Subsídio público para a azelhice privada

Circula há dias em alguns estabelecimentos comerciais vimaranenses um "Guia de Guimarães" editado pela empresa de publicações periódicas Porto de Sempre. Com uma tiragem de 10 mil exemplares e paga por publicidade quase maioritariamente de empresas privadas que viram ali um meio de promoção. Nada contra.
A edição é má, feita com fotografias maioritariamente disponíveis on-line e cuja autoria não é creditada. A edição é má, feita com textos copiados da internet e alguns deles claramente desfazados da realidade, como aquele em que se indicada que o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta funciona na antiga capela do convento de Santa Clara.
A edição usa, parece-me que de forma abusiva, o logótipo desenhado pela autarquia para pomover a Capital Europeia da Cultura de 2012 (foto acima). A edição ilustra o texto sobre a Câmara Municipal de Guimarães com uma fotografia do edifício da Câmara Municipal de Braga...(foto abaixo, canto superior direito).

Tudo isto seria apenas uma curiosidade, entre o divertido e o trágico, não fosse dar-se o caso de a mesma edição ter sido também paga com dinheiro públicos. Logo na página 3, é afirmado "Edição com o alto patrocínio da junta de freguesia de Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião".
Estas três autarquia, que tantas vezes se queixam da falta de recursos, pagaram, com dinheiro que é de todos, um edição má, com erros graves, cujo objectivo é puramente comercial e da qual não se vislumbram mais-valias para as mesmas.
Pergunto: Que gestão dos dinheiros públicos é esta? Que critérios presidem à decisão de apoiar esta edição? Que critérios presidem à decisão de colocar dinheiro público a pagar uma edição claramente comercial? Que tipo de acompanhamento deram as autarquias em causa ao processo de feitura da edição sob forma de evitar erros como os que aqui se reportam?
Da próxima vez que disserem que não mudam uma lâmpada na minha rua porque a câmara não deu dinheiro, lembrem-se antes de onde o andam a gastar!
Tranquilidade a sul do Toural
O fim do unanimismo?
Fiquei absolutamente surpreendido com o artigo da Juventude Socialista publicado na edição deste fim-de-semana do Povo de Guimarães. Não que discorde dele, pelo contrário. Mas o texto (não disponível on-line) critica a política municipal no que à ocupação do centro histórico diz respeito e aponta uma realidade sobre a qual já diversas vezes me debrucei neste espaço.
Diz a JS que há um perigo de “desertificação do centro histórico” e pede, por isso, um programa municipal de apoio ao arrendamento jovem no centro da cidade. Sobre isso já por mais de uma vez escrevi no blogue. Aliás, a minha recente experiência como morador do centro histórico mostrou-me uma oferta desequilibrada, que oscila entre os preços escandalosamente altos e a falta de condições mínimas.
Estando de acordo com grande parte do texto e com o princípio subjacente às posições propostas, surpreendeu-me, no entanto, que os jovens socialistas tenham sido tão assertivos na crítica à câmara que o seu partido lidera há 20 anos. Não me lembro de nada igual nos últimos tempos. O que ser terá passado, então? Trata-se de uma questão pontual onde há uma pouco comum diferença de pontos de vista entre juniores e seniores? Ou a unanimidade está a chegar ao fim, numa altura em que o PS vimaranense está prestes a entrar num processo de definições, com vista a 2013?
Sabes que vives numa aldeia...
...quando um jornal faz capa com a abertura de um restaurante de fast food.Temos assim tão poucas coisas relevantes no concelho? Não acontece nada de interessante? Se assim for, não entendo como é possível ouvir insistentemente perguntar porque não há um jornal diário em Guimarães...
Gestão pública e boas práticas
Vereador José Augusto Araújo em acumulação ilegal
O vereador dos Recursos Humanos da Câmara de Guimarães, José Augusto Araújo, acumula o cargo com o de director da Escola Secundária de Caldas das Taipas. As duas funções são incompatíveis, o que pode dar origem a um procedimento disciplinar por parte da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). O autarca faz outra interpretação da lei, mas diz-se disposto a acatar as possíveis consequências. (...)
Este professor tem competências delegadas na área dos Recursos Humanos, mas exerce o cargo em regime de não permanência, pelo que não tem tempo atribuído, nem aufere qualquer vencimento, além das senhas de presença nas reuniões do executivo. Após a eleição como vereador, José Augusto Araújo manteve o cargo de director da escola, uma acumulação incompatível à luz do Decreto-Lei n.º 75/2008.
