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Sugestões para a Manta 2009

É inquestionável o sucesso do Manta deste ano. A acertada escolha das bandas, a aposta nas sonoridades alternativas do rock, o impacto que teve no meio musical. E trouxe público ao CCVF. Se é verdade que a casa com os Liars esteve pouco composta, a enchente protagonizada pelos National e a boa afluência de última hora com Rinôçérôse dão ao festival uma média de espectadores bastante boa.

No próximo ano esperamos por nova Manta, com o mesmo tipo de abordagem. Isso é, quanto a mim, intocável. Há, no entanto, vários aspectos que podem ser mudados no próximo ano:


- Revisão da politica de bilhetes. Os preços eram excelentes. No entanto, o bilhete de três dias não era convidativo (e foi estranhamente vedado aos portadores do cartão CCVF), pelo que se perdeu o efeito de contágio que National podiam ter emprestado aos restantes concertos.

- Repensar as datas. Com o Marés Vivas a acontecer nos mesmos dias, muito do público pontencial do Manta escapou para o festival de Gaia. Uma semana de diferenças pode mudar muita coisa.

- Uma banda a abrir cada noite. O concerto de Liars deixou-me com a sensação de que o público necessitava de aquecimento prévio. Ainda que os concertos seguintes tivessem tido maior adesão inicial, mantenho esta convicção. A proposta poderia passar por bandas nacionais de média dimensão (aquelas que já não cabem no Café-Concerto, mas ainda não enchem o Auditório).

- Se é verdade que a política de bilhetes não ajudou, não deixa de ser relevante que o modelo do festival não favoreça a vinda de público para os três dias. Nada contra o modelo do festival, como disse. Mas, não sendo directa responsabilidade do CCVF, seria favorável uma articulação com a Pousada de Juventude e com o Parque de Campismo da Penha, para a estadia do público (maioritariamente jovem). Além disso, quem quisesse ficar no parque de campismo tinha uma dificuldade acrescida: a falta de transportes. Com uma boa articulação entre TUG, Turipenha e Oficina ganhavam todos e especialmente o público.


- Pode parecer contraditório com o ponto anterior, mas a verdade é que há quem queria assistir a um concerto específico. E o que pude verificar é que o comboio foi uma opção muito utilizada pelos espectadores que vieram ao Manta. Deste modo, estabelecer um acordo com a CP para um comboio especial de regresso ao Porto no final dos concertos era uma ideia positiva. E, ao contrário do que era habitual, a empresa ferroviária até está para aí virada nos últimos tempos.


- Outro ponto a ser melhor pensado é o da venda de bebidas no recinto. Antes de mais é uma venda burocrática (é preciso comprar previamente um ficha para qualquer compra que se queira fazer) e cria filas dispensáveis. Além disso, a venda de bebidas terá que ser reforçada em edições futuras. Se no primeiro dia não houve grandes problemas, no concerto de National, mais concorrido, as filas eram enormes e escusadas. No entanto, não defendo uma massificação de comes e bebes ao jeito dos festivais. O óptimo será encontrar um ponto de equilíbrio que chegaria com o reforço de mais uma ou outra barraquinha.


- Outra sugestão: melhor aproveitamento do espaço original do jardim. Ali meio abandonado, com as casas de banho ao fundo (demasiado longe) e pouco mais. É um excelente espaço para mostrar o artesanato local, promover o CCVF e outros equipamentos locais. Tal como no ponto anterior tenho uma ressalva: façam-no sem massificação comercial. Este modelo algo intimista do Manta é excelente e deve ser mantido.
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A cereja no topo


Não é uma das minhas bandas de eleição (como The National), nem sequer lhes conhecia a fundo a discografia (como a dos Liars). Só um ou outro tema mais conhecido. Fui por isso a zeros (ou perto disso) em termos de expectativas para o concerto de Rinôçérôse que ontem encerrou o festival Manta.

Primeiro estranho: uma banda que fala francês. Mas não demorei mais do que uns curtos minutos a render-me. Tal como a plateia do CCVF (não tenho números oficiais, mas andaria à volta das 600 pessoas).

Em poucos minutos os rifs vigorosos, o beat à maneira e um baixo potente fizeram mexer o público. Mesmo quem não os conhecia, ou os conhecia mal, largou a pose e rendeu-se à dança.

Rinôçérôse foram a cereja no topo do bolo da Manta (um bolo em que National foram a massa fofa, o creme e a cobertura...). E assinaram um encerramento de muito bom nível para um festival que foi um sucesso.
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Prazer em receber uma banda assim


Se dúvidas houvesse de que o modelo para o Manta é o deste ano, o concerto dos The National dissipou-as por completo. Uma grande banda, a viver um momento único de afirmação no mercado nacional e que, por via disso, levou 3000 pessoas aos jardins do Vila Flor.

O concerto foi irrepreensível. Os National foram capazes de animar o público a partir do primeiro acorde. Não só porque são uma banda excelente ao vivo, como também foram capazes de aproveitar o incrível culto que existe em Portugal. Cada música foi cantada pelo público como se de um hit de tratasse.

A banda explorou bem isso e deu um concerto de grande nível ao longo de mais de uma hora e meia. A pose de Matt Berninger dá-lhe uma aura de ícone e a interacção com o público faz-se desse lado mais simbólico do que de frases feitas e espalhafato.

Brainy, Fake empire, Apartment story, Secret meeting, Looking for astronauts e Mr. November. Em uníssono com o publico. Num ano que está a ser em cheio no CCVF, National deram um dos melhores espectáculos do ano. O que não é dizer pouco. É realmente um prazer receber uma banda assim.

Ao segundo dia, sai reforçada a ideia que tive na abertura: este festival é nacional. O comboio veio cheio, o trânsito ressentiu-se e o centro histórico teve um dia anormalmente animado num verão deprimente que vai vivendo. Esta é uma aposta ganha.

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Manta: The National



The National: Manta, CCVF, 22h00
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Liars não chegaram para aquecer

Desapontante o concerto de Liars que ontem abriu o festival Manta, no Centro Cultural de Vila Flor. Uma banda competente, mas que resulta melhor em disco do que ao vivo – pelo menos por aquilo que ontem se viu – e que nunca foi verdadeiramente capaz de aquecer a plateia.

Quando o começava a fazer – Plaster Caster of Everything chegou demasiado tarde – o concerto acabou. Ficou por isso a sensação amarga de que foi um experiência falhada. Não foi um mau concerto para abrir o palco para The National. Pena é que os nova-iorquinos só actuem 24 horas depois.

O espaço foi demasiado para as 450 pessoas que ontem assistiram ao concerto. Mas não foi por aí que o espectáculo correu mal. Faltou ambiente, é certo, mas Angus Andrew, vocalista da banda, parecia que estava a actuar para 4500 fãs. Saltou, dançou, molhou-se com whisky. Inebriou-se com a igreja da Penha. Foi um performer a encher o palco, excepto quando se esqueceu de cantar.

O que fez com que Pure Unevil ou Freak Out, por exemplo, soassem mais como um amalgama de instrumentos desordenados do que como as composições acertadas que se ouvem em disco.
Quanto ao Manta, tem tudo para resultar nestes moldes. O espaço, já o sabíamos, é excelente. Um jardim imaculado, entre um palácio do século XVIII e um edifício contemporâneo. E um cenário de fundo belíssimo – o Castelo e o Paço dos Duques, a Penha, os telhados do Centro Histórico. Mas isto é o meu coração vimaranense a falar.

E este não é um festival para os vimaranenses. Como ontem se viu no relvado do CCVF. Muitas caras de outras andanças (Braga, Porto, Vila do Conde). E um comboio que chegou com mais gente do que o habitual: passageiros exclusivos do Manta. Prova? O vocalista dos Liars fez elogios a Guimarães: “É uma cidade linda. A primeira cidade de Portugal”. Ninguém reagiu...

