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Regresso ao Clube

Na próxima terça-feira, às 13h00, regressa o Trio de Jornalistas à antena do Rádio Clube Português. O programa marca também o meu regresso à antena do Clube Minho, depois de ter participado no ano passado no Trio de Bloggers. No Trio vou fazer companhia à Luísa Teresa Ribeiro, coordenadora do Diário do Minho e autora do A culpa é dos jornalistas, ao Pedro Antunes Pereira, jornalista do JN, autor do Para quando a nossa revolução, e ao Pedro Costa.

Sintonizem o Rádio Clube, em 92.9.
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Think Pong: Um país livre não pode compactuar com totalitarismos

É quase uma inevitabilidade que, no início de cada ano lectivo, o país discuta as praxes académicas (prática corrente nas universidades, e hoje absurdamente estendidas a outros níveis de ensino). Este ano, a discussão foi acesa por mão governamental, o que é uma novidade em Portugal e um sinal de que algo está a mudar.

O ministro Mariano Gago esteve bem quando este ano alertou as direcções das universidades e politécnicos para os abusos da praxe. Foi apenas coerente com a sua própria consciência depois de há uns anos lhes ter chamado, muito apropriadamente, “práticas fascistas”. E abriu a porta a uma maior atenção do Estado para com estas práticas, que pode levar até à sua intervenção.

É a mais dura e crua das verdades: As praxes académicas e todo o sistema que gravita em torno das mesmas são uma prática fascista e castradora da liberdade. Ao contrário do que apregoam os defensores da dita, a praxe não é inclusiva, é totalitária. E um Estado livre não pode admitir que dentro das suas instituições – como é o caso da Educação – existam práticas que, noutro âmbito, seriam certamente consideradas criminosas.

Os decisores públicos e políticos são escolhidos para decidirem o melhor para os cidadãos de acordo com os valores do Estado. Quando uma prática atenta contra valores básicos nem devia ter discussão a manutenção de tais práticas: Portugal devia pura e simplesmente proibir este tipo de práticas pestilentas no interior de espaços públicos.

Há todo um sistema perverso que a praxe entroniza. A começar pela castração de direitos aos novos alunos. Esta realidade é estendida e amplificada quando toca àqueles que legitimamente se colocam fora desta prática obtusa, com a complacência das instituições pública. E isto faz com que a Universidade, outrora um espaço de afirmação dos valores democratas e da liberdade, seja hoje um espaço onde o espírito livre e crítico é toldado por uma mão controladora.

O que dizer por exemplo da atitude da direcção do Piaget de Viseu que voltou a permitir a praxe depois dos protestos dos alunos? É lamentável e revoltante. Mas explica-se facilmente. As lógicas de poder dentro das universidades assim o promovem. Há uma inadmissível cumplicidade entre quem dirige as praxes e as associações académicas. Como há uma torcida lógica de conivência entre as reitorias e as Académicas. O objectivo é perpetuar o poder e os benefícios que dele se tiram, nem que para isso seja necessário como neste caso recuar numa decisão por pressão dos alunos.

É tempo de acabar com isto.

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O regresso dos Campeões

Os campeões nacionais de voleibol regressaram ontem à competição. Com um triunfo anormalmente difícil, o Vitória bateu o 

Esmoriz na primeira ronda no nacional A1 e começou a construir o caminho que espero leve a uma histórica dobradinha esta temporada.

A caminho vêm também os embates da Liga dos Campeões, competição em que pela primeira vez uma equipa nacional marca presença. Não se podem é cometer os erros de ontem e esperar que duas unidades fulcrais como Eurico Peixoto e Filipe Cruz, de fora por lesão, estejam prontos para esses embates.

Uma nota final: As modalidades amadoras perderam a autonomia de gestão que marcou a sua vida nos últimos anos do Vitória. Se o modelo anterior teve bons resultados, a exigência face à direcção do clube terá que se maior. A primeira medida foi acabar com o cartão de simpatizante do voleibol. Um erro.

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Lógica

São ambos espaços públicos, pagos pela Câmara de Guimarães. Num, que é fechado, é permitido fumar. No outro, ao ar livre, não se fuma. Tem lógica?
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Até quando?

