Multiusos: Festival de Inverno
Escrevi ontem sobre os sete anos da cidade desportiva e as reservas que mantenho quanto à gestão do Multiusos, nomeadamente em termos culturais. O espaço é magnífico e passa demasiado tempo encerrado. Assim, uma das ideia que me parecem fazer sentido para dinamizar o pavilhão de Guimarães passaria pela realização de um festival de música.
Não seria difícil encontrar apoios (a cerveja que mais festivais patrocina é parceira da Tempo Livre, por exemplo). E era uma forma de, mesmo que os pimba continuem a passar por lá, haja um pouco mais de qualidade na oferta cultural do Multiusos. É só uma ideia.
Think Pong: Sete vezes sete - o que vale a Tempo Livre
Passam sete anos desde a inauguração da Cidade Desportiva. Nesse tempo foi a cooperativa Tempo Livre a principal intérprete das linhas orientadoras do município em matéria de desporto. Mas a acção da cooperativa vai para além do desporto, nomeadamente devido às características do Multiusos. E é aí que está a sua principal falha.
Mas vamos por partes. A Tempo Livre gere sete áreas distintas, umas com maior sucesso do que outras. O complexo de piscinas e o parque Scorpio são, a meu ver, duas apostas ganhas. Quer em termos de competição, como de incentivo à prática desportiva. Boa tem também sido a gestão dos pavilhões desportivos das escolas, abrindo-os como mais um local de prática desportiva, o que é verdadeiramente relevante nas áreas periféricas do concelho.
O principal trunfo da cooperativa é CMAD. O Centro Médico é um equipamento único no país, que oferece um serviço que é verdadeiramente de interessa público, contribuindo para a prática de desporto em segurança, num concelho onde se multiplicam os espaços desportivos, formais e informais.
Curiosamente, o CMAD funciona nas instalações daquela que é, a meu ver, um dos grandes fracassos da política de desporto a Tempo Livre. A pista de atletismo Gémeos Castro nunca conseguiu afirmar-se na área do atletismo. Tirando os nacionais de corta-mato (à volta da pista e não dentro dela), pouco ou nada de relevante em matéria de atletismo tem sido feito naquele equipamento. O relvado foi entretanto rentabilizado com as escolinhas de futebol e a equipa de rugby, mas a pista tem servido para pouco mais do que circuito de manutenção para semi-amadores e veteranos. É pouco para a dimensão do investimento.
A Tempo Livre tem sido também incapaz de garantir que a pista de cicloturismo existente no traçado da antiga ligação ferroviária a Fafe se assuma como um espaço de lazer e desporto. Além de um espaço pouco usado, o equipamento dá ares de abandono e descuido, que, quilómetros à frente, no concelho vizinho, desaparecem.
Mas o grande ponto de discussão da acção da cooperativa de desporto é o Multiusos. Do ponto de vista desportivo, este foi, nos inícios, um local onde havia uma forte aposta, com eventos de grande nível a passarem por Guimarães. Nos últimos dois anos praticamente não houve desporto no Multiusos. E ainda que a tendência pareça inverter-se por estes dias, não apaga o facto de, nos últimos tempos, o pavilhão ter sido mais um centro de exposições e congressos (com sucesso, diga-se) e um espaço de concertos chunga e musicais infantis.
Não sei se faz sentido que o Multiusos tenha programação própria (provavelmente não) mas a programação parola e a falta de visão (que até existe noutra áreas) mostra apenas uma coisa: a Tempo Livre tem vocação para a gestão desportiva. Mas não lhe peçam mais do que isso.
MFL: depois do silêncio
Pim, Pam, Pum. Fugiu-lhe a boca para a verdade? Mais valia o silêncio. Plof!Think Pong: Desafio, eleições e transparência
O Orçamento da Câmara de Guimarães para 2009 tem um valor financeiro brutal. 130 milhões de euros para serem geridos por uma cidade de média dimensão é um exercício exigente. Mas, neste campo, Guimarães tem dado o exemplo, ao executar obra dentro de prazos e valores perfeitamente compatíveis com a dimensão dos investimentos, o que é caso raro num país marcado por desvarios gestionários e deslizes orçamentais nas obras públicas.
Há três níveis de análise associados ao documento aprovado na quinta-feira, com os votos apenas da maioria socialista na autarquia. O primeiro é o do extremo desafio que será este ano a transferência da gestão das EB 2,3 para o poder local. No caso de Guimarães são nove escolas e 600 funcionários, com um impacto no orçamento na ordem dos 25 milhões, aos quais se somam 10 milhões de investimento na renovação do parque escolar do primeiro ciclo. É, sem dúvida, um desafio. E é um desafio de exigência a que a autarquia terá que saber responder, como o fez no passado recente, embora este tenha uma dimensão superior.
Por outro lado este é claramente um orçamento de véspera de eleições. Há muitas obras projectadas, em vários pontos do concelho e um nível de investimento sem paralelo nos últimos anos, na senda, aliás, do Orçamento Geral do Estado. Havendo o perigo de deslizar para o eleitoralismo, importa que a autarquia explique porque é que algumas destas obras apenas avançam em 2009.
Por último, algumas das obras já previstas no Orçamento municipal para o próximo ano levantam uma questão de transparência ao nível das decisões que choca com aquilo que, há um ano, elogiava no executivo. Os “cinco projectos” avançam, todos eles com verba destinada no documento fundamental para 2009, mas os vimaranenses, que tanto se empenharam na discussão dessas iniciativas, ainda não conhecem a decisão final da Câmara.
Também a Capital da Cultura assume uma importante quota das verbas a ser investidas no próximo ano, com valores na ordem dos 25 milhões de euros para os projectos a ela associados. E o que conhecemos da CEC? Nada, ou quase nada. Ninguém conhece os contornos do projecto, nem quem o liderará, mas já há verba destinada ao evento, incluindo 4 milhões de euros para o orçamento da empresa que vai gerir a iniciativa, mas cujos dirigentes não estão ainda encontrados.
