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Notas sobre o derby

- Jogos de futebol à segunda-feira às 19h30 são um atentado ao desporto-rei;

- Enquanto houve pernas, o Vitória mostrou que é mais equipa que o Braga. Pena é que tivessem sido apenas 30 minutos;

- 30 minutos foi quanto durou o entusiasmo nas bancadas do Afonso Henriques. Depois houve cansaço (é dia de trabalho), nervosismo e excessiva vontade de insultar os vizinhos; 

- As tarjas dos adeptos do Braga vinham escritas em código. Alguém percebeu os “recados”?;

- Evaldo, o lateral-esquerdo do Braga, é um excelente jogador. Mas 80% dos lançamentos laterais que executa são irregulares;

- A haver um vencedor seria o Braga. Nunca assumiu o jogo, mas é venenoso no contra-ataque. Renteria, felizmente, é um bom defesa-central para os adversários;

- Nilson é um senhor. O melhor guarda-redes do campeonato nacional fez um magnífica exibição atrás de uma dupla de defesas-centrais de arrepiar;

- É confrangedor ver a equipa sem pernas e olhar para o banco e ver apenas Fajardo e Coral como opções. Juntos não fazem um jogador de futebol;

- Um repórter de uma rádio de Braga equipado com um colete do Portsmouth não é só sinal de rivalidade. É mesmo sintoma de estupidez;

A análise mais aprofundada ao jogo estará aqui ao fim do dia.

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Blogosfera científica

A blogosfera minhota é o objecto de estudo de um grupo de investigadoras do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do MinhoO objectivo é caracterizar os blogueres do Minho, de forma a perceber quem está na blogosfera e quais as suas motivações.

Os primeiros resultados deste estudo serão apresentados no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, que decorre a 11 e 12 de Dezembro, na Universidade do Porto.

O trabalho é da autoria de Rosa Cabecinhas (minha orientadora de Mestrado), Luísa Ribeiro (camarada do Diário do Minho) e Carla Cerqueira (doutoranda em Comunicação na UM) e está online aqui.

O Colina Sagrada já respondeu ao inquérito das investigadoras. Agora, aguardamos os resultados. Bom trabalho!

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Think Pong: Que turismo?

O presidente da Câmara, António Magalhães, recebeu na semana passada a Medalha de Mérito Turístico em prata pelos serviços prestados ao turismo português. No total foram agraciados 15 personalidades e instituições, entre desportistas, empresários e gastrónomos e os autarcas de Grândola e Óbidos. Sem conhecer ao certo as razões que levaram o autarca e Guimarães a serem distinguidos, vale a pena debater um pouco o trabalho que tem sido feito pelo turismo vimaranense.

Guimarães tem há longos anos uma Zona de turismo própria. E, apesar de algumas ideias avulsas com alguma inteligência (áudio guias e conteúdos para telemóveis), o resto é de uma confrangedora falta de orientação, que inclui uma promoção parca em mercados limitados, ofertas incongruentes como a “Feira Joanina” e o fim de eventos importantes como a Feita do Comer e a Feira do Artesanato.

É gritante a forma como, ao fim de duas décadas de investimento na área, Guimarães continue a ter um índice de reconhecimento internacional tão parco. Poucos são os estrangeiros com quem um vimaranense se cruze e que conheçam Guimarães. O facto de dois jogos do Euro 2004 ou as presenças do Vitória nas competições europeias serem mais eficazes a promover o nome da cidade, do que a presença da ZTG nas feiras internacionais atesta da falência do projecto turístico vimaranense.

A prova mais evidente desta realidade foram as declarações que Bob Scott, o líder do painel de selecção da Capital da Cultura 2012, fez na visita que fez a Guimarães, em Julho. Dizia o britânico que o grande problema da cidade candidata a CEC “é o facto de não ser muito conhecida internacionalmente”. E afirmava-se muito satisfeito pelo facto de existir “essa consciência”, salientando que “é muito positivo que 14 por cento do orçamento total do evento seja destinado a comunicação e marketing”.

Ao todo são mais de 15 milhões de euros para promover Guimarães. Mas quantos milhões foram gastos ao longo de todos estes anos? E nada disso impediu que alguém tão bem informado como Bob Scott tivesse apenas uma vaga ideia do que era a cidade antes de aqui chegar. Imaginem, pois, como será com o europeu médio.

A própria promoção da CEC está a ser feita de forma incipiente, com recurso a postais. Não há uma lógica na comunicação de Guimarães como cidade e como mercado turístico. E há uma série de produtos mal aproveitados, com as Nicolinas à cabeça, os museus locais ou a herança castreja.

Guimarães é um bom produto. Mas é mal vendido.

Do outro lado: Turismo Premiado.

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Noite de Derby

Este é "o jogo", como já no ano passado tinha dito. O jogo que ninguém, dos dois lados da barricada, quer perder. E, um ano depois, as posições mantêm-se: O Vitória, com menos equipa e menos orçamento, está à frente do Braga. Mas as semelhanças em relação à temporada passada ficam por aqui.

Há um ano, Fajardo era o herói de Guimarães. Hoje, é o ódio de estimação dos adeptos vimaranenses e o responsável primeiro pelo eliminação na Taça UEFA. Há um ano, o Vitória já tinha uma equipa. Hoje, entre lesões, castigos e falta de coragem no mercado de transferência, tem um grupo jeitoso, que pode fazer uma época apenas interessante. Há um ano, o Braga não tinha treinador. Hoje, tem um dos melhores e mais injustiçados técnicos nacionais. Há um ano, tinha confiança para o derby. Hoje, vou ao estádio desconfiado.
Mas se houver pernas e a qualidade da primeira parte frente ao Portsmouth, vamos ganhar.
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Quase centenária


Há 98 anos começou-se a construir um Portugal mais livre e com mais igualdade. A dois anos do Centenário da implantação da República, ficamos a conhecer os membros do conselho consultivo das comemorações. Mas o que está lá a fazer um bispo?

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"There is only one Ronaldo"

A banda de Ronaldo Fonseca actua amanhã no CCVF. Chamam-se Peixe:Avião, são de Braga e são  uma das melhores coisas que aconteceu à música nacional nos últimos anos.
40.02, o disco de estreia, tem músicas extraordinárias, uma coerência interna e uma sintonia com o que de melhor se anda a fazer um pouco por todo o mundo fora de normal para um região periférica como a nossa. Aposta cerca do Vila Flor, para ver a partir das 23H00, no Café Concerto (não justificariam o pequeno auditório?).

Este promete ser um excelente fim-de-semana no que toca à música, em Guimarães. Hoje à noite, um dos mais míticos eventos musicais portugueses passa pelo mesmo palco. O festival Termómetro, criado por Fernando Alvim em 1994 e que já lançou, por exemplo, Blind Zero e Silence 4.

Mais tarde, no Convívio, o imperdível duo finlandês/francês Mi and L'Au. Uma das boas coisas que descobri este ano.
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Parque da Cidade, Fevereiro de 2005.
Não me volto a sentar ali.
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Feito!

Chama-se "As fontes jornalísticas na era digital: relações e encenação" e é a responsável pelo pouco tempo que tenho dedicado ao Colina Sagrada. Entrgue a Tese de Mestrado, e com o trabalho bem encaminhado, vou escrever mais regularmente.
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Think Pong: Temos uma política de juventude?

Têm sido várias as vozes que se levantam para discutir a existência (ou não) de uma política municipal para a juventude. No entanto, quando se fala de política de juventude há que limitar a geração que incluímos nesta análise. É deste erro básico que se tem feito o diálogo de surdos entre a autarquia e quem com ela quer dialogar.

A Câmara diz que tem uma política para a juventude e dá os exemplos da aposta na Educação (Ensino Básico) e de iniciativas meritórias como o serviço educativo do CCVF ou as férias desportivas do Tempo Livre. Isto é um exemplo de política de juventude? É, se estivermos a falar de crianças e adolescentes. Mas não estamos.

