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Feira semanal


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Retirar a feira semanal do espaço envolvente ao Castelo. É um espectáculo vergonhoso aquele a que assistimos todas as sextas-feiras quando passamos pela colina sagrada. Centenas de feirantes, milhares de clientes, lixo aos quilos, e um cenário dantesco no final de cada feira. Além disso, o espaço mais nobre de todo o que constitui o Património histórico de Guimarães deteriora-se com este tipo de utilização intensiva. A feira no actual espaço provoca ainda constrangimentos ao trânsito e problemas as moradores da zona, que são de urgente resolução.

Fortalecer um novo pólo de crescimento urbano na zona baixa da cidade. O novo mercado foi o primeiro passo para renovar uma zona a que a cidade voltou as costas há muito tempo. Instalar a feira na mesma envolvente e com isso abrir as portas a uma re-urbanização de toda o espaço entre a Avenida D. Afonso Henriques e a Cruz de Pedra – agora praticamente mortos – é uma aposta acertada. Não faz sentido que a cidade cresça para fora dos seus actuais limites, quando dentro dela ainda existem “ponto negros” como este.

O projecto contempla a abertura de novas ruas que liguem o centro da cidade à zona baixa – que está mais próxima de locais privilegiados da cidade do que se possa pensar à partida – central de camionagem, estação ferroviária, etc, tudo a “dois passos”.

Além do mais, prevê-se a demolição de parte do actual casario, completamente degradado e sem valor arquitectónico, o que renova o espaço e vai permitir melhorar as condições de vida de quem nelas habita.

A própria feira e os feirantes e clientes saem beneficiados com a mudança. Condições de base e infra-estruturas que não existem na actual localização estão previstas no novo projecto.

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O novo mercado e a futura feira estão situados numa zona que neste momento está mal servida ao nível de acessos. Embora o projecto proponha novas ruas, que facilitarão o acesso pedonal e automóvel – e a zona até estará bem servida de parques de estacionamento – afigura-se de primordial importância reforçar o transporte público.

O espaço da feira será utilizado apenas uma vez por semana. Investir numa obra desta dimensão sem a rentabilizar convenientemente durante os outros 350 dias do ano é gerir mal a coisa pública. Guimarães terá que encontrar alternativas para a utilização do espaço que não passem por torná-lo num local de estacionamento nos restantes dias da semana. O espaço parece-me óptimo para alguns tipos de manifestações como feiras, concertos ou eventos desportivos urbanos.

A autarquia permite-lhe deixar a sua opinião aqui.

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Toural e Alameda

Conheça o projecto

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Retirar o tráfego automóvel do centro da cidade. A opção só traz vantagens: a nível de vivência do espaço, de conservação dos edifícios e de impacto ambiental.

A intervenção prevista para a Alameda de S. Dâmaso renova um espaço nobre, de há uns anos a esta parte parado no tempo. O tipo de jardim público é quase uma relíquia, sem razão de ser nos dias de hoje e, por aquilo que o projecto dá a conhecer, a Alameda ganha dimensão, sem deixar de ser um jardim, facto que a torna um dos espaços de lazer mais frequentados da cidade.

Também o Toural necessita de uma intervenção que lhe renove a face e adapte o centro da cidade às exigências contemporâneas. A praça tem a mesma traça desde o início do século, com alterações pontuais. Nesse sentido, o mobiliário urbano e a configuração da praça estão ultrapassadas. Além disso, o nome de Lisboa desaparece do chão do Toural...

Criar soluções para o estacionamento perto do centro histórico pode beneficiar o turismo e o comércio local. Embora seja pessoalmente crítico do conceito de “levar o carro até à porta”, a autarquia responde a essa “exigência”. Só se estranha tal opção depois de se ter “vendido” a intervenção na Mumadona como solução para este mesmo problema.

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O Toural do projecto agora apresentado é uma praça formatada, sem identidade e sem o carisma que marcam o centro da cidade de Guimarães. É inquestionável a necessidade de renovar o Toural, mas o projecto agora conhecido é tudo menos uma aposta no “reforço do carácter simbólico e identitário do Toural”.

O Toural projectado é igual a tantas outras praças, a começar pela Avenida Central, em Braga, que lhe parece servir de inspiração: túnel rodoviário, parque de estacionamento e praça granítica. Uma praça despida – sem árvores – e desamparada, que não inova, antes copia.

