Carce de 900 pessoas lotaram a plateia do São Mamede na noite de quarta-feira. Com tudo para dar errado, o concerto dos Nouvelle Vague deu certo. Bem certo. Foi, no essencial, uma prova de maturidade. Da sala, da cidade enquanto palco cultural e do público vimaranense.
O São Mamede combate a postura aburguesada dos vimaranenses. Habituamo-nos à cultura ao fim-de-semana, mas temos dificuldade em aceitar um concerto a meio da semana (mea culpa). A sala arriscou e ganhou, na senda do que vem acontecendo nos últimos meses: espectáculos com público sólido, a pedir casa cheia.
O concerto de quarta-feira foi também uma prova de vitalidade do público local, pela forma como correspondeu à chamada e encheu a sala (mesmo à hora do futebol). Mas não havia só vimaranenses no São Mamede. Havia muita gente de fora, o que mostra a vitalidade da cidade enquanto palco de cultura. Não há mais nenhuma cidade de média dimensão que tenha dois centros culturais a funcionar com esta vitalidade.
Quanto ao espectáculo, as comparações com o concerto de há um ano, na mesma sala, são inevitáveis. Ganha o primeiro. O alinhamento, os "números" na interacção com o público e a apresentação das canções peca pela semelhança. Valeram, ao menos, músicas novas, do próximo album da banda. Blister in the Sun tem uma muito boa versão.
O São Mamede vai continuar a apostar na música. A única banda de culto que este país tem estará lá em Março. Ver Mão Morta em Guimarães é uma espécie de sonho pessoal que vou poder concretizar.