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A guerra das cervejas vai ter uma batalha no estádio do Vitória.

É já no próximo sábado - dia 14 de Fevereiro às 15 horas - o segundo Think Pong no São Mamede. A iniciativa desta vez tem por tema "Educação - Escola de Oportunidades". Os convidados serão Vítor Leite, presidente do Conselho Executiva da Escola Secundária Martins Sarmento e José Augusto Araújo, presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária das Caldas das Taipas. A entrada é livre a aberta a todos os interessados.


A saída de Júlio Mendes deixa um lugar vago na lista socialista às autárquicas. E deste modo até pode desfazer uma “dor-de-cabeça” ao PS. É que a paridade entre géneros imposta nas listas eleitorais obriga a que haja mais uma mulher em lugar teoricamente elegível.
Francisca Abreu, número três há quatro anos, tem o lugar praticamente assegurado, até por força das responsabilidades no seio da CEC. Mas quem será a outra socialista a ter um possível lugar no executivo?
Sofia Ferreira era a senhora que se seguia há quatro anos. Mas o lugar na vereação implicaria abandonar uma das várias funções que desempenha, nomeadamente na Zona de Turismo e Fraterna. Dois lugares abaixo aprecia a ilustra desconhecida da maioria dos vimaranenses Elisabete Machado.
Na lista surgiam outras mulheres, como Marta Coutada e Rosa Maria Oliveira, mas há ainda Paula Oliveira, que tem estado activa na Assembleia Municipal e pode saltar para o órgão executivo.
Mas sem Júlio Mendes, o presidente da câmara tem outro problema entre mãos: a quem entregar o pelouro do urbanismo? Precisa de alguém que saiba do assunto, sem patinar, em tempo de grandes decisões quanto a investimentos. O que quer dizer que, da actual vereação, deve sair mais alguém. Nomes de candidatos à entrada não faltam, mas no PS não vislumbro ninguém com as competências técnicas. Haverá uma surpresa? A nove meses das eleições, há mais dúvidas do que certezas entre os socialistas.
Não quero sequer discutir os motivos da saída de Júlio Mendes do executivo municipal. De qualquer das formas, é uma má forma de começar o ano para o presidente da Câmara e para o PS local.
Depois de um 2008 com demasiados casos capazes de beliscar a imagem pública de António Magalhães, não havia nada pior do que começar o ano eleitoral com uma baixa. Ainda por cima uma baixa de peso, de um vereador que assumiu um protagonismo enorme durante o mandato, liderando alguns dos mais importantes processos políticos destes quatro anos.
Muito dificilmente estes problemas terão expressão eleitoral acentuada. A menos que o PSD os faça render, como seria crível noutras geografias politicas. Em Guimarães é pouco expectável. Estes são problemas que raramente chegam ao cidadão comum. E caso isso aconteça, são desvalorizados.
No entanto, Magalhães fica mal na fotografia. Ainda por cima depois de há uma semana ter criticado o PSD por não saber “arrumar a casa” a tempo das próximas autárquicas. Por muito caótica que esteja a casa dos outros, fica bem olharmos antes para a nossa. E Magalhães não o fez.
Ainda que o quase milagroso apuramento do Vitória para a meia-final da Taça Liga e a consequente – e despropositada – discussão dos regulamentos da prova tenham acalmando as hostes vimaranenses, as direcções do clube não podem descansar.
A contestação pode ter acalmado, mas os vitorianos ainda não esqueceram – nem podem fazê-lo – a deprimente época desportiva da equipa de futebol. Por isso, há motivos de sobra para as direcções do clube avaliem o trabalho até aqui feito e tomem medidas que evitem uma temporada (ainda mais) desastrosa.
E escrevo “direcções” porque me parece claro que, neste momento, há duas formas de pensar o futebol claramente opostas no Vitória. Cajuda e a equipa técnica de um lado; Emílio Macedo e directores do outro.
A estratégia de Cajuda é conhecida do mundo do futebol nacional: Estica a corda com a direcção até ela partir e sai de bem com os adeptos e com os seus direitos económicos defendidos. Foi assim no Braga e no Marítimo, por exemplo. E assim embarca numa guerra pública verdadeiramente absurda que só retira dignidade ao clube. E pior é que a direcção lhe dá corda.
