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Os livros

O Jogo do Mundo – Julio Cortázar: Este país tem coisas inexplicáveis. Rayuela é histórico sobre vários pontos de vista. Além de ter sido editado pela primeira vez em 1963, é um marco da literatura do século XX pela inovação e pelo arrojo. Cortázar é um nome fundamental da arte, mas em Portugal nunca tinha sido editado. Tinha estudado o livro há dois anos em Literatura Comparada, na Autónoma de Barcelona, e foi com euforia que vi o livro finalmente editado em português. Li infelizmente pouco em 2008, mas estas é uma das experiências mais fascinantes que chegou às nossas livrarias.

A Viagem do Elefante – José Saramago

valter hugo mãe – o apocalipse dos trabalhadores

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Os filmes

O Segredo de um Cuscuz, Abdellatif Kechiche – Tal como os outros filmes que destaco de entre os que vi no último ano, não se destaca pela eloquência visual ou pelo arrojo estético. É uma história simples (são histórias simples). Demasiado simples. Demasiado verdadeiras. E o cinema como eu o entendo é essencialmente saber contar uma boa história. Esta tem a particularidade de ser actual, exemplar e com um forte sentido político.

Persépolis, Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi
4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, Cristian Mungiu

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Os discos: Internacionais

Dear Science – TV on the radio: É possível que não seja o disco do ano. Mas é-o, com certeza. Mesmo que já o fosse antes de o ter ouvido. A declaração de interesses é também uma proclamação de admiração por uma das bandas da actualidade que podem aspirar a um lugar na história (e um dos mais fortes desejos para um concerto em 2009. Na Manta?).

Með suð í eyrum við spilum endalaust – Sigur Rós

Hercules and Love Affair – Hercules and Love Affair

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Os discos: Portugal
Foge, Foge Bandido – Manel Cruz: O regresso de um dos grandes escritores de canções nacionais. A solo, louco o quanto baste para fazer um disco com 80 faixas. Genial ao ponto de tornar o disco uma obra de arte na qual não custa empregar umas dezenas de euros.

Canção ao Lado – Deolinda
40.02 – Peixe:Avião

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Think Pong no São Mamede

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Cidade branca

A Sizadona é feia todo o ano. Mas dá um belo postal de neve.
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Think Pong 2008 – Balanço do Ano

O ano de 2008 foi um ano de mudança. A níveis inimagináveis. A nível internacional, os Estados Unidos foram invariavelmente o centro do mundo. Desta vez pela crise económica que começou com a falência do Lehman Brothers, e acabou a alastrar-se à Europa e a uma variação a níveis históricos por exemplo do preço do petróleo que atingiu níveis máximos e agora baixa a preços que não se viam há meses. Quem saiu bem desta crise foi o novo presidente daquele pais. Subiu nas sondagens e acabou por vencer, tendo-se tornado numa bandeira de todos os que pediam e acreditavam na mudança. Barack Obama é o primeiro presidente negro da América e uma ícone. Discurso com a força de um Luther King e um conteúdo que todos esperam ser de um ponto de viragem do Mundo. 

Paulo Lopes
Em Portugal foi o ano das grandes revoltas das grandes classes. Começou ainda com a contestação do Ministro da Saúde que acabou por sair e terminou com criticas do Presidente da República ao Ministro da Agricultura. Pelo caminho ficou a contestação à Ministra da Educação que está para durar. Sinal por certo das mudanças que, o governo do cartão único, do simplex, do Magalhães e das avaliações sérias aos funcionários públicos, conseguiu impor, para mal de muitos a quem carreira evoluía junto com a idade, e para bem de quem passava horas a levantar 5 cartões diferentes, ou para quem não podia comprar um portátil para fazer trabalhos como os dos amigos do lado.
 