A fonte central do Toural, sem ser uma obra inspirada, é uma peça marcante da actual praça. Embora não tivesse cabimento mantê-la, a opção por um vulgar espelho de água também me parece um tiro ao lado. Uma peça escultórica arrojada podia ser a solução certeira para dar a dimensão cosmopolita que Guimarães exige para o seu centro.

A autarquia permite-lhe deixar a sua opinião aqui.

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Vem aí uma revolução

A Câmara Municipal de Guimarães apresentou, na última quinta-feira, em sessão pública, cinco projectos para Guimarães. Com a Capital Europeia da Cultura em 2012 como grande horizonte para o desenvolvimento da cidade, a autarquia lançou as bases para uma revolução sem precedentes no Berço.

Parque urbano em Creixomil, Casa da Memória, parque de estacionamento no Toural, Campurbis e nova Feira Semanal são os projectos apresentados, lançados agora para discussão pública. A iniciativa tem valor por si só.

Transparência e apela à democracia participada são valores na base da apresentação dos projectos – com show-off comunicativo à mistura, é certo, mas disso também se faz a política nos dias de hoje. Abrir os projectos à discussão dos cidadãos, possibilitando-lhes a apresentação das suas opiniões através do sítio da autarquia é também uma decisão acertada, que só demonstra que há na câmara gente com visão – por algum motivo a autarquia estava bem posicionada no último estudo nacional sobre o e-governement.

Alguns dos projectos não são novos. O campurbis já foi anunciado há quase um ano, a Casa da Memória vem sendo ventilada como uma possibilidade desde que se sabe que Guimarães será CEC em 2012. Mas isso não tira mérito aos projectos em si, muito menos à iniciativa de os mostrar, em conjunto, à população.

De assinalar ainda que os vimaranenses deram uma lição de cidadania na quinta-feira. O auditório pequeno do CCVF estava lotado para assistir à apresentação do futuro da cidade e muitos foram os que ficaram do lado de fora da sala. Espero que tenham a mesma energia na discussão das propostas. A avaliar pelo constante “apagamento” do site do município desde que os projectos foram anunciados, imagino que o afluxo de visitantes tenha sido recorde.

Nos próximos cinco dias, Colina Sagrada vai debruçar-se sobre as opções apresentadas pela autarquia e tentar motivar a discussão sobre as obras que vão marcar o futuro da cidade.

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Amanhã no “Clube”

O “trio de bloggers”, programa do Clube Minho, do RCP, em que debato opiniões com Pedro Morgado e Vítor Pimenta vai para o ar novamente amanhã, entre as 12h00 e as 13h00. A frequência é 92.9.

Entre os temas abordados no programa desta semana estão a possível integração do Instituto Politécnico do Cavado e Ave na Universidade do Minho e os “5 projectos para mudar Guimarães” apresentados pela autarquia, especialmente a intervenção prevista para o Largo do Toural.

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Vão-se os anéis, ficam os dedos

Emílio Macedo da Silva, presidente do Vitória, quebra o silêncio e faz o balanço do primeiro meio ano de mandato, numa entrevista longa ao jornal oficial do clube.

“Milo” fala sem rodeios de alguns dos temas que marcaram a sua gestão e divulga, pela primeira vez, das vendas de Rabiola e Pelé.

1 milhão 920 mil euros foi a soma pela qual foram vendidos…ambos os atletas vitorianos. A equipa de Emílio Macedo tem muitos méritos – devolveu o Vitória à Superliga, construiu um plantel equilibrado a custo zero para este ano e tem, pelo que vou percebendo, um projecto sustentado para o clube. Mas falha rotundamente na gestão de activos.

Pessoalmente não considero Rabiola uma grande promessa, mas eu percebo tão pouco de futebol que era capaz de dizer que o Pelé era uma craque, quando ele nem convocado por Cajuda era. Devo perceber tão pouco como o bi-campeão italiano Mancini que quis comprar o miúdo por “tuta-e-meia” para o juntar a um plantel de estrelas, um dos melhores do mundo e candidato a ganhar todas as compeições que disputa.

Pelé valia, sozinho, dois milhões de euros. Rabiola, com o elan criado à sua volta e os seus 18 anos, tinha condições para render aos cofres do clube mais do que aquilo que o Porto pagou. E ainda por cima, Jorginho, que era outras das contrapartidas, acabou por não rumar a Guimarães – embora, a avaliar pelo jogo de ontem, também não esteja a jogar no Braga.

A título de exemplo, o Belenenses vendeu Dady ao Osasuna por 3,5 milhões de euros e Nivaldo ao St. Etiéne por 2 milhões. Ao todo, os de Lisboa lucraram 5,5 milhões, mais do que o valor do seu orçamento para a presente época.

