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Dores de crescimento

Depois da reabilitação (e qualificação) do centro histórico de Guimarães impunha-se o crescimento e a modernização da cidade. E, tendo sido possível juntar a escolha de Guimarães como Capital Europeia da Cultura com o lançamento do Quadro de Referência Estratégico Nacional 2007/2013, desenhou-se o quadro perfeito para a candidatura a programas europeus que permitirão, com toda a certeza, mudar Guimarães e deixar rasgados os seus desafios do futuro.

Guimarães representará Portugal (e a União Europeia), em 2012, em termos de realização cultural, mas terá também a responsabilidade de mostrar uma intervenção urbanística que vinque a importância de uma centralidade urbana que está muito para além da cidade. Isto é, a grande cidade do Ave. Onde tem (obrigatoriamente) que haver momentos, espaços e sentires culturais. Mas que, naturalmente (e sem falsas questiúnculas de localização de equipamentos), terá – pela sua centralidade e importância centrípeta – que se alhear de alguma forma de actuação periférica.

Os cinco projectos que a autarquia vimaranense apresentou recentemente são uma importante (para não dizer fundamental) alavanca para cimentar esta realidade.


A “pequena maresia” faz uma terrível confusão. E a foz do rio de Couros (ali ao lado) não merece uma intervenção de fundo? Porque no Selho as águas já correm límpidas.


Veiga de Creixomil e (centralidade de) Silvares – Um lago artificial do tamanho de oito campos de futebol fará da veiga de Creixomil o maior local de lazer de Guimarães. Fala-se na manutenção da ruralidade e na recuperação da ponte romana e dos moinhos. Isso é óptimo. A “pequena maresia” faz uma terrível confusão. E a foz do rio de Couros (ali ao lado) não merece uma intervenção de fundo? Porque no Selho as águas já correm límpidas.

Silvares será o local comercial, por excelência, do vale do Ave. Novas construções e novas vias (ligação à via do Ave e ao AvePark) farão a diferença. É linda a ideia da entrada na cidade! É o último momento antes do Ave. Que merece um espaço cuidado onde se fuja ao ruído, ao fumo e à agitação. E trazer o rio à cidade (ou levar a cidade ao rio?) é fabuloso!

Feira semanal – A feira ficará ao lado do actual mercado. É óbvia a mudança. Retirar a feira da Colina Sagrada é a preservação do romantismo histórico. Acaba-se o lixo. Melhoram as condições. Mesmo que se limite a lotação, favorece-se a qualidade.


A ideia apresentada para a "sala de visitas" vimaranense é um “não-projecto”. Mesmo que seja uma aspiração antiga a alteração desta praça, esconder os carros (continuando-se a sentir os fumos e os ruídos) não é solução.


CampUrbis – Está já em marcha mais uma parceria entre a autarquia vimaranense e a Universidade do Minho (uma universidade de prestígio internacional). É uma aposta inteligentíssima na revitalização de Couros. É mais um exemplo de como ciência e tecnologia – como vectores do desenvolvimento – ajudam quem decide. Óptimo! Recupera-se Couros. E a memória. Falta o rio!

Toural e Alameda – A ideia apresentada para a "sala de visitas" vimaranense é um “não-projecto”. É verdade que a “zona emblemática da cidade” sofre uma “forte pressão do trânsito”, mas, como salientou o presidente da câmara, é algo “delicado”. Por isso, a autarquia quer “o maior consenso possível". E tem razão. Porque ‘aquilo’ vale pela ideia de pôr aquele espaço à discussão. Fica-se sem saber o que acontecerá às ruas de D. João e Camões. Mesmo que seja uma aspiração antiga a alteração desta praça, esconder os carros (continuando-se a sentir os fumos e os ruídos) não é solução. Em Santiago de Compostela adorei os quilómetros que tive que caminhar para chegar ao centro histórico. É certo que estava de férias, mas quem vem à cidade para compras apressadas fica lá em baixo. E, muito em breve, em Silvares. Ao Toural virão os que pensam que o mundo tem um centro à volta do qual tudo gira.