Já em Guimarães foi o ano da discussão. Os bloguers foram algumas das figuras do ano, porque conseguiram alargar a discussão pública, acabando por ter reflexos aqui e ali no funcionamento das coisas. A câmara municipal abriu também a discussão publica aos 5 projectos, mas já viu recusados 3 deles. Sobra agora espaço para terminar os aprovados, e dinheiro para lançar outros. Salvem-se estes dois exemplos numa cidade em que são muito poucos os outros que ainda discutem ou fazem pela cidade.  
Guardava só para o fim alguns destaques avulsos: Nélson Évora e Vanessa Fernandes tiveram medalhas olímpicas. O Vitória foi à pré-eliminatória da liga dos campeões e conquistou títulos nas modalidades amadoras. Cristiano Ronaldo é o melhor mundo.  Heath Ledger vai ter Óscar a título póstumo por uma das melhores interpretações que vi em cinema em "Batman". O quadrilátero do Minho promete ser um excelente projecto para canalizar investimentos para uma das zonas mais maltratadas em relação à importância que têm para o pais.

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Think Pong 2008: Um ano cheio

A minha análise de 2008 vai centrar-se em Guimarães. Particularmente em três aspectos do último ano: a cultura, o desporto e a política. É uma viagem curta a um ano cheio. Mas não necessariamente um ano em cheio.

Cultura – Há um ano dir-se-ia improvável um comentário deste teor neste blog. Mas 2008 tornou-o possível. A Oficina e o Centro Cultural de Vila Flor são os grandes vencedores do ano em termos locais.

Os gestores do CCVF deram a ideia de ter estado (e muito bem) atentos às críticas e o ano foi pródigo em “respostas” à altura. Há um rumo e uma linha de programação que se identifica desde logo com a casa de espectáculos. Isso era fundamental.

A Oficina tem um rumo, com um grupo de Teatro que está a construir algo importante. E que hoje sabemos bem com o que podemos contar no CCVF: os concertos dos auditórios, à Manta, das excelentes propostas de teatro à dança contemporânea, passando pelas programações centralizadas em eventos como o GuimarãesJazz ou os festivais de Gil Vicente. Além disso há uma aposta muito inteligente na vertente da formação que dá por bem empregue o investimento público ali feito. Ainda que não conheça os números da gestão, a forma como 2008 foi equilibrado em termos de programação, em contraponto com outras casas que tiveram que esticar a programação para conseguir terminar o ano, mostram que, ainda que com alguns defeitos, o CCVF está no caminho certo.

Deporto – O Vitória continua a ser a bandeira desportiva de Guimarães. E em bom futebolês este foi um ano com duas partes. Perfeito até Junho: apuramento para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões de futebol; triunfo na Taça de Portugal de basquetebol; título no Voleibol. Em meio mandato, Emílio Macedo da Silva parecia capaz de ter um “toque de Midas” sobre toda a realidade do clube.

Veio o Verão e o encantamento desvaneceu-se. À vista saltou então uma direcção sem rumo, capaz de hipotecar as hipóteses de entrada na Champions e de colocar em causa o futuro das “amadoras”. O último trimestre mostrou um clube em desvario, uma equipa de futebol débil e uma anarquia que se estende do balneário do basquetebol ao departamento de comunicação, passando pelas contas do clube.

Política – Foi um ano difícil para António Magalhães. Dois processos mal explicados e ainda às voltas na Justiça (Hortas e Outeiro) colocaram o autarca sob suspeição. O atentado cometido no Parque da Cidade, o excessivo secretismo à volta da Capital da Cultura e o recente chumbo do Igespar a dois do “5 projectos” foram razões de sobra para Magalhães terminar o ano fragilizado. Não fosse dar-se o caso de praticamente não existir oposição. 

Ainda que a nova liderança do PSD dê mostras de inverter a tendência, durante nove meses raramente os sociais-democratas tiveram o papel escrutinador que se exige num município com a dimensão de Guimarães, desiludindo os apoiantes e colocando em causa as possibilidade de um bom resultado nas autárquicas deste Outono.

A grande figura em termos de oposição local acabou por ser a JSD: criou uma agenda própria, liderou a discussão acerca da (ausência de) política autárquica de juventude e ganhou a batalha do cartão municipal de juventude.

