueness" do envolvimento com a universidade e com a região que envolve a cidade é outro dos trunfos apontados pelo líder do júri da Comissão. "Guimarães tem fome e entusiasmo", disse, antevendo que Guimarães pode tornar-se uma referência europeia para as cidades da sua dimensão, se a CEC correr como previsto.
A avaliação, deve fazer-se lá paea 2020. Nessa altura, Guimarães deve poder olhar para trás, avaliando a sua importância e perceber que foi a CEC capaz de começar a dinâmica que pode dar outra importância à cidade.
José de Guimarães e a CEC
De salientar que, com esta exposição e a óptima aceitação nos média que está a ter, a colecção e o futuro centro saem bastante valorizados.
Criatividade. Participação. Regeneração

A CEC será construída à volta de três pilares: Regeneração Social, criando uma cidade como academia criativa; Economia Criativa, baseada numa cidade que será o primeiro cluster criativo português e que já avançou com colaboração com universidades estrangeiras, incluindo o MIT; Regeneração Urbana.
O anúncio foi feito ontem por Carlos Martins, o gestor do projecto da CEC. Aquele responsável sublinhou o que Cristina Azevedo já tinha anunciado: “Nenhum evento vai acontecer por catálogo. Nada poderá ser visto em Guimarães em 2012 que tenha sido visto em qualquer outro ponto do mundo”.
O programa cultural “não está fechado” e terá a participação da comunidade, as residências artísticas e a utilização das tecnologias como bases. A participação dos vimaranenses será o maior trunfo, antecipa Carlos Martins.
O gestor anunciou também que 80 por cento dos 111 milhões orçamentados já estão assegurados, através de acordos e candidaturas já aprovadas a fundos comunitários. O logo da CEC ainda não foi apresentado porque será feito um concurso para a sua realização. No site da Capital, que devia ter sido hoje posto online, será possível deixar sugestões e ideias para o evento.
Estamos em boas mãos

Ponto prévio: O discurso de Cristina Azevedo foi absolutamente brilhante. Se o conteúdo for tão bom como a forma, a CEC está em boas mãos.
Para Cristina Azevedo, vivemos um tempo em que é necessário “refundar o futuro”. Para a presidente da Fundação Cidade de Guimarães não há “nenhum outra cidade que o poderá fazer melhor”.
A responsável prometeu que a CEC “não será uma festa”. “Não vamos comprar por catálogo, vamos antes criar novos empregos e soltar a criatividade”, afirmou. E acrescentou: “esta é uma iniciativa que construiremos e não compraremos”. A ideia é criar “fábricas de ideias” que potenciem o crescimento e a internacionalização.
Cristina Azevedo realçou o lado “cosmopolita” de Guimarães, que lhe é conferido pelo facto de ser uma “capital de caixeiros viajantes”. Essa dimensão viajante da cidade deve ser recuperada pela CEC.
A presidente da Fundação convidou também todos os municípios portugueses a visitarem oficialmente Guimarães em breve, porque esta será “a grande montra europeia de Portugal em 2012”.
Outra das propostas é o restabelecimento do Caminho de Santiago entre Guimarães e Compostela, criando uma espécie de Xacobeo vimaranense.
Cristina Azevedo anunciou também os nomes que vão integrar a Fundação Cidade de Guimarães. Retive alguns: Adriano Moreira, José Manuel dos Santos, a Fundação Martins Sarmento, Fundação Casa da Música e Fundação de Serralves.
111. Nem mais.

Contrariamente ao que se antecipava por estes dias, não haverá reforço orçamental da CEC. Nem mais um cêntimo do que os 111 milhões para 2012. Na sessão de apresentação, José Sócrates, sublinhou o compromisso do governo com a CEC, falou da “dimensão nacional do projecto” e da “concordância do governo com a ambição” da cidade.
