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Ainda os 5 projectos para Guimarães

Há quase um mês foram apresentados os Cinco Projectos para Guimarães e continuam a ser o facto que marca a agenda vimaranense. Na blogsfera, nas discussões políticas ou nas conversas dos cidadãos. É bom sinal! A nova cidade vai ser discutida por todos e o que daqui surgir vai ser “nosso”. E isto diz muito aos vimaranenses.

António Magalhães, presidente da câmara, anunciou que serão necessários 40 milhões de euros para por tornar todos estes projectos realidade. Dinheiro que a autarquia não tem, pelo que será necessário aguardar pelas dotações financeiras que Estado e União Europeia poderão reservar para Guimarães.

E isso vai depender da forma como os governantes centrais analisarem a pertinência dos projectos. Daí que seja necessária a mesma inteligência de negociação e de lobying que colocou Guimarães na rota da Capital da Cultura ou da cimeira europeia no Multiusos.

No entanto, o que, à partida, me parece claro é que parte dos projectos são para “deixar cair”. Porque a câmara necessita de financiamento que pode não vir a ter. E há projectos cuja pertinência é difícil de justificar, como o do lago natural na Veiga. E nessa altura a autarquia terá que fazer escolhas – ou esperar que Portugal e a Europa decidam por Guimarães?

A análise que fiz dos “Cinco projectos para Guimarães” vai ser enviada à autarquia através do serviço disponibilizado no sítio do Município.

post scriptum – é curioso: as ideias vertidas em algumas destas iniciativas eram avançadas, há uns largos anos, para um dos maiores erros cometidos na cidade, o Campo das Hortas. A Feira esteve projectada para se instalar aqui, o parque aquático também chegou a circular como uma possibilidade, mas, no fim de contas, as Hortas tornaram-se um mero parque de estacionamento – que curiosamente raramente está lotado –, com uma envolvente que, durante anos, tornou o espaço foco de marginalidade. Seria bom não voltarmos a cometer erros.

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5 projectos: as reacções (V)

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O que eu queria ter em Guimarães

O Estaleiro cultural Velha-a-Branca faz três anos.

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5 projectos: as reacções (IV)

'Órgãos Municipais deveriam ter sido informados primeiro'

Magalhães responde à crítica do PSD e avança com opiniões da Internet

Notícias de Guimarães, 12/10/07
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Brincar às universidades

A reitoria da Universidade do Minho tem lamentado as dificuldades que sente em virtude dos cortes sofridos no seu financiamento. Há investimentos que ficam por fazer, propinas máximas cobradas, bibliotecas fechadas e professores despedidos – ainda que o facto seja negado por um subterfúgio legal. Mas na UM parece sobrar dinheiro para construir um campo de golfe.

O ComUM conta hoje que o espaço, instalado nos terrenos do campus de Azurém, em Guimarães, será inaugurado no próximo dia 13, por alunos da Universidade do Porto – ainda por cima!

Aliás, o jornal on-line dos estudantes minhotos já tinha levantado a questão em Novembro do ano passado, quando o projecto tinha sido anunciado no órgão oficial dos Serviços de Acção Social da UM (SASUM). Confesso que todo este tempo volvido e sem novidades sobre o campo de golfe tinha a sincera esperança que a estapafúrdia ideia tivesse sido abandonada. Pelos vistos, bom senso é coisa que não abunda do lado de quem manda na universidade.

Como alguém dizia no Universidade Alternativa, de Cadima Ribeiro, em Abril último: "é quase obsceno gastar dinheiro num campo de treino de golfe quando ao mesmo tempo se fala em cortes de pessoal". O professor de Economia da UM acrescenta, em declarações ao ComUM, que "há vários outros projectos que mais depressa justificariam o dispêndio daquele volume de recursos".

Carlos Silva, o todo-poderoso director dos Serviços de Acção Social da UM furta-se a comentar a notícia, mantendo os tiques já bem conhecidos em alguém que gere um dos mais importantes – porque democrático – instrumentos da Academia, como se da sua quinta privada se tratasse.

O senhor da foto é mesmo o director dos SASUM

Edição - 11/10/07: 12.41: Fiquei agora a saber que a coisa custou 88 mil euros. Quanto custa manter aberta esta biblioteca?
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5 projectos: as reacções (III)

Paulo Lopes, Abertamente Falando
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CEC 2012: Um ano depois

O anúncio de Guimarães como Capital Europeia da Cultura em 2012 aconteceu há um ano.

365 dias depois há poucas novidades sobre o projecto que Guimarães e Portugal querem implementar. Ainda há tempo, mas nós vimaranenses costumamos ser impacientes quando se trata de definir o futuro.

Já se conhecem projectos de intervenção na cidade que tentarão aproveitar a Capital da Cultura para modernizar Guimarães e lhe dar uma face contemporânea. Mas faltam definir as áreas da cultura que vamos querer abarcar, ou pelo menos priveligiar. Falta, no fundo, saber o rumo que a coisa pode tomar.

Entretanto, a autarquia faz um balanço positivo da fase de ascultação de possíveis parceiros. Num ano realizaram-se 33 reuniões, envolvendo 162 entidades e 288 pessoas e foram recebidos 30 contributos individuais em papel ou pela Internet.
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5 projectos: as reacções (II)

Tal como um leitor dava conta aqui nem todos os vimaranenses estão contra o fim das árvores no Toural. António Amaro das Neves diz a proprósito da questão:

"O Toural tem muitos séculos, mas só teve árvores durante pouco mais de cem anos, que, à medida que foram crescendo e alargando os seus troncos e copas, ajudaram a diminuir a percepção da grandiosidade daquele espaço. Sou da opinião de que as árvores do Toural estão a mais. Se forem removidas, voltando a tornar desafogada o que já foi amplo, a praça ganhará uma outra grandeza e dignidade. Aliás, os próprios moradores já assim pensavam em 1929, o que os levou a pedirem à Câmara, sem sucesso, que mandasse retirar as árvores."

A opinião do historiador pode ser lida na íntegra aqui.
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Moment of glory?

O Multiusos está mesmo na rota dos grandes eventos. O último nome anunciado é o dos Scorpions. A veterana banda rock alemã passa por Guimarães a 6 de Dezembro, num concerto com entradas a preços quase proibitivos: 30 a 40 euos.

