Sorrir no meio da desgraça
Think Pong: Blogues: espaços de (des)informação
A ver: MV/C+V

Ginástica eleitoral
A saída de Júlio Mendes deixa um lugar vago na lista socialista às autárquicas. E deste modo até pode desfazer uma “dor-de-cabeça” ao PS. É que a paridade entre géneros imposta nas listas eleitorais obriga a que haja mais uma mulher em lugar teoricamente elegível.
Francisca Abreu, número três há quatro anos, tem o lugar praticamente assegurado, até por força das responsabilidades no seio da CEC. Mas quem será a outra socialista a ter um possível lugar no executivo?
Sofia Ferreira era a senhora que se seguia há quatro anos. Mas o lugar na vereação implicaria abandonar uma das várias funções que desempenha, nomeadamente na Zona de Turismo e Fraterna. Dois lugares abaixo aprecia a ilustra desconhecida da maioria dos vimaranenses Elisabete Machado.
Na lista surgiam outras mulheres, como Marta Coutada e Rosa Maria Oliveira, mas há ainda Paula Oliveira, que tem estado activa na Assembleia Municipal e pode saltar para o órgão executivo.
Mas sem Júlio Mendes, o presidente da câmara tem outro problema entre mãos: a quem entregar o pelouro do urbanismo? Precisa de alguém que saiba do assunto, sem patinar, em tempo de grandes decisões quanto a investimentos. O que quer dizer que, da actual vereação, deve sair mais alguém. Nomes de candidatos à entrada não faltam, mas no PS não vislumbro ninguém com as competências técnicas. Haverá uma surpresa? A nove meses das eleições, há mais dúvidas do que certezas entre os socialistas.
Tiro no porta-aviões
Não quero sequer discutir os motivos da saída de Júlio Mendes do executivo municipal. De qualquer das formas, é uma má forma de começar o ano para o presidente da Câmara e para o PS local.
Depois de um 2008 com demasiados casos capazes de beliscar a imagem pública de António Magalhães, não havia nada pior do que começar o ano eleitoral com uma baixa. Ainda por cima uma baixa de peso, de um vereador que assumiu um protagonismo enorme durante o mandato, liderando alguns dos mais importantes processos políticos destes quatro anos.
Muito dificilmente estes problemas terão expressão eleitoral acentuada. A menos que o PSD os faça render, como seria crível noutras geografias politicas. Em Guimarães é pouco expectável. Estes são problemas que raramente chegam ao cidadão comum. E caso isso aconteça, são desvalorizados.
No entanto, Magalhães fica mal na fotografia. Ainda por cima depois de há uma semana ter criticado o PSD por não saber “arrumar a casa” a tempo das próximas autárquicas. Por muito caótica que esteja a casa dos outros, fica bem olharmos antes para a nossa. E Magalhães não o fez.
Think Pong - A crise do Vitória tem rosto
Ainda que o quase milagroso apuramento do Vitória para a meia-final da Taça Liga e a consequente – e despropositada – discussão dos regulamentos da prova tenham acalmando as hostes vimaranenses, as direcções do clube não podem descansar.
A contestação pode ter acalmado, mas os vitorianos ainda não esqueceram – nem podem fazê-lo – a deprimente época desportiva da equipa de futebol. Por isso, há motivos de sobra para as direcções do clube avaliem o trabalho até aqui feito e tomem medidas que evitem uma temporada (ainda mais) desastrosa.
E escrevo “direcções” porque me parece claro que, neste momento, há duas formas de pensar o futebol claramente opostas no Vitória. Cajuda e a equipa técnica de um lado; Emílio Macedo e directores do outro.
A estratégia de Cajuda é conhecida do mundo do futebol nacional: Estica a corda com a direcção até ela partir e sai de bem com os adeptos e com os seus direitos económicos defendidos. Foi assim no Braga e no Marítimo, por exemplo. E assim embarca numa guerra pública verdadeiramente absurda que só retira dignidade ao clube. E pior é que a direcção lhe dá corda.
Quer isto dizer que a razão está do lado da direcção? Nada mais errado. Eu – como a esmagadora maioria dos vitorianos – entendo as motivações de Cajuda. E o técnico, por muito que erre na forma – espalhafatosa e fora de tempo – tem razão no conteúdo. Tem razão em impor à direcção que lhe dê uma equipa em condições, como já o devia ter feito em Agosto, e tarda em fazer em Janeiro.