Se a análise se centrar no escalão etário 18-25 as coisas mudam de figura. A autarquia não tem uma política para esta geração (que é a minha). A autarquia não tem uma linha orientadora – como noutras tantas coisas – que permita desde logo abranger o que faz ou não parte de um verdadeiro projecto para os jovens vimaranenses.

Guimarães ainda não percebeu, por exemplo, qual é a mais-valia dos estudantes universitários (apesar de levar a dianteira no que toca a “aproveitar” o potencial de investigação da UM). E os decisores locais estão totalmente alheios aos estilos de vida, preocupações e dinâmicas culturais desta faixa etária.

Não há programas de ocupação de tempos livres para esta camada, não há iniciativas culturais ou formativas para este alvo. Não há, em suma, quem se aperceba que esta é uma falha da gestão política local. Salvam-se algumas insuficientes excepções.

A Tempo Livre oferece pelo menos condições para a prática desportiva e oferece alguns eventos que (gostos à parte) têm o seu público. Mas, acima de tudo, salva-se o CCVF. Se há “produto” que este ano teve mérito no centro cultural foi o festival Manta. Está bom de ver quem é o seu público. Ou o dos concertos de Mesa, no último sábado, Goran Bregovic, Rita Redsohes, etc.

A minha crítica é que estas são medidas avulsas a que falta a coerência de verdadeiras políticas públicas. Mas não chega “culpar” a Câmara pelo panorama deprimente que se coloca à minha geração. O que é feito, por exemplo, do CMJ? E as juventudes partidárias o que é que acrescentam à discussão pública local? E as associações preocupam-se particularmente com os jovens nas suas realizações? A reposta parece-me negativa e temo que este seja, por isso, um problema estrutural de Guimarães.

Do outro lado: Política de juventude.
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Machadada na qualidade de vida

Lamentável!
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Desigualdades

O Pedro Morgado fez o apanhado das empresas do Minho no ranking das 500 maiores do país. As contas são tristes: há apenas 4 empresas de Viana do Castelo e 18 de Braga. De Guimarães há apenas uma, a Lameirinho. Resistiu à enésima crise da têxtil e mantém-se por lá, a menos de 40 lugares do fim da lista.
No concelho com uma taxa de desemprego altíssima esta é uma situação grave, que merecia outra energia dos responsáveis políticos.
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Think Pong: Basta colocar-nos no mapa?

Ao fim de três anos de existência, o papel do Centro Cultural de Vila Flor continua a merecer discussão entre os vimaranenses. Sendo certo que não é um projecto perfeito, o CCVF tem colocado Guimarães entre os principais palcos de cultura do Norte ao longo deste tempo.

O ano de 2008 está a ser particularmente intenso. Uma espécie de ano de afirmação, em que os responsáveis parecem ter sabido encaixar críticas e alargar a oferta. Os espectáculos que já passarem pelo CCVF e o reforço do serviço educativo parecem-me começar a justificar o investimento municipal ali feito. Mas falta mais, porque ao Vila Flor não basta ser uma das principais salas de espectáculos nacionais, é preciso também ter implantação na sua cidade e no seu concelho.

O centro cultural tem mostrado este ano que tem um caminho bem definido e um projecto traçado. A música continua a levar muita gente àquele espaço, as à World Musica e ao Jazz que já faziam parte da oferta habitual, juntaram-se apostas na música portuguesa e no indie rock (no excelente Manta) que asseguram uma diversificação de públicos.

E depois houve duas apostas certeiras. No teatro, a acompanhar o esforço de profissionalização e solidificação do Teatro Oficina a que Guimarães tem dedicado um estranho esquecimento. E também na dança contemporânea. O Vila Flor soube interpretar o mercado e apostar num nicho que o Porto tinha deixado escapar depois da “privatização” do Rivoli.

Há um caminho, portanto. E há visão. De resto, o Theatro Circo tantas vezes apontado como exemplo a seguir pelo CCVF, entrou em crise, provocada entre outras coisas pela falta de consciência do que deve ser a gestão de um espaço destas características. O Vila Flor está de pedra e cal, com menos recursos, mas uma melhor gestão.

Mas não são perfeitos os dias que correm no centro cultural vimaranense. Às muitas críticas que a sociedade civil local vai fazendo, junto também as minhas. A começar pelo modelo de exploração do café-concerto, nunca resolvido, e que converte um dos potenciais espaços-nobres do centro cultural numa estranha miscelânea que o torna um palco pouco apelativo para público e artistas.

O CCVF tem dificuldades em “vender-se”. É incompreensível que os órgãos de comunicação social especializados dêem tão pouca atenção ao centro cultural vimaranense. E o Vila Flor vende-se mal por excesso de pudor. Bastava “vender” um qualquer micro festival a alguém bem colocado para estar nos jornais e revistas da especialidade.

Outro ponto fraco é a parca ligação com Guimarães, que é, de resto, admitida pelos seus responsáveis. O festival Manta, nos moldes de 2007, parecia inverter essa tendência. Mas até esse se foi. E hoje são poucos os espectáculos que levam os vimaranenses aos auditórios ou a galeria do palácio. Para a grande maioria da população, o que acontece em Vila Flor passa ao lado e é necessário encontrar novos motivos para levar gente ao CCVF (sem baixar a qualidade, nem entrar no delírio de colocar todas as associações locais em cima daquela palco). Podia passar por levar lá artistas vimaranenses. Mas, exceptuando nas artes plásticas, temo-los em qualidade e quantidade?

Nota: excepcionalmente, o Think Pong é publicado esta semana à terça-feira, devido a compromissos pessoais.
Do outro lado: Parabéns em evolução.
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Parabéns!

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Um concurso obsoleto

A noite de sábado foi de ilusão ou desilusão para milhares de jovens. Os resultados do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior definiram, para a grande maioria deles o futuro. O concurso de 2008 permite-nos tirar levantar algumas questões pertinentes.

O facto de os exames de secundário terem primado pela facilidade insuflou artificialmente as médias de acesso. Algumas Engenharias tiveram subidas de média na casas das duas unidades. Isto significa que muitos alunos cujas notas cobriam perfeitamente as exigências anteriores nas suas licenciaturas-alvo, viram a entrada no Ensino Superior lacrada por um modelo de acesso que está obsoleto.

Como se comprova com o concurso deste ano, basta introduzir um iniquidade ligeira para pôr em causa três anos de trabalho. Há aqui uma inversão de valores problemática, que atenta contra a avaliação contínua. O modelo de acesso às universidades e politécnicos não escolhe os mais aptos para cada curso, porque o faz depender apenas das classificações escolares - bastante sujeitas a distorções exógenas.

Defendo que devia existir um modelo como nos mestrados e doutoramentos, com base em critérios muito mais alargados e ponderados, como os curricula dos candidatos e as experiências pessoais anteriores. Ou a introdução de uma prova de acesso na faculdade a que se candidata, bem como entrevistas e testes psicotécnicos.

Na primeira fase de acesso ao ensino superior público foram colocados 44.336 alunos, mais 2.400 alunos do que no ano passado. E este é o número de admissões mais elevado dos últimos 12 anos. Sejam quais forem as razões por detrás destes números, o facto é que haverá mais jovens a enveredarem por uma formações superior, o que para um país abaixo de todas as médias no que diz respeito à formação dos seus cidadãos, é uma nota positiva.

Por último, e apesar do aumento de colocações, há uma centena de cursos com menos de dez alunos colocados. A Universidade portuguesa está dividida entre “ricos” e “pobres”. Há cursos perfeitamente sobredimensionados e desfasados da realidade. As diferenças abismais de qualidade de formação entre universidades - e mesmo dentro da mesma instituição - não fazem nenhum sentido, e vão apenas contribuir para que, mesmo mais formados, estes jovens portugueses não venham a ser, necessariamente, melhor formados.
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A crise do PSD local

O regresso de férias trouxe novidades políticas mais cedo do que se esperava. A comissão política do PSD de Guimarães demitiu-se, abrindo portas a eleições antecipadas para a liderança do partido. A cerca de um ano das autárquicas, o nome do próximo líder dos social-democratas vimaranenses assume particular relevo porque ajudará a perceber quem será o candidato que se vai apresentar frente a António Magalhães em 2009.