A Manta volta a estender-se hoje, para o muito aguardado concerto de The National. E público não vai falar.
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É disto que o meu povo gosta

A petição lançada pelo Avenida Central e pelo Vimaranes está a ser um sucesso em termos de adesão. Compreende-se que a exposição mediática não seja tão grande quanto o número de subscritores: no fundo o documento, dirigindo-se à RTP, põe em causa os critérios de todos os jornalistas.

O sucesso da petição é inquestionável. O que é trágico, no meio disto tudo, é que a adesão em massa seja feita às custas do futebol. A petição só está a ser o fenómeno a que temos assistido porque mete bola.

Ninguém viu os bracarenses a mobilizarem-se em torno da exigência da organização do S. João de uma maior cobertura do evento. Nem aos vimaranenses se lhes notou grande preocupação com a ausência de exposição mediática das Gualterianas e das Nicolinas. Muito menos questionamos que o acontece por cá chegue tão poucas vezes às televisões, rádios e jornais.

Durante anos levamos com o túnel do Marquês de manhã à noite. Nos últimos tempos foi o incêndio na Avenida da Liberdade que se converteu em acontecimento nacional. Isto sem que muitos de nós soubessem sequer situar no espaço cada uma das notícias. E, pelo contrário, para vermos as nossas cidades ou a nossa vida política na televisão é necessário que haja borrasca ou um qualquer acontecimento sobrenatural de província.

Serve isto para dizer, sem tirar nenhum mérito à iniciativa do Pedro e do Carlos, que também nós temos os nossos critérios e as nossas prioridades. E são, infelizmente, o futebol. Se esta mobilização de cidadania que tem corrido a Net nos últimos dias à custa da petição pró-bola surgisse noutro âmbito, este não seria o país em que poucos motivos de orgulho encontramos.

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Manta: Liars

Liars: Manta, CCVF, 22h00.

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Desporto para todos na RTP

A petição lançada pelos blogues Avenida Central e Vimaranes faz todo o sentido. Pela pertinência e justeza dos seus pressupostos e pelo acerto das exigências.
O sucesso que está a ter (em menos de um dia já conta com mais de 450 assinaturas) abre portas à exigência de uma resposta por parte da RTP, que constantemente se nega a prestar esclarecimentos sobre o uso que faz do financiamento que todos nós lhe entregamos.
A petição, que inteiramente apoio, pode ser subscrita aqui.
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Saltar na Manta

Já o disse: O Centro Cultural de Vila Flor está a dar passos firmes para afirmar a sua programação. O festival Manta é um dos pilares do excelente trabalho que tem sido feito este ano.

Pelo primeira vez, Guimarães entra no circuito dos festivais de música. É certo, este é um festival diferente. Mas tem um excelente cartaz. Juntar The National e Liars no mesmo palco é obra. Rinocerouse são também um boa banda. E a sonoridade que marca o festival é aquela que há muito defendo deve também passar pelo CCVF. E se, pelo tamanho e pelas características da sala, é difícil trazer algumas bandas na programação regular, a Manta é o local certo para contornar essa lógica.

O CCVF aproveita assim uma das mais-valias que tem face a outros espaços do género: os magníficos jardins e um espaço ao ar livre. E fá-lo mostrando-se a um novo público, habitualmente não abrangido pela programação do centro cultural. Bastou ler as reacções entusiásticas dos leitores do Blitz. E perceber que a procura de bilhetes está a ser muito boa.
Assim, o CCVF está a preparar uma CEC2012 mais abrangente. É também (sobretudo, defendo eu) para a geração mais jovem que a CEC deve estar voltada. Guimarães é um concelho jovem, inserido numa das mais jovens Euro-Regiões. E tem que saber potenciar esse facto. Este é, resumindo, uma boa aposta.

Não concordo, por isso, com a crítica implícita do Spicka. O festival “tinha” que ser pago. Antes de mais por motivos logísticos: era necessário controlar a afluência de público. Depois porque, imagina-se, um cartaz com esta qualidade tem um preço alto. E convenhamos, os bilhetes são baratos (a título de exemplo, The National no Coliseu de Lisboa, custavam o dobro do que custam aqui).
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Há jornalismo desportivo?

Não vou comentar a decisão da UEFA. O Porto merece estar na Champions porque foi campeão e ao Vitória ninguém tira a pré-eliminatória. O resto é um mero atropelo de uma instituição que é tudo menos democrática.

Já o jornalismo d' O Jogo dá espaço a críticas. Este artigo parece mais um post de um qualquer blog portista do que uma notícia escrita por um jornalista minimamente formado. É por essas que a credibilidade da profissão se afunda. E cada vez apetece perguntar com mais força: salvo algumas honrosas excepções, há jornalismo nos jornais desportivos nacionais?
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Programar em rede

A Cultura volta e meia inventa neologismos. E há alguns que têm a singularidade de não quererem dizer absolutamente nada, ou muito pouco. Como formação de públicos. Ou programar em rede.


Com a rede de cine-teatros existentes no país, era suposto que a articulação entre os equipamentos permitisse levar os espectáculos a locais diferentes. Mas, aquilo a que assistimos, é uma política da paróquia, em que as casas tendem a virar costas a propostas como esta. Por diversas razões – algumas puramente político-partidárias.


Um pequeno exemplo: o magnífico último trabalho do Teatro Oficina merece ser visto. E há em Braga quem o queira ver, pelo que se justificava “um salto” ao Theatro Circo. As críticas que ouvi à última produção da Companhia de Teatro de Braga também são positivas. E uma data no CCVF era um bom “pagamento”. Mas, apesar de cada um dos espectáculos ir percorrer o país, duvido que isso aconteça. Perde o público…
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A novidade e o simbólico

No debate sobre a cultura em Vila do Conde, Paulo Brandão, director do Theatro Circo alertava para a necessidade de não esquecer as salas de espectáculos mais pequenas quando surgem as novas casas de cultura de uma cidade. Há um valor simbólico que a novidade transporta que dá um ascendente ao que é novo, diz Brandão.
Lembrei-me do excelente Espaço Oficina. O que é feito dele desde que o CCVF abriu?
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Realidades culturais

Compromissos profissionais levaram-me, na quinta-feira, a um debate, à margem do festival de Curtas de Vila do Conde, em que se discutiu a cultura local. Um debate inédito, como sublinhou valter hugo mãe, e que foi lançado por um artigo da Inês Nadais no suplemento ipsilon do Público, da semana passada.
No texto passava a imagem de que Vila do Conde era um deserto cultural, em que um evento como o Curtas era “um OVNI”. Vai daí e as estruturas profissionais da cultura vila-condense juntaram-se para fazer passar a mensagem contrária: há vida para além do Curtas. A atitude é muito ao jeito vimaranense: quando nos pisam, juntamo-nos, porque há um orgulho bairrista a defender.

Mas terminam aqui as parecenças com Vila do Conde. Apesar dos lamentos de algumas das figuras da cultura local, a cidade costeira não está mal servida no que à cultura diz respeito. Há obviamente um extraterrestre como o Curtas. Mas é um extraterrestre porque é evento internacional, com um impacto muito maior que o tamanho da cidade.

Mas há cultura além do Curtas. Há uma escola de Novo Circo, a Corda-Bamba, o Teatro Formas Animadas, dedicado às marionetas, e o Circular, um festival de artes performativas. E há a Solar, a única galeria cinematográfica do país.

Vila do Conde é, além disso, uma terra de excelentes criadores. valter hugo mãe, um dos melhores escritores nacionais da nova geração, o fotografo Nelson D’Aires (premio... ), e os irmãos Praça (ex-Turbo Junkie e Plaza). Mérito obviamente da actividade cultural existente. Mas também, é fácil percebe-lo, da proximidade do Porto.

