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Já tinha demonstrado a minha feliz surpresa quando assisti à primeira peça do novo Teatro Oficina. Depois de Will Eno, o TO virou-se para um autor nacional e, acertadamente, pediu a Jacinto Lucas Pires (um dos melhores da nova geração da literatura nacional) para escrever propositadamente para a companhia vimaranense.
É uma boa ideia a da escrita exclusiva, embora falte ainda uma necessária ligação do texto e do autor com a cidade (algo que esta ideia parece querer contrariar).
O resultado é bom. O texto de Silenciador não tem a densidade de Tragédia, mas é muito bem desenhado. Um universo panóptico-futurista nada despropositado em tempos de incerteza global e uma piscadela de olho à ficção científica, que a que encenação consegue dar um toque cinematográfico sem perder a essência do teatro.
A encenação é, aliás, um dos grandes trunfos do TO. Duas personagens formatadas pelo “sistema” e uma viúva-imigrante-pega que tem a densidade que falta aos outros dois. Excelente também o cenário e a luz. O TO está no caminho certo. E está a construir qualquer coisa grande de que Guimarães se vai poder orgulhar. Vão lá ver: entre quarta e sábado.
Na próxima terça-feira, às 13h00, regressa o Trio de Jornalistas à antena do Rádio Clube Português. O programa marca também o meu regresso à antena do Clube Minho, depois de ter participado no ano passado no Trio de Bloggers. No Trio vou fazer companhia à Luísa Teresa Ribeiro, coordenadora do Diário do Minho e autora do A culpa é dos jornalistas, ao Pedro Antunes Pereira, jornalista do JN, autor do Para quando a nossa revolução, e ao Pedro Costa.É quase uma inevitabilidade que, no início de cada ano lectivo, o país discuta as praxes académicas (prática corrente nas universidades, e hoje absurdamente estendidas a outros níveis de ensino). Este ano, a discussão foi acesa por mão governamental, o que é uma novidade em Portugal e um sinal de que algo está a mudar.
O ministro Mariano Gago esteve bem quando este ano alertou as direcções das universidades e politécnicos para os abusos da praxe. Foi apenas coerente com a sua própria consciência depois de há uns anos lhes ter chamado, muito apropriadamente, “práticas fascistas”. E abriu a porta a uma maior atenção do Estado para com estas práticas, que pode levar até à sua intervenção.
É a mais dura e crua das verdades: As praxes académicas e todo o sistema que gravita em torno das mesmas são uma prática fascista e castradora da liberdade. Ao contrário do que apregoam os defensores da dita, a praxe não é inclusiva, é totalitária. E um Estado livre não pode admitir que dentro das suas instituições – como é o caso da Educação – existam práticas que, noutro âmbito, seriam certamente consideradas criminosas.
Os decisores públicos e políticos são escolhidos para decidirem o melhor para os cidadãos de acordo com os valores do Estado. Quando uma prática atenta contra valores básicos nem devia ter discussão a manutenção de tais práticas: Portugal devia pura e simplesmente proibir este tipo de práticas pestilentas no interior de espaços públicos.
Há todo um sistema perverso que a praxe entroniza. A começar pela castração de direitos aos novos alunos. Esta realidade é estendida e amplificada quando toca àqueles que legitimamente se colocam fora desta prática obtusa, com a complacência das instituições pública. E isto faz com que a Universidade, outrora um espaço de afirmação dos valores democratas e da liberdade, seja hoje um espaço onde o espírito livre e crítico é toldado por uma mão controladora.
O que dizer por exemplo da atitude da direcção do Piaget de Viseu que voltou a permitir a praxe depois dos protestos dos alunos? É lamentável e revoltante. Mas explica-se facilmente. As lógicas de poder dentro das universidades assim o promovem. Há uma inadmissível cumplicidade entre quem dirige as praxes e as associações académicas. Como há uma torcida lógica de conivência entre as reitorias e as Académicas. O objectivo é perpetuar o poder e os benefícios que dele se tiram, nem que para isso seja necessário como neste caso recuar numa decisão por pressão dos alunos.
É tempo de acabar com isto.