Quer isto dizer que a razão está do lado da direcção? Nada mais errado. Eu – como a esmagadora maioria dos vitorianos – entendo as motivações de Cajuda. E o técnico, por muito que erre na forma – espalhafatosa e fora de tempo – tem razão no conteúdo. Tem razão em impor à direcção que lhe dê uma equipa em condições, como já o devia ter feito em Agosto, e tarda em fazer em Janeiro.
É que os sucessivos fracassos vitorianos na presente época futebolística têm uma única causa: a desastrosa preparação da época desportiva protagonizada pela direcção. O plantel foi fragilizado, em vez de reforçado. Os jogadores novos têm qualidade duvidosa e vieram fora de tempo. E Cajuda pagou isso. Em pontos, na Liga. E com as eliminações europeia, que tiveram impacto psicológico nos jogadores.
O balanço do mandato da actual direcção ainda é positivo, por força do que foi conseguido na sua primeira metade. Mas a margem de manobra de Emílio Macedo é hoje reduzidíssima, devido ao fracasso da presente época – ao que se junta uma estratégia errada nas “amadoras” e uma gestão financeira catastrófica. E, a menos que muitas coisas mudem, a reeleição está comprometida.
O meu voto, pelo menos não terá. Mesmo que amargamente reconheça que faltam em Guimarães – no desporto como na política – rostos alternativos, capazes de suscitar confiança às pessoas.
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Os espectáculos de dança/teatro
Nous sommes tous des Papous – Théâtre de La Mezzanine: CCVF, 20 de Setembro
The Porcelain Project – Needcompany: CCVF, 25 de Outubro
Começar a Acabar – Teatro do Bolhão: Theatro Circo, 12 de Setembro

Os concertos
Sigur Rós – Campo Pequeno, 11 de Novembro
Rufus Wainwright – Casa das Artes de Famalicão, 28 de Junho
The National – Manta: Centro Cultural de Vila Flor, 18 de Julho
A minha análise de 2008 vai centrar-se em Guimarães. Particularmente em três aspectos do último ano: a cultura, o desporto e a política. É uma viagem curta a um ano cheio. Mas não necessariamente um ano em cheio.
Cultura – Há um ano dir-se-ia improvável um comentário deste teor neste blog. Mas 2008 tornou-o possível. A Oficina e o Centro Cultural de Vila Flor são os grandes vencedores do ano em termos locais.
Os gestores do CCVF deram a ideia de ter estado (e muito bem) atentos às críticas e o ano foi pródigo em “respostas” à altura. Há um rumo e uma linha de programação que se identifica desde logo com a casa de espectáculos. Isso era fundamental.
A Oficina tem um rumo, com um grupo de Teatro que está a construir algo importante. E que hoje sabemos bem com o que podemos contar no CCVF: os concertos dos auditórios, à Manta, das excelentes propostas de teatro à dança contemporânea, passando pelas programações centralizadas em eventos como o GuimarãesJazz ou os festivais de Gil Vicente. Além disso há uma aposta muito inteligente na vertente da formação que dá por bem empregue o investimento público ali feito. Ainda que não conheça os números da gestão, a forma como 2008 foi equilibrado em termos de programação, em contraponto com outras casas que tiveram que esticar a programação para conseguir terminar o ano, mostram que, ainda que com alguns defeitos, o CCVF está no caminho certo.
Deporto – O Vitória continua a ser a bandeira desportiva de Guimarães. E em bom futebolês este foi um ano com duas partes. Perfeito até Junho: apuramento para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões de futebol; triunfo na Taça de Portugal de basquetebol; título no Voleibol. Em meio mandato, Emílio Macedo da Silva parecia capaz de ter um “toque de Midas” sobre toda a realidade do clube.
Veio o Verão e o encantamento desvaneceu-se. À vista saltou então uma direcção sem rumo, capaz de hipotecar as hipóteses de entrada na Champions e de colocar em causa o futuro das “amadoras”. O último trimestre mostrou um clube em desvario, uma equipa de futebol débil e uma anarquia que se estende do balneário do basquetebol ao departamento de comunicação, passando pelas contas do clube.
