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É disto que o meu povo gosta

A petição lançada pelo Avenida Central e pelo Vimaranes está a ser um sucesso em termos de adesão. Compreende-se que a exposição mediática não seja tão grande quanto o número de subscritores: no fundo o documento, dirigindo-se à RTP, põe em causa os critérios de todos os jornalistas.

O sucesso da petição é inquestionável. O que é trágico, no meio disto tudo, é que a adesão em massa seja feita às custas do futebol. A petição só está a ser o fenómeno a que temos assistido porque mete bola.

Ninguém viu os bracarenses a mobilizarem-se em torno da exigência da organização do S. João de uma maior cobertura do evento. Nem aos vimaranenses se lhes notou grande preocupação com a ausência de exposição mediática das Gualterianas e das Nicolinas. Muito menos questionamos que o acontece por cá chegue tão poucas vezes às televisões, rádios e jornais.

Durante anos levamos com o túnel do Marquês de manhã à noite. Nos últimos tempos foi o incêndio na Avenida da Liberdade que se converteu em acontecimento nacional. Isto sem que muitos de nós soubessem sequer situar no espaço cada uma das notícias. E, pelo contrário, para vermos as nossas cidades ou a nossa vida política na televisão é necessário que haja borrasca ou um qualquer acontecimento sobrenatural de província.

Serve isto para dizer, sem tirar nenhum mérito à iniciativa do Pedro e do Carlos, que também nós temos os nossos critérios e as nossas prioridades. E são, infelizmente, o futebol. Se esta mobilização de cidadania que tem corrido a Net nos últimos dias à custa da petição pró-bola surgisse noutro âmbito, este não seria o país em que poucos motivos de orgulho encontramos.

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Manta: Liars

Liars: Manta, CCVF, 22h00.

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Desporto para todos na RTP

A petição lançada pelos blogues Avenida Central e Vimaranes faz todo o sentido. Pela pertinência e justeza dos seus pressupostos e pelo acerto das exigências.
O sucesso que está a ter (em menos de um dia já conta com mais de 450 assinaturas) abre portas à exigência de uma resposta por parte da RTP, que constantemente se nega a prestar esclarecimentos sobre o uso que faz do financiamento que todos nós lhe entregamos.
A petição, que inteiramente apoio, pode ser subscrita aqui.
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Saltar na Manta

Já o disse: O Centro Cultural de Vila Flor está a dar passos firmes para afirmar a sua programação. O festival Manta é um dos pilares do excelente trabalho que tem sido feito este ano.

Pelo primeira vez, Guimarães entra no circuito dos festivais de música. É certo, este é um festival diferente. Mas tem um excelente cartaz. Juntar The National e Liars no mesmo palco é obra. Rinocerouse são também um boa banda. E a sonoridade que marca o festival é aquela que há muito defendo deve também passar pelo CCVF. E se, pelo tamanho e pelas características da sala, é difícil trazer algumas bandas na programação regular, a Manta é o local certo para contornar essa lógica.

O CCVF aproveita assim uma das mais-valias que tem face a outros espaços do género: os magníficos jardins e um espaço ao ar livre. E fá-lo mostrando-se a um novo público, habitualmente não abrangido pela programação do centro cultural. Bastou ler as reacções entusiásticas dos leitores do Blitz. E perceber que a procura de bilhetes está a ser muito boa.
Assim, o CCVF está a preparar uma CEC2012 mais abrangente. É também (sobretudo, defendo eu) para a geração mais jovem que a CEC deve estar voltada. Guimarães é um concelho jovem, inserido numa das mais jovens Euro-Regiões. E tem que saber potenciar esse facto. Este é, resumindo, uma boa aposta.

Não concordo, por isso, com a crítica implícita do Spicka. O festival “tinha” que ser pago. Antes de mais por motivos logísticos: era necessário controlar a afluência de público. Depois porque, imagina-se, um cartaz com esta qualidade tem um preço alto. E convenhamos, os bilhetes são baratos (a título de exemplo, The National no Coliseu de Lisboa, custavam o dobro do que custam aqui).
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Há jornalismo desportivo?

Não vou comentar a decisão da UEFA. O Porto merece estar na Champions porque foi campeão e ao Vitória ninguém tira a pré-eliminatória. O resto é um mero atropelo de uma instituição que é tudo menos democrática.

