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STM – Serviço de Transportes do Minho

O “terceiro choque petrolífero” teve o mérito de pôr os políticos a pensar em formas alternativas de transporte. Ainda que estejam agora a pensar em soluções com 20 anos (Eles deviam antecipar soluções e andam, tragicamente, a reboque).

E, está à vista de olhos, a aposta no transporte público é a vertente fundamental desta aposta. À aposta no transporte ferroviário tem que se aliar uma reformulação profunda dos transportes públicos rodoviários. O primado tem que ser o do transporte colectivo.

Mas isto é impossível de fazer sem uma rede de transportes multimodal, bem articulada e gerida de acordo com os interesses dos seus utentes. O que acontece, no entanto, no Minho – que tem que começar a pensar como metrópole multicéfala – é que existe uma rede de transportes públicos insuficiente, obsoleta e, mais grave do que isso, mal gerida. Não há um verdadeiro serviço de transportes públicos nas quatro principais cidades da região e, muito menos, entre elas.

Faltam, obviamente investimentos. Faltam, por exemplo, as indemnizações compensatórias que o Estado atribui a Lisboa e ao Porto. Falta pensarmos como um todo. E falta, acima de tudo, aproveitar melhor, aquilo que temos.

E uma gestão eficiente e de verdadeiro serviço público tem que ser feita em proximidade. Daí que defenda a criação de um Serviço de Transportes do Minho (STM). Sob a forma de uma empresa pública, participada pelas autarquias e pelas empresas públicas e privadas que fazem serviço de transportes públicos na região.

Os urbanos de cada cidade, os interurbanos rodoviários e as linhas ferroviárias existentes. E a futura – e pertinente – linha Guimarães-Ave Park-Braga. Geridos por uma só entidade e, no fundo, por aqueles que verdadeiramente utilizam estes serviços.

Seria, por exemplo, a oportunidade de articulação definitiva entre urbanos e comboios e a possibilidade para a criação de um serviço interurbano de comboios (Famalicão-Braga funciona muito bem e não há motivos para fazer o mesmo com outras localidades).

Esta solução não é inovadora. É o que acontece, por exemplo, com a gestão dos serviços de transportes públicos nas áreas metropolitanas das grandes cidades espanholas. Barcelona e Madrid (mas também Valência e Bilbau, casos que conheço) têm um serviço invejável de transportes públicos, liderado pelos governos regionais, participado pelo Estado e pelas autarquias (até as das mais pequenas cidades-dormitório).

O resultado é óptimo. Primeiro porque há uma rede de transportes públicos muito completa. E depois porque há uma quase perfeita articulação entre os diversos meios de transportes: horários, estações multimodais e um bilhete único (ao estilo do portuense Andante).

Obviamente que em Espanha há uma outra dinâmica regional, que em Portugal não existe. Por motivos óbvios, que têm a ver com a autonomia regional do país vizinho. Mas isso levar-nos-ia a uma outra discussão. Que um destes dias vamos mesmo ter.
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O número comprado

O Vitória atingiu ontem a histórica marca de 30. 000 sócios. Na verdade, nada de mais: apenas a prova de que é o quarto maior clube nacional. O sócio 30.000 é um menina de dois anos. Que ternura. Este é um clube de toda a família. A menina é filha de João Reis e Catarina Furtado. Estranho. Ou foi uma coincidência do caraças, ou o número foi comprado.
Os verdadeiros sócios do Vitória mereciam mais respeito, Sr. Presidente.
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“Posso assegurar que Guimarães será a Capital Europeia da Cultura em 2012”


O presidente do painel de selecção da Capital Europeia da Cultura de 2012, Bob Scott, descansou ontem os líderes autárquicos vimaranenses. No final de uma visita de três dias a Guimarães assegurou que o preoesso é irreversível: “Posso assegurar que Guimarães será a Capital Europeia da Cultura em 2012”.

O relatório final do painel de selecção estará pronto a 5 de Novembro, mas Bob Scott aconselhou Guimarães a começar a trabalhar desde já para a CEC 2012. Para o líder do júri da CEC a prioridade tem que ser, neste momento, dada aos investimentos em infra-estruturas, mais do que à programação. Mesmo assim quer para breve uma resposta quanto aos nomes do Director do evento e do comité organizador.