Este [antigo mercado] é dos projectos mais interessantes. Nem sequer é o mais arrojado, mas isso pouco importa, dado o impacto que terá na cultura local. É o dedo anelar da mão dos projectos. E é rigoroso na escolha do anel: discreto. Com brilho suave e sem ferir o silêncio (que por ali será) importante.


A Alameda precisa de respirar à vontade e de liberdade. É bom sentir que as esplanadas se cruzarão com o jardim.

Antigo mercado O espaço (central) do antigo mercado será lazer, comércio e uma alternativa ao centro histórico. E terá o museu – algo “virado para a história da cidade”. Aumentará a área pedonal, deixando os vimaranenses com menos motivos de queixas de falta de locais para se movimentarem. Manter a fachada actual é preservar a memória. Marques da Silva merece! E merece que se faça a ligação do museu (ali ao lado) da Sociedade Martins Sarmento. Este é dos projectos mais interessantes. Nem sequer é o mais arrojado, mas isso pouco importa, dado o impacto que terá na cultura local. É o dedo anelar da mão dos projectos. E é rigoroso na escolha do anel: discreto. Com brilho suave e sem ferir o silêncio (que por ali será) importante.

por Casimiro Silva

http://casimirosilva.blogspot.com/

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Vale a pena ler

Para que conste, David Pontes, Jornal de Notícias (via norteamos)

Deve ser do sotaque, Rogério Gomes, Correio da Manhã
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“Bairrista parolo” me confesso

A anunciada reformulação do panorama administrativo do turismo nacional é um erro, como já afirmei. Mas é um erro com o qual vamos ter que viver. E é deles que nascem, muitas vezes, grandes oportunidades. E esta é uma daquelas que Guimarães não pode deixar escapar.

Também eu quero ser “bairrista parolo” e reclamar para a maior potência turística do Minho a sede da nova região de turismo alargada. Em Braga a sede não fica, porque não a querem lá. Viana do Castelo já está a preparar terreno para a receber. Aliás, a acreditar nas últimas notícias, começa já a ganhar posição nesta corrida. Mas Rui Rio, promete não entregar de mão beijada uma estrutura a que acredita ser direito do Porto.

E é aqui que Guimarães deve marca a sua posição. A cidade é, entre as do Minho, a mais importante em termos turísticos, a única com uma distinção internacional que lhe confira estatuto – e por isso pode ombrear com o Porto – e foi, durante vários anos, com bons resultados ao nível da sua afirmação como marca, sede de uma Zona de Turismo própria.

Esta era mais uma boa oportunidade para afirmar uma cidade que faz do turismo um dos seus sectores estratégicos de desenvolvimento. Tem um centro histórico Património Mundial e a sua manifestação cultural mais simbólica candidata a nova distinção pela UNESCO. E era também uma boa altura para recuperar mais um imóvel marcante da cidade – e a casa brasonada das Hortas, onde era suposto ter sido instalado um hotel em 2004, encaixava que nem uma luva.

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Uma esperança para a Liberdade

No dia em que um relatório dos Repórteres Sem Fronteiras coloca Portugal no décimo lugar do ranking da liberdade de imprensa, 23 lugares à frente de Espanha, por exemplo, é tornado público um parecer de Jorge Miranda, um dos mais ilustres constitucionalistas nacionais, em que o Catedrático da Católica afirma a inconstitucionalidade do novo Estatuto do Jornalista, duas vezes aprovado na Assembleia da República pelo PS.

Depois de, por indicação do Presidente da República, ter retirado do documento três outras alíneas polémicas, o PS e a sua a estratégia para os media sofrem novo revés.