O primeiro-ministro diz confiar “nos vimaranenses e naqueles que vão dirigir a Fundação Cidade de Guimarães” e acrescenta que Portugal se deve sentir “honrado por estar representado na Capital da Cultura por Guimarães”. “De todas as cidades portuguesas, esta é aquela de que todos os portugueses se sentem um pouco cidadãos”, foram as palavras do governante.
Sócrates realçou ainda a “oportunidade de afirmação da cidade”, de elevação da sua dimensão cultural e de “criação de mais emprego criativo que puxe pelo talento dos cidadãos”, que a CEC se pode afigurar.
A CEC na comunicação social
A CEC começa agora

19h15 - Além do aguardado discurso de José Sócrates, estão previstas as intervenções de António Magalhães, Bob Scott, Cristina Azevedo (Presidente da Fundação Cidade de Guimarães), Carlos Martins (Gestos do Projecto CEC 2012) e do ministro da Cultura.
19h27 - Capital da Memória, Capital de Vida, Capital de Criação, Capital de Ideias, Capital da Cultura. Estas são as ideias fortes da CEC que constam no vídeo promocional já divulgado à comunicação social e nos vários suportes promocionais espalhados pelo CCVF.
19h30 - Mais Emprego, Mais Visibilidade, Mais Atractividade, Mais Criatividade, anuncia-se no vídeo promocional. 6 mil artistas, mil dos quais de outros países europeus, são esperados no evento. Sócrates chegou neste momento ao CCVF.
19h37 - Os convidados entram na sala. Dentro de momentos começará a sessão.
19h43 - Esta é um sessão "Carbono Zero", é anunciado pela organização. Toda a CEC será feita tendo esta questão em atenção. Discursa Magalhães.
19h48 - Magalhães sublinha que a CEC é o reconhecimento do governo do trabalho da cidade na reabilitação urbana e na cultura. Presidente da Câmara sublinha as dificuldades do projecto, mas promete transparência e solidariedade na realização do projecto. "Não é uma meta de Guimarães, é uma meta do país".
19h56 - Magalhães sublinha unanimidade nas votações sobre a CEC em reuniões de Câmara e justifica secretismo à volta do projecto como forma de garantir o seu sucesso. Presidente sublinha ainda boa relação com a Universidade do Minho.
Uma avaria no computador impediu-me de continuar a acompanhar em directo a apresentação. Dentro de momentos, um texto global sobre a apresentação.
Notas futebolísticas
O reinado mais longo

Um funeral?
Será que se acabaram as boas ideias? O que é que o grupo Santiago ganha com isto a não ser má publicidade e uma imagem claramente degradada?
Ca burro!
A falsa questão Norte-Sul
Muito se tem falado sobre o investimento nacional na região sul em detrimento do norte do país. Tais queixas motivaram recentemente uma acto oficial de Rui Rio, presidente da câmara do Porto. A sustentação da queixa está assente nas supostas obras feitas em Lisboa com dinheiro que estava previsto para a zona Norte. Só que a pré-campanha de uma luta que se adivinha complicada para Rio pode ter apressado o autarca a querer preencher as noticias com argumentos que põe qualquer portuense ou nortenho bairrista (que pleonasmo!) do seu lado.De 93 a 99, no QCA II, a zona de Lisboa e Vale do Tejo açambarcou mais de um terço das verbas com que o Pais foi dotado. No QCA seguinte, houve uma diminuição de 50% do valor representativo dessa cota. Passou de 33 a 15%. No que ao QREN diz respeito, Lisboa contará apenas com 2.7% dos quase 20 mil milhões de euros da tranche entregue a Portugal. Esta redução ímpar na história do fundos comunitários vem de encontro aos pedidos contínuos das regiões menos desenvolvidas e de outras a necessitar de reconfigurações a diversos níveis: Se Lisboa é Portugal, refiro-me aos arredores, ou seja tudo o resto em que não se investiu o necessário em tantos anos de fundos comunitários.