As autárquicas são, aliás, o principal motivo da queda da liderança de Emídio Guerreiro. Por muito que o deputado evoque o pouco tempo que o novo cargo de secretário-geral ajunto deixa à liderança da concelhia – situação que era facilmente contornada se Guerreiro tivesse assumido logo que foi eleito para o cargo nacional – a dificuldade em encontrar um cabeça-de-lista é, na prática, o motivo da actual crise interna.

E a mensagem que o PSD faz passar, mesmo contra a sua vontade, é a de que entre as hostes sociais-democratas a derrota em 2009 é tida como certa. Só assim se percebe que os vários nomes sondados tenham sempre escapado a assumir a luta com Magalhães. Se o PSD não se convence que é alternativa à actual liderança autárquica, dificilmente vai conseguir convencer os vimaranenses disso.

Aliás, protelar esta indefinição só trará problemas ao maior partido da oposição. E o risco de perder votos face às últimas autárquicas será tanto maior quanto o tempo que tardar uma solução. Pior mesmo do que esta indefinição só mesmo uma má escolha de candidato. E a verdade é que as soluções possíveis são cada vez mais escassas e com menor qualidade. Rui Victor Costa já disse que não avançava, Emídio Guerreiro não tem tempo, Carlos Vasconcelos parece uma carta fora do baralho. Mesmo Roriz Mendes – que seria um erro político grosseiro – disse que não. Quem resta afinal para ser carne para canhão nas eleições do próximo ano?
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Think Pong: O que vale o Avepark?

Dez anos depois de lançado, o parque de ciência e tecnologia do Ave foi inaugurado, no sábado. É um atraso excessivo para um região sufocada pela crise do seu sector produtivo e onde existem, número redondos, 35 mil desempregados.

As causas para este atraso são várias, mas não podemos afastar a responsabilidade política dos sucessivos governos que não perceberam o potencial de um investimento como este. É trágico quando o poder central de um país está mais atrasado em termos de concepções tecnológicas e economias do que os agentes locais.

Mas afinal, o que vale o Avepark? A avaliar pelas ausências notadas de altas figuras do governo da cerimónia de inauguração, politicamente vale pouco. As presenças do primeiro-ministro, José Sócrates, e do Ministro da ciência e tecnologia, Mariano Gago, chegaram estar anunciadas. Mas "motivos de agenda" afastaram os dois governantes e a inauguração contou apenas com o incipiente secretário de Estado da ciência e tecnologia, Manuel Heitor.


A inovação e a tecnologia como suporte ao emprego, verdadeira punch line do marketing político do governo do PS não passam disso mesmo. Quando é preciso mostrar apoio prático a iniciativas do tipo, o governo faz-se representar por um dos seus pesos-pluma. A ausência de Sócrates não tem justificação e é ainda menos compreensível quando o primeiro-ministro marcou presença, há poucas semanas, numa muito menos recomendável iniciativa de criação de emprego, em Santo Tirso.


Mas, numa região que enfrenta uma grave e continua crise, o Avepark é obviamente uma boa notícia. Pode ser o tão propalado ponto de viragem no paradigma económico da região. Depois de décadas de mão-de-obra barata e pouco qualificada, a ciência e a inovação podem ser o mote de uma nova vida do Ave. E Guimarães vai liderar esse projecto com todo o mérito. Porque foram os responsáveis autárquicos vimaranenses que conseguiram antecipar as exigências do seu tempo e criar condições para que hoje exista no concelho o maior e melhor equipado parque tecnológico.

De acordo com o presidente do conselho de administração, Manuel Mota, o centro tecnológico vai gerar, dentro de dois anos, dois milhões de euros anuais. Até ao final do próximo ano serão criados 1500 postos de trabalho e o objectivo ambicioso passa por atrair 200 empresas de base tecnológica no médio prazo.

A lista de empresas já instaladas ou que estabelecerem parcerias com o Avepark é muito boa. As metas são ambiciosas, mas mais importante do que isso, estão já a ser ultrapassadas. E, a confirmarem-se os números avançados por Manuel Mota, significará um incremento no PIB regional que vai tornar o Minho um novo actor na economia portuguesa.
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O dito, o não dito e as eleições de Angola

A proibição de entrada dos jornalistas do Público (vale a pena ler esta nota) e do grupo Impresa em Angola para a cobertura das eleições de hoje é um infame atentado contra a liberdade de imprensa a democracia que apenas prova aquilo que um certo establishment luso se tem esforçado por esconder: aquela ainda é um dos vergonhosos atentados à democracia aos valores de liberdade no continente africano.

Felizmente que não por aí que as notícias não chegam ao nosso conhecimento. Esta e esta (via AFP) notícias da edição online do Público apenas reforçam as incertezas quanto à transparência do processo eleitoral.

Em jornalismo, o dito é muitas vezes mais importante que o não dito. Neste caso específico, a opinião púlica portuguesa devia, mais do que lamentar a proibição de entrada de alguns dos mais importantes órgãos de comunicação social do país em Angola, questionar o porquê de outros terem sido autoriazados. Este post de Daniel Oliveira ajuda a compreender alguns dos mitérios. Com uma agravante: esta propaganda pró-JES é feita com o dinheiro dos contribuintes.
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Think Pong


Começa segunda-feira a nova rubrica conjunta do Colina Sagrada e do Abertamente Falando. Chama-se Think Pong e tornará, semanalmente, públicas as discussões caseiras que mantenho com o meu irmão.

Estamos suficientemente afastados do ponto de vista ideológico para entendermos que este pode ser um exercício interessante tanto para nós como para os nosso leitores.

A ideia é simples: todas as semanas vamos escolher um tema, preferencialmente local, mas não necessariamente. Depois, as nossas opiniões sobre esse assunto serão publicadas em cada um dos nosso blogues com um link para o texto do outro. A discussão, esperamos, continuará desse lado da Rede.
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Dúvida que me assalta

O que leva o Diário do Minho a dar, dia após dia, cobertura a um microorganismo político como Manuel Monteiro?
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Contabilidade Organizada

Depois de uma temporada histórica em Guimarães, os espectativas estão altas. Mas com o Vitória a pisar os calcanhares aos três clubes que dominam o futebol português desde sempre, o clube torna-se um alvo apetecível de apitos, sistemas e esquemas afins.

Assim, nasce um blog. Das muitas conversas com os amigos e bloggers Rui "Riot" Ribeiro e Paulo Lopes. Chama-se Contabilidade Organizada e entrou online há dias.

O nosso objectivo será, durante o próximo campeonato, dissecar online o tema mais discutido do futebol nacional: as arbitragens. Serão 30 semanas de actividade, analisando os encontros do Vitória.

Nos próximos dias vamos também publicar o apanhado das arbitragens do Vitória da época passada. Durante a temporada fomos escrevendo textos avulso sobre os jogos da Liga, que agora são coligidos no blog. Durante as últimas semanas estivemos a fazer esse trabalho e a comparar com os vídeos disponíveis e os comentários dos jornais desportivos.

Por aqui vão também passar as noticias da semana no que à arbitragem nacional diz respeito e algumas das novidades internacionais acerca da integração de novas tecnologias, mudanças de regras, etc. No final de cada semana, vamos fazer as contas entre o "deve e o haver" dos jogos do Vitória. Para que no fim possamos fazer todas contas - com rigor e seriedade.

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Quando a rivalidade é um jogo dos grandes

É centenária a rivalidade entre Braga e Guimarães. O que equivale a dizer que já havia idiotas no século XV. Guimarães e Braga têm tudo para ser duas das cabeças da terceira metrópole do país. E só não têm melhores condições porque durante anos não souberam percebê-lo.