Não é uma das minhas bandas favoritas - pelo contrário. Mas são um nome histórico do rock mundial, com imensos fãs em Portgual. Só por isso é de destacar o agendamento de um concerto destas características para Guimarães - há quanto tempo não tínhamos um concerto internacional por cá?

Gostava de ver esta dinâmica a manter-se nos próximos tempos.

A Tempo Livre anuncia também, no seu site, um treino de captação de rugby a ter lugar no próximo dia 20, no relvado da pista de atletismo Gémeos Castro. A iniciativa "poderá originar a criação de uma Escolinha de Rugby em Guimarães". Uma ideia inteligente, sem dúvida, aproveitando a força mediática que a modalidade ganhou em virtude da participação no Mundial. Ensaio!
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5 projectos: as reacções (I)

Depois de terem feito uma cobertura que, genericamente, foi boa, da apresentação dos "5 projectos para Guimarães", os jornais vimaranenses parecem decididos a não deixar passar a oportunidade de os discutir.


A capa do Comércio de Guimarães, que reproduzo abaixo e que pode ser consultada aqui, parece indicar que a comunicação social local vai dar voz aos vimaranenses na hora de discutir o futuro da sua cidade. O facto saúda-se e o Colina Sagrada vai tentar acompanhar essas reacções, fazendo ao mesmo tempo a sua própria discussão.


"Vimaranenses qurem árvores no Toural"

(Comércio de Guimarães, 10/10/07)

Edição - 00.44 - 11/10/07: Câmara admite colocar árvores no Toural no novo projecto


As outras reacções:

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Guimarães recebe novos alunos da UM


Guimarães volta a ser o palco da Recepção ao Caloiro da Universidade do Minho. Desde a noite de ontem - o Largo da Oliveira recebeu a serenata - que Guimarães se transforma na capital do acolhimento aos novos alunos da UM.

As festividades prosseguem esta noite com a primeira noite de concertos no Multiusos e tem amanhã o ponto alto, com a Latada que percorrerá as ruas da cidades, desde a Avenida D. Afonso Henriques ao Castelo.

Esta é uma das poucas alturas do ano em que os vimaranenses sentem realmente que têm uma univerisdade dentro de portas. Um dos poucos dias em estudantes e população da cidade se misturam realmente. Mas sempre com sucesso. O que me faz crer que Guimarães, assim o quisesse podia ser, de facto, uma cidade universitária, e não apenas um cidade que tem um pólo universitário.

O cartaz da recepção ao caloiro deste ano é fraquinho - o que aliás não surpreende na actual liderança académica. Além do mais, o mote da festa académica de início de ano é um slogan lamentável e boçal: "Bais ber o que é bom para a tosse".
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Cajuda renova

Os desportivos de hoje anunciam que o treinador do Vitória, Manuel Cajuda, tem quase tudo acertado com a direcção vitoriana para renovar o vínculo que o liga ao clube. Decisão acertada da equipa liderada por Emílio Macedo da Silva.

Não sou um especial apreciador do estilo de Cajuda, e estou por isso ainda mais à vontade para lhe elogiar o trabalho fantástico que tem feito no Vitória. Pegou numa equipa "em cacos" na Liga Honra e transformou-a numa das mais temíveis da Superliga.

É mais do que justo, por isso, renovar o vínculo com o treinador mais amado em Guimarães desde Quinito.

Mais preocupantes são os rumores que dão conta da possibilidade de Geromel abandonar o clube no mercado de Inverno. Depois do erro que foram os dois anteriores negócios, pode ser duro perder um jovem central de qualidade por meia dúzia de tostões. É que, como diz um amigo, os euros em Sande devem valer um bocado mais do que na cidade...

Das notícias que a imprensa da especialidade publica hoje sobre o Vitória há uma que me chama a atenção mas não me surpreende. Lucas e Dinis, júniores com contrato profissional, foram chamados aos treinos da equipa sénior e Lucas até marcou um golo no treino de conjunto. Nada de novo, o miúdo de origem brasileira tem um pontencial fantástico e merece toda a sorte do mundo.
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Oportunidade para discutir a política municipal de juventude

Na última assembleia municipal o líder da JSD local questionou a câmara acerta da ausência de celebração do Dia mundial da juventude, que se assinala a 12 de Agosto.

António Magalhães respondeu que a câmara não se revê em dias mundiais. A mesma câmara que celebra o dia mundial do animal, o dia mundial da música, o dia do idoso, o dia da criança e o dia mundial do turismo

Contradições à parte, o desafio do líder da juventude “laranja” pode ser, acima de tudo, uma óptima oportunidade par discutir a política de juventude no município.

A autarquia trabalha bem junto das faixas etárias mais baixas, com iniciativas de mérito para as crianças e os adolescentes. Mas esquece os jovens. A verdade é que, por muito que o município o negue, não há uma única iniciativa vocacionada para a faixa etária que vai dos 18 aos 25 anos.

Há ainda que destacar que os equipamentos que estão directa ou indirectamente sob a alçada da autarquia não fazem uma programação vocacionada para esta faixa etária. A programação do CCVF é tudo menos “pop” – não é crítica, é facto. A cultura urbana não tem expressão na cidade, salvo raras excepções – que não têm mão da câmara. O Multiusos acolhe programação infantil, mas, excepção feita à Recepção ao Caloiro, não passa por lá uma única iniciativa para a juventude.

O Cybercentro é provavelmente o único equipamento cujo target é claramente a população jovem – ainda que não o seja exclusivamente. Isto porque a Pousada de Juventude não se destina aos jovens vimaranenses. E é para esses que uma politica de juventude a sério deve ser dirigida.

Além da ausência de um programa cultural que se preocupe com a juventude, faltam em Guimarães iniciativas que tragam benefícios aos jovens e que os motivem a manterem residência no concelho. Aliás, sou um particular defensor de iniciativas para atrair os jovens a habitar o centro da cidade, o que pode vir a ser outra interessante discussão a lançar aqui no blog.

O Paulo Lopes dá aqui um interessante contributo à discussão que os jovens vimaranenses querem fazer.

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ComUM 2.0

Um dos projectos em que me empenhei pessoalmente de forma mais afincada nos últimos anos está de regresso. Agora já sem a minha mão, mas com a qualidade que sempre lhe quisemos impôr, continuando a ser uma oficina de jornalismo onde possamos testar os ensinamentos que recebemos no melhor curso de Comunicação do país.