Sem transparência, sem prestar contas aqueles que contribuem para este orçamento de valores elevados, o exercício político fica fragilizado. Será que até à Assembleia Municipal em que o Orçamento será ratificado ficaremos esclarecidos?
[música] Sigur Ros
A outra Champions
A partir das 16h00, o Vitória volta a fazer história. A formação de voleibol é a primeiro equipa portuguesa a jogar a CEV Champions League, a principal prova europeia da modalidade. A estreia está marcada para Moscovo, frente a um gigante europeu, o Dínamo. As diferenças de orçamento são abismais, mas nada que assuste o Campeão Nacional de Voleibol.Ainda as contas do Vitória
Ainda atónito com o resultado da gestão da direcção de Emílio Macedo da Silva, fui ler em pormenor as contas da época de 2007/2008. Alguns números ajudam a perceber a gestão descuidada e a falta de nexo nas prioridades do Vitória, que devemos ter em conta na hora de votar na AG.
O resultado líquido de mais de dois milhões de euros negativos é atribuído ao aumento dos custos com o pessoal e dos custos com fornecimentos e serviços externos. O plantel curto e com poucos reforços – João Alves e Alan eram os únicos com salários de clube grande – não se percebe onde está o grande aumento dos custos com pessoal. A menos que esse se tenha verificado noutros sectores que não a equipa sénior de futebol.
É que as contas dizem que os custos com pessoal aumentaram quase 2,5 milhões de euros para os 5,9 milhões anuais, o que é uma folha salarial de impor respeito. E o activo líquido diminuiu 600 mil euros. Dá que pensar.
Nas contas surge também o investimento em equipamentos de transporte, no valor de 500 mil euros, o que vem de encontro ao que tinha afirmado anteriormente: um dos poucos investimentos da época foi o autocarro da equipa principal. Era esta uma prioridade?
Até porque, o Vitória investiu 174 mil euros em jogadores, o que é incompreensivelmente pouco, face às responsabilidades do clube e ainda para mais face ao descalabro dos números finais.
Como pontos positivos da gestão financeira do Vitória saliento a diminuição das dvidas de curto prazo (- 300 mil euros), ao Estado (-80 mil euros), adiantamento por conta de vendas (-250 mil euros), outros credores (-100 mil) e provisões (-350 mil euros), ao todo pouco mais de um milhão. Em sentido contrário as dívidas a instituições de crédito cresceram 1,5 milhões (com base em que garantias?) e as dívidas a fornecedores são mais 700 mil euros.
Lidas as contas, continua a ser incompreensível que o Vitória apresenta este resultado de gestão tão mau. Ainda para mais num ano em que as receitas aumentaram quase 4 milhões de euros, com 3,5 milhões provenientes de publicidade e direitos televisivos e 2,1 milhões saídos dos bolsos dos sócios (quotas e lugares anuais). Alguém tem muitas explicações para dar na Assembleia-Geral.
É fazer as contas
Vale a pena ser sócio do Vitória? Só mesmo por paixão!
A quota mensal do Vitória custa 11,25 euros, o que perfaz um total de 135 euros no final dos 12 meses do ano. A estes junta-se o lugar anual, com uma preço médio 30 euros. Ou seja, 165 euros é o preço médio para assistir aos jogos do Vitória em casa, descontando os bilhetes para a Taça de Portugal, Taça da Liga, UEFA e, este ano, Champions. Neste momento, graças à mini-Liga inventada pelo senhor Hermínio Loureiro, só temos 15 jogos em casa por época. As contas são fáceis de fazer: cada jogo sai a 11 euros.
E não é que quem não é sócio paga apenas 7,5 euros para ir ver os jogos? A direcção do Vitória criou – e muito bem! – a modalidade de bilhete de acompanhante. Foi uma forma inteligente de levar mais gente ao Afonso Henriques e de captar mais sócios. Nada contra os bilhetes para não-sócio, portanto.
O que é grave é que os sócios não têm praticamente nenhuma regalia em sê-lo, além da manifestação de paixão pelo clube. Mas ser sócio de um clube não deve servir apenas para o financiar – e no ano passado demos ao clube quase 2,3 milhões de euros. Ainda por cima quando vemos o nosso dinheiro a ser delapidado por uma gestão catastrófica.
Lembrete: mudou a hora
Passividades
Foi com espanto que recebi a notícia do aumento do passivo do Vitória na última época.
Ainda por cima quando o presidente do Vitória tinha dado, não há muitos meses, várias entrevistas aos jornais desportivos nacionais em que garantia que o passivo estava controlado e que ia ser abatido logo no exercício 2007/2008.
Ora o que nos trouxe a realidade foi um resultado líquido de 2,1 milhões de euros negativos e um aumento do passivo pouco mais baixo, na ordem dos 1,7 milhões de euros.
De memória, lembro-me de meia dúzia de despesas que possam justificar esta resultado: a compra do autocarro do clube e das carrinhas para as camadas jovens, o novo campo sintético e o encerramento do Bingo.
Mas a época passada foi a época de todos os encaixes. O Vitória voltou a ter publicidade nas camisolas, depois de uma época sem sponsors, houve um acordo de publicidade no estádio e complexo com o Continente e a venda no naming da bancada nascente à Super Bock. A estes juntam-se as saídas de Pele e Rabiola, com as quais se esperava o Vitória teria feito um bom negócio e um aumento do número de sócios e de lugares anuais vendidos. Com praticamente a mesma equipa da época anterior, com salários em muitos casos baixíssimos para um clube que ficou em 3º lugar e um investimento reduzido no reforço da equipa.