Tinha deixado aqui a sugestão. Os Peixe:Avião, a banda que está a surpreender o panorama musical português, estiveram no CCVF no sábado. Estive lá, a ver ao vivo como a banda está a crescer. Muita evolução desde o concerto no Barco Rock Fest e a certeza de que 40.02 é um dos melhores discos de estreia que ouvi em Portugal.

Muito bom o concerto, pois. Para quem o aguentou. O Café Concerto do CCVF não é um espaço para cultura. Não basta mudarem a disposição das mesas e abrirem caminho até ao palco. Nem é o facto de metade da sala estar na conversa enquanto Ronaldo Fonseca apresentava o extraoridnário “Barbitúrica Luz”. O que incomoda é ir a um espaço público carregado de fumo.

Há extracção que justifique a possibilidade de fumar na sala? Se há, funciona mal, tal era a nuvem de fumo que o Café Concerto apresentava. Houve quem tivesse aguentado aquilo até ao fim (o concerto assim o pedia). Mas houve também quem se tivesse sentido mal.

Não contem comigo para continuar a pagar entrada num espaço assim. Enquanto se fumar ali dentro, é um espaço riscado do meu roteiro pessoal. Até quando?

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Guggenheim, Bilbau, Março 2008
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Notas sobre o derby

- Jogos de futebol à segunda-feira às 19h30 são um atentado ao desporto-rei;

- Enquanto houve pernas, o Vitória mostrou que é mais equipa que o Braga. Pena é que tivessem sido apenas 30 minutos;

- 30 minutos foi quanto durou o entusiasmo nas bancadas do Afonso Henriques. Depois houve cansaço (é dia de trabalho), nervosismo e excessiva vontade de insultar os vizinhos; 

- As tarjas dos adeptos do Braga vinham escritas em código. Alguém percebeu os “recados”?;

- Evaldo, o lateral-esquerdo do Braga, é um excelente jogador. Mas 80% dos lançamentos laterais que executa são irregulares;

- A haver um vencedor seria o Braga. Nunca assumiu o jogo, mas é venenoso no contra-ataque. Renteria, felizmente, é um bom defesa-central para os adversários;

- Nilson é um senhor. O melhor guarda-redes do campeonato nacional fez um magnífica exibição atrás de uma dupla de defesas-centrais de arrepiar;

- É confrangedor ver a equipa sem pernas e olhar para o banco e ver apenas Fajardo e Coral como opções. Juntos não fazem um jogador de futebol;

- Um repórter de uma rádio de Braga equipado com um colete do Portsmouth não é só sinal de rivalidade. É mesmo sintoma de estupidez;

A análise mais aprofundada ao jogo estará aqui ao fim do dia.

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Blogosfera científica

A blogosfera minhota é o objecto de estudo de um grupo de investigadoras do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do MinhoO objectivo é caracterizar os blogueres do Minho, de forma a perceber quem está na blogosfera e quais as suas motivações.

Os primeiros resultados deste estudo serão apresentados no I Congresso Internacional de Ciberjornalismo, que decorre a 11 e 12 de Dezembro, na Universidade do Porto.

O trabalho é da autoria de Rosa Cabecinhas (minha orientadora de Mestrado), Luísa Ribeiro (camarada do Diário do Minho) e Carla Cerqueira (doutoranda em Comunicação na UM) e está online aqui.

O Colina Sagrada já respondeu ao inquérito das investigadoras. Agora, aguardamos os resultados. Bom trabalho!

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Think Pong: Que turismo?

O presidente da Câmara, António Magalhães, recebeu na semana passada a Medalha de Mérito Turístico em prata pelos serviços prestados ao turismo português. No total foram agraciados 15 personalidades e instituições, entre desportistas, empresários e gastrónomos e os autarcas de Grândola e Óbidos. Sem conhecer ao certo as razões que levaram o autarca e Guimarães a serem distinguidos, vale a pena debater um pouco o trabalho que tem sido feito pelo turismo vimaranense.

Guimarães tem há longos anos uma Zona de turismo própria. E, apesar de algumas ideias avulsas com alguma inteligência (áudio guias e conteúdos para telemóveis), o resto é de uma confrangedora falta de orientação, que inclui uma promoção parca em mercados limitados, ofertas incongruentes como a “Feira Joanina” e o fim de eventos importantes como a Feita do Comer e a Feira do Artesanato.

