Vimaranenses acreditam

A sondagem que Colina Sagrada realizou ao longo das últimas semanas via no mesmo sentido. Em 22 votantes – a amostra é muito reduzida, é certo –, 73% acreditam na subida do Vitória – 55% acham que o Vitória poderá mesmo ser Campeão da Liga de Honra.
Esperemos que a equipa confirme as previsões.
A partir desta tarde estará on-line nova consulta.
Semanada III
O projecto “visa a ocupação de um espaço singular, transportando-o para uma promoção da Arte Contemporânea nas suas diversas áreas e expressões artísticas”. A ideia de o levar a cabo num espaço que já foi coqueluche vimaranense – mas que ainda não se livrou da etiqueta de luxo de novo-riquismo sem sentido – é também inteligente.
Teleférico contempla duas exposições com 15 artistas cada e pretende criar condições de recepção, reflecção e divulgação de práticas e pensamentos artísticos contemporâneos. Até 11 de Setembro aconselha-se a visita.
(=) – Centenário da Marcha Gualteriana – Não vou voltar a bater no ceguinho. Sobre as Gualterianas já disse tudo. Mas o programa pobre retira brilho à data, ainda que esta semana tenha sido de justas homenagens aos principais fazedores das Festas.
Os grandes obreiros destes 100 anos foram homenageados. Justamente. A rua onde a Casa da Marcha está sedeada recebeu o seu nome. Na mesma ocasião, foi inaugurado, junto ao edifício, um monumento evocativo da efeméride.
Um trabalho de investigação de Armindo Cachada foi dado à estampo por estes dias, ao passo que o Cybercentro anunciou a realização de um documentário sobre a Marcha Gualteriana. Iniciavas que dignificam o número maior das Festas da cidade e aqueles que ao longo de um século deram o seu saber e esforço em prol da instituição.
A Marcha é um símbolo do que distingue o vimaranensismo: Enquanto noutras terras as marchas se fazem de rivalidades entre bairros, que se digladiam todos os anos, em Guimarães, a cidade une-se para fazer uma festa que é comum. Há 100 anos.
(-) – Câmara não mexe no IRS – Sobre a crise das finanças vimaranenses já falei na passada semana. A última reunião do executivo trouxe mais alguns dados para a análise da questão. A câmara vai cortar o apoio às obras nas freguesias e os subsídios – alguns fazem tão pouco sentido que a medida já chega tarde – como pode ainda vir a acabar com o apoio às IPSS’s.
A nova lei das finanças locais vai deixar os municípios com a corda ainda mais apertada e Guimarães não vai ser excepção. Uma das novidades que o novo diploma prevê é que cinco por cento do valor do IRS pago pelos contribuintes de cada concelho seja canalizado para as autarquias. Desses, três por cento podem, ou não, ser deixados nos bolsos dos contribuintes. Dada a crise que afecta as contas do município, e também a fraca receita que Guimarães arrecada – em função da baixa media salarial do concelho – a edilidade vai querer receber a verba por inteiro.
Do ponto de vista económico percebe-se. A justificação de Magalhães surge precisamente desse ponto de vista: “Para que os valores que vêm para as câmaras sejam os mesmos que vêm agora, temos que contar com os cinco pontos do IRS”.
No entanto, esta parece-me mais uma medida para afastar as pessoas. Se Famalicão ou Braga não alinharem pelo mesmo diapasão, um casal em início de vida não preferirá ir viver para fora do concelho e ganhar com isso uns euros mais no orçamento doméstico?
É fazer as contas…
Vem isto a propósito da próxima época do Vitória. Na última Assembleia-geral, pouco mais de 50 sócios aprovaram o Orçamento do clube para a próxima temporada. Para o futebol profissional está previsto um orçamento anual de 2,5 milhões de euros.
O Vitória vendeu, neste defeso, os seus dois mais importantes activos. Sebastian Svärd vai para o Borussia de Mönchengladbach e Marek Saganowski (na foto) para o Troyes. Segundo a imprensa desportiva, Svärd saiu por um milhão de euros e Sagan por 1,6 milhões. Ou seja, juntos fizeram entrar nos cofres do clube 2,6 milhões de euros. O que equivale a dizer que pagaram a época. Como diria António Guterres: “É fazer as contas…”
Ou seja, a partir daqui é lucro. Os mais de dez mil lugares anuais vendidos, as quotas dos mais de 23 mil associados, os patrocínios e as receitas de bilheteira, etc. Ou estarei a perceber mal o negócio que envolve o futebol?