Política – Foi um ano difícil para António Magalhães. Dois processos mal explicados e ainda às voltas na Justiça (Hortas e Outeiro) colocaram o autarca sob suspeição. O atentado cometido no Parque da Cidade, o excessivo secretismo à volta da Capital da Cultura e o recente chumbo do Igespar a dois do “5 projectos” foram razões de sobra para Magalhães terminar o ano fragilizado. Não fosse dar-se o caso de praticamente não existir oposição.
Ainda que a nova liderança do PSD dê mostras de inverter a tendência, durante nove meses raramente os sociais-democratas tiveram o papel escrutinador que se exige num município com a dimensão de Guimarães, desiludindo os apoiantes e colocando em causa as possibilidade de um bom resultado nas autárquicas deste Outono.
A grande figura em termos de oposição local acabou por ser a JSD: criou uma agenda própria, liderou a discussão acerca da (ausência de) política autárquica de juventude e ganhou a batalha do cartão municipal de juventude.
2008 veio marcar o início da maior crise das últimas décadas. Porém, se olharmos de outra perspectiva, este também pode ser uma oportunidade de mudança. A reestruturação dos mercados financeiros e das estruturas produtivas dos países poderá beneficiar as camadas mais jovens da população, com educação superior e maior domínio das novas tecnologias, rejuvenescendo o tecido empresarial em países de matrizes económicas mais conservadoras como Portugal, por exemplo. Infelizmente, os políticos não estão muito empenhados nisso. A administração americana está a financiar, com os impostos dos contribuintes, empresas automóveis que constroem carros que ninguém compra. As implicações destas acções atravessam fronteiras, havendo até quem diga que estas medidas vão prejudicar empresas portuguesas, como a Autoeuropa. Ao que parece, as principais vendas para o estrangeiro da maior exportadora portuguesa têm como destino os EUA, sendo impossível mantê-la só com o mercado interno português. Da mesma forma, por toda a Europa, se preparam planos de contingência para enfrentar a crise. Não nos podemos esquecer, contudo, da quantidade de dinheiro que vários sectores industriais gastam, para fazer lobby, em Bruxelas, tentando puxar a brasa à sua sardinha. Quando muitos políticos estão de acordo, relativamente a um assunto, ou o problema é mesmo flagrante ou há «marosca». Portugal, como sempre, não foge à regra, estando em forja mais um rol de projectos públicos megalómanos de retorno duvidoso, excepto para as construtoras. Enquanto me parece que o aeroporto de Alcochete é um investimento necessário, o TGV só vem confirmar que a sanidade mental começa a escassear em alguns círculos políticos.
Mas nem tudo é mau. O preço do barril de petróleo caiu a pique, nos últimos meses, incentivando a mobilidade em detrimento da fixação. Mais do que nunca, é necessário encontrar destinos viáveis, em mercados alternativos, para os produtos nacionais. Os défices gémeos (externo e orçamental) têm de ser combatidos a todo o custo, caso contrário, toda a riqueza produzida, dentro de alguns anos, só vai servir para pagar taxas de juros. Também o custo das matérias-primas estabilizou, evitando algumas das catástrofes humanitárias que se previam.
A nível local, devido ao facto de estar a residir, quase a tempo inteiro, em Guimarães, redescobri o quão incrivelmente deprimente é morar cá. Ter 20 anos e andar por estas paragens só não é motivo de suicídio colectivo por mero acaso. Durante a semana, não há nada de minimamente interessante, para fazer, nas redondezas. Se numa das principais cidades do país se dá este fenómeno, é preciso pensar porque é que os jovens fogem a sete pés das zonas rurais do interior. Podem crer que não é a pôr lá uma urgência hospitalar que eles voltam. É preciso pensar positivo e comprar bilhetes de avião. Feliz 2009.
Mundo à deriva – Um banco, Lehman Brothers, faliu. E nada foi igual. Foi uma falência que não só desencadeou uma crise financeira mundial, como levou o (nosso) mundo à depressão e à falência. O que aconteceu no universo da finança só é comparável ao degelo na Antárctida, uma certeza tremenda que é um alerta dramático para as ameaças do aquecimento global. É que o ano que agora termina deixou muito mais água em estado líquido do que sólido. E isso vai inundar-nos.
