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Think Pong 2008 - Crónica de um ano atípico

O ano de 2008 foi pródigo em acontecimentos. Pode mesmo ter sido um ano de viragem para algumas concepções até aqui dadas como suficientemente sólidas para não precisaram de ser alteradas pelos menos durante as próximas décadas. Caíram muitas máscaras por esse mundo fora, mas houve três que caíram e que considero fundamentais. Como ano de transição, creio ser impossível destacar os mais relevantes acontecimentos do ano sem fazer referências, ainda que superficiais, a outros. Por isso, para evitar desconsiderações e imprecisões desnecessárias, opto por uma análise mais global.

Em primeiro lugar, a crise económica, depois financeira, depois económica e financeira. Contra as previsões mais optimistas para o crescimento da economia, a verdade é que o carácter marcadamente global desta crise parece ter abalado as fundições do sistema vigente desde a II Guerra Mundial. Caiu a máscara à ordem económica do pós-guerra. Muitos advogam não a morte do capitalismo, mas uma mais do que urgente reformulação deste.

A palavra mais ouvida, a que faz qualquer adepto do liberalismo económico coçar-se, foi a mais ouvida em 2008 – a par, claro está, de “estagnação”, “recessão” ou “crise”: regulação. Regular os mercados, as instituições financeiras de crédito; regular o mercado habitacional, regular as trocas de capitais, regular as práticas obscuras de muitos gestores; regular e tornar mais transparente e credível o sistema financeiro, incentivar à poupança; e, acima de tudo, punir os responsáveis por danos irrecuperáveis causados a quem confia o seu dinheiro aos bancos.

Para os que auguravam a morte do estado enquanto poder regulador, esta crise veio trocar completamente as voltas. Ao estado foi-lhe implorada a sua intervenção sob a forma de muitos zeros – vejamos se agora esse mesmo estado está em condições de se fazer pagar com a imposição de mais e melhores regras e, mais visível aos olhos do cidadão, com justiça.


Aproveitando o embalo de ideias como “estado” e “regulação”, destaque e honra seja feita à eleição do 44º Presidente dos EUA. Barack Obama, após uma transição que se afigura impecável, vai assumir as rédeas do (ainda) estado mais poderoso do mundo. Os EUA deixaram cair uma máscara que escondia a sua genuína identidade como povo democrático e tolerante. Do país que fez catapultar a crise económica, resta saber se vem também o antídoto. Obama inspira confiança, teve um discurso atractivo e eloquente durante a campanha mas será o motor da mudança necessária? Se os EUA não se assumirem como líderes de uma mudança anunciada, a sua posição no mundo estará definitivamente ameaçada. Não parece restar outro caminho ao novo Presidente que não um novo rumo para o seu país. O dia 5 de Novembro último pode ter sido o princípio de uma bela história. Ou não.

Um destaque final para uma questão intrinsecamente política e estratégica, que foi alvo de abrupta actualização em Agosto passado. Durante as Olimpíadas de Pequim, os olhos do mundo desviaram-se inesperadamente das piscinas e das pistas para o Cáucaso, região onde a Rússia fez questão de mostrar quem manda. Tal resposta seria impensável ainda há poucos anos. Enriquecida pelos petrorublos e dona de si como há muito não se via, o gigante russo marcou território e dissipou muitas dúvidas sobre a natureza do seu poder actual – centralizado, ambicioso, nacionalista e, pior, imperialista. Também a Rússia deixou cair a sua máscara para se tornar num dos mais sérios testes à União Europeia e aos EUA, ou por outras palavras, à unidade da UE (através da mais que duvidosa PESC) e à capacidade de influência dos EUA, respectivamente.
Venha 2009.

João Gil Freitas
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Think Pong 2008

Começará agora a ser publicada uma série de análises ao ano de 2008, num especial "Think Pong" de final de ano. Terminará com os autores habituais da crónica e passará por um grupo de amigos blogueres.
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Devaneio Vitoriano

Três quartos do meu sonho vitoriano estão cumpridos. Agora faltas tutu e tuBem-vindo a casa.
Esta é a grande riqueza do Vitória: ser um clube maior do que o seu orçamento e o seu palmarés. Só assim é possível trazer um jogador de inegável qualidade, em idade de mostrar serviço e de se assumir como um símbolo do clube.