Já o jornalismo d' O Jogo dá espaço a críticas. Este artigo parece mais um post de um qualquer blog portista do que uma notícia escrita por um jornalista minimamente formado. É por essas que a credibilidade da profissão se afunda. E cada vez apetece perguntar com mais força: salvo algumas honrosas excepções, há jornalismo nos jornais desportivos nacionais?
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Programar em rede

A Cultura volta e meia inventa neologismos. E há alguns que têm a singularidade de não quererem dizer absolutamente nada, ou muito pouco. Como formação de públicos. Ou programar em rede.


Com a rede de cine-teatros existentes no país, era suposto que a articulação entre os equipamentos permitisse levar os espectáculos a locais diferentes. Mas, aquilo a que assistimos, é uma política da paróquia, em que as casas tendem a virar costas a propostas como esta. Por diversas razões – algumas puramente político-partidárias.


Um pequeno exemplo: o magnífico último trabalho do Teatro Oficina merece ser visto. E há em Braga quem o queira ver, pelo que se justificava “um salto” ao Theatro Circo. As críticas que ouvi à última produção da Companhia de Teatro de Braga também são positivas. E uma data no CCVF era um bom “pagamento”. Mas, apesar de cada um dos espectáculos ir percorrer o país, duvido que isso aconteça. Perde o público…
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A novidade e o simbólico

No debate sobre a cultura em Vila do Conde, Paulo Brandão, director do Theatro Circo alertava para a necessidade de não esquecer as salas de espectáculos mais pequenas quando surgem as novas casas de cultura de uma cidade. Há um valor simbólico que a novidade transporta que dá um ascendente ao que é novo, diz Brandão.
Lembrei-me do excelente Espaço Oficina. O que é feito dele desde que o CCVF abriu?
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Realidades culturais

Compromissos profissionais levaram-me, na quinta-feira, a um debate, à margem do festival de Curtas de Vila do Conde, em que se discutiu a cultura local. Um debate inédito, como sublinhou valter hugo mãe, e que foi lançado por um artigo da Inês Nadais no suplemento ipsilon do Público, da semana passada.
No texto passava a imagem de que Vila do Conde era um deserto cultural, em que um evento como o Curtas era “um OVNI”. Vai daí e as estruturas profissionais da cultura vila-condense juntaram-se para fazer passar a mensagem contrária: há vida para além do Curtas. A atitude é muito ao jeito vimaranense: quando nos pisam, juntamo-nos, porque há um orgulho bairrista a defender.

Mas terminam aqui as parecenças com Vila do Conde. Apesar dos lamentos de algumas das figuras da cultura local, a cidade costeira não está mal servida no que à cultura diz respeito. Há obviamente um extraterrestre como o Curtas. Mas é um extraterrestre porque é evento internacional, com um impacto muito maior que o tamanho da cidade.

Mas há cultura além do Curtas. Há uma escola de Novo Circo, a Corda-Bamba, o Teatro Formas Animadas, dedicado às marionetas, e o Circular, um festival de artes performativas. E há a Solar, a única galeria cinematográfica do país.

Vila do Conde é, além disso, uma terra de excelentes criadores. valter hugo mãe, um dos melhores escritores nacionais da nova geração, o fotografo Nelson D’Aires (premio... ), e os irmãos Praça (ex-Turbo Junkie e Plaza). Mérito obviamente da actividade cultural existente. Mas também, é fácil percebe-lo, da proximidade do Porto.

Em comum com Guimarães uma coisa: sobrevivem todos com subsídios da autarquia.
Mas há, pelo menos, uma oferta mais diversificada, que não se esgota nas mesmas caras, nos mesmos protagonistas e nos mesmos espaços.
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Apostar nos comboios

O governo anunciou um plano ambicioso para os transportes ferroviários. A aposta é inteligente e só chega fora de horas (foi preciso o colapso dos combustíveis fósseis para acordarem para o óbvio). Mas é, mesmo assim, um esforço positivo do governo, que junta ao imperioso investimento no TGV (especialmente o das ligações nacionais) a uma aposta numa rede de “estradas e IC’s complementares às auto-estradas dos comboios”, como ilustrou ontem, em Braga, a secretária de Estado dos transportes.

Além da modernização fundamental em alguns traçados (destaco a variante da Trofa e a linha da Beira), haverá linhas novas a serem construídas em Portugal. Lisboa-Malveira e Caldas-Santarém são projectos para serem concretizados nos próximos anos, o que não acontecia há décadas em Portugal.