Em comum com Guimarães uma coisa: sobrevivem todos com subsídios da autarquia.
Mas há, pelo menos, uma oferta mais diversificada, que não se esgota nas mesmas caras, nos mesmos protagonistas e nos mesmos espaços.
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Apostar nos comboios

O governo anunciou um plano ambicioso para os transportes ferroviários. A aposta é inteligente e só chega fora de horas (foi preciso o colapso dos combustíveis fósseis para acordarem para o óbvio). Mas é, mesmo assim, um esforço positivo do governo, que junta ao imperioso investimento no TGV (especialmente o das ligações nacionais) a uma aposta numa rede de “estradas e IC’s complementares às auto-estradas dos comboios”, como ilustrou ontem, em Braga, a secretária de Estado dos transportes.

Além da modernização fundamental em alguns traçados (destaco a variante da Trofa e a linha da Beira), haverá linhas novas a serem construídas em Portugal. Lisboa-Malveira e Caldas-Santarém são projectos para serem concretizados nos próximos anos, o que não acontecia há décadas em Portugal.

Mas será este anúncio suficiente para reclamar pelo ressurgimento do “primado do caminho-de-ferro em Portugal”? É que, por exemplo, a necessária requalificação de alguns troços que envergonham a Linha do Norte, está fora do documento.
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o número












29862

Sagrada Famiglia
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Let's MuB


Os vizinhos têm um pequeno grande festival a dar os primeiros passos. Começa amanhã e chama-se MuB. É um festival temático, rendido ao pós-rock e que tem como palco inusitado o museu arqueológico D. Diogo de Sousa. Tem congruência nas escolhas e um cartaz onde me saltam à vista dos nacionais The All Star Project e Zany Dislexic Band, mas, acima de tudo, os austríacos Your Ten Mofo, quer fecham a noite de amanhã, e, no domingo, os magníficos iLiKETRAiNS.

Vou dar lá um salto. Se aceitarem o conselho, passem também por lá. É pertinho. E ainda por cima é baratinho.
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Addiction 2.0

O blog tem andado parado por falta de tempo livre. Mas com um fim-de-semana de folga dupla, dei um salto a Vila do Conde para participar novamente no VideoRun, a maratona de cinema do festival de curtas-metragens.
Em 48 horas e com o pecado como tema, eu, o João, o Rui, o Hugo, o Gil e a Sílvia fizemos um filme. Três minutos. O resultado foi este.
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Na nossa Centésima

O escritor e músico Rui Manuel Amaral vai estar na Centésima Página do Centro de Artes e Espectáculos São Mamede no próximo dia 12. O mote é a apresentação do livro Caravana. A sessão está marcada para as 18h00 e contará com aspresenças de Pedro Pombo, sociólogo, ex- comissário da Porto 2001 Capital Europeia da Cultura, e Nuno Corvacho, jornalista e actual colaborador da revista Ler.

Caravana é primeiro livro de Rui Amaral, coordenador literário da revista Águas Furtadas, blogger do Dias Felizes e baterista dos The Jills.
Mais informação aqui.
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Tragédia é não ver

Apostar em Will Eno é um arrojo. Mas conseguir ter 50 pessoas no auditório do CCVF no penúltimo dia de exibição (na passada quinta-feira) prova que a aposta valeu a pena e foi acertada. A nova produção do Teatro Oficina Tragédia: Uma tragédia é uma obra magnífica.

O texto é poderoso, denso e cheio de camadas que nos permitem lê-lo uma outra vez e encontrar sempre abordagens diferentes. Há silêncios, ruídos, desespero e uma forte crítica ao jornalismo televisivo. E à sociedade que o cria (ou por ele é criada?). E há mais do que isso: há de facto muitas camadas. (E há Goffman, esse maldito.)

Depois há um cenário bem conseguido; Cinco excelentes actores e uma encenação certeira. E há um novo Teatro Oficina que quer crescer, aproveitar as condições de excepção do CCVF e assumir-se no panorama nacional.


As propostas de Marcos Barbosa deixam água na boca. Os autores e os próximos textos que o TO vai levar à cena são boas apostas. Assim se constrói 2012.


Vale a pena ler o que Casimiro Silva escreve sobre a peça. Como também vale a pena ler o que Inês Nadais escreveu no Ipsilon, do Público de sexta-feira.
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24 de Junho Naional: Faz todo o sentido

Não vou ligar o "achómetro" que tem sido o instrumento mais utilizado na discussão em torno da oportuna e inteligente iniciativa da JSD de promover um abaixo-assinado a exigir que o 24 de Junho, Dia Um de Portugal, seja elevado a feriado nacional e a Dia de Portugal. Vou antes linkar para quem sabe da matéria.

António Amaro das Neves assina um texto excelente sobre o tema no Araduca. E cita o maior historiador português da Idade Média para sustentar a sua tese. O argumento contra tem base em quê, afinal?
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Começou o benfiquismo...

A ideia é a coisa chamar-se 15 minutos à Vitória. A ligação ao Benfica é doentia. E alguém se esqueceu que 15m significa 15 metros. Vamos lá saltar em comprimento.
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Rufus



Este senhor vai estar esta noite aqui ao lado. O concerto começa às 22h00 e já tem a Casa das Artes de Famalicão esgotada. Amanhã há segunda dose.
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O Vitória é dos vitorianos... e dos mercenários também

A confirmação, na AG de ontem à noite, da contratação de José Marinho como director de comunicação do Vitória é mais uma machadada no projecto da direcção de Emílio Macedo da Silva.

"Milo" proclamou um Vitória dos vitorianos, promove o conceito de "Família" e as virtudes da identificação dos vitorianos com o seu clube. Começou mal a escolher a direcção, mas o problema resolveu-se por si próprio. Depois veio chegou um responsável para o futebol que está longe de ser vitoriano. Agora contrata o "poeta da bola" ou o novo Gabriel Alves, conforme preferirem.

José Marinho é uma das mais divertidas personagens do universo futebolístico nacional. Autor de alguns dos mais inverosímeis trocadilhos nos comentários de uma partida de futebol. E autor, por exemplo, do livro em que José Veiga explica como fez o Benfica campeão. Entre outras "pérolas" que atestam o seu benfiquismo.

Ora, se há coisa que distingue o Vitória é a identificação com o clube. A forma como quem está dentro dele encarna a mística que distingue um dos maiores emblemas nacionais. A José Marinho não se conhece nenhum ligação a Guimarães e ao Vitória. Mais: o que se conhece são ligações escuras ao mundos dos empresários de futebol. E, segundo foi público, Marinho até se tentou oferecer antes ao Braga e ao Leiria, a ver se conseguia um emprego, depois de ter saído da SportTV. Ninguém o quis, a não ser a direcção do Vitória.

A contratação de José Marinho pode, no entanto, significar algo de bom: O Vitória acordou finalmente para a importância da comunicação no mercado futebolístico. Fazer passar a mensagem do clube tanto para dentro como para fora da "Famiglia". Já era tempo...
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Ressaca

1 - Portugal foi hoje justamente eliminado do Euro 2008. A exibição de Portugal neste jogo foi demasiado vazia de qualidade para justificar sequer o prolongamento. A desilusão é enorme, mas nem a arbitragem manhosa ajuda a justificar a prestação nacional.

2 - Desde que Scolaria assumiu o acordo com o Chelsea, Portugal nunca mais ganhou. Coindicência ou consequência? Ninguém sabe. Mas o facto é incontonável.

3 - Se Scolari nao fosse para o Chelsea de livre vontade, o melhor era corrê-lo. A prestação portuguesa no Euro 2008 é miserável. Os quartos-de-final são demasiado pouco para esta equipa.


4 - Pinto da Costa deve ser o próximo presidente da Federação Portuguesa de Futebol. O homem deu a volta aos regulamentos da UEFA e recolocou o FC Porto na Champions do próximo ano com base em argumentos pouco convicentes. Já Gilberto Madaíl, tem lugar num dos órgãos do organismo, mas não consegue ter peso ou poder suficiente para impedir que Portugal seja escandalosamente penalizado pelas arbitragens neste Euro. Depois do jogo da Suiça em que comemos e calamos, o jogo de hoje com a Alemanha voltou a ter uma arbitragem ardilosa e co-responsável pela derrota.