Há cidades maiores do que a N 101. E há muito mais a ganhar do que a perder se as duas cidades funcionarem como um bloco na hora de negociar com o poder central. Teve que ser a União Europeia a impor as candidaturas multimunicipais como critério para o próximo quadro de apoio, para que o Quadrláterio, um conceito tão forte e antigo, pudesse começar a concretizar-se.


Esta rivalidade estendeu-se ao futebol. Nada contra. Até nas grandes cidades onde há mais do que um clube, há entre si uma rivalidade que pode ser tão extrema como a que há entre Vitória SC e SC Braga. No entanto, a recente onda de agudização da rivalidade minhota, tem causas externas. E isso é que é lamentável.

O Apito Dourado veio mudar o futebol português. Não em termos de arbitragens (as primeiras jornadas serviram para mostrar que vai ficar tudo na mesma), mas em termos de alianças. E a verdade é que Vitória e Braga, inocentemente ou não, quiseram ser peões numa luta entre Lisboa e Porto.


O que ganha um e outro no final da época saberemos. O que assistimos, no entanto, é a um extremar de posições que só enfraquece os dois clubes. Os clubes de média dimensão nacional demoram a perceber que só poderão ser grandes quando deixarem de alimentar os ditos.


Vejam o que se passou em Espanha com Depor, Valência e, num outro nível o Bilbau. Títulos, presenças na Liga dos Campeões, e uma afronta ao poderio de Madrid e Barcelona que mudou o futebol vizinho. Por cá, as direcções do Vitória e do Braga vão passar a próxima época a servir de arma de Benfica e Porto. Adiando novamente as reais hipóteses de serem campeões no médio prazo.
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Reentré (IV) : A cultura

CCVF: O ano tem sido deles. O centro cultural afirmou-se local e nacionalmente, com espectáculos magníficos, coerência e ecletismo. Os últimos meses do ano vão apenas confirmar a tendência. Hoje começam os encontros internacionais de música, que trazem as tendências eruditas Guimarães. Lá mais para o fim do ano, o GuimarãesJazz será, mais uma vez, um dos eventos mais importantes da temporada. E há a continuação da excelente aposta no teatro e na dança contemporânea. Na musica duas boas noticias para já: os portuenses mesa actuam já em Setembro. No mês seguinte vêm cá os vizinhos Peixe:Avião que, pelo que vi no Barco Rock Fest, vão ser uma das bandas de 2009.

São Mamede: Primeira pergunta: será que o São Mamede reabre em Setembro? A sala privada começou cheia de força, mas depois caminhou imparável para o suicídio. Houve concertos cancelados em catadupa, noites em que se transformou em discoteca e uma programação cada vez mais fraquinha. Até ao final do ano, há uma prova de fogo. Ou agarram agora esta oportunidade ou temo que o futuro não seja muito feliz.

Associativismo: O Convívio está em alta. O Cineclube é um referência nacional. O MAT faz das Taipas um pólo cultural que envergonha a cidade aburguesada. Aos poucos, o CAR quer recuperar a chama perdida com programação regular, à qual por vezes falta qualidade. Há uma nova vaga no associativismo local? É isso que o último trimestre do ano pode ou não confirmar.
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Reentré (III) : A cultura

Não vamos assistir à invasão de grandes nomes que marcou o final do ano passado. 2007 foi ano de colheita especial, com o CCVF apostado em marcar posição, o São Mamede com ímpeto de abertura e o Multiusos bastante concorrido para concertos de grandes nomes. Os próximos meses não vão ser assim. Mas não vão ser necessariamente piores.
Multiusos: A programação do pavilhão vimaranense continua a oscilar entre o óptimo e o medíocre. Não há bem uma linha orientador no Multiusos. Por um lado compreende-se (não tem que haver a coerência de um centro cultural e é um espaço aberto ao aluguer, o que o leva muitas vezes a apresentar propostas de gosto duvidoso).

Setembro abre com a celebração dessa modalidade abjecta e criminosa que é o tuning e dias depois há por lá um comício do PS. Em Outubro há um feira dedicada à terceira idade (o nome Expo Idoso é infeliz) e logo depois a mais importante voz da música nacional da actualidade, Mariza, num concerto de magnífico nível. Mais tarde há uma propostas nova, mas que pode resultar: a exposição de automóveis clássicos. Ao mesmo tempo, o desporto, arredado há tanto tempo, está de volta ao Multiusos. O Vitória vai jogar lá os jogos da Liga dos campeões de voleibol e, em Novembro, há lugar ao Europeu de Kickboxing.
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Reentré (II)

5 projectos: Há muito que não se via a sociedade civil vimaranense tão envolvida numa discussão. Se a verdade é que alguns dos projectos não oferecem dúvidas (o CampUrbis, por exemplo, até já está no terreno), o caso da renovação do Toural é paradigmático. A ausência de árvores, a excessiva pedonalização da praça e, particularmente, a existência de um parque de estacionamento subterrâneo no coração da cidade, dividiram os vimaranenses. A câmara percebeu isso e o mais provável é que nos próximos meses, Magalhães anuncie uma profunda revisão do projecto. Resta saber se alguma vez iremos conhecer os verdadeiros contornos desta história.

Candidatos: A um ano das eleições autárquicas, é hora de contar espingardas nas hostes partidárias vimaranenses. Irá o MRPP continuar a surpreender com uma representação parlamentar que dá uma imagem tosca à política local? O Bloco de Esquerda vai assumir-se em Guimarães uma força com a importância que tem a nível nacional, ou pelo contrário vai deixar abater-se pela frouxidão dos seus representantes? E o CDS ainda existe por cá? As maiores incertezas estão, no entanto, reservadas para o maior partido da oposição. Rui Victor Costa já disse que não se candidata. Emídio Guerreiro parece pouco motivo. E Roriz Mendes seria um tiro no pé. Quem resta aos sociais-democratas para vencer António Magalhães? No PS, com a CEC à porta, não deve acontecer nada de novo. Problemas entre os socialistas só depois da retirada do seu líder incontestado.
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Reentré (I)

Os próximos meses são de decisões muito importantes na política vimaranense. A nível político-partidário, na política autárquica e na definição das linhas mestras da evolção vimaranense nos próximos anos. Até Dezembro devem ser dados passos importante para começarmos a perceber a nova cara da cidade.


CEC: A autarquia aguarda com expectativa a definição do orçamento para a Capital Europeia da Cultura. Os 111 milhões de euros que o documento de candidatura prevê parecem não convencer os responsáveis vimaranenses. Com Sócrates por cá em missão oficial por duas vezes em Setembro, serão oportunidades de "apertar" o primeiro-ministro para garantir o compromisso do governo. Além disso, falta ainda o "sim" oficial de Bruxelas. Em Novembro há a última reunião com os responsáveis europeus, antes da oficialização da cidade como CEC em 2012. Antes disso há que encontrar os nomes do comissário e do director artístico. Entre várias negas e o pouco envolvimento da sociedade civil vimaranense no projecto, os próximos meses serão um duro teste para o triunvirato que lidera o projecto mais importante da história moderna de Guimarães.

PDM: Setembro é o mês da apresentação dos resultados do longo processo de revisão do Plano Director Municipal. O documento é um instrumento primordial para a definição do modelo de desenvolvimento de Guimarães no médio prazo. A cidade que é um referência nacional na recuperação urbana, não pode permitir atropelos urbanísticos e este é o momento certo para mostrar esse compromisso.
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O Diabo

Se isto se passasse num estádio do Norte caía o Carmo e a Trindade...

Adenda: E de repente o imbecil tem direito a tratamento noticioso como se fosse uma vedeta.
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Pompey, go home!

Há que ter confiança para a 1ª eliminatória da Taça UEFA. O Portsmouth é um novo-rico do futebol inglês, com muitos nomes, um orçamento obsceno e o mais velho troféu do mundo do futebol na mão. Mas é um adversário que o Vitória não deve temer. Num dia bom, Cajuda arruma Redknap. Vale a pena ler o comentário do Luís Freitas Lobo vimaranense.

