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Esquerda anódina


Na assembleia municipal de sexta-feira, um dos dois deputados do Bloco de Esquerda questionou a câmara sobre “problemas em propriedades privadas” onde, segundo ele, “há mato até às telhas”, pedindo ajuda à autarquia para resolver os problemas.


No final do primeiro conjunto de perguntas, Magalhães não respondeu. João Ferreira insistiu e o autarca voltou a esquecer-se. O deputado interpela a mesa a volta ao ataque: “Senhor presidente, há gente a sofrer por causa do mato!”.


Num concelho com problemas económicos e sociais gravíssimos, o BE passou a AM a falar de matos e pesticidas. Tem sido mais ou menos assim ao longo de todo o mandato. O partido que é a terceira força a nível nacional é, em Guimarães, um fantasma.


O Bloco anunciou recentemente Alberto Fernandes como cabeça-de-lista à Câmara. Ao deputado municipal nunca ouvi uma proposta sobre a cidade. E até sou espectador assíduo das assembleias. Na AM só lhe conheci posições sobre temas nacionais, decalcadas das opiniões das estruturas nacionais do partido. É obviamente muito pouco.


Se a isto juntamos as dificuldades que o partido teve para encontrar um candidato à autarquia, com vários convites negados e o recurso de última hora à sua própria limitada estrutura local, percebe-se porque é que o Bloco vale tão pouco em Guimarães.


Não deixam de ser boas notícias para o PS e para Magalhães, que podiam perder votos para um BE a sério, mas particularmente para a CDU: Ao contrário do que aconteceu a nível nacional, os comunistas não serão ultrapassados pela esquerda.


Estou certo que a, se a direcção nacional do Bloco, soubesse quem representa o partido em Guimarães, coraria de vergonha.

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Campanha 30 por cento



A pré-campanha do PS para as autárquicas está, há pouco mais de uma semana, na rua. Os socialistas munem-se da obra feita como suporte do primeiro contacto com o eleitorado. Para quem estar no poder há tanto tempo, faz sentido.


O que parece fazer menos sentido é que o PS utilize como bandeiras quatro valores que pouco dizem à maioria dos vimaranenses. Além dos cartazes sobre a Educação (na foto) que foram apenas colocados na última semana, o PS apostou em quatro conceitos-chave: Inovação, Ambiente, Cultura e Património.


Entre eles em comum o facto de serem valores pós-industriais e urbanos. Num concelho que vive dias da angústia com a crise da…indústria. E onde apenas 30 por cento da população vive na área urbana.


O PS quer passar uma mensagem de modernidade e futuro, em linha com a sua orientação a nível nacional. Mas é, pelo menos, imprudente assumir esta certeza no futuro quando os vimaranenses vivem tantas dúvidas em relação ao presente. As pessoas querem, como se viu durante a campanha das Europeias, respostas de curto prazo e não promessas diferidas do tempo.


Para terminar: Visualmente os cartazes são maus. A estrutura é exactamente igual à da foto e, portanto, repete os mesmos erros. Uma foto grande é morta com a aposição do slogan em letras garrafais, que ocupam mais de metade do cartaz e impedem a leitura do que está atrás delas. Só a custo se liga a imagem à mensagem.


A ler: É o betão, etúpido!, Esser Jorge no Pegadas de Elefante.

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Guimarães com futuro (1)

Spark é o nome artístico de Pedro Ribeiro, jovem de 22 anos que acaba agora a licenciatura em Som e Imagem. Desde jovem que vem desenvolvendo a sua veia musical, como dj e produtor. Ganhou alguma notoriedade com o projecto Da Firma, grupo de hip-hop vimaranense que alcançou sucesso local e regional.

Pedro Ribeiro tem evoluído muito, desde então. Desenvolveu a arte do turntablism, que aplica em espectáculos de hip-hop ou drum'n'bass. Também as suas produções vão alcançando cada vez mais complexidade e riqueza de texturas. Exemplo disso são as duas músicas disponíveis no seu myspace.

Soube hoje que está a preparar a edição de um álbum seu. É um nome a não perder de vista.
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Jorge Sampaio e 2012

Jorge Sampaio, na visão de Paula Rego.