Scott elogiou o projecto, especialmente o CampUrbis e a Casa da Memória, quer que o orçamento seja maior, por via dos investimentos privados e espera que Guimarães seja capaz de ultrapassar o seu principal problema: o défice de atenção mediática internacional.
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Sugestões para a Manta 2009

É inquestionável o sucesso do Manta deste ano. A acertada escolha das bandas, a aposta nas sonoridades alternativas do rock, o impacto que teve no meio musical. E trouxe público ao CCVF. Se é verdade que a casa com os Liars esteve pouco composta, a enchente protagonizada pelos National e a boa afluência de última hora com Rinôçérôse dão ao festival uma média de espectadores bastante boa.

No próximo ano esperamos por nova Manta, com o mesmo tipo de abordagem. Isso é, quanto a mim, intocável. Há, no entanto, vários aspectos que podem ser mudados no próximo ano:


- Revisão da politica de bilhetes. Os preços eram excelentes. No entanto, o bilhete de três dias não era convidativo (e foi estranhamente vedado aos portadores do cartão CCVF), pelo que se perdeu o efeito de contágio que National podiam ter emprestado aos restantes concertos.

- Repensar as datas. Com o Marés Vivas a acontecer nos mesmos dias, muito do público pontencial do Manta escapou para o festival de Gaia. Uma semana de diferenças pode mudar muita coisa.

- Uma banda a abrir cada noite. O concerto de Liars deixou-me com a sensação de que o público necessitava de aquecimento prévio. Ainda que os concertos seguintes tivessem tido maior adesão inicial, mantenho esta convicção. A proposta poderia passar por bandas nacionais de média dimensão (aquelas que já não cabem no Café-Concerto, mas ainda não enchem o Auditório).

- Se é verdade que a política de bilhetes não ajudou, não deixa de ser relevante que o modelo do festival não favoreça a vinda de público para os três dias. Nada contra o modelo do festival, como disse. Mas, não sendo directa responsabilidade do CCVF, seria favorável uma articulação com a Pousada de Juventude e com o Parque de Campismo da Penha, para a estadia do público (maioritariamente jovem). Além disso, quem quisesse ficar no parque de campismo tinha uma dificuldade acrescida: a falta de transportes. Com uma boa articulação entre TUG, Turipenha e Oficina ganhavam todos e especialmente o público.


- Pode parecer contraditório com o ponto anterior, mas a verdade é que há quem queria assistir a um concerto específico. E o que pude verificar é que o comboio foi uma opção muito utilizada pelos espectadores que vieram ao Manta. Deste modo, estabelecer um acordo com a CP para um comboio especial de regresso ao Porto no final dos concertos era uma ideia positiva. E, ao contrário do que era habitual, a empresa ferroviária até está para aí virada nos últimos tempos.


- Outro ponto a ser melhor pensado é o da venda de bebidas no recinto. Antes de mais é uma venda burocrática (é preciso comprar previamente um ficha para qualquer compra que se queira fazer) e cria filas dispensáveis. Além disso, a venda de bebidas terá que ser reforçada em edições futuras. Se no primeiro dia não houve grandes problemas, no concerto de National, mais concorrido, as filas eram enormes e escusadas. No entanto, não defendo uma massificação de comes e bebes ao jeito dos festivais. O óptimo será encontrar um ponto de equilíbrio que chegaria com o reforço de mais uma ou outra barraquinha.


- Outra sugestão: melhor aproveitamento do espaço original do jardim. Ali meio abandonado, com as casas de banho ao fundo (demasiado longe) e pouco mais. É um excelente espaço para mostrar o artesanato local, promover o CCVF e outros equipamentos locais. Tal como no ponto anterior tenho uma ressalva: façam-no sem massificação comercial. Este modelo algo intimista do Manta é excelente e deve ser mantido.
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A cereja no topo


Não é uma das minhas bandas de eleição (como The National), nem sequer lhes conhecia a fundo a discografia (como a dos Liars). Só um ou outro tema mais conhecido. Fui por isso a zeros (ou perto disso) em termos de expectativas para o concerto de Rinôçérôse que ontem encerrou o festival Manta.

Primeiro estranho: uma banda que fala francês. Mas não demorei mais do que uns curtos minutos a render-me. Tal como a plateia do CCVF (não tenho números oficiais, mas andaria à volta das 600 pessoas).

Em poucos minutos os rifs vigorosos, o beat à maneira e um baixo potente fizeram mexer o público. Mesmo quem não os conhecia, ou os conhecia mal, largou a pose e rendeu-se à dança.

Rinôçérôse foram a cereja no topo do bolo da Manta (um bolo em que National foram a massa fofa, o creme e a cobertura...). E assinaram um encerramento de muito bom nível para um festival que foi um sucesso.
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Prazer em receber uma banda assim


Se dúvidas houvesse de que o modelo para o Manta é o deste ano, o concerto dos The National dissipou-as por completo. Uma grande banda, a viver um momento único de afirmação no mercado nacional e que, por via disso, levou 3000 pessoas aos jardins do Vila Flor.

