Boa ideia
Depois dos audioguias – que pecam pelo excesso que é a caução a pagar pela sua utilização – a ZTG volta a inovar, com as tecnologias como suporte da sua estratégia.
Depois dos audioguias – que pecam pelo excesso que é a caução a pagar pela sua utilização – a ZTG volta a inovar, com as tecnologias como suporte da sua estratégia.
O anunciado fim das regiões de Turismo do Minho e a sua integração numa única zona de Turismo para o Norte é mais uma machadada na afirmação nacional e europeia da região.
A estratégia da CCDRN condena a “marca Minho” a desaparecer no médio e longo prazos. A prioridade será assumidamente o Douro. E Guimarães, Braga, Ponte de Lima ou Viana não podem contentar-se com o papel de meros apêndices que suportem uma estratégia portocêntrica.
Mas o Minho é também vítima de si próprio. Uma região pequena espartilhada por três zonas de turismo e sem uma estratégia concertada e coerente para se promover num mercado competitivo como o europeu. E fê-lo ao ritmo de vontades tacanhas, estratégias de paróquia e falta de visão.
Braga, Viana e Guimarães não valem por si enquanto destino turístico, mas agindo como um todo coerente – que o são – têm todo o potencial para se afirmarem. E o Minho tem muito para promover, da história – onde Guimarães será indiscutivelmente a sua bandeira –, à gastronomia, arquitectura e mesmo o turismo religioso.
À Zona de Turismo de Guimarães ainda não lhe conheço posição sobre o tema. Mas habituado que estou a vê-la olhar mais depressa para o Porto do que para Braga ou Viana no que toca a parcerias de promoção, não estranharia que aplaudissem a decisão. O que seria um erro.
Vi-os em Paredes de Coura e recomendo vivamente que passem hoje pelo Centro Cultural de Vila Flor. Entretanto, fica aqui um aperitivo.
São coisas destas que me enchem de esperança. A cultura em Guimarães não se faz apenas de iniciativas municipais ou subsidiadas. Há gente com arrojo para fazer festivais de música como o RiT ou o BRF. E com ideias fantásticas como a de fazer uma festa Drum & Bass num túnel rodoviário. A Efeito Borboleta é quem está por trás do evento, e tem sido responsável por outras iniciativas do género – no cinema de S. Mamede e na antiga estação da CP.
Confesso que, além das realizações, não conheço mais nada sobre a EB, nem mesmo os seus membros, mas assisto com um misto de curiosidade e satisfação à sua capacidade empreendedora.
A iniciativa vai, salvo erro, na sua quarta edição, e tem vindo a conquistar os amantes da música electrónica da região. No próximo sábado, debaixo da variante que liga a saída das auto-estradas ao centro da cidade de Guimarães haverá gente a dançar. Eu, que nem sou fã do género musical, prometo dar lá um salto.
A verdade é que parece crescer uma nova geração de vimaranenses disposta a realizar em Guimarães eventos modernos e arrojados. E isso merece ser aqui destacado. Arrojado é também o cartaz da festa que aqui reproduzo. Até é capaz de não cair muito bem em mentes mais conservadoras, mas eu gosto destas subversões artríticas da história.
Sintomático é que nos jornais vimaranenses não haja uma única referencia à iniciativa.
A paixão do actual governo pela tecnologia começa a cheirar a obsessão. Ou então é mesmo sintoma da mais pura falta de ideias. A última e disparatada ideia do executivo é distribuir 4500 telemóveis a idosos do distrito de Braga, com chamadas a custo zero, “com o objectivo de combater o isolamento através de um meio de contacto imprescindível em caso de emergência”.
Contra o isolamento a que anos sucessivos de esvaziamento de capacidade de decisão e de iniciativas que potenciem o investimento – que são, na realidade, as causas do isolamento a que muitos destes idosos foram deixados –, o Estado responde com…telemóveis.
Se não fosse grave, podia ser uma boa piada.