Segundo o Público de hoje, Jorge Sampaio presidirá ao Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, a fundação que tratará da concepção, planeamento, promoção, execução e desenvolvimento do programa cultural da Capital Europeia da Cultura 2012.

O Conselho Geral é o principal órgão deliberativo da fundação, cabendo-lhe pronunciar-se e aprovar as linhas orientadoras da instituição, bem como as demais competências geralmente atribuídas, noutro género de instituições, às Assembleias Gerais. Sampaio não terá funções executivas (embora estas lhe tenham sido oferecidas, através de um convite para Presidente da fundação, que recusou por questões de agenda), sendo antes a figura representativa do projecto.

Jorge Sampaio, secretário-geral do PS no final dos anos 1980, Presidente da Câmara de Lisboa nessa mesma década, Presidente da República de 1995 a 2005, tem também raízes familiares e ligações afectivas a Guimarães. Resta saber qual a mais-valia, para além do reconhecimento público, que trará à Capital Europeia da Cultura. Vale-nos a infeliz certeza de que não poderá, no Conselho Geral, demitir o executivo camarário por não concordar com as suas orientações.

A Presidência do conselho de administração caberá a Cristina Azevedo, que será a grande operacional do projecto, cabendo-lhe escolher os dois outros membros executivos que a acompanharão.

Para além destes nomes, tudo se encontra em aberto. Aos poucos, começam-se a perceber os contornos que 2012 terá.
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A CEC e a arquitectura (2)

Depois do meu texto sobre o tema, a que o Pedro Morgado deu eco no Avenida Central, a Cláudia Rocha Gonçalves, no seu "Entre Avenidas" do mesmo blogue discorda da minha opinião.
Apesar dos pontos de vista divergentes, aconselho vivamente a leitura ao artigo. É mais uma posição interessante para este debate que me parece fazer particular sentido na cidade e na região.
E, por muito que não vá a tempo para 2012 (os projectos estão praticamente fechados), pode abrir perspectivas interessantes para a próxima década.
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Que tens tu

a ver com isto, Cajuda?
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Das eleições: decisão

Estão finalmente definidas as datas das últimas eleições de 2009. Dia 27 de Setembro vamos às urnas eleger os representantes por circulo eleitoral para a Assembleia da Republica e por consequência o novo Primeiro-Ministro. Duas semanas depois, a 11 de Outubro teremos Autárquicas. A decisão conjunta de Primeiro-Ministro e Presidente da Republica correu bem, e há que reconhecer-lhes o mérito de respeitar a democracia.

Durante as férias, é certo, o tema quente será sempre a discussão do trabalho do governo que cessa funções, e sobrarão 15 dias para se discutirem os órgãos de gestão local. Sabendo de antemão que um resultado eleitoral demora sempre uma semana a dissecar, e que tal acontecerá por certo, sobra uma semana eficaz para campanhas autárquicas. Em que se vai discutir muito pouco.
Ganhe quem ganhar a primeira eleição, seja qual for o próximo governo, esse resultado eleitoral trará um élan mais do que suficiente para virar eleições em locais disputados.

Na minha opinião, como já fiz questão de o dizer anteriormente, a solução de fazer ambas as eleições no mesmo dia era um atentado à democracia, mas não deixo de ressalvar que dentro dos prazos que cada eleição tinha como balizas poderiam ter resolvido por datas mais separadas de forma a conseguir ter dois debates distintos e esclarecedores para cada um dos palcos.

Mais ainda, esta proximidade de duas semanas traz um problema acrescido: a mobilização. Será extremamente complicado levar consecutivamente às urnas uma população que acabou, nas Europeias, de dar provas de falta de interesse pela situação politica.
Dentro das possibilidades que se colocavam esta acaba por ser um mal menor. Não satisfaz mas também não atenta contra a democracia. Agora fica na mão dos portugueses.