O concerto foi irrepreensível. Os National foram capazes de animar o público a partir do primeiro acorde. Não só porque são uma banda excelente ao vivo, como também foram capazes de aproveitar o incrível culto que existe em Portugal. Cada música foi cantada pelo público como se de um hit de tratasse.

A banda explorou bem isso e deu um concerto de grande nível ao longo de mais de uma hora e meia. A pose de Matt Berninger dá-lhe uma aura de ícone e a interacção com o público faz-se desse lado mais simbólico do que de frases feitas e espalhafato.

Brainy, Fake empire, Apartment story, Secret meeting, Looking for astronauts e Mr. November. Em uníssono com o publico. Num ano que está a ser em cheio no CCVF, National deram um dos melhores espectáculos do ano. O que não é dizer pouco. É realmente um prazer receber uma banda assim.

Ao segundo dia, sai reforçada a ideia que tive na abertura: este festival é nacional. O comboio veio cheio, o trânsito ressentiu-se e o centro histórico teve um dia anormalmente animado num verão deprimente que vai vivendo. Esta é uma aposta ganha.

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Manta: The National



The National: Manta, CCVF, 22h00
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Liars não chegaram para aquecer

Desapontante o concerto de Liars que ontem abriu o festival Manta, no Centro Cultural de Vila Flor. Uma banda competente, mas que resulta melhor em disco do que ao vivo – pelo menos por aquilo que ontem se viu – e que nunca foi verdadeiramente capaz de aquecer a plateia.

Quando o começava a fazer – Plaster Caster of Everything chegou demasiado tarde – o concerto acabou. Ficou por isso a sensação amarga de que foi um experiência falhada. Não foi um mau concerto para abrir o palco para The National. Pena é que os nova-iorquinos só actuem 24 horas depois.

O espaço foi demasiado para as 450 pessoas que ontem assistiram ao concerto. Mas não foi por aí que o espectáculo correu mal. Faltou ambiente, é certo, mas Angus Andrew, vocalista da banda, parecia que estava a actuar para 4500 fãs. Saltou, dançou, molhou-se com whisky. Inebriou-se com a igreja da Penha. Foi um performer a encher o palco, excepto quando se esqueceu de cantar.

O que fez com que Pure Unevil ou Freak Out, por exemplo, soassem mais como um amalgama de instrumentos desordenados do que como as composições acertadas que se ouvem em disco.
Quanto ao Manta, tem tudo para resultar nestes moldes. O espaço, já o sabíamos, é excelente. Um jardim imaculado, entre um palácio do século XVIII e um edifício contemporâneo. E um cenário de fundo belíssimo – o Castelo e o Paço dos Duques, a Penha, os telhados do Centro Histórico. Mas isto é o meu coração vimaranense a falar.

E este não é um festival para os vimaranenses. Como ontem se viu no relvado do CCVF. Muitas caras de outras andanças (Braga, Porto, Vila do Conde). E um comboio que chegou com mais gente do que o habitual: passageiros exclusivos do Manta. Prova? O vocalista dos Liars fez elogios a Guimarães: “É uma cidade linda. A primeira cidade de Portugal”. Ninguém reagiu...

A Manta volta a estender-se hoje, para o muito aguardado concerto de The National. E público não vai falar.
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É disto que o meu povo gosta

A petição lançada pelo Avenida Central e pelo Vimaranes está a ser um sucesso em termos de adesão. Compreende-se que a exposição mediática não seja tão grande quanto o número de subscritores: no fundo o documento, dirigindo-se à RTP, põe em causa os critérios de todos os jornalistas.

O sucesso da petição é inquestionável. O que é trágico, no meio disto tudo, é que a adesão em massa seja feita às custas do futebol. A petição só está a ser o fenómeno a que temos assistido porque mete bola.

Ninguém viu os bracarenses a mobilizarem-se em torno da exigência da organização do S. João de uma maior cobertura do evento. Nem aos vimaranenses se lhes notou grande preocupação com a ausência de exposição mediática das Gualterianas e das Nicolinas. Muito menos questionamos que o acontece por cá chegue tão poucas vezes às televisões, rádios e jornais.