Semanada II
O objectivo é transformar os óleos domésticos em Biodiesel, uma energia “verde” que será utilizada pelos carros de incêndio dos Voluntários de Guimarães. Para tal, a sede dos Bombeiros contará, a partir de amanhã, com um oleoponto onde a população de Guimarães deverá colocar os óleos utilizados em casa.
A iniciativa é em tudo louvável. Primeiro do ponto de vista ambiental e cívico: reduz a poluição – nas redes de saneamento e, por via indirecta, nos cursos de água – e permitirá alimentar as viaturas dos Bombeiros de forma mais barata e menos poluente.
Mas também do ponto de vista associativo. È bom que uma instituição com a dimensão dos Bombeiros de Guimarães dê o exemplo e mostre saber fazer aquilo que poucos fazem: aproveitar as sinergias resultantes da existência em Guimarães de centros de excelência associados à UM.
(=) Gualterianas – Já aqui escrevi sobre o programa das Gualterianas. Pobre, sem novidades, esquecendo que é de Centenário a edição 2006 das Festas da Cidade.
A organização das Festas esteve também mal na forma como anunciou o programa. No início da semana já aqui tinha escrito sobre ele, uma vez que este já tinha sido anunciado no sítio da Oficina. Mas a apresentação oficial só teve lugar na sexta-feira. Ou seja, os jornais da cidade não trazem o programa – embora este já seja conhecido – porque ele só foi anunciado formalmente no dia em que as edições estão nas bancas.
Por falar em mau serviço: o que dizer da forma como a cidade está iluminada? Não gosto dos motivos populares, mas respeito que é esse o cariz da festa. Contudo, o mau gosto tem limites. Um projector que ilumina a igreja de S. Pedro no Toural com cores diferentes de três em três segundos é mau. Luzes azuis – tipo tunnig – na muralha mais emblemática de Guimarães, é insultuoso.
Alguém acha aquilo bonito?
(-) Crise orçamental no Município – Adivinhava-se o cenário. Mas a forma como o vice-presidente da Câmara, Domingos Bragança o traçou na última Assembleia municipal é assustador.
Bragança confirmou que a autarquia está no “limite do endividamento” e que, desse modo, os investimentos autárquicos vão ser travados. De resto, apenas a circular sul/nascente e a ligação ao AvePark não serão afectados, uma vez que as verbas resultam de protocolos com o Governo central e a União Europeia.
Na mesma sessão, o líder do PS vimaranense afirmou que as estradas “rasgadas e em mau estado” existente “um pouco por todo o concelho” só poderão ser arranjadas num prazo de dois a três anos.
Ou seja, enquanto o concelho – todo – paga o estádio, o CCVF e o novo mercado, vamos continuar a mudar de pneus e suspensões de carros com maior frequência.
Homanegem clandestina
Já aqui tinha falado das homenagens que a Câmara de Guimarães e o Vitória vão prestar a Fernando Meira.Meira não merecerá uma demonstração pública do afecto que os vimaranenses nutrem por ele?
Então, porquê esta cerimónia quase clandestina?
Centenário sem brilho

Se exceptuarmos a realização da Batalha das Flores e do Cortejo do Linho – que acontecem no mesmo ano a título excepcional – e o facto de as festividades terem sido alargadas a dois fins-de-semana, não há novidades dignas de registo.
Aliás, as Festas da Cidade, em ano de Centenário, mereciam um pouco mais de brilho na programação. As festas são populares e não se lhes pode roubar esse cunho, mas a data é única e deveria ser assinalada com a pompa merecida.
A Marcha Gualteriana é um dos ex-libris das Festas – e da própria cidade – e por isso é intocável. Mas merece mais brilho e uma maior divulgação e exposição mediática. E é esse trabalho que falta fazer.
Post scriptum – sou um amante de música e habituei-me a que as Gualterianas fossem um dos momentos em que Guimarães oferecia música à população. Este ano alguém se esqueceu desse pormenor.
Nota solta
Em Itália – que até conhecido como um país de corrupção e máfia – “justiça” é uma palavra com sentido no futebol. Em menos de dois meses, a justiça italiana recolheu provas, julgou e condenou os quatro clubes que compravam resultados na Série A.
No próximo ano Juventus, Lázio e Fiorentina jogam a Série B e o Milan fica de fora da Liga dos Campeões, e começará a Séria A com 15 pontos negativos.
Sem medo de condenar os grandes – e a Juve a Milan sou os dois maiores emblemas do país no que ao futebol diz respeito –, foi célere a justiça transalpina. E puniu exemplarmente quem desvirtuou a competição.