Como foi possível chegar a este valor? À primeira vista e face à incapacidade demonstrada pela direcção do Vitória em apresentar uma justificação sustentada, a resposta é a má gestão financeira do clube. E, face a este descalabro, os sócios não podem ser passivos. Sexta-feira à noite temos a palavra.
Do Riso e do Esquecimento: Viver (n)o Centro
No regresso às crónicas no ComUM a renovação urbana é o tema, com um enfoque especial em Braga e Guimarães.Think Pong: Um Piddac insuflado
O Piddac deixou de ser o instrumento fundamental de análise dos investimentos do Estado nos diferentes concelhos do país. Não só porque raramente é cumprido, como outros investimentos são efectuados, de ano para ano, ao abrigo de outros programas de acção. Ainda assim não deixa de ser um documento importante para percebermos as grandes opções dos governos.
O Piddac para 2009 é particularmente positivo para a região. O distrito de Braga vai receber mais 40 milhões do que no ano passado, o que faz dele o sexto a nível nacional, quando no ano passado era apenas o décimo. Guimarães é um dos concelhos responsáveis por esta subida que, a meu ver, peca por escassa – as duas principais cidades do distrito, mas também Famalicão ou Vila Verde, por exemplo, têm dinâmicas empresariais, culturais e cívicas que justificavam outro nível de investimento do Estado.
Mas centremos a análise no investimento previsto no Piddac para Guimarães. É o segundo concelho do distrito com maior dotação, passando dos míseros 600 mil euros de 2008 para uma verba inscrita de 14 milhões. À primeira vista é uma notícia excelente, ainda que 85 por cento do dinheiro se destine à Capital Europeia da Cultura de 2012.
Este é um projecto de grande monta e com o qual o governo quer dar um apoio muito importante à modernização e desenvolvimento de Guimarães. Parece-me por isso muito positivo um nível de compromisso tão elevado a quatro ano do evento. No entanto, uma análise mais profunda do Piddac mostra que, se excluirmos a CEC, o Estado quer investir no próximo ano pouco mais de 1,6 milhões no concelho. O que é manifestamente pouco.
Este é por isso um Piddac insuflado. Insuflado pela CEC e pelo programa nacional de renovação do parque judicial que constitui mais de 500 mil euros dos 1,6 milhões. Ou seja, resumindo, as verbas destinadas a Guimarães são pouco mais de um milhão de euros, quase todos destinados à nova unidade de saúde de S. Torcato. É pouco, muito pouco para um concelho desta dimensão.
No entanto, a análise deve ser, quanto a mim, feita pela positiva. Os 12,3 milhões que o Piddac destina a Guimarães para preparar a CEC estariam neste momento a ser investidos de qualquer das formas noutro concelho do país. E, não fosse o Berço nomeado para 2012, não havia garantias de que outros investimentos aqui fossem realizados. Por arrevesada que seja esta lógica, é ela que preside aos investimentos públicos. E, em face disso, este é o melhor Piddac para Guimarães em muitos anos.
Um cartão curtinho
Na semana passada, a Câmara apresentou o Cartão Jovem municipal, fruto de um acordo com a Movijovem. A iniciativa saúda-se, obviamente. Mas há dois ou três dados a reter.
Primeiro, a Câmara seguiu uma iniciativa lançada pela JSD. Se é verdade que o facto mostra abertura democrática do executivo, não é memos verdade que é sempre um mau sintoma quando um partido de poder se deixa ultrapassar assim na sua capacidade de promover a qualidade de vida da população. Nesse espaço voltou a não se ver a JS. Sintomático.
Além disso, o Cartão Jovem municipal é apenas um cópia de um modelo nacional. Que ainda por cima existe há vários anos, perante a passividade da autarquia. Fica a ideia de que perdemos uns anos de vantagens…
Por último, o Cartão apresentado na semana passada é curtinho. Curtíssimo. As vantagens ficam-se apenas pelos serviços autárquicos e das empresas municipais. É manifestamente pouco num concelho jovem e com uma actividade cultural e associativa, por exemplo, viva. O cartão parece feito à pressa decidido por mero aperto de prazo político, que não deu tempo para contactar as entidades, que agora a Câmara quer ver como parceiras.
Também em matéria de juventude, a AMAVE apresentou o projecto Enjoy, uma espécie de Erasmus para jovens recém-licenciados que vai oferecer três meses de estágio em empresas internacionais de países como a Alemanha ou a República Checa. A AMAVE aproveita da melhor forma a abertura do programa Da Vinci para promover a formação dos seus jovens. Excelente iniciativa. Embora seja uma falácia falar-se em combate ao desemprego, com os seus responsáveis quiseram fazer.
Adivinha quem voltou?

InFormal

Eles estão a construir qualquer coisa grande

Já tinha demonstrado a minha feliz surpresa quando assisti à primeira peça do novo Teatro Oficina. Depois de Will Eno, o TO virou-se para um autor nacional e, acertadamente, pediu a Jacinto Lucas Pires (um dos melhores da nova geração da literatura nacional) para escrever propositadamente para a companhia vimaranense.
É uma boa ideia a da escrita exclusiva, embora falte ainda uma necessária ligação do texto e do autor com a cidade (algo que esta ideia parece querer contrariar).
O resultado é bom. O texto de Silenciador não tem a densidade de Tragédia, mas é muito bem desenhado. Um universo panóptico-futurista nada despropositado em tempos de incerteza global e uma piscadela de olho à ficção científica, que a que encenação consegue dar um toque cinematográfico sem perder a essência do teatro.
A encenação é, aliás, um dos grandes trunfos do TO. Duas personagens formatadas pelo “sistema” e uma viúva-imigrante-pega que tem a densidade que falta aos outros dois. Excelente também o cenário e a luz. O TO está no caminho certo. E está a construir qualquer coisa grande de que Guimarães se vai poder orgulhar. Vão lá ver: entre quarta e sábado.