Durante anos levamos com o túnel do Marquês de manhã à noite. Nos últimos tempos foi o incêndio na Avenida da Liberdade que se converteu em acontecimento nacional. Isto sem que muitos de nós soubessem sequer situar no espaço cada uma das notícias. E, pelo contrário, para vermos as nossas cidades ou a nossa vida política na televisão é necessário que haja borrasca ou um qualquer acontecimento sobrenatural de província.

Serve isto para dizer, sem tirar nenhum mérito à iniciativa do Pedro e do Carlos, que também nós temos os nossos critérios e as nossas prioridades. E são, infelizmente, o futebol. Se esta mobilização de cidadania que tem corrido a Net nos últimos dias à custa da petição pró-bola surgisse noutro âmbito, este não seria o país em que poucos motivos de orgulho encontramos.

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Manta: Liars

Liars: Manta, CCVF, 22h00.

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Desporto para todos na RTP

A petição lançada pelos blogues Avenida Central e Vimaranes faz todo o sentido. Pela pertinência e justeza dos seus pressupostos e pelo acerto das exigências.
O sucesso que está a ter (em menos de um dia já conta com mais de 450 assinaturas) abre portas à exigência de uma resposta por parte da RTP, que constantemente se nega a prestar esclarecimentos sobre o uso que faz do financiamento que todos nós lhe entregamos.
A petição, que inteiramente apoio, pode ser subscrita aqui.
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Saltar na Manta

Já o disse: O Centro Cultural de Vila Flor está a dar passos firmes para afirmar a sua programação. O festival Manta é um dos pilares do excelente trabalho que tem sido feito este ano.

Pelo primeira vez, Guimarães entra no circuito dos festivais de música. É certo, este é um festival diferente. Mas tem um excelente cartaz. Juntar The National e Liars no mesmo palco é obra. Rinocerouse são também um boa banda. E a sonoridade que marca o festival é aquela que há muito defendo deve também passar pelo CCVF. E se, pelo tamanho e pelas características da sala, é difícil trazer algumas bandas na programação regular, a Manta é o local certo para contornar essa lógica.

O CCVF aproveita assim uma das mais-valias que tem face a outros espaços do género: os magníficos jardins e um espaço ao ar livre. E fá-lo mostrando-se a um novo público, habitualmente não abrangido pela programação do centro cultural. Bastou ler as reacções entusiásticas dos leitores do Blitz. E perceber que a procura de bilhetes está a ser muito boa.
Assim, o CCVF está a preparar uma CEC2012 mais abrangente. É também (sobretudo, defendo eu) para a geração mais jovem que a CEC deve estar voltada. Guimarães é um concelho jovem, inserido numa das mais jovens Euro-Regiões. E tem que saber potenciar esse facto. Este é, resumindo, uma boa aposta.

Não concordo, por isso, com a crítica implícita do Spicka. O festival “tinha” que ser pago. Antes de mais por motivos logísticos: era necessário controlar a afluência de público. Depois porque, imagina-se, um cartaz com esta qualidade tem um preço alto. E convenhamos, os bilhetes são baratos (a título de exemplo, The National no Coliseu de Lisboa, custavam o dobro do que custam aqui).
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Há jornalismo desportivo?

Não vou comentar a decisão da UEFA. O Porto merece estar na Champions porque foi campeão e ao Vitória ninguém tira a pré-eliminatória. O resto é um mero atropelo de uma instituição que é tudo menos democrática.

Já o jornalismo d' O Jogo dá espaço a críticas. Este artigo parece mais um post de um qualquer blog portista do que uma notícia escrita por um jornalista minimamente formado. É por essas que a credibilidade da profissão se afunda. E cada vez apetece perguntar com mais força: salvo algumas honrosas excepções, há jornalismo nos jornais desportivos nacionais?
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Programar em rede

A Cultura volta e meia inventa neologismos. E há alguns que têm a singularidade de não quererem dizer absolutamente nada, ou muito pouco. Como formação de públicos. Ou programar em rede.


Com a rede de cine-teatros existentes no país, era suposto que a articulação entre os equipamentos permitisse levar os espectáculos a locais diferentes. Mas, aquilo a que assistimos, é uma política da paróquia, em que as casas tendem a virar costas a propostas como esta. Por diversas razões – algumas puramente político-partidárias.