No último domingo, esta mesma Itália sagrou-se Campeã do Mundo de futebol.
Portugal tem um processo semelhante a correr nos tribunais há quase três anos. Ficamos nas meias-finais do Mundial. Com uma equipa quase exclusivamente constituída por emigrantes. E alcançando um feito com 40 anos. Será por acaso?
Semanada I
(+) Infantis do Francisco de Holanda Campeões Nacionais – No espaço de um mês, dois títulos. Em Junho, foram os iniciados que se sagraram Campeões Nacionais. No último fim-de-semana, os infantis repetiram a dose.
Os jovens do “Xico” aproveitaram o “factor casa” e deram uma prova inequívoca do trabalho de qualidade que a formação do clube tem vindo a fazer. Mesmo com dificuldades, o DFH continua a formar grandes craques no andebol, perfilando-se cada vez mais como uma das escolas mais importantes da modalidade a nível nacional. Em exemplo estóico que vale a pena seguir.
(+) – A Universidade do Minho e a Câmara Municipal anunciaram esta semana que se vão associar num projecto que visa “a integração da Universidade na malha histórica urbana”. A ideia é recuperar o quarteirão de Couros, que assim poderá será o motor “de uma nova lógica de desenvolvimento económico para a cidade”.
Fazer da Zona de Couros o novo motor da cidade é uma ideia antiga. Que aplaudo. Associar o projecto a uma instituição com a credibilidade da UM faz ainda mais sentido. E trazer o Academia para o centro da cidade é uma decisão acertada, que já devia ter sido tomada há mais tempo. Assim, em 2009, Guimarães terá “nova cara”. E logo na freguesia mais negligenciada pelo poder local de entre aquelas que constituem a malha urbana.
(=) Fernando Meira homenageado – Só peca por tardia a homenagem ao defesa-central da Selecção Nacional de futebol – devia ter acontecido logo após o regresso a Portugal.
A violência no Centro Histórico existe. Mas não é tão grave como a pintam. Afirmar que é perpetrada por grupos “organizados” é, no mínimo, irresponsável. Da forma como é descrita, dá a sensação, para quem não conhece a situação, que a violência se tornou uma espécie de desporto oficial da cidade nas noites de sábado.
Sou um dos habituais frequentadores do Centro Histórico nas noites de fim-de-semana. Já tenho assistido a situações desagradáveis. Mas estas acontecem de forma esporádica.
E acontecem tanto aqui como noutras cidades do país. Traçar este retrato de vandalismo dos jovens de Guimarães é injusto e inconsciente.
Há porém uma questão em que estou de acordo: falta policiamento na zona nobre da cidade. Locais como este, que juntam centenas de pessoas, deviam ter uma presença policial mais efectiva – com o efeito dissuasor que dai advém. E logo numa cidade com dois corpos policiais.
Outra questão que esta situação levanta: os jornalistas esquecem-se da sua responsabilidade social? “Que ninguém tenha dúvidas: nas noites do Centro Histórico tem vindo a aumentar a violência” (sic - Comércio de Guimarães). E há números? Ou é a sensação do senhor articulista e cabe-nos aceitá-lo acriticamente?
Com tamanho alarmismo, o Centro Histórico corre o risco de virar Centro histérico.
Novas funcionalidades
Colina Sagrada está hoje de cara lavada, com um novo template. Renovei o hit counter. E inaugurei uma nova funcionalidade: uma sondagem.
O primeiro tema da sondagem é a projecção da nova época do Vitória. Com uma periodicidade de 15 dias a três semanas prometo renovar a pergunta e comentar os resultados. Valem o que valem, é certo – e como eu gosto desta expressão! –, mas podem servir para sentir o pulso à cidade.
Amanhã haverá mais novidades…
Entre a aldeia e a cidade
Desde o primeiro ano em que esta se realiza, costumo passar por lá. Além das ligações familiares à vila, gosto do ambiente da Feira. Gosto das manifestações da cultura popular. Dos cantares ao desafio e dos ranchos folclóricos; do artesanato tosco e dos restaurantes típicos – vinho tinto servido em malgas e enchidos. Gosto dos produtos da terra – o vinho verde, as frutas, os vegetais e o gado.
E gosto de algumas manifestações do kitsch que por lá se encontram.

Uma dessas manifestações está documentada pela foto. Explicações secundárias? Para quê? É o duvidoso gosto popular – e a recorrente associação fálica dos vegetais – na sua mais perfeita demonstração. É o grotesco puro aos pés do santo da devoção local – e é aí que me encanta a religião, nas suas manifestações populares: tão pouco canónicas e tão pagãs. É o povo que olha deliciado, os comentários machistas… Pode parecer estranho, mas gosto deste mundo. Gosto de saber que somos capazes de rir de nós próprios de uma formas tão desprendida.