Regresso ao Clube
Na próxima terça-feira, às 13h00, regressa o Trio de Jornalistas à antena do Rádio Clube Português. O programa marca também o meu regresso à antena do Clube Minho, depois de ter participado no ano passado no Trio de Bloggers. No Trio vou fazer companhia à Luísa Teresa Ribeiro, coordenadora do Diário do Minho e autora do A culpa é dos jornalistas, ao Pedro Antunes Pereira, jornalista do JN, autor do Para quando a nossa revolução, e ao Pedro Costa.Sintonizem o Rádio Clube, em 92.9.
Think Pong: Um país livre não pode compactuar com totalitarismos
É quase uma inevitabilidade que, no início de cada ano lectivo, o país discuta as praxes académicas (prática corrente nas universidades, e hoje absurdamente estendidas a outros níveis de ensino). Este ano, a discussão foi acesa por mão governamental, o que é uma novidade em Portugal e um sinal de que algo está a mudar.
O ministro Mariano Gago esteve bem quando este ano alertou as direcções das universidades e politécnicos para os abusos da praxe. Foi apenas coerente com a sua própria consciência depois de há uns anos lhes ter chamado, muito apropriadamente, “práticas fascistas”. E abriu a porta a uma maior atenção do Estado para com estas práticas, que pode levar até à sua intervenção.
É a mais dura e crua das verdades: As praxes académicas e todo o sistema que gravita em torno das mesmas são uma prática fascista e castradora da liberdade. Ao contrário do que apregoam os defensores da dita, a praxe não é inclusiva, é totalitária. E um Estado livre não pode admitir que dentro das suas instituições – como é o caso da Educação – existam práticas que, noutro âmbito, seriam certamente consideradas criminosas.
Os decisores públicos e políticos são escolhidos para decidirem o melhor para os cidadãos de acordo com os valores do Estado. Quando uma prática atenta contra valores básicos nem devia ter discussão a manutenção de tais práticas: Portugal devia pura e simplesmente proibir este tipo de práticas pestilentas no interior de espaços públicos.
Há todo um sistema perverso que a praxe entroniza. A começar pela castração de direitos aos novos alunos. Esta realidade é estendida e amplificada quando toca àqueles que legitimamente se colocam fora desta prática obtusa, com a complacência das instituições pública. E isto faz com que a Universidade, outrora um espaço de afirmação dos valores democratas e da liberdade, seja hoje um espaço onde o espírito livre e crítico é toldado por uma mão controladora.
O que dizer por exemplo da atitude da direcção do Piaget de Viseu que voltou a permitir a praxe depois dos protestos dos alunos? É lamentável e revoltante. Mas explica-se facilmente. As lógicas de poder dentro das universidades assim o promovem. Há uma inadmissível cumplicidade entre quem dirige as praxes e as associações académicas. Como há uma torcida lógica de conivência entre as reitorias e as Académicas. O objectivo é perpetuar o poder e os benefícios que dele se tiram, nem que para isso seja necessário como neste caso recuar numa decisão por pressão dos alunos.
É tempo de acabar com isto.
O regresso dos Campeões
Os campeões nacionais de voleibol regressaram ontem à competição. Com um triunfo anormalmente difícil, o Vitória bateu o
Esmoriz na primeira ronda no nacional A1 e começou a construir o caminho que espero leve a uma histórica dobradinha esta temporada.
A caminho vêm também os embates da Liga dos Campeões, competição em que pela primeira vez uma equipa nacional marca presença. Não se podem é cometer os erros de ontem e esperar que duas unidades fulcrais como Eurico Peixoto e Filipe Cruz, de fora por lesão, estejam prontos para esses embates.
Uma nota final: As modalidades amadoras perderam a autonomia de gestão que marcou a sua vida nos últimos anos do Vitória. Se o modelo anterior teve bons resultados, a exigência face à direcção do clube terá que se maior. A primeira medida foi acabar com o cartão de simpatizante do voleibol. Um erro.
Lógica

Até quando?

Tinha deixado aqui a sugestão. Os Peixe:Avião, a banda que está a surpreender o panorama musical português, estiveram no CCVF no sábado. Estive lá, a ver ao vivo como a banda está a crescer. Muita evolução desde o concerto no Barco Rock Fest e a certeza de que 40.02 é um dos melhores discos de estreia que ouvi em Portugal.
Muito bom o concerto, pois. Para quem o aguentou. O Café Concerto do CCVF não é um espaço para cultura. Não basta mudarem a disposição das mesas e abrirem caminho até ao palco. Nem é o facto de metade da sala estar na conversa enquanto Ronaldo Fonseca apresentava o extraoridnário “Barbitúrica Luz”. O que incomoda é ir a um espaço público carregado de fumo.
Há extracção que justifique a possibilidade de fumar na sala? Se há, funciona mal, tal era a nuvem de fumo que o Café Concerto apresentava. Houve quem tivesse aguentado aquilo até ao fim (o concerto assim o pedia). Mas houve também quem se tivesse sentido mal.