O ComUM volta com nova cara, uma clara aposta no Multmédia e entregue a boas cabeças da Academia do Minho. Continuem a descobrí-lo em www.comumonline.com.
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"Encosta-te a mim..."

O mestre Jorge Palma vem a Guimarães. Finalmente! É o nome que me falta para cumprir a "obrigação" de ver ao vivo todos os músicos nacionais que me maracaram 22 anos de vida.

Palma actua no próximo dia 17 de Novembro, no Multiusos de Guimarães, no evento que assinala o 6º aniversário daquele espaço. Depois de Cortés, a Tempo Livre consegue agendar mais um evento da qualidade que se exige ao Multiusos. Será que esta discussão deu frutos?

Jorge Palma é um histórico da música portuguesa. Só por isso vale a pena ir vê-lo. Mas está em grande forma como o prova o último "Voo nocturno" e o fabuloso single "Encosta-te a mim", que aqui fica.


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O mundo para onde vou

É neste mundo que eu me vou meter no mês que vem.

À medida que o tempo se aproxima tenho maiores dúvidas se é mesmo isto que quero para a minha vida. Nasci com um defeito: gosto de escrever. E ainda sou daqueles que pensam que a sua pena pode ter um efeito positivo – “ajudar a mudar o mundo”. Mas ando a pensar se vale mesmo a pena fazer tamanhos sacrifícios pela paixão que faço crescer desde os 16 anos...

Dica do amigo Hélder, companheiro das primeiras amarguras jornalísticas.

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Creixomil e Silvares

Conheça o projecto

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Fazer crescer a cidade. Guimarães mostra ambição de se tornar uma cidade maior, com sustentabilidade no seu crescimento. Integrar Creixomil e Silvares na cidade e projectar a absorção de Pevidém estabelecem claramente os caminhos do crescimento e afirmação da cidade.

A ideia de Silvares como porta da cidade começa a ganhar forma. Dinamizá-la e valorizá-la são soluções que me merecem elogios. O projecto de criação de um grande parque de lazer consubstancia aquilo que tem sido a aposta camarária na criação de espaços verdes que contribuem para a qualidade de vida em Guimarães. O projecto prevê que se dê visibilidade à ponte românica sobre o rio Selho (valorizar o património é o caminho) e cria uma horta pedagógica e um centro de sensibilização ambiental que são instrumentos valiosos para a formação de gerações e que podem ser potenciados turisticamente.

O projecto prevê ainda a construção futura de uma estrutura cultural – à boleia de 2012 – e de duas “torres balizadoras do grande acontecimento”. O futuro museu será uma das heranças que a Capital da Cultura deixará para o futuro, o que se saúda. Quanto às duas torres, salvaguardando o impacto visual que podem ter, podem ser aproveitadas para que a afirmação de Guimarães em termos arquitectónicos de faça não apenas pelo mérito da sua recuperação como pelo modernidade de futuras propostas.

A criação de um centro de negócios e de um hotel no espaço contíguo ao da Veiga demonstra mais uma vez que Guimarães não se quer ser apenas turismo. Além de abrir as portas para que eventos de grande dimensão continuem a ter lugar no concelho bem como para a atracção de investimentos.


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O exlibris do projecto para a Veiga de Creixomil é o grande lago de oito hectares. A ideia, diz-se, é aproveitar os cursos de água que passam pela Veiga. Mas entre esses cursos de água está o Selho – e dentro dele o Couros e a ribeira de Sta. Luzia – que são cursos de água altamente poluídos. Tal como disse acerca do CampUrbis, se a ideia é dar valor ao rio, há que recuperá-lo a montante. E nesse campo os últimos anos têm sido pouco mais do que negros – ás vezes literalmente.

Além do mais, numa altura em que o mundo vai discutindo aquilo que a falta de água pode significar no médio prazo para a sustentabilidade de algumas populações, olhar para a água como um meio de lazer e diversão puros é, no mínimo, incauto.

Por muito que se prometa que a Veiga vai mudar de face “sem sobressaltos” e que manterá a ideia de “horta da cidade”, a verdade é que a pressão urbana sobre aquele espaço tem que ser gerida “com pinças”. Criar equipamentos que vão inevitavelmente atrair muito mais gente e a possibilidade de, numa segunda fase, esses mesmos equipamentos servirem como motivação para uma posterior pressão imobiliária sobre aquela zona. Defender a Veiga dessa situação tem que ser uma preocupação primordial.

Fazer crescer a cidade para sul é a aposta da autarquia – com vantagens e desvantagens. Mas para isso será necessário renovar as ligações rodoviárias não só às freguesias que parecem cada vez mais próximas da integração na malha urbana – Creixomil, Silvares, mas também Pevidém –, bem como àquelas que ficarão nas imediações das novas fronteiras vimaranenses, particularmente às vilas. E essa melhoria das ligações viárias permitiria o mais que urgente reforço dos transportes públicos para estas localidades.

O projecto para Creixomil e Silvares contempla a possibilidade de extensão da linha de comboio e a construção de um mini metro naquele espaço. A ideia é boa, mas levanta mais dúvidas do que certezas. O mini metro parte de onde para onde? Olhando para o projecto parece haver o risco de se tornar uma espécie de “comboio panorâmico”. E para “elefantes brancos” chegou o teleférico aqui há uns anos.

Além disso, projectar a ligação ferroviária para a Veiga pode ser um erro político. A prioridade da ligação ferroviária tem que ser a ligação a Braga – a Universidade e a futura estação de Alta Velocidade na cidade vizinha são motivos de sobra para essa aposta. A menos que se queira chegar a Braga pelo lado de Brito e Ronfe – que chegou a ser um projecto nos inícios do século XX – mas essa opção excluía da ligação o campus da UM de Azurém e as Taipas (e o AvePark) que têm que ser prioritários.

A autarquia promete criar uma ciclovia de acesso à Veiga. Valerá a pena a aposta? É que Guimarães nunca foi capaz de valorizar devidamente a ciclovia que tem.

A autarquia permite-lhe deixar a sua opinião aqui.

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Antigo Mercado Municipal


Conheça o projecto

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Manter a fachada do antigo mercado, preservando assim uma das várias obras de Marques da Silva na cidade, é acertado. Como tenho dito em relação a outros projectos apresentados pela autarquia, manter a congruência da recuperação do património edificado tem tanto de óbvio como de acertado.