Se há prazer que tenho na vida é o de ir ao cinema. Apaixonado pela Sétima Arte e cada vez mais cinéfilo – muito por influência do excelente trabalho do Cineclube de Guimarães a quem não nego vénias continuadas –, raramente perco uma oportunidade de ver um bom filme.
Desde miúdo que me habituei a aproveitar o Verão para desfrutar desse prazer na mais bela praça do país. E já lá vão 19 anos de Cinema em Noites de Verão, com uma programação mais forte e eclética a cada ano que passa.
Entre os filmes a que este ano assisti, re-re-revi Little Miss Sunshine e, ainda ontem, Por Àgua Abaixo (fã de animação me confesso…), entre outros belíssimas películas.
E foi ao assistir a esses filmes que observei dois fenómenos que atestam como
Guimarães está a léguas de ser a cidade evoluída, aberta e liberal que alguns de nós vão idealizando.
Uma das (brilhantes) personagens de Little Misse Sunshine é um deprimido professor homossexual. Assim que esta condição é desvendada num dos diálogos iniciais do filme, uma boa parte da assistência levantou-se e abandonou o Largo da Oliveira.
Uma semana depois, ainda antes da sessão, um casal jovem, de estilo alternativo – algo entre hippie e punk – cruzou a Oliveira e um coro de (ridículo) riso correu a praça, com a mesma velocidade que me enchia de envergonhada raiva.
O título panfletário encerra a minha sincera admiração pela postura corajosa que o Movimento Artístico das Taipas assumiu no lançamento da edição 2007 do Barco Rock Fest.No press release de apresentação do evento, a organização afirma que o objectivo é “fazer crescer o festival de forma sustentada até ao ano
Demonstrar este tipo de coragem é, por si só, positivo. Boas ideias e capacidade empreendedora é coisa que não abunda na cultura local. Agora há que ser consequente. E conseguir atrair os (merecidos) apoios para tornar realidade a arrojado meta.
O cartaz deste ano já contempla concertos de dois nomes que passaram pelo palco secundário de Paredes de Coura – Sizo e the next big thing Slimmy. Além disso o festival não se faz só de música, e o BRF tem um programa paralelo bastante interessante. E os preços são convidativos: 5 euros para os dois dias de música.
Primeiro houve um regresso a casa e a necessidade de refazer rotinas. E de rever amigos e lugares. E houve férias preenchidas com marcantes passagens pelo Curtas de Vila do Conde – onde respondi afirmativamente ao desafio de um bom amigo para participar no VideoRun – e por Paredes de Coura.
Apesar de ter ficado de fora das crónicas sobre o festival mais mítico do actual calendário festivaleiro nacional, o concerto de Devotchka, no dia de abertura do 15º festival de Coura foi pessoalmente marcante.
Os senhores são os responsáveis pela bela banda sonora do excelente Little Miss Sunshine, o melhor filme de 2006, na minha opinião. How it ends é uma das minhas favoritas.
Serve para emoldurar a promessa de regresso ao activo do Colina Sagrada.
Depois de seis anos de participação ininterrupta, enviei hoje à direcção da Cooperativa Editorial O Povo de Guimarães a carta em que comunico a cessação da minha colaboração com o jornal. A confirmação de uma notícia que já vinha sendo aventada há umas semanas levou-me a confirmar uma decisão que, desde que ouvi os primeiros rumores, estava tomada. Faço-o por questões de princípio, de valores e de respeito pela Liberdade.
O motivo é simples: a direcção da Cooperativa que gere os destinos do PG foi renovada – nada contra. Mas os nomes escolhidos para os lugares vagos ferem a credibilidade do jornal e impedem-me de continuar a participar no projecto ao qual dediquei seis anos de vida.
É para mim inconcebível que na direcção de um jornal – que se fez em Liberdade e da Liberdade – estejam pessoas que fazem “tábua rasa” desses valores essenciais da Democracia e do Jornalismo. Jorge Manuel Cristino e Fernando Miguel Araújo foram dois dos principais responsáveis pelo atropelo inusitado à Liberdade de Expressão e à independência de um órgão de Comunicação Social que teve lugar na Universidade do Minho há dois anos.