No entanto a Comissão Europeia e o Governo Português reflectiram e aperceberam-se, por alerta inicialmente de Bruxelas, que a redução brusca dos investimentos na capital portuguesa, sendo esta geradora de riqueza e sede de actividades, como os centros de apoio ao financiamento ou serviços centrais administrativos, de que depende o resto do pais, poderia ter efeitos nefastos no crescimento económico das outras regiões.
Mas mesmo estes casos são excepcionais e em número reduzido. Ou seja, ao contrário da informação que tentaram passar, não vão ser transferidos grandes investimentos dos fundos atribuídos ao norte, para Lisboa. Senão vejamos, até 31 de Março de 2009, mais de 40% das verbas do QREN distribuídas em Portugal, destinam-se à região Norte. Monitorizável por todos, aqui.
Aliás, podemos afirmar sem grandes receios, que nunca Portugal assistiu, proporcionalmente falando, a um tal investimento no Norte e interior do país em detrimento da grande capital.
O desinvestimento no Norte II
É de espantar que, de uma região tão fragilizada economicamente, se deixem transferir fundos a ela destinados para a região mais rica do país. Mais, o Norte do país, em vez de estar a trilhar o caminho mítico da convergência com a Europa, está a divergir. Desde 1999 que o PIB per capita em paridade de poderes de compra português se afasta da média europeia, tendo sido em 2008 de 73,7% da média da UE a 27.Procurei dados sobre as diversas regiões NUT II portuguesas que me permitissem comparar a realidade da região Norte, mas o que encontrei foram apenas referências indirectas (admito que por possível falha minha). O Norte de Portugal está a 59% da média da UE a 27, sendo portanto das regiões mais pobres do país.
Daí o relevo que adquire a fuga de mais investimentos para Lisboa, quando faltam tantos por cá. Daí, principalmente, a importância das falhas na execução do QREN.
Na minha breve pesquisa encontrei um outro estudo interessante: a análise das receitas médias das famílias por regiões em 1990 e 1995. Bem sei que este é um indicador diferente, pelo que uma comparação directa não é legítima, mas permite-nos bem ter uma ideia da realidade nacional.

O desinvestimento no Norte I
Há duas semanas, a queixa apresentada pelo Presidente da Câmara do Porto pelo uso indevido de verbas do QREN para investimentos na região de Lisboa foi notícia nos principais órgãos de comunicação social do país. No entanto, não vi nenhum deles a investigar aquilo que Rui Rio disse e a ver se há outros possíveis abusos.O QREN destina-se a financiar investimentos estratégicos para o futuro do país, dividido nas suas diversas regiões. Por investimentos estratégicos entendem-se os vários sectores identificados nos relatórios, sobretudo centrados na promoção da competitividade, na valorização do potencial humano e na valorização do território. Este programa da União Europeia pretende abranger o período de 2007 a 2013, pelo que é de espantar as baixíssimas taxas de execução do mesmo quando vamos quase a meio do período a que se reporta.
Em seguida mostro dois quadros retirados do Programa Operacional para a Região Norte 2007-2013 (clicar para ampliar).
Habemus Projectus!

Dia 14 deste mês, o grande timoneiro tem a agenda livre e pode vir ao Berço apresentar o projecto. Um mês após ter admitido que um dos poucos erros que cometeu durante esta legislatura foi ter apostado pouco na Cultura, eis que o chefe vem a Guimarães apresentar um grande projecto de sucesso, que irá projectar a cidade para o futuro, nesta urbe que é um exemplo de recuperação e conservação do património. Mais coisa menos coisa, penso que serão estas as suas palavras.
Parece que virá a Guimarães envolto numa aura de salvador: vem cá também anunciar um envelope financeiro para o projecto, a fatia que faltava e que nos vai tirar da penúria.
Então, com Sampaio e Sócrates por companhia, Magalhães ficará contente, e qual sagrada família - a que não faltarão burrinhos - poderão começar a obrar. Nós, vimaranenses, cá estaremos daqui a uns tempos para ir adorar nascimento da coisa.
