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Think Pong - 2008, um ano hipotecado?

Mundo à deriva – Um banco, Lehman Brothers, faliu. E nada foi igual. Foi uma falência que não só desencadeou uma crise financeira mundial, como levou o (nosso) mundo à depressão e à falência. O que aconteceu no universo da finança só é comparável ao degelo na Antárctida, uma certeza tremenda que é um alerta dramático para as ameaças do aquecimento global. É que o ano que agora termina deixou muito mais água em estado líquido do que sólido. E isso vai inundar-nos.

Muito mais simpático foi a constatação de que, um século depois de um senhor negro, Booker Taliaferro Washington, ter entrado na Casa Branca como convidado de Franklin Roosevelt, o mundo (em depressão) começou a olhar com redobrada confiança para outro negro americano: Barak Obama. Eleito presidente dos Estados Unidos, Obama já não é (só) um ícone, uma referência enorme. O mundo segui-lo-á com redobrada atenção. E desejos de uma nova vivência.

Pelo meio, mesmo a meio do ano, a Irlanda disse que não quer o modelo europeu de constituição. Voltarão os irlandeses às urnas, não vá a Europa ficar à deriva! E, numa altura de crise e falta de ordem, isso seria o caos no descontrolo geral. 

Ano de nevão é ano de pão? – Até poderia ser uma das marcas do ano por cá. Mas não é. Mesmo que as ameaças tenham sido muitas. E a necessidade de desligar muitas coisas fosse real. Por exemplo, logo em fevereiro, o PSD tornou-se no primeiro partido português a ser condenado por um financiamento ilegal. É o mesmo partido cujo líder parlamentar, na altura Santana Lopes, se recusou aceitar o “acompanhamento, apoio e aconselhamento” à sua bancada por uma agência de comunicação. Santana bateu o pé e disse que os seus deputados sabiam o que faziam.

Mas o partido laranja deu-se (mesmo) muito mal com o ano. A eleição, em Guimarães, de Manuela Ferreira Leite foi apenas um episódio no meio dos episódios com sabor a laranja amarga. Em abril, depois de Menezes ter batido com a porta, tudo mudou. E Manuela Leite, afinal, não uniu nada. Para quem havia feito da palavra “credibilidade” o mote da candidatura é muito pouco. Basta olhar para esta frase: “o PSD perdeu a credibilidade que sempre o acompanhou. Hoje ninguém nos ouve. Candidato-me para mudar este estado de coisas”.

Nas promessas por cumprir a ministra da Educação também não ficou bem no retrato. Maria de Lurdes Rodrigues, que sofreu ataques de todos os lados – aquilo foi um conflito que se foi extremando a cada novo passo dos senhores que mandam nos professores! – foi o flanco mais impopular do governo de Sócrates. Mas foi sempre igual até ao fim: “garanto que a avaliação vai avançar este ano”. E a ministra chegou até ao fim. Do ano. Ao contrário de Isabel Pires de Lima ou Correia de Campos – que cedeu o seu lugar a Ana Jorge, uma apoiante incondicional de Manuel Alegre nas últimas presidenciais. Uma cedência à esquerda de José Sócrates? Uma vitória pela esquerda de Manuel Alegre seguramente. 

Mas o ano correu bem – Cá pela terra, sim. A Manta, por exemplo. Em Vila Flor, em julho. Uma aposta musical ganha em todos os sentidos. E as cinzas no claustro (o sermão de quarta-feira de cinza, de António Vieira) que Luís Miguel Cintra tão bem protagonizou no museu de Alberto Sampaio? E a “Tragédia: uma tragédia”? E “o silenciador” ou as “memórias de um comboio a vapor”? Ou 0 “Amor”? O Teatro Oficina teve um ano em grande. Junte-se-lhe os festivais de Gil Vicente e, por exemplo, “as lembranças de Madalena Victorino”. Foi um ensaio geral fabuloso para um ano que promete ser pleno de teatro.

Alguém se recordará da iniciativa “porque é que o jazz parece tão complicado?”? de um barzinho, ali mesmo à mão de semear, em S. Martinho de Sande, com o nome da estrada ali passa ligando Guimarães e Braga, onde pára o Movimento Artístico das Taipas (MAT). Em parceria com o Jazz Ao Minho. E o resultado foi excelente. E daquele lado do concelho veio outra grande novidade. Também pela mão do MAT. Desta vez em parceria com a junta de freguesia de Barco: o Barco Fest. Por ali passaram Mundo Cãopeixe:avião, Vicious Five e Linda Martini, entre outros. Que ano!

Casimiro Silva

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Think Pong 2008 - A noroeste nada de novo

365 dias depois, não podemos dizer que 2008 tenha sido um ano ímpar para o Minho. Mesmo depois de inúmeras tentativas para nos fazerem fazerem crer que o país é menos cinzento que rosa, a verdade é que a crise no Minho é completamente indisfarçável.

Asfixiados por uma crise sem precedentes, continuam a cobrar-nos as portagens que se desculpam nas grandes áreas metropolitanas e no Algarve; continuam a esquecer-se de nos pagar a justa subvenção pelos transportes públicos urbanos; e continuam a desviar os fundos do Turismo do Norte para o Porto e o Douro.

Enquanto isso, os nossos políticos-de-trazer-por-casa brindam-nos com referendos bairristas, desperdiçando o potencial reivindicativo que ainda resta junto do poder central. Dividir para reinar é a estratégia dos centralistas que, na ausência de uma política integrada de desenvolvimento regional, vão emprestando, esmola aqui e esmola acolá, um triste contentamento de efémeras ilusões alimentado.

O avanço do Quadrilátero Urbano é um facto extremamente positivo, mas ainda insuficiente para projectar a região numa perspectiva verdadeiramente integrada. Seja como for, parecem estar lançados os alicerces para, com excepção da auto-excluída cidade de Viana, se chegar a um entendimento alargado sobre o futuro do Noroeste português.

2008 foi também o ano em que os vimaranenses se livraram dos desnecessários túneis e parques subterrâneos do Toural ao mesmo tempo que os bracarenses reforçaram a sua dose de betão num processo marcado pelas inúmeras interrogações e inquietações quanto à preservação do património arqueológico da Bracara Augusta. A arqueologia voltou a estar no centro da discussão pública, mas foram demasiados os protagonistas que, por omissão ou deformação, não souberam estar à altura do debate.

Mas tudo está bem quando acaba bem e, como se sabe, 2009 será um ano de várias eleições e muitas inaugurações. A política descerá às catacumbas da mediania e as cidades encher-se-ão de propaganda com exageradas auto-exaltações. Todo o circo será pago pelo contribuinte que assiste impotente ao esbanjar dos dinheiros públicos, enquanto as promessas convenientemente incumpridas são atiradas para as calendas gregas.

No Minho, como no país, estamos quase na mesma, mas um pouco mais pobres.

