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E agora?

A moção ontem aprovada pelo Conselho Geral da FCG é de tal modo violenta para com algumas opções da administração que quase fala por si. Mas ao exigir que se criem “condições para relançar a confiança e entusiasmo em torno do projecto” e “melhorias rápidas e eficazes” na comunicação do evento, os conselheiros acabam por fazer a mais relevante crítica recebida pela administração desde que iniciou funções.


O documento mostra uma coisa: acabou-se a margem de manobra dos gestores da CEC. E só se estranha que tenha sido necessária a intervenção de Jorge Sampaio para que finalmente houvesse uma censura forte a algumas opções que já mereceram reparos dos vimaranenses várias vezes ao longo dos últimos meses.


Os conselheiros fartaram-se do triste espectáculo que tem sido a preparação da CEC e exigem mudanças rápidas. O documento foi aprovado por unanimidade, mas apresentado inicialmente pelos “pesos pesados” do Conselho, Sampaio, José Manuel dos Santos, Braga da Cruz e Adriano Moreira. O que também demonstra que as críticas, ao contrário do que foi dito não há muito tempo pela principal responsável da FCG, não são apenas feitas nos jornais.


Ao dizer o que disse, o Conselho põe a partir de agora o ónus do que possa correr mal sobre a administração. E impõe mudanças que, se não acontecerem, podem vir a resultar numa reacção ainda mais enérgica por parte de Jorge Sampaio, o porta-voz do bom senso na Guimarães 2012 desde que esta começou a ser preparada.


As críticas feitas não são novas para quem tem acompanhado minimamente o processo. Mas parece-me particularmente importante o relevo dado à falta de envolvimento dos vimaranenses na Guimarães 2012. O Conselho dá razão às críticas das associações locais e exige mudanças. O Conselho Geral aponta também baterias à política de comunicação do evento, que tem sido uma verdadeira catástrofe neste ano e meio de vigência da FCG.


Mas a moção de nada valerá se não acarretar consequências. Como se pode criticar tão duramente a política de comunicação e manter a confiança nos responsáveis pela mesma? E que alteração de fundo vai haver na organização da Fundação que permita, por exemplo, dar mais poder à vereadora da Cultura, como é exigido pelos conselheiros?


É isso que falta perceber: que impacto real terá esta tomada de posição enérgica. Esse será um motivo extra para nos mantermos atentos ao longo dos próximos dias. Porque estou em crer que só depois de verem o que se vai passar no palácio Vila Flor é que os vimaranenses se disponibilizarão a assumir a segunda parte do repto lançado ontem por Sampaio: o de se voltarem a dirigir à Fundação como uma entidade em quem podem confiar para fazer da CEC um evento de todos.


Post scrtipum: Sobre a programação cultural, nem uma palavra é dita. Penso ser um sinal de que os conselheiros não estão preocupados, por acreditarem que essa é a área que melhor está a ser trabalhada. É também a minha opinião, se exceptuarmos um ou outro exemplo menos feliz.

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Bastos

Não me apetece escrever sobre o tema de que mais tenho ouvido falar nos últimos dias. Porque me entristece perceber que a realpolitik à nossa moda possa dar cabo de quase dez anos de trabalho na cultura vimaranense e a cinco de afirmação do Centro Cultural Vila Flor como o melhor equipamento do género existente no país.

Apetece-me antes falar de José Bastos e de uma conversa que tive com ele, ainda o CCVF não era sequer um estaleiro. Falou-me de residências artísticas, de projectos de comunidade, da aposta numa cidade que se afirmasse pela criatividade. Foi há oito anos, ainda a Guimarães 2012 era mais do que uma miragem.

Não estivemos sempre de acordo, como alguns textos publicados neste blogue foram disso testemunho. Duvidei - e não fui o único - que o caminho que estava a ser traçado para o CCVF desse frutos. Cinco anos volvidos, restam poucos críticos. E duvido que haja alguém que desminta que este é o melhor centro cultural do país.