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Think Pong 2008 – Um mundo em mudança

2008 veio marcar o início da maior crise das últimas décadas. Porém, se olharmos de outra perspectiva, este também pode ser uma oportunidade de mudança. A reestruturação dos mercados financeiros e das estruturas produtivas dos países poderá beneficiar as camadas mais jovens da população, com educação superior e maior domínio das novas tecnologias, rejuvenescendo o tecido empresarial em países de matrizes económicas mais conservadoras como Portugal, por exemplo. Infelizmente, os políticos não estão muito empenhados nisso. A administração americana está a financiar, com os impostos dos contribuintes, empresas automóveis que constroem carros que ninguém compra. As implicações destas acções atravessam fronteiras, havendo até quem diga que estas medidas vão prejudicar empresas portuguesas, como a Autoeuropa. Ao que parece, as principais vendas para o estrangeiro da maior exportadora portuguesa têm como destino os EUA, sendo impossível mantê-la só com o mercado interno português. Da mesma forma, por toda a Europa, se preparam planos de contingência para enfrentar a crise. Não nos podemos esquecer, contudo, da quantidade de dinheiro que vários sectores industriais gastam, para fazer lobby, em Bruxelas, tentando puxar a brasa à sua sardinha. Quando muitos políticos estão de acordo, relativamente a um assunto, ou o problema é mesmo flagrante ou há «marosca». Portugal, como sempre, não foge à regra, estando em forja mais um rol de projectos públicos megalómanos de retorno duvidoso, excepto para as construtoras. Enquanto me parece que o aeroporto de Alcochete é um investimento necessário, o TGV só vem confirmar que a sanidade mental começa a escassear em alguns círculos políticos.

Mas nem tudo é mau. O preço do barril de petróleo caiu a pique, nos últimos meses, incentivando a mobilidade em detrimento da fixação. Mais do que nunca, é necessário encontrar destinos viáveis, em mercados alternativos, para os produtos nacionais. Os défices gémeos (externo e orçamental) têm de ser combatidos a todo o custo, caso contrário, toda a riqueza produzida, dentro de alguns anos, só vai servir para pagar taxas de juros. Também o custo das matérias-primas estabilizou, evitando algumas das catástrofes humanitárias que se previam.

A nível local, devido ao facto de estar a residir, quase a tempo inteiro, em Guimarães, redescobri o quão incrivelmente deprimente é morar cá. Ter 20 anos e andar por estas paragens só não é motivo de suicídio colectivo por mero acaso. Durante a semana, não há nada de minimamente interessante, para fazer, nas redondezas. Se numa das principais cidades do país se dá este fenómeno, é preciso pensar porque é que os jovens fogem a sete pés das zonas rurais do interior. Podem crer que não é a pôr lá uma urgência hospitalar que eles voltam. É preciso pensar positivo e comprar bilhetes de avião. Feliz 2009.

Hugo Monteiro

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Think Pong - 2008, um ano hipotecado?

Mundo à deriva – Um banco, Lehman Brothers, faliu. E nada foi igual. Foi uma falência que não só desencadeou uma crise financeira mundial, como levou o (nosso) mundo à depressão e à falência. O que aconteceu no universo da finança só é comparável ao degelo na Antárctida, uma certeza tremenda que é um alerta dramático para as ameaças do aquecimento global. É que o ano que agora termina deixou muito mais água em estado líquido do que sólido. E isso vai inundar-nos.

Muito mais simpático foi a constatação de que, um século depois de um senhor negro, Booker Taliaferro Washington, ter entrado na Casa Branca como convidado de Franklin Roosevelt, o mundo (em depressão) começou a olhar com redobrada confiança para outro negro americano: Barak Obama. Eleito presidente dos Estados Unidos, Obama já não é (só) um ícone, uma referência enorme. O mundo segui-lo-á com redobrada atenção. E desejos de uma nova vivência.

Pelo meio, mesmo a meio do ano, a Irlanda disse que não quer o modelo europeu de constituição. Voltarão os irlandeses às urnas, não vá a Europa ficar à deriva! E, numa altura de crise e falta de ordem, isso seria o caos no descontrolo geral. 

Ano de nevão é ano de pão? – Até poderia ser uma das marcas do ano por cá. Mas não é. Mesmo que as ameaças tenham sido muitas. E a necessidade de desligar muitas coisas fosse real. Por exemplo, logo em fevereiro, o PSD tornou-se no primeiro partido português a ser condenado por um financiamento ilegal. É o mesmo partido cujo líder parlamentar, na altura Santana Lopes, se recusou aceitar o “acompanhamento, apoio e aconselhamento” à sua bancada por uma agência de comunicação. Santana bateu o pé e disse que os seus deputados sabiam o que faziam.