5 - Tal como tinha dito ontem, a UEFA é uma Máfia. Schweinsteiger devia estar castigado e foi o melhor em campo. Por acto semelhante, Demirel, turco, levou dois jogos de castigo. O alemão apenas um. O alemão foi, não por acaso, o melhor em campo... A juntar a isso, houve um árbitro que teve um critério que favoreceu a Alemanha de forma clara.

6 - Acabou-se a euforia. O País segue dentro de momentos...
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Guimarães patriota

"Na tarde de 18 de Junho de 1808, com Junot a governar Portugal a partir de Lisboa e o famigerado General Loison, o Maneta, a ameaçar por perto, o povo de Guimarães levantou-se e ergueu a sua voz aclamando o Príncipe Regente D. João, futuro rei D. João VI."

Para assinalar esta data e os actos heróicos que se lhe seguiram, a Sociedade Martins Sarmento organizou uma exposição comemorativa sob o título O Tempo Tão Suspirado. A inauguração terá lugar hoje, pelas 17h30.

O catálogo da exposição inclui, entre outros textos, a transcrição integral de uma pequena obra, muito rara, publicada naquele mesmo ano de 1808, a Relação do que se praticou em Guimarães, em aplauso da feliz restauração deste reino.

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O Vapor que fez o Douro

"Entre o rio Douro e os socalcos de onde saem as uvas que fazem o vinho do Porto, há uma nesga de terra ocupada por uma estrada de ferro. Como no início do século XX, enche-se de fumo, denso e negro, à medida que o comboio passa pela linha que deve ao rio o nome".

Uma viagem no comboio histórico do Douro com texto meu e fotografias (excelentes) do Dario Silva.
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Máfia

O Vitória usou a Máfia como imagem (magnífica!) para promover o clube e captar novos associados. A Máfia usou o Vitória para mostrar quem manda no futebol mundial. A decisão da UEFA em incluir o Porto na Champions do próximo ano é um atropelo aos seus próprios regulamentos e à suposta moralização do futebol que Platini tem afirmado.

Alegar que a decisão final não foi tomada ainda em Portgual é um falácia. A FPF não se pronunciou sobre o recurso da Pinto da Costa. Mas o FCP não apressentou recurso, pelo que a decisão de condenar o Porto é definitiva.

Mas a decisão não espanta. Na entrevista que deu à SIC logo no dia em que saiu a primeira decisão, Pinto da Costa afirmava a convicção de que o Porto não seria excluído. Ele sabe o poder que tem e o que vale estar, por exemplo, no grupo de pressão formado pelas maiores equipas europeias.

Post scriptum: se dúvidas houvesse sobre a "seriedade" da UEFA, o Euro 2008 tem servido para as dissipar. A censura imposta nas transmissões televisivas, arbitragens miseráveis como a do Portugal-Suiça, o critério dos castigos (Schweinsteiger foi expulso por agressão, mas, contra a cartilha da UEFA, suspenso por apenas um jogo; o treinador da Alemanha pode afinal não ser castigado pela exclusão de ontem). Se isto vai assim na Europa, não se admirem do que se passa por cá...
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Sucesso imparável

Quando chegarmos ao fim do ano e fizermos os inevitáveis (e talvez por isso irritantes) balanços do ano, 2008 vai ser um ano como nenhum outro no desporto vimaranense. O sucesso é tanto que tenho dificuldades em acompanhar tudo o que se vai passando.

Assim, e com algum atraso, a minha vénia aos rapazes e raparigas que alcançaram mais dois títulos nacionais para os clubes do concelho de Guimarães. O "Xico" foi campeão nacional de iniciados, numa fase final disputada em casa. Na mesma categoria, o Vitória arrecadou o título, mas no voleibol feminino.


Guimarães: Capital Nacional do Desporto 2008.
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Mais dois

No ano fantástico em que quase tudo corre bem ao Vitória, mais dois grandes feitos que vale a pena destacar. A equipa de Pólo Aquático alcançou a subida à 1º Divisão nacional, quatro anos volvidos desde a sua criação. No voleibol, a prova de que o projecto é sustentado e não apenas baseado em avultados investimentos chegou este fim-de-semana: A formação de infantis sagrou-se campeã nacional da modalidade.

Parabéns a ambas as secções e particularmente aos seus atletas e técnicos.
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Sobre a Selecção

O Euro 2008 começa já amanhã. A euforia que se instalou em Portugal é a continuação daquilo que foi o Euro 2004 e o Mundial de 2006. É muito provavelmente um fenómeno para continuar a acompanhar nas próximas fases finais, desde que não se repita nenhum fracasso como o do Mundial do Oriente.

As televisões já se juntaram à festa e escapam-me quais os critérios que justificam todo um fim-de-semana de directos com "a última viagem em Portugal", a visita ao Presidente da República, etc. Mas compreendo a euforia das pessoas. Num país vazio de esperanças, com falta de auto-confiança e motivação, a boa prestação da equipa nacional de futebol é um tónico para as almas.

Isto resolve os problemas do país? Certamente que não. Mas não é ao povo que cabe essa tarefa. E uma vitória da Selecção é sempre um acrescento de moral para os dias dificeis que vivemos.

Não estou certo de um grande Europeu de Portugal. A nossa oportunidade de ganhá-lo foi há quatro anos e falhamos. Mas somos uma das equipas de topo, pelo que é expectável pelo menos um lugar nos quartos-de-final. Até porque o grupo - palvra-chave com Scolari - é jovem e pouco experiente. E falta saber como esta geração, que não é já a mesma das duas acompetições anteriores, se comporta em fases finais.

A festa começa amanhã frente à Turquia. E eu vou estar a torcer como todos os portugueses por um bom resultado. Boa Sorte!

post scriptum: Guimarães não tem uma fan zone. Não fora, como habitualmente, os bares do Centro Histórico terem preparado a competição e não havia lugar na cidade para acompanhar em grupo a festa do futebol. Não percebo bem porquê.

ps2: Fernando Meira é uma vez mais um dos 23. Perdeu espaço no "onze" para o naturalizado Pepe e o psicopata Bruno Alves. Mas é o digno representante de Guimarães e da escola vitoriana na Selecção.

Só mais um coisinha: Que outro estádio cheio tinha a TMN para pôr aqui?
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Excelência também no Teatro

Se há áreas em que a posição de Guimarães no espaço cultural português está bem cimentada é no Teatro. A par do Jazz, pelo espaço próprio, regular e de qualidade que as instituições da cidade há anos lhe souberam dedicar, os Festivais de Gil Vicente, que começaram na segunda-feira, foram capazes de se assumir.

O Festival marca a arte em Portugal e é hoje uma aposta ganha: bem programado (diversidade, qualidade e congruência) e que coloca Guimarães no patamar cultural do qual se tem reclamado parte.

Depois de, na segunda-feira, terem começado as oficinas de dramaturgia, o primeiro espectáculo do Festival que marca o mês na programação do Centro Cultural de Vila Flor sobe ao palco hoje. Os Artistas Unidos trazem “As últimas palavras do Gorila albino”, sobre o Floquet de Neu, um dos símbolos de Barcelona, mesmo depois de morto. Depois há, entre outros, o Teatro Praga, com “O Avarento” e a performance/peça/jantar “Banquete”, de Patrícia Portela, que promete, quanto mais não seja pela originalidade.
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E agora, Vitória?


A notícia que já todos conhecíamos há dias, mas que só agora confirmada, promete agitar Guimarães: Com o Porto fora da Champions por corrupção, o Vitória entra directo na maior competição de futebol de clubes.

Não é grande o mérito, mas ainda assim, é uma notícia feliz. Caso o recurso do Porto, não faça tudo regressar à estaca zero.