Três coisas explicam isto. A primeira é que a programação do CCVF foi sofrendo ajustamentos, mostrando uma abertura assinalável às discussão que se iam fazendo na cidade. A segunda é que essas alterações não traíram o essencial: uma linha de rumo que estava traçada desde o início e que nos trouxe ao lugar onde estamos hoje. Porque se Guimarães tem um espaço no panorama cultural português, deve-o sobretudo ao CCVF e obviamente ao seu principal responsável.

A terceira explicação é que as casas de cultura que foram referência a muitos dos críticos de José Bastos foram caindo no esquecimento, porque não tinham nem a linha estratégica do CCVF, nem a capacidade para se reinventaram em momentos de crise.

Feito o elogio, resta-me uma certeza: aconteça o que acontecer daqui para a frente, o simples facto de se por em causa este trabalho por motivos menores é já uma derrota. Dez anos de aposta na Cultura não fizeram afinal de Guimarães um lugar de gente mais culta.

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José Bastos

Lancei uma petição pública há dois dias com o título "Queremos José Bastos no CCVF e na CEC". O título e o texto da petição falam por si. Peço-vos que a leiam e se estiverem de acordo assinem.

No meio de todas as polémicas, boatos e silêncios que têm preenchido a agenda da CEC, é incompreensível que o episódio dos cargos de José Bastos, na Oficina e na Fundação Cidade de Guimarães, tenha sido o que gerou a reacção mais enérgica e pró-activa de António Magalhães, forçando José Bastos a escolher entre o lugar onde, nos últimos 5 anos, tem mostrado a sua reconhecida competência e o cargo de programador da Capital Europeia da Cultura.

Com a entrada de José Bastos no núcleo de programadores, fortaleceu-se o elo de ligação entre a Fundação e a cidade, entre o programa cultural de 2012 e tudo que a cidade tem sabido fazer até à data. Ainda mais importante, é o programador que certamente mais ênfase poderá colocar no pós-2012, na necessidade de que a festa não seja um fim em si mesma.

Tornar o cargo de programador da CEC (função que no essencial já executa enquanto director artístico do CCVF) incompatível com o de administrador d'A Oficina, parece a manifestação de uma vontade política clara: a de separar as águas entre a Fundação Cidade de Guimarães e o poder local. E isto não deixa de ter em si uma certa ironia, quando, ao mesmo tempo, a cidade continua a pedir à Fundação que saia do Palácio e se ligue mais aos vimaranenses.
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Um clássico (II)

Sobre isto, leiam isto.
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Um clássico

A culpa é do mensageiro. É assim que a presidente da Fundação Cidade de Guimarães resume as críticas públicas de que tem sido alvo a sua gestão da Capital da Cultura. Um clássico do alijamento de responsabilidades que, de tão velho, começou há muito a cair em desuso.

"Tem sido puxado ao conhecimento público uma apreciação sobre alguns aspectos que decidiram escolher da Capital da Cultura que não foram apresentados positivamente. Daí a imaginar que há um descontentamento da população vimaranenses em relação à CEC é extravasar e exagerar um bocadinho na apreciação que se faz", afirma ao canalguimarães.com. E, acrescenta: "Trata-se de um conjunto de notícias porque de resto não tenho pedidso de esclarecimento de mais lado nenhum".

A presidente da FCG decidiu atirar sobre os jornais e os jornalistas. Como se as notícias fossem textos de opinião ou postas blogueiras. Não são. Aliás, têm reportado críticas de pessoas com nome e com cara - à excepçao do movimento A Capital é Nossa - e como tal perfeitamente capacitadas para assumirem as críticas.

Teria feito bem melhor a presidente da FCG se tivesse pensado de outro ponto de vista. Se a mensagem não passa, já ponderou a hipótese da culpa ser da mensagem? Ou de quem a transmite?

Mostra ainda, com estas declarações, que não percebe duas coisas. A primeira