Valorizar os activos do clube é o caminho mais inteligente para combater o problema do passivo, mas Emílio Macedo preferiu vender ao desbarato os jovens com valor que o Vitória tem. Além do mais, o clube faz a triste figura de um desesperado a quem a primeira proposta serve para vender os anéis mais preciosos.

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Eles metem-se num gueto e a culpa é do resto do mundo. Ridículo!
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o jogo

O estádio do Rei recebe esta noite o mais apaixonante de todos os 15 jogos da superliga que lá se jogam. O derby do Minho, entre Vitória e Braga, é um embate único. Estejam as duas equipas em que posição estiverem, o clássico – já o é – é uma partida daquelas que todos os atletas querem ganhar. Tanto mais que os adeptos assim o exigem.

E numa fase em que o Braga ganhou, por direito próprio, um lugar entre os maiores emblemas nacionais e o Vitória afirma que a breve treva já faz parte da história, o jogo tem certamente todos os ingredientes para ser um grande espectáculo.

O Vitória, mesmo sem jogar muito bem, está a fazer um bom início de época. E em caso de triunfo esta noite até ultrapassa os dois maiores clubes de Lisboa. Já o Braga está a decepcionar e Jorge Costa pode até jogar o seu futuro próximo na partida de logo.

A partir das 20h15 a bola começa a rolar. Depois, Fajardo resolve.

Dentro e fora das quatro linhas pede-se um espectáculo bonito, acima de tudo com fair-play. Especialmente numa altura em que o vitorianismo começa a atingir o limiar do fundamentalismo.
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Um trimestre que promete

Chego um pouco tarde à discussão, uma vez que a programação para o último trimestre do ano no Centro Cultural de Vila Flor já foi apresentada há uns dias. No entanto, não quero deixar passar em claro aquela que considero uma das melhores programações em dois anos de CCVF.

As críticas são ainda possíveis – nomeadamente porque Vila Flor continua a ser um espaço de mostra mais do que catalisador de produção –, mas a casa de espectáculos de Guimarães parece ter encontrado um rumo na sua programação. Falta ver-lhe a continuidade, em 2008.

O primeiro impacto aquando do contacto com a agenda do CCVF foi de grande excitação. Explico: o cartaz está recheado. E há qualidade e uma cada vez maior continuidade nas propostas – e é dessa coerência interna que se faz um cartaz de uma grande casa de espectáculos. E por cá vão passar nomes que me agradam particularmente.

Antes de mais, destaco o alargado âmbito das propostas. Desde as marionetas, ao teatro – e há uma nova produção da Oficina –, passando pelo regresso da ópera – a "Ópera dos Três Vinténs" é um marco da história – e do bailado. E claro, como Novembro está aí, vem com ele um dos grandes marcos da oferta cultural vimaranense, o Guimarães Jazz.

Fatia grande do cartaz faz-se de música. E há o fado de Aldina Duarte, os promissores 6PM, a estrela global Seu Jorge, além de dois dos nomes que andam normalmente pelo meu leitor de mp3: Paulo Praça e o enorme e sempre excelente Rodrigo Leão

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Boa ideia

A Zona de Turismo de Guimarães lançou um serviço de apoio aos visitantes da cidade que é, no mínimo, uma ideia com capacidade de triunfar: “uma visita ao Centro Histórico de Guimarães com um mapa onde estão sinalizados 12 pontos de relevante interesse turístico com conteúdos visuais, texto e áudio. Brevemente, estará também disponível o download gratuito da visita para formato PDA e Telemóvel”.

Depois dos audioguias – que pecam pelo excesso que é a caução a pagar pela sua utilização – a ZTG volta a inovar, com as tecnologias como suporte da sua estratégia.


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Cinco projectos para mudar Guimarães

A Câmara Municipal de Guimarães apresenta esta noite, em sessão pública, no CCVF, "cinco projectos que prometem mudar a cidade".

Parque urbano em Creixomil, Casa da Memória, parque de estacionamento no Toural, Campurbis e nova Feira Semanal serão hoje dados a conhecer, numa iniciativa de inquestionável valor. Este tipo de transparência na forma de gerir a coisa pública é assinalável e inédita - pelo menos entre nós.

O Presidente da Câmara afirma que a autarquia "pretende partilhar decisões com a comunidade", o que me parece um óptimo sinal para os dias conturbados que a democracia local vive por Portugal fora.