Pedro Morgado
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Think Pong 2008 – O ano em Revista

Ao nível Internacional, não poderia deixar de destacar a vitória de Barack Obama. Ainda que eu e muitos como eu tenhamos a perfeita noção que a Mudança que Obama apregoa não é fácil e que muitos de nós nos desiludiremos no final da primeira governação do Afro Americano, dado o sentido lato da mudança que pretende implementar, a verdade é que Obama conseguiu pôr o mundo a sonhar e a chamar por ele.

Ao nível regional, no Minho, o ano de 2008, afirmou acção concertada dos seus principais agentes políticos. O quadrilátero urbano, nas suas diversas dimensões, particularmente na dimensão cultural, é a expressão clara de que o poder político percebeu que o Distrito de Braga só poderá ser competitivo relativamente a outras regiões, não só de Portugal, mas também Europeias, se estiver unido. No mesmo sentido os Quadriláteros demonstram que estes procedimentos de cooperação, louváveis, são, todavia, insuficientes para que se cumpra verdadeiras políticas regionais, já que estão dependentes das vontades individuais, avulsas dos seus representantes e não directamente da lei.

Ao nível local, o facto que destaco é o arrojado projecto Guimarães Capital Europeia da Cultura. Por um lado é mais um pilar que sedimenta a estratégia de diversificação do turismo, até agora, assente no património histórico. Apesar de ser Capital Europeia da Cultura, e de relevar o aspecto de natureza imaterial que Cultura representa, esta iniciativa que Guimarães acolherá, não é substancilamente diferente do trabalho que tem a vindo a ser feito, já que propõe revolucionar a cidade “extra”- muros, a semelhança do que foi feito “intra”-muros, mas num espaço de tempo que diria recorde. A recuperação do Centro Histórico foi feito em cerca de 20 anos, ao passo que a proposta da Câmara Municipal de Guimarães passa por recuperar a segunda malha histórica da cidade em pouco menos que 4 anos.

Bom ano de 2009!

Luís Soares

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Think Pong 2008 - Crónica de um ano atípico

O ano de 2008 foi pródigo em acontecimentos. Pode mesmo ter sido um ano de viragem para algumas concepções até aqui dadas como suficientemente sólidas para não precisaram de ser alteradas pelos menos durante as próximas décadas. Caíram muitas máscaras por esse mundo fora, mas houve três que caíram e que considero fundamentais. Como ano de transição, creio ser impossível destacar os mais relevantes acontecimentos do ano sem fazer referências, ainda que superficiais, a outros. Por isso, para evitar desconsiderações e imprecisões desnecessárias, opto por uma análise mais global.

Em primeiro lugar, a crise económica, depois financeira, depois económica e financeira. Contra as previsões mais optimistas para o crescimento da economia, a verdade é que o carácter marcadamente global desta crise parece ter abalado as fundições do sistema vigente desde a II Guerra Mundial. Caiu a máscara à ordem económica do pós-guerra. Muitos advogam não a morte do capitalismo, mas uma mais do que urgente reformulação deste.

A palavra mais ouvida, a que faz qualquer adepto do liberalismo económico coçar-se, foi a mais ouvida em 2008 – a par, claro está, de “estagnação”, “recessão” ou “crise”: regulação. Regular os mercados, as instituições financeiras de crédito; regular o mercado habitacional, regular as trocas de capitais, regular as práticas obscuras de muitos gestores; regular e tornar mais transparente e credível o sistema financeiro, incentivar à poupança; e, acima de tudo, punir os responsáveis por danos irrecuperáveis causados a quem confia o seu dinheiro aos bancos.

Para os que auguravam a morte do estado enquanto poder regulador, esta crise veio trocar completamente as voltas. Ao estado foi-lhe implorada a sua intervenção sob a forma de muitos zeros – vejamos se agora esse mesmo estado está em condições de se fazer pagar com a imposição de mais e melhores regras e, mais visível aos olhos do cidadão, com justiça.


Aproveitando o embalo de ideias como “estado” e “regulação”, destaque e honra seja feita à eleição do 44º Presidente dos EUA. Barack Obama, após uma transição que se afigura impecável, vai assumir as rédeas do (ainda) estado mais poderoso do mundo. Os EUA deixaram cair uma máscara que escondia a sua genuína identidade como povo democrático e tolerante. Do país que fez catapultar a crise económica, resta saber se vem também o antídoto. Obama inspira confiança, teve um discurso atractivo e eloquente durante a campanha mas será o motor da mudança necessária? Se os EUA não se assumirem como líderes de uma mudança anunciada, a sua posição no mundo estará definitivamente ameaçada. Não parece restar outro caminho ao novo Presidente que não um novo rumo para o seu país. O dia 5 de Novembro último pode ter sido o princípio de uma bela história. Ou não.

Um destaque final para uma questão intrinsecamente política e estratégica, que foi alvo de abrupta actualização em Agosto passado. Durante as Olimpíadas de Pequim, os olhos do mundo desviaram-se inesperadamente das piscinas e das pistas para o Cáucaso, região onde a Rússia fez questão de mostrar quem manda. Tal resposta seria impensável ainda há poucos anos. Enriquecida pelos petrorublos e dona de si como há muito não se via, o gigante russo marcou território e dissipou muitas dúvidas sobre a natureza do seu poder actual – centralizado, ambicioso, nacionalista e, pior, imperialista. Também a Rússia deixou cair a sua máscara para se tornar num dos mais sérios testes à União Europeia e aos EUA, ou por outras palavras, à unidade da UE (através da mais que duvidosa PESC) e à capacidade de influência dos EUA, respectivamente.
Venha 2009.

João Gil Freitas
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Think Pong 2008

Começará agora a ser publicada uma série de análises ao ano de 2008, num especial "Think Pong" de final de ano. Terminará com os autores habituais da crónica e passará por um grupo de amigos blogueres.
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Devaneio Vitoriano

Três quartos do meu sonho vitoriano estão cumpridos. Agora faltas tutu e tuBem-vindo a casa.
Esta é a grande riqueza do Vitória: ser um clube maior do que o seu orçamento e o seu palmarés. Só assim é possível trazer um jogador de inegável qualidade, em idade de mostrar serviço e de se assumir como um símbolo do clube.

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5 - 3

Dos cinco projectos, três estão condenados. Ficam os dois mais sustentados.


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Por um roteiro Nicolino

Guimarães é uma cidade pesada: Cada casa, cada edifício, cada monumento, cada rua carregam muitas histórias. O património histórico e cultural está patente e todos os vimaranenses têm percepção da importância da cidade. Só que, como um professor uma vez me contou, em Guimarães todos são historiadores, todos sabem como a história se deu mesmo que as suas estórias em nada tenham a ver com a história.

Nos termos da convenção da UNESCO, considera-se património cultural imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e aptidões - bem como os instrumentos, objectos, artefactos e espaços culturais que lhes estão associados - que as comunidades, os grupos e, sendo o caso, os indivíduos reconheçam como fazendo parte integrante do seu património cultural".