É gritante a forma como, ao fim de duas décadas de investimento na área, Guimarães continue a ter um índice de reconhecimento internacional tão parco. Poucos são os estrangeiros com quem um vimaranense se cruze e que conheçam Guimarães. O facto de dois jogos do Euro 2004 ou as presenças do Vitória nas competições europeias serem mais eficazes a promover o nome da cidade, do que a presença da ZTG nas feiras internacionais atesta da falência do projecto turístico vimaranense.

A prova mais evidente desta realidade foram as declarações que Bob Scott, o líder do painel de selecção da Capital da Cultura 2012, fez na visita que fez a Guimarães, em Julho. Dizia o britânico que o grande problema da cidade candidata a CEC “é o facto de não ser muito conhecida internacionalmente”. E afirmava-se muito satisfeito pelo facto de existir “essa consciência”, salientando que “é muito positivo que 14 por cento do orçamento total do evento seja destinado a comunicação e marketing”.

Ao todo são mais de 15 milhões de euros para promover Guimarães. Mas quantos milhões foram gastos ao longo de todos estes anos? E nada disso impediu que alguém tão bem informado como Bob Scott tivesse apenas uma vaga ideia do que era a cidade antes de aqui chegar. Imaginem, pois, como será com o europeu médio.

A própria promoção da CEC está a ser feita de forma incipiente, com recurso a postais. Não há uma lógica na comunicação de Guimarães como cidade e como mercado turístico. E há uma série de produtos mal aproveitados, com as Nicolinas à cabeça, os museus locais ou a herança castreja.

Guimarães é um bom produto. Mas é mal vendido.

Do outro lado: Turismo Premiado.

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Noite de Derby

Este é "o jogo", como já no ano passado tinha dito. O jogo que ninguém, dos dois lados da barricada, quer perder. E, um ano depois, as posições mantêm-se: O Vitória, com menos equipa e menos orçamento, está à frente do Braga. Mas as semelhanças em relação à temporada passada ficam por aqui.

Há um ano, Fajardo era o herói de Guimarães. Hoje, é o ódio de estimação dos adeptos vimaranenses e o responsável primeiro pelo eliminação na Taça UEFA. Há um ano, o Vitória já tinha uma equipa. Hoje, entre lesões, castigos e falta de coragem no mercado de transferência, tem um grupo jeitoso, que pode fazer uma época apenas interessante. Há um ano, o Braga não tinha treinador. Hoje, tem um dos melhores e mais injustiçados técnicos nacionais. Há um ano, tinha confiança para o derby. Hoje, vou ao estádio desconfiado.
Mas se houver pernas e a qualidade da primeira parte frente ao Portsmouth, vamos ganhar.
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Quase centenária


Há 98 anos começou-se a construir um Portugal mais livre e com mais igualdade. A dois anos do Centenário da implantação da República, ficamos a conhecer os membros do conselho consultivo das comemorações. Mas o que está lá a fazer um bispo?

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"There is only one Ronaldo"

A banda de Ronaldo Fonseca actua amanhã no CCVF. Chamam-se Peixe:Avião, são de Braga e são  uma das melhores coisas que aconteceu à música nacional nos últimos anos.
40.02, o disco de estreia, tem músicas extraordinárias, uma coerência interna e uma sintonia com o que de melhor se anda a fazer um pouco por todo o mundo fora de normal para um região periférica como a nossa. Aposta cerca do Vila Flor, para ver a partir das 23H00, no Café Concerto (não justificariam o pequeno auditório?).

Este promete ser um excelente fim-de-semana no que toca à música, em Guimarães. Hoje à noite, um dos mais míticos eventos musicais portugueses passa pelo mesmo palco. O festival Termómetro, criado por Fernando Alvim em 1994 e que já lançou, por exemplo, Blind Zero e Silence 4.

Mais tarde, no Convívio, o imperdível duo finlandês/francês Mi and L'Au. Uma das boas coisas que descobri este ano.
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[foto]

Parque da Cidade, Fevereiro de 2005.
Não me volto a sentar ali.
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Feito!

Chama-se "As fontes jornalísticas na era digital: relações e encenação" e é a responsável pelo pouco tempo que tenho dedicado ao Colina Sagrada. Entrgue a Tese de Mestrado, e com o trabalho bem encaminhado, vou escrever mais regularmente.
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Think Pong: Temos uma política de juventude?