De regresso
Depois de um ano de interregno, o RiT está de regresso. Do cartaz destaco Peixe:Avião e Bombazines: Zen e Marta Ren são uma excelente combinação. Hoje e amanhã no parque das Taipas. A entrada é grátis.
Manta grátis
Tal como tínhamos antecipado o concerto de José Gonzalez foi cancelado pelo cantor. A duas semanas do Manta era difícil à organização encontrar uma alternativa para o cartaz no dia 18.Uma equipa para a Europa (2)

No meio campo existe qualidade, mas já no passado existia, porém, desta vez poderemos esperar mais de jogadores como Custódio ou João Alves, por exemplo. Custódio chegou a meio da época, vindo de um clube onde deixou de ser opção. Carecia claramente de uma pré-época. João Alves não conseguiu mostrar a mesma consistência da sua primeira época em Guimarães, mas continua a ser o preferido para ocupar o lugar de médio-centro ou “box-to-box”.
Flávio, Moreno e Desmarets também têm uma palavra a dizer e será uma luta interessante. Qualquer um deles parece-me capaz de agarrar a titularidade. Nuno Assis será o indiscutível e, depois de assumir hoje que rejeitou propostas mais vantajosas financeiramente para continuar no Vitória mostrou, pelo menos, crença no projecto deste ano, bem como mostrou o amor que sente ao clube – que pareceu um pouco dúbio depois da sua saída para a Luz.
No ataque, falta apenas perceber o talento de Kamani e Santana (que não conseguiu a adaptação pretendida), e falta descobrir se Jorge Gonçalves volta a Portugal para jogar ao nível que habituou os sócios do Leixões. Marquinhos continua a esperança, depois de um época em que evoluiu bastante e Douglas será a grande esperança vitoriana. É inegável que este é um dos melhores elementos do Vitória 2009/2010.
Concluindo, parece-me somente que se se confirmar a saída de Roberto e Cícero faltará um ponta de lança à equipa. Wéldon seria o jogador ideal, e sabido o interesse do Vitória, pode ser uma realidade a vinda do goleador brasileiro.
Com um plantel que me parece equilibrado pedir menos que a Europa seria um ultraje. A concorrência vai ser dura, e se a nossa defesa provar a sua qualidade poderemos ter uma época de grande nível. Infelizmente os prognósticos costumam ser um pouco coloridos para os lados vimaranenses, porém, se o treinador assume que se pode fazer melhor que o quinto lugar, por que razão não podemos exigir o mesmo?
Por Fábio Pereira
Uma equipa para a Europa (1)

O Vitória começou hoje – na prática – a nova época desportiva com 32 jogadores ao dispor de Nelo Vingada. Na apresentação o novo técnico vitoriano deixou explícito que queria um plantel com 25 jogadores, contando com 3 guarda-redes, e 22 jogadores de campo.
Depois da saída de Manuel Cajuda (concordemos ou não com ela) há alguns factores que podem beneficiar o Vitória. Os vícios antigos ou as substituições “Sai Roberto entra Luís Felipe” felizmente desaparecem. Outros vícios crescerão, mas temos que estar habituados a isso, a novidade é que, em princípio, apenas mudará o tipo de vício, e nova aragem dá sempre para respirar um pouco mais.
Fazendo contas, para o Vitória ter uma equipa com 25 jogadores precisará de dispensar 7 jogadores, que a meu ver – e por razões diferentes - serão: Andrezinho e Roberto, de modo a permitir um encaixe financeiro; Wênio e Carlitos, que fizeram um ano miserável em que não mostraram razões para continuar; e Cícero e Felipe, que carecem os dois do problema da adaptação. Não houve paciência com estes dois jogadores, sendo que com Cícero a paciência ainda é menor. Também Tiago Targino e Lamelas podem estar na calha para empréstimos a outros clubes, mas talvez continuem…
Targino sofria de um “vício” de Cajuda, que lhe tinha dado um puxão de orelhas e Lamelas é nova aposta. Louvo esta vontade da direcção, e espero que o jogador corresponda.