Mas se a UEFA confirmar o Vitória na Liga dos Campeões, os níveis de exigência para a próxima tremporada serão ainda mais altos. O clube tem pela frente seis jogos e importa fazer boa figura. E a verdade é que as notícias dos últimos dias no que toca a entradas e - especialmente - saídas do plantel, não auguram nada de bom.


Mas estamos ainda no domínio do hipotético. A ver vamos o que o futuro nos reserva.
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Guimarães laranja por um fim-de-semana

Manuel Ferreira Leite foi este fim-de-semana eleita presidente do PSD. Mas a nova líder da oposição vai apenas tomar posse no congresso do partido, nos próximos dias 20 a 22 de Junho. O conclave social-democrata realiza-se no Multiusos de Guimarães.

Em 2005 José Sócrates entronizado como líder do PS no mesmo local, abrindo o caminho para a maioria absoluta com que hoje governa o país. A escolha do local do congresso social-democrata tem, por isso, um valor simbólico. O novo líder do partido é escolhido precisamente no mesmo local em que o grande adversário político assumiu o poder. E fá-lo em Guimarães, com todo o simbolismo que o facto de estar na cidade Berço da nacionalidade sempre acarreta.

Mas, mais do que estas razões subjectivas – que, queiramos ou não, contam em política – a escolha do PSD sublinha, uma vez mais, a capacidade organizativa de Guimarães e das suas estruturas e um espaço de excelência como é o caso do Multiusos.


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"Câmara de Guimarães admite "profunda remodelação" do projecto do Largo do Toural"

"O presidente da Câmara de Guimarães, António Magalhães, admitiu que o projecto para a remodelação do Largo do Toural deverá ser "profundamente alterado" antes da sua aprovação.
De acordo com o autarca, o parque de estacionamento subterrâneo projectado para aquele espaço não deve fazer parte da proposta final. Magalhães entende que o facto de "80 por cento das pessoas se terem pronunciado contra o parque de estacionamento subterrâneo" justifica alterações profundas no projecto.
Deste modo, a câmara vai recuar na sua intenção de construir um parque de subterrâneo para 300 automóveis na praça central da cidade. Segundo o autarca, neste momento estão já a ser estudadas propostas alternativas para a localização do estacionamento".
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À esquerda

Politicamente foi um fim-de-semana à esquerda em termos locais. O PCP escolheu Guimarães para uma jornada em que centrou o discurso nos temas habituais: questões sociais e de trabalho.

Jerónimo de Sousa encheu o Jardim da Alameda. Falou sobre a crise, o código de trabalho e marcou posição junto daquele que é o seu campo político. Não inovou, mas marcou posição, cimentando o lugar de terceiro partido regional que é o do PCP. Antes passou pelo Bairro da Embuladoura, em Gondar, e pela capital comunista local, Pevidém.

Também a Convenção Autárquica do PS local escolheu precisamente o tema da Solidariedade Social como mote para a discussão que teve lugar no último sábado. Os responsáveis locais conseguiram fazer aquilo que falta aos responsáveis nacionais: pensar à esquerda e reflectir sobre os princípios fundamentais do partido.

Mas se dúvidas houvessem sobre a estranheza que estes temas causam ao PS bastava ouvir o discurso de Vieira da Silva, Ministro do Trabalho, que encerrou os trabalhos. O governante falou de crescimento económico, exportações, balança tecnológica e aumento de emprego (?!). Cartilha socrática e jargão tecnocrata e zero Socialistmo. Salvou-se uma discussão que vale pelo menos como sinal de que o PS em Guimarães ainda sabe de onde lhe vem o “esse”. E não é de Sócrates
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Amargo e doce

O fim-de-semana desportivo vimaranense teve amargos e doces. Ao triunfo do Taipas, ao qual já dei devido destaque, junta-se o tri-campeonato nacional de futebol sub-12 conquistado esta semana pela escola de futebol Fair Play, que há ano os ex-futebolistas Neno e Tatá gerem com sucesso.

Na fase final, um dos craques da equipa vimaranense destacou-se e assinou pelo Porto. Não é a primeira vez que um miúdo local se destaca numa pequena equipa, ou numa equipa periférica, e da o salto para um clube de nomeada. Anda o Vitória a dormir?

No maior emblema concelhio, o fim-de-semana também foi de contrastes. Enquanto que o Pólo Aquático venceu o primeiro jogo de acesso à 1º Divisão, dando um passo significativo para que o clube tenha mais uma modalidade num escalão máximo, na próxima época.
Má foi a prestação da equipa de basquetebol. Iludida com a brilhante conquista da Taça de Portugal, a formação vitoriana facilitou sucessivamente no play off e, na final, pagou a factura, contra uma boa equipa que é uma justa vencedora. Mesmo assim, o segundo lugar na Proliga é meritório e marca o ponto final numa época brilhante para o basquetebol. Para o ano, o desafio é ainda maior: o Vitória vai ser uma das equipas do novo campeonato maior da modalidade.


Foto "sacada" aqui.
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Parabéns ao Taipas


Limpinho. Quem ganha por 4-0 uma final, ganha com todo o mérito. É indiscutível e por isso merece os parabéns o triunfo do Taipas, um dos mais importantes emblemas do futebol do concelho de Guimarães, na final da Taça AF Braga.

Frente ao Esposende, os taipenses foram fortíssimos e venceram com todo o mérito, embora este seja um triunfo um tanto amargo para um clube que é maior do que a competição regional que disputa.


Numa atitude inteligente, a Associação de Futebol de Braga decidiu descentralizar a final da competição, depois de muitos anos no histórico 1º de Maio. No ano passado, a final realizou-se no Estádio de Barcelos, este ano a organização coube ao D. Afonso Henriques. Decisão acertada da AFB, que trouxe assim a beleza da festa do futebol regional.


foto Reflexo.
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24 de Junho e as medalhas

A Câmara de Guimarães decidiu, por unanimidade, entregar a Medalha de Ouro da cidade a Fernando Alberto Ribeiro da Silva. A máxima distinção vimaranense não era entregue desde 2003, ano em que Fernando Távora foi agraciado. O antigo governador civil recebe-a no próximo 24 de Junho.

Uma câmara de maioria socialista pôs de lado as rivalidade políticas e decidiu distinguir um dos históricos do PSD local e regional. Coisa que o PSD não foi capaz de fazer há três anos, aquando da proposta de atribuição da medalha de ouro da cidade a Jorge Sampaio. É um exemplo democrático, com o qual, no entanto, não concordo.

Por muitos méritos que Ribeiro da Silva possa ter tido (e teve vários) como associativista e político, nomeadamente nos 12 anos no governo civil do distrito de Braga, a esquerda local devia ter tido memória. Desde logo, o PS, que não devia ter esquecido o que se passou em 2005. E também me custa a entender que até os comunistas digam que o prémio está "bem entregue".

Quanto às outras medalhas: uma empresa têxtil recebe a medalha de mérito industrial e Associação Familiar precisou de chegar aos 100 anos para ver reconhecido o seu mérito social, em que se substitui ao Estado.

Realço, porém, as medalhas de mérito artístico, em prata, para Pedro Morais de Andrade, um violinista de 26 anos que, desde 2007, integra, como músico convidado, a Orquestra Sinfónica da Alemanha, e Sofia Escobar, intérprete vimaranense que vive em Londres, onde participou em musicais como "O Fantasma da Ópera" e "West Side Story".

É muito inteligente e plena de simbolismo esta dupla distinção. Uma cidade que se quer afina jovem e centro de cultura tem que valorizar desta forma os seus mais promissores artistas. Tanto mais que dão, deste modo, o cunho internacional que tem faltado, no mais das vezes, aos representantes da cultura local.

post scriptum: num dos primeiros posts do Colina Sagra, em 2005, dizia que tinha perdido as esperanças de ver o 24 de Junho na televisão (não que daí lhe venha o reconhecimento, está claro...). Hoje tenho ainda mais certezas. Nem precisava de um directo como as inefáveis marchas de Santo António. Bastava um apontamento num qualquer noticiário em que, pelo menos, se desse relevância à data. Não vale a pena: só os vimaranenses comemoram o dia de Portugal. O resto do país entretém-se com um feriado fascista que assinala a hipotética morte de Camões.
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Paga a província!

