Adivinha quem voltou?

InFormal

Eles estão a construir qualquer coisa grande

Já tinha demonstrado a minha feliz surpresa quando assisti à primeira peça do novo Teatro Oficina. Depois de Will Eno, o TO virou-se para um autor nacional e, acertadamente, pediu a Jacinto Lucas Pires (um dos melhores da nova geração da literatura nacional) para escrever propositadamente para a companhia vimaranense.
É uma boa ideia a da escrita exclusiva, embora falte ainda uma necessária ligação do texto e do autor com a cidade (algo que esta ideia parece querer contrariar).
O resultado é bom. O texto de Silenciador não tem a densidade de Tragédia, mas é muito bem desenhado. Um universo panóptico-futurista nada despropositado em tempos de incerteza global e uma piscadela de olho à ficção científica, que a que encenação consegue dar um toque cinematográfico sem perder a essência do teatro.
A encenação é, aliás, um dos grandes trunfos do TO. Duas personagens formatadas pelo “sistema” e uma viúva-imigrante-pega que tem a densidade que falta aos outros dois. Excelente também o cenário e a luz. O TO está no caminho certo. E está a construir qualquer coisa grande de que Guimarães se vai poder orgulhar. Vão lá ver: entre quarta e sábado.
Regresso ao Clube
Na próxima terça-feira, às 13h00, regressa o Trio de Jornalistas à antena do Rádio Clube Português. O programa marca também o meu regresso à antena do Clube Minho, depois de ter participado no ano passado no Trio de Bloggers. No Trio vou fazer companhia à Luísa Teresa Ribeiro, coordenadora do Diário do Minho e autora do A culpa é dos jornalistas, ao Pedro Antunes Pereira, jornalista do JN, autor do Para quando a nossa revolução, e ao Pedro Costa.Sintonizem o Rádio Clube, em 92.9.
Think Pong: Um país livre não pode compactuar com totalitarismos
É quase uma inevitabilidade que, no início de cada ano lectivo, o país discuta as praxes académicas (prática corrente nas universidades, e hoje absurdamente estendidas a outros níveis de ensino). Este ano, a discussão foi acesa por mão governamental, o que é uma novidade em Portugal e um sinal de que algo está a mudar.
O ministro Mariano Gago esteve bem quando este ano alertou as direcções das universidades e politécnicos para os abusos da praxe. Foi apenas coerente com a sua própria consciência depois de há uns anos lhes ter chamado, muito apropriadamente, “práticas fascistas”. E abriu a porta a uma maior atenção do Estado para com estas práticas, que pode levar até à sua intervenção.
É a mais dura e crua das verdades: As praxes académicas e todo o sistema que gravita em torno das mesmas são uma prática fascista e castradora da liberdade. Ao contrário do que apregoam os defensores da dita, a praxe não é inclusiva, é totalitária. E um Estado livre não pode admitir que dentro das suas instituições – como é o caso da Educação – existam práticas que, noutro âmbito, seriam certamente consideradas criminosas.
Os decisores públicos e políticos são escolhidos para decidirem o melhor para os cidadãos de acordo com os valores do Estado. Quando uma prática atenta contra valores básicos nem devia ter discussão a manutenção de tais práticas: Portugal devia pura e simplesmente proibir este tipo de práticas pestilentas no interior de espaços públicos.
Há todo um sistema perverso que a praxe entroniza. A começar pela castração de direitos aos novos alunos. Esta realidade é estendida e amplificada quando toca àqueles que legitimamente se colocam fora desta prática obtusa, com a complacência das instituições pública. E isto faz com que a Universidade, outrora um espaço de afirmação dos valores democratas e da liberdade, seja hoje um espaço onde o espírito livre e crítico é toldado por uma mão controladora.
O que dizer por exemplo da atitude da direcção do Piaget de Viseu que voltou a permitir a praxe depois dos protestos dos alunos? É lamentável e revoltante. Mas explica-se facilmente. As lógicas de poder dentro das universidades assim o promovem. Há uma inadmissível cumplicidade entre quem dirige as praxes e as associações académicas. Como há uma torcida lógica de conivência entre as reitorias e as Académicas. O objectivo é perpetuar o poder e os benefícios que dele se tiram, nem que para isso seja necessário como neste caso recuar numa decisão por pressão dos alunos.
É tempo de acabar com isto.
O regresso dos Campeões
Os campeões nacionais de voleibol regressaram ontem à competição. Com um triunfo anormalmente difícil, o Vitória bateu o
Esmoriz na primeira ronda no nacional A1 e começou a construir o caminho que espero leve a uma histórica dobradinha esta temporada.
A caminho vêm também os embates da Liga dos Campeões, competição em que pela primeira vez uma equipa nacional marca presença. Não se podem é cometer os erros de ontem e esperar que duas unidades fulcrais como Eurico Peixoto e Filipe Cruz, de fora por lesão, estejam prontos para esses embates.
Uma nota final: As modalidades amadoras perderam a autonomia de gestão que marcou a sua vida nos últimos anos do Vitória. Se o modelo anterior teve bons resultados, a exigência face à direcção do clube terá que se maior. A primeira medida foi acabar com o cartão de simpatizante do voleibol. Um erro.