Miranda diz que os direitos dos jornalistas e a liberdade de imprensa estão “insuficientemente protegidos” e abrem caminho a mecanismos de censura. Segundo a notícia do Público, “uma das alíneas que pode levar à “censura interna”, como refere Jorge Miranda no seu parecer, é o facto de os jornalistas serem obrigados a aceitar que se eliminem ou modifiquem partes dos seus textos, ainda que possam deles retirar a sua assinatura, caso não se identifiquem com o resultado final”.

O Sindicato dos Jornalistas já pediu a apreciação preventiva da constitucionalidade do documento, dando sequência, de resto, ao importante trabalho de contestação do documento que a maioria parlamentar quer impor – e ao qual se juntaram vozes críticas vimaranenses.

A posição de Jorge Miranda é apenas uma das várias possíveis. Já se sabe: analisar a Lei e a Constituição em particular dá espaço a interpretações diversas. Mas o Presidente da República devia levar em conta aquilo que Jorge Miranda diz no seu parecer. Sob pena de, no próximo ano, Portugal estar irremediavelmente arredado das posições de o país se pode orgulhar no estudo da RSF.

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O triunfo de uma escola. A falência de um clube.

Em dois dias, três "produtos" do futebol de formação do Vitória resolveram duas grandes "embrulhadas" para as cores nacionais. Anteontem, Pelé e Targino deram o triunfo aos sub-21 frente ao Montenegro. Ontem, um golo de Makukula - marcado com as chuteiras de Fernando Meira calçadas - abriu o caminho a uma sofrida vitória sobre o Cazaquistão. Além do ponta-de-lança do Marítimo e do capitão do Estugarda, no banco da Selecção AA estava outro ex-vitoriano, Duda, extremo do Sevilha.

Em comum, os três goleadores da jornada de selecções têm a passagem pela formação do Vitória, ainda que cada um numa circunstância bem distinta. Em comum têm também que pouco ou nada deram de relevante à equipa principal do Vitória: Pelé foi vendido ao fim de dezena e meia de jogos por uma verba miserável; Targino demora em impor-se; Makukula saiu antes de ter idade sénior – tal como Duda, de resto.

Os golos dos miúdos e do gigante provam, uma vez mais, que a escola vitoriana é um das mais importantes a nível nacional. Em termos de resultados de formação (jogadores nas selecções e em grandes campeonatos) é a melhor que há em Portugal a seguir às dos grandes. À custa da visão de Pimenta Machado – na primeira metade do consulado foi o melhor presidente do Vitória, o pior veio depois – e dos apoios que a sociedade civil vimaranense e a autarquia, em particular, concederam ao clube.

No entanto, o Vitória não soube, ao longo dos últimos 10 anos, rentabilizar essa aposta. Os "homens da casa" teimam em não se impor nos séniores. Além disso, apenas Fernando Meira saiu de Guimarães por uma verba realmente condizente com o seu valor – embora ainda se esteja por perceber parte do rumo do dinheiro. E mais nenhum futebolista da fábrica vitoriana saiu num bom negócio. E isso é um dos factores que pode ajudar a explicar que o Vitória seja hoje um clube com um passivo brutal e que, se as coisas não tivessem ganho novo rumo, caminhava para o abismo.

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5 projectos: as reacções (VII)

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5 projectos: as reacções (VI)



Vimaranes, O Vimaranes
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Esbozos para Guimarães

Plaza Mayor, ou Toural. A partir de 2012, espero que sem atrasos, Guimarães vai passar a ter uma, tal como deve ser, sem carros e árvores (para deixar os peões viver o espaço e não perturbar a monumentalidade, respectivamente), como uma grande cidade e urbana tem. Este, que será um dos seis dos 5 Projectos para Guimarães mais debatidos e criticados, agrada-me profundamente, e já vem tarde.

Agrada-me um Toural, como ideia de praça central de uma cidade, devolvido às pessoas, mas disso também ninguém discorda. Já era hora de tirar o fumo do pulmão, o ruído do ouvido, o caos da vista, o sobressalto do coração! O que parece ferir os vimaranenses, ou alguns de nós, é o facto de se desviarem as árvores para o lado.