Muito mais simpático foi a constatação de que, um século depois de um senhor negro, Booker Taliaferro Washington, ter entrado na Casa Branca como convidado de Franklin Roosevelt, o mundo (em depressão) começou a olhar com redobrada confiança para outro negro americano: Barak Obama. Eleito presidente dos Estados Unidos, Obama já não é (só) um ícone, uma referência enorme. O mundo segui-lo-á com redobrada atenção. E desejos de uma nova vivência.
Pelo meio, mesmo a meio do ano, a Irlanda disse que não quer o modelo europeu de constituição. Voltarão os irlandeses às urnas, não vá a Europa ficar à deriva! E, numa altura de crise e falta de ordem, isso seria o caos no descontrolo geral.
“Ano de nevão é ano de pão”? – Até poderia ser uma das marcas do ano por cá. Mas não é. Mesmo que as ameaças tenham sido muitas. E a necessidade de desligar muitas coisas fosse real. Por exemplo, logo em fevereiro, o PSD tornou-se no primeiro partido português a ser condenado por um financiamento ilegal. É o mesmo partido cujo líder parlamentar, na altura Santana Lopes, se recusou aceitar o “acompanhamento, apoio e aconselhamento” à sua bancada por uma agência de comunicação. Santana bateu o pé e disse que os seus deputados sabiam o que faziam.
Mas o partido laranja deu-se (mesmo) muito mal com o ano. A eleição, em Guimarães, de Manuela Ferreira Leite foi apenas um episódio no meio dos episódios com sabor a laranja amarga. Em abril, depois de Menezes ter batido com a porta, tudo mudou. E Manuela Leite, afinal, não uniu nada. Para quem havia feito da palavra “credibilidade” o mote da candidatura é muito pouco. Basta olhar para esta frase: “o PSD perdeu a credibilidade que sempre o acompanhou. Hoje ninguém nos ouve. Candidato-me para mudar este estado de coisas”.
Nas promessas por cumprir a ministra da Educação também não ficou bem no retrato. Maria de Lurdes Rodrigues, que sofreu ataques de todos os lados – aquilo foi um conflito que se foi extremando a cada novo passo dos senhores que mandam nos professores! – foi o flanco mais impopular do governo de Sócrates. Mas foi sempre igual até ao fim: “garanto que a avaliação vai avançar este ano”. E a ministra chegou até ao fim. Do ano. Ao contrário de Isabel Pires de Lima ou Correia de Campos – que cedeu o seu lugar a Ana Jorge, uma apoiante incondicional de Manuel Alegre nas últimas presidenciais. Uma cedência à esquerda de José Sócrates? Uma vitória pela esquerda de Manuel Alegre seguramente.
Mas o ano correu bem – Cá pela terra, sim. A Manta, por exemplo. Em Vila Flor, em julho. Uma aposta musical ganha em todos os sentidos. E as cinzas no claustro (o sermão de quarta-feira de cinza, de António Vieira) que Luís Miguel Cintra tão bem protagonizou no museu de Alberto Sampaio? E a “Tragédia: uma tragédia”? E “o silenciador” ou as “memórias de um comboio a vapor”? Ou 0 “Amor”? O Teatro Oficina teve um ano em grande. Junte-se-lhe os festivais de Gil Vicente e, por exemplo, “as lembranças de Madalena Victorino”. Foi um ensaio geral fabuloso para um ano que promete ser pleno de teatro.
Alguém se recordará da iniciativa “porque é que o jazz parece tão complicado?”? de um barzinho, ali mesmo à mão de semear, em S. Martinho de Sande, com o nome da estrada ali passa ligando Guimarães e Braga, onde pára o Movimento Artístico das Taipas (MAT). Em parceria com o Jazz Ao Minho. E o resultado foi excelente. E daquele lado do concelho veio outra grande novidade. Também pela mão do MAT. Desta vez em parceria com a junta de freguesia de Barco: o Barco Fest. Por ali passaram Mundo Cão, peixe:avião, Vicious Five e Linda Martini, entre outros. Que ano!