Lógica

Até quando?

Tinha deixado aqui a sugestão. Os Peixe:Avião, a banda que está a surpreender o panorama musical português, estiveram no CCVF no sábado. Estive lá, a ver ao vivo como a banda está a crescer. Muita evolução desde o concerto no Barco Rock Fest e a certeza de que 40.02 é um dos melhores discos de estreia que ouvi em Portugal.
Muito bom o concerto, pois. Para quem o aguentou. O Café Concerto do CCVF não é um espaço para cultura. Não basta mudarem a disposição das mesas e abrirem caminho até ao palco. Nem é o facto de metade da sala estar na conversa enquanto Ronaldo Fonseca apresentava o extraoridnário “Barbitúrica Luz”. O que incomoda é ir a um espaço público carregado de fumo.
Há extracção que justifique a possibilidade de fumar na sala? Se há, funciona mal, tal era a nuvem de fumo que o Café Concerto apresentava. Houve quem tivesse aguentado aquilo até ao fim (o concerto assim o pedia). Mas houve também quem se tivesse sentido mal.
Notas sobre o derby
- Enquanto houve pernas, o Vitória mostrou que é mais equipa que o Braga. Pena é que tivessem sido apenas 30 minutos;
- 30 minutos foi quanto durou o entusiasmo nas bancadas do Afonso Henriques. Depois houve cansaço (é dia de trabalho), nervosismo e excessiva vontade de insultar os vizinhos;

- As tarjas dos adeptos do Braga vinham escritas
- Evaldo, o lateral-esquerdo do Braga, é um excelente jogador. Mas 80% dos lançamentos laterais que executa são irregulares;
- A haver um vencedor seria o Braga. Nunca assumiu o jogo, mas é venenoso no contra-ataque. Renteria, felizmente, é um bom defesa-central para os adversários;
- Nilson é um senhor. O melhor guarda-redes do campeonato nacional fez um magnífica exibição atrás de uma dupla de defesas-centrais de arrepiar;
- É confrangedor ver a equipa sem pernas e olhar para o banco e ver apenas Fajardo e Coral como opções. Juntos não fazem um jogador de futebol;
- Um repórter de uma rádio de Braga equipado com um colete do Portsmouth não é só sinal de rivalidade. É mesmo sintoma de estupidez;
A análise mais aprofundada ao jogo estará aqui ao fim do dia.
Blogosfera científica
A blogosfera minhota é o objecto de estudo de um grupo de investigadoras do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho. O objectivo é caracterizar os blogueres do Minho, de forma a perceber quem está na blogosfera e quais as suas motivações.
Os primeiros resultados deste estudo serão apresentados no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, que decorre a 11 e 12 de Dezembro, na Universidade do Porto.
O Colina Sagrada já respondeu ao inquérito das investigadoras. Agora, aguardamos os resultados. Bom trabalho!
Think Pong: Que turismo?
O presidente da Câmara, António Magalhães, recebeu na semana passada a Medalha de Mérito Turístico em prata pelos serviços prestados ao turismo português. No total foram agraciados 15 personalidades e instituições, entre desportistas, empresários e gastrónomos e os autarcas de Grândola e Óbidos. Sem conhecer ao certo as razões que levaram o autarca e Guimarães a serem distinguidos, vale a pena debater um pouco o trabalho que tem sido feito pelo turismo vimaranense.
Guimarães tem há longos anos uma Zona de turismo própria. E, apesar de algumas ideias avulsas com alguma inteligência (áudio guias e conteúdos para telemóveis), o resto é de uma confrangedora falta de orientação, que inclui uma promoção parca em mercados limitados, ofertas incongruentes como a “Feira Joanina” e o fim de eventos importantes como a Feita do Comer e a Feira do Artesanato.
É gritante a forma como, ao fim de duas décadas de investimento na área, Guimarães continue a ter um índice de reconhecimento internacional tão parco. Poucos são os estrangeiros com quem um vimaranense se cruze e que conheçam Guimarães. O facto de dois jogos do Euro 2004 ou as presenças do Vitória nas competições europeias serem mais eficazes a promover o nome da cidade, do que a presença da ZTG nas feiras internacionais atesta da falência do projecto turístico vimaranense.
A prova mais evidente desta realidade foram as declarações que Bob Scott, o líder do painel de selecção da Capital da Cultura 2012, fez na visita que fez a Guimarães,
Ao todo são mais de 15 milhões de euros para promover Guimarães. Mas quantos milhões foram gastos ao longo de todos estes anos? E nada disso impediu que alguém tão bem informado como Bob Scott tivesse apenas uma vaga ideia do que era a cidade antes de aqui chegar. Imaginem, pois, como será com o europeu médio.
A própria promoção da CEC está a ser feita de forma incipiente, com recurso a postais. Não há uma lógica na comunicação de Guimarães como cidade e como mercado turístico. E há uma série de produtos mal aproveitados, com as Nicolinas à cabeça, os museus locais ou a herança castreja.
Guimarães é um bom produto. Mas é mal vendido.
Do outro lado: Turismo Premiado.