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5 - 3

Dos cinco projectos, três estão condenados. Ficam os dois mais sustentados.


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Por um roteiro Nicolino

Guimarães é uma cidade pesada: Cada casa, cada edifício, cada monumento, cada rua carregam muitas histórias. O património histórico e cultural está patente e todos os vimaranenses têm percepção da importância da cidade. Só que, como um professor uma vez me contou, em Guimarães todos são historiadores, todos sabem como a história se deu mesmo que as suas estórias em nada tenham a ver com a história.

Nos termos da convenção da UNESCO, considera-se património cultural imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e aptidões - bem como os instrumentos, objectos, artefactos e espaços culturais que lhes estão associados - que as comunidades, os grupos e, sendo o caso, os indivíduos reconheçam como fazendo parte integrante do seu património cultural".

Foto António Luís Campos

Ora, tomando como esta citação o ponto de partida, podemos garantir que os vimaranenses, grosso modo, reconhecem como fazendo parte do seu património histórico e cultural as Festas Nicolinas. A Comissão especializada que foi constituída para analisar a possibilidade de uma candidatura para a classificação das Festas Nicolinas como Património Imaterial da Humanidade, também concluiu que a candidatura é viável. Além disso, há também quem esteja já empenhado em enquadrar as Festas Nicolinas no programa cultural do "Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012".

No entanto, mesmo sendo as Festas Nicolinas um testemunho do património cultural vimaranense, estando profundamente enraizadas na cultura e identidade da cidade, pouco temos para mostrar. Recentemente foi criado o monumento ao Nicolino mas, para além deste, não temos mais referência alguma às Nicolinas na cidade. Portanto, carecemos ainda de valorização e promoção destas.

Foto Eduardo Brito

Uma sugestão que lanço neste sentido é a de que a cidade tenha nos seus principais pontos históricos relacionados com as Festas Nicolinas, assim como acontece com os nossos monumentos classificados como património mundial, placas com uma pequena indicação e explicação da sua importância.

Mas poder-se-ia uniformizar as placas referentes às Nicolinas, usando, por exemplo, o símbolo das Nicolinas, e afixá-las nos pontos - casas, edifícios, monumentos e ruas - mais significativos na história das festas, traçando um trajecto Nicolino.

Obviamente que, com tão poucos estudos, pode questionar-se da história e estórias relacionadas às Nicolinas. De qualquer modo, há um conjunto de espaços que, pelos documentos existentes, são unívocos quanto ao seu significado e papel para a concepção, preservação e execução das Festas. A título de exemplo: Capela de São Nicolau, Capela da Senhora da Conceição; Torre dos Almadas; Antigo Liceu de Guimarães, no edifício da actual Câmara; Liceu; casa da Sra. Aninhas; Chafariz do largo do Cano.

Sílvia Gomes

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Do riso e do esquecimento: O "efeito Barcelona" e a Capital da Cultura


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A política de Comunicação do Vitória

O clube deixou sair (ou mandou embora, ninguém sabe), dois directores de Comunicação em meia época. Hoje, o presidente do Vitória foi à sala de imprensa insultar os profissionais da Comunicação Social e ameçar com a bandeira que, por Guimarães, ninguém agitava desde Pimenta Machado: ou fazem como eu quero ou não entra aqui ninguém.

Há quem faça bom e mau jornalismo, no desporto como noutras áreas. Emílio Macedo da Silva, como já se tinha visto neste comunicado, não percebe os mínimos no que toca à profissão de jornalista. A culpa é deles, já se sabe.
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Think Pong: A Esquerda de Alegre

Ainda que, afinal, pareça que a montanha pariu um rato (e por muito que Manuel Alegre se reclame um político diferente, também é adepto da máxima “a culpa é dos jornalistas”), o discurso do deputado-poeta no “Fórum das Esquerdas” de domingo teve o condão de por o país a discutir política como há muito não se via.

Em vez de gaffes (ou ironias), “causas fracturantes” ou questões práticas – importantes em política, não o nego – a afirmação de uma esquerda de poder e com poder tem o mérito de nos pôr a falar de ideologias.