Mas será este anúncio suficiente para reclamar pelo ressurgimento do “primado do caminho-de-ferro em Portugal”? É que, por exemplo, a necessária requalificação de alguns troços que envergonham a Linha do Norte, está fora do documento.
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o número












29862

Sagrada Famiglia
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Let's MuB


Os vizinhos têm um pequeno grande festival a dar os primeiros passos. Começa amanhã e chama-se MuB. É um festival temático, rendido ao pós-rock e que tem como palco inusitado o museu arqueológico D. Diogo de Sousa. Tem congruência nas escolhas e um cartaz onde me saltam à vista dos nacionais The All Star Project e Zany Dislexic Band, mas, acima de tudo, os austríacos Your Ten Mofo, quer fecham a noite de amanhã, e, no domingo, os magníficos iLiKETRAiNS.

Vou dar lá um salto. Se aceitarem o conselho, passem também por lá. É pertinho. E ainda por cima é baratinho.
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Addiction 2.0

O blog tem andado parado por falta de tempo livre. Mas com um fim-de-semana de folga dupla, dei um salto a Vila do Conde para participar novamente no VideoRun, a maratona de cinema do festival de curtas-metragens.
Em 48 horas e com o pecado como tema, eu, o João, o Rui, o Hugo, o Gil e a Sílvia fizemos um filme. Três minutos. O resultado foi este.
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Na nossa Centésima

O escritor e músico Rui Manuel Amaral vai estar na Centésima Página do Centro de Artes e Espectáculos São Mamede no próximo dia 12. O mote é a apresentação do livro Caravana. A sessão está marcada para as 18h00 e contará com aspresenças de Pedro Pombo, sociólogo, ex- comissário da Porto 2001 Capital Europeia da Cultura, e Nuno Corvacho, jornalista e actual colaborador da revista Ler.

Caravana é primeiro livro de Rui Amaral, coordenador literário da revista Águas Furtadas, blogger do Dias Felizes e baterista dos The Jills.
Mais informação aqui.
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Tragédia é não ver

Apostar em Will Eno é um arrojo. Mas conseguir ter 50 pessoas no auditório do CCVF no penúltimo dia de exibição (na passada quinta-feira) prova que a aposta valeu a pena e foi acertada. A nova produção do Teatro Oficina Tragédia: Uma tragédia é uma obra magnífica.

O texto é poderoso, denso e cheio de camadas que nos permitem lê-lo uma outra vez e encontrar sempre abordagens diferentes. Há silêncios, ruídos, desespero e uma forte crítica ao jornalismo televisivo. E à sociedade que o cria (ou por ele é criada?). E há mais do que isso: há de facto muitas camadas. (E há Goffman, esse maldito.)

Depois há um cenário bem conseguido; Cinco excelentes actores e uma encenação certeira. E há um novo Teatro Oficina que quer crescer, aproveitar as condições de excepção do CCVF e assumir-se no panorama nacional.


As propostas de Marcos Barbosa deixam água na boca. Os autores e os próximos textos que o TO vai levar à cena são boas apostas. Assim se constrói 2012.


Vale a pena ler o que Casimiro Silva escreve sobre a peça. Como também vale a pena ler o que Inês Nadais escreveu no Ipsilon, do Público de sexta-feira.
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24 de Junho Naional: Faz todo o sentido

Não vou ligar o "achómetro" que tem sido o instrumento mais utilizado na discussão em torno da oportuna e inteligente iniciativa da JSD de promover um abaixo-assinado a exigir que o 24 de Junho, Dia Um de Portugal, seja elevado a feriado nacional e a Dia de Portugal. Vou antes linkar para quem sabe da matéria.

António Amaro das Neves assina um texto excelente sobre o tema no Araduca. E cita o maior historiador português da Idade Média para sustentar a sua tese. O argumento contra tem base em quê, afinal?
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Começou o benfiquismo...

A ideia é a coisa chamar-se 15 minutos à Vitória. A ligação ao Benfica é doentia. E alguém se esqueceu que 15m significa 15 metros. Vamos lá saltar em comprimento.
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Rufus



Este senhor vai estar esta noite aqui ao lado. O concerto começa às 22h00 e já tem a Casa das Artes de Famalicão esgotada. Amanhã há segunda dose.
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O Vitória é dos vitorianos... e dos mercenários também

A confirmação, na AG de ontem à noite, da contratação de José Marinho como director de comunicação do Vitória é mais uma machadada no projecto da direcção de Emílio Macedo da Silva.