Noite de Derby
Este é "o jogo", como já no ano passado tinha dito. O jogo que ninguém, dos dois lados da barricada, quer perder. E, um ano depois, as posições mantêm-se: O Vitória, com menos equipa e menos orçamento, está à frente do Braga. Mas as semelhanças em relação à temporada passada ficam por aqui.Há um ano, Fajardo era o herói de Guimarães. Hoje, é o ódio de estimação dos adeptos vimaranenses e o responsável primeiro pelo eliminação na Taça UEFA. Há um ano, o Vitória já tinha uma equipa. Hoje, entre lesões, castigos e falta de coragem no mercado de transferência, tem um grupo jeitoso, que pode fazer uma época apenas interessante. Há um ano, o Braga não tinha treinador. Hoje, tem um dos melhores e mais injustiçados técnicos nacionais. Há um ano, tinha confiança para o derby. Hoje, vou ao estádio desconfiado.
Mas se houver pernas e a qualidade da primeira parte frente ao Portsmouth, vamos ganhar.
"There is only one Ronaldo"
Feito!
Chama-se "As fontes jornalísticas na era digital: relações e encenação" e é a responsável pelo pouco tempo que tenho dedicado ao Colina Sagrada. Entrgue a Tese de Mestrado, e com o trabalho bem encaminhado, vou escrever mais regularmente.Think Pong: Temos uma política de juventude?
Têm sido várias as vozes que se levantam para discutir a existência (ou não) de uma política municipal para a juventude. No entanto, quando se fala de política de juventude há que limitar a geração que incluímos nesta análise. É deste erro básico que se tem feito o diálogo de surdos entre a autarquia e quem com ela quer dialogar.
A Câmara diz que tem uma política para a juventude e dá os exemplos da aposta na Educação (Ensino Básico) e de iniciativas meritórias como o serviço educativo do CCVF ou as férias desportivas do Tempo Livre. Isto é um exemplo de política de juventude? É, se estivermos a falar de crianças e adolescentes. Mas não estamos.
Se a análise se centrar no escalão etário 18-25 as coisas mudam de figura. A autarquia não tem uma política para esta geração (que é a minha). A autarquia não tem uma linha orientadora – como noutras tantas coisas – que permita desde logo abranger o que faz ou não parte de um verdadeiro projecto para os jovens vimaranenses.
Guimarães ainda não percebeu, por exemplo, qual é a mais-valia dos estudantes universitários (apesar de levar a dianteira no que toca a “aproveitar” o potencial de investigação da UM). E os decisores locais estão totalmente alheios aos estilos de vida, preocupações e dinâmicas culturais desta faixa etária.
Não há programas de ocupação de tempos livres para esta camada, não há iniciativas culturais ou formativas para este alvo. Não há, em suma, quem se aperceba que esta é uma falha da gestão política local. Salvam-se algumas insuficientes excepções.
A Tempo Livre oferece pelo menos condições para a prática desportiva e oferece alguns eventos que (gostos à parte) têm o seu público. Mas, acima de tudo, salva-se o CCVF. Se há “produto” que este ano teve mérito no centro cultural foi o festival Manta. Está bom de ver quem é o seu público. Ou o dos concertos de Mesa, no último sábado, Goran Bregovic, Rita Redsohes, etc.
A minha crítica é que estas são medidas avulsas a que falta a coerência de verdadeiras políticas públicas. Mas não chega “culpar” a Câmara pelo panorama deprimente que se coloca à minha geração. O que é feito, por exemplo, do CMJ? E as juventudes partidárias o que é que acrescentam à discussão pública local? E as associações preocupam-se particularmente com os jovens nas suas realizações? A reposta parece-me negativa e temo que este seja, por isso, um problema estrutural de Guimarães.
Desigualdades
No concelho com uma taxa de desemprego altíssima esta é uma situação grave, que merecia outra energia dos responsáveis políticos.
Think Pong: Basta colocar-nos no mapa?
O ano de 2008 está a ser particularmente intenso. Uma espécie de ano de afirmação, em que os responsáveis parecem ter sabido encaixar críticas e alargar a oferta. Os espectáculos que já passarem pelo CCVF e o reforço do serviço educativo parecem-me começar a justificar o investimento municipal ali feito. Mas falta mais, porque ao Vila Flor não basta ser uma das principais salas de espectáculos nacionais, é preciso também ter implantação na sua cidade e no seu concelho.
O centro cultural tem mostrado este ano que tem um caminho bem definido e um projecto traçado. A música continua a levar muita gente àquele espaço, as à World Musica e ao Jazz que já faziam parte da oferta habitual, juntaram-se apostas na música portuguesa e no indie rock (no excelente Manta) que asseguram uma diversificação de públicos.
E depois houve duas apostas certeiras. No teatro, a acompanhar o esforço de profissionalização e solidificação do Teatro Oficina a que Guimarães tem dedicado um estranho esquecimento. E também na dança contemporânea. O Vila Flor soube interpretar o mercado e apostar num nicho que o Porto tinha deixado escapar depois da “privatização” do Rivoli.
Há um caminho, portanto. E há visão. De resto, o Theatro Circo tantas vezes apontado como exemplo a seguir pelo CCVF, entrou em crise, provocada entre outras coisas pela falta de consciência do que deve ser a gestão de um espaço destas características. O Vila Flor está de pedra e cal, com menos recursos, mas uma melhor gestão.