Não querendo ser saudosista como os que defendem que o Toural sempre teve árvores e que por isso deveria continuar a tê-las, mas já o sendo, o Toural nem sempre teve árvores e deve agora deixar de tê-las! Para mais, a construção subterrânea do parque de estacionamento e dos viadutos não permitirá a sua sobrevivência.

«Agrada-me um Toural, como ideia de praça central de uma cidade, devolvido às pessoas, mas disso também ninguém discorda. Já era hora de tirar o fumo do pulmão, o ruído do ouvido, o caos da vista, o sobressalto do coração!»

E porquê os viadutos e o parque? Ou melhor, e porquê o parque? Eu posso responder. Porque este restauro deverá durar cerca de meio século e dentro de uma década fará bastante sentido a sua existência. Mesmo que agora comece por dar prejuízo, ou que faça com que os periféricos comecem a ter prejuízo. (Já agora que falo em prejuízo, esta seria a altura ideal para devolver o chafariz que está no Carmo ao Toural, e de levar a mulher da fonte (e não a Maria) para outro sítio.)

Quando à Alameda de São Dâmaso, também nada a dizer de negativo, muito pelo contrário. Árvores com fartura, boa iluminação, esplanadas, mobiliário urbano adequado e eventos de forma regular vão tornar as ínsulas rodoviárias existentes agora num verdadeiro local propício ao ócio e à convivência. Deste projecto Toural/ Alameda, que para mim são dois, só uma coisa me assusta, ou duas: a demora da construção e a localização das entradas e saídas dos túneis. Do resto penso que Guimarães só ganha com isto.

«CampUrbis: 20 valores. A ideia de revitalizar uma zona operária antiga e oferecê-la ao conhecimento, ciência e inovação, e a limpeza do Rio de Couros é de exulto!»

Projecto seguinte, numa frase: deslocação da Feira Semanal sim e mudança do dia da feira semanal sim, porque sexta-feira é o dia em que há mais trânsito em qualquer cidade e a feira nesse dia só agrava o problema. Ponto.

CampUrbis: 20 valores. A ideia de revitalizar uma zona operária antiga e oferecê-la ao conhecimento, ciência e inovação, e a limpeza do Rio de Couros é de exulto! Este projecto irá tapar definitivamente um "buraco" rodeado pelo Centro Cultural Vila Flor, estação de caminho de ferro, hotéis, escolas, espaços de culto, de comércio, e muitas habitações. E vai trazer a Academia para mais perto da cidade.

Quanto ao antigo Mercado Municipal, edifício neste momento sem uso a uns passos do coração da cidade e de reestruturação sensível por si próprio e pela sua envolvência, não sei se o seu desígnio será o melhor. As alterações e criações para o novo espaço, autoria do Arquitecto António Gradim, parecem-me boas, mas receio que finda a Capital Europeia da Cultura a praça morra. Sinto uma carência de ideias que sustentem a praça a longo prazo.

A "Casa da Memória", que será um museu bastante ligado às novas tecnologias, é a ideia central do projecto mas não será ela que trará vida ao sítio. Ou existirá uma grande dinâmica por parte dos investidores particulares para que consigam encher as suas "casas" e cativar o público, ou então será mais um centro comercial contemplado ao abandono.

Para mim faria mais sentido tornar o edifício numa Casa das Artes, com espaço para concertos, exposições regulares e mostra de artes performativas, oficinas, cafés e tertúlias, biblioteca e mediateca, zona de estudo e de criação artística, e por aí adiante. Mas é só uma opinião, vale o que vale.

Por fim, a principal porta da cidade. O novo Parque de Lazer da Cidade Desportiva vai ser a marca principal para quem entra na cidade e, por isso, deve ter uma imagem marcante, séria e contemporânea, não esquecendo as raízes e sendo ao mesmo tempo vanguardista.


«A admiração que temos por esta terra permanecerá igual. A nossa singularidade não está nas praças nem nas ruas, mas sim nas pessoas!»