A edificação de um novo edifício museológico, a Casa da Memória, um museu apoiado nas tecnologias é o primeiro sinal de que pode haver vida na cultura vimaranense além de 2012. Ainda falta definir em concreto aquilo em que se tornará este “museu virtual”, mas o sinal dado é positivo.

Ao mesmo tempo, abrir a porta a uma colaboração estreita com a Sociedade Martins Sarmento – que até pode ter uma dimensão física – é justo, porque distingue o trabalho de excelência de uma das instituições mais importantes da região. Tal como no projecto do CampUrbis, a autarquia mostra estar atenta às mais-valias que tem dentro de portas.

A praça do antigo mercado será um novo espaço para a cidade. Um local onde o comércio e a cultura estarão integrados e que além do mais se apresenta como uma alternativa ao centro histórico nessas duas vertentes.

Ao mesmo tempo o projecto propõe que a ocupação não seja monocórdica, ou seja, por lá podem existir bares, restaurantes, lojas de flores e artesanato. Esta pode ser a melhor forma de garantir o sucesso de um novo espaço comercial.

Ao contrário do que propõem outros projectos agora apresentados, António Gradim quer manter as árvores existentes no antigo mercado como elemento importante da nova praça.

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Mais um projecto, mais um parque de estacionamento. Ainda que as memórias descritivas dos projectos vão dizendo que a autarquia pretende apostar no transporte colectivo, a verdade é que a tendência é de constante do transporte individual. E todos sabemos dos problemas que essa solução traz para o ambiente.

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CampUrbis


Conheça o projecto

O CampUrbis não é propriamente uma novidade. Em Julho do ano passado tinha sido anunciado e já nessa altura tinha deixado aqui a minha opinião sobre o assunto.

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Recuperar o antigo quarteirão industrial é uma ideia antiga. É, arrisco, uma ideia obvia. Tanto mais que a cidade fez da recuperação do seu quarteirão histórico habitacional o motor da sua afirmação. A associação com a Universidade do Minho é o motivo lógico para finalmente recuperar imóveis de valor arquitectónico e patrimonial inegáveis e cuja degradação era incoerente face à aposta na recuperação do património que levou Guimarães a ser reconhecida pela UNESCO.

Apostar na presença da Universidade é sinal de inteligência politica. A UM tem um prestígio internacional já amplamente reconhecido e tem sido sempre um parceiro importante na afirmação do concelho. Fazer boa política é aproveitar as mais-valias ao nosso dispor. E a Universidade do Minho é claramente a mais importante mais valia em que Guimarães pode apostar.

Tal como o no AvePark, a autarquia aposta na articulação com instituições académicas, centros de investigação e empresas de ponta para promover o desenvolvimento do concelho. Guimarães não pode ser só uma cidade terciarizada e de turismo. A ciência e tecnologia são dois vectores essenciais para um futuro risonho e a única salvação para o tecido industrial da região.

Investir em S. Sebastião. Das três freguesias que compunham o tradicional núcleo urbano de Guimarães, S. Sebastião foi o que menos investimentos recebeu ao longo dos últimos 20 anos. Recentemente o complexo multifuncional de Couros foi a primeira pedra de uma nova dinâmica que a autarquia pretende imprimir a esta freguesia. É nestas alturas que não percebo como há vilas a reclamarem mais investimentos, quando no centro da cidade tem havido freguesias com “orçamento zero” para a sua modernização.

Sinal –

O Rio de Couros apresenta-se como o eixo fundamental da intervenção que criará o CampUrbis. Este projecto, tal como o da Veiga de Creixomil e o seu gigantesco lago – do qual falarei num dos próximos dias – necessitam assim que o rio seja recuperado, para que deixe de ser não apenas um motivo de vergonha dos vimaranenses como um embaraço para os habitantes sempre que a chuva cai com mais intensidade. Estará a autarquia em posição de o poder prometer? É que a recuperação do Couros já era uma ambição quando do Euro 2004. E a realidade que vemos é de um esgoto público, pontualmente coberto a cimento.

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Nos primeiros dois dias de auscultação pública foram enviados à câmara mais de 40 opiniões sobre os cinco grandes projectos. A iniciativa está a mobilizar as pessoas de Guimarães – e de fora do concelho –, facto que se saúda.

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Feira semanal


Conheça o projecto

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Retirar a feira semanal do espaço envolvente ao Castelo. É um espectáculo vergonhoso aquele a que assistimos todas as sextas-feiras quando passamos pela colina sagrada. Centenas de feirantes, milhares de clientes, lixo aos quilos, e um cenário dantesco no final de cada feira. Além disso, o espaço mais nobre de todo o que constitui o Património histórico de Guimarães deteriora-se com este tipo de utilização intensiva. A feira no actual espaço provoca ainda constrangimentos ao trânsito e problemas as moradores da zona, que são de urgente resolução.

Fortalecer um novo pólo de crescimento urbano na zona baixa da cidade. O novo mercado foi o primeiro passo para renovar uma zona a que a cidade voltou as costas há muito tempo. Instalar a feira na mesma envolvente e com isso abrir as portas a uma re-urbanização de toda o espaço entre a Avenida D. Afonso Henriques e a Cruz de Pedra – agora praticamente mortos – é uma aposta acertada. Não faz sentido que a cidade cresça para fora dos seus actuais limites, quando dentro dela ainda existem “ponto negros” como este.

O projecto contempla a abertura de novas ruas que liguem o centro da cidade à zona baixa – que está mais próxima de locais privilegiados da cidade do que se possa pensar à partida – central de camionagem, estação ferroviária, etc, tudo a “dois passos”.

Além do mais, prevê-se a demolição de parte do actual casario, completamente degradado e sem valor arquitectónico, o que renova o espaço e vai permitir melhorar as condições de vida de quem nelas habita.

A própria feira e os feirantes e clientes saem beneficiados com a mudança. Condições de base e infra-estruturas que não existem na actual localização estão previstas no novo projecto.

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O novo mercado e a futura feira estão situados numa zona que neste momento está mal servida ao nível de acessos. Embora o projecto proponha novas ruas, que facilitarão o acesso pedonal e automóvel – e a zona até estará bem servida de parques de estacionamento – afigura-se de primordial importância reforçar o transporte público.