A ler:
Governo marca data das eleições autárquicas para 11 de Outubro, Publico
Cavaco marca eleições legislativas para 27 de Setembro, Publico
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Alex de volta

imagem de Guimaraesdigital.com

O Vitória confirmou hoje o regresso de outro filho da terra. Depois de em Dezembro, Custódio ter voltado a reintegrar as fileiras do clube de Guimarães, é agora Alex, que regressa do Wolfsburgo da Alemanha para defender as cores do Rei. Ainda sem treinador anunciado, Alex junta-se a Kamani Hill, David Mendieta, Gustavo Lazzaretti, Tiago Alencar, e Jorge Gonçalves. Até ao final da semana deverá estar concluído o processo de pré-temporada e poderemos parar para perspectivar a temporada. Faltam Pedro Mendes e Fernando Meira.

p.s: E o treinador agora, quem será?
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Patifarias

Amanhã à noite subirá ao palco do S. Mamede um grande artista brasileiro. Dj Patife é dos mais conhecidos nomes do drum'n'bass mundial. Misturando as batidas duras deste estilo com o ritmo suave e balanceado da música brasileira, Patife atingiu o topo do mundo da música electrónica. Com a fama, democratizou e popularizou também a sua música, ouvida nos mais diversos ambientes: das festas underground às de escola. Amanhã teremos oportunidade de ouvir a sua música quente em Guimarães.

Bilhetes a 10€, com direito a uma bebida se com convite.


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Gonzalez em risco

José Gonzalez, um dos nomes confirmados para o festival Manta, no CCVF, cancelou ontem a tour pelo Canadá e EUA. O músico evoca uma doença na família como justificação. Os quatro concertos na Europa, em Julho, podem assim estar em risco, entre eles o de Guimarães.

Caso se confirme a anulação, aceitem a minha sugestão, se não for pedir muito.

PS - Juro que não fiz vudu ou isso.
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Novo treinador do Vitória

Depois da anunciada saída de Manuel Cajuda do comando técnico do Vitória, o Colina Sagrada lança hoje uma votação à volta da sua sucessão. Colocamos como hipóteses os nomes avançados pelo jornal Público esta semana, deixando ainda alternativa para outras opções que sugerimos que deixem na caixa de comentários deste texto. Nelo Vingada, Rui Jorge, Daúto Faquirá ou Outro?
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O desastre do S. João em Braga

Fotografia de Renata Oliveira, via Avenida Central.

Este ano passei a noite de S. João em Braga, entre a Avenida da Liberdade e a Avenida Central. Jantei sardinhas nas tasquinhas nas proximidades do Parque de Exposições de Braga. Andei a levar turras de martelos de plástico e com alhos-porros na cara. Andei no meio da multidão, para cima e para baixo. Só não comi farturas porque estava enjoado, da comida e da festa.

A mim, essa festa pareceu-me uma imbecilidade, perdoem-me os bracarenses o desplante. São os putos com umas gaitas estridentes a bufarem-nas constantemente aos ouvidos de quem passa (apontando-as, mesmo!). São miúdos e graúdos às marteladas, umas dadas na nuca, outras onde calha e de lado, com a parte dura do plástico. É a exorbitância que pagámos para comer umas poucas sardinhas, meia dúzia de batatas a murro (batatas cozidas com pele, melhor dizendo), uma caneca de 50 cl de vinho verde tinto e dois pimentos assados, e esperar 45 minutos os dois à mesa pela refeição (30€!!!).

Para o ano, não volto a repetir o erro. Para o ano, guardo-me para o S. Pedro da Póvoa de Varzim, se os exames mo permitirem. Essa sim, uma grande festa!

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24 de Junho: Dia Um de Portugal


Hoje celebra-se, em muitos concelhos do país, o dia de S. João Baptista. Em Guimarães, para fazer jus à nossa fama, não vamos nessa de celebrar santos, por mais santos que tenham sido em vida ou em morte. Os únicos que lembramos no nosso calendário é um santito franciscano, e porque por cá andou...

Em Guimarães celebramos o dia marcante no início da caminhada pela independência. No longínquo ano de 1128, neste preciso dia, travou-se por cá uma batalha entre os nobres minhotos e galegos e afectos a D. Teresa. Muito se pode dizer sobre as motivações de uns e de outros, sobre a dimensão do combate e mesmo sobre onde decorreu. Mas parece indiscutível, à distância, a importância da batalha no caminho para a fundação de Portugal.