Contudo, estes jogadores poderão ainda abandonar o Vitória pois Nelo Vingada pode querer também ele introduzir pelo menos dois jogadores escolhidos por si, quem sabe para o lado esquerdo, o tal que Targino e Lamelas também podem ocupar.
Dos que ficam, na baliza, não temos dúvidas que temos qualidade. Mas na defesa surge, quiçá, a maior incógnita. Se Alex e Lionn mostraram que vai ser interessante a luta pelo lado direito, Milhazes assegurou com mestria o seu lado na época anterior e Sereno mostrou ser um grande central, já Mendieta, Lazzaretti e Alencar são completamente desconhecidos, tal como Nelo Vingada já assumiu. Para mim, aqui está um dos factores mais importantes do sucesso vitoriano. Será esta defesa capaz?
Por Fábio Pereira
Vitória 2010
9,9 milhões para a regeneração urbana
Guimarães assinou ontem o contrato com a CCDR-N que permite viabilizar um investimento de de 9,97 milhões de euros na regeneração urbana da cidade. As verba proveniente do QREN vai ser canalizada para as intervenções no Toural, Alameda e Santo António; largo do Carmo, Colina Sagrada e campo de São Mamede, bem como um projecto de anmação pedagógica do centro histórico.
Esquerda anódina

Na assembleia municipal de sexta-feira, um dos dois deputados do Bloco de Esquerda questionou a câmara sobre “problemas em propriedades privadas” onde, segundo ele, “há mato até às telhas”, pedindo ajuda à autarquia para resolver os problemas.
No final do primeiro conjunto de perguntas, Magalhães não respondeu. João Ferreira insistiu e o autarca voltou a esquecer-se. O deputado interpela a mesa a volta ao ataque: “Senhor presidente, há gente a sofrer por causa do mato!”.
Num concelho com problemas económicos e sociais gravíssimos, o BE passou a AM a falar de matos e pesticidas. Tem sido mais ou menos assim ao longo de todo o mandato. O partido que é a terceira força a nível nacional é, em Guimarães, um fantasma.
O Bloco anunciou recentemente Alberto Fernandes como cabeça-de-lista à Câmara. Ao deputado municipal nunca ouvi uma proposta sobre a cidade. E até sou espectador assíduo das assembleias. Na AM só lhe conheci posições sobre temas nacionais, decalcadas das opiniões das estruturas nacionais do partido. É obviamente muito pouco.
Se a isto juntamos as dificuldades que o partido teve para encontrar um candidato à autarquia, com vários convites negados e o recurso de última hora à sua própria limitada estrutura local, percebe-se porque é que o Bloco vale tão pouco em Guimarães.
Não deixam de ser boas notícias para o PS e para Magalhães, que podiam perder votos para um BE a sério, mas particularmente para a CDU: Ao contrário do que aconteceu a nível nacional, os comunistas não serão ultrapassados pela esquerda.
Estou certo que a, se a direcção nacional do Bloco, soubesse quem representa o partido em Guimarães, coraria de vergonha.
Campanha 30 por cento

A pré-campanha do PS para as autárquicas está, há pouco mais de uma semana, na rua. Os socialistas munem-se da obra feita como suporte do primeiro contacto com o eleitorado. Para quem estar no poder há tanto tempo, faz sentido.
O que parece fazer menos sentido é que o PS utilize como bandeiras quatro valores que pouco dizem à maioria dos vimaranenses. Além dos cartazes sobre a Educação (na foto) que foram apenas colocados na última semana, o PS apostou em quatro conceitos-chave: Inovação, Ambiente, Cultura e Património.
Entre eles em comum o facto de serem valores pós-industriais e urbanos. Num concelho que vive dias da angústia com a crise da…indústria. E onde apenas 30 por cento da população vive na área urbana.
O PS quer passar uma mensagem de modernidade e futuro, em linha com a sua orientação a nível nacional. Mas é, pelo menos, imprudente assumir esta certeza no futuro quando os vimaranenses vivem tantas dúvidas em relação ao presente. As pessoas querem, como se viu durante a campanha das Europeias, respostas de curto prazo e não promessas diferidas do tempo.