Notas sobre o derby
- Enquanto houve pernas, o Vitória mostrou que é mais equipa que o Braga. Pena é que tivessem sido apenas 30 minutos;
- 30 minutos foi quanto durou o entusiasmo nas bancadas do Afonso Henriques. Depois houve cansaço (é dia de trabalho), nervosismo e excessiva vontade de insultar os vizinhos;

- As tarjas dos adeptos do Braga vinham escritas
- Evaldo, o lateral-esquerdo do Braga, é um excelente jogador. Mas 80% dos lançamentos laterais que executa são irregulares;
- A haver um vencedor seria o Braga. Nunca assumiu o jogo, mas é venenoso no contra-ataque. Renteria, felizmente, é um bom defesa-central para os adversários;
- Nilson é um senhor. O melhor guarda-redes do campeonato nacional fez um magnífica exibição atrás de uma dupla de defesas-centrais de arrepiar;
- É confrangedor ver a equipa sem pernas e olhar para o banco e ver apenas Fajardo e Coral como opções. Juntos não fazem um jogador de futebol;
- Um repórter de uma rádio de Braga equipado com um colete do Portsmouth não é só sinal de rivalidade. É mesmo sintoma de estupidez;
A análise mais aprofundada ao jogo estará aqui ao fim do dia.
Blogosfera científica
A blogosfera minhota é o objecto de estudo de um grupo de investigadoras do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho. O objectivo é caracterizar os blogueres do Minho, de forma a perceber quem está na blogosfera e quais as suas motivações.
Os primeiros resultados deste estudo serão apresentados no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, que decorre a 11 e 12 de Dezembro, na Universidade do Porto.
O Colina Sagrada já respondeu ao inquérito das investigadoras. Agora, aguardamos os resultados. Bom trabalho!
Think Pong: Que turismo?
O presidente da Câmara, António Magalhães, recebeu na semana passada a Medalha de Mérito Turístico em prata pelos serviços prestados ao turismo português. No total foram agraciados 15 personalidades e instituições, entre desportistas, empresários e gastrónomos e os autarcas de Grândola e Óbidos. Sem conhecer ao certo as razões que levaram o autarca e Guimarães a serem distinguidos, vale a pena debater um pouco o trabalho que tem sido feito pelo turismo vimaranense.
Guimarães tem há longos anos uma Zona de turismo própria. E, apesar de algumas ideias avulsas com alguma inteligência (áudio guias e conteúdos para telemóveis), o resto é de uma confrangedora falta de orientação, que inclui uma promoção parca em mercados limitados, ofertas incongruentes como a “Feira Joanina” e o fim de eventos importantes como a Feita do Comer e a Feira do Artesanato.
É gritante a forma como, ao fim de duas décadas de investimento na área, Guimarães continue a ter um índice de reconhecimento internacional tão parco. Poucos são os estrangeiros com quem um vimaranense se cruze e que conheçam Guimarães. O facto de dois jogos do Euro 2004 ou as presenças do Vitória nas competições europeias serem mais eficazes a promover o nome da cidade, do que a presença da ZTG nas feiras internacionais atesta da falência do projecto turístico vimaranense.
A prova mais evidente desta realidade foram as declarações que Bob Scott, o líder do painel de selecção da Capital da Cultura 2012, fez na visita que fez a Guimarães,
Ao todo são mais de 15 milhões de euros para promover Guimarães. Mas quantos milhões foram gastos ao longo de todos estes anos? E nada disso impediu que alguém tão bem informado como Bob Scott tivesse apenas uma vaga ideia do que era a cidade antes de aqui chegar. Imaginem, pois, como será com o europeu médio.
A própria promoção da CEC está a ser feita de forma incipiente, com recurso a postais. Não há uma lógica na comunicação de Guimarães como cidade e como mercado turístico. E há uma série de produtos mal aproveitados, com as Nicolinas à cabeça, os museus locais ou a herança castreja.
Guimarães é um bom produto. Mas é mal vendido.
Do outro lado: Turismo Premiado.
Noite de Derby
Este é "o jogo", como já no ano passado tinha dito. O jogo que ninguém, dos dois lados da barricada, quer perder. E, um ano depois, as posições mantêm-se: O Vitória, com menos equipa e menos orçamento, está à frente do Braga. Mas as semelhanças em relação à temporada passada ficam por aqui.Há um ano, Fajardo era o herói de Guimarães. Hoje, é o ódio de estimação dos adeptos vimaranenses e o responsável primeiro pelo eliminação na Taça UEFA. Há um ano, o Vitória já tinha uma equipa. Hoje, entre lesões, castigos e falta de coragem no mercado de transferência, tem um grupo jeitoso, que pode fazer uma época apenas interessante. Há um ano, o Braga não tinha treinador. Hoje, tem um dos melhores e mais injustiçados técnicos nacionais. Há um ano, tinha confiança para o derby. Hoje, vou ao estádio desconfiado.
Mas se houver pernas e a qualidade da primeira parte frente ao Portsmouth, vamos ganhar.
"There is only one Ronaldo"
Feito!
Chama-se "As fontes jornalísticas na era digital: relações e encenação" e é a responsável pelo pouco tempo que tenho dedicado ao Colina Sagrada. Entrgue a Tese de Mestrado, e com o trabalho bem encaminhado, vou escrever mais regularmente.Think Pong: Temos uma política de juventude?
Têm sido várias as vozes que se levantam para discutir a existência (ou não) de uma política municipal para a juventude. No entanto, quando se fala de política de juventude há que limitar a geração que incluímos nesta análise. É deste erro básico que se tem feito o diálogo de surdos entre a autarquia e quem com ela quer dialogar.
A Câmara diz que tem uma política para a juventude e dá os exemplos da aposta na Educação (Ensino Básico) e de iniciativas meritórias como o serviço educativo do CCVF ou as férias desportivas do Tempo Livre. Isto é um exemplo de política de juventude? É, se estivermos a falar de crianças e adolescentes. Mas não estamos.
Se a análise se centrar no escalão etário 18-25 as coisas mudam de figura. A autarquia não tem uma política para esta geração (que é a minha). A autarquia não tem uma linha orientadora – como noutras tantas coisas – que permita desde logo abranger o que faz ou não parte de um verdadeiro projecto para os jovens vimaranenses.