Sobre os projectos, prometo falar mais tarde, quando souber um pouco mais sobre eles. À partida, o Campurbis parece-me uma inteligente aposta na competência e prestígio da UM, ao mesmo tempo que se revitaliza uma zona degradada da malha urbana. Tenho, no entanto, as minhas dúvidas, quanto opção do parque de estacionamento no Toural.
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Repensar o turismo no Minho

O anunciado fim das regiões de Turismo do Minho e a sua integração numa única zona de Turismo para o Norte é mais uma machadada na afirmação nacional e europeia da região.

A estratégia da CCDRN condena a “marca Minho” a desaparecer no médio e longo prazos. A prioridade será assumidamente o Douro. E Guimarães, Braga, Ponte de Lima ou Viana não podem contentar-se com o papel de meros apêndices que suportem uma estratégia portocêntrica.

Mas o Minho é também vítima de si próprio. Uma região pequena espartilhada por três zonas de turismo e sem uma estratégia concertada e coerente para se promover num mercado competitivo como o europeu. E fê-lo ao ritmo de vontades tacanhas, estratégias de paróquia e falta de visão.

Braga, Viana e Guimarães não valem por si enquanto destino turístico, mas agindo como um todo coerente – que o são – têm todo o potencial para se afirmarem. E o Minho tem muito para promover, da história – onde Guimarães será indiscutivelmente a sua bandeira –, à gastronomia, arquitectura e mesmo o turismo religioso.

À Zona de Turismo de Guimarães ainda não lhe conheço posição sobre o tema. Mas habituado que estou a vê-la olhar mais depressa para o Porto do que para Braga ou Viana no que toca a parcerias de promoção, não estranharia que aplaudissem a decisão. O que seria um erro.

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A Taça da Liga já morreu

A forma como os ditos grandes olharam para a Taça da Liga como uma competição para fazervdescansar jogadores, condena, à 3ª eliminatória, a competição ao fracasso.
Um "Porto C" eliminado em Fátima e um Benfica a quem só um penalti oferecido possibilitou o apuramento foram os expoentes de uma noite de não-feutebol. Só o Sporting pareceu respeitar o Vitória, mas mesmo assim, jogou entre o lento e o lentinho para não cansar muito. Se a isto juntarmos a vergonhosa arbitragem da Reboleira, percebemos o cúmulo de descrédito que a nova competição atinge no seu ano de arranque.

ps - sem querer meter foice em seara alheia: Jorge Costa passará de Domingo ao leme do Braga?
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No "Clube" a partir de quarta-feira

A partir da próxima quarta-feira vão poder ouvir-me semanalmente num novo programa do Rádio Clube do Minho. Três bloggers da região são os convidados para discutir a actualidade e o futuro do Minho, durante uma hora, aos microfones da rádio.

Vou partilhar a mesa com o Pedro Morgado, do
Avenida Central e o Vítor Pimenta, do Mal Maior. Podem acompanhar o programa semanalmente, entre as 16h00 e as 17h00, todas as quartas-feiras, nos 92.9 fm do Rádio Clube.

Além do prazer com que embarco nesta aventura – a rádio é uma paixão de miúdo que nunca experimentei a sério e fugir aos espartilhos do jornalismo, podendo expressar sem constrangimentos as minhas opiniões é um escape necessário –, há uma coisa que queria destacar. A primeira é a importância que os meios de comunicação social tradicionais dão cada vez mais à blogosfera. A segunda é a forma como esse impacto começa a ter repercussões na sociedade. Os blogues começam a ter peso na determinação de algumas agendas e essa revolução só está agora a começar.
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"Como é bela a deusa do meu céu"

Um dos mais excitantes projectos que a música portuguesa ofereceu no último ano está esta noite em Guimarães. Os Mundo Cão constroem-se nas ruínas de uma das minhas bandas nacionais favoritas, os Mão Morta, contando com Miguel Pedro e Vasco Vaz e a inspiração poética inconfundível de Adolfo Luxúria Canibal nas suas letras. A eles juntam-se Gonçalo Budda dos também bracarenses Mundo Mau e Big Fat Mamma, e Pedro Laginha, actor, que colaborou com os Mão Morta em Nus – e o homem tem um carisma que promete dar que falar.

Vi-os em Paredes de Coura e recomendo vivamente que passem hoje pelo Centro Cultural de Vila Flor. Entretanto, fica aqui um aperitivo.