Ao nível Internacional, não poderia deixar de destacar a vitória de Barack Obama. Ainda que eu e muitos como eu tenhamos a perfeita noção que a Mudança que Obama apregoa não é fácil e que muitos de nós nos desiludiremos no final da primeira governação do Afro Americano, dado o sentido lato da mudança que pretende implementar, a verdade é que Obama conseguiu pôr o mundo a sonhar e a chamar por ele.
Ao nível regional, no Minho, o ano de 2008, afirmou acção concertada dos seus principais agentes políticos. O quadrilátero urbano, nas suas diversas dimensões, particularmente na dimensão cultural, é a expressão clara de que o poder político percebeu que o Distrito de Braga só poderá ser competitivo relativamente a outras regiões, não só de Portugal, mas também Europeias, se estiver unido. No mesmo sentido os Quadriláteros demonstram que estes procedimentos de cooperação, louváveis, são, todavia, insuficientes para que se cumpra verdadeiras políticas regionais, já que estão dependentes das vontades individuais, avulsas dos seus representantes e não directamente da lei.
Ao nível local, o facto que destaco é o arrojado projecto Guimarães Capital Europeia da Cultura. Por um lado é mais um pilar que sedimenta a estratégia de diversificação do turismo, até agora, assente no património histórico. Apesar de ser Capital Europeia da Cultura, e de relevar o aspecto de natureza imaterial que Cultura representa, esta iniciativa que Guimarães acolherá, não é substancilamente diferente do trabalho que tem a vindo a ser feito, já que propõe revolucionar a cidade “extra”- muros, a semelhança do que foi feito “intra”-muros, mas num espaço de tempo que diria recorde. A recuperação do Centro Histórico foi feito em cerca de 20 anos, ao passo que a proposta da Câmara Municipal de Guimarães passa por recuperar a segunda malha histórica da cidade em pouco menos que 4 anos.
Bom ano de 2009!
Esta é a grande riqueza do Vitória: ser um clube maior do que o seu orçamento e o seu palmarés. Só assim é possível trazer um jogador de inegável qualidade, em idade de mostrar serviço e de se assumir como um símbolo do clube.Guimarães é uma cidade pesada: Cada casa, cada edifício, cada monumento, cada rua carregam muitas histórias. O património histórico e cultural está patente e todos os vimaranenses têm percepção da importância da cidade. Só que, como um professor uma vez me contou, em Guimarães todos são historiadores, todos sabem como a história se deu mesmo que as suas estórias em nada tenham a ver com a história.
Nos termos da convenção da UNESCO, considera-se património cultural imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e aptidões - bem como os instrumentos, objectos, artefactos e espaços culturais que lhes estão associados - que as comunidades, os grupos e, sendo o caso, os indivíduos reconheçam como fazendo parte integrante do seu património cultural".

Foto António Luís Campos
Ora, tomando como esta citação o ponto de partida, podemos garantir que os vimaranenses, grosso modo, reconhecem como fazendo parte do seu património histórico e cultural as Festas Nicolinas. A Comissão especializada que foi constituída para analisar a possibilidade de uma candidatura para a classificação das Festas Nicolinas como Património Imaterial da Humanidade, também concluiu que a candidatura é viável. Além disso, há também quem esteja já empenhado em enquadrar as Festas Nicolinas no programa cultural do "Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012".
No entanto, mesmo sendo as Festas Nicolinas um testemunho do património cultural vimaranense, estando profundamente enraizadas na cultura e identidade da cidade, pouco temos para mostrar. Recentemente foi criado o monumento ao Nicolino mas, para além deste, não temos mais referência alguma às Nicolinas na cidade. Portanto, carecemos ainda de valorização e promoção destas.
Foto Eduardo Brito
Uma sugestão que lanço neste sentido é a de que a cidade tenha nos seus principais pontos históricos relacionados com as Festas Nicolinas, assim como acontece com os nossos monumentos classificados como património mundial, placas com uma pequena indicação e explicação da sua importância.
Mas poder-se-ia uniformizar as placas referentes às Nicolinas, usando, por exemplo, o símbolo das Nicolinas, e afixá-las nos pontos - casas, edifícios, monumentos e ruas - mais significativos na história das festas, traçando um trajecto Nicolino.