Hoje, esta data é apenas lembrada em Guimarães, qual último reduto da Nação, como gostamos de nos pensar. Custa a crer como é possível não haver em Portugal uma única data para celebrar a fundação da Nação. Comemoramos a Restauração da Independência, a República, a Revolução, mas nenhuma data de impacto nacional anterior ao século XVII.

No final do século XIX, o fervor patriótico fez com que se começasse a comemorar, com pompa e circunstância, o falecimento de Camões. A elite republicana e letrada levou o poeta a ser celebrado oficialmente, como símbolo da Nação. Trata-se de uma data com forte carga simbólica, como lembrou António Barreto no 10 de Junho deste ano. No entanto, esta data é hoje encarada com indiferença pelos portugueses: à semelhança de muitos feriados nacionais, pouco lhe diz.

Este ano temos ainda a particularidade de celebrar os 900 anos de nascimento de D. Afonso Henriques, o grande vencedor da batalha que hoje celebramos. Este que foi o nosso primeiro rei e que é das figuras históricas mais acarinhadas pelos portugueses, não é nunca celebrado no calendário oficial.

Numa época em que as identidades se misturam e diluem como nunca, vale a pena reflectirmos sobre o que é isto de nos sentirmos portugueses. Há 881, os nossos antepassados iniciaram um caminho difícil e tortuoso, que levou ao topo do mundo, que nos trouxe aonde estamos agora e que nos levará, talvez, mais longe que nunca. Vale a pena reflectirmos sobre a importância deste dia.

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Direita e Esquerda e tudo

Parece ter virado moda entre a Direita vimaranense evocar o legado de José Mário Branco. Depois do slogan do PSD, agora o candidato do CDS à maior vila do concelho escolhe como mote da campanha o título do último álbum do autor de FMI. Há coincidências tramadas.
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Cajuda conseguiu o que queria


Era inevitável. Depois da entrevista ao Jogo, Cajuda tinha cavado a sua própria sepultura. No fundo, o agora ex-técnico do Vitória conseguiu o que queria: ser despedido.

A partir de dada altura o técnico começou a fazer de tudo para sair. Fez-se ver em público com Manuel Almeida logo depois da saída deste em choque com a direcção; entrou numa espiral de auto-destruição através de um discurso cada vez mais absurdo e manipulador nas conversas com os jornalistas; entregou uma carta de despedida à comunicação social no último jogo da época; contratou o director de comunicação que não mostrou competência no Vitória para seu próprio assessor e deixou-o falar de mais sem dar conta de algumas tomadas de posição à entidade que lhe paga.

A entrevista ao Jogo, com palavras bem medidas pelo ex-treinador do Vitória, foi apenas o último ponto da estratégia de Cajuda. A direcção do Vitória só demorou demasiado tempo a tomar a decisão que ontem se tornou inevitável. O algarvio pode dizder-se "chocado" mas no fundo foi este o cenário que ele procurou desde a época passada.

O "modus operandi" de Cajuda é conhecido nos meandros do futebol. Ao fim de um par de épocas, o técnico acabe por sair, depois de uma mudança de atitude que acaba por afastá-lo dos jogadores, dos directores e do público.

Neste caso, o grande erro da direcção do Vitória foi ter mantido Cajuda no corda bamba tanto tempo. Desse modo perdeu as duas opções mais válidas que tinha no mercado. Primeiro Azenha e, mais recentemente, Domingos - cuja ida para Braga esteve emperrada pela "sombra" vitoriana. Mas, dado o detrioramento de relações entre direcção e treinador, qualquer opção é neste momento melhor do que manter Cajuda. Ele seria sempre um treinador a prazo.

De qualquer das formas, Cajuda assinou duas época mágicas em Guimarães. Devolveu o Vitória à Liga e igualou a melhor classificação de sempre do clube, com o prémio extra de ter valido a presença na pré-eliminatória da Champions. Por isso, o técnico fará sempre parte da história do clube. Independentemente da forma como sai, o treinador merece ser sempre recordado pela positiva. Eu vou estar-lhe sempre grato.