Aquilo que o Pedro Morgado critica e que a crise petrolífera que se começa a instalar veio sublinhar, é apenas o reflexo da injusta, errada e suicida política de transportes nacional. A forma como o resto do país ajuda a pagar a factura dos transportes das duas metrópoles é escandalosa, como este e outros blogs minhotos vêm afirmando há bastante tempo.

Engraçado é como os portuenses, sempre lestos a criticarem as injustiças lisboetas, assobiam para o lado nesta questão. Quanto a nós, Minho, temos que continuar a pagar as nossas portagens e os nosso transportes públicos, muitas das vezes para termos um serviço escandalosamente fraco como o que a CP presta na linha de Guimarães.

Mais sorte terão os bracarenses, a quem a autarquia vai pagar os aumentos dos custos nos TUB. É a vantagem (e a visão) de não ter alienado um sector estratégico como o dos transportes a um operador privado.

Noutro âmbito, mas ainda relacionado com esta matéria, achei divertida uma reportagem da SIC ontem em que se provava como é mais barato ir de comboio para o centro da capital do que utilizar o carro. "Por causa do aumento dos combustíveis", diziam os senhores. O que eles se esqueceram é que, mesmo que os combustíveis não tivessem aumentado, economicamente é quase sempre mais vantajoso viajar de transportes públicos.

Mas foi preciso chegar a uma situação insustentável como a que vivemos hoje para que a Comunicação Social, e por consequência o país, tomassem conhecimento disto.

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Sobre a cultura

Ontem1 estive no Theatro Circo e conheci finalmente a programação para o mês de Junho. Ao habitual acerto e capacidade de antecipação da casa bracarense parece estar a dar lugar um cinzentismo e a uma falta de arrojo preocupante.

Em Junho vejo pouco ou nada que me leve ao Circo. E vejo muito que já passou por aqui perto há poucos meses: Monthy Phyton, Rita Redshoes e... Mafalda Veiga2. Mais: os preços, que foram em tempos bastante apelativos, estão a atingir níveis absurdos. Crise orçamental oblige?

Por Guimarães, a boa nova chega do São Mamede: Camané actua naquela sala a 21 de Junho. E bem que precisa de um sucesso o Centro de Artes e Espectáculos de Guimarães, depois dos fracasso de Loto e Phoebee Kilder. A Capital da Cultura não tem dimensão para duas casas concorrentes? Ou os fracassos recentes do São Mamede são fruto de algo mais?

1 Fui ao Circo para ver o concero de Coco Rosie. Apareceram em palco os Bunfunk MC's ou lá o que era aquilo. Vim desiludido. Muito desiludido.

2 As críticas são as mesmas. Os insultos hooliganistas esperam que sejam menos.
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Existem televisões nacionais?

O Alfredo Oliveira pergunta: existem televisões nacionais? Eu temo bem que a resposta seja não!
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Beautiful girls



Isto é parte do que podemos ouvir logo à noite no Theatro Circo (que agora já tem site oficial). Infelizmente a companhia não é a mesma desta música, mas as Coco Rosie prometem um excelente espectáculo esta noite na sala minhota. Começas às 22h00 e está esgotadíssimo.
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Mais do que um clube


Está de Parabens o Francisco de Holanda pelo apuramento para a fase final do Nacional de inicados em andebol. Nada de estranho num clube que se afirmou como uma potência do andebol nacional no que à formação diz respeito.


De há uns anos a esta parte o "Xico" conquistou todos os títulos nacionais dos escalões de formação, assumindo-se como "a" escola nacional da modalidade. Este sucesso vai permitindo a um clube com gravíssimos problemas financeiros - fruto da má gestão do passado e, arrisco dizer, a uma excessiva monopolização de apoios que o concelho dá ao Vitória - consiga fazer boas épocas desportivas no Nacional maior. Houvesse dinheiro para segurar os "craques" e o clube era um caso sério nas competições séniores.


À boa prestação desportiva, associa-se uma fantástica capacidade organizativa, já sublinhada, aliás, pela Federação Portuguesa de Andebol. A final four da Taça de Portugal, o último jogo de qualificação da Selecção principal, a fase de qualificação da equipa nacional de sub-19 e algumas fases finais dos nacionais jovens, tornando Guimarães na Capital do Andebol.
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A Gata profissional

O Enterro da Gata deste ano, foi, em teoria, o meu último enquanto aluno da Universidade do Minho. Na prática, foi bem diferente: não me senti nunca no Enterro durante a última semana. O espaço é-me estranho, demasiado sofisticado e profissionalizado. Aquilo não foi uma festa Académica: foi um pequeno festival de música.

Em termos organizativos, o Enterro 2008 foi positivo: solução airosa para os transportes (embora com problemas nas “horas de ponta”); cartaz fortíssimo (resistindo à chuva); boa participação nos eventos extra-recinto. É o mínimo que se exige a quem passa todo o ano a preparar este momento, negligenciando o seu real papel.

Mas, no Gatódromo, desde o espaço à presença obscena de publicidade, tudo pareceu pouco Académico. As barraquinhas foram votadas a uma posição subalterna em termos de organização do espaço. Deste modo, marcou-se, logo de entrada, a distinção entre o espaço dos estudantes e o da festa comercial. Perdemos nós. Lucrou, e muito, a AAUM.

Mas, no meio do profissionalismo que marcou o Festival da Pedreira, alguém se esqueceu, por exemplo, de que “meia-dúzia” de casas de banho não chegam para uma festa que junta milhares de pessoas, provocando filas.

Uma fila também, era o que esperava quem ia ao Enterro trabalhar. Nas duas primeiras noites, o tempo médio de espera era de uma hora e meia, porque a AAUM, juntou, de forma irresponsável, convidados, borlistas vários e jornalistas, num mesmo espaço de credenciação.
O grosso da fila, justificaram-me, eram colaboradores da direcção. Afinal, aquelas inúmeras páginas de mini-fotos que aparecem no final das brochuras de apresentação das listas de candidatos à direcção da AAUM, são mais do que figuras de corpo presente. Pelos vistos “colaboram” com a associação: ao menos no dia das eleições e no Enterro.

Com tantos colaboradores e perante o alheamento dos estudantes da actividade académica e a fraca participação nos actos democráticos da instituição, arriscamo-nos, num futuro não muito distante, a ter mais eleitos do que eleitores.
Publicado no ComUM nº9
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Meio século de Cineclube



Chega com uns dias de atraso ao blog a minha homenagem à primeira associação de Guimarães de que me fiz sócio. Já lá vão cinco anos e o Cineclube continua a ser um exemplo do associativismo vimaranense.

É o maior do género em Portugal, com uma actividade que, por um lado, explica o sucesso, e, por outro, prova a vitalidade cinéfila de Guimarães.

Mais do que os Parabéns por meio século de ininterrupta actividade, agradeço ao Cineclube por, mês após mês, trazer o melhor cinema a Guimarães.
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Do riso e do esquecimento: Bem-vindos à Capital Nacional do Desporto

in ComUM
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A euforia de um sonho estrelado

O sonho estrelado está completo. Ainda que, como afirma e bem Emílio Macedo da Silva, saiba a pouco. Mas é justíssima a classificação do Vitória, atendendo a uma temporada fabulosa, em que não fossem as más prestações frente aos grandes e uma ou outra escorregadela fora de portas, podíamos estar a falar da melhor classificação de sempre. De qualquer das formas, o “bronze” sabe a ouro, porque nos permite chegar à antecâmara da mais importante competição futebolística de clubes do planeta.