Mas não são perfeitos os dias que correm no centro cultural vimaranense. Às muitas críticas que a sociedade civil local vai fazendo, junto também as minhas. A começar pelo modelo de exploração do café-concerto, nunca resolvido, e que converte um dos potenciais espaços-nobres do centro cultural numa estranha miscelânea que o torna um palco pouco apelativo para público e artistas.
O CCVF tem dificuldades em “vender-se”. É incompreensível que os órgãos de comunicação social especializados dêem tão pouca atenção ao centro cultural vimaranense. E o Vila Flor vende-se mal por excesso de pudor. Bastava “vender” um qualquer micro festival a alguém bem colocado para estar nos jornais e revistas da especialidade.
Outro ponto fraco é a parca ligação com Guimarães, que é, de resto, admitida pelos seus responsáveis. O festival Manta, nos moldes de 2007, parecia inverter essa tendência. Mas até esse se foi. E hoje são poucos os espectáculos que levam os vimaranenses aos auditórios ou a galeria do palácio. Para a grande maioria da população, o que acontece em Vila Flor passa ao lado e é necessário encontrar novos motivos para levar gente ao CCVF (sem baixar a qualidade, nem entrar no delírio de colocar todas as associações locais em cima daquela palco). Podia passar por levar lá artistas vimaranenses. Mas, exceptuando nas artes plásticas, temo-los em qualidade e quantidade?
Nota: excepcionalmente, o Think Pong é publicado esta semana à terça-feira, devido a compromissos pessoais.
Um concurso obsoleto
O facto de os exames de secundário terem primado pela facilidade insuflou artificialmente as médias de acesso. Algumas Engenharias tiveram subidas de média na casas das duas unidades. Isto significa que muitos alunos cujas notas cobriam perfeitamente as exigências anteriores nas suas licenciaturas-alvo, viram a entrada no Ensino Superior lacrada por um modelo de acesso que está obsoleto.
Como se comprova com o concurso deste ano, basta introduzir um iniquidade ligeira para pôr em causa três anos de trabalho. Há aqui uma inversão de valores problemática, que atenta contra a avaliação contínua. O modelo de acesso às universidades e politécnicos não escolhe os mais aptos para cada curso, porque o faz depender apenas das classificações escolares - bastante sujeitas a distorções exógenas.
Defendo que devia existir um modelo como nos mestrados e doutoramentos, com base em critérios muito mais alargados e ponderados, como os curricula dos candidatos e as experiências pessoais anteriores. Ou a introdução de uma prova de acesso na faculdade a que se candidata, bem como entrevistas e testes psicotécnicos.
Na primeira fase de acesso ao ensino superior público foram colocados 44.336 alunos, mais 2.400 alunos do que no ano passado. E este é o número de admissões mais elevado dos últimos 12 anos. Sejam quais forem as razões por detrás destes números, o facto é que haverá mais jovens a enveredarem por uma formações superior, o que para um país abaixo de todas as médias no que diz respeito à formação dos seus cidadãos, é uma nota positiva.
Por último, e apesar do aumento de colocações, há uma centena de cursos com menos de dez alunos colocados. A Universidade portuguesa está dividida entre “ricos” e “pobres”. Há cursos perfeitamente sobredimensionados e desfasados da realidade. As diferenças abismais de qualidade de formação entre universidades - e mesmo dentro da mesma instituição - não fazem nenhum sentido, e vão apenas contribuir para que, mesmo mais formados, estes jovens portugueses não venham a ser, necessariamente, melhor formados.
A crise do PSD local
O regresso de férias trouxe novidades políticas mais cedo do que se esperava. A comissão política do PSD de Guimarães demitiu-se, abrindo portas a eleições antecipadas para a liderança do partido. A cerca de um ano das autárquicas, o nome do próximo líder dos social-democratas vimaranenses assume particular relevo porque ajudará a perceber quem será o candidato que se vai apresentar frente a António Magalhães em 2009.As autárquicas são, aliás, o principal motivo da queda da liderança de Emídio Guerreiro. Por muito que o deputado evoque o pouco tempo que o novo cargo de secretário-geral ajunto deixa à liderança da concelhia – situação que era facilmente contornada se Guerreiro tivesse assumido logo que foi eleito para o cargo nacional – a dificuldade em encontrar um cabeça-de-lista é, na prática, o motivo da actual crise interna.
E a mensagem que o PSD faz passar, mesmo contra a sua vontade, é a de que entre as hostes sociais-democratas a derrota em 2009 é tida como certa. Só assim se percebe que os vários nomes sondados tenham sempre escapado a assumir a luta com Magalhães. Se o PSD não se convence que é alternativa à actual liderança autárquica, dificilmente vai conseguir convencer os vimaranenses disso.
Aliás, protelar esta indefinição só trará problemas ao maior partido da oposição. E o risco de perder votos face às últimas autárquicas será tanto maior quanto o tempo que tardar uma solução. Pior mesmo do que esta indefinição só mesmo uma má escolha de candidato. E a verdade é que as soluções possíveis são cada vez mais escassas e com menor qualidade. Rui Victor Costa já disse que não avançava, Emídio Guerreiro não tem tempo, Carlos Vasconcelos parece uma carta fora do baralho. Mesmo Roriz Mendes – que seria um erro político grosseiro – disse que não. Quem resta afinal para ser carne para canhão nas eleições do próximo ano?