Foto António Luís Campos

Ora, tomando como esta citação o ponto de partida, podemos garantir que os vimaranenses, grosso modo, reconhecem como fazendo parte do seu património histórico e cultural as Festas Nicolinas. A Comissão especializada que foi constituída para analisar a possibilidade de uma candidatura para a classificação das Festas Nicolinas como Património Imaterial da Humanidade, também concluiu que a candidatura é viável. Além disso, há também quem esteja já empenhado em enquadrar as Festas Nicolinas no programa cultural do "Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012".

No entanto, mesmo sendo as Festas Nicolinas um testemunho do património cultural vimaranense, estando profundamente enraizadas na cultura e identidade da cidade, pouco temos para mostrar. Recentemente foi criado o monumento ao Nicolino mas, para além deste, não temos mais referência alguma às Nicolinas na cidade. Portanto, carecemos ainda de valorização e promoção destas.

Foto Eduardo Brito

Uma sugestão que lanço neste sentido é a de que a cidade tenha nos seus principais pontos históricos relacionados com as Festas Nicolinas, assim como acontece com os nossos monumentos classificados como património mundial, placas com uma pequena indicação e explicação da sua importância.

Mas poder-se-ia uniformizar as placas referentes às Nicolinas, usando, por exemplo, o símbolo das Nicolinas, e afixá-las nos pontos - casas, edifícios, monumentos e ruas - mais significativos na história das festas, traçando um trajecto Nicolino.

Obviamente que, com tão poucos estudos, pode questionar-se da história e estórias relacionadas às Nicolinas. De qualquer modo, há um conjunto de espaços que, pelos documentos existentes, são unívocos quanto ao seu significado e papel para a concepção, preservação e execução das Festas. A título de exemplo: Capela de São Nicolau, Capela da Senhora da Conceição; Torre dos Almadas; Antigo Liceu de Guimarães, no edifício da actual Câmara; Liceu; casa da Sra. Aninhas; Chafariz do largo do Cano.

Sílvia Gomes

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Do riso e do esquecimento: O "efeito Barcelona" e a Capital da Cultura


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A política de Comunicação do Vitória

O clube deixou sair (ou mandou embora, ninguém sabe), dois directores de Comunicação em meia época. Hoje, o presidente do Vitória foi à sala de imprensa insultar os profissionais da Comunicação Social e ameçar com a bandeira que, por Guimarães, ninguém agitava desde Pimenta Machado: ou fazem como eu quero ou não entra aqui ninguém.

Há quem faça bom e mau jornalismo, no desporto como noutras áreas. Emílio Macedo da Silva, como já se tinha visto neste comunicado, não percebe os mínimos no que toca à profissão de jornalista. A culpa é deles, já se sabe.
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Think Pong: A Esquerda de Alegre

Ainda que, afinal, pareça que a montanha pariu um rato (e por muito que Manuel Alegre se reclame um político diferente, também é adepto da máxima “a culpa é dos jornalistas”), o discurso do deputado-poeta no “Fórum das Esquerdas” de domingo teve o condão de por o país a discutir política como há muito não se via.

Em vez de gaffes (ou ironias), “causas fracturantes” ou questões práticas – importantes em política, não o nego – a afirmação de uma esquerda de poder e com poder tem o mérito de nos pôr a falar de ideologias.

E é no campo ideológico que pode estar o principal contributo de um novo partido de Esquerda, ou pelo menos da hipótese de o criarmos. Seria uma boa oportunidade para definirmos o campo ideológico em Portugal, que nasceu torto e nunca se endireitou.

Um país em que o partido social-democrata junta conservadores e liberais; em que o partido socialista é uma espécie de “tudo ao molho e fé em deus” e o PP uma negação ideológica, ter um partido fiel a linhas ideológicas e programáticas podia ter um efeito de contágio desejável.

Quanto ao caso em específico: os ziguezagues de Alegre não abonam em seu favor. O deputado faz política com o coração (o que já é raro) e é o lado passional que o impede de cortar com o PS. Mas dizer que vai a votos, para dois dias depois voltar a recuar mostra como Alegre não é tão diferente como acreditamos.

Por isso, ainda que volta e meia se lance o alarme, os socialistas podem ficar descansados que não haverá um partido de Alegre. O que não quer dizer que não venha a surgir um partido ou movimento “alegrista”, herdeiro de um posicionamento verdadeiramente socialistas e que se assuma como uma força a ter em conta na definição do mapa político nacional. E aí não sei se Sócrates poderá dormir descansado.

Este Think Pong “discos-pedidos” encerra o ano de discussões no Colina Sagrada e Abertamente Falando. As últimas duas edições do ano terão um formato especial, alargado, como uma espécie de balanço do ano 2008.

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O debate e a CEC

Prato forte do debate “A cultura em Guimarães e o desafio de 2012” era, obviamente, a organização da Capital Europeia da Cultura pela nossa cidade, dentro de quatro anos. Ninguém tem dúvidas de que será um sucesso. Pelo menos enquanto mostra artística. Mas 2012 tem que ser mais do que isso.

A explicação inicial da vereadora da Cultura desfez alguns dos meus receios. Afinal há um projecto, há uma linha orientadora e há vontade de fazer um evento de grande qualidade, que seja capaz de projectar a cidade. Por muito que o projecto esteja envolvido em secretismo.

Ideia a reter: é essencial que 2012 seja um marco e não um fim em si mesmo. Mais importante do que essa data, será, possivelmente, 2020, quando olharmos para trás e virmos na CEC um momento fundamental para Guimarães.

A vontade de criar em Guimarães um “efeito Barcelona”, fazendo em cinco anos o que, de outro modo, seria feito em 20 ou 30, é fundamental. Na cultura, mas também em termos de criação de infra-estruturas e, fundamentalmente, de renovação urbana e de vivência de cidadania.

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Sobre o debate da Cultura

A mais recente organização do informal grupo de bloggers vimaranenses a que pertenço, o debate “A cultura em Guimarães e o desafio de 2012, que teve lugar na sexta-feira passada, no Convívio, tem um balanço muito positivo. Ainda que a adesão do público tenha ficado aquém das minhas (optimistas) expectativas – 30 pessoas é coisa pouca – a qualidade das participações e o conteúdo do debate foi, a meu ver, esclarecedor, podendo abrir importantes portas para um projecto cultural comum.

As presenças dos responsáveis das cooperativas municipais Oficina e Tempo Livre, de vários responsáveis do CAE S. Mamede e, particularmente, da vereadora da Cultura da Câmara de Guimarães, foram uma oportunidade rara de os vários agentes culturais vimaranenses e simples cidadãos, como nós bloggers, poderem discutir cara-a-cara com quem toma as decisões no que à política cultural diz respeito.