Têm sido várias as vozes que se levantam para discutir a existência (ou não) de uma política municipal para a juventude. No entanto, quando se fala de política de juventude há que limitar a geração que incluímos nesta análise. É deste erro básico que se tem feito o diálogo de surdos entre a autarquia e quem com ela quer dialogar.

A Câmara diz que tem uma política para a juventude e dá os exemplos da aposta na Educação (Ensino Básico) e de iniciativas meritórias como o serviço educativo do CCVF ou as férias desportivas do Tempo Livre. Isto é um exemplo de política de juventude? É, se estivermos a falar de crianças e adolescentes. Mas não estamos.

Se a análise se centrar no escalão etário 18-25 as coisas mudam de figura. A autarquia não tem uma política para esta geração (que é a minha). A autarquia não tem uma linha orientadora – como noutras tantas coisas – que permita desde logo abranger o que faz ou não parte de um verdadeiro projecto para os jovens vimaranenses.

Guimarães ainda não percebeu, por exemplo, qual é a mais-valia dos estudantes universitários (apesar de levar a dianteira no que toca a “aproveitar” o potencial de investigação da UM). E os decisores locais estão totalmente alheios aos estilos de vida, preocupações e dinâmicas culturais desta faixa etária.

Não há programas de ocupação de tempos livres para esta camada, não há iniciativas culturais ou formativas para este alvo. Não há, em suma, quem se aperceba que esta é uma falha da gestão política local. Salvam-se algumas insuficientes excepções.

A Tempo Livre oferece pelo menos condições para a prática desportiva e oferece alguns eventos que (gostos à parte) têm o seu público. Mas, acima de tudo, salva-se o CCVF. Se há “produto” que este ano teve mérito no centro cultural foi o festival Manta. Está bom de ver quem é o seu público. Ou o dos concertos de Mesa, no último sábado, Goran Bregovic, Rita Redsohes, etc.

A minha crítica é que estas são medidas avulsas a que falta a coerência de verdadeiras políticas públicas. Mas não chega “culpar” a Câmara pelo panorama deprimente que se coloca à minha geração. O que é feito, por exemplo, do CMJ? E as juventudes partidárias o que é que acrescentam à discussão pública local? E as associações preocupam-se particularmente com os jovens nas suas realizações? A reposta parece-me negativa e temo que este seja, por isso, um problema estrutural de Guimarães.

Do outro lado: Política de juventude.
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Machadada na qualidade de vida

Lamentável!
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Desigualdades

O Pedro Morgado fez o apanhado das empresas do Minho no ranking das 500 maiores do país. As contas são tristes: há apenas 4 empresas de Viana do Castelo e 18 de Braga. De Guimarães há apenas uma, a Lameirinho. Resistiu à enésima crise da têxtil e mantém-se por lá, a menos de 40 lugares do fim da lista.
No concelho com uma taxa de desemprego altíssima esta é uma situação grave, que merecia outra energia dos responsáveis políticos.
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Think Pong: Basta colocar-nos no mapa?

Ao fim de três anos de existência, o papel do Centro Cultural de Vila Flor continua a merecer discussão entre os vimaranenses. Sendo certo que não é um projecto perfeito, o CCVF tem colocado Guimarães entre os principais palcos de cultura do Norte ao longo deste tempo.

O ano de 2008 está a ser particularmente intenso. Uma espécie de ano de afirmação, em que os responsáveis parecem ter sabido encaixar críticas e alargar a oferta. Os espectáculos que já passarem pelo CCVF e o reforço do serviço educativo parecem-me começar a justificar o investimento municipal ali feito. Mas falta mais, porque ao Vila Flor não basta ser uma das principais salas de espectáculos nacionais, é preciso também ter implantação na sua cidade e no seu concelho.

O centro cultural tem mostrado este ano que tem um caminho bem definido e um projecto traçado. A música continua a levar muita gente àquele espaço, as à World Musica e ao Jazz que já faziam parte da oferta habitual, juntaram-se apostas na música portuguesa e no indie rock (no excelente Manta) que asseguram uma diversificação de públicos.

E depois houve duas apostas certeiras. No teatro, a acompanhar o esforço de profissionalização e solidificação do Teatro Oficina a que Guimarães tem dedicado um estranho esquecimento. E também na dança contemporânea. O Vila Flor soube interpretar o mercado e apostar num nicho que o Porto tinha deixado escapar depois da “privatização” do Rivoli.