E é no campo ideológico que pode estar o principal contributo de um novo partido de Esquerda, ou pelo menos da hipótese de o criarmos. Seria uma boa oportunidade para definirmos o campo ideológico em Portugal, que nasceu torto e nunca se endireitou.

Um país em que o partido social-democrata junta conservadores e liberais; em que o partido socialista é uma espécie de “tudo ao molho e fé em deus” e o PP uma negação ideológica, ter um partido fiel a linhas ideológicas e programáticas podia ter um efeito de contágio desejável.

Quanto ao caso em específico: os ziguezagues de Alegre não abonam em seu favor. O deputado faz política com o coração (o que já é raro) e é o lado passional que o impede de cortar com o PS. Mas dizer que vai a votos, para dois dias depois voltar a recuar mostra como Alegre não é tão diferente como acreditamos.

Por isso, ainda que volta e meia se lance o alarme, os socialistas podem ficar descansados que não haverá um partido de Alegre. O que não quer dizer que não venha a surgir um partido ou movimento “alegrista”, herdeiro de um posicionamento verdadeiramente socialistas e que se assuma como uma força a ter em conta na definição do mapa político nacional. E aí não sei se Sócrates poderá dormir descansado.

Este Think Pong “discos-pedidos” encerra o ano de discussões no Colina Sagrada e Abertamente Falando. As últimas duas edições do ano terão um formato especial, alargado, como uma espécie de balanço do ano 2008.

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O debate e a CEC

Prato forte do debate “A cultura em Guimarães e o desafio de 2012” era, obviamente, a organização da Capital Europeia da Cultura pela nossa cidade, dentro de quatro anos. Ninguém tem dúvidas de que será um sucesso. Pelo menos enquanto mostra artística. Mas 2012 tem que ser mais do que isso.

A explicação inicial da vereadora da Cultura desfez alguns dos meus receios. Afinal há um projecto, há uma linha orientadora e há vontade de fazer um evento de grande qualidade, que seja capaz de projectar a cidade. Por muito que o projecto esteja envolvido em secretismo.

Ideia a reter: é essencial que 2012 seja um marco e não um fim em si mesmo. Mais importante do que essa data, será, possivelmente, 2020, quando olharmos para trás e virmos na CEC um momento fundamental para Guimarães.

A vontade de criar em Guimarães um “efeito Barcelona”, fazendo em cinco anos o que, de outro modo, seria feito em 20 ou 30, é fundamental. Na cultura, mas também em termos de criação de infra-estruturas e, fundamentalmente, de renovação urbana e de vivência de cidadania.

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Sobre o debate da Cultura

A mais recente organização do informal grupo de bloggers vimaranenses a que pertenço, o debate “A cultura em Guimarães e o desafio de 2012, que teve lugar na sexta-feira passada, no Convívio, tem um balanço muito positivo. Ainda que a adesão do público tenha ficado aquém das minhas (optimistas) expectativas – 30 pessoas é coisa pouca – a qualidade das participações e o conteúdo do debate foi, a meu ver, esclarecedor, podendo abrir importantes portas para um projecto cultural comum.

As presenças dos responsáveis das cooperativas municipais Oficina e Tempo Livre, de vários responsáveis do CAE S. Mamede e, particularmente, da vereadora da Cultura da Câmara de Guimarães, foram uma oportunidade rara de os vários agentes culturais vimaranenses e simples cidadãos, como nós bloggers, poderem discutir cara-a-cara com quem toma as decisões no que à política cultural diz respeito.

Sublinho aqui a frase com que comecei o debate: há uma nova dinâmica na cultura em Guimarães. Como dizia José Bastos, do CCVF, neste momento temos 500 espectáculos anuais na cidade. É obra para uma cidade da dimensão de Guimarães. Além disso temos condições físicas excepcionais para ver cultura e temos associações que, nos concelhos que conheço melhor, não têm paralelo. A começar pelo Cineclcube, o maior do país, o CAR, o Convívio, o MAT, e a Sociedade Martins Sarmento, que não sendo uma associação como provavelmente as enquadramos hoje em dia, é um dos maiores exemplos de como a excelência pode ser condenada a um lugar secundário por força da cegueira cultural e do centralismo atávico do país. Nada que lhes tire o mérito.