Quanto aos restantes clubes nacionais, temo que apenas o Braga siga em frente.
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Do lixo

Se há coisa que me faz confusão, é sair de casa à noite e ver o extremo da minha rua pejado de lixo. Em sacos, é verdade. Mas aos moradores não resta outra alternativa se não a de o colocarem mesmo no meio do passeio. É o local estabelecido há anos para o depósito dos resíduos.

As duas ou três horas que medeiam a normal hora de depósito dos sacos e a recolha pelo pessoal do município promovem uma visão lamentável da cidade e nada consentâneo com a ideia de modernidade que a autarquia tem reivindicado.

Seja no Largo República do Brasil, na Avenida D. João IV, na Avenida D. Afonso Henriques, um pouco por todas as artérias centrais da cidade, o lugar de deixar o lixo é no meio do passeio.

Uma cidade que foi tão expedita em guetizar os vendedores ambulantes das festas da cidade com a desculpa do “mau aspecto”, não será capaz de investir uns milhares de euros para resolver este vergonhoso “ponto negro” da nossa fruição urbana?

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Finalmente!

Finalmente faz-se justiça com um dos melhores médios nacionais da actualidade. Como não tem padrinhos nem boa imprensa, Pedro Mendes tardou em regressas à Selecção. Carlos Queiroz fez-lhe justiça à carreira e à qualidade que tem patenteado no Reino Unido e convocou-o para o duplo compromisso da equipa nacional.

Parabens, grande Pedro. São agora dois os representantes da escola vitoriana na Selecção Nacional de futebol. Não é por acaso.

PS: Queiroz vai mesmo convocar os melhores jogadores nacionais. Já fez justiça a Eduardo, Antunes, Danny e Djaló. Agora também a Pedro Mendes. Assim se faz uma Selecção.
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A imagem que devia envergonhar a UEFA

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ROUBARAM-NOS um sonho

Se dúvidas houvesse de que a UEFA é uma anedota, a escandalosa arbitragem que deixou o Vitória fora da Champions dissipou-as. Roubaram-nos um sonho e não há como remediá-lo. Se eu fosse presidente do Vitória, a equipa nem na taça UEFA jogava. Escândalo!
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Critérios

No dia mais importante da história do Vitória, no dia em que Portugal pode, apenas pela segunda vez na história, entrar na Champions League com três equipas, os "jornais" desportivos nacionais fazem de conta que o jogo de logo, em Basileia, não tem importância. As únicas referências são umas minúsculas chamadas de capa, como se de um qualquer jogo da Liga se tratasse.

O Jogo, que se diz mais equilibrado no tratamento deste tipo de coisas, faz capa com uma chuteira. A que vai decidir o clássico da Luz, dizem eles. Mas isto já não é de estranhar, quando a maior competição desportiva do mundo foi sucessivamente relegada para segundo plano pelos jornais que se dizem especializados e que tratam o novo campeão olímpico nacional desta forma.

Mesmo que eles não queiram: às 19h15 é hora de fazer história. Dois mil em Basileia, outros largos milhares em frente da TV, e uma esperança imensa. Boa sorte, Vitória!
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"Vocês afinal sabem onde é Fafe"

A frase é de um responsável da Câmara de Fafe e foi assim que recebeu os jornalistas das televisões que ontem chegam à cidade para cobrir a morte de um trabalhador nas obras de renovação do tribunal local.

Os jornalistas só se lembram de cidades como Fafe quando há sangue ou borrasca. E ontem, não fosse o JN ter dado a notícia on-line (com uma excelente cobertura do Carlos Rui Abreu, que pôs o site do JN a fazer ciberjornalismo como raramente é capaz), Fafe continuaria a ser uma cidade do interior (mesmo que a 60 quilómetros do Porto), onde não há notícias para dar.

Como houve sangue (ainda por cima num espaço do Estado), numa hora havia carros de exteriores, directos e uma dezena de jornalistas à porta. Às vezes sinto-me incomodado com esta profissão...
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Sobre o BRF

A 3ª edição do Barco Rock Fest terminou no sábado com um concerto de Mundo Cão. Um festival tão jovem com tamanho grau de qualidade só pode ser motivo de regozijo e permite sustentar a vontade da organização de o tornar um evento de referência.

Sem conhecer os números oficiais quanto à afluência de público, não me parece que tenha estado uma má casa. O festival é jovem, pequeno, tem falhas de divulgação e a data também não ajuda (nesta altura do mês poucos são os que não estão de férias e o dinheiro já foi gasto noutros festivais e ofertas afins do Verão).

E estes (data e divulgação) serão talvez os dois pontos que merecem revisão por parte da organização. Quanto ao resto, o espaço tem condições, há boas ideias de organização e muita competência para uma estrutura 100 por cento amadora. Com um orçamento superior e outro tipo de apoios, este festival vai dar que falar.

Lamentável é a falta de atenção que lhe deram os órgãos de comunicação social locais. Chega a ser ridículo que, no dia em que o festival começa, haja notícias sobre a oferta cultural...da Póvoa de Varzim e uma ausência de referências ao BRF. Quanto aos outros órgãos, apenas duas ou três curtas referências, quando o cartaz foi anunciado (copy-paste do press da organização, porque duvido que alguém tenha noção da importância de alguns destes nomes, tal como não a houve no Manta do CCVF). Mais recentemente, não se podia esperar muito: os jornais de Guimarães estão de férias, como se o mundo tivesse parado.

Resta-me deixar as felicitações ao BRF e fazer votos de que continuem este sustentando caminho de afirmação.
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Começa hoje


Aqui em Guimarães, com um duelo de Vitórias. Tal como no ano passado. Depois da desilusão que foi o empate a zero com o Basel, na primeira mão da pré-Champions (ainda assim uma emoção enorme ouvir o hino da prova e guardar o bilhete com as estrelas mágicas da maior prova de clubes de futebol do mundo), hoje começa o campeonato.
O Vitória tem um terceiro lugar a defender. Missão difícil, claro está. Primeiro porque esta equipa está descalça (de um central e um extremo dominador). Depois porque a concorrência está mais forte: O Porto é sempre o principal candidato, o Benfica não é feito de meninos e desconhecidos como o do ano passado, o Sporting tem um excelente plantel, cirurgicamente reforçado, e os vizinhos do Braga, se ultrapssarem os previsíveis conflitos de egos, são um adversário de peso).
Mesmo assim, o plantel, Cajuda, e a inegável mais-valia que é o apoio do público vitoriano, são factores suficientes para acreditar que o Vitória vai, pelo menos, garantir um lugar nas competições europeias e manter-se nos lugares cimeiros.
Quanto a mim, gostava que a Taça de Portugal e a Taça da Liga fossem também obejctivos para esta temporada. Os vitorianos querem títulos e as competições a eliminar não são provas menores, como muitos querem crer.
Hoje, importa começar a ganhar, porque o arranque da prova é suficientemente acessível para embalarmos, desde já, para um campeonato de bom nível.
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Isto é um luxo, senhores

Um ano depois, os corajosos membros do MAT voltam a surpreender. A edição deste ano do Barco Rock Fest é de excelente qualidade, capaz de juntar em palco algumas das melhores jovens bandas nacionais. É um luxo ter um festival destes bem pertinho de casa.

Pena é que, pelo que tenho visto, lhe estejam a dar mais importância em Braga do que propriamete em Guimarães. Este festival tem condições para se afirmar. Conhecimento do panorama musical, está provado, o MAT tem, o espaço em que se realiza o evento tem também muito boas condições e começa a ganhar visibilidade.

No ano passado cheguei a ouvir que o objectivo seria fazer deste um festival como Paredes de Coura lá para 2012. Estão no bom caminho, quanto a mim.