A Horta da Cidade deve continuar verde, a trabalhar no seu principal propósito, mas merece as duas torres (espero que bem enquadradas), merece o lago artificial, merece o restauro das antigas vias e a criação de novas e merece, principalmente, ter as pessoas lá! Pelo sucesso do Parque da Cidade, da proximidade aos equipamentos da Cidade Desportiva e a uma zona cada vez mais habitada, não duvido que este novo parque não tenha sucesso.

Estas futuras intervenções, que se esperam concluídas em inícios de 2012, mudarão certamente bastante a forma de nós, vimaranenses, vivermos a nossa cidade, que não voltará certamente a ser a mesma. Seja como for, a admiração que temos por esta terra permanecerá igual. A nossa singularidade não está nas praças nem nas ruas, mas sim nas pessoas!

por Spicka de Guimarães (Cláudio Rodrigues).

www.zineocio.blogspot.com

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"Eu sei que doi!"



Emídio Guerreiro até pode ser um dos deputados menos mediáticos do hemiciclo, mas em 15 segundos o homem mostrou de que fibra se faz um vimaranense. A única chatice é que aquilo não são as mesas da Cervejaria Martins… Até porque, se fossem, as cadeiras não estavam vazias.
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Há mesa para todos

Guimarães tem um novo café, onde os seus mentores pretendem que a cidade se discuta. O estilo, acredito, já o conhecemos de outras aventuras da blogosfera vimaranense.
Espero que consigam agitar as águas mansas de que se vai fazendo a
vimaranosfera nos tempos mais recentes.

Passem pelo Café Toural.
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"A minha TV não presta"

O Hélder Beja publica, no ComUM, um interessante artigo acerca do panorama cultural das televisões em Portugal.

No geral, concordo com o Hélder, embora me confesse admirador do género OT, por ser um concurso quase à velha maneira, em que se comparam talentos e não as tristes figuras.

É que o serviço público de televisão tem dado passos firmes na afirmação da sua qualidade. Seja no entretenimento, na produção histórica - "Conta-me como foi" é uma série de luxo num país de tele-lixo – e também na informação. Agendada para amanhã está a estreia de "A Guerra", série documental de Joaquim Furtado - bem-vindo de volta - sobre o Ultramar e as marcas que deixou em Portugal e em África. Isto é serviço público.

Tenho mais dificuldades em perceber opções como a transmissão de uma tourada no Dia do Animal. Ou então a promoção propagandística de Fátima ao longo do fim-de-semana. Estado laico, pois…

As transmissões directas das cerimónias religiosas, de tão comuns, quase me passam ao lado. Se calhar até são legítimas num país de suposta maioria católica. Mas o tipo de cobertura feita ao aniversário das aparições, a propósito também da inauguração da nova igreja da Cova da Iria, foi coisa para me causar alguma confusão.

Na sexta-feira, a RTP passou um documentário sobre a relação de Fátima com a revolução Russa. Um dos segredos que a Senhora transmitiu aos pastorinhos teria a ver com a prometida conversão da Rússia e, de facto, bem explorado, o tema podia resultar.

Só que o documentário foi uma ode aos méritos de Fátima e um panfleto de propaganda anti-soviética, confundindo momentos históricos – Fátima foi em 1917, o estalinismo veio quase duas décadas depois – e promovendo o fim da URSS como obra de Nossa Senhora. O que, a ser verdade, não é grande mérito para a dita, já que podia ter feito a coisa em menos tempo, poupando os milhões que o Gulag assassinou.

Ontem à noite foi a vez de um “debate” sobre o fenómeno. De um lado três membros da hierarquia católica e um fervoroso militante da causa de Deus. Do outro, Mário Soares, o único céptico num debate de crentes, que só podai sair enviesado.

Algumas opções recentes, como aquelas a que me reporto, são discutíveis. E o serviço público de televisão é feito com o dinheiro de todos nós e, em teoria, para todos nós. Cabendo-nos, também, escrutiná-lo.