Guimarães ainda não percebeu, por exemplo, qual é a mais-valia dos estudantes universitários (apesar de levar a dianteira no que toca a “aproveitar” o potencial de investigação da UM). E os decisores locais estão totalmente alheios aos estilos de vida, preocupações e dinâmicas culturais desta faixa etária.
Não há programas de ocupação de tempos livres para esta camada, não há iniciativas culturais ou formativas para este alvo. Não há, em suma, quem se aperceba que esta é uma falha da gestão política local. Salvam-se algumas insuficientes excepções.
A Tempo Livre oferece pelo menos condições para a prática desportiva e oferece alguns eventos que (gostos à parte) têm o seu público. Mas, acima de tudo, salva-se o CCVF. Se há “produto” que este ano teve mérito no centro cultural foi o festival Manta. Está bom de ver quem é o seu público. Ou o dos concertos de Mesa, no último sábado, Goran Bregovic, Rita Redsohes, etc.
A minha crítica é que estas são medidas avulsas a que falta a coerência de verdadeiras políticas públicas. Mas não chega “culpar” a Câmara pelo panorama deprimente que se coloca à minha geração. O que é feito, por exemplo, do CMJ? E as juventudes partidárias o que é que acrescentam à discussão pública local? E as associações preocupam-se particularmente com os jovens nas suas realizações? A reposta parece-me negativa e temo que este seja, por isso, um problema estrutural de Guimarães.
Desigualdades
No concelho com uma taxa de desemprego altíssima esta é uma situação grave, que merecia outra energia dos responsáveis políticos.
Think Pong: Basta colocar-nos no mapa?
O ano de 2008 está a ser particularmente intenso. Uma espécie de ano de afirmação, em que os responsáveis parecem ter sabido encaixar críticas e alargar a oferta. Os espectáculos que já passarem pelo CCVF e o reforço do serviço educativo parecem-me começar a justificar o investimento municipal ali feito. Mas falta mais, porque ao Vila Flor não basta ser uma das principais salas de espectáculos nacionais, é preciso também ter implantação na sua cidade e no seu concelho.
O centro cultural tem mostrado este ano que tem um caminho bem definido e um projecto traçado. A música continua a levar muita gente àquele espaço, as à World Musica e ao Jazz que já faziam parte da oferta habitual, juntaram-se apostas na música portuguesa e no indie rock (no excelente Manta) que asseguram uma diversificação de públicos.
E depois houve duas apostas certeiras. No teatro, a acompanhar o esforço de profissionalização e solidificação do Teatro Oficina a que Guimarães tem dedicado um estranho esquecimento. E também na dança contemporânea. O Vila Flor soube interpretar o mercado e apostar num nicho que o Porto tinha deixado escapar depois da “privatização” do Rivoli.
Há um caminho, portanto. E há visão. De resto, o Theatro Circo tantas vezes apontado como exemplo a seguir pelo CCVF, entrou em crise, provocada entre outras coisas pela falta de consciência do que deve ser a gestão de um espaço destas características. O Vila Flor está de pedra e cal, com menos recursos, mas uma melhor gestão.
Mas não são perfeitos os dias que correm no centro cultural vimaranense. Às muitas críticas que a sociedade civil local vai fazendo, junto também as minhas. A começar pelo modelo de exploração do café-concerto, nunca resolvido, e que converte um dos potenciais espaços-nobres do centro cultural numa estranha miscelânea que o torna um palco pouco apelativo para público e artistas.
O CCVF tem dificuldades em “vender-se”. É incompreensível que os órgãos de comunicação social especializados dêem tão pouca atenção ao centro cultural vimaranense. E o Vila Flor vende-se mal por excesso de pudor. Bastava “vender” um qualquer micro festival a alguém bem colocado para estar nos jornais e revistas da especialidade.
Outro ponto fraco é a parca ligação com Guimarães, que é, de resto, admitida pelos seus responsáveis. O festival Manta, nos moldes de 2007, parecia inverter essa tendência. Mas até esse se foi. E hoje são poucos os espectáculos que levam os vimaranenses aos auditórios ou a galeria do palácio. Para a grande maioria da população, o que acontece em Vila Flor passa ao lado e é necessário encontrar novos motivos para levar gente ao CCVF (sem baixar a qualidade, nem entrar no delírio de colocar todas as associações locais em cima daquela palco). Podia passar por levar lá artistas vimaranenses. Mas, exceptuando nas artes plásticas, temo-los em qualidade e quantidade?
Nota: excepcionalmente, o Think Pong é publicado esta semana à terça-feira, devido a compromissos pessoais.
Um concurso obsoleto
O facto de os exames de secundário terem primado pela facilidade insuflou artificialmente as médias de acesso. Algumas Engenharias tiveram subidas de média na casas das duas unidades. Isto significa que muitos alunos cujas notas cobriam perfeitamente as exigências anteriores nas suas licenciaturas-alvo, viram a entrada no Ensino Superior lacrada por um modelo de acesso que está obsoleto.
Como se comprova com o concurso deste ano, basta introduzir um iniquidade ligeira para pôr em causa três anos de trabalho. Há aqui uma inversão de valores problemática, que atenta contra a avaliação contínua. O modelo de acesso às universidades e politécnicos não escolhe os mais aptos para cada curso, porque o faz depender apenas das classificações escolares - bastante sujeitas a distorções exógenas.
Defendo que devia existir um modelo como nos mestrados e doutoramentos, com base em critérios muito mais alargados e ponderados, como os curricula dos candidatos e as experiências pessoais anteriores. Ou a introdução de uma prova de acesso na faculdade a que se candidata, bem como entrevistas e testes psicotécnicos.