Depois de dois dias de "aquecimento", o festival começa hoje "a sério" com os poderosos Dapunksportif e Linda Martini, uma das melhores e mais apaixonantes bandas nacionais. E amanhã há Peixe: Avião, os miúdos-maravilha de Braga (quando é que Guimarães tem uma banda a sério?!), Vicious Five e Mundo Cão.

São duas pernas de Mão Morta, a contagiante voz de Pedro Laginha e as palavras de Luxúria Canibal. Ganharam um Globo de Ouro (o que prova que chegaram ao grande público) e assinaram um álbum de estreia de grande nível. Ao vivo costumam valer a pena (Paredes de Coura 2007, um dos bons concertos do festival).

Os preços valem a pena: o passe para todos os dias de festival custa 8 euros. Não há desculpas para não ir, portanto. Estão reunidas condições para um excelente evento, em ano de afirmação. Faço votos para que continuem a crescer.

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20 ano de cinema ao ar livre

Quando ainda ninguém vivia o centro histórico, o Cinceclube teve o arrojo de começar a programar cinema ao ar livre, em Agosto, em pleno Largo da Oliveira. 20 anos depois esta é uma iniciativa incontornável do calendário cultural vimaranense.

Sempe com um tónica de qualidade muito forte, o Cinema em Noites de Verão pôs Guimarães a ver bom cinema. Comecei assim a ver alguns dos filmes que me marcaram. E tornei-me sócio do Cineclube por consequência deste evento.

O programa deste ano já começou, com o filme-sensação do ano, Juno, ontem à noite. Hoje há Shine a Light, que junta Scorsese e os Roling Stones na tela. Mas há mais para ver até ao final do mês. O cartaz está aqui.
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Fechado


O plantel do Vitória para a próxima época está aparentemente fechado. Com as entradas dos ex-befiquistas Nuno Assis e Luís Filipe parecem encontrados os sucessores de Alan e Ghilas. Os 25 jogadores que hoje serão inscritos na UEFA vão assim defender as cores do clube na pré-eliminatória da Champions que está já aí à porta.

E a uma semana do mais importante jogo da história recente do clube, importa perceber qual é o saldo do defeso. A meu ver é positivo. Sairam Geromel, Ghilas, Alan e Miljan. Entraram quatro jogadores para os mesmos lugares e mais um joker que, pelos primeiros apontamentos, pode ser um caso sério (Jean Coral).

Se o miúdo brasileiro me encantou, o mesmo se pode dizer do companheiro de ataque Douglas. É, à primeira vista, muito melhor que o sérvio. E por aí o Vitória fica melhor servido. Tal como Nuno Assis (descontando a cena triste protagonizada aquando da saída e o episódio com doping, pelo menos chega a título definitivo), que é melhor (muito melhor) que Ghilas e tem a capacidade de construção perdida com a saída de Alan.
No entanto há perdas irreparáveis que preocupam nesta fase.

Não há muitos Geromel disponíveis, é certo. Mas Gregory não está sequer perto da qualidade do agora jogador do Colónia. Moreno é uma solução de recurso que temo não funcione. E esse sector perdeu, além do mais, profundidade. Sairam Márcio e Radanovic também, mas não chegou mais nenhum central.
O outro problema do plantel é a carência de extremos. Não há um único extremo esquerdo (Desmarets não conta, é médio) e os que existem dão-se pior a jogar "do avesso" do que Alan. Falta ainda um "abre-latas", um jogador desiqulibrador para resolver um jogo fechado. E há um défice físico face ao Basel que é necessário recuperar. Mesmo assim, e porque o sorteio foi positivo, há condições para continuar a ser feita história.
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STM – Serviço de Transportes do Minho

O “terceiro choque petrolífero” teve o mérito de pôr os políticos a pensar em formas alternativas de transporte. Ainda que estejam agora a pensar em soluções com 20 anos (Eles deviam antecipar soluções e andam, tragicamente, a reboque).

E, está à vista de olhos, a aposta no transporte público é a vertente fundamental desta aposta. À aposta no transporte ferroviário tem que se aliar uma reformulação profunda dos transportes públicos rodoviários. O primado tem que ser o do transporte colectivo.

Mas isto é impossível de fazer sem uma rede de transportes multimodal, bem articulada e gerida de acordo com os interesses dos seus utentes. O que acontece, no entanto, no Minho – que tem que começar a pensar como metrópole multicéfala – é que existe uma rede de transportes públicos insuficiente, obsoleta e, mais grave do que isso, mal gerida. Não há um verdadeiro serviço de transportes públicos nas quatro principais cidades da região e, muito menos, entre elas.

Faltam, obviamente investimentos. Faltam, por exemplo, as indemnizações compensatórias que o Estado atribui a Lisboa e ao Porto. Falta pensarmos como um todo. E falta, acima de tudo, aproveitar melhor, aquilo que temos.

E uma gestão eficiente e de verdadeiro serviço público tem que ser feita em proximidade. Daí que defenda a criação de um Serviço de Transportes do Minho (STM). Sob a forma de uma empresa pública, participada pelas autarquias e pelas empresas públicas e privadas que fazem serviço de transportes públicos na região.

Os urbanos de cada cidade, os interurbanos rodoviários e as linhas ferroviárias existentes. E a futura – e pertinente – linha Guimarães-Ave Park-Braga. Geridos por uma só entidade e, no fundo, por aqueles que verdadeiramente utilizam estes serviços.

Seria, por exemplo, a oportunidade de articulação definitiva entre urbanos e comboios e a possibilidade para a criação de um serviço interurbano de comboios (Famalicão-Braga funciona muito bem e não há motivos para fazer o mesmo com outras localidades).

Esta solução não é inovadora. É o que acontece, por exemplo, com a gestão dos serviços de transportes públicos nas áreas metropolitanas das grandes cidades espanholas. Barcelona e Madrid (mas também Valência e Bilbau, casos que conheço) têm um serviço invejável de transportes públicos, liderado pelos governos regionais, participado pelo Estado e pelas autarquias (até as das mais pequenas cidades-dormitório).

O resultado é óptimo. Primeiro porque há uma rede de transportes públicos muito completa. E depois porque há uma quase perfeita articulação entre os diversos meios de transportes: horários, estações multimodais e um bilhete único (ao estilo do portuense Andante).

Obviamente que em Espanha há uma outra dinâmica regional, que em Portugal não existe. Por motivos óbvios, que têm a ver com a autonomia regional do país vizinho. Mas isso levar-nos-ia a uma outra discussão. Que um destes dias vamos mesmo ter.
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O número comprado

O Vitória atingiu ontem a histórica marca de 30. 000 sócios. Na verdade, nada de mais: apenas a prova de que é o quarto maior clube nacional. O sócio 30.000 é um menina de dois anos. Que ternura. Este é um clube de toda a família. A menina é filha de João Reis e Catarina Furtado. Estranho. Ou foi uma coincidência do caraças, ou o número foi comprado.
Os verdadeiros sócios do Vitória mereciam mais respeito, Sr. Presidente.
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“Posso assegurar que Guimarães será a Capital Europeia da Cultura em 2012”


O presidente do painel de selecção da Capital Europeia da Cultura de 2012, Bob Scott, descansou ontem os líderes autárquicos vimaranenses. No final de uma visita de três dias a Guimarães assegurou que o preoesso é irreversível: “Posso assegurar que Guimarães será a Capital Europeia da Cultura em 2012”.

O relatório final do painel de selecção estará pronto a 5 de Novembro, mas Bob Scott aconselhou Guimarães a começar a trabalhar desde já para a CEC 2012. Para o líder do júri da CEC a prioridade tem que ser, neste momento, dada aos investimentos em infra-estruturas, mais do que à programação. Mesmo assim quer para breve uma resposta quanto aos nomes do Director do evento e do comité organizador.