Think Pong: O que vale o Avepark?
As causas para este atraso são várias, mas não podemos afastar a responsabilidade política dos sucessivos governos que não perceberam o potencial de um investimento como este. É trágico quando o poder central de um país está mais atrasado em termos de concepções tecnológicas e economias do que os agentes locais.
Mas afinal, o que vale o Avepark? A avaliar pelas ausências notadas de altas figuras do governo da cerimónia de inauguração, politicamente vale pouco. As presenças do primeiro-ministro, José Sócrates, e do Ministro da ciência e tecnologia, Mariano Gago, chegaram estar anunciadas. Mas "motivos de agenda" afastaram os dois governantes e a inauguração contou apenas com o incipiente secretário de Estado da ciência e tecnologia, Manuel Heitor.
A inovação e a tecnologia como suporte ao emprego, verdadeira punch line do marketing político do governo do PS não passam disso mesmo. Quando é preciso mostrar apoio prático a iniciativas do tipo, o governo faz-se representar por um dos seus pesos-pluma. A ausência de Sócrates não tem justificação e é ainda menos compreensível quando o primeiro-ministro marcou presença, há poucas semanas, numa muito menos recomendável iniciativa de criação de emprego, em Santo Tirso.
Mas, numa região que enfrenta uma grave e continua crise, o Avepark é obviamente uma boa notícia. Pode ser o tão propalado ponto de viragem no paradigma económico da região. Depois de décadas de mão-de-obra barata e pouco qualificada, a ciência e a inovação podem ser o mote de uma nova vida do Ave. E Guimarães vai liderar esse projecto com todo o mérito. Porque foram os responsáveis autárquicos vimaranenses que conseguiram antecipar as exigências do seu tempo e criar condições para que hoje exista no concelho o maior e melhor equipado parque tecnológico.
De acordo com o presidente do conselho de administração, Manuel Mota, o centro tecnológico vai gerar, dentro de dois anos, dois milhões de euros anuais. Até ao final do próximo ano serão criados 1500 postos de trabalho e o objectivo ambicioso passa por atrair 200 empresas de base tecnológica no médio prazo.
A lista de empresas já instaladas ou que estabelecerem parcerias com o Avepark é muito boa. As metas são ambiciosas, mas mais importante do que isso, estão já a ser ultrapassadas. E, a confirmarem-se os números avançados por Manuel Mota, significará um incremento no PIB regional que vai tornar o Minho um novo actor na economia portuguesa.
O dito, o não dito e as eleições de Angola
Felizmente que não por aí que as notícias não chegam ao nosso conhecimento. Esta e esta (via AFP) notícias da edição online do Público apenas reforçam as incertezas quanto à transparência do processo eleitoral.
Em jornalismo, o dito é muitas vezes mais importante que o não dito. Neste caso específico, a opinião púlica portuguesa devia, mais do que lamentar a proibição de entrada de alguns dos mais importantes órgãos de comunicação social do país em Angola, questionar o porquê de outros terem sido autoriazados. Este post de Daniel Oliveira ajuda a compreender alguns dos mitérios. Com uma agravante: esta propaganda pró-JES é feita com o dinheiro dos contribuintes.
Think Pong

Dúvida que me assalta
O que leva o Diário do Minho a dar, dia após dia, cobertura a um microorganismo político como Manuel Monteiro?Contabilidade Organizada
Depois de uma temporada histórica em Guimarães, os espectativas estão altas. Mas com o Vitória a pisar os calcanhares aos três clubes que dominam o futebol português desde sempre, o clube torna-se um alvo apetecível de apitos, sistemas e esquemas afins.
Assim, nasce um blog. Das muitas conversas com os amigos e bloggers Rui "Riot" Ribeiro e Paulo Lopes. Chama-se Contabilidade Organizada e entrou online há dias.
O nosso objectivo será, durante o próximo campeonato, dissecar online o tema mais discutido do futebol nacional: as arbitragens. Serão 30 semanas de actividade, analisando os encontros do Vitória.
Nos próximos dias vamos também publicar o apanhado das arbitragens do Vitória da época passada. Durante a temporada fomos escrevendo textos avulso sobre os jogos da Liga, que agora são coligidos no blog. Durante as últimas semanas estivemos a fazer esse trabalho e a comparar com os vídeos disponíveis e os comentários dos jornais desportivos.
Por aqui vão também passar as noticias da semana no que à arbitragem nacional diz respeito e algumas das novidades internacionais acerca da integração de novas tecnologias, mudanças de regras, etc. No final de cada semana, vamos fazer as contas entre o "deve e o haver" dos jogos do Vitória. Para que no fim possamos fazer todas contas - com rigor e seriedade.
Quando a rivalidade é um jogo dos grandes
É centenária a rivalidade entre Braga e Guimarães. O que equivale a dizer que já havia idiotas no século XV. Guimarães e Braga têm tudo para ser duas das cabeças da terceira metrópole do país. E só não têm melhores condições porque durante anos não souberam percebê-lo.