Sublinho aqui a frase com que comecei o debate: há uma nova dinâmica na cultura em Guimarães. Como dizia José Bastos, do CCVF, neste momento temos 500 espectáculos anuais na cidade. É obra para uma cidade da dimensão de Guimarães. Além disso temos condições físicas excepcionais para ver cultura e temos associações que, nos concelhos que conheço melhor, não têm paralelo. A começar pelo Cineclcube, o maior do país, o CAR, o Convívio, o MAT, e a Sociedade Martins Sarmento, que não sendo uma associação como provavelmente as enquadramos hoje em dia, é um dos maiores exemplos de como a excelência pode ser condenada a um lugar secundário por força da cegueira cultural e do centralismo atávico do país. Nada que lhes tire o mérito.

Mas – e esta foi uma das ideias fundamentais que me ficou do debate – a esta análise positiva (que pode enfermar de bairrismo), há que juntar uma forte componente de auto-crítica. Como Amaro das Neves, da SMS, dizia no debate, o movimento associativo já foi mais forte no concelho. E não se pode confundir cultura com espectáculos culturais, apenas. Há produtores culturais em Guimarães? E se há, porque estão praticamente arredados das principais salas de espectáculos?

A finalizar, um agradecimento ao Convívio, pela amabilidade com que nos recebeu e pelo empenho que também colocou na organização deste debate.

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Vitória!


Ser do Vitória é isto. Grande Hugo!

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Hoje, às 22h00

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Histórico


3-0! Triunfo histórico do voleibol do Vitória esta noite, diante do Noliko, campeão da Bélgica. Na estreia de uma equipa portuguesa na Liga de Campeões, os de Guimarães estão em segundo no seu grupo. Magnífico.
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Dezembro à nossa volta

Nas outras duas cidades do Minho onde há programação cultural habitual, Dezembro é um mês, sobretudo, de música.

Em Braga, no Theatro Circo, o grande destaque são os Blind Boys of Alabama, num concerto especial de Natal, que acontece no dia 14. Pela sala bracarense passam também as nova-iorquinas The Bowmans, a 10 de Dezembro.

Em Famalicão, sublinho os deliciosos Deolinda no dia 13. No mesmo é possível ver o I.M.A.N.08  - Intermédia, Multimédia, Acção e Nada, um projecto de arte contemporânea, que inclui debates, workshops e artes performativas.

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Encerrar um grande ano

2008 foi um grande ano para o Centro Cultural de Vila Flor. Dezembro confirma-o. O ano acaba por encerrar em grande com o Festival One Man Band, que começou já no último fim-de-semana, com Tiger Man e Becky Lee e Bob Log.

No próximo fim-de-semana há nova dose dupla, desta ideia excelente, que em tudo para dar certo. Assim, na sexta há Son Of Dave, o alter-ego de Benjamin Darvill, e no sábado uma One Man Band que são dois homens, Slimmy e Dj Ride.

Nesse mesmo dia, um dos espectáculos do mês que aguardo com mais expectativa. A nova produção de Paulo Ribeiro chega a Guimarães. Feminine é a outra face de Masculine que encantou os palcos nacionais no ano passado.

Antes do fim do ano, o Teatro Oficina estreia ainda a nova produção Amor. Em cena nos dias 17 a 21. Nesse mesmo dia, domingo, à tarde, o coro infantil da Universidade de Lisboa apresenta o Concerto de Natal, ideia que aqui defendi, em moldes diferentes, no ano passado.

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Renascer em tempo de anversário


Faz amanhã um ano, o São Mamede abria ao público, dando mostrar de que se podia afirmar como uma sala de referência no percurso cultural do Norte. Três ou quatro meses de intensa actividade, excelentes concertos e uma vitalidade dos vários espaços que compunham o Centro de Artes e Espectáculos pareciam confirmar isso mesmo.

Depois o São Mamede perdeu fôlego. Fez más apostas, perdeu clientes. Chegou a assustar. Os seus responsáveis resistiram à crise, e parece que estão a dar a volta por cima. O último mês parecia querer indicar isso mesmo, com os X-Wife, por exemplo. Dezembro confirma que o São Mamede está vivo.

Programação eclética, com qualidade, a assinalar o primeiro aniversário. Se o público corresponder e a aposta se manter, vamos continuar a ouvir falar deles. Oxalá. Hoje, há um grande concerto. Nicole Conte, que há três anos anulou em cima da hora um concerto no CCVF, apresenta o novo e muito bem visto novo álbum. Vale a pena.

Amanhã, Manuel D’Oliveira, o virtuoso guitarrista vimaranense, actua no aniversário da sala. Até ao final do mês há outras propostas interessantes, como a cantora da moda Ana Free e a sensação/desilusão Pontos Negros, que andam a pôr o rock nacional em alvoroço, mas ainda não me convenceram pessoalmente.

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Cultura a Quatro

A estreia de Tebas, filme do vimaranense Rodrigo Areias, marca o início de uma iniciativa inédita, que vai reunir as programações culturais de Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães, os quatro concelhos que compõe o Quadrilátero urbano do Minho.


Chama-se “CulturaaQuatro” e dura todo o mês de Dezembro. O programa inicia-se com a estreia de Areias, hoje, no CCVF e continua no dia 16, no Theatro Circo, com um recital de piano de Luís Pipa. No fim-de-semana de 20 e 21 de Dezembro está marcada a apresentação da "Missa das Crianças", na Casa das Artes de Famalicão, do contemporâneo inglês John Rutter. Também a 21, o outro vértice do quadrilátero junta-se ao evento. Em Barcelos, o Coral Magistrói actua no Largo da Porta Nova, a partir das 17h00.

 

Sou um entusiasta da ideia do quadrilátero e acho, francamente, uma excelente iniciativa, esta de se acertarem agendas numa região que é o terceiro pólo de cultura do país (às vezes o segundo). Se o CulturaaQuatro não for apenas um mero processo de intenções, pode resultar num caso de sucesso.

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Debate: “A Cultura em Guimarães e o desafio de 2012”.

No próximo dia 12 de Dezembro, pelas 22h00, na sede do Convívio (Largo da Misericórdia), um um grupo de bloguers vimaranenses, constituído por Tiago Laranjeiro, Cláudio Rodrigues, Paulo Lopes, Miguel Silva e Samuel Silva, em colaboração com a Associação Cultural Convívio, organiza um debate com o tema “A Cultura em Guimarães e o desafio de 2012”.

Para o evento foram convidados a vereadora da Cultura da Câmara de Guimarães, o Centro Cultural de Vila Flor, o Centro de Artes e Espectáculos S. Mamede e as associações culturais de Guimarães. O debate é aberto à participação de todos os interessados.

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Fotografia © Miguel Silva Loureiro
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Think Pong: As nossas festas

No último sábado, o Pinheiro marcou o início das Nicolinas. Nos próximos dias Guimarães mantém-se em festa, ainda que o número anunciador das festas seja, cada vez mais, momento único. Os baixos níveis de participação nos restantes eventos associados às Nicolinas, especialmente no Pregão e Maçãzinhas, que são verdadeiramente míticos, causam preocupação.