Há um caminho, portanto. E há visão. De resto, o Theatro Circo tantas vezes apontado como exemplo a seguir pelo CCVF, entrou em crise, provocada entre outras coisas pela falta de consciência do que deve ser a gestão de um espaço destas características. O Vila Flor está de pedra e cal, com menos recursos, mas uma melhor gestão.

Mas não são perfeitos os dias que correm no centro cultural vimaranense. Às muitas críticas que a sociedade civil local vai fazendo, junto também as minhas. A começar pelo modelo de exploração do café-concerto, nunca resolvido, e que converte um dos potenciais espaços-nobres do centro cultural numa estranha miscelânea que o torna um palco pouco apelativo para público e artistas.

O CCVF tem dificuldades em “vender-se”. É incompreensível que os órgãos de comunicação social especializados dêem tão pouca atenção ao centro cultural vimaranense. E o Vila Flor vende-se mal por excesso de pudor. Bastava “vender” um qualquer micro festival a alguém bem colocado para estar nos jornais e revistas da especialidade.

Outro ponto fraco é a parca ligação com Guimarães, que é, de resto, admitida pelos seus responsáveis. O festival Manta, nos moldes de 2007, parecia inverter essa tendência. Mas até esse se foi. E hoje são poucos os espectáculos que levam os vimaranenses aos auditórios ou a galeria do palácio. Para a grande maioria da população, o que acontece em Vila Flor passa ao lado e é necessário encontrar novos motivos para levar gente ao CCVF (sem baixar a qualidade, nem entrar no delírio de colocar todas as associações locais em cima daquela palco). Podia passar por levar lá artistas vimaranenses. Mas, exceptuando nas artes plásticas, temo-los em qualidade e quantidade?

Nota: excepcionalmente, o Think Pong é publicado esta semana à terça-feira, devido a compromissos pessoais.
Do outro lado: Parabéns em evolução.
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Parabéns!

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Um concurso obsoleto

A noite de sábado foi de ilusão ou desilusão para milhares de jovens. Os resultados do concurso nacional de acesso ao Ensino Superior definiram, para a grande maioria deles o futuro. O concurso de 2008 permite-nos tirar levantar algumas questões pertinentes.

O facto de os exames de secundário terem primado pela facilidade insuflou artificialmente as médias de acesso. Algumas Engenharias tiveram subidas de média na casas das duas unidades. Isto significa que muitos alunos cujas notas cobriam perfeitamente as exigências anteriores nas suas licenciaturas-alvo, viram a entrada no Ensino Superior lacrada por um modelo de acesso que está obsoleto.

Como se comprova com o concurso deste ano, basta introduzir um iniquidade ligeira para pôr em causa três anos de trabalho. Há aqui uma inversão de valores problemática, que atenta contra a avaliação contínua. O modelo de acesso às universidades e politécnicos não escolhe os mais aptos para cada curso, porque o faz depender apenas das classificações escolares - bastante sujeitas a distorções exógenas.

Defendo que devia existir um modelo como nos mestrados e doutoramentos, com base em critérios muito mais alargados e ponderados, como os curricula dos candidatos e as experiências pessoais anteriores. Ou a introdução de uma prova de acesso na faculdade a que se candidata, bem como entrevistas e testes psicotécnicos.

Na primeira fase de acesso ao ensino superior público foram colocados 44.336 alunos, mais 2.400 alunos do que no ano passado. E este é o número de admissões mais elevado dos últimos 12 anos. Sejam quais forem as razões por detrás destes números, o facto é que haverá mais jovens a enveredarem por uma formações superior, o que para um país abaixo de todas as médias no que diz respeito à formação dos seus cidadãos, é uma nota positiva.

Por último, e apesar do aumento de colocações, há uma centena de cursos com menos de dez alunos colocados. A Universidade portuguesa está dividida entre “ricos” e “pobres”. Há cursos perfeitamente sobredimensionados e desfasados da realidade. As diferenças abismais de qualidade de formação entre universidades - e mesmo dentro da mesma instituição - não fazem nenhum sentido, e vão apenas contribuir para que, mesmo mais formados, estes jovens portugueses não venham a ser, necessariamente, melhor formados.