Nessa época, a direcção do jornal Académico foi afastada das suas funções pelo simples facto de ter noticiado um fracasso organizativo da direcção da Associação Académica da Universidade do Minho com a isenção e transparência de quem faz do jornalismo “profissão”, mesmo que seja ainda um amador. Este atropelo é um “nódoa” na conduta dos dois novos directores do Povo de Guimarães que me ferem nos meus princípios pessoais e profissionais mais elementares, razão pela qual me despedi do PG.


Jóia da coroa da Cidade Desportiva vimaranense e uma das “meninas dos olhos” do executivo autárquico, o Multiusos de Guimarães converteu-se nos últimos dois anos numa espécie de “Meca da mediocridade”.
Concertos de baixo nível – é quase a segunda casa da família Carreira, além de acolher amiúde aquela demonstração de mau gosto musical português que são as bandas saídas de telenovelas –, musicais deprimentes e uma total ausência de eventos desportivos de grande envergadura, tornam o Multiusos de hoje uma sombra da vitalidade com que deu os primeiros passos.Nos primeiros anos, o Multiusos foi uma aposta ganha. Atraiu grandes eventos desportivos – é a sua função primordial, não estivesse incluído na Cidade Desportiva –, como o Mundial de andebol, a Liga dos Campeões de hóquei em patins e Liga Mundial de voleibol; foi palco de excelentes concertos e tornou-se o espaço que faltava para feiras e eventos do género na região.
Depois, falta capacidade para voltar a atrair grandes eventos. E falta qualidade ao que por lá se passa. Há quanto tempo o Multiusos não recebe um concerto de música a sério? – excepção feita à Recepção ao Caloiro da UM. E há quanto tempo não passam por lá grandes desportistas? È que de há uns tempos a esta parte, eventos desportivos de grande nível é uma miragem por estas bandas…
Sobre isto, mas agora mais a sério.
Se quiserem perceber do que se trata a reunião de membros, passem aqui. Está bom o trabalho do JN -oba!, tem um link e tudo, que evoluídos... –, embora peque por ser longo.
É com projectos como este que a Globalização faz sentido. As duas regiões – que ainda por cima têm tanto em comum na sua matriz cultural e em termos geográficos – devem trabalhar em conjunto para se afirmarem no contexto de uma Europa cada vez mais alargada. Defendo para o Noroeste da Península, mais ou menos o mesmo que em relação ao Minho: cooperação, sinergias, planeamento a médio prazo.
E os projectos para fazer do Eixo Douro-Minho-Galiza uma região competitiva e em afirmação são, a meu ver acertados: o mar, o turismo, a promoção das PME e do I&D – com ligação às excelentes universidades que neste eixo existem – e uma maior integração em serviços públicos como a saúde – para responder à falência do Estado nestas matérias, especialmente o português...
Como complemento tem que haver uma aposta muito clara nas infra-estruturas de comunicação. E uma ligação ferroviária verdadeiramente competitiva entre as grandes cidades da grande região é absolutamente necessária – se tem que ser por TGV já é outra discussão...
"O comboio foi, na viragem do século XIX para o século XX, um motor de conhecimento. Com a maior facilidade com que agora se podia viajar, as novidades circulavam muito mais rapidamente. Esse facto marcou um avanço significativo para a cultura e a ciência europeias.
Esta é uma realidade que não termina
Juntas, Guimarães e Braga podem assumir-se como o terceiro grande pólo metropolitano nacional. E o comboio pode – e deve! – fazer parte desta dinâmica. Ligando os dois pólos da Universidade UM e, dessa forma, reforçando a comunicação entre as duas principais cidades minhotas.
Outros projectos se seguiram, propondo uma ligação ferroviária entre as duas cidades. Com traçados diferentes e dinamizadores distintos, a verdade é que, desde os primórdios do caminho-de-ferro, as duas cidades quiseram estar unidas por comboio. Por um motivo ou por outro, as ligações sempre fracassaram. Mas ainda vamos a tempo de emendar a mão.