E é de preocupação que vos quero falar. A preocupação que associo às Nicolinas, com algum pessimismo que gostava fosse escusado. Temo que não. O futuro das festas não está em causa. Basta ver a vitalidade do Pinheiro. Mas limitar as Nicolinas ao número do dia 29 é menorizá-las, é deixar escapar boa parte da sua essência, e a maquilhá-la com a massificação, que pode ter um efeito perverso de as descaracterizar

Outro motivo de preocupação tem a ver com a pouca valorização que se faz, hoje em dia, da comissão de festas Nicolinas. São os estudantes que continuam a fazer as festas, mas pouca gente parece ligar a isso. A começar pelas próprias escolas. Aquela dezena de miúdos dá o seu tempo pelas festas de toda uma cidade, são capazes de controlar largos milhares de pessoas, e o que é que recebem em troca? Quase nada. Pior, ainda falham os testes, prejudicam as notas e, em último caso, perdem o ano.

Parece-me da mais elementar justiça que as festas Nicolinas sejam equiparadas a todas as outras festividades académicas nacionais. Nenhuma com a mesma tradição e significado. Ninguém põe em causa as isenções de aulas nas Queimas das Fitas nem as vantagens dadas nas Universidades aos membros das tunas académicas. Então por que não igual tratamento aos membros da Comissão Nicolina? Com a possibilidade de fazerem os testes em período especial e de não prejudicarem a sua folha de assiduidade durante mês e meio em que preparam as festas.

Uma nota final sobre o número anunciador das Nicolinas. O Pinheiro foi perfeito. Muito frio (a minha memória tem-na como a noite mais fria do ano e este ano foi-o), um “milagre” climatérico (nem gota de chuva durante o cortejo), excelente companhia (como é habitual), e uma organização certa, o que nos últimos anos não foi comum. Às três em ponto o Pinheiro estava levantado. Tem que ser assim.

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Do riso e do Esquecimento: O último que apague a luz

"A Academia pálida, como já lhe chamei, não se mobiliza. Nem para as eleições, nem para as manifestações, nem para lutar pelos seus direitos. Enfim, está de costas voltadas para a cidadania. Se a questão for copos ou uma das milhentas gatas, a coisa muda de figura".

in ComUM.
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Alta velocidade?

"É vergonhoso que haja apenas nove circulações diárias nesta linha". "Não se pode pedir às pessoas que andem de comboio se não lhes damos boas condições". Estas duas frases, que podiam ser minhas ou de qualquer outro cliente da linha de Guimarães, foram proferidas ontem pela secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino. A governante não se referia à linha do Ave.

No centenário da linha do Vouga - que liga Espinho a Aveiro e serve cidades com a importância de Santa Mara da Feira, S. João da Madeira e Oliveira de Azeméis - Ana Paula Vitorino lamentou as poucas circulações diárias e anunciou investimentos para a linha. Os comboios vão passar a ser mais rápidos e mais frequentes. Um ano depois os problemas matêm-se e alguns (como os horários) agravaram-se.

No caso de S. João da Madeira, a câmara assinou um acordo para a criação de mais quatro estações no concelho. Esta "linha-dentro-da-linha" terá comboios próprios e funcionará como uma verdadeiro metro interno. Foi a câmara que assumiu o projecto. No país a caminho da Alta Velocidade, Guimarães continua a ver passar comboios.
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Vouga: 100 anos

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Multiusos: Festival de Inverno

Escrevi ontem sobre os sete anos da cidade desportiva e as reservas que mantenho quanto à gestão do Multiusos, nomeadamente em termos culturais. O espaço é magnífico e passa demasiado tempo encerrado. Assim, uma das ideia que me parecem fazer sentido para dinamizar o pavilhão de Guimarães passaria pela realização de um festival de música.

Portugal está inundado de festivais de Verão. Mas não tem concertos grandes durante o Inverno. O Super Rock, antes de ser um festival de Verão, foi um festival de Inverno, em salas fechadas. E é essa a minha proposta. Durante dois dias, o Multiusos convertido numa grande sala de música, com dois ou três nomes internacionais e bandas portuguesas (e da região) a completar o programa.

Não seria difícil encontrar apoios (a cerveja que mais festivais patrocina é parceira da Tempo Livre, por exemplo). E era uma forma de, mesmo que os pimba continuem a passar por lá, haja um pouco mais de qualidade na oferta cultural do Multiusos. É só uma ideia.

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Think Pong: Sete vezes sete - o que vale a Tempo Livre

Passam sete anos desde a inauguração da Cidade Desportiva. Nesse tempo foi a cooperativa Tempo Livre a principal intérprete das linhas orientadoras do município em matéria de desporto. Mas a acção da cooperativa vai para além do desporto, nomeadamente devido às características do Multiusos. E é aí que está a sua principal falha.

Mas vamos por partes. A Tempo Livre gere sete áreas distintas, umas com maior sucesso do que outras. O complexo de piscinas e o parque Scorpio são, a meu ver, duas apostas ganhas. Quer em termos de competição, como de incentivo à prática desportiva. Boa tem também sido a gestão dos pavilhões desportivos das escolas, abrindo-os como mais um local de prática desportiva, o que é verdadeiramente relevante nas áreas periféricas do concelho.

O principal trunfo da cooperativa é CMAD. O Centro Médico é um equipamento único no país, que oferece um serviço que é verdadeiramente de interessa público, contribuindo para a prática de desporto em segurança, num concelho onde se multiplicam os espaços desportivos, formais e informais.

Curiosamente, o CMAD funciona nas instalações daquela que é, a meu ver, um dos grandes fracassos da política de desporto a Tempo Livre. A pista de atletismo Gémeos Castro nunca conseguiu afirmar-se na área do atletismo. Tirando os nacionais de corta-mato (à volta da pista e não dentro dela), pouco ou nada de relevante em matéria de atletismo tem sido feito naquele equipamento. O relvado foi entretanto rentabilizado com as escolinhas de futebol e a equipa de rugby, mas a pista tem servido para pouco mais do que circuito de manutenção para semi-amadores e veteranos. É pouco para a dimensão do investimento.

A Tempo Livre tem sido também incapaz de garantir que a pista de cicloturismo existente no traçado da antiga ligação ferroviária a Fafe se assuma como um espaço de lazer e desporto. Além de um espaço pouco usado, o equipamento dá ares de abandono e descuido, que, quilómetros à frente, no concelho vizinho, desaparecem.

Mas o grande ponto de discussão da acção da cooperativa de desporto é o Multiusos. Do ponto de vista desportivo, este foi, nos inícios, um local onde havia uma forte aposta, com eventos de grande nível a passarem por Guimarães. Nos últimos dois anos praticamente não houve desporto no Multiusos. E ainda que a tendência pareça inverter-se por estes dias, não apaga o facto de, nos últimos tempos, o pavilhão ter sido mais um centro de exposições e congressos (com sucesso, diga-se) e um espaço de concertos chunga e musicais infantis.

Não sei se faz sentido que o Multiusos tenha programação própria (provavelmente não) mas a programação parola e a falta de visão (que até existe noutra áreas) mostra apenas uma coisa: a Tempo Livre tem vocação para a gestão desportiva. Mas não lhe peçam mais do que isso.

