A CEC e a arquitectura

Uma das maiores críticas que faço aos projectos apresentados para a Capital da Cultura de 2012 é a falta de arrojo das propostas. Considero excelentes ideias como a Residência de Artistas ou a Casa da Memória e, desconhecendo por inteiro os contornos da mesma, penso que a Plataforma das Artes pode ser uma das mais-valias da iniciativa.
Porém, parece-me claramente limitador que todos os projectos estejam a ser pensados na óptica da requalificação urbana. Percebo que essa seja uma das marcas de Guimarães. Percebo também que seja mais fácil conseguir financiamento para a recuperação de imóveis no âmbito do QREN. Mas considera ser falta de visão estratégica não aproveitar a CEC para criar em Guimarães um imóvel marcante do ponto de vista arquitectónico.
Muita da riqueza da cidade está no património edificado. Mas pergunto-me o que será de Guimarães daqui a 100 anos quando olhar para trás e perceber que o mais interessante que construiu em século e meio foi o pavilhão verde do Multiusos.
Um caso paradigmático é para mim o de Bilbau. Há claramente Bilbao antes e depois do Guggenheim. A atractividade da cidade aumentou claramente, não só pela relevância do museu, mas sobretudo pelo carácter icónico do espaço que o alberga. Ao ponto de haver quem visite o museu e apenas quem o queira ver, porque este vale muito enquanto símbolo da modernidade da cidade basca.
Mais perto de nós, em Santa Maria da Feira, há um bom projecto que terá uma casa que, a ser construída, vale tanto como o que se fizer dentro dela. O Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua da Feira é o exemplo do arrojo arquitectónico que eu queira na CEC.

