Mais abaixo, no mesmo espaço, a banca do mestre Zé. Construtor e vendedor de bombos. E eles – os bombos – lá estavam: peles curtidas e aros bem fixos. Na banca dois miúdos. 13 ou 14 anos. Provavelmente netos do mestre.
Naquele cenário de ritualização da ruralidade, havia uma nota que destoava. Os dois miúdos ouviam hip-hop. Tentavam vender bombos ao som de um beat bem diferente daquele que as peles proporcionam.
Símbolo máximo do movimento-urbano – a par dos graffiti – aquela manifestação artística fora do contexto tem o seu quê de kitsch. E não deixa de ser divertido que os “putos” abanem a cabeça ao som de umas rimas, perante o olhar dos “vizinhos”: a vendedora de mel e chás e o artesão que vendia gaiolas para pássaros.
E este sinal de pós-modernidade em plena manifestação tradicional tem o seu quê de interessante. Provavelmente até vou voltar a ela aqui neste espaço.
New Begining
Agora que terminaram os exames, vou ter mais tempo para o Colina Sagrada. Prometo.
Em oito meses Guimarães pouco mudou. Excepto no campo futebolístico, em que vivemos um ano para esquecer. O Moreirense e o Torcatense desceram de divisão. O Sandinenses, o Ronfe e o Pevidém acabaram com o futebol sénior. Pior ainda: pela primeira vez em 50 anos o Vitória desceu de divisão.
O mais estranho foi o que se passou a seguir. Os responsáveis pela descida passaram quase todos impunes – o bode expiatório acabou por ser um franco-tunisino de 1,65m, certamente um dos menos culpados pela catástrofe.
A ausência de alguém com coragem na cidade para assumir as rédeas do clube e a estratégica antecipação da direcção – inteligente, diga-se – deram a volta aos associados. Quando todos pensávamos que iríamos ter uma purga, assistimos a um controlado plebiscito que manteve à frente de um dos maiores símbolos da cidade os seus próprios coveiros.
Desde Novembro que Guimarães está praticamente sem actividade política. De memória só me lembro de um discurso fascista de um deputado “laranja” nas comemorações do 25 de Abril, a que quase ninguém deu atenção. Ou de uma interpelação do mesmo partido à câmara municipal sobre uns terrenos nas costas da Universidade do Minho que ainda não teve resposta. Mas vai ter…
O momento político vimaranense chega a roçar o delírio. Têm dúvidas? Vimos a melhor imagem desse facto há duas semanas. A hipotética contratação por um colosso europeu de um miúdo de 15 anos, jogador de futebol em formação no Vitória, foi tema de discussão em plena reunião de câmara. E com uma proposta hilariante para castigar “os vilões” responsáveis por tamanha malfeitoria.
Daqui para a frente vou estar atento. Por aqui.
Duas propostas
Aproveito para propor a visita a dois blogues:Ficheiros Discretos - que eu e três colegas, o Vítor, a Susana e o Michele, alimentamos no âmbito da cadeira de Jornalismo do 3º ano do curso de Comunicação Social da UM.
4800 Guimarães - Um visão sui generis, divertida, mas certeira de Guimarães e da nossa forma de estar.
Uma nota de humor...
Cavaco corre o risco de perder as eleições... O CDS-PP de Guimarães anunciou o apoio ao antigo primeiro-ministro. Um sério revés!Balanço de alguns meses de inactividade
Passadas as férias e as Autárquicas, e agora que o curso começa a dar tréguas – o trabalho tem sido mais que muito –, regresso ao convívio bloguista, não sem antes fazer um pequeno balanço de três meses de vida vimaranense.
- António Magalhães foi reeleito, com maioria absoluta. Pelo meio deixou mais um mau serviço à democracia vimaranense ao recusar debates com os restantes candidatos à CMG e atingindo o cumulo do ridículo ao fazer um debate a dois com o candidato do CDS-PP;
- Ainda na política, várias juntas de freguesia do concelho mudaram de mãos nas Autárquicas, o que, sem olhar às mudanças em si, é um bom sinal. O povo sabe – nem todo é verdade – que é de mudança que se faz a evolução;
- Entretanto, os órgãos autárquicos tomaram posse, com novas caras e com um “novo” presidente da CMG. Magalhães apareceu após a reeleição com um discurso morto, sem alma e sem ambição. Não lançou nenhum objectivo para o mandato – como vinha sendo seu timbre – e escudou-se na desculpa da falta de verbas (Guimarães é o segundo concelho menos endividado do país…). Será que chega ao final do mandato? Ou este discurso apenas está a abrir as portas à saída previsível?