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MFL: depois do silêncio

Pim, Pam, Pum. Fugiu-lhe a boca para a verdade? Mais valia o silêncio. Plof!
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Think Pong: Desafio, eleições e transparência

O Orçamento da Câmara de Guimarães para 2009 tem um valor financeiro brutal. 130 milhões de euros para serem geridos por uma cidade de média dimensão é um exercício exigente. Mas, neste campo, Guimarães tem dado o exemplo, ao executar obra dentro de prazos e valores perfeitamente compatíveis com a dimensão dos investimentos, o que é caso raro num país marcado por desvarios gestionários e deslizes orçamentais nas obras públicas.

Há três níveis de análise associados ao documento aprovado na quinta-feira, com os votos apenas da maioria socialista na autarquia. O primeiro é o do extremo desafio que será este ano a transferência da gestão das EB 2,3 para o poder local. No caso de Guimarães são nove escolas e 600 funcionários, com um impacto no orçamento na ordem dos 25 milhões, aos quais se somam 10 milhões de investimento na renovação do parque escolar do primeiro ciclo. É, sem dúvida, um desafio. E é um desafio de exigência a que a autarquia terá que saber responder, como o fez no passado recente, embora este tenha uma dimensão superior.

Por outro lado este é claramente um orçamento de véspera de eleições. Há muitas obras projectadas, em vários pontos do concelho e um nível de investimento sem paralelo nos últimos anos, na senda, aliás, do Orçamento Geral do Estado. Havendo o perigo de deslizar para o eleitoralismo, importa que a autarquia explique porque é que algumas destas obras apenas avançam em 2009.

Por último, algumas das obras já previstas no Orçamento municipal para o próximo ano levantam uma questão de transparência ao nível das decisões que choca com aquilo que, há um ano, elogiava no executivo. Os “cinco projectos” avançam, todos eles com verba destinada no documento fundamental para 2009, mas os vimaranenses, que tanto se empenharam na discussão dessas iniciativas, ainda não conhecem a decisão final da Câmara.

Também a Capital da Cultura assume uma importante quota das verbas a ser investidas no próximo ano, com valores na ordem dos 25 milhões de euros para os projectos a ela associados. E o que conhecemos da CEC? Nada, ou quase nada. Ninguém conhece os contornos do projecto, nem quem o liderará, mas já há verba destinada ao evento, incluindo 4 milhões de euros para o orçamento da empresa que vai gerir a iniciativa, mas cujos dirigentes não estão ainda encontrados.

Sem transparência, sem prestar contas aqueles que contribuem para este orçamento de valores elevados, o exercício político fica fragilizado. Será que até à Assembleia Municipal em que o Orçamento será ratificado ficaremos esclarecidos?

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[música] Sigur Ros


Quando uma das bandas que se idolatra anda por perto, não há como escapar. Hoje, no Campo Pequeno, em Lisboa, Sigur Ros 
apresentam o magnífico "Með suð í eyrum við spilum endalaust" (qualquer coisa como “Com um ruído nos ouvidos, tocamos incessantemente”), seguramenta um dos melhores albuns deste ano.
Do frio país à beira da banca rota, a música celestial que marcou os primeiros albuns, deu lugar a um pop cada vez mais festivo. Qualquer que seja o registo, esta é uma das bandas maiores que o universo musical mundial tem para oferecer por estes dias. 
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A outra Champions

A partir das 16h00, o Vitória volta a fazer história. A formação de voleibol é a primeiro equipa portuguesa a jogar a CEV Champions League, a principal prova europeia da modalidade. A estreia está marcada para Moscovo, frente a um gigante europeu, o Dínamo. As diferenças de orçamento são abismais, mas nada que assuste o Campeão Nacional de Voleibol.
Vamos continuar a fazer história. Boa sorte!
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Ainda as contas do Vitória

Ainda atónito com o resultado da gestão da direcção de Emílio Macedo da Silva, fui ler em pormenor as contas da época de 2007/2008. Alguns números ajudam a perceber a gestão descuidada e a falta de nexo nas prioridades do Vitória, que devemos ter em conta na hora de votar na AG.

O resultado líquido de mais de dois milhões de euros negativos é atribuído ao aumento dos custos com o pessoal e dos custos com fornecimentos e serviços externos. O plantel curto e com poucos reforços – João Alves e Alan eram os únicos com salários de clube grande – não se percebe onde está o grande aumento dos custos com pessoal. A menos que esse se tenha verificado noutros sectores que não a equipa sénior de futebol.

É que as contas dizem que os custos com pessoal aumentaram quase 2,5 milhões de euros para os 5,9 milhões anuais, o que é uma folha salarial de impor respeito. E o activo líquido diminuiu 600 mil euros. Dá que pensar.

Nas contas surge também o investimento em equipamentos de transporte, no valor de 500 mil euros, o que vem de encontro ao que tinha afirmado anteriormente: um dos poucos investimentos da época foi o autocarro da equipa principal. Era esta uma prioridade?

Até porque, o Vitória investiu 174 mil euros em jogadores, o que é incompreensivelmente pouco, face às responsabilidades do clube e ainda para mais face ao descalabro dos números finais.

Como pontos positivos da gestão financeira do Vitória saliento a diminuição das dvidas de curto prazo (- 300 mil euros), ao Estado (-80 mil euros), adiantamento por conta de vendas (-250 mil euros), outros credores (-100 mil) e provisões (-350 mil euros), ao todo pouco mais de um milhão. Em sentido contrário as dívidas a instituições de crédito cresceram 1,5 milhões (com base em que garantias?) e as dívidas a fornecedores são mais 700 mil euros.

Lidas as contas, continua a ser incompreensível que o Vitória apresenta este resultado de gestão tão mau. Ainda para mais num ano em que as receitas aumentaram quase 4 milhões de euros, com 3,5 milhões provenientes de publicidade e direitos televisivos e 2,1 milhões saídos dos bolsos dos sócios (quotas e lugares anuais). Alguém tem muitas explicações para dar na Assembleia-Geral.

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É fazer as contas

Vale a pena ser sócio do Vitória? Só mesmo por paixão!

A quota mensal do Vitória custa 11,25 euros, o que perfaz um total de 135 euros no final dos 12 meses do ano. A estes junta-se o lugar anual, com uma preço médio 30 euros. Ou seja, 165 euros é o preço médio para assistir aos jogos do Vitória em casa, descontando os bilhetes para a Taça de Portugal, Taça da Liga, UEFA e, este ano, Champions. Neste momento, graças à mini-Liga inventada pelo senhor Hermínio Loureiro, só temos 15 jogos em casa por época. As contas são fáceis de fazer: cada jogo sai a 11 euros.

E não é que quem não é sócio paga apenas 7,5 euros para ir ver os jogos? A direcção do Vitória criou – e muito bem! – a modalidade de bilhete de acompanhante. Foi uma forma inteligente de levar mais gente ao Afonso Henriques e de captar mais sócios. Nada contra os bilhetes para não-sócio, portanto.