O espaço da feira será utilizado apenas uma vez por semana. Investir numa obra desta dimensão sem a rentabilizar convenientemente durante os outros 350 dias do ano é gerir mal a coisa pública. Guimarães terá que encontrar alternativas para a utilização do espaço que não passem por torná-lo num local de estacionamento nos restantes dias da semana. O espaço parece-me óptimo para alguns tipos de manifestações como feiras, concertos ou eventos desportivos urbanos.

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Toural e Alameda

Conheça o projecto

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Retirar o tráfego automóvel do centro da cidade. A opção só traz vantagens: a nível de vivência do espaço, de conservação dos edifícios e de impacto ambiental.

A intervenção prevista para a Alameda de S. Dâmaso renova um espaço nobre, de há uns anos a esta parte parado no tempo. O tipo de jardim público é quase uma relíquia, sem razão de ser nos dias de hoje e, por aquilo que o projecto dá a conhecer, a Alameda ganha dimensão, sem deixar de ser um jardim, facto que a torna um dos espaços de lazer mais frequentados da cidade.

Também o Toural necessita de uma intervenção que lhe renove a face e adapte o centro da cidade às exigências contemporâneas. A praça tem a mesma traça desde o início do século, com alterações pontuais. Nesse sentido, o mobiliário urbano e a configuração da praça estão ultrapassadas. Além disso, o nome de Lisboa desaparece do chão do Toural...

Criar soluções para o estacionamento perto do centro histórico pode beneficiar o turismo e o comércio local. Embora seja pessoalmente crítico do conceito de “levar o carro até à porta”, a autarquia responde a essa “exigência”. Só se estranha tal opção depois de se ter “vendido” a intervenção na Mumadona como solução para este mesmo problema.

Sinal –

O Toural do projecto agora apresentado é uma praça formatada, sem identidade e sem o carisma que marcam o centro da cidade de Guimarães. É inquestionável a necessidade de renovar o Toural, mas o projecto agora conhecido é tudo menos uma aposta no “reforço do carácter simbólico e identitário do Toural”.

O Toural projectado é igual a tantas outras praças, a começar pela Avenida Central, em Braga, que lhe parece servir de inspiração: túnel rodoviário, parque de estacionamento e praça granítica. Uma praça despida – sem árvores – e desamparada, que não inova, antes copia.

A fonte central do Toural, sem ser uma obra inspirada, é uma peça marcante da actual praça. Embora não tivesse cabimento mantê-la, a opção por um vulgar espelho de água também me parece um tiro ao lado. Uma peça escultórica arrojada podia ser a solução certeira para dar a dimensão cosmopolita que Guimarães exige para o seu centro.

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Vem aí uma revolução

A Câmara Municipal de Guimarães apresentou, na última quinta-feira, em sessão pública, cinco projectos para Guimarães. Com a Capital Europeia da Cultura em 2012 como grande horizonte para o desenvolvimento da cidade, a autarquia lançou as bases para uma revolução sem precedentes no Berço.

Parque urbano em Creixomil, Casa da Memória, parque de estacionamento no Toural, Campurbis e nova Feira Semanal são os projectos apresentados, lançados agora para discussão pública. A iniciativa tem valor por si só.

Transparência e apela à democracia participada são valores na base da apresentação dos projectos – com show-off comunicativo à mistura, é certo, mas disso também se faz a política nos dias de hoje. Abrir os projectos à discussão dos cidadãos, possibilitando-lhes a apresentação das suas opiniões através do sítio da autarquia é também uma decisão acertada, que só demonstra que há na câmara gente com visão – por algum motivo a autarquia estava bem posicionada no último estudo nacional sobre o e-governement.

Alguns dos projectos não são novos. O campurbis já foi anunciado há quase um ano, a Casa da Memória vem sendo ventilada como uma possibilidade desde que se sabe que Guimarães será CEC em 2012. Mas isso não tira mérito aos projectos em si, muito menos à iniciativa de os mostrar, em conjunto, à população.

De assinalar ainda que os vimaranenses deram uma lição de cidadania na quinta-feira. O auditório pequeno do CCVF estava lotado para assistir à apresentação do futuro da cidade e muitos foram os que ficaram do lado de fora da sala. Espero que tenham a mesma energia na discussão das propostas. A avaliar pelo constante “apagamento” do site do município desde que os projectos foram anunciados, imagino que o afluxo de visitantes tenha sido recorde.

Nos próximos cinco dias, Colina Sagrada vai debruçar-se sobre as opções apresentadas pela autarquia e tentar motivar a discussão sobre as obras que vão marcar o futuro da cidade.

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Amanhã no “Clube”

O “trio de bloggers”, programa do Clube Minho, do RCP, em que debato opiniões com Pedro Morgado e Vítor Pimenta vai para o ar novamente amanhã, entre as 12h00 e as 13h00. A frequência é 92.9.

Entre os temas abordados no programa desta semana estão a possível integração do Instituto Politécnico do Cavado e Ave na Universidade do Minho e os “5 projectos para mudar Guimarães” apresentados pela autarquia, especialmente a intervenção prevista para o Largo do Toural.

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Vão-se os anéis, ficam os dedos

Emílio Macedo da Silva, presidente do Vitória, quebra o silêncio e faz o balanço do primeiro meio ano de mandato, numa entrevista longa ao jornal oficial do clube.

“Milo” fala sem rodeios de alguns dos temas que marcaram a sua gestão e divulga, pela primeira vez, das vendas de Rabiola e Pelé.

1 milhão 920 mil euros foi a soma pela qual foram vendidos…ambos os atletas vitorianos. A equipa de Emílio Macedo tem muitos méritos – devolveu o Vitória à Superliga, construiu um plantel equilibrado a custo zero para este ano e tem, pelo que vou percebendo, um projecto sustentado para o clube. Mas falha rotundamente na gestão de activos.

Pessoalmente não considero Rabiola uma grande promessa, mas eu percebo tão pouco de futebol que era capaz de dizer que o Pelé era uma craque, quando ele nem convocado por Cajuda era. Devo perceber tão pouco como o bi-campeão italiano Mancini que quis comprar o miúdo por “tuta-e-meia” para o juntar a um plantel de estrelas, um dos melhores do mundo e candidato a ganhar todas as compeições que disputa.

Pelé valia, sozinho, dois milhões de euros. Rabiola, com o elan criado à sua volta e os seus 18 anos, tinha condições para render aos cofres do clube mais do que aquilo que o Porto pagou. E ainda por cima, Jorginho, que era outras das contrapartidas, acabou por não rumar a Guimarães – embora, a avaliar pelo jogo de ontem, também não esteja a jogar no Braga.