Perante 27.700 pessoas, o Vitória fez um jogo seguro, capaz de disfarçar a falta de forças de alguns elementos que tinha ficado patente nos últimos jogos. Flávio abriu o activo, num canto em tudo idêntico ao que deu o empate em Belém, há uma semana. É o prémio justo para o capitão do clube, símbolo da raça de que se faz um vitoriano.

Antes ainda, já se tinha gritado golo. Em Alvalade o Boavista vencia e o sonho do 2º lugar chegou, por breves minutos, a parecer possível. Não o foi, mas nada nos tirou no pódio. A confirmação chegou na segunda parte, com contornos de goleada: primeiro por Alan. Uma época em branco do homem que mexe o ataque vitoriano – mas que chega a fazer desesperar o comum adepto - terminou com um golo feliz e atípico. Mas um prémio justo para uma belíssima temporada do extremo brasileiro.

O terceiro golo chegou quando a festa já se tinha instalado no D. Afonso Henriques. Andrezinho marcou um golaço improvável, depois de uma exibição em que demonstrou a falta de pulmão. Normal para quem passou uma época em campo, face à ausência de alternativas para aquele lugar.

A goleada ficou completa a dois minutos do fim, através de Desmarets. Se Flávio é o símbolo da raça vitoriana, Yves personifica o “Vitorian Dream”: motorista de autocarros há dois anos, assinou o primeiro contrato profissional quando veio para o Vitória e hoje tem meia Europa atrás dele. Tem um magnífico pé esquerdo, cultura e qualidade (O Bruno Prata do Público diz que é o único vitoriano com lugar num grande…). É por isso que mandei estampar o nome dele na camisola branca que ontem estreei!

Depois do apito final, voltei a chorar no Afonso Henriques. Outra vez frente ao Estrela, mas desta feita não por antecipar o pesadelo da II Liga. O hino da Champions (que entretanto ouvi duas dezenas de vezes no computador) soou nas colunas do estádio. E é uma sensação indescritível. Arrepiante. Foi o mote para uma festa que durou até às tantas da noite, acompanhando o percurso da equipa, desde o Estádio ao preenchidíssimo Toural, e depois até ao Hotel.

Obrigado, rapazes!

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O que alguns tentaram...

...o Vitória conseguiu! Para ouvir ao vivo, no próximo ano.

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Payback time!


Este senhor deve imenso ao Vitória. Deve-lhe ter sido descoberto num clube menor e projectado como treinador de escalão principal (mesmo que já todos soubessemos que tinha sido um grande jogadro). Deve-lhe meia dúzia de insultos nos tempos em que se passou para um dos rivais. E deve-lhe também ter acreditado em Vítor Magalhães e, deste modo, ter-se tornado um dos responsáveis por aquilo que nos aconteceu há dois anos.

Está na altura de pagar o que deves, Jaiminho. Já no Domingo, em Alvalade.
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Começa hoje


O meu último Enterro da Gata enquanto aluno começa hoje. Num espaço novo, o que levanta muitas questões, como de resto já referi. Resta ver como corre, esperando que corra bem.
A vida já não me permite ir a todas as noite de Enterro, mas vou lá passar dois ou três dias, para rever amigos, reviver o ambiente e dizer adeus à vida Académica.
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Há coisas fantásticas, não há?

A acreditar no Reitor da Universidade do Minho, a Europa aprova as salganhadas.
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Aconteça o que acontecer...

Está feita história. Há um ano, por esta altura, ainda fazíamos contas à subida do Vitória. Este ano, com uma equipa barata, estamos a um passo de entrar, pelo menos, na pré-eliminatória da Champions. Aconteça o que acontecer na última jornada, esta é uma das melhores épocas da história do clube vimaranense, que será (a menos que algo anormal aconteça) o primeiro emblema fora das duas cidades que dominam a vida nacional, a marcar presença na prova maior do futebol mundial.

Falta um triunfo, no Domingo, frente ao Amadora, para que o Vitória iguale a sua melhor classificação de sempre (à qual já chegou três vezes). E, mesmo que pela frente venha um gigante do futebol mundial (Arsenal e Barcelona estão, por estes dias, nessa posição), nada vai tirar a Guimarães a festa de um jogo de Champions. Desde que Domingo não aconteça nada de anormal.

Lá para o final do campeonato vou debruçar-se com mais profundidade sobre esta temporada extraordinária da vida de um dos maiores clubes nacionais. Quanto ao jogo de ontem, foi, como disse Flávio, o jogo possível. Pareceu-me, tal como nas últimas deslocações., que Cajuda não quis mais. Não arriscou tanto como, por exemplo, na Maia, com o Leixões. Por isso, o 2º lugar fugiu, irremediavelmente. Fica-nos, no entanto, o gosto do terceiro posto. O qual depende apenas da nossa competência para ser assegurado.

Post scriptum – A azia dos adversários do Vitória levou-os a dizer que o clube de Guimarães foi levado ao colo durante a Liga. Foi o que se viu nas últimas três jornadas: um penalti em Coimbra, dois golos irregulares do Porto (que não apagam a vergonhosa prestação da equipa) e ontem uma expulsão perdoada a Alvim aos 10 minutos (pôs Carlitos no Hospital, obrigado a levar quatro pontos), um golo anulado e um penalti escandaloso, a dois minutos do fim. Dúvidas? Espreitem aqui e aqui.

Como diria o outro (e que saudades vou ter de o ver nas conferências de imprensa!): “Estão a puxar-nos para baixo”.

Foto: João Filipe Santos/VSC

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A meio caminho

Está no sítio certo: a meio caminho entre duas das cidades com melhor oferta (e procura) cultural no país.
Na Nacional-de-todas-as-dores-de-cabeça, para quem por lá passa durante o dia, o N 101 é um bar feito em Guimarães, mas a pensar numa região.
aqui tinha falado dele, mas só agroa tive oportunidade de experimentá-lo ao vivo. E logo com um bom concerto, dos Dead Combo, um daqueles projectos nacionais muito bons, que só espanta não terem maior projecção. Os Lusitância Playboys apresentaram o seu novo album e deram um salto a coisas antigas como Rumbero ou Pacheco.

Já o Bar é excelente. Tem espaço. E tem tudo para ter uma mística prórpria (a casa antiga, as vigas de mandeira, o tecto, a decoração...) E a música. Da melhor selecção que tenho ouvido pelas noites do Norte. A gravada e a que passa por lá ao vivo. Dispostos a assumiem-se "um local de referência a nível do circuito alternativo de bares concertos da zona norte", tiveram Tiago Bettencourt no mês passado e este mês, depois de Dead Combo, ainda passam por lá Sandy Killpatrick e Bunnyranch. E fica só a meia dúzia de quilómetros de casa.
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Uma Acacdemia entre duas cidades

Quiseram os decisores políticos, em 1973, adoptar para a Universidade do Minho um modelo inédito até então em Portugal – e ainda hoje pouco utilizado. A UM ficou dividida entre duas cidades que tinham ainda mais diferenças entre si do que motivos para se aproximarem.

Braga e Guimarães viveram demasiado tempo de costas voltadas e a partilha de uma instituição com o peso de uma Universidade era um desafio. O conceito de uma Universidade para uma região era ainda difuso, mas, 34 anos volvidos, parece ter resultado plenamente. Todavia, a forma como as duas cidades acolheram a UM é bem distinta.

A vida em Braga não seria a mesma sem a Universidade do Minho. A coincidência temporal entre o crescimento da cidade e a presença da UM não é apenas acaso. A cidade sente a presença dos estudantes, o comércio, o imobiliário e mesmo a cultura em Braga cresceram em torno da Universidade e dos seus estudantes.

No entanto, não vejo os responsáveis políticos bracarenses a olharem para a UM como peça central de um modelo de cidade. Em cinco anos na UM, não me lembro de ter visto pelo campus o presidente da Câmara. E isto é sintomático de um voltar de costas problemático.