Mas o partido laranja deu-se (mesmo) muito mal com o ano. A eleição, em Guimarães, de Manuela Ferreira Leite foi apenas um episódio no meio dos episódios com sabor a laranja amarga. Em abril, depois de Menezes ter batido com a porta, tudo mudou. E Manuela Leite, afinal, não uniu nada. Para quem havia feito da palavra “credibilidade” o mote da candidatura é muito pouco. Basta olhar para esta frase: “o PSD perdeu a credibilidade que sempre o acompanhou. Hoje ninguém nos ouve. Candidato-me para mudar este estado de coisas”.

Nas promessas por cumprir a ministra da Educação também não ficou bem no retrato. Maria de Lurdes Rodrigues, que sofreu ataques de todos os lados – aquilo foi um conflito que se foi extremando a cada novo passo dos senhores que mandam nos professores! – foi o flanco mais impopular do governo de Sócrates. Mas foi sempre igual até ao fim: “garanto que a avaliação vai avançar este ano”. E a ministra chegou até ao fim. Do ano. Ao contrário de Isabel Pires de Lima ou Correia de Campos – que cedeu o seu lugar a Ana Jorge, uma apoiante incondicional de Manuel Alegre nas últimas presidenciais. Uma cedência à esquerda de José Sócrates? Uma vitória pela esquerda de Manuel Alegre seguramente. 

Mas o ano correu bem – Cá pela terra, sim. A Manta, por exemplo. Em Vila Flor, em julho. Uma aposta musical ganha em todos os sentidos. E as cinzas no claustro (o sermão de quarta-feira de cinza, de António Vieira) que Luís Miguel Cintra tão bem protagonizou no museu de Alberto Sampaio? E a “Tragédia: uma tragédia”? E “o silenciador” ou as “memórias de um comboio a vapor”? Ou 0 “Amor”? O Teatro Oficina teve um ano em grande. Junte-se-lhe os festivais de Gil Vicente e, por exemplo, “as lembranças de Madalena Victorino”. Foi um ensaio geral fabuloso para um ano que promete ser pleno de teatro.

Alguém se recordará da iniciativa “porque é que o jazz parece tão complicado?”? de um barzinho, ali mesmo à mão de semear, em S. Martinho de Sande, com o nome da estrada ali passa ligando Guimarães e Braga, onde pára o Movimento Artístico das Taipas (MAT). Em parceria com o Jazz Ao Minho. E o resultado foi excelente. E daquele lado do concelho veio outra grande novidade. Também pela mão do MAT. Desta vez em parceria com a junta de freguesia de Barco: o Barco Fest. Por ali passaram Mundo Cãopeixe:avião, Vicious Five e Linda Martini, entre outros. Que ano!

Casimiro Silva

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Think Pong 2008 - A noroeste nada de novo

365 dias depois, não podemos dizer que 2008 tenha sido um ano ímpar para o Minho. Mesmo depois de inúmeras tentativas para nos fazerem fazerem crer que o país é menos cinzento que rosa, a verdade é que a crise no Minho é completamente indisfarçável.

Asfixiados por uma crise sem precedentes, continuam a cobrar-nos as portagens que se desculpam nas grandes áreas metropolitanas e no Algarve; continuam a esquecer-se de nos pagar a justa subvenção pelos transportes públicos urbanos; e continuam a desviar os fundos do Turismo do Norte para o Porto e o Douro.

Enquanto isso, os nossos políticos-de-trazer-por-casa brindam-nos com referendos bairristas, desperdiçando o potencial reivindicativo que ainda resta junto do poder central. Dividir para reinar é a estratégia dos centralistas que, na ausência de uma política integrada de desenvolvimento regional, vão emprestando, esmola aqui e esmola acolá, um triste contentamento de efémeras ilusões alimentado.

O avanço do Quadrilátero Urbano é um facto extremamente positivo, mas ainda insuficiente para projectar a região numa perspectiva verdadeiramente integrada. Seja como for, parecem estar lançados os alicerces para, com excepção da auto-excluída cidade de Viana, se chegar a um entendimento alargado sobre o futuro do Noroeste português.