Há cidades maiores do que a N 101. E há muito mais a ganhar do que a perder se as duas cidades funcionarem como um bloco na hora de negociar com o poder central. Teve que ser a União Europeia a impor as candidaturas multimunicipais como critério para o próximo quadro de apoio, para que o Quadrláterio, um conceito tão forte e antigo, pudesse começar a concretizar-se.
Esta rivalidade estendeu-se ao futebol. Nada contra. Até nas grandes cidades onde há mais do que um clube, há entre si uma rivalidade que pode ser tão extrema como a que há entre Vitória SC e SC Braga. No entanto, a recente onda de agudização da rivalidade minhota, tem causas externas. E isso é que é lamentável.
O Apito Dourado veio mudar o futebol português. Não em termos de arbitragens (as primeiras jornadas serviram para mostrar que vai ficar tudo na mesma), mas em termos de alianças. E a verdade é que Vitória e Braga, inocentemente ou não, quiseram ser peões numa luta entre Lisboa e Porto.
O que ganha um e outro no final da época saberemos. O que assistimos, no entanto, é a um extremar de posições que só enfraquece os dois clubes. Os clubes de média dimensão nacional demoram a perceber que só poderão ser grandes quando deixarem de alimentar os ditos.
Reentré (IV) : A cultura
São Mamede: Primeira pergunta: será que o São Mamede reabre em Setembro? A sala privada começou cheia de força, mas depois caminhou imparável para o suicídio. Houve concertos cancelados em catadupa, noites em que se transformou em discoteca e uma programação cada vez mais fraquinha. Até ao final do ano, há uma prova de fogo. Ou agarram agora esta oportunidade ou temo que o futuro não seja muito feliz.
Associativismo: O Convívio está em alta. O Cineclube é um referência nacional. O MAT faz das Taipas um pólo cultural que envergonha a cidade aburguesada. Aos poucos, o CAR quer recuperar a chama perdida com programação regular, à qual por vezes falta qualidade. Há uma nova vaga no associativismo local? É isso que o último trimestre do ano pode ou não confirmar.
Reentré (III) : A cultura
Setembro abre com a celebração dessa modalidade abjecta e criminosa que é o tuning e dias depois há por lá um comício do PS. Em Outubro há um feira dedicada à terceira idade (o nome Expo Idoso é infeliz) e logo depois a mais importante voz da música nacional da actualidade, Mariza, num concerto de magnífico nível. Mais tarde há uma propostas nova, mas que pode resultar: a exposição de automóveis clássicos. Ao mesmo tempo, o desporto, arredado há tanto tempo, está de volta ao Multiusos. O Vitória vai jogar lá os jogos da Liga dos campeões de voleibol e, em Novembro, há lugar ao Europeu de Kickboxing.
Reentré (II)
Candidatos: A um ano das eleições autárquicas, é hora de contar espingardas nas hostes partidárias vimaranenses. Irá o MRPP continuar a surpreender com uma representação parlamentar que dá uma imagem tosca à política local? O Bloco de Esquerda vai assumir-se em Guimarães uma força com a importância que tem a nível nacional, ou pelo contrário vai deixar abater-se pela frouxidão dos seus representantes? E o CDS ainda existe por cá? As maiores incertezas estão, no entanto, reservadas para o maior partido da oposição. Rui Victor Costa já disse que não se candidata. Emídio Guerreiro parece pouco motivo. E Roriz Mendes seria um tiro no pé. Quem resta aos sociais-democratas para vencer António Magalhães? No PS, com a CEC à porta, não deve acontecer nada de novo. Problemas entre os socialistas só depois da retirada do seu líder incontestado.
Reentré (I)
PDM: Setembro é o mês da apresentação dos resultados do longo processo de revisão do Plano Director Municipal. O documento é um instrumento primordial para a definição do modelo de desenvolvimento de Guimarães no médio prazo. A cidade que é um referência nacional na recuperação urbana, não pode permitir atropelos urbanísticos e este é o momento certo para mostrar esse compromisso.
O Diabo
Se isto se passasse num estádio do Norte caía o Carmo e a Trindade...Adenda: E de repente o imbecil tem direito a tratamento noticioso como se fosse uma vedeta.
Pompey, go home!
Há que ter confiança para a 1ª eliminatória da Taça UEFA. O Portsmouth é um novo-rico do futebol inglês, com muitos nomes, um orçamento obsceno e o mais velho troféu do mundo do futebol na mão. Mas é um adversário que o Vitória não deve temer. Num dia bom, Cajuda arruma Redknap. Vale a pena ler o comentário do Luís Freitas Lobo vimaranense.Quanto aos restantes clubes nacionais, temo que apenas o Braga siga em frente.
Do lixo

As duas ou três horas que medeiam a normal hora de depósito dos sacos e a recolha pelo pessoal do município promovem uma visão lamentável da cidade e nada consentâneo com a ideia de modernidade que a autarquia tem reivindicado.
Seja no Largo República do Brasil, na Avenida D. João IV, na Avenida D. Afonso Henriques, um pouco por todas as artérias centrais da cidade, o lugar de deixar o lixo é no meio do passeio.
Uma cidade que foi tão expedita em guetizar os vendedores ambulantes das festas da cidade com a desculpa do “mau aspecto”, não será capaz de investir uns milhares de euros para resolver este vergonhoso “ponto negro” da nossa fruição urbana?