O que é grave é que os sócios não têm praticamente nenhuma regalia em sê-lo, além da manifestação de paixão pelo clube. Mas ser sócio de um clube não deve servir apenas para o financiar – e no ano passado demos ao clube quase 2,3 milhões de euros. Ainda por cima quando vemos o nosso dinheiro a ser delapidado por uma gestão catastrófica.

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Lembrete: mudou a hora

O horário de Verão está em vigor desde domingo, mas em Guimarães alguém se esqueceu disso. Às 17h30 já é de noite, mas no parque da Cidade, a iluminação permanece desligada até às 18h30. Fica um bocado difícil correr às escuras...

A mudança de horário também deixou os sinos da igreja de S. Francisco atarantados. Deu para contar as horas todas até às 3 da manhã. Dlim-Dlão. E a lei do ruído?
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Passividades

Foi com espanto que recebi a notícia do aumento do passivo do Vitória na última época.

Ainda por cima quando o presidente do Vitória tinha dado, não há muitos meses, várias entrevistas aos jornais desportivos nacionais em que garantia que o passivo estava controlado e que ia ser abatido logo no exercício 2007/2008.

Ora o que nos trouxe a realidade foi um resultado líquido de 2,1 milhões de euros negativos e um aumento do passivo pouco mais baixo, na ordem dos 1,7 milhões de euros.

De memória, lembro-me de meia dúzia de despesas que possam justificar esta resultado: a compra do autocarro do clube e das carrinhas para as camadas jovens, o novo campo sintético e o encerramento do Bingo.

Mas a época passada foi a época de todos os encaixes. O Vitória voltou a ter publicidade nas camisolas, depois de uma época sem sponsors, houve um acordo de publicidade no estádio e complexo com o Continente e a venda no naming da bancada nascente à Super Bock. A estes juntam-se as saídas de Pele e Rabiola, com as quais se esperava o Vitória teria feito um bom negócio e um aumento do número de sócios e de lugares anuais vendidos. Com praticamente a mesma equipa da época anterior, com salários em muitos casos baixíssimos para um clube que ficou em 3º lugar e um investimento reduzido no reforço da equipa.

Como foi possível chegar a este valor? À primeira vista e face à incapacidade demonstrada pela direcção do Vitória em apresentar uma justificação sustentada, a resposta é a má gestão financeira do clube. E, face a este descalabro, os sócios não podem ser passivos. Sexta-feira à noite temos a palavra.

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Do Riso e do Esquecimento: Viver (n)o Centro

No regresso às crónicas no ComUM a renovação urbana é o tema, com um enfoque especial em Braga e Guimarães.

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Think Pong: Um Piddac insuflado

O Piddac deixou de ser o instrumento fundamental de análise dos investimentos do Estado nos diferentes concelhos do país. Não só porque raramente é cumprido, como outros investimentos são efectuados, de ano para ano, ao abrigo de outros programas de acção. Ainda assim não deixa de ser um documento importante para percebermos as grandes opções dos governos.

O Piddac para 2009 é particularmente positivo para a região. O distrito de Braga vai receber mais 40 milhões do que no ano passado, o que faz dele o sexto a nível nacional, quando no ano passado era apenas o décimo. Guimarães é um dos concelhos responsáveis por esta subida que, a meu ver, peca por escassa – as duas principais cidades do distrito, mas também Famalicão ou Vila Verde, por exemplo, têm dinâmicas empresariais, culturais e cívicas que justificavam outro nível de investimento do Estado.

Mas centremos a análise no investimento previsto no Piddac para Guimarães. É o segundo concelho do distrito com maior dotação, passando dos míseros 600 mil euros de 2008 para uma verba inscrita de 14 milhões. À primeira vista é uma notícia excelente, ainda que 85 por cento do dinheiro se destine à Capital Europeia da Cultura de 2012.

Este é um projecto de grande monta e com o qual o governo quer dar um apoio muito importante à modernização e desenvolvimento de Guimarães. Parece-me por isso muito positivo um nível de compromisso tão elevado a quatro ano do evento. No entanto, uma análise mais profunda do Piddac mostra que, se excluirmos a CEC, o Estado quer investir no próximo ano pouco mais de 1,6 milhões no concelho. O que é manifestamente pouco.

Este é por isso um Piddac insuflado. Insuflado pela CEC e pelo programa nacional de renovação do parque judicial que constitui mais de 500 mil euros dos 1,6 milhões. Ou seja, resumindo, as verbas destinadas a Guimarães são pouco mais de um milhão de euros, quase todos destinados à nova unidade de saúde de S. Torcato. É pouco, muito pouco para um concelho desta dimensão.

No entanto, a análise deve ser, quanto a mim, feita pela positiva. Os 12,3 milhões que o Piddac destina a Guimarães para preparar a CEC estariam neste momento a ser investidos de qualquer das formas noutro concelho do país. E, não fosse o Berço nomeado para 2012, não havia garantias de que outros investimentos aqui fossem realizados. Por arrevesada que seja esta lógica, é ela que preside aos investimentos públicos. E, em face disso, este é o melhor Piddac para Guimarães em muitos anos.

 

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Um cartão curtinho

Na semana passada, a Câmara apresentou o Cartão Jovem municipal, fruto de um acordo com a Movijovem. A iniciativa saúda-se, obviamente. Mas há dois ou três dados a reter.

Primeiro, a Câmara seguiu uma iniciativa lançada pela JSD. Se é verdade que o facto mostra abertura democrática do executivo, não é memos verdade que é sempre um mau sintoma quando um partido de poder se deixa ultrapassar assim na sua capacidade de promover a qualidade de vida da população. Nesse espaço voltou a não se ver a JS. Sintomático.

Além disso, o Cartão Jovem municipal é apenas um cópia de um modelo nacional. Que ainda por cima existe há vários anos, perante a passividade da autarquia. Fica a ideia de que perdemos uns anos de vantagens…

Por último, o Cartão apresentado na semana passada é curtinho. Curtíssimo. As vantagens ficam-se apenas pelos serviços autárquicos e das empresas municipais. É manifestamente pouco num concelho jovem e com uma actividade cultural e associativa, por exemplo, viva. O cartão parece feito à pressa decidido por mero aperto de prazo político, que não deu tempo para contactar as entidades, que agora a Câmara quer ver como parceiras.

Também em matéria de juventude, a AMAVE apresentou o projecto Enjoy, uma espécie de Erasmus para jovens recém-licenciados que vai oferecer três meses de estágio em empresas internacionais de países como a Alemanha ou a República Checa. A AMAVE aproveita da melhor forma a abertura do programa Da Vinci para promover a formação dos seus jovens. Excelente iniciativa. Embora seja uma falácia falar-se em combate ao desemprego, com os seus responsáveis quiseram fazer.

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[música]

A Rita. Uma supresa. O pijama. O piano. Arcade Fire.
Em Famalicão, no sábado passado.