2008 foi também o ano em que os vimaranenses se livraram dos desnecessários túneis e parques subterrâneos do Toural ao mesmo tempo que os bracarenses reforçaram a sua dose de betão num processo marcado pelas inúmeras interrogações e inquietações quanto à preservação do património arqueológico da Bracara Augusta. A arqueologia voltou a estar no centro da discussão pública, mas foram demasiados os protagonistas que, por omissão ou deformação, não souberam estar à altura do debate.

Mas tudo está bem quando acaba bem e, como se sabe, 2009 será um ano de várias eleições e muitas inaugurações. A política descerá às catacumbas da mediania e as cidades encher-se-ão de propaganda com exageradas auto-exaltações. Todo o circo será pago pelo contribuinte que assiste impotente ao esbanjar dos dinheiros públicos, enquanto as promessas convenientemente incumpridas são atiradas para as calendas gregas.

No Minho, como no país, estamos quase na mesma, mas um pouco mais pobres.

Pedro Morgado
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Think Pong 2008 – O ano em Revista

Ao nível Internacional, não poderia deixar de destacar a vitória de Barack Obama. Ainda que eu e muitos como eu tenhamos a perfeita noção que a Mudança que Obama apregoa não é fácil e que muitos de nós nos desiludiremos no final da primeira governação do Afro Americano, dado o sentido lato da mudança que pretende implementar, a verdade é que Obama conseguiu pôr o mundo a sonhar e a chamar por ele.

Ao nível regional, no Minho, o ano de 2008, afirmou acção concertada dos seus principais agentes políticos. O quadrilátero urbano, nas suas diversas dimensões, particularmente na dimensão cultural, é a expressão clara de que o poder político percebeu que o Distrito de Braga só poderá ser competitivo relativamente a outras regiões, não só de Portugal, mas também Europeias, se estiver unido. No mesmo sentido os Quadriláteros demonstram que estes procedimentos de cooperação, louváveis, são, todavia, insuficientes para que se cumpra verdadeiras políticas regionais, já que estão dependentes das vontades individuais, avulsas dos seus representantes e não directamente da lei.

Ao nível local, o facto que destaco é o arrojado projecto Guimarães Capital Europeia da Cultura. Por um lado é mais um pilar que sedimenta a estratégia de diversificação do turismo, até agora, assente no património histórico. Apesar de ser Capital Europeia da Cultura, e de relevar o aspecto de natureza imaterial que Cultura representa, esta iniciativa que Guimarães acolherá, não é substancilamente diferente do trabalho que tem a vindo a ser feito, já que propõe revolucionar a cidade “extra”- muros, a semelhança do que foi feito “intra”-muros, mas num espaço de tempo que diria recorde. A recuperação do Centro Histórico foi feito em cerca de 20 anos, ao passo que a proposta da Câmara Municipal de Guimarães passa por recuperar a segunda malha histórica da cidade em pouco menos que 4 anos.

Bom ano de 2009!

Luís Soares

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Think Pong 2008 - Crónica de um ano atípico

O ano de 2008 foi pródigo em acontecimentos. Pode mesmo ter sido um ano de viragem para algumas concepções até aqui dadas como suficientemente sólidas para não precisaram de ser alteradas pelos menos durante as próximas décadas. Caíram muitas máscaras por esse mundo fora, mas houve três que caíram e que considero fundamentais. Como ano de transição, creio ser impossível destacar os mais relevantes acontecimentos do ano sem fazer referências, ainda que superficiais, a outros. Por isso, para evitar desconsiderações e imprecisões desnecessárias, opto por uma análise mais global.

Em primeiro lugar, a crise económica, depois financeira, depois económica e financeira. Contra as previsões mais optimistas para o crescimento da economia, a verdade é que o carácter marcadamente global desta crise parece ter abalado as fundições do sistema vigente desde a II Guerra Mundial. Caiu a máscara à ordem económica do pós-guerra. Muitos advogam não a morte do capitalismo, mas uma mais do que urgente reformulação deste.

A palavra mais ouvida, a que faz qualquer adepto do liberalismo económico coçar-se, foi a mais ouvida em 2008 – a par, claro está, de “estagnação”, “recessão” ou “crise”: regulação. Regular os mercados, as instituições financeiras de crédito; regular o mercado habitacional, regular as trocas de capitais, regular as práticas obscuras de muitos gestores; regular e tornar mais transparente e credível o sistema financeiro, incentivar à poupança; e, acima de tudo, punir os responsáveis por danos irrecuperáveis causados a quem confia o seu dinheiro aos bancos.