PS - Cajuda já foi. Falta "despedir" estes para o Vitória poder voltar a crescer.

A ler: Despedido, no Vimaranes.
Bye, Bye Cajuda, no D. Afonso Henriques.
Vitória no Limbo, no Escrito na Pedra.
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Provincianismos


À falta de conhecimento sobre os reais intentos da autarquia no que à Capital Europeia da Cultura diz respeito – porque o projecto-base ainda é segredo de Estado – as tomadas de posição públicas dos responsáveis políticos acerca do tema são a única solução que nos resta para tentarmos perceber o que se quer de 2012.

Há uma semana, o presidente da Câmara deu uma entrevista ao Povo de Guimarães na qual, entre outros assuntos, se debruça sobre a CEC. Três perguntas simples, com três respostas que muito dizem.

a) António Magalhães refere a partilha de projectos com Maribor e com as cidades da região em que Guimarães se insere como uma das "áreas mais importantes" para o evento. Sobre a partilha de responsabilidades com a população e com os agentes culturais vimaranenses nem uma palavra.

b) Para o presidente da Câmara, a CEC é uma “oportunidade para trazer turistas” e para “promover a nossa cidade”. Mais nada. Está ao nível do Europeu de futebol ou do Mundial de andebol. Sobre a oportunidade de se criar uma dinâmica de criação e produção artísticas no concelho, nem uma palavra.

c) Segundo o autarca, o que é “mais urgente mudar” na cidade antes de 2012 é a forma de atendimento dos estabelecimentos de restauração. “Nós temos de convencer sobretudo os que prestam serviço de restauração e similares de que não é possível fazer a vida rotineira de há trinta anos”. Além do atestado de incompetência dos comerciantes do Centro Histórico – que são os principais veículos da hospitalidade que Guimarães tanto reclama – Magalhães volta a mostrar a fixação nos turistas e na figura externa da cidade. Sobre os vimaranenses, nem uma palavra.
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A CEC e a arquitectura

Uma das maiores críticas que faço aos projectos apresentados para a Capital da Cultura de 2012 é a falta de arrojo das propostas. Considero excelentes ideias como a Residência de Artistas ou a Casa da Memória e, desconhecendo por inteiro os contornos da mesma, penso que a Plataforma das Artes pode ser uma das mais-valias da iniciativa.

Porém, parece-me claramente limitador que todos os projectos estejam a ser pensados na óptica da requalificação urbana. Percebo que essa seja uma das marcas de Guimarães. Percebo também que seja mais fácil conseguir financiamento para a recuperação de imóveis no âmbito do QREN. Mas considera ser falta de visão estratégica não aproveitar a CEC para criar em Guimarães um imóvel marcante do ponto de vista arquitectónico.

Muita da riqueza da cidade está no património edificado. Mas pergunto-me o que será de Guimarães daqui a 100 anos quando olhar para trás e perceber que o mais interessante que construiu em século e meio foi o pavilhão verde do Multiusos.

Um caso paradigmático é para mim o de Bilbau. Há claramente Bilbao antes e depois do Guggenheim. A atractividade da cidade aumentou claramente, não só pela relevância do museu, mas sobretudo pelo carácter icónico do espaço que o alberga. Ao ponto de haver quem visite o museu e apenas quem o queira ver, porque este vale muito enquanto símbolo da modernidade da cidade basca.

Mais perto de nós, em Santa Maria da Feira, há um bom projecto que terá uma casa que, a ser construída, vale tanto como o que se fizer dentro dela. O Centro de Criação para o Teatro e Artes de Rua da Feira é o exemplo do arrojo arquitectónico que eu queira na CEC.

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FNAC. A sério?

Ao que parece, Guimarães terá uma loja FNAC ainda este ano. Uma hipótese há muito falada, mas que agora parece confirmar-se. É, antes de mais uma boa notícia. Trata-se da mais forte marca do mercado cultural, capaz de oferecer um número de serviços que hoje não temos.