Scott elogiou o projecto, especialmente o CampUrbis e a Casa da Memória, quer que o orçamento seja maior, por via dos investimentos privados e espera que Guimarães seja capaz de ultrapassar o seu principal problema: o défice de atenção mediática internacional.
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Sugestões para a Manta 2009

É inquestionável o sucesso do Manta deste ano. A acertada escolha das bandas, a aposta nas sonoridades alternativas do rock, o impacto que teve no meio musical. E trouxe público ao CCVF. Se é verdade que a casa com os Liars esteve pouco composta, a enchente protagonizada pelos National e a boa afluência de última hora com Rinôçérôse dão ao festival uma média de espectadores bastante boa.

No próximo ano esperamos por nova Manta, com o mesmo tipo de abordagem. Isso é, quanto a mim, intocável. Há, no entanto, vários aspectos que podem ser mudados no próximo ano:


- Revisão da politica de bilhetes. Os preços eram excelentes. No entanto, o bilhete de três dias não era convidativo (e foi estranhamente vedado aos portadores do cartão CCVF), pelo que se perdeu o efeito de contágio que National podiam ter emprestado aos restantes concertos.

- Repensar as datas. Com o Marés Vivas a acontecer nos mesmos dias, muito do público pontencial do Manta escapou para o festival de Gaia. Uma semana de diferenças pode mudar muita coisa.

- Uma banda a abrir cada noite. O concerto de Liars deixou-me com a sensação de que o público necessitava de aquecimento prévio. Ainda que os concertos seguintes tivessem tido maior adesão inicial, mantenho esta convicção. A proposta poderia passar por bandas nacionais de média dimensão (aquelas que já não cabem no Café-Concerto, mas ainda não enchem o Auditório).

- Se é verdade que a política de bilhetes não ajudou, não deixa de ser relevante que o modelo do festival não favoreça a vinda de público para os três dias. Nada contra o modelo do festival, como disse. Mas, não sendo directa responsabilidade do CCVF, seria favorável uma articulação com a Pousada de Juventude e com o Parque de Campismo da Penha, para a estadia do público (maioritariamente jovem). Além disso, quem quisesse ficar no parque de campismo tinha uma dificuldade acrescida: a falta de transportes. Com uma boa articulação entre TUG, Turipenha e Oficina ganhavam todos e especialmente o público.


- Pode parecer contraditório com o ponto anterior, mas a verdade é que há quem queria assistir a um concerto específico. E o que pude verificar é que o comboio foi uma opção muito utilizada pelos espectadores que vieram ao Manta. Deste modo, estabelecer um acordo com a CP para um comboio especial de regresso ao Porto no final dos concertos era uma ideia positiva. E, ao contrário do que era habitual, a empresa ferroviária até está para aí virada nos últimos tempos.


- Outro ponto a ser melhor pensado é o da venda de bebidas no recinto. Antes de mais é uma venda burocrática (é preciso comprar previamente um ficha para qualquer compra que se queira fazer) e cria filas dispensáveis. Além disso, a venda de bebidas terá que ser reforçada em edições futuras. Se no primeiro dia não houve grandes problemas, no concerto de National, mais concorrido, as filas eram enormes e escusadas. No entanto, não defendo uma massificação de comes e bebes ao jeito dos festivais. O óptimo será encontrar um ponto de equilíbrio que chegaria com o reforço de mais uma ou outra barraquinha.


- Outra sugestão: melhor aproveitamento do espaço original do jardim. Ali meio abandonado, com as casas de banho ao fundo (demasiado longe) e pouco mais. É um excelente espaço para mostrar o artesanato local, promover o CCVF e outros equipamentos locais. Tal como no ponto anterior tenho uma ressalva: façam-no sem massificação comercial. Este modelo algo intimista do Manta é excelente e deve ser mantido.
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A cereja no topo


Não é uma das minhas bandas de eleição (como The National), nem sequer lhes conhecia a fundo a discografia (como a dos Liars). Só um ou outro tema mais conhecido. Fui por isso a zeros (ou perto disso) em termos de expectativas para o concerto de Rinôçérôse que ontem encerrou o festival Manta.

Primeiro estranho: uma banda que fala francês. Mas não demorei mais do que uns curtos minutos a render-me. Tal como a plateia do CCVF (não tenho números oficiais, mas andaria à volta das 600 pessoas).

Em poucos minutos os rifs vigorosos, o beat à maneira e um baixo potente fizeram mexer o público. Mesmo quem não os conhecia, ou os conhecia mal, largou a pose e rendeu-se à dança.

Rinôçérôse foram a cereja no topo do bolo da Manta (um bolo em que National foram a massa fofa, o creme e a cobertura...). E assinaram um encerramento de muito bom nível para um festival que foi um sucesso.
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Prazer em receber uma banda assim


Se dúvidas houvesse de que o modelo para o Manta é o deste ano, o concerto dos The National dissipou-as por completo. Uma grande banda, a viver um momento único de afirmação no mercado nacional e que, por via disso, levou 3000 pessoas aos jardins do Vila Flor.

O concerto foi irrepreensível. Os National foram capazes de animar o público a partir do primeiro acorde. Não só porque são uma banda excelente ao vivo, como também foram capazes de aproveitar o incrível culto que existe em Portugal. Cada música foi cantada pelo público como se de um hit de tratasse.

A banda explorou bem isso e deu um concerto de grande nível ao longo de mais de uma hora e meia. A pose de Matt Berninger dá-lhe uma aura de ícone e a interacção com o público faz-se desse lado mais simbólico do que de frases feitas e espalhafato.

Brainy, Fake empire, Apartment story, Secret meeting, Looking for astronauts e Mr. November. Em uníssono com o publico. Num ano que está a ser em cheio no CCVF, National deram um dos melhores espectáculos do ano. O que não é dizer pouco. É realmente um prazer receber uma banda assim.

Ao segundo dia, sai reforçada a ideia que tive na abertura: este festival é nacional. O comboio veio cheio, o trânsito ressentiu-se e o centro histórico teve um dia anormalmente animado num verão deprimente que vai vivendo. Esta é uma aposta ganha.

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Manta: The National



The National: Manta, CCVF, 22h00
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Liars não chegaram para aquecer

Desapontante o concerto de Liars que ontem abriu o festival Manta, no Centro Cultural de Vila Flor. Uma banda competente, mas que resulta melhor em disco do que ao vivo – pelo menos por aquilo que ontem se viu – e que nunca foi verdadeiramente capaz de aquecer a plateia.

Quando o começava a fazer – Plaster Caster of Everything chegou demasiado tarde – o concerto acabou. Ficou por isso a sensação amarga de que foi um experiência falhada. Não foi um mau concerto para abrir o palco para The National. Pena é que os nova-iorquinos só actuem 24 horas depois.

O espaço foi demasiado para as 450 pessoas que ontem assistiram ao concerto. Mas não foi por aí que o espectáculo correu mal. Faltou ambiente, é certo, mas Angus Andrew, vocalista da banda, parecia que estava a actuar para 4500 fãs. Saltou, dançou, molhou-se com whisky. Inebriou-se com a igreja da Penha. Foi um performer a encher o palco, excepto quando se esqueceu de cantar.

O que fez com que Pure Unevil ou Freak Out, por exemplo, soassem mais como um amalgama de instrumentos desordenados do que como as composições acertadas que se ouvem em disco.
Quanto ao Manta, tem tudo para resultar nestes moldes. O espaço, já o sabíamos, é excelente. Um jardim imaculado, entre um palácio do século XVIII e um edifício contemporâneo. E um cenário de fundo belíssimo – o Castelo e o Paço dos Duques, a Penha, os telhados do Centro Histórico. Mas isto é o meu coração vimaranense a falar.

E este não é um festival para os vimaranenses. Como ontem se viu no relvado do CCVF. Muitas caras de outras andanças (Braga, Porto, Vila do Conde). E um comboio que chegou com mais gente do que o habitual: passageiros exclusivos do Manta. Prova? O vocalista dos Liars fez elogios a Guimarães: “É uma cidade linda. A primeira cidade de Portugal”. Ninguém reagiu...