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O trio no Clube

O Trio de Bloggers constituído pelo Vítor Pimenta, Pedro Morgado e por mim, está hoje, novamente, no Rádio Clube Português.
O programa passa às 16h00, na emissão Minho do RCP, em 92.9.
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As Nicolinas e a CEC

Os deputados à Assembleia da República por Guimarães, Miguel Laranjeiro e Emídio Guerreiro, apoiam a integração das Nicolinas no projecto da Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012, noticiaram os jornais vimaranenses nas edições da passada semana.

A novidade por si não é particularmente importante. Os deputados de Guimarães fazem – e muito bem – o seu papel. E os compromissos do poder político, nestas ocasiões, mutias vezes não passam de declarações de intenções.

No entanto, a notícia fez-me reflectir sobre a necessária integração das Nicolinas na CEC 2012. Tal como a CEC, a candidatura das Nicolinas a Património Mundial tem de ser um desígnio de todos os vimaranenses. Mas, pelo menos aparentemente, a discussão continua a fazer-se a um ritmo lento. E o horizonte do reconhecimento pela UNESCO está ainda bem distante.

Mas a CEC pode - deve! - ser o momento de promover as Nicolinas, num primeiro momento, ao nível europeu. Identificá-las como momento único que são e procurar sublinhar o seu lugar próprio num contexto cultural alargado. E esse tem que ser o primeiro passo para a distinção global que todos procuramos.

post scriptum - Repararam que o press da Tertúlia Nicolina é transcrito na íntegra pelos jornais locais? O jornalismo copy-paste está a ganhar adeptos. E a descredibilizar a imprensa...

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Vitória global

Joshuah, Dawson, Aiken e Charlton. Os nomes podem não dizes nada aos vitorianos e aos vimaranenses, mas têm um significado enorme: são quatro futebolistas goeses que, ao abrigo de um protocolo, integram as escolas de formação do Vitória.

A notícia está no Record de hoje e adianta ainda que os estágios dos jovens atletas são patrocinados por grandes empresas como a Shell ou Vodafone.

Numa altura em que a globalização atingiu um força o futebol, o Vitória abre-se a um mercado estratégico - dando até um exemplo ao país, que se esquece que ali se fala ainda português. E esta acção do clube vimaranenses tem vantagens na sua própria promoção, com consequências postivas que se adivinham a nível económico, mas também desportivo. Ainda que a Índia não seja uma potência futebolística, os craques que ali podem existir ficam mais próximos do clube.
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Cinco bloggers analisam os cinco projectos

A análise que fiz dos “Cinco projectos para Guimarães” vai ser enviada à autarquia através do serviço disponibilizado no sítio do Município. Mas o Colina Sagrada vai continuar a acompanhar o projecto, discutindo assim o futuro de Guimarães como tem sido intenção desde o que o blog está online

Este afigura-se como um momento privilegiado para discutirmos o modelo de desenvolvimento da cidade. A iniciativa parece estar a mobilizar os vimaranenses como o provaram a presença esmagadora de interessados na sessão pública de apresentação e as opiniões que têm chegado ao sítio do Município.

Nesse sentido, decidi abrir o Colina Sagrada à participação de cinco bloggers vimaranenses para que possamos discutir em conjunto as opções que agora estão a ser tomadas para a cidade. Este desafio poderá ser alargado a outras pessoas de Guimarães, mas decidi começar por aqueles que fazem deste meio de difusão o seu espaço de cidadania.

Spicka:
Esbozos para Guimarães
Casmiro Silva:
Dores de Crescimento
Tiago Laranjeiro: O Toural
Paulo Lopes: O outro lado dos cinco projectos
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Ainda os 5 projectos para Guimarães

Há quase um mês foram apresentados os Cinco Projectos para Guimarães e continuam a ser o facto que marca a agenda vimaranense. Na blogsfera, nas discussões políticas ou nas conversas dos cidadãos. É bom sinal! A nova cidade vai ser discutida por todos e o que daqui surgir vai ser “nosso”. E isto diz muito aos vimaranenses.