Finalmente!
Finalmente faz-se justiça com um dos melhores médios nacionais da actualidade. Como não tem padrinhos nem boa imprensa, Pedro Mendes tardou em regressas à Selecção. Carlos Queiroz fez-lhe justiça à carreira e à qualidade que tem patenteado no Reino Unido e convocou-o para o duplo compromisso da equipa nacional.Parabens, grande Pedro. São agora dois os representantes da escola vitoriana na Selecção Nacional de futebol. Não é por acaso.
PS: Queiroz vai mesmo convocar os melhores jogadores nacionais. Já fez justiça a Eduardo, Antunes, Danny e Djaló. Agora também a Pedro Mendes. Assim se faz uma Selecção.
ROUBARAM-NOS um sonho
Critérios
O Jogo, que se diz mais equilibrado no tratamento deste tipo de coisas, faz capa com uma chuteira. A que vai decidir o clássico da Luz, dizem eles. Mas isto já não é de estranhar, quando a maior competição desportiva do mundo foi sucessivamente relegada para segundo plano pelos jornais que se dizem especializados e que tratam o novo campeão olímpico nacional desta forma.
Mesmo que eles não queiram: às 19h15 é hora de fazer história. Dois mil em Basileia, outros largos milhares em frente da TV, e uma esperança imensa. Boa sorte, Vitória!
"Vocês afinal sabem onde é Fafe"
Os jornalistas só se lembram de cidades como Fafe quando há sangue ou borrasca. E ontem, não fosse o JN ter dado a notícia on-line (com uma excelente cobertura do Carlos Rui Abreu, que pôs o site do JN a fazer ciberjornalismo como raramente é capaz), Fafe continuaria a ser uma cidade do interior (mesmo que a 60 quilómetros do Porto), onde não há notícias para dar.
Como houve sangue (ainda por cima num espaço do Estado), numa hora havia carros de exteriores, directos e uma dezena de jornalistas à porta. Às vezes sinto-me incomodado com esta profissão...
Sobre o BRF
Sem conhecer os números oficiais quanto à afluência de público, não me parece que tenha estado uma má casa. O festival é jovem, pequeno, tem falhas de divulgação e a data também não ajuda (nesta altura do mês poucos são os que não estão de férias e o dinheiro já foi gasto noutros festivais e ofertas afins do Verão).
E estes (data e divulgação) serão talvez os dois pontos que merecem revisão por parte da organização. Quanto ao resto, o espaço tem condições, há boas ideias de organização e muita competência para uma estrutura 100 por cento amadora. Com um orçamento superior e outro tipo de apoios, este festival vai dar que falar.
Lamentável é a falta de atenção que lhe deram os órgãos de comunicação social locais. Chega a ser ridículo que, no dia em que o festival começa, haja notícias sobre a oferta cultural...da Póvoa de Varzim e uma ausência de referências ao BRF. Quanto aos outros órgãos, apenas duas ou três curtas referências, quando o cartaz foi anunciado (copy-paste do press da organização, porque duvido que alguém tenha noção da importância de alguns destes nomes, tal como não a houve no Manta do CCVF). Mais recentemente, não se podia esperar muito: os jornais de Guimarães estão de férias, como se o mundo tivesse parado.
Resta-me deixar as felicitações ao BRF e fazer votos de que continuem este sustentando caminho de afirmação.
Começa hoje

Isto é um luxo, senhores
Pena é que, pelo que tenho visto, lhe estejam a dar mais importância em Braga do que propriamete em Guimarães. Este festival tem condições para se afirmar. Conhecimento do panorama musical, está provado, o MAT tem, o espaço em que se realiza o evento tem também muito boas condições e começa a ganhar visibilidade.
No ano passado cheguei a ouvir que o objectivo seria fazer deste um festival como Paredes de Coura lá para 2012. Estão no bom caminho, quanto a mim.

Depois de dois dias de "aquecimento", o festival começa hoje "a sério" com os poderosos Dapunksportif e Linda Martini, uma das melhores e mais apaixonantes bandas nacionais. E amanhã há Peixe: Avião, os miúdos-maravilha de Braga (quando é que Guimarães tem uma banda a sério?!), Vicious Five e Mundo Cão.
São duas pernas de Mão Morta, a contagiante voz de Pedro Laginha e as palavras de Luxúria Canibal. Ganharam um Globo de Ouro (o que prova que chegaram ao grande público) e assinaram um álbum de estreia de grande nível. Ao vivo costumam valer a pena (Paredes de Coura 2007, um dos bons concertos do festival).
Os preços valem a pena: o passe para todos os dias de festival custa 8 euros. Não há desculpas para não ir, portanto. Estão reunidas condições para um excelente evento, em ano de afirmação. Faço votos para que continuem a crescer.
20 ano de cinema ao ar livre
Sempe com um tónica de qualidade muito forte, o Cinema em Noites de Verão pôs Guimarães a ver bom cinema. Comecei assim a ver alguns dos filmes que me marcaram. E tornei-me sócio do Cineclube por consequência deste evento.