A título de exemplo, o Belenenses vendeu Dady ao Osasuna por 3,5 milhões de euros e Nivaldo ao St. Etiéne por 2 milhões. Ao todo, os de Lisboa lucraram 5,5 milhões, mais do que o valor do seu orçamento para a presente época.

Valorizar os activos do clube é o caminho mais inteligente para combater o problema do passivo, mas Emílio Macedo preferiu vender ao desbarato os jovens com valor que o Vitória tem. Além do mais, o clube faz a triste figura de um desesperado a quem a primeira proposta serve para vender os anéis mais preciosos.

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Eles metem-se num gueto e a culpa é do resto do mundo. Ridículo!
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o jogo

O estádio do Rei recebe esta noite o mais apaixonante de todos os 15 jogos da superliga que lá se jogam. O derby do Minho, entre Vitória e Braga, é um embate único. Estejam as duas equipas em que posição estiverem, o clássico – já o é – é uma partida daquelas que todos os atletas querem ganhar. Tanto mais que os adeptos assim o exigem.

E numa fase em que o Braga ganhou, por direito próprio, um lugar entre os maiores emblemas nacionais e o Vitória afirma que a breve treva já faz parte da história, o jogo tem certamente todos os ingredientes para ser um grande espectáculo.

O Vitória, mesmo sem jogar muito bem, está a fazer um bom início de época. E em caso de triunfo esta noite até ultrapassa os dois maiores clubes de Lisboa. Já o Braga está a decepcionar e Jorge Costa pode até jogar o seu futuro próximo na partida de logo.

A partir das 20h15 a bola começa a rolar. Depois, Fajardo resolve.

Dentro e fora das quatro linhas pede-se um espectáculo bonito, acima de tudo com fair-play. Especialmente numa altura em que o vitorianismo começa a atingir o limiar do fundamentalismo.
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Um trimestre que promete

Chego um pouco tarde à discussão, uma vez que a programação para o último trimestre do ano no Centro Cultural de Vila Flor já foi apresentada há uns dias. No entanto, não quero deixar passar em claro aquela que considero uma das melhores programações em dois anos de CCVF.

As críticas são ainda possíveis – nomeadamente porque Vila Flor continua a ser um espaço de mostra mais do que catalisador de produção –, mas a casa de espectáculos de Guimarães parece ter encontrado um rumo na sua programação. Falta ver-lhe a continuidade, em 2008.

O primeiro impacto aquando do contacto com a agenda do CCVF foi de grande excitação. Explico: o cartaz está recheado. E há qualidade e uma cada vez maior continuidade nas propostas – e é dessa coerência interna que se faz um cartaz de uma grande casa de espectáculos. E por cá vão passar nomes que me agradam particularmente.

Antes de mais, destaco o alargado âmbito das propostas. Desde as marionetas, ao teatro – e há uma nova produção da Oficina –, passando pelo regresso da ópera – a "Ópera dos Três Vinténs" é um marco da história – e do bailado. E claro, como Novembro está aí, vem com ele um dos grandes marcos da oferta cultural vimaranense, o Guimarães Jazz.

Fatia grande do cartaz faz-se de música. E há o fado de Aldina Duarte, os promissores 6PM, a estrela global Seu Jorge, além de dois dos nomes que andam normalmente pelo meu leitor de mp3: Paulo Praça e o enorme e sempre excelente Rodrigo Leão

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Boa ideia

A Zona de Turismo de Guimarães lançou um serviço de apoio aos visitantes da cidade que é, no mínimo, uma ideia com capacidade de triunfar: “uma visita ao Centro Histórico de Guimarães com um mapa onde estão sinalizados 12 pontos de relevante interesse turístico com conteúdos visuais, texto e áudio. Brevemente, estará também disponível o download gratuito da visita para formato PDA e Telemóvel”.

Depois dos audioguias – que pecam pelo excesso que é a caução a pagar pela sua utilização – a ZTG volta a inovar, com as tecnologias como suporte da sua estratégia.


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Cinco projectos para mudar Guimarães

A Câmara Municipal de Guimarães apresenta esta noite, em sessão pública, no CCVF, "cinco projectos que prometem mudar a cidade".

Parque urbano em Creixomil, Casa da Memória, parque de estacionamento no Toural, Campurbis e nova Feira Semanal serão hoje dados a conhecer, numa iniciativa de inquestionável valor. Este tipo de transparência na forma de gerir a coisa pública é assinalável e inédita - pelo menos entre nós.

O Presidente da Câmara afirma que a autarquia "pretende partilhar decisões com a comunidade", o que me parece um óptimo sinal para os dias conturbados que a democracia local vive por Portugal fora.

Sobre os projectos, prometo falar mais tarde, quando souber um pouco mais sobre eles. À partida, o Campurbis parece-me uma inteligente aposta na competência e prestígio da UM, ao mesmo tempo que se revitaliza uma zona degradada da malha urbana. Tenho, no entanto, as minhas dúvidas, quanto opção do parque de estacionamento no Toural.
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Repensar o turismo no Minho

O anunciado fim das regiões de Turismo do Minho e a sua integração numa única zona de Turismo para o Norte é mais uma machadada na afirmação nacional e europeia da região.

A estratégia da CCDRN condena a “marca Minho” a desaparecer no médio e longo prazos. A prioridade será assumidamente o Douro. E Guimarães, Braga, Ponte de Lima ou Viana não podem contentar-se com o papel de meros apêndices que suportem uma estratégia portocêntrica.

Mas o Minho é também vítima de si próprio. Uma região pequena espartilhada por três zonas de turismo e sem uma estratégia concertada e coerente para se promover num mercado competitivo como o europeu. E fê-lo ao ritmo de vontades tacanhas, estratégias de paróquia e falta de visão.

Braga, Viana e Guimarães não valem por si enquanto destino turístico, mas agindo como um todo coerente – que o são – têm todo o potencial para se afirmarem. E o Minho tem muito para promover, da história – onde Guimarães será indiscutivelmente a sua bandeira –, à gastronomia, arquitectura e mesmo o turismo religioso.

À Zona de Turismo de Guimarães ainda não lhe conheço posição sobre o tema. Mas habituado que estou a vê-la olhar mais depressa para o Porto do que para Braga ou Viana no que toca a parcerias de promoção, não estranharia que aplaudissem a decisão. O que seria um erro.