Guimarães, pelo contrário, nunca acolheu a Universidade de forma calorosa. A cidade é feita de um mitologia própria, de um bairrismo arreigado e de uma forte componente tradicional. Desse modo, a UM foi vista, durante muito tempo, como um corpo estranho na cidade, uma espécie de estância invasora, que desse modo se quis afastada da vida da cidade.

Só há relativamente pouco tempo começaram a surgir, ao redor do campus de Azurém, lojas de comércio vocacionados para os estudantes e uma oferta de habitação compatível com a condição de estudante. E ainda assim, muito está por fazer quanto à real integração dos estudantes da UM no quotidiano vimaranense.

Pelo contrário, a nível político, há muito Guimarães percebeu a potencialidade que tem dentro de portas. A prova mais evidente desta realidade é a aposta no projecto CampUrbis em que autarquia e Universidade se associam para renovar o quarteirão industrial da cidade, transformando-o num centro de ciência e cultura – com a Capital Europeia de 2012 como cenário.

Diferenças à parte, importa salientar que, mais de três décadas volvidas, a UM foi, acima de tudo, um motivo de aproximação entre as duas maiores cidades do extremo Norte do país. Falar no Quadrilátero Urbano sem UM não faria sentido. E projectos vitais para o desenvolvimento da região como uma ligação ferroviária entre Braga e Guimarães são mais pertinentes quando se pensa em ligar dois centros de inovação e conhecimento como os campi de Gualtar e Azurém.


Artigo publicado na coluna "Do Riso e do Esquecimento" na versão imprensa do ComUM que hoje está em circulação.
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Um tiro na cultura

A Feira do Artesanato de Guimarães devia começar hoje. Mas já não começa. Isto porque "a falta de inscrições e a qualidade dos participantes" levou A Oficina a anular o evento, dando uma machadada numa realização com quase 20 anos de história e que era já um marco incontornável do cartaz cultural e turístico da cidade.

A justificação tem algum sentido, mas é apenas o nível mais superficial da questão. Importa perceber porque que é que os artesãos não se inscreveram no evento, porque é que uma Feira com reputação acaba, de repente, por falta de interesse de um ramo que, sabemos bem, precisa de tantas quantas as feiras possíveis, para rentabilizar o seu trabalho.

E isso ainda ninguém explicou. O preço das inscrições e o calendário do certame podem ajudar a perceber um pouco o desfecho inesperado da Feira do Artesanato. Outra questão tem a ver com um certo alheamento dos vimaranenses face ao evento. Particularmente desde que este deixou de se realizar no centro da cidade e foi transferido para o Multiusos.

Os artesãos queixavam-se nos últimos anos que passava menos gente pelo Feira e que quem lá ia comprava menos artigos. Isto porque, não só o espaço era "fora de mão" como a entrada era paga (ao contrário por exemplo da excelente Feira de Artesanato de Vila do Conde).

Depois da Feira do Comer, a autarquia mata mais um evento que tinha potencial turístico e promocional. Isto depois de, há anos, ter feito o mesmo com a Feira do Livro. Para um concelho que faz da cultura e do turismo duas das suas principais bandeiras, é desastroso.
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O número e o projecto

111
milhões de euros.


É o orçamento com que a CEC 2012 vai contar. O projecto da Capital da Cultura em Guimarães foi apresentado na semana passada em Bruxelas. Agora sim, já se conhecem os contornos da ideia de Guimarães para o seu momento de afirmação europeia.
A revitalização urbana e a construção de novos equipamentos culturais são as principais apostas. Ou seja, antes de mais a CEC vai dar-nos uma nova Guimarães. Quanto à programação, continuamos quase a zeros. E o programador da CEC ainda não está sequer definido, o que mereceu críticas dos responsáveis europeus. As cinco linhas temáticas - Identidade/Memórias, Diálogo/Paisagem, Artes/Diversidade, Criatividade/Conhecimento, Culturas do Quotidiano/Cidadania - são demasiado vagas e, para já, o que sobressai como aposta forte e, a meu ver, inteligente, é o reforço da programação tradicional da cultura vimaranense (particularmente o GuimarãesJazz) e o alargamento da CEC a um âmbito regional.
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[pausa]


Durante os próximos dias, regresso à cidade onde cresci. Para descansar, rever lugares, visitar amigos. E festejar, já amanhã, o Sant Jordi na companhia certa.
Até já!
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CAMPEÕES!


Este é já um ano histórico. Depois da Taça de Portugal em basquetebol, o Vitória sagrou-se Campeão Nacional de voleibol, depois de ter vencido o decisivo jogo da final disputado em Espinho. Contra todas as expectativas, a equipa que esteve "morta" sucessivamente contra o Castêlo, o Benfica e o Espinho, recuperou sempre, de forma estóica, e atingiu pela primeira vez o lugar mais alto do Nacional A1.

Precipitei-me a decretar a "morte" deste projecto. Especialmente porque o Vitória do jogo de hoje foi praticamente perfeito. E só não ganhou por 3-0, porque os árbitros nacionais têm medo de marcar faltas a Miguel Maia.

É um momento de grande alegria, especialmente numa modalidade que acompanho há anos, desde os tempos em que andava pelos escalões secundários. E é, pessoalmente, um "vingança". Há dois anos saí de Espinho doente. Hoje, doente, não fui a Espinho. Mas o que interessa é que somos Campeões. E essa é uma alegria que já não nos tiram.

Há uma semana, no pavilhão do Vitória, os adeptos do Espinho já gritavam "Tri-Campeões". De forma extemporânea, como se provou. Pelo menos ficaram com patrocinador para a próxima época.
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Fórum novas plataformas tecnológicas: Meios de comunicação social e internet

O Gabinete de Imprensa de Guimarães – Associação de Profissionais e Colaboradores da Comunicação e o Projecto Região Vale do Ave Digital associaram-se na organização do Fórum sobre as “Novas Plataformas Tecnológicas: Meios de Comunicação Social e Internet”.

O Fórum visa preparar a Comunicação Social para o amadurecimento da Internet como principal concorrente, produtor e difusor de notícias e estimular na comunidade o surgimento das TV’s Online e as TV’s Regionais. A iniciativa decorre nos próximos dias 22 e 23 (terça e quarta-feira), no Auditório do AvePark, em Caldas das Taipas, e tem um painel de luxo.

O programa desenvolvido para a realização deste fórum tende a debater diversos temas como o aparecimento e implementação das televisões on-line, novas Plataformas e Ciberespaço; Comunicação e Informação na Internet; A influência dos blogs na forma e nos conteúdos produzidos pelos Meios de Comunicação. O Fórum tem entrada livre e está aberto à participação de todos os interessados. O Programa completo da iniciativa pode ser encontrado aqui.
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Demoacracia de faca e alguidar

Como podem os portugueses confiar um partido cujo conceito de Democracia é o de uma eleição de seis em seis meses?
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Irresponsabilidade paga

Primeiro, uma Assmbleia Municipal muda de data para os senhores deputados irem ver a bola.
Agora, chega-nos a fantástica ideia do presidente daquele órgão que entende que a melhor maneira de homenagear a Revolução que nos restituiu a Liberdade é… não a festejar.

As justificações são duas: o alheamento da população e…dos eleitos. A Sessão Solene, no órgão maior da Democracia vimaranense deve, antes de mais, ser um acto político. E desse modo, dos políticos. Se eles são os primeiros a alhear-se do momento em que deviam homenagear as conquistas que lhes permitem hoje ocupar os lugares que ocupam.

E a verdade é que a Sessão Solene do 25 de Abril é, de há uns anos a esta parte, um fracasso, pelo facto de os senhores deputados, eleitos para nos representarem, pagos pelos contribuintes (o subsídio é miserável, mas é dinheiro que sai dos cofres...), não porem os pés na cerimónia. Um mau exemplo Democrático.