António Magalhães, presidente da câmara, anunciou que serão necessários 40 milhões de euros para por tornar todos estes projectos realidade. Dinheiro que a autarquia não tem, pelo que será necessário aguardar pelas dotações financeiras que Estado e União Europeia poderão reservar para Guimarães.

E isso vai depender da forma como os governantes centrais analisarem a pertinência dos projectos. Daí que seja necessária a mesma inteligência de negociação e de lobying que colocou Guimarães na rota da Capital da Cultura ou da cimeira europeia no Multiusos.

No entanto, o que, à partida, me parece claro é que parte dos projectos são para “deixar cair”. Porque a câmara necessita de financiamento que pode não vir a ter. E há projectos cuja pertinência é difícil de justificar, como o do lago natural na Veiga. E nessa altura a autarquia terá que fazer escolhas – ou esperar que Portugal e a Europa decidam por Guimarães?

A análise que fiz dos “Cinco projectos para Guimarães” vai ser enviada à autarquia através do serviço disponibilizado no sítio do Município.

post scriptum – é curioso: as ideias vertidas em algumas destas iniciativas eram avançadas, há uns largos anos, para um dos maiores erros cometidos na cidade, o Campo das Hortas. A Feira esteve projectada para se instalar aqui, o parque aquático também chegou a circular como uma possibilidade, mas, no fim de contas, as Hortas tornaram-se um mero parque de estacionamento – que curiosamente raramente está lotado –, com uma envolvente que, durante anos, tornou o espaço foco de marginalidade. Seria bom não voltarmos a cometer erros.

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5 projectos: as reacções (V)

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O que eu queria ter em Guimarães

O Estaleiro cultural Velha-a-Branca faz três anos.

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5 projectos: as reacções (IV)

'Órgãos Municipais deveriam ter sido informados primeiro'

Magalhães responde à crítica do PSD e avança com opiniões da Internet

Notícias de Guimarães, 12/10/07
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Brincar às universidades

A reitoria da Universidade do Minho tem lamentado as dificuldades que sente em virtude dos cortes sofridos no seu financiamento. Há investimentos que ficam por fazer, propinas máximas cobradas, bibliotecas fechadas e professores despedidos – ainda que o facto seja negado por um subterfúgio legal. Mas na UM parece sobrar dinheiro para construir um campo de golfe.

O ComUM conta hoje que o espaço, instalado nos terrenos do campus de Azurém, em Guimarães, será inaugurado no próximo dia 13, por alunos da Universidade do Porto – ainda por cima!

Aliás, o jornal on-line dos estudantes minhotos já tinha levantado a questão em Novembro do ano passado, quando o projecto tinha sido anunciado no órgão oficial dos Serviços de Acção Social da UM (SASUM). Confesso que todo este tempo volvido e sem novidades sobre o campo de golfe tinha a sincera esperança que a estapafúrdia ideia tivesse sido abandonada. Pelos vistos, bom senso é coisa que não abunda do lado de quem manda na universidade.

Como alguém dizia no Universidade Alternativa, de Cadima Ribeiro, em Abril último: "é quase obsceno gastar dinheiro num campo de treino de golfe quando ao mesmo tempo se fala em cortes de pessoal". O professor de Economia da UM acrescenta, em declarações ao ComUM, que "há vários outros projectos que mais depressa justificariam o dispêndio daquele volume de recursos".

Carlos Silva, o todo-poderoso director dos Serviços de Acção Social da UM furta-se a comentar a notícia, mantendo os tiques já bem conhecidos em alguém que gere um dos mais importantes – porque democrático – instrumentos da Academia, como se da sua quinta privada se tratasse.

O senhor da foto é mesmo o director dos SASUM

Edição - 11/10/07: 12.41: Fiquei agora a saber que a coisa custou 88 mil euros. Quanto custa manter aberta esta biblioteca?