Para os que auguravam a morte do estado enquanto poder regulador, esta crise veio trocar completamente as voltas. Ao estado foi-lhe implorada a sua intervenção sob a forma de muitos zeros – vejamos se agora esse mesmo estado está em condições de se fazer pagar com a imposição de mais e melhores regras e, mais visível aos olhos do cidadão, com justiça.


Aproveitando o embalo de ideias como “estado” e “regulação”, destaque e honra seja feita à eleição do 44º Presidente dos EUA. Barack Obama, após uma transição que se afigura impecável, vai assumir as rédeas do (ainda) estado mais poderoso do mundo. Os EUA deixaram cair uma máscara que escondia a sua genuína identidade como povo democrático e tolerante. Do país que fez catapultar a crise económica, resta saber se vem também o antídoto. Obama inspira confiança, teve um discurso atractivo e eloquente durante a campanha mas será o motor da mudança necessária? Se os EUA não se assumirem como líderes de uma mudança anunciada, a sua posição no mundo estará definitivamente ameaçada. Não parece restar outro caminho ao novo Presidente que não um novo rumo para o seu país. O dia 5 de Novembro último pode ter sido o princípio de uma bela história. Ou não.

Um destaque final para uma questão intrinsecamente política e estratégica, que foi alvo de abrupta actualização em Agosto passado. Durante as Olimpíadas de Pequim, os olhos do mundo desviaram-se inesperadamente das piscinas e das pistas para o Cáucaso, região onde a Rússia fez questão de mostrar quem manda. Tal resposta seria impensável ainda há poucos anos. Enriquecida pelos petrorublos e dona de si como há muito não se via, o gigante russo marcou território e dissipou muitas dúvidas sobre a natureza do seu poder actual – centralizado, ambicioso, nacionalista e, pior, imperialista. Também a Rússia deixou cair a sua máscara para se tornar num dos mais sérios testes à União Europeia e aos EUA, ou por outras palavras, à unidade da UE (através da mais que duvidosa PESC) e à capacidade de influência dos EUA, respectivamente.
Venha 2009.

João Gil Freitas
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Think Pong 2008

Começará agora a ser publicada uma série de análises ao ano de 2008, num especial "Think Pong" de final de ano. Terminará com os autores habituais da crónica e passará por um grupo de amigos blogueres.
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Devaneio Vitoriano

Três quartos do meu sonho vitoriano estão cumpridos. Agora faltas tutu e tuBem-vindo a casa.
Esta é a grande riqueza do Vitória: ser um clube maior do que o seu orçamento e o seu palmarés. Só assim é possível trazer um jogador de inegável qualidade, em idade de mostrar serviço e de se assumir como um símbolo do clube.

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5 - 3

Dos cinco projectos, três estão condenados. Ficam os dois mais sustentados.


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Por um roteiro Nicolino

Guimarães é uma cidade pesada: Cada casa, cada edifício, cada monumento, cada rua carregam muitas histórias. O património histórico e cultural está patente e todos os vimaranenses têm percepção da importância da cidade. Só que, como um professor uma vez me contou, em Guimarães todos são historiadores, todos sabem como a história se deu mesmo que as suas estórias em nada tenham a ver com a história.

Nos termos da convenção da UNESCO, considera-se património cultural imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e aptidões - bem como os instrumentos, objectos, artefactos e espaços culturais que lhes estão associados - que as comunidades, os grupos e, sendo o caso, os indivíduos reconheçam como fazendo parte integrante do seu património cultural".

Foto António Luís Campos

Ora, tomando como esta citação o ponto de partida, podemos garantir que os vimaranenses, grosso modo, reconhecem como fazendo parte do seu património histórico e cultural as Festas Nicolinas. A Comissão especializada que foi constituída para analisar a possibilidade de uma candidatura para a classificação das Festas Nicolinas como Património Imaterial da Humanidade, também concluiu que a candidatura é viável. Além disso, há também quem esteja já empenhado em enquadrar as Festas Nicolinas no programa cultural do "Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012".