“O ministro dos Assuntos Parlamentares anunciou, em Guimarães, que o Estado vai reduzir para metade, até 2009, o pagamento de parte dos custos da distribuição de jornais regionais pelo correio (Porte Pago).
Augusto Santos Silva, que tem a tutela da Comunicação Social, disse que, este ano, a comparticipação financeira estatal na expedição de jornais regionais no país e para o estrangeiro descerá dos actuais 90 para 60 por cento, o que corresponderá a um apoio total de 10 milhões de euros.
Em 2008, o Porte Pago à imprensa regional descerá para 50 por cento (7,7 milhões de contos) e, em 2009, para 40 por cento (6,2 milhões de euros), acrescentou o governante.
Santos Silva falava durante as comemorações dos 31 anos de actividade do Gabinete de Imprensa de Guimarães, uma associação de jornalistas da região do Vale do Ave”.
Assim começa a notícia da Lusa – reproduzida em grande parte da imprensa online nacional – que anuncia, em primeira mão, a decisão final do governo relativamente à alteração no financiamento do porte pago.
Além de ser uma boa notícia – porque, deste modo, alguns títulos a quem já augurava uma morte agoniante vão conseguir sobreviver –, é o reflexo de algo a que Guimarães não tem dado a devida atenção.
O ministro com a tutela da Comunicação Social foi a Guimarães anunciar a novidade. E fê-lo no aniversário de uma instituição vimaranense. Nem por isso os jornais e rádios de Guimarães estiveram lá todos – alguém viu a notícia aqui?
Não só porque um membro do governo estava em Guimarães, não só porque se tratava do aniversário de uma instituição vimaranense, não só porque o debate ia andar à volta de um tema que lhes diz directamente respeito, os jornais vimaranenses deviam ter lá estado… Mas adiante.
Este anúncio é o sinal do reconhecimento do governo do trabalho do Gabinete de Imprensa de Guimarães. Escolher o aniversário desta instituição para anunciar algo de tão relevante para o futuro próximo da imprensa só pode ter este significado.
A associação vimaranense voltou a tomar posição na defesa dos seus associados e da classe de que também é representante. E mesmo que tenha sido uma voz incómoda – por exemplo, a tomada de posição quanto ao Porte Pago foi bastante agressiva em relação ao executivo – o governo reconhece-lhe o mérito e a capacidade de se fazer ouvir.
Está, pois, duplamente de parabéns o GI.
Duas semanas depois de ser eleita, a nova direcção do Vitória está apostada em dar uma nova dinâmica ao clube. Nada que me surpreenda, mas que me apraz registar. Gosto de ver o clube a acordar de um longo pesadelo e a dar passos seguros que permitam colocar o Vitória no lugar que é, por direito, o seu: o de 4ª potência do futebol nacional.
As primeiras decisões da nova direcção do Vitória parecem-me bem acertadas. Anunciar um prémio de subida significativo é um tónico extra para a moral do plantel. A verdade é que, sem deslumbrar, o Vitória consegue solidificar a recuperação encetada nos últimos dias do consolado de Vítor Magalhães – uma espécie de elogio da anarquia, com a equipa a começar a ganhar assim que o presidente “saltou do barco”.
Por outro lado, o fecho do bingo é uma inevitabilidade. Este jogo deixou, há muito, de ser atractivo. Muito menos é uma fonte de receitas para o clube (pelo contrário, dá um prejuízo anual de mais de 150 mil euros, segundo os dirigentes vitorianos).
Já o anúncio da renovação de contrato do júnior Raviola é, antes de mais, de uma força simbólica que só demonstra inteligência. Primeiro que tudo, não é habitual que a renovação de um júnior tenha direito a conferência de imprensa e apresentação formal, como aconteceu ontem. Ainda para mais com a presença do presidente do clube e do vice-presidente para a área do futebol.