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A Taça da Liga já morreu

A forma como os ditos grandes olharam para a Taça da Liga como uma competição para fazervdescansar jogadores, condena, à 3ª eliminatória, a competição ao fracasso.
Um "Porto C" eliminado em Fátima e um Benfica a quem só um penalti oferecido possibilitou o apuramento foram os expoentes de uma noite de não-feutebol. Só o Sporting pareceu respeitar o Vitória, mas mesmo assim, jogou entre o lento e o lentinho para não cansar muito. Se a isto juntarmos a vergonhosa arbitragem da Reboleira, percebemos o cúmulo de descrédito que a nova competição atinge no seu ano de arranque.

ps - sem querer meter foice em seara alheia: Jorge Costa passará de Domingo ao leme do Braga?
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No "Clube" a partir de quarta-feira

A partir da próxima quarta-feira vão poder ouvir-me semanalmente num novo programa do Rádio Clube do Minho. Três bloggers da região são os convidados para discutir a actualidade e o futuro do Minho, durante uma hora, aos microfones da rádio.

Vou partilhar a mesa com o Pedro Morgado, do
Avenida Central e o Vítor Pimenta, do Mal Maior. Podem acompanhar o programa semanalmente, entre as 16h00 e as 17h00, todas as quartas-feiras, nos 92.9 fm do Rádio Clube.

Além do prazer com que embarco nesta aventura – a rádio é uma paixão de miúdo que nunca experimentei a sério e fugir aos espartilhos do jornalismo, podendo expressar sem constrangimentos as minhas opiniões é um escape necessário –, há uma coisa que queria destacar. A primeira é a importância que os meios de comunicação social tradicionais dão cada vez mais à blogosfera. A segunda é a forma como esse impacto começa a ter repercussões na sociedade. Os blogues começam a ter peso na determinação de algumas agendas e essa revolução só está agora a começar.
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"Como é bela a deusa do meu céu"

Um dos mais excitantes projectos que a música portuguesa ofereceu no último ano está esta noite em Guimarães. Os Mundo Cão constroem-se nas ruínas de uma das minhas bandas nacionais favoritas, os Mão Morta, contando com Miguel Pedro e Vasco Vaz e a inspiração poética inconfundível de Adolfo Luxúria Canibal nas suas letras. A eles juntam-se Gonçalo Budda dos também bracarenses Mundo Mau e Big Fat Mamma, e Pedro Laginha, actor, que colaborou com os Mão Morta em Nus – e o homem tem um carisma que promete dar que falar.

Vi-os em Paredes de Coura e recomendo vivamente que passem hoje pelo Centro Cultural de Vila Flor. Entretanto, fica aqui um aperitivo.

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Cortés no Multiusos

Finalmente não é um dos membros do clã Carreira a aparecer como cabeça-de-cartaz da programação do Multiusos de Guimarães para os próximos tempos. A Tempo Livre anunciou o espectáculo Mi Soledad de Joaquin Cortés para o dia 15 de Dezembro. É um (esperado e saudado) regresso dos grandes nomes ao Multiusos, depois de um ano de apagamento quase completo.

Cortés está para o bailado como Pavarotti estava para a ópera. O espanhol de Córdoba tornou pop a dança cigana e, goste-se ou não, é o nome mais mediático da área. E isso é, por si só, capaz de arrastar multidões e captar atenções sobre o espectáulo de Guimarães.

Pela negativa destaco o preço dos bilhetes. É que isto da cultura não pode ser para todos. E, no mínimo, quem quiser assitir ao espetáculo, vai pagar 25 euros, e vai vê-lo a pé, na galeria.
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D&B no túnel

São coisas destas que me enchem de esperança. A cultura em Guimarães não se faz apenas de iniciativas municipais ou subsidiadas. Há gente com arrojo para fazer festivais de música como o RiT ou o BRF. E com ideias fantásticas como a de fazer uma festa Drum & Bass num túnel rodoviário.

A Efeito Borboleta é quem está por trás do evento, e tem sido responsável por outras iniciativas do género – no cinema de S. Mamede e na antiga estação da CP.

Confesso que, além das realizações, não conheço mais nada sobre a EB, nem mesmo os seus membros, mas assisto com um misto de curiosidade e satisfação à sua capacidade empreendedora.

A iniciativa vai, salvo erro, na sua quarta edição, e tem vindo a conquistar os amantes da música electrónica da região. No próximo sábado, debaixo da variante que liga a saída das auto-estradas ao centro da cidade de Guimarães haverá gente a dançar. Eu, que nem sou fã do género musical, prometo dar lá um salto.

A verdade é que parece crescer uma nova geração de vimaranenses disposta a realizar em Guimarães eventos modernos e arrojados. E isso merece ser aqui destacado. Arrojado é também o cartaz da festa que aqui reproduzo. Até é capaz de não cair muito bem em mentes mais conservadoras, mas eu gosto destas subversões artríticas da história.

Sintomático é que nos jornais vimaranenses não haja uma única referencia à iniciativa.

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Contra o isolamento, telemóveis

A paixão do actual governo pela tecnologia começa a cheirar a obsessão. Ou então é mesmo sintoma da mais pura falta de ideias. A última e disparatada ideia do executivo é distribuir 4500 telemóveis a idosos do distrito de Braga, com chamadas a custo zero, “com o objectivo de combater o isolamento através de um meio de contacto imprescindível em caso de emergência”.

Contra o isolamento a que anos sucessivos de esvaziamento de capacidade de decisão e de iniciativas que potenciem o investimento – que são, na realidade, as causas do isolamento a que muitos destes idosos foram deixados –, o Estado responde com…telemóveis.

Se não fosse grave, podia ser uma boa piada.

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"No Brasil hospedeira é aeromoça, matrecos é pebolim e fair-play é boxe"

Sugestão do dia: despedimento com justa causa.
Poupavam-se uns trocos, dávamos o exemplo e ainda podíamos ir ao Europeu.

A genial frase do meu amigo Rui.
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A UM morre. O Minho assiste

No mesmo dia em que se sabe que a Universidade do Minho é considerada pela Comissão de Avaliação Externa da European University Association, uma "referência de elevada qualidade, não apenas para as universidades portuguesas mas também para as europeias", o reitor da instituição lança o alerta: "A Universidade do Minho está a morrer".