Fechado

E a uma semana do mais importante jogo da história recente do clube, importa perceber qual é o saldo do defeso. A meu ver é positivo. Sairam Geromel, Ghilas, Alan e Miljan. Entraram quatro jogadores para os mesmos lugares e mais um joker que, pelos primeiros apontamentos, pode ser um caso sério (Jean Coral).
Se o miúdo brasileiro me encantou, o mesmo se pode dizer do companheiro de ataque Douglas. É, à primeira vista, muito melhor que o sérvio. E por aí o Vitória fica melhor servido. Tal como Nuno Assis (descontando a cena triste protagonizada aquando da saída e o episódio com doping, pelo menos chega a título definitivo), que é melhor (muito melhor) que Ghilas e tem a capacidade de construção perdida com a saída de Alan. No entanto há perdas irreparáveis que preocupam nesta fase.
Não há muitos Geromel disponíveis, é certo. Mas Gregory não está sequer perto da qualidade do agora jogador do Colónia. Moreno é uma solução de recurso que temo não funcione. E esse sector perdeu, além do mais, profundidade. Sairam Márcio e Radanovic também, mas não chegou mais nenhum central. O outro problema do plantel é a carência de extremos. Não há um único extremo esquerdo (Desmarets não conta, é médio) e os que existem dão-se pior a jogar "do avesso" do que Alan. Falta ainda um "abre-latas", um jogador desiqulibrador para resolver um jogo fechado. E há um défice físico face ao Basel que é necessário recuperar. Mesmo assim, e porque o sorteio foi positivo, há condições para continuar a ser feita história.
STM – Serviço de Transportes do Minho
O número comprado
Os verdadeiros sócios do Vitória mereciam mais respeito, Sr. Presidente.
“Posso assegurar que Guimarães será a Capital Europeia da Cultura em 2012”

Sugestões para a Manta 2009
É inquestionável o sucesso do Manta deste ano. A acertada escolha das bandas, a aposta nas sonoridades alternativas do rock, o impacto que teve no meio musical. E trouxe público ao CCVF. Se é verdade que a casa com os Liars esteve pouco composta, a enchente protagonizada pelos National e a boa afluência de última hora com Rinôçérôse dão ao festival uma média de espectadores bastante boa.No próximo ano esperamos por nova Manta, com o mesmo tipo de abordagem. Isso é, quanto a mim, intocável. Há, no entanto, vários aspectos que podem ser mudados no próximo ano:
- Revisão da politica de bilhetes. Os preços eram excelentes. No entanto, o bilhete de três dias não era convidativo (e foi estranhamente vedado aos portadores do cartão CCVF), pelo que se perdeu o efeito de contágio que National podiam ter emprestado aos restantes concertos.
- Repensar as datas. Com o Marés Vivas a acontecer nos mesmos dias, muito do público pontencial do Manta escapou para o festival de Gaia. Uma semana de diferenças pode mudar muita coisa.
- Uma banda a abrir cada noite. O concerto de Liars deixou-me com a sensação de que o público necessitava de aquecimento prévio. Ainda que os concertos seguintes tivessem tido maior adesão inicial, mantenho esta convicção. A proposta poderia passar por bandas nacionais de média dimensão (aquelas que já não cabem no Café-Concerto, mas ainda não enchem o Auditório).
- Se é verdade que a política de bilhetes não ajudou, não deixa de ser relevante que o modelo do festival não favoreça a vinda de público para os três dias. Nada contra o modelo do festival, como disse. Mas, não sendo directa responsabilidade do CCVF, seria favorável uma articulação com a Pousada de Juventude e com o Parque de Campismo da Penha, para a estadia do público (maioritariamente jovem). Além disso, quem quisesse ficar no parque de campismo tinha uma dificuldade acrescida: a falta de transportes. Com uma boa articulação entre TUG, Turipenha e Oficina ganhavam todos e especialmente o público.- Pode parecer contraditório com o ponto anterior, mas a verdade é que há quem queria assistir a um concerto específico. E o que pude verificar é que o comboio foi uma opção muito utilizada pelos espectadores que vieram ao Manta. Deste modo, estabelecer um acordo com a CP para um comboio especial de regresso ao Porto no final dos concertos era uma ideia positiva. E, ao contrário do que era habitual, a empresa ferroviária até está para aí virada nos últimos tempos.
- Outro ponto a ser melhor pensado é o da venda de bebidas no recinto. Antes de mais é uma venda burocrática (é preciso comprar previamente um ficha para qualquer compra que se queira fazer) e cria filas dispensáveis. Além disso, a venda de bebidas terá que ser reforçada em edições futuras. Se no primeiro dia não houve grandes problemas, no concerto de National, mais concorrido, as filas eram enormes e escusadas. No entanto, não defendo uma massificação de comes e bebes ao jeito dos festivais. O óptimo será encontrar um ponto de equilíbrio que chegaria com o reforço de mais uma ou outra barraquinha.
- Outra sugestão: melhor aproveitamento do espaço original do jardim. Ali meio abandonado, com as casas de banho ao fundo (demasiado longe) e pouco mais. É um excelente espaço para mostrar o artesanato local, promover o CCVF e outros equipamentos locais. Tal como no ponto anterior tenho uma ressalva: façam-no sem massificação comercial. Este modelo algo intimista do Manta é excelente e deve ser mantido.