Os campeões nacionais de voleibol regressaram ontem à competição. Com um triunfo anormalmente difícil, o Vitória bateu o
Esmoriz na primeira ronda no nacional A1 e começou a construir o caminho que espero leve a uma histórica dobradinha esta temporada.
A caminho vêm também os embates da Liga dos Campeões, competição em que pela primeira vez uma equipa nacional marca presença. Não se podem é cometer os erros de ontem e esperar que duas unidades fulcrais como Eurico Peixoto e Filipe Cruz, de fora por lesão, estejam prontos para esses embates.
Uma nota final: As modalidades amadoras perderam a autonomia de gestão que marcou a sua vida nos últimos anos do Vitória. Se o modelo anterior teve bons resultados, a exigência face à direcção do clube terá que se maior. A primeira medida foi acabar com o cartão de simpatizante do voleibol. Um erro.


Tinha deixado aqui a sugestão. Os Peixe:Avião, a banda que está a surpreender o panorama musical português, estiveram no CCVF no sábado. Estive lá, a ver ao vivo como a banda está a crescer. Muita evolução desde o concerto no Barco Rock Fest e a certeza de que 40.02 é um dos melhores discos de estreia que ouvi em Portugal.
Muito bom o concerto, pois. Para quem o aguentou. O Café Concerto do CCVF não é um espaço para cultura. Não basta mudarem a disposição das mesas e abrirem caminho até ao palco. Nem é o facto de metade da sala estar na conversa enquanto Ronaldo Fonseca apresentava o extraoridnário “Barbitúrica Luz”. O que incomoda é ir a um espaço público carregado de fumo.
Há extracção que justifique a possibilidade de fumar na sala? Se há, funciona mal, tal era a nuvem de fumo que o Café Concerto apresentava. Houve quem tivesse aguentado aquilo até ao fim (o concerto assim o pedia). Mas houve também quem se tivesse sentido mal.
- Enquanto houve pernas, o Vitória mostrou que é mais equipa que o Braga. Pena é que tivessem sido apenas 30 minutos;
- 30 minutos foi quanto durou o entusiasmo nas bancadas do Afonso Henriques. Depois houve cansaço (é dia de trabalho), nervosismo e excessiva vontade de insultar os vizinhos;

- As tarjas dos adeptos do Braga vinham escritas
- Evaldo, o lateral-esquerdo do Braga, é um excelente jogador. Mas 80% dos lançamentos laterais que executa são irregulares;
- A haver um vencedor seria o Braga. Nunca assumiu o jogo, mas é venenoso no contra-ataque. Renteria, felizmente, é um bom defesa-central para os adversários;
- Nilson é um senhor. O melhor guarda-redes do campeonato nacional fez um magnífica exibição atrás de uma dupla de defesas-centrais de arrepiar;
- É confrangedor ver a equipa sem pernas e olhar para o banco e ver apenas Fajardo e Coral como opções. Juntos não fazem um jogador de futebol;
- Um repórter de uma rádio de Braga equipado com um colete do Portsmouth não é só sinal de rivalidade. É mesmo sintoma de estupidez;
A análise mais aprofundada ao jogo estará aqui ao fim do dia.
A blogosfera minhota é o objecto de estudo de um grupo de investigadoras do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho. O objectivo é caracterizar os blogueres do Minho, de forma a perceber quem está na blogosfera e quais as suas motivações.
Os primeiros resultados deste estudo serão apresentados no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, que decorre a 11 e 12 de Dezembro, na Universidade do Porto.
O Colina Sagrada já respondeu ao inquérito das investigadoras. Agora, aguardamos os resultados. Bom trabalho!
O presidente da Câmara, António Magalhães, recebeu na semana passada a Medalha de Mérito Turístico em prata pelos serviços prestados ao turismo português. No total foram agraciados 15 personalidades e instituições, entre desportistas, empresários e gastrónomos e os autarcas de Grândola e Óbidos. Sem conhecer ao certo as razões que levaram o autarca e Guimarães a serem distinguidos, vale a pena debater um pouco o trabalho que tem sido feito pelo turismo vimaranense.
Guimarães tem há longos anos uma Zona de turismo própria. E, apesar de algumas ideias avulsas com alguma inteligência (áudio guias e conteúdos para telemóveis), o resto é de uma confrangedora falta de orientação, que inclui uma promoção parca em mercados limitados, ofertas incongruentes como a “Feira Joanina” e o fim de eventos importantes como a Feita do Comer e a Feira do Artesanato.