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Cortés no Multiusos

Finalmente não é um dos membros do clã Carreira a aparecer como cabeça-de-cartaz da programação do Multiusos de Guimarães para os próximos tempos. A Tempo Livre anunciou o espectáculo Mi Soledad de Joaquin Cortés para o dia 15 de Dezembro. É um (esperado e saudado) regresso dos grandes nomes ao Multiusos, depois de um ano de apagamento quase completo.

Cortés está para o bailado como Pavarotti estava para a ópera. O espanhol de Córdoba tornou pop a dança cigana e, goste-se ou não, é o nome mais mediático da área. E isso é, por si só, capaz de arrastar multidões e captar atenções sobre o espectáulo de Guimarães.

Pela negativa destaco o preço dos bilhetes. É que isto da cultura não pode ser para todos. E, no mínimo, quem quiser assitir ao espetáculo, vai pagar 25 euros, e vai vê-lo a pé, na galeria.
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D&B no túnel

São coisas destas que me enchem de esperança. A cultura em Guimarães não se faz apenas de iniciativas municipais ou subsidiadas. Há gente com arrojo para fazer festivais de música como o RiT ou o BRF. E com ideias fantásticas como a de fazer uma festa Drum & Bass num túnel rodoviário.

A Efeito Borboleta é quem está por trás do evento, e tem sido responsável por outras iniciativas do género – no cinema de S. Mamede e na antiga estação da CP.

Confesso que, além das realizações, não conheço mais nada sobre a EB, nem mesmo os seus membros, mas assisto com um misto de curiosidade e satisfação à sua capacidade empreendedora.

A iniciativa vai, salvo erro, na sua quarta edição, e tem vindo a conquistar os amantes da música electrónica da região. No próximo sábado, debaixo da variante que liga a saída das auto-estradas ao centro da cidade de Guimarães haverá gente a dançar. Eu, que nem sou fã do género musical, prometo dar lá um salto.

A verdade é que parece crescer uma nova geração de vimaranenses disposta a realizar em Guimarães eventos modernos e arrojados. E isso merece ser aqui destacado. Arrojado é também o cartaz da festa que aqui reproduzo. Até é capaz de não cair muito bem em mentes mais conservadoras, mas eu gosto destas subversões artríticas da história.

Sintomático é que nos jornais vimaranenses não haja uma única referencia à iniciativa.

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Contra o isolamento, telemóveis

A paixão do actual governo pela tecnologia começa a cheirar a obsessão. Ou então é mesmo sintoma da mais pura falta de ideias. A última e disparatada ideia do executivo é distribuir 4500 telemóveis a idosos do distrito de Braga, com chamadas a custo zero, “com o objectivo de combater o isolamento através de um meio de contacto imprescindível em caso de emergência”.

Contra o isolamento a que anos sucessivos de esvaziamento de capacidade de decisão e de iniciativas que potenciem o investimento – que são, na realidade, as causas do isolamento a que muitos destes idosos foram deixados –, o Estado responde com…telemóveis.

Se não fosse grave, podia ser uma boa piada.

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"No Brasil hospedeira é aeromoça, matrecos é pebolim e fair-play é boxe"

Sugestão do dia: despedimento com justa causa.
Poupavam-se uns trocos, dávamos o exemplo e ainda podíamos ir ao Europeu.

A genial frase do meu amigo Rui.
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A UM morre. O Minho assiste

No mesmo dia em que se sabe que a Universidade do Minho é considerada pela Comissão de Avaliação Externa da European University Association, uma "referência de elevada qualidade, não apenas para as universidades portuguesas mas também para as europeias", o reitor da instituição lança o alerta: "A Universidade do Minho está a morrer".

A instituição necessita de sete milhões de euros para não paralisar por falta de dinheiro, no próximo ano. A UM responsabiliza "o Ministério da Ciência e do Ensino Superior" e o "factor de coesão" que transforma os 5,5 milhões de euros que a UM devia receber a mais no próximo ano, em pouco mais de um milhão e meio.

O problema não é novo, mas a cada ano que passa acentua-se, e o futuro da instituição mais importante da região está em causa. Se os responsáveis são facilmente identificáveis, torna-se menos claro o caminho a seguir para fazer face ao problema.

Num Minho cada vez mais província de um país de umbigo único, este é apenas mais um alerta que a região devia acolher com especial preocupação. E começar a agir.

post scriptum: não deixa de me provocar um sorriso irónico que a UM seja considerada um exemplo na transição para Bolonha. Depois daquilo a que assisti no ano passado em algumas licenciaturas e a confusão de que tenho sido vítima no meu prórprio curso neste ano, se este é o exemplo, imagino a ribaldaria que se vive por essa Europa fora.