Deste modo deu visibilidade a um acto que prova que o Emílio Macedo passa das palavras aos actos em muito pouco tempo. Prometeu apostar na formação e, desde logo, dá um sinal claro disso. Há quanto tempo não víamos um júnior do Vitória ser promovido a profissional? Targino é caso raro nos últimos cinco anos. E pelo meio, o Vitória perdeu pérolas como Vitinha ou Cascavel.
Além disso, era público há uns tempos – especialmente desde que Raviola jogou e marcou com a camisola da Selecção – a perseguição de alguns grandes emblemas, nacionais e estrangeiros. E segurar a jovem promessa é um sinal de força da direcção vitoriana ao mercado e a alguns interesses do mundo futebolístico. De resto, as declarações do “empresário” de Raviola – que nem sequer é reconhecido pela FIFA… – só confirmam isto mesmo.
Já este texto estava terminado e leio que o Vitória tem, desde o início do mandato da nova direcção, um novo director-desportivo.Aqui já “a porca torce o rabo” … Vasco Santos tinha sido indicado na campanha como empresário de futebol com ligações privilegiadas ao Vitória.
Sem conhecer o percurso de Santos, nem sequer conseguir confirmar as acusações que lhe foram feitas, não me deixa nada confortável ver confirmada a sua relação privilegiada com o presidente do Vitória. Quanto mais não seja porque da razão a Manuel Rodrigues. E já tinha aqui dito que tinha receio que algumas das coisas que o candidato derrotado nas últimas eleições estivesse a falar verdade, e não apenas a fazer uma manobra eleitoral.
Além do mais, o Vitória parece alinhar numa nova era do futebol em que cada clube se “vende” a um determinado empresário, evitando assim o “transtorno” que é fazer o seu próprio recrutamento de jogadores. E isso não me agrada. Mas vai assim o negócio da bola, não é?
post scriptum - anda tudo a dormir em Guimarães, ou é impressão minha? O Vasco Santos está em funções há duas semanas e só agora alguém descobriu...?
UPDATE - 23/03 - 17.23: Mais sobre o novo assessor do Vitória aqui..
Nesta casa sabe-se abrir as portas à gente nova e deixá-la desenvolver-se aqui. Assim, também o jornal se valoriza. Por isso este é um projecto diferente, com uma matriz própria, capaz de conjugar o seu dever de informar, com o facto de ser um espaço aberto à colaboração de todos quantos querem fazer da Comunicação, de uma forma ou de outra, um pedaço da sua vida.
É com prazer que me associo aos festejos de mais um aniversário do Povo, esperando que o “meu” jornal saiba interpretar os sinais que surgem na Comunicação Social a tempo de lhes responder e se modernizar. Para que volte a ser uma referência num concelho em que falta uma voz activa nos media, sem deixar de ser uma escola de bons jornalistas e comunicadores."
A edição de hoje do Povo de Guimarães celebra o aniversário do jornal. O pequeno texto que aqui reproduzo é o meu contributo, respondendo deste modo ao desafio do director do jornal para que me associasse aos festejos.
As conversas, nos primeiros dias, giram em torno das mesmas coisas: De onde somos? O que estudamos? Quanto tempo vamos ficar aqui?
- “Qual és tu ciudad?...”, respondiam-me.
Lá se foi a convicção, ao fim dos primeiros dias. Património Mundial, futura Capital Europeia da Cultura, destino turístico fortemente promovido, com direito a zona de turismo própria e tudo… Estava à espera que, pelo menos, uns quantos colegas conhecessem Guimarães. Estava errado.
Atentem, estamos a falar de população universitária, com um nível sócio-económico, em teoria, acima da média. E Gumarães para eles era tão desconhecido como Sobradelo da Goma. Mesmo o único professor com quem até ao momento tive aulas – no curso de língua catalã que estou a fazer – desconhecia a minha cidade.
Bem sei que este não é o “target” etário preferencial da Zona de Turismo de Guimarães. Bem sei que grande parte dos colegas estrangeiros com quem tenho interagido têm um nível de conhecimento geral sobre o mundo que me espantou pela negativa – afinal em Portugal não estamos mal em tudo –, ao ponto de se discutir, um destes dias, em que país ficava Berlim…
Mas, a meu ver, isto não chega para justificar aquilo que se configura como um sintoma de que algo vai mal na promoção turística de Guimarães.