"Milo" proclamou um Vitória dos vitorianos, promove o conceito de "Família" e as virtudes da identificação dos vitorianos com o seu clube. Começou mal a escolher a direcção, mas o problema resolveu-se por si próprio. Depois veio chegou um responsável para o futebol que está longe de ser vitoriano. Agora contrata o "poeta da bola" ou o novo Gabriel Alves, conforme preferirem.

José Marinho é uma das mais divertidas personagens do universo futebolístico nacional. Autor de alguns dos mais inverosímeis trocadilhos nos comentários de uma partida de futebol. E autor, por exemplo, do livro em que José Veiga explica como fez o Benfica campeão. Entre outras "pérolas" que atestam o seu benfiquismo.

Ora, se há coisa que distingue o Vitória é a identificação com o clube. A forma como quem está dentro dele encarna a mística que distingue um dos maiores emblemas nacionais. A José Marinho não se conhece nenhum ligação a Guimarães e ao Vitória. Mais: o que se conhece são ligações escuras ao mundos dos empresários de futebol. E, segundo foi público, Marinho até se tentou oferecer antes ao Braga e ao Leiria, a ver se conseguia um emprego, depois de ter saído da SportTV. Ninguém o quis, a não ser a direcção do Vitória.

A contratação de José Marinho pode, no entanto, significar algo de bom: O Vitória acordou finalmente para a importância da comunicação no mercado futebolístico. Fazer passar a mensagem do clube tanto para dentro como para fora da "Famiglia". Já era tempo...
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Ressaca

1 - Portugal foi hoje justamente eliminado do Euro 2008. A exibição de Portugal neste jogo foi demasiado vazia de qualidade para justificar sequer o prolongamento. A desilusão é enorme, mas nem a arbitragem manhosa ajuda a justificar a prestação nacional.

2 - Desde que Scolaria assumiu o acordo com o Chelsea, Portugal nunca mais ganhou. Coindicência ou consequência? Ninguém sabe. Mas o facto é incontonável.

3 - Se Scolari nao fosse para o Chelsea de livre vontade, o melhor era corrê-lo. A prestação portuguesa no Euro 2008 é miserável. Os quartos-de-final são demasiado pouco para esta equipa.


4 - Pinto da Costa deve ser o próximo presidente da Federação Portuguesa de Futebol. O homem deu a volta aos regulamentos da UEFA e recolocou o FC Porto na Champions do próximo ano com base em argumentos pouco convicentes. Já Gilberto Madaíl, tem lugar num dos órgãos do organismo, mas não consegue ter peso ou poder suficiente para impedir que Portugal seja escandalosamente penalizado pelas arbitragens neste Euro. Depois do jogo da Suiça em que comemos e calamos, o jogo de hoje com a Alemanha voltou a ter uma arbitragem ardilosa e co-responsável pela derrota.

5 - Tal como tinha dito ontem, a UEFA é uma Máfia. Schweinsteiger devia estar castigado e foi o melhor em campo. Por acto semelhante, Demirel, turco, levou dois jogos de castigo. O alemão apenas um. O alemão foi, não por acaso, o melhor em campo... A juntar a isso, houve um árbitro que teve um critério que favoreceu a Alemanha de forma clara.

6 - Acabou-se a euforia. O País segue dentro de momentos...
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Guimarães patriota

"Na tarde de 18 de Junho de 1808, com Junot a governar Portugal a partir de Lisboa e o famigerado General Loison, o Maneta, a ameaçar por perto, o povo de Guimarães levantou-se e ergueu a sua voz aclamando o Príncipe Regente D. João, futuro rei D. João VI."

Para assinalar esta data e os actos heróicos que se lhe seguiram, a Sociedade Martins Sarmento organizou uma exposição comemorativa sob o título O Tempo Tão Suspirado. A inauguração terá lugar hoje, pelas 17h30.

O catálogo da exposição inclui, entre outros textos, a transcrição integral de uma pequena obra, muito rara, publicada naquele mesmo ano de 1808, a Relação do que se praticou em Guimarães, em aplauso da feliz restauração deste reino.