Numa cidade em que não existe uma única loja de discos e as livrarias já viram melhores dias, a possibilidade de ter tão perto a única cadeia que vai contrariando a baixa de ambos os mercados é claramente positivo.

Além disso, sendo criado um Fórum FNAC, abre-se mais um palco em Guimarães, onde se podem ouvir novos projectos e os artistas que já conhecemos. E será também mais fácil comprar bilhetes para os espectáculos que acontecem fora da cidade.

Mas isto, se esta for um FNAC a sério. A outra experiência a Norte do Porto é uma grande desilusão. A loja de Braga é uma Worten com um pouco mais de qualidade. Grande parte da área da loja é ocupada por “electrodomésticos” e a oferta na área da música reduzida (uma prateleira indie e uma dúzia de títulos em vinil). Nos livros, o panorama não é melhor, e temos que levar com literatura de cordel entre livros técnicos (falo das Ciências Sociais, caso que melhor conheço) e demasiados livros pop, entre as boas ofertas que existem.

Se a loja vimaranense tiver o mesmo modelo, a coisa começa mal.

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De bestial a besta por culpa própria


Há cerca de dois anos Manuel Cajuda dava uma entrevista ao Jornal de Notícias em que afirmava que renovava com o Vitória por 5 anos, pelo mesmo salário com que tinha acabado de subir de divisão. E quando questionado sobre o prémio de subida de divisão, desvalorizou o aspecto financeiro e disse estar muito feliz com o Toural cheio e a festa que proporcionou nas pessoas. Juntou-lhe ainda a afirmação de que o dinheiro já o gastou mal gasto, de certeza, mas que a alegria ninguém lhe tira.

Durante mais um ano, Cajuda continuou com a alegria de treinar em Guimarães, dizia ele, e com os resultados desportivos a continuarem a corresponder começou a ganhar outro peito a falar sobre a equipa, mas sempre feliz por continuar no Vitória.

Atingida a pré-eliminatória da Champions, produto do 3º lugar no campeonato, as ofertas aos grandes multiplicaram-se, em especial ao Benfica, clube do qual Cajuda diz ser. Deram-lhe José Marinho para fazer dele um figura desportiva de respeito e âmbito nacional, que aparecesse nas notícias e se tornasse consensual a opinião de bom treinador que começava a ganhar.

Mas 2008/2009 não correu bem. Perdeu Marinho, jogadores por lesão e humildade. E estas 3 derrotas juntas trataram de dar aos vitorianos o resultado desportivo que está à vista de todos: uma equipa que só jogou futebol a espaços, e no final da época, e um treinador que deixou de respeitar o clube. É que Cajuda podia ter ficado em 8º e continuar a ser respeitado, mas quando insulta a inteligência, o dinheiro das cotas, e o amor ao clube de mais de 30 000 pessoas, está a pedi-las.

2 anos depois da primeira voltou a dar uma entrevista ao JN. Desta vez a já diz que a direcção afinal não lhe pagou qualquer prémio de subida, e um dia que sai vai contar tudo para todos se rirem. E esta foi só uma das pérolas que o algarvio lançou sobre o clube que representa enquanto funcionário.

Emilio Macedo da Silva diz hoje "magoado" e acrescentou "Manuel Cajuda é um funcionário do Vitória, não mais do que isso. Depois das férias vamos reunir porque este tipo de insinuações vão terminar.". Eu pergunto: Porquê esperar para depois das férias quando já não houver tempo de tomar medidas drásticas? Vamos continuar a deixar a faca e o queijo na mão de Cajuda que se anda claramente a fazer à indemnização? É que agora podemos ter uma figura de justa causa para o despachar de Guimarães e o por no sítio dele.
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O futebol arte morreu em Barcelona

Este magnífico jogo de futebol entre um super-Brasil e a Itália no auge do seu cinismo é o mote para uma conversa à volta do futebol, esta noite no Convívio. Foi uma partida de futebol mítica, disputada no desaparecido estádio de Sarrià em Barcelona, que marcou a morte do futebol arte.

A partir das 22h00, sentam-se à mesa, Luís Freitas Lobo, o filósofo do futebol da RTP, e Álvaro Costa, radialista e alma do Liga dos Últimos.