Na primeira fase de acesso ao ensino superior público foram colocados 44.336 alunos, mais 2.400 alunos do que no ano passado. E este é o número de admissões mais elevado dos últimos 12 anos. Sejam quais forem as razões por detrás destes números, o facto é que haverá mais jovens a enveredarem por uma formações superior, o que para um país abaixo de todas as médias no que diz respeito à formação dos seus cidadãos, é uma nota positiva.
Por último, e apesar do aumento de colocações, há uma centena de cursos com menos de dez alunos colocados. A Universidade portuguesa está dividida entre “ricos” e “pobres”. Há cursos perfeitamente sobredimensionados e desfasados da realidade. As diferenças abismais de qualidade de formação entre universidades - e mesmo dentro da mesma instituição - não fazem nenhum sentido, e vão apenas contribuir para que, mesmo mais formados, estes jovens portugueses não venham a ser, necessariamente, melhor formados.
A crise do PSD local
O regresso de férias trouxe novidades políticas mais cedo do que se esperava. A comissão política do PSD de Guimarães demitiu-se, abrindo portas a eleições antecipadas para a liderança do partido. A cerca de um ano das autárquicas, o nome do próximo líder dos social-democratas vimaranenses assume particular relevo porque ajudará a perceber quem será o candidato que se vai apresentar frente a António Magalhães em 2009.As autárquicas são, aliás, o principal motivo da queda da liderança de Emídio Guerreiro. Por muito que o deputado evoque o pouco tempo que o novo cargo de secretário-geral ajunto deixa à liderança da concelhia – situação que era facilmente contornada se Guerreiro tivesse assumido logo que foi eleito para o cargo nacional – a dificuldade em encontrar um cabeça-de-lista é, na prática, o motivo da actual crise interna.
E a mensagem que o PSD faz passar, mesmo contra a sua vontade, é a de que entre as hostes sociais-democratas a derrota em 2009 é tida como certa. Só assim se percebe que os vários nomes sondados tenham sempre escapado a assumir a luta com Magalhães. Se o PSD não se convence que é alternativa à actual liderança autárquica, dificilmente vai conseguir convencer os vimaranenses disso.
Aliás, protelar esta indefinição só trará problemas ao maior partido da oposição. E o risco de perder votos face às últimas autárquicas será tanto maior quanto o tempo que tardar uma solução. Pior mesmo do que esta indefinição só mesmo uma má escolha de candidato. E a verdade é que as soluções possíveis são cada vez mais escassas e com menor qualidade. Rui Victor Costa já disse que não avançava, Emídio Guerreiro não tem tempo, Carlos Vasconcelos parece uma carta fora do baralho. Mesmo Roriz Mendes – que seria um erro político grosseiro – disse que não. Quem resta afinal para ser carne para canhão nas eleições do próximo ano?
Think Pong: O que vale o Avepark?
As causas para este atraso são várias, mas não podemos afastar a responsabilidade política dos sucessivos governos que não perceberam o potencial de um investimento como este. É trágico quando o poder central de um país está mais atrasado em termos de concepções tecnológicas e economias do que os agentes locais.
Mas afinal, o que vale o Avepark? A avaliar pelas ausências notadas de altas figuras do governo da cerimónia de inauguração, politicamente vale pouco. As presenças do primeiro-ministro, José Sócrates, e do Ministro da ciência e tecnologia, Mariano Gago, chegaram estar anunciadas. Mas "motivos de agenda" afastaram os dois governantes e a inauguração contou apenas com o incipiente secretário de Estado da ciência e tecnologia, Manuel Heitor.
A inovação e a tecnologia como suporte ao emprego, verdadeira punch line do marketing político do governo do PS não passam disso mesmo. Quando é preciso mostrar apoio prático a iniciativas do tipo, o governo faz-se representar por um dos seus pesos-pluma. A ausência de Sócrates não tem justificação e é ainda menos compreensível quando o primeiro-ministro marcou presença, há poucas semanas, numa muito menos recomendável iniciativa de criação de emprego, em Santo Tirso.
Mas, numa região que enfrenta uma grave e continua crise, o Avepark é obviamente uma boa notícia. Pode ser o tão propalado ponto de viragem no paradigma económico da região. Depois de décadas de mão-de-obra barata e pouco qualificada, a ciência e a inovação podem ser o mote de uma nova vida do Ave. E Guimarães vai liderar esse projecto com todo o mérito. Porque foram os responsáveis autárquicos vimaranenses que conseguiram antecipar as exigências do seu tempo e criar condições para que hoje exista no concelho o maior e melhor equipado parque tecnológico.
De acordo com o presidente do conselho de administração, Manuel Mota, o centro tecnológico vai gerar, dentro de dois anos, dois milhões de euros anuais. Até ao final do próximo ano serão criados 1500 postos de trabalho e o objectivo ambicioso passa por atrair 200 empresas de base tecnológica no médio prazo.
A lista de empresas já instaladas ou que estabelecerem parcerias com o Avepark é muito boa. As metas são ambiciosas, mas mais importante do que isso, estão já a ser ultrapassadas. E, a confirmarem-se os números avançados por Manuel Mota, significará um incremento no PIB regional que vai tornar o Minho um novo actor na economia portuguesa.
O dito, o não dito e as eleições de Angola
Felizmente que não por aí que as notícias não chegam ao nosso conhecimento. Esta e esta (via AFP) notícias da edição online do Público apenas reforçam as incertezas quanto à transparência do processo eleitoral.
Em jornalismo, o dito é muitas vezes mais importante que o não dito. Neste caso específico, a opinião púlica portuguesa devia, mais do que lamentar a proibição de entrada de alguns dos mais importantes órgãos de comunicação social do país em Angola, questionar o porquê de outros terem sido autoriazados. Este post de Daniel Oliveira ajuda a compreender alguns dos mitérios. Com uma agravante: esta propaganda pró-JES é feita com o dinheiro dos contribuintes.