No entanto, mesmo sendo as Festas Nicolinas um testemunho do património cultural vimaranense, estando profundamente enraizadas na cultura e identidade da cidade, pouco temos para mostrar. Recentemente foi criado o monumento ao Nicolino mas, para além deste, não temos mais referência alguma às Nicolinas na cidade. Portanto, carecemos ainda de valorização e promoção destas.

Foto Eduardo Brito

Uma sugestão que lanço neste sentido é a de que a cidade tenha nos seus principais pontos históricos relacionados com as Festas Nicolinas, assim como acontece com os nossos monumentos classificados como património mundial, placas com uma pequena indicação e explicação da sua importância.

Mas poder-se-ia uniformizar as placas referentes às Nicolinas, usando, por exemplo, o símbolo das Nicolinas, e afixá-las nos pontos - casas, edifícios, monumentos e ruas - mais significativos na história das festas, traçando um trajecto Nicolino.

Obviamente que, com tão poucos estudos, pode questionar-se da história e estórias relacionadas às Nicolinas. De qualquer modo, há um conjunto de espaços que, pelos documentos existentes, são unívocos quanto ao seu significado e papel para a concepção, preservação e execução das Festas. A título de exemplo: Capela de São Nicolau, Capela da Senhora da Conceição; Torre dos Almadas; Antigo Liceu de Guimarães, no edifício da actual Câmara; Liceu; casa da Sra. Aninhas; Chafariz do largo do Cano.

Sílvia Gomes

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Do riso e do esquecimento: O "efeito Barcelona" e a Capital da Cultura


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A política de Comunicação do Vitória

O clube deixou sair (ou mandou embora, ninguém sabe), dois directores de Comunicação em meia época. Hoje, o presidente do Vitória foi à sala de imprensa insultar os profissionais da Comunicação Social e ameçar com a bandeira que, por Guimarães, ninguém agitava desde Pimenta Machado: ou fazem como eu quero ou não entra aqui ninguém.

Há quem faça bom e mau jornalismo, no desporto como noutras áreas. Emílio Macedo da Silva, como já se tinha visto neste comunicado, não percebe os mínimos no que toca à profissão de jornalista. A culpa é deles, já se sabe.
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Think Pong: A Esquerda de Alegre

Ainda que, afinal, pareça que a montanha pariu um rato (e por muito que Manuel Alegre se reclame um político diferente, também é adepto da máxima “a culpa é dos jornalistas”), o discurso do deputado-poeta no “Fórum das Esquerdas” de domingo teve o condão de por o país a discutir política como há muito não se via.

Em vez de gaffes (ou ironias), “causas fracturantes” ou questões práticas – importantes em política, não o nego – a afirmação de uma esquerda de poder e com poder tem o mérito de nos pôr a falar de ideologias.

E é no campo ideológico que pode estar o principal contributo de um novo partido de Esquerda, ou pelo menos da hipótese de o criarmos. Seria uma boa oportunidade para definirmos o campo ideológico em Portugal, que nasceu torto e nunca se endireitou.

Um país em que o partido social-democrata junta conservadores e liberais; em que o partido socialista é uma espécie de “tudo ao molho e fé em deus” e o PP uma negação ideológica, ter um partido fiel a linhas ideológicas e programáticas podia ter um efeito de contágio desejável.

Quanto ao caso em específico: os ziguezagues de Alegre não abonam em seu favor. O deputado faz política com o coração (o que já é raro) e é o lado passional que o impede de cortar com o PS. Mas dizer que vai a votos, para dois dias depois voltar a recuar mostra como Alegre não é tão diferente como acreditamos.

Por isso, ainda que volta e meia se lance o alarme, os socialistas podem ficar descansados que não haverá um partido de Alegre. O que não quer dizer que não venha a surgir um partido ou movimento “alegrista”, herdeiro de um posicionamento verdadeiramente socialistas e que se assuma como uma força a ter em conta na definição do mapa político nacional. E aí não sei se Sócrates poderá dormir descansado.

Este Think Pong “discos-pedidos” encerra o ano de discussões no Colina Sagrada e Abertamente Falando. As últimas duas edições do ano terão um formato especial, alargado, como uma espécie de balanço do ano 2008.