A instituição necessita de sete milhões de euros para não paralisar por falta de dinheiro, no próximo ano. A UM responsabiliza "o Ministério da Ciência e do Ensino Superior" e o "factor de coesão" que transforma os 5,5 milhões de euros que a UM devia receber a mais no próximo ano, em pouco mais de um milhão e meio.

O problema não é novo, mas a cada ano que passa acentua-se, e o futuro da instituição mais importante da região está em causa. Se os responsáveis são facilmente identificáveis, torna-se menos claro o caminho a seguir para fazer face ao problema.

Num Minho cada vez mais província de um país de umbigo único, este é apenas mais um alerta que a região devia acolher com especial preocupação. E começar a agir.

post scriptum: não deixa de me provocar um sorriso irónico que a UM seja considerada um exemplo na transição para Bolonha. Depois daquilo a que assisti no ano passado em algumas licenciaturas e a confusão de que tenho sido vítima no meu prórprio curso neste ano, se este é o exemplo, imagino a ribaldaria que se vive por essa Europa fora.
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Eu não nasci numa cidade evoluída

Se há prazer que tenho na vida é o de ir ao cinema. Apaixonado pela Sétima Arte e cada vez mais cinéfilo – muito por influência do excelente trabalho do Cineclube de Guimarães a quem não nego vénias continuadas –, raramente perco uma oportunidade de ver um bom filme.

Desde miúdo que me habituei a aproveitar o Verão para desfrutar desse prazer na mais bela praça do país. E já lá vão 19 anos de Cinema em Noites de Verão, com uma programação mais forte e eclética a cada ano que passa.

Entre os filmes a que este ano assisti, re-re-revi Little Miss Sunshine e, ainda ontem, Por Àgua Abaixo (fã de animação me confesso…), entre outros belíssimas películas.

E foi ao assistir a esses filmes que observei dois fenómenos que atestam como

Guimarães está a léguas de ser a cidade evoluída, aberta e liberal que alguns de nós vão idealizando.

Uma das (brilhantes) personagens de Little Misse Sunshine é um deprimido professor homossexual. Assim que esta condição é desvendada num dos diálogos iniciais do filme, uma boa parte da assistência levantou-se e abandonou o Largo da Oliveira.

Uma semana depois, ainda antes da sessão, um casal jovem, de estilo alternativo – algo entre hippie e punk – cruzou a Oliveira e um coro de (ridículo) riso correu a praça, com a mesma velocidade que me enchia de envergonhada raiva.

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Gooooooolllooooo!

Capa do magazine J, do jornal O Jogo.
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A minha doença é pior que a tua

Numa entrevista à Visão desta semana, Nuno Delerue dá a cara por um grupo de médicos e empresários que querem instalar em Portugal um sistema de Casas de Saúde, "uma espécie de shoppings com uma longa lista de especialidades médicas, análises, radiologia, farmácia e até restaurantes, cabeleireiros ou lavandaria". Sem discutir o teor ideológico da proposta e a abertura do governo socialista à mesma, não deixo de anotar um resposta de Delerue:

"Quando o Estado não puder pagar os serviços públicos, como arranjará dinheiro para os privados?
É um problema sem resposta fácil. Terá de haver um debate que levantará problemas sociais e morais. Por exemplo, o Estado deverá ter a mesma sensibilidade com as doenças dos fumadores do que com outras? E com os acidentes causados por alcoolismo? (...)"

O critério moral passaria, portanto, a justificar doenças de primeira e de segunda, como se fosse competência do Estado avaliar o comportamento moral daqueles que o legistimam para lhe garantir os direitos universais que constitucionalmente tem obrigação de garantir.
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Alguém é capaz de explicar ao Sr. Scolari que o Nélson Évora nasceu em Portugal e só era cabo-verdiano porque o nosso país continua a ter uma absurda lei da Nacionalidade? Como o campeão do mundo explicou no final do salto imortal de Osaka: Cabo Verde "é um paí onde nunca" esteve. Ao contrário de Pepe. Mas essa é outra discussão.

EDIT (05.34) : Ao contrário do que tinha escrito, Nélson Évora não nasceu em Portugal, mas na Costa do Marfim. Filho de cabo-verdiano, chegou a Portugal com seis anos. Mas ao contrário dos futebolistas, Évora só obeteve a nacionalidade portuguesa aos 18, depois de uma dúzia de anos no país.
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O que é preciso é gente com coragem!

O título panfletário encerra a minha sincera admiração pela postura corajosa que o Movimento Artístico das Taipas assumiu no lançamento da edição 2007 do Barco Rock Fest.

No press release de apresentação do evento, a organização afirma que o objectivo é “fazer crescer o festival de forma sustentada até ao ano 2012”, data em que Guimarães será Capital Europeia da Cultura. Mais: o MAT quer fazer do festival de Barco “um evento à escala de festivais de referência como Paredes de Coura e Vilar de Mouros”.

Demonstrar este tipo de coragem é, por si só, positivo. Boas ideias e capacidade empreendedora é coisa que não abunda na cultura local. Agora há que ser consequente. E conseguir atrair os (merecidos) apoios para tornar realidade a arrojado meta.

O cartaz deste ano já contempla concertos de dois nomes que passaram pelo palco secundário de Paredes de Coura – Sizo e the next big thing Slimmy. Além disso o festival não se faz só de música, e o BRF tem um programa paralelo bastante interessante. E os preços são convidativos: 5 euros para os dois dias de música.

Houvesse mais gente com ideias destas e capacidade de risco que o MAT apresenta e o deprimente panorama cultural vimaranense podia ser mais colorido.
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Regresso ao activo

Primeiro houve um regresso a casa e a necessidade de refazer rotinas. E de rever amigos e lugares. E houve férias preenchidas com marcantes passagens pelo Curtas de Vila do Conde – onde respondi afirmativamente ao desafio de um bom amigo para participar no VideoRun – e por Paredes de Coura.

Apesar de ter ficado de fora das crónicas sobre o festival mais mítico do actual calendário festivaleiro nacional, o concerto de Devotchka, no dia de abertura do 15º festival de Coura foi pessoalmente marcante.

Os senhores são os responsáveis pela bela banda sonora do excelente Little Miss Sunshine, o melhor filme de 2006, na minha opinião. How it ends é uma das minhas favoritas.

Serve para emoldurar a promessa de regresso ao activo do Colina Sagrada.