- O Vitória, apesar da boa campanha europeia, tem sido pouco menos que sofrível, com apenas três triunfos em dez jogos, na Liga e, se as coisas não mudam, corre o risco de ir parar à Liga de Honra. O que seria catastrófico…
Certamente passaram-se outras coisas não menos importantes no concelho e na cidade. Estas são as que neste momento me parecem mais pertinentes registar. Aproveito para lançar o desafio aos leitores. Que outros acontecimento destacariam na vida de Guimarães dos últimos três meses?
Romper com o estigma
Com a devida vénia, cito um parágrafo da reportagem de Cesaltina Pinto e Paula Cardoso que, acredito, ilustra de forma excelente a mensagem que temos de ser capazes de fazer passar: “São empresas portuguesas que perceberam que uma marca é essencial para as transacções no mercado global, que inovar e criar coisas diferentes é meio caminho andado para conquistar nichos de clientes (…). Acabe-se então com o choradinho nacional e contrarie-se a ideia de que somos a “China da Europa” e só sabemos vender mão-de-obra barata.”
De facto, um país que tem marcas como a Throtleman, a Silampos ou a Vista Alegre não pode ser um país menor, nem ter vergonha de assumir como suas marcas de excelência a nível mundial, que ombreiam sem medos com nomes grandes da indústria global.
E entre as 11 empresas escolhidas pela Visão como exemplos de sucesso encontram-se duas empresas vimaranenses: Cutipol e Kyaia – através da marca de calçado desportivo Fly London. Além de um motivo de orgulho para Guimarães, este deve ser encarado como um incentivo a uma nova forma de pensar – e de estar – dos empresários da região. Para seu bem pessoal: deixam assim de ser olhados como patrões empenhados em engordar contas bancárias e compara bólides em leasings nos nomes das empresas e passam a ser “bussiness men” respeitados e dinâmicos; e para bem da região – e de Portugal –, com benefícios óbvios em termos económicos e sociais: cria-se emprego, gera-se riqueza, valorizam-se as pessoas.
Incoerência
De entre todos os novos cartazes, o que mais me espantou foi o da candidatura do PSD à da Junta de Freguesia de Urgezes. Não só pelo facto de uma Junta de Freguesia, por mais importante que ela seja, justificar tamanha envergadura publicitária, mas – especialmente – porque o actual presidente da Junta e candidato “laranja” à freguesia surge no cartaz com o Centro Cultural de Vila Flor como pano de fundo e o “headline”: “Urgezes vai continuar a crescer”.
Então o PSD, que sempre se bateu contra Vila Flor, defendendo a solução Teatro Jordão, usa a nova valência como mais-valia na campanha autárquica, “vendendo” o equipamento como mérito seu no crescimento de Urgezes?
Chamem-lhe o que quiserem. Para mim é a mais pura das incoerências. Mas a ela já nos vamos habituando no terreno político vimaranense...
Marcha Gualteriana
Numa época em que milhares de emigrantes regressam a Portugal, de férias, a cidade enche-se de vimaranenses – residentes ou não –, mas também de muitos forasteiros encantados pela cor de que se reveste a cidade Património Mundial.
Sem pôr em causa o trabalho – fantástico, sublinhe-se – dos obreiros da Casa da Marcha que, durante um ano, há quase um século, erguem os carros alegóricos e os fazem desfilar pelas ruas da cidade, este ano dei com uma situação evitável, que, de algum modo, me chocou.
O primeiro carro do desfile é, invariavelmente, o Carro da cidade, dedicado a Guimarães e com os principais símbolos da cidade como ornamentos essenciais. Até aqui nada de mal… Mas a tradicional dedicatória desse carro era, este ano, “ao trabalho desenvolvido pela Câmara municipal” e, na descrição do mesmo, era ainda dito que para o orgulho vimaranense “actualmente, contribui bastante o esforço conjunto de uma equipa que trabalha incansavelmente para que este progresso seja contínuo”.
Às tantas tem sido assim todos os anos e eu é que ando com o sentido crítico mais aguçado, mas em ano de eleições, exigia-se, no mínimo,... mais cuidado!
A Casa da Marcha, como uma das instituições mais antigas e valiosas da cidade devia evitar este tipo de papéis que, não só não a engrandecem, como podem colocar em causa a sua seriedade.