Think Pong

Dúvida que me assalta
O que leva o Diário do Minho a dar, dia após dia, cobertura a um microorganismo político como Manuel Monteiro?Contabilidade Organizada
Depois de uma temporada histórica em Guimarães, os espectativas estão altas. Mas com o Vitória a pisar os calcanhares aos três clubes que dominam o futebol português desde sempre, o clube torna-se um alvo apetecível de apitos, sistemas e esquemas afins.
Assim, nasce um blog. Das muitas conversas com os amigos e bloggers Rui "Riot" Ribeiro e Paulo Lopes. Chama-se Contabilidade Organizada e entrou online há dias.
O nosso objectivo será, durante o próximo campeonato, dissecar online o tema mais discutido do futebol nacional: as arbitragens. Serão 30 semanas de actividade, analisando os encontros do Vitória.
Nos próximos dias vamos também publicar o apanhado das arbitragens do Vitória da época passada. Durante a temporada fomos escrevendo textos avulso sobre os jogos da Liga, que agora são coligidos no blog. Durante as últimas semanas estivemos a fazer esse trabalho e a comparar com os vídeos disponíveis e os comentários dos jornais desportivos.
Por aqui vão também passar as noticias da semana no que à arbitragem nacional diz respeito e algumas das novidades internacionais acerca da integração de novas tecnologias, mudanças de regras, etc. No final de cada semana, vamos fazer as contas entre o "deve e o haver" dos jogos do Vitória. Para que no fim possamos fazer todas contas - com rigor e seriedade.
Quando a rivalidade é um jogo dos grandes
É centenária a rivalidade entre Braga e Guimarães. O que equivale a dizer que já havia idiotas no século XV. Guimarães e Braga têm tudo para ser duas das cabeças da terceira metrópole do país. E só não têm melhores condições porque durante anos não souberam percebê-lo.
Há cidades maiores do que a N 101. E há muito mais a ganhar do que a perder se as duas cidades funcionarem como um bloco na hora de negociar com o poder central. Teve que ser a União Europeia a impor as candidaturas multimunicipais como critério para o próximo quadro de apoio, para que o Quadrláterio, um conceito tão forte e antigo, pudesse começar a concretizar-se.
Esta rivalidade estendeu-se ao futebol. Nada contra. Até nas grandes cidades onde há mais do que um clube, há entre si uma rivalidade que pode ser tão extrema como a que há entre Vitória SC e SC Braga. No entanto, a recente onda de agudização da rivalidade minhota, tem causas externas. E isso é que é lamentável.
O Apito Dourado veio mudar o futebol português. Não em termos de arbitragens (as primeiras jornadas serviram para mostrar que vai ficar tudo na mesma), mas em termos de alianças. E a verdade é que Vitória e Braga, inocentemente ou não, quiseram ser peões numa luta entre Lisboa e Porto.
O que ganha um e outro no final da época saberemos. O que assistimos, no entanto, é a um extremar de posições que só enfraquece os dois clubes. Os clubes de média dimensão nacional demoram a perceber que só poderão ser grandes quando deixarem de alimentar os ditos.
Reentré (IV) : A cultura
São Mamede: Primeira pergunta: será que o São Mamede reabre em Setembro? A sala privada começou cheia de força, mas depois caminhou imparável para o suicídio. Houve concertos cancelados em catadupa, noites em que se transformou em discoteca e uma programação cada vez mais fraquinha. Até ao final do ano, há uma prova de fogo. Ou agarram agora esta oportunidade ou temo que o futuro não seja muito feliz.
Associativismo: O Convívio está em alta. O Cineclube é um referência nacional. O MAT faz das Taipas um pólo cultural que envergonha a cidade aburguesada. Aos poucos, o CAR quer recuperar a chama perdida com programação regular, à qual por vezes falta qualidade. Há uma nova vaga no associativismo local? É isso que o último trimestre do ano pode ou não confirmar.
Reentré (III) : A cultura
Setembro abre com a celebração dessa modalidade abjecta e criminosa que é o tuning e dias depois há por lá um comício do PS. Em Outubro há um feira dedicada à terceira idade (o nome Expo Idoso é infeliz) e logo depois a mais importante voz da música nacional da actualidade, Mariza, num concerto de magnífico nível. Mais tarde há uma propostas nova, mas que pode resultar: a exposição de automóveis clássicos. Ao mesmo tempo, o desporto, arredado há tanto tempo, está de volta ao Multiusos. O Vitória vai jogar lá os jogos da Liga dos campeões de voleibol e, em Novembro, há lugar ao Europeu de Kickboxing.
Reentré (II)
Candidatos: A um ano das eleições autárquicas, é hora de contar espingardas nas hostes partidárias vimaranenses. Irá o MRPP continuar a surpreender com uma representação parlamentar que dá uma imagem tosca à política local? O Bloco de Esquerda vai assumir-se em Guimarães uma força com a importância que tem a nível nacional, ou pelo contrário vai deixar abater-se pela frouxidão dos seus representantes? E o CDS ainda existe por cá? As maiores incertezas estão, no entanto, reservadas para o maior partido da oposição. Rui Victor Costa já disse que não se candidata. Emídio Guerreiro parece pouco motivo. E Roriz Mendes seria um tiro no pé. Quem resta aos sociais-democratas para vencer António Magalhães? No PS, com a CEC à porta, não deve acontecer nada de novo. Problemas entre os socialistas só depois da retirada do seu líder incontestado.
Reentré (I)
PDM: Setembro é o mês da apresentação dos resultados do longo processo de revisão do Plano Director Municipal. O documento é um instrumento primordial para a definição do modelo de desenvolvimento de Guimarães no médio prazo. A cidade que é um referência nacional na recuperação urbana, não pode permitir atropelos urbanísticos e este é o momento certo para mostrar esse compromisso.