Mas – e esta foi uma das ideias fundamentais que me ficou do debate – a esta análise positiva (que pode enfermar de bairrismo), há que juntar uma forte componente de auto-crítica. Como Amaro das Neves, da SMS, dizia no debate, o movimento associativo já foi mais forte no concelho. E não se pode confundir cultura com espectáculos culturais, apenas. Há produtores culturais em Guimarães? E se há, porque estão praticamente arredados das principais salas de espectáculos?

A finalizar, um agradecimento ao Convívio, pela amabilidade com que nos recebeu e pelo empenho que também colocou na organização deste debate.

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Vitória!


Ser do Vitória é isto. Grande Hugo!

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Hoje, às 22h00

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Histórico


3-0! Triunfo histórico do voleibol do Vitória esta noite, diante do Noliko, campeão da Bélgica. Na estreia de uma equipa portuguesa na Liga de Campeões, os de Guimarães estão em segundo no seu grupo. Magnífico.
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Dezembro à nossa volta

Nas outras duas cidades do Minho onde há programação cultural habitual, Dezembro é um mês, sobretudo, de música.

Em Braga, no Theatro Circo, o grande destaque são os Blind Boys of Alabama, num concerto especial de Natal, que acontece no dia 14. Pela sala bracarense passam também as nova-iorquinas The Bowmans, a 10 de Dezembro.

Em Famalicão, sublinho os deliciosos Deolinda no dia 13. No mesmo é possível ver o I.M.A.N.08  - Intermédia, Multimédia, Acção e Nada, um projecto de arte contemporânea, que inclui debates, workshops e artes performativas.

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Encerrar um grande ano

2008 foi um grande ano para o Centro Cultural de Vila Flor. Dezembro confirma-o. O ano acaba por encerrar em grande com o Festival One Man Band, que começou já no último fim-de-semana, com Tiger Man e Becky Lee e Bob Log.

No próximo fim-de-semana há nova dose dupla, desta ideia excelente, que em tudo para dar certo. Assim, na sexta há Son Of Dave, o alter-ego de Benjamin Darvill, e no sábado uma One Man Band que são dois homens, Slimmy e Dj Ride.

Nesse mesmo dia, um dos espectáculos do mês que aguardo com mais expectativa. A nova produção de Paulo Ribeiro chega a Guimarães. Feminine é a outra face de Masculine que encantou os palcos nacionais no ano passado.

Antes do fim do ano, o Teatro Oficina estreia ainda a nova produção Amor. Em cena nos dias 17 a 21. Nesse mesmo dia, domingo, à tarde, o coro infantil da Universidade de Lisboa apresenta o Concerto de Natal, ideia que aqui defendi, em moldes diferentes, no ano passado.

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Renascer em tempo de anversário


Faz amanhã um ano, o São Mamede abria ao público, dando mostrar de que se podia afirmar como uma sala de referência no percurso cultural do Norte. Três ou quatro meses de intensa actividade, excelentes concertos e uma vitalidade dos vários espaços que compunham o Centro de Artes e Espectáculos pareciam confirmar isso mesmo.

Depois o São Mamede perdeu fôlego. Fez más apostas, perdeu clientes. Chegou a assustar. Os seus responsáveis resistiram à crise, e parece que estão a dar a volta por cima. O último mês parecia querer indicar isso mesmo, com os X-Wife, por exemplo. Dezembro confirma que o São Mamede está vivo.

Programação eclética, com qualidade, a assinalar o primeiro aniversário. Se o público corresponder e a aposta se manter, vamos continuar a ouvir falar deles. Oxalá. Hoje, há um grande concerto. Nicole Conte, que há três anos anulou em cima da hora um concerto no CCVF, apresenta o novo e muito bem visto novo álbum. Vale a pena.

Amanhã, Manuel D’Oliveira, o virtuoso guitarrista vimaranense, actua no aniversário da sala. Até ao final do mês há outras propostas interessantes, como a cantora da moda Ana Free e a sensação/desilusão Pontos Negros, que andam a pôr o rock nacional em alvoroço, mas ainda não me convenceram pessoalmente.