É que os sucessivos fracassos vitorianos na presente época futebolística têm uma única causa: a desastrosa preparação da época desportiva protagonizada pela direcção. O plantel foi fragilizado, em vez de reforçado. Os jogadores novos têm qualidade duvidosa e vieram fora de tempo. E Cajuda pagou isso. Em pontos, na Liga. E com as eliminações europeia, que tiveram impacto psicológico nos jogadores.
O balanço do mandato da actual direcção ainda é positivo, por força do que foi conseguido na sua primeira metade. Mas a margem de manobra de Emílio Macedo é hoje reduzidíssima, devido ao fracasso da presente época – ao que se junta uma estratégia errada nas “amadoras” e uma gestão financeira catastrófica. E, a menos que muitas coisas mudem, a reeleição está comprometida.
O meu voto, pelo menos não terá. Mesmo que amargamente reconheça que faltam em Guimarães – no desporto como na política – rostos alternativos, capazes de suscitar confiança às pessoas.
Taça da Repetição
O sorteio da Taça da Treta ditou o quarto de cinco Vitória-Benfica da época. A outra meia-final será o quarto de cinco Sporting-Porto. Nada mau para a Liga, a cerveja que patrocina o torneio e as transmissões televisivas.Finalmente um pouco de sorte
Na época em que tudo corre mal, finalmente um rasgo de sorte. O Vitória está nas meias-finais da Taça da Treta.Continua a história
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Do Think Pong
A rubrica que vai mantendo vivo o Colina Sagrada, à falta de tempo - entre outras limitações - para dar ao blogue o ritmo merecido, muda de dia de publicação. A partir desta semana, o Think Pong, que alimento em parceria com o Paulo Lopes do Abertamente Falando, passa a ser publicado à sexta-feira.O Think Pong ao vivo, em parceria com o São Mamede e a livraria do CAE começa no próximo dia 31 de Janeiro, às 15h00, com o debate sobre blogues e jornalismo. O mote é um provocatório "Blogues: espaços de (des)informação?".
O meu ano – Cultura: 2008x3
Os espectáculos de dança/teatro
Nous sommes tous des Papous – Théâtre de La Mezzanine: CCVF, 20 de Setembro
The Porcelain Project – Needcompany: CCVF, 25 de Outubro
Começar a Acabar – Teatro do Bolhão: Theatro Circo, 12 de Setembro

Os concertos
Sigur Rós – Campo Pequeno, 11 de Novembro
Rufus Wainwright – Casa das Artes de Famalicão, 28 de Junho
The National – Manta: Centro Cultural de Vila Flor, 18 de Julho
O Jogo do Mundo – Julio Cortázar: Este país tem coisas inexplicáveis. Rayuela é histórico sobre vários pontos de vista. Além de ter sido editado pela primeira vez em 1963, é um marco da literatura do século XX pela inovação e pelo arrojo. Cortázar é um nome fundamental da arte, mas em Portugal nunca tinha sido editado. Tinha estudado o livro há dois anos em Literatura Comparada, na Autónoma de Barcelona, e foi com euforia que vi o livro finalmente editado em português. Li infelizmente pouco em 2008, mas estas é uma das experiências mais fascinantes que chegou às nossas livrarias.
A Viagem do Elefante – José Saramago
valter hugo mãe – o apocalipse dos trabalhadores
O Segredo de um Cuscuz, Abdellatif Kechiche – Tal como os outros filmes que destaco de entre os que vi no último ano, não se destaca pela eloquência visual ou pelo arrojo estético. É uma história simples (são histórias simples). Demasiado simples. Demasiado verdadeiras. E o cinema como eu o entendo é essencialmente saber contar uma boa história. Esta tem a particularidade de ser actual, exemplar e com um forte sentido político.
Persépolis, Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, Cristian Mungiu
Dear Science – TV on the radio: É possível que não seja o disco do ano. Mas é-o, com certeza. Mesmo que já o fosse antes de o ter ouvido. A declaração de interesses é também uma proclamação de admiração por uma das bandas da actualidade que podem aspirar a um lugar na história (e um dos mais fortes desejos para um concerto em 2009. Na Manta?).
Með suð í eyrum við spilum endalaust – Sigur Rós
Hercules and Love Affair – Hercules and Love Affair
Foge, Foge Bandido – Manel Cruz: O regresso de um dos grandes escritores de canções nacionais. A solo, louco o quanto baste para fazer um disco com 80 faixas. Genial ao ponto de tornar o disco uma obra de arte na qual não custa empregar umas dezenas de euros.
Canção ao Lado – Deolinda
40.02 – Peixe:Avião