Obviamente que, com tão poucos estudos, pode questionar-se da história e estórias relacionadas às Nicolinas. De qualquer modo, há um conjunto de espaços que, pelos documentos existentes, são unívocos quanto ao seu significado e papel para a concepção, preservação e execução das Festas. A título de exemplo: Capela de São Nicolau, Capela da Senhora da Conceição; Torre dos Almadas; Antigo Liceu de Guimarães, no edifício da actual Câmara; Liceu; casa da Sra. Aninhas; Chafariz do largo do Cano.
Ainda que, afinal, pareça que a montanha pariu um rato (e por muito que Manuel Alegre se reclame um político diferente, também é adepto da máxima “a culpa é dos jornalistas”), o discurso do deputado-poeta no “Fórum das Esquerdas” de domingo teve o condão de por o país a discutir política como há muito não se via.
E é no campo ideológico que pode estar o principal contributo de um novo partido de Esquerda, ou pelo menos da hipótese de o criarmos. Seria uma boa oportunidade para definirmos o campo ideológico em Portugal, que nasceu torto e nunca se endireitou.
Um país em que o partido social-democrata junta conservadores e liberais; em que o partido socialista é uma espécie de “tudo ao molho e fé em deus” e o PP uma negação ideológica, ter um partido fiel a linhas ideológicas e programáticas podia ter um efeito de contágio desejável.
Quanto ao caso em específico: os ziguezagues de Alegre não abonam em seu favor. O deputado faz política com o coração (o que já é raro) e é o lado passional que o impede de cortar com o PS. Mas dizer que vai a votos, para dois dias depois voltar a recuar mostra como Alegre não é tão diferente como acreditamos.
Por isso, ainda que volta e meia se lance o alarme, os socialistas podem ficar descansados que não haverá um partido de Alegre. O que não quer dizer que não venha a surgir um partido ou movimento “alegrista”, herdeiro de um posicionamento verdadeiramente socialistas e que se assuma como uma força a ter em conta na definição do mapa político nacional. E aí não sei se Sócrates poderá dormir descansado.
Este Think Pong “discos-pedidos” encerra o ano de discussões no Colina Sagrada e Abertamente Falando. As últimas duas edições do ano terão um formato especial, alargado, como uma espécie de balanço do ano 2008.
Prato forte do debate “A cultura em Guimarães e o desafio de 2012” era, obviamente, a organização da Capital Europeia da Cultura pela nossa cidade, dentro de quatro anos. Ninguém tem dúvidas de que será um sucesso. Pelo menos enquanto mostra artística. Mas 2012 tem que ser mais do que isso.
A explicação inicial da vereadora da Cultura desfez alguns dos meus receios. Afinal há um projecto, há uma linha orientadora e há vontade de fazer um evento de grande qualidade, que seja capaz de projectar a cidade. Por muito que o projecto esteja envolvido em secretismo.
Ideia a reter: é essencial que 2012 seja um marco e não um fim em si mesmo. Mais importante do que essa data, será, possivelmente, 2020, quando olharmos para trás e virmos na CEC um momento fundamental para Guimarães.
A vontade de criar em Guimarães um “efeito Barcelona”, fazendo em cinco anos o que, de outro modo, seria feito em 20 ou 30, é fundamental. Na cultura, mas também em termos de criação de infra-estruturas e, fundamentalmente, de renovação urbana e de vivência de cidadania.
A mais recente organização do informal grupo de bloggers vimaranenses a que pertenço, o debate “A cultura em Guimarães e o desafio de
Sublinho aqui a frase com que comecei o debate: há uma nova dinâmica na cultura em Guimarães. Como dizia José Bastos, do CCVF, neste momento temos 500 espectáculos anuais na cidade. É obra para uma cidade da dimensão de Guimarães. Além disso temos condições físicas excepcionais para ver cultura e temos associações que, nos concelhos que conheço melhor, não têm paralelo. A começar pelo Cineclcube, o maior do país, o CAR, o Convívio, o MAT, e a Sociedade Martins Sarmento, que não sendo uma associação como provavelmente as enquadramos hoje em dia, é um dos maiores exemplos de como a excelência pode ser condenada a um lugar secundário por força da cegueira cultural e do centralismo atávico do país. Nada que lhes tire o mérito.
Colina Sagrada © 2009
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