A Manta volta a estender-se hoje, para o muito aguardado concerto de The National. E público não vai falar.
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É disto que o meu povo gosta

A petição lançada pelo Avenida Central e pelo Vimaranes está a ser um sucesso em termos de adesão. Compreende-se que a exposição mediática não seja tão grande quanto o número de subscritores: no fundo o documento, dirigindo-se à RTP, põe em causa os critérios de todos os jornalistas.

O sucesso da petição é inquestionável. O que é trágico, no meio disto tudo, é que a adesão em massa seja feita às custas do futebol. A petição só está a ser o fenómeno a que temos assistido porque mete bola.

Ninguém viu os bracarenses a mobilizarem-se em torno da exigência da organização do S. João de uma maior cobertura do evento. Nem aos vimaranenses se lhes notou grande preocupação com a ausência de exposição mediática das Gualterianas e das Nicolinas. Muito menos questionamos que o acontece por cá chegue tão poucas vezes às televisões, rádios e jornais.

Durante anos levamos com o túnel do Marquês de manhã à noite. Nos últimos tempos foi o incêndio na Avenida da Liberdade que se converteu em acontecimento nacional. Isto sem que muitos de nós soubessem sequer situar no espaço cada uma das notícias. E, pelo contrário, para vermos as nossas cidades ou a nossa vida política na televisão é necessário que haja borrasca ou um qualquer acontecimento sobrenatural de província.

Serve isto para dizer, sem tirar nenhum mérito à iniciativa do Pedro e do Carlos, que também nós temos os nossos critérios e as nossas prioridades. E são, infelizmente, o futebol. Se esta mobilização de cidadania que tem corrido a Net nos últimos dias à custa da petição pró-bola surgisse noutro âmbito, este não seria o país em que poucos motivos de orgulho encontramos.

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Manta: Liars

Liars: Manta, CCVF, 22h00.

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Desporto para todos na RTP

A petição lançada pelos blogues Avenida Central e Vimaranes faz todo o sentido. Pela pertinência e justeza dos seus pressupostos e pelo acerto das exigências.
O sucesso que está a ter (em menos de um dia já conta com mais de 450 assinaturas) abre portas à exigência de uma resposta por parte da RTP, que constantemente se nega a prestar esclarecimentos sobre o uso que faz do financiamento que todos nós lhe entregamos.
A petição, que inteiramente apoio, pode ser subscrita aqui.
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Saltar na Manta

Já o disse: O Centro Cultural de Vila Flor está a dar passos firmes para afirmar a sua programação. O festival Manta é um dos pilares do excelente trabalho que tem sido feito este ano.

Pelo primeira vez, Guimarães entra no circuito dos festivais de música. É certo, este é um festival diferente. Mas tem um excelente cartaz. Juntar The National e Liars no mesmo palco é obra. Rinocerouse são também um boa banda. E a sonoridade que marca o festival é aquela que há muito defendo deve também passar pelo CCVF. E se, pelo tamanho e pelas características da sala, é difícil trazer algumas bandas na programação regular, a Manta é o local certo para contornar essa lógica.

O CCVF aproveita assim uma das mais-valias que tem face a outros espaços do género: os magníficos jardins e um espaço ao ar livre. E fá-lo mostrando-se a um novo público, habitualmente não abrangido pela programação do centro cultural. Bastou ler as reacções entusiásticas dos leitores do Blitz. E perceber que a procura de bilhetes está a ser muito boa.
Assim, o CCVF está a preparar uma CEC2012 mais abrangente. É também (sobretudo, defendo eu) para a geração mais jovem que a CEC deve estar voltada. Guimarães é um concelho jovem, inserido numa das mais jovens Euro-Regiões. E tem que saber potenciar esse facto. Este é, resumindo, uma boa aposta.

Não concordo, por isso, com a crítica implícita do Spicka. O festival “tinha” que ser pago. Antes de mais por motivos logísticos: era necessário controlar a afluência de público. Depois porque, imagina-se, um cartaz com esta qualidade tem um preço alto. E convenhamos, os bilhetes são baratos (a título de exemplo, The National no Coliseu de Lisboa, custavam o dobro do que custam aqui).
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Há jornalismo desportivo?

Não vou comentar a decisão da UEFA. O Porto merece estar na Champions porque foi campeão e ao Vitória ninguém tira a pré-eliminatória. O resto é um mero atropelo de uma instituição que é tudo menos democrática.

Já o jornalismo d' O Jogo dá espaço a críticas. Este artigo parece mais um post de um qualquer blog portista do que uma notícia escrita por um jornalista minimamente formado. É por essas que a credibilidade da profissão se afunda. E cada vez apetece perguntar com mais força: salvo algumas honrosas excepções, há jornalismo nos jornais desportivos nacionais?
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Programar em rede

A Cultura volta e meia inventa neologismos. E há alguns que têm a singularidade de não quererem dizer absolutamente nada, ou muito pouco. Como formação de públicos. Ou programar em rede.


Com a rede de cine-teatros existentes no país, era suposto que a articulação entre os equipamentos permitisse levar os espectáculos a locais diferentes. Mas, aquilo a que assistimos, é uma política da paróquia, em que as casas tendem a virar costas a propostas como esta. Por diversas razões – algumas puramente político-partidárias.


Um pequeno exemplo: o magnífico último trabalho do Teatro Oficina merece ser visto. E há em Braga quem o queira ver, pelo que se justificava “um salto” ao Theatro Circo. As críticas que ouvi à última produção da Companhia de Teatro de Braga também são positivas. E uma data no CCVF era um bom “pagamento”. Mas, apesar de cada um dos espectáculos ir percorrer o país, duvido que isso aconteça. Perde o público…
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A novidade e o simbólico

No debate sobre a cultura em Vila do Conde, Paulo Brandão, director do Theatro Circo alertava para a necessidade de não esquecer as salas de espectáculos mais pequenas quando surgem as novas casas de cultura de uma cidade. Há um valor simbólico que a novidade transporta que dá um ascendente ao que é novo, diz Brandão.
Lembrei-me do excelente Espaço Oficina. O que é feito dele desde que o CCVF abriu?
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Realidades culturais

Compromissos profissionais levaram-me, na quinta-feira, a um debate, à margem do festival de Curtas de Vila do Conde, em que se discutiu a cultura local. Um debate inédito, como sublinhou valter hugo mãe, e que foi lançado por um artigo da Inês Nadais no suplemento ipsilon do Público, da semana passada.
No texto passava a imagem de que Vila do Conde era um deserto cultural, em que um evento como o Curtas era “um OVNI”. Vai daí e as estruturas profissionais da cultura vila-condense juntaram-se para fazer passar a mensagem contrária: há vida para além do Curtas. A atitude é muito ao jeito vimaranense: quando nos pisam, juntamo-nos, porque há um orgulho bairrista a defender.

Mas terminam aqui as parecenças com Vila do Conde. Apesar dos lamentos de algumas das figuras da cultura local, a cidade costeira não está mal servida no que à cultura diz respeito. Há obviamente um extraterrestre como o Curtas. Mas é um extraterrestre porque é evento internacional, com um impacto muito maior que o tamanho da cidade.

Mas há cultura além do Curtas. Há uma escola de Novo Circo, a Corda-Bamba, o Teatro Formas Animadas, dedicado às marionetas, e o Circular, um festival de artes performativas. E há a Solar, a única galeria cinematográfica do país.

Vila do Conde é, além disso, uma terra de excelentes criadores. valter hugo mãe, um dos melhores escritores nacionais da nova geração, o fotografo Nelson D’Aires (premio... ), e os irmãos Praça (ex-Turbo Junkie e Plaza). Mérito obviamente da actividade cultural existente. Mas também, é fácil percebe-lo, da proximidade do Porto.

Em comum com Guimarães uma coisa: sobrevivem todos com subsídios da autarquia.
Mas há, pelo menos, uma oferta mais diversificada, que não se esgota nas mesmas caras, nos mesmos protagonistas e nos mesmos espaços.