Um pequeno exemplo: o magnífico último trabalho do Teatro Oficina merece ser visto. E há em Braga quem o queira ver, pelo que se justificava “um salto” ao Theatro Circo. As críticas que ouvi à última produção da Companhia de Teatro de Braga também são positivas. E uma data no CCVF era um bom “pagamento”. Mas, apesar de cada um dos espectáculos ir percorrer o país, duvido que isso aconteça. Perde o público…
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A novidade e o simbólico

No debate sobre a cultura em Vila do Conde, Paulo Brandão, director do Theatro Circo alertava para a necessidade de não esquecer as salas de espectáculos mais pequenas quando surgem as novas casas de cultura de uma cidade. Há um valor simbólico que a novidade transporta que dá um ascendente ao que é novo, diz Brandão.
Lembrei-me do excelente Espaço Oficina. O que é feito dele desde que o CCVF abriu?
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Realidades culturais

Compromissos profissionais levaram-me, na quinta-feira, a um debate, à margem do festival de Curtas de Vila do Conde, em que se discutiu a cultura local. Um debate inédito, como sublinhou valter hugo mãe, e que foi lançado por um artigo da Inês Nadais no suplemento ipsilon do Público, da semana passada.
No texto passava a imagem de que Vila do Conde era um deserto cultural, em que um evento como o Curtas era “um OVNI”. Vai daí e as estruturas profissionais da cultura vila-condense juntaram-se para fazer passar a mensagem contrária: há vida para além do Curtas. A atitude é muito ao jeito vimaranense: quando nos pisam, juntamo-nos, porque há um orgulho bairrista a defender.

Mas terminam aqui as parecenças com Vila do Conde. Apesar dos lamentos de algumas das figuras da cultura local, a cidade costeira não está mal servida no que à cultura diz respeito. Há obviamente um extraterrestre como o Curtas. Mas é um extraterrestre porque é evento internacional, com um impacto muito maior que o tamanho da cidade.

Mas há cultura além do Curtas. Há uma escola de Novo Circo, a Corda-Bamba, o Teatro Formas Animadas, dedicado às marionetas, e o Circular, um festival de artes performativas. E há a Solar, a única galeria cinematográfica do país.

Vila do Conde é, além disso, uma terra de excelentes criadores. valter hugo mãe, um dos melhores escritores nacionais da nova geração, o fotografo Nelson D’Aires (premio... ), e os irmãos Praça (ex-Turbo Junkie e Plaza). Mérito obviamente da actividade cultural existente. Mas também, é fácil percebe-lo, da proximidade do Porto.

Em comum com Guimarães uma coisa: sobrevivem todos com subsídios da autarquia.
Mas há, pelo menos, uma oferta mais diversificada, que não se esgota nas mesmas caras, nos mesmos protagonistas e nos mesmos espaços.
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Apostar nos comboios

O governo anunciou um plano ambicioso para os transportes ferroviários. A aposta é inteligente e só chega fora de horas (foi preciso o colapso dos combustíveis fósseis para acordarem para o óbvio). Mas é, mesmo assim, um esforço positivo do governo, que junta ao imperioso investimento no TGV (especialmente o das ligações nacionais) a uma aposta numa rede de “estradas e IC’s complementares às auto-estradas dos comboios”, como ilustrou ontem, em Braga, a secretária de Estado dos transportes.

Além da modernização fundamental em alguns traçados (destaco a variante da Trofa e a linha da Beira), haverá linhas novas a serem construídas em Portugal. Lisboa-Malveira e Caldas-Santarém são projectos para serem concretizados nos próximos anos, o que não acontecia há décadas em Portugal.

Mas será este anúncio suficiente para reclamar pelo ressurgimento do “primado do caminho-de-ferro em Portugal”? É que, por exemplo, a necessária requalificação de alguns troços que envergonham a Linha do Norte, está fora do documento.
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o número












29862

Sagrada Famiglia
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Let's MuB


Os vizinhos têm um pequeno grande festival a dar os primeiros passos. Começa amanhã e chama-se MuB. É um festival temático, rendido ao pós-rock e que tem como palco inusitado o museu arqueológico D. Diogo de Sousa. Tem congruência nas escolhas e um cartaz onde me saltam à vista dos nacionais The All Star Project e Zany Dislexic Band, mas, acima de tudo, os austríacos Your Ten Mofo, quer fecham a noite de amanhã, e, no domingo, os magníficos iLiKETRAiNS.

Vou dar lá um salto. Se aceitarem o conselho, passem também por lá. É pertinho. E ainda por cima é baratinho.
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Addiction 2.0

O blog tem andado parado por falta de tempo livre. Mas com um fim-de-semana de folga dupla, dei um salto a Vila do Conde para participar novamente no VideoRun, a maratona de cinema do festival de curtas-metragens.
Em 48 horas e com o pecado como tema, eu, o João, o Rui, o Hugo, o Gil e a Sílvia fizemos um filme. Três minutos. O resultado foi este.