Até agora apenas dois colegas conheciam Guimarães. Sem espanto, eram italianos e sabiam que a sua Selecção tinha jogado na cidade Berço no Euro 2004. O que apenas vem contribuir para aumentar uma convicção que tinha há uns tempos (e que me serviu de argumento quando parecia ser socialmente reprovável apoiar o “faraonismo” do Euro 2004): vale mais um mês como palco da bola, que dez anos de promoção tradicional de Guimarães como espaço turístico.

Pimenta defende-se das acusações dizendo que fez tudo em favor do Vitória. Dou o benefício da dúvida a alguém que deu 25 anos da sua vida ao clube. O ex-presidente afirma que abriu contas na Suiça e em offshores para comprar jogadores para o Vitória, porque o clube estava inibido de o fazer. Mas a responsabilidade dessa situação é claramente sua, já que, como também assume na entrevista, era ele quem "geria e inventava as soluções".

Pimenta assume que o clube tinha uma conta em seu nome – e de “mais três ou quatro pessoas” – e que endossou, para uma conta pessoal, cheques relativos à venda de Pedro Barbosa e Pedro Martins, porque o Vitória lhe devia dinheiro. A acreditar mais uma vez
Pimenta surpreendeu ainda quando se diz vítima de uma cabala. Mas os dados apresentados pelo antigo líder vitoriano fazem pensar. “Os inimigos externos souberam aproveitar a investida da PJ e a minha fragilidade para, de uma vez por todas, se verem livres de mim. Fui uma voz muito incómoda no futebol, e isso paga-se”, diz. E acrescenta: “o Vitória foi grande vítima do sistema, porque lutava pelas posições do Benfica, do FC Porto e do Sporting, para já não dizer do Boavista. Fiz muitas participações para o Conselho de Justiça contra arbitragens que foram sempre arquivadas. Aconteceu isso em 2003/04. Curiosamente, fazia parte do Conselho de Justiça da altura o procurador que me mandou deter”.
O procurador em causa é João Ramos, “que recentemente esteve disponível para fazer parte das actuais listas da FPF, conjuntamente com arguidos do ‘Apito Dourado’. “Dantes faziam-se autênticos roubos e o Conselho de Justiça, do qual fazia parte o sr. João Ramos, arquivava os processos. Em boa hora a PJ entrou no futebol”, termina
Retenho ainda algumas frases: "Quando saí a dívida ascendia, no máximo, a 2 774 699,57 euros. Mas deixei activos em jogadores suficentes para pagar essa dívida. O Nuno Assis, por exemplo, e outros, de quem se desfizeram a custo zero, como aconteceu com o Abel."
"Geri o Vitória com eficácia e a melhor resposta está na gestão desta direcção”.
“Muito dificilmente” voltava a presidir o Vitória.
“Assisto com tristeza à actual situação do clube. Mas já estava à espera de algo parecido, porque quem me sucedeu não tinha um projecto desportivo. Tinha apenas um projecto contra mim, motivado por vingança e ódio e destinado a destruir a minha imagem. Por isso, mais cedo ou mais tarde, o clube tinha de ceder. No campo desportivo, patrimonial e até moral, porque de clube respeitado e até temido o Vitória passou a dócil, submisso e domesticado”.
Nunca pensei vir a estar de acordo com o homem que representou, para mim e para a maioria dos vitorianos da minha geração, alguém que não soube onde acabava a sua época – apesar do inegável mérito que teve na projecção do Vitória e que fazem de Pimenta, queira-se ou não, o melhor presidente que o clube já teve. Mas a última das frases que reproduzo é a leitura mais lúcida e mordaz que alguém já fez do pesadelo que termina a 3 de Março.
Amanhã à noite, frente ao Espinho, o Vitória joga uma cartada importante na luta pelo título nacional de voleibol que há uns anos busca. Mesmo longe, torço por eles.
Colina Sagrada © 2009
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