É gritante a forma como, ao fim de duas décadas de investimento na área, Guimarães continue a ter um índice de reconhecimento internacional tão parco. Poucos são os estrangeiros com quem um vimaranense se cruze e que conheçam Guimarães. O facto de dois jogos do Euro 2004 ou as presenças do Vitória nas competições europeias serem mais eficazes a promover o nome da cidade, do que a presença da ZTG nas feiras internacionais atesta da falência do projecto turístico vimaranense.
A prova mais evidente desta realidade foram as declarações que Bob Scott, o líder do painel de selecção da Capital da Cultura 2012, fez na visita que fez a Guimarães,
Ao todo são mais de 15 milhões de euros para promover Guimarães. Mas quantos milhões foram gastos ao longo de todos estes anos? E nada disso impediu que alguém tão bem informado como Bob Scott tivesse apenas uma vaga ideia do que era a cidade antes de aqui chegar. Imaginem, pois, como será com o europeu médio.
A própria promoção da CEC está a ser feita de forma incipiente, com recurso a postais. Não há uma lógica na comunicação de Guimarães como cidade e como mercado turístico. E há uma série de produtos mal aproveitados, com as Nicolinas à cabeça, os museus locais ou a herança castreja.
Guimarães é um bom produto. Mas é mal vendido.
Do outro lado: Turismo Premiado.
Este é "o jogo", como já no ano passado tinha dito. O jogo que ninguém, dos dois lados da barricada, quer perder. E, um ano depois, as posições mantêm-se: O Vitória, com menos equipa e menos orçamento, está à frente do Braga. Mas as semelhanças em relação à temporada passada ficam por aqui.Têm sido várias as vozes que se levantam para discutir a existência (ou não) de uma política municipal para a juventude. No entanto, quando se fala de política de juventude há que limitar a geração que incluímos nesta análise. É deste erro básico que se tem feito o diálogo de surdos entre a autarquia e quem com ela quer dialogar.
A Câmara diz que tem uma política para a juventude e dá os exemplos da aposta na Educação (Ensino Básico) e de iniciativas meritórias como o serviço educativo do CCVF ou as férias desportivas do Tempo Livre. Isto é um exemplo de política de juventude? É, se estivermos a falar de crianças e adolescentes. Mas não estamos.
Se a análise se centrar no escalão etário 18-25 as coisas mudam de figura. A autarquia não tem uma política para esta geração (que é a minha). A autarquia não tem uma linha orientadora – como noutras tantas coisas – que permita desde logo abranger o que faz ou não parte de um verdadeiro projecto para os jovens vimaranenses.
Guimarães ainda não percebeu, por exemplo, qual é a mais-valia dos estudantes universitários (apesar de levar a dianteira no que toca a “aproveitar” o potencial de investigação da UM). E os decisores locais estão totalmente alheios aos estilos de vida, preocupações e dinâmicas culturais desta faixa etária.
Não há programas de ocupação de tempos livres para esta camada, não há iniciativas culturais ou formativas para este alvo. Não há, em suma, quem se aperceba que esta é uma falha da gestão política local. Salvam-se algumas insuficientes excepções.
A Tempo Livre oferece pelo menos condições para a prática desportiva e oferece alguns eventos que (gostos à parte) têm o seu público. Mas, acima de tudo, salva-se o CCVF. Se há “produto” que este ano teve mérito no centro cultural foi o festival Manta. Está bom de ver quem é o seu público. Ou o dos concertos de Mesa, no último sábado, Goran Bregovic, Rita Redsohes, etc.
A minha crítica é que estas são medidas avulsas a que falta a coerência de verdadeiras políticas públicas. Mas não chega “culpar” a Câmara pelo panorama deprimente que se coloca à minha geração. O que é feito, por exemplo, do CMJ? E as juventudes partidárias o que é que acrescentam à discussão pública local? E as associações preocupam-se particularmente com os jovens nas suas realizações? A reposta parece-me negativa e temo que este seja, por isso, um problema estrutural de Guimarães.
Colina Sagrada © 2009
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