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Adivinha quem voltou?


O ComUM Online está de regresso. Para o novo ano lectivo a equipa foi profundamente renovada. Mas acredito que a qualidade será a mesma. Eu vou continuar por lá, às quarta-feiras, cada duas semanas.
Bom trabalho, camaradas.
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InFormal

O Laboratório das Artes está de regresso. Para não variar, o projecto é muito bom. A partir de amanhã, às 15h00, em seis espaços históricos de Guimarães.
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Eles estão a construir qualquer coisa grande

Já tinha demonstrado a minha feliz surpresa quando assisti à primeira peça do novo Teatro Oficina. Depois de Will Eno, o TO virou-se para um autor nacional e, acertadamente, pediu a Jacinto Lucas Pires (um dos melhores da nova geração da literatura nacional) para escrever propositadamente para a companhia vimaranense.

É uma boa ideia a da escrita exclusiva, embora falte ainda uma necessária ligação do texto e do autor com a cidade (algo que esta ideia parece querer contrariar).

O resultado é bom. O texto de Silenciador não tem a densidade de Tragédia, mas é muito bem desenhado. Um universo panóptico-futurista nada despropositado em tempos de incerteza global e uma piscadela de olho à ficção científica, que a que encenação consegue dar um toque cinematográfico sem perder a essência do teatro.

A encenação é, aliás, um dos grandes trunfos do TO. Duas personagens formatadas pelo “sistema” e uma viúva-imigrante-pega que tem a densidade que falta aos outros dois. Excelente também o cenário e a luz. O TO está no caminho certo. E está a construir qualquer coisa grande de que Guimarães se vai poder orgulhar. Vão lá ver: entre quarta e sábado.

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Regresso ao Clube

Na próxima terça-feira, às 13h00, regressa o Trio de Jornalistas à antena do Rádio Clube Português. O programa marca também o meu regresso à antena do Clube Minho, depois de ter participado no ano passado no Trio de Bloggers. No Trio vou fazer companhia à Luísa Teresa Ribeiro, coordenadora do Diário do Minho e autora do A culpa é dos jornalistas, ao Pedro Antunes Pereira, jornalista do JN, autor do Para quando a nossa revolução, e ao Pedro Costa.

Sintonizem o Rádio Clube, em 92.9.
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Think Pong: Um país livre não pode compactuar com totalitarismos

É quase uma inevitabilidade que, no início de cada ano lectivo, o país discuta as praxes académicas (prática corrente nas universidades, e hoje absurdamente estendidas a outros níveis de ensino). Este ano, a discussão foi acesa por mão governamental, o que é uma novidade em Portugal e um sinal de que algo está a mudar.

O ministro Mariano Gago esteve bem quando este ano alertou as direcções das universidades e politécnicos para os abusos da praxe. Foi apenas coerente com a sua própria consciência depois de há uns anos lhes ter chamado, muito apropriadamente, “práticas fascistas”. E abriu a porta a uma maior atenção do Estado para com estas práticas, que pode levar até à sua intervenção.

É a mais dura e crua das verdades: As praxes académicas e todo o sistema que gravita em torno das mesmas são uma prática fascista e castradora da liberdade. Ao contrário do que apregoam os defensores da dita, a praxe não é inclusiva, é totalitária. E um Estado livre não pode admitir que dentro das suas instituições – como é o caso da Educação – existam práticas que, noutro âmbito, seriam certamente consideradas criminosas.

Os decisores públicos e políticos são escolhidos para decidirem o melhor para os cidadãos de acordo com os valores do Estado. Quando uma prática atenta contra valores básicos nem devia ter discussão a manutenção de tais práticas: Portugal devia pura e simplesmente proibir este tipo de práticas pestilentas no interior de espaços públicos.

Há todo um sistema perverso que a praxe entroniza. A começar pela castração de direitos aos novos alunos. Esta realidade é estendida e amplificada quando toca àqueles que legitimamente se colocam fora desta prática obtusa, com a complacência das instituições pública. E isto faz com que a Universidade, outrora um espaço de afirmação dos valores democratas e da liberdade, seja hoje um espaço onde o espírito livre e crítico é toldado por uma mão controladora.

O que dizer por exemplo da atitude da direcção do Piaget de Viseu que voltou a permitir a praxe depois dos protestos dos alunos? É lamentável e revoltante. Mas explica-se facilmente. As lógicas de poder dentro das universidades assim o promovem. Há uma inadmissível cumplicidade entre quem dirige as praxes e as associações académicas. Como há uma torcida lógica de conivência entre as reitorias e as Académicas. O objectivo é perpetuar o poder e os benefícios que dele se tiram, nem que para isso seja necessário como neste caso recuar numa decisão por pressão dos alunos.

É tempo de acabar com isto.

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O regresso dos Campeões

Os campeões nacionais de voleibol regressaram ontem à competição. Com um triunfo anormalmente difícil, o Vitória bateu o 

Esmoriz na primeira ronda no nacional A1 e começou a construir o caminho que espero leve a uma histórica dobradinha esta temporada.

A caminho vêm também os embates da Liga dos Campeões, competição em que pela primeira vez uma equipa nacional marca presença. Não se podem é cometer os erros de ontem e esperar que duas unidades fulcrais como Eurico Peixoto e Filipe Cruz, de fora por lesão, estejam prontos para esses embates.

Uma nota final: As modalidades amadoras perderam a autonomia de gestão que marcou a sua vida nos últimos anos do Vitória. Se o modelo anterior teve bons resultados, a exigência face à direcção do clube terá que se maior. A primeira medida foi acabar com o cartão de simpatizante do voleibol. Um erro.

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Lógica

São ambos espaços públicos, pagos pela Câmara de Guimarães. Num, que é fechado, é permitido fumar. No outro, ao ar livre, não se fuma. Tem lógica?
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Até quando?

Tinha deixado aqui a sugestão. Os Peixe:Avião, a banda que está a surpreender o panorama musical português, estiveram no CCVF no sábado. Estive lá, a ver ao vivo como a banda está a crescer. Muita evolução desde o concerto no Barco Rock Fest e a certeza de que 40.02 é um dos melhores discos de estreia que ouvi em Portugal.

Muito bom o concerto, pois. Para quem o aguentou. O Café Concerto do CCVF não é um espaço para cultura. Não basta mudarem a disposição das mesas e abrirem caminho até ao palco. Nem é o facto de metade da sala estar na conversa enquanto Ronaldo Fonseca apresentava o extraoridnário “Barbitúrica Luz”. O que incomoda é ir a um espaço público carregado de fumo.

Há extracção que justifique a possibilidade de fumar na sala? Se há, funciona mal, tal era a nuvem de fumo que o Café Concerto apresentava. Houve quem tivesse aguentado aquilo até ao fim (o concerto assim o pedia). Mas houve também quem se tivesse sentido mal.

Não contem comigo para continuar a pagar entrada num espaço assim. Enquanto se fumar ali dentro, é um espaço riscado do meu roteiro pessoal. Até quando?