Para terminar: Visualmente os cartazes são maus. A estrutura é exactamente igual à da foto e, portanto, repete os mesmos erros. Uma foto grande é morta com a aposição do slogan em letras garrafais, que ocupam mais de metade do cartaz e impedem a leitura do que está atrás delas. Só a custo se liga a imagem à mensagem.
A ler: É o betão, etúpido!, Esser Jorge no Pegadas de Elefante.
Guimarães com futuro (1)
Pedro Ribeiro tem evoluído muito, desde então. Desenvolveu a arte do turntablism, que aplica em espectáculos de hip-hop ou drum'n'bass. Também as suas produções vão alcançando cada vez mais complexidade e riqueza de texturas. Exemplo disso são as duas músicas disponíveis no seu myspace.
Soube hoje que está a preparar a edição de um álbum seu. É um nome a não perder de vista.
Jorge Sampaio e 2012
O Conselho Geral é o principal órgão deliberativo da fundação, cabendo-lhe pronunciar-se e aprovar as linhas orientadoras da instituição, bem como as demais competências geralmente atribuídas, noutro género de instituições, às Assembleias Gerais. Sampaio não terá funções executivas (embora estas lhe tenham sido oferecidas, através de um convite para Presidente da fundação, que recusou por questões de agenda), sendo antes a figura representativa do projecto.
Jorge Sampaio, secretário-geral do PS no final dos anos 1980, Presidente da Câmara de Lisboa nessa mesma década, Presidente da República de 1995 a 2005, tem também raízes familiares e ligações afectivas a Guimarães. Resta saber qual a mais-valia, para além do reconhecimento público, que trará à Capital Europeia da Cultura. Vale-nos a infeliz certeza de que não poderá, no Conselho Geral, demitir o executivo camarário por não concordar com as suas orientações.
A Presidência do conselho de administração caberá a Cristina Azevedo, que será a grande operacional do projecto, cabendo-lhe escolher os dois outros membros executivos que a acompanharão.
Para além destes nomes, tudo se encontra em aberto. Aos poucos, começam-se a perceber os contornos que 2012 terá.
A CEC e a arquitectura (2)
Das eleições: decisão
Estão finalmente definidas as datas das últimas eleições de 2009. Dia 27 de Setembro vamos às urnas eleger os representantes por circulo eleitoral para a Assembleia da Republica e por consequência o novo Primeiro-Ministro. Duas semanas depois, a 11 de Outubro teremos Autárquicas. A decisão conjunta de Primeiro-Ministro e Presidente da Republica correu bem, e há que reconhecer-lhes o mérito de respeitar a democracia.Durante as férias, é certo, o tema quente será sempre a discussão do trabalho do governo que cessa funções, e sobrarão 15 dias para se discutirem os órgãos de gestão local. Sabendo de antemão que um resultado eleitoral demora sempre uma semana a dissecar, e que tal acontecerá por certo, sobra uma semana eficaz para campanhas autárquicas. Em que se vai discutir muito pouco.
Ganhe quem ganhar a primeira eleição, seja qual for o próximo governo, esse resultado eleitoral trará um élan mais do que suficiente para virar eleições em locais disputados.
Na minha opinião, como já fiz questão de o dizer anteriormente, a solução de fazer ambas as eleições no mesmo dia era um atentado à democracia, mas não deixo de ressalvar que dentro dos prazos que cada eleição tinha como balizas poderiam ter resolvido por datas mais separadas de forma a conseguir ter dois debates distintos e esclarecedores para cada um dos palcos.
Mais ainda, esta proximidade de duas semanas traz um problema acrescido: a mobilização. Será extremamente complicado levar consecutivamente às urnas uma população que acabou, nas Europeias, de dar provas de falta de interesse pela situação politica.
Dentro das possibilidades que se colocavam esta acaba por ser um mal menor. Não satisfaz mas também não atenta contra a democracia. Agora fica na mão dos portugueses.
A ler:
Governo marca data das eleições autárquicas para 11 de Outubro, Publico
Cavaco marca eleições legislativas para 27 de Setembro, Publico
Alex de volta
O Vitória confirmou hoje o regresso de outro filho da terra. Depois de em Dezembro, Custódio ter voltado a reintegrar as fileiras do clube de Guimarães, é agora Alex, que regressa do Wolfsburgo da Alemanha para defender as cores do Rei. Ainda sem treinador anunciado, Alex junta-se a Kamani Hill, David Mendieta, Gustavo Lazzaretti, Tiago Alencar, e Jorge Gonçalves. Até ao final da semana deverá estar concluído o processo de pré-temporada e poderemos parar para perspectivar a temporada. Faltam Pedro Mendes e Fernando Meira.
p.s: E o treinador agora, quem será?
Patifarias
Bilhetes a 10€, com direito a uma bebida se com convite.
Gonzalez em risco
José Gonzalez, um dos nomes confirmados para o festival Manta, no CCVF, cancelou ontem a tour pelo Canadá e EUA. O músico evoca uma doença na família como justificação. Os quatro concertos na Europa, em Julho, podem assim estar em risco, entre eles o de Guimarães.Novo treinador do Vitória
O desastre do S. João em Braga
Fotografia de Renata Oliveira, via Avenida Central.A mim, essa festa pareceu-me uma imbecilidade, perdoem-me os bracarenses o desplante. São os putos com umas gaitas estridentes a bufarem-nas constantemente aos ouvidos de quem passa (apontando-as, mesmo!). São miúdos e graúdos às marteladas, umas dadas na nuca, outras onde calha e de lado, com a parte dura do plástico. É a exorbitância que pagámos para comer umas poucas sardinhas, meia dúzia de batatas a murro (batatas cozidas com pele, melhor dizendo), uma caneca de 50 cl de vinho verde tinto e dois pimentos assados, e esperar 45 minutos os dois à mesa pela refeição (30€!!!).
Para o ano, não volto a repetir o erro. Para o ano, guardo-me para o S. Pedro da Póvoa de Varzim, se os exames mo permitirem. Essa sim, uma grande festa!
24 de Junho: Dia Um de Portugal
Hoje celebra-se, em muitos concelhos do país, o dia de S. João Baptista. Em Guimarães, para fazer jus à nossa fama, não vamos nessa de celebrar santos, por mais santos que tenham sido em vida ou em morte. Os únicos que lembramos no nosso calendário é um santito franciscano, e porque por cá andou...
Em Guimarães celebramos o dia marcante no início da caminhada pela independência. No longínquo ano de 1128, neste preciso dia, travou-se por cá uma batalha entre os nobres minhotos e galegos e afectos a D. Teresa. Muito se pode dizer sobre as motivações de uns e de outros, sobre a dimensão do combate e mesmo sobre onde decorreu. Mas parece indiscutível, à distância, a importância da batalha no caminho para a fundação de Portugal.
Hoje, esta data é apenas lembrada em Guimarães, qual último reduto da Nação, como gostamos de nos pensar. Custa a crer como é possível não haver em Portugal uma única data para celebrar a fundação da Nação. Comemoramos a Restauração da Independência, a República, a Revolução, mas nenhuma data de impacto nacional anterior ao século XVII.
No final do século XIX, o fervor patriótico fez com que se começasse a comemorar, com pompa e circunstância, o falecimento de Camões. A elite republicana e letrada levou o poeta a ser celebrado oficialmente, como símbolo da Nação. Trata-se de uma data com forte carga simbólica, como lembrou António Barreto no 10 de Junho deste ano. No entanto, esta data é hoje encarada com indiferença pelos portugueses: à semelhança de muitos feriados nacionais, pouco lhe diz.
Este ano temos ainda a particularidade de celebrar os 900 anos de nascimento de D. Afonso Henriques, o grande vencedor da batalha que hoje celebramos. Este que foi o nosso primeiro rei e que é das figuras históricas mais acarinhadas pelos portugueses, não é nunca celebrado no calendário oficial.
Numa época em que as identidades se misturam e diluem como nunca, vale a pena reflectirmos sobre o que é isto de nos sentirmos portugueses. Há 881, os nossos antepassados iniciaram um caminho difícil e tortuoso, que levou ao topo do mundo, que nos trouxe aonde estamos agora e que nos levará, talvez, mais longe que nunca. Vale a pena reflectirmos sobre a importância deste dia.
Direita e Esquerda e tudo
Parece ter virado moda entre a Direita vimaranense evocar o legado de José Mário Branco. Depois do slogan do PSD, agora o candidato do CDS à maior vila do concelho escolhe como mote da campanha o título do último álbum do autor de FMI. Há coincidências tramadas.Cajuda conseguiu o que queria

Provincianismos

Há uma semana, o presidente da Câmara deu uma entrevista ao Povo de Guimarães na qual, entre outros assuntos, se debruça sobre a CEC. Três perguntas simples, com três respostas que muito dizem.
a) António Magalhães refere a partilha de projectos com Maribor e com as cidades da região em que Guimarães se insere como uma das "áreas mais importantes" para o evento. Sobre a partilha de responsabilidades com a população e com os agentes culturais vimaranenses nem uma palavra.
b) Para o presidente da Câmara, a CEC é uma “oportunidade para trazer turistas” e para “promover a nossa cidade”. Mais nada. Está ao nível do Europeu de futebol ou do Mundial de andebol. Sobre a oportunidade de se criar uma dinâmica de criação e produção artísticas no concelho, nem uma palavra.
c) Segundo o autarca, o que é “mais urgente mudar” na cidade antes de 2012 é a forma de atendimento dos estabelecimentos de restauração. “Nós temos de convencer sobretudo os que prestam serviço de restauração e similares de que não é possível fazer a vida rotineira de há trinta anos”. Além do atestado de incompetência dos comerciantes do Centro Histórico – que são os principais veículos da hospitalidade que Guimarães tanto reclama – Magalhães volta a mostrar a fixação nos turistas e na figura externa da cidade. Sobre os vimaranenses, nem uma palavra.
A CEC e a arquitectura

Uma das maiores críticas que faço aos projectos apresentados para a Capital da Cultura de 2012 é a falta de arrojo das propostas. Considero excelentes ideias como a Residência de Artistas ou a Casa da Memória e, desconhecendo por inteiro os contornos da mesma, penso que a Plataforma das Artes pode ser uma das mais-valias da iniciativa.
Porém, parece-me claramente limitador que todos os projectos estejam a ser pensados na óptica da requalificação urbana. Percebo que essa seja uma das marcas de Guimarães. Percebo também que seja mais fácil conseguir financiamento para a recuperação de imóveis no âmbito do QREN. Mas considera ser falta de visão estratégica não aproveitar a CEC para criar em Guimarães um imóvel marcante do ponto de vista arquitectónico.
Muita da riqueza da cidade está no património edificado. Mas pergunto-me o que será de Guimarães daqui a 100 anos quando olhar para trás e perceber que o mais interessante que construiu em século e meio foi o pavilhão verde do Multiusos.
Um caso paradigmático é para mim o de Bilbau. Há claramente Bilbao antes e depois do Guggenheim. A atractividade da cidade aumentou claramente, não só pela relevância do museu, mas sobretudo pelo carácter icónico do espaço que o alberga. Ao ponto de haver quem visite o museu e apenas quem o queira ver, porque este vale muito enquanto símbolo da modernidade da cidade basca.
Mais perto de nós, em Santa Maria da Feira, há um bom projecto que terá uma casa que, a ser construída, vale tanto como o que se fizer dentro dela. O Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua da Feira é o exemplo do arrojo arquitectónico que eu queira na CEC.