Contactada pelo Público, a DREN informou que "o exercício do cargo de director é feito em regime de dedicação exclusiva, o que implica a incompatibilidade com o exercício de outras funções". A lei estabelece que o cargo não pode ser acumulado com "quaisquer outras funções, públicas ou privadas, remuneradas ou não". As únicas excepções são a participação em entidades de representação das escolas, grupos de trabalho criados pelo Governo, actividade artística ou voluntariado no quadro de associações ou Organizações Não Governamentais.
O caso de Araújo poderá mesmo levar a DREN a abrir um inquérito disciplinar ao vereador. "Em caso de incumprimento, poderá ocorrer infracção disciplinar, sendo então encetadas as diligências e/ou adoptados os procedimentos inerentes", avança fonte da DREN. As sanções para este tipo de incumprimento podem ir da repreensão escrita à demissão, implicando o fim da comissão de serviço na direcção da escola.
O vereador não vê incompatibilidade entre as funções. "Trata-se de um exercício de funções políticas que não colide com as limitações impostas ao cargo de director (...)". José Augusto Araújo assume, no entanto, que caso o Ministério da Educação ou algum órgão municipal entendam que as funções não são acumuláveis, está "disposto a agir em conformidade".
Tom Zé
O homem é brilhante. Uma figura incontornável da cultura Lusófona. Como músico, encanta-me a versatilidade, mas também a persona pública que revela, um misto de intelectual amaldiçoado e provinciano provocador. O concerto de ontem, no CCVF, foi por isso fabuloso. Um êxtase de humor e inteligência que dificilmente vou esquecer. Uma vénia, seu Tom.Vimaranenses
Queremos começar o ano a mostrar vimaranenses que valem a pena. Nuno Cachada é um deles. Como se pode ver neste video, gravado ao vivo na Casa das Artes de Famalicão, e que anda pelo youtube.
O novo PG
O novo ano trouxe um novo jornal a Guimarães. O Povo de Guimarães é um velho título, mas a avaliar pela nova cara, quer voltar a ser o mais moderno. O novo design é muito bonito, embora peque pela demasiada colagem ao moderninho i. Mas é uma lufada de ar fresco desde logo na imagem do próprio jornal e depois na cinzentona imprensa local.Tenho duas dúvidas: Vai o PG a tempo de travar a delapidação da marca que o atingiu nosa últimos anos? Será esta mudança gráfica acompanhada por uma (necessária) mudança a nível de conteúdo do jornal?
Apesar das questões, parece-me que o PG está num caminho de melhoria, o que me satisfaz. E a minha segunda questão pode ter tido uma boa resposta no último número antes da alteração gráfica: o Povo foi o único jornal local que tratou a apresentação do Plano Estratégico da CEC como o documento merecia: uma apresentação de algo estrutural e não uma assinatura de um mero protocolo como vi pelos outros jornais. Se assim continuar, vai melhorar. Bom trabalho.
2009 em revista
Da Assembleia Municipal de Guimarães
O problema das tarefeiras
Para os devidos efeitos se torna público que por despacho do Vereador de Pessoal, datado de 1 de Junho de 2009, no uso de competências (...), foi determinado a aplicação de um único método de selecção — Prova Escrita de Conhecimentos a todos os candidatos ao procedimento concursal para 48 postos de trabalho para a carreira de Assistente Operacional (Auxiliar de Acção Educativa), aberto por aviso publicado na 2.ª série do DR, de 4 de Maio de 2009, devido ao elevado número de candidatos ao procedimento concursal e os postos de trabalhado terem de estar preenchidos aquando do início do ano lectivo 2009/2010.
Novidades vimaranenses
Fado ameaça Nicolinas
Hoje, às 21h30, no Museu Alberto Sampaio, é inaugurada a exposição Vimaranenses: As Mãos e as Máquinas. Na mesma ocasião é lançado o segundo volume dos Cadernos da Imagem, uma edição da secção de fotografia do Cineclube de GuimarãesA nova câmara
De novo o fogo

Seriedade
Ao assumir que não tomará posse esta manhã como vereador na câmara de Guimarães, Vítor Ferreira toma uma posição séria. De resto, em linha de conta com o que tem sido a sua participação pública. Às vezes até em excesso.
Ferreira falhou. Falhou rotundamente, aliás, já que o PSD teve um resultado muito aquém das suas expectativas e até da história recente do partido em Guimarães. E assumiu isso. Mas não fui o único a falhar. E por isso estranho que o tenha assumido sozinho. Foi ele a carne para canhão num momento difícil para o partido, em que a vitória de Magalhães era já quase assumida.
Aliás, as declarações de Vítor Ferreira, deixam, quanto a mim, perceber alguma mal-estar do agora ex-vereador junto de alguns sectores do partido.
O facto de ser independente e conotado ideologicamente com a Esquerda foi uma fragilidade do candidato junto do eleitorado e junto do partido que o apoia. Ao anunciar que sai da câmara para dar mais espaço ao partido, Ferreira parece confirmar a minha leitura.