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Cultura a Quatro

A estreia de Tebas, filme do vimaranense Rodrigo Areias, marca o início de uma iniciativa inédita, que vai reunir as programações culturais de Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães, os quatro concelhos que compõe o Quadrilátero urbano do Minho.


Chama-se “CulturaaQuatro” e dura todo o mês de Dezembro. O programa inicia-se com a estreia de Areias, hoje, no CCVF e continua no dia 16, no Theatro Circo, com um recital de piano de Luís Pipa. No fim-de-semana de 20 e 21 de Dezembro está marcada a apresentação da "Missa das Crianças", na Casa das Artes de Famalicão, do contemporâneo inglês John Rutter. Também a 21, o outro vértice do quadrilátero junta-se ao evento. Em Barcelos, o Coral Magistrói actua no Largo da Porta Nova, a partir das 17h00.

 

Sou um entusiasta da ideia do quadrilátero e acho, francamente, uma excelente iniciativa, esta de se acertarem agendas numa região que é o terceiro pólo de cultura do país (às vezes o segundo). Se o CulturaaQuatro não for apenas um mero processo de intenções, pode resultar num caso de sucesso.

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Debate: “A Cultura em Guimarães e o desafio de 2012”.

No próximo dia 12 de Dezembro, pelas 22h00, na sede do Convívio (Largo da Misericórdia), um um grupo de bloguers vimaranenses, constituído por Tiago Laranjeiro, Cláudio Rodrigues, Paulo Lopes, Miguel Silva e Samuel Silva, em colaboração com a Associação Cultural Convívio, organiza um debate com o tema “A Cultura em Guimarães e o desafio de 2012”.

Para o evento foram convidados a vereadora da Cultura da Câmara de Guimarães, o Centro Cultural de Vila Flor, o Centro de Artes e Espectáculos S. Mamede e as associações culturais de Guimarães. O debate é aberto à participação de todos os interessados.

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Fotografia © Miguel Silva Loureiro
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Think Pong: As nossas festas

No último sábado, o Pinheiro marcou o início das Nicolinas. Nos próximos dias Guimarães mantém-se em festa, ainda que o número anunciador das festas seja, cada vez mais, momento único. Os baixos níveis de participação nos restantes eventos associados às Nicolinas, especialmente no Pregão e Maçãzinhas, que são verdadeiramente míticos, causam preocupação.

E é de preocupação que vos quero falar. A preocupação que associo às Nicolinas, com algum pessimismo que gostava fosse escusado. Temo que não. O futuro das festas não está em causa. Basta ver a vitalidade do Pinheiro. Mas limitar as Nicolinas ao número do dia 29 é menorizá-las, é deixar escapar boa parte da sua essência, e a maquilhá-la com a massificação, que pode ter um efeito perverso de as descaracterizar

Outro motivo de preocupação tem a ver com a pouca valorização que se faz, hoje em dia, da comissão de festas Nicolinas. São os estudantes que continuam a fazer as festas, mas pouca gente parece ligar a isso. A começar pelas próprias escolas. Aquela dezena de miúdos dá o seu tempo pelas festas de toda uma cidade, são capazes de controlar largos milhares de pessoas, e o que é que recebem em troca? Quase nada. Pior, ainda falham os testes, prejudicam as notas e, em último caso, perdem o ano.

Parece-me da mais elementar justiça que as festas Nicolinas sejam equiparadas a todas as outras festividades académicas nacionais. Nenhuma com a mesma tradição e significado. Ninguém põe em causa as isenções de aulas nas Queimas das Fitas nem as vantagens dadas nas Universidades aos membros das tunas académicas. Então por que não igual tratamento aos membros da Comissão Nicolina? Com a possibilidade de fazerem os testes em período especial e de não prejudicarem a sua folha de assiduidade durante mês e meio em que preparam as festas.

Uma nota final sobre o número anunciador das Nicolinas. O Pinheiro foi perfeito. Muito frio (a minha memória tem-na como a noite mais fria do ano e este ano foi-o), um “milagre” climatérico (nem gota de chuva durante o cortejo), excelente companhia (como é habitual), e uma organização certa, o que nos últimos anos não foi comum. Às três em ponto o Pinheiro estava levantado. Tem que ser assim.