Depois de seis anos de participação ininterrupta, enviei hoje à direcção da Cooperativa Editorial O Povo de Guimarães a carta em que comunico a cessação da minha colaboração com o jornal. A confirmação de uma notícia que já vinha sendo aventada há umas semanas levou-me a confirmar uma decisão que, desde que ouvi os primeiros rumores, estava tomada. Faço-o por questões de princípio, de valores e de respeito pela Liberdade.
O motivo é simples: a direcção da Cooperativa que gere os destinos do PG foi renovada – nada contra. Mas os nomes escolhidos para os lugares vagos ferem a credibilidade do jornal e impedem-me de continuar a participar no projecto ao qual dediquei seis anos de vida.
É para mim inconcebível que na direcção de um jornal – que se fez em Liberdade e da Liberdade – estejam pessoas que fazem “tábua rasa” desses valores essenciais da Democracia e do Jornalismo. Jorge Manuel Cristino e Fernando Miguel Araújo foram dois dos principais responsáveis pelo atropelo inusitado à Liberdade de Expressão e à independência de um órgão de Comunicação Social que teve lugar na Universidade do Minho há dois anos.
Nessa época, a direcção do jornal Académico foi afastada das suas funções pelo simples facto de ter noticiado um fracasso organizativo da direcção da Associação Académica da Universidade do Minho com a isenção e transparência de quem faz do jornalismo “profissão”, mesmo que seja ainda um amador. Este atropelo é um “nódoa” na conduta dos dois novos directores do Povo de Guimarães que me ferem nos meus princípios pessoais e profissionais mais elementares, razão pela qual me despedi do PG.
O Povo de Guimarães é um herdeiro de Abril e das suas conquistas. A Liberdade de Expressão é um valor demasiado “sagrado” para um jornalista e devia sê-lo também para as empresas editoriais que suportam projectos de Comunicação Social. Felizmente ainda não dependo do PG para construir a minha vida e tenho esta possibilidade de escolha. Entendo que os profissionais do jornal, por muito descontentes que possam ficar com a entrada dos novos directores, não possam seguir o mesmo caminho. Mas esta tomada de posição pode servir de alerta para que outros colaboradores, que prezam a Liberdade tanto quanto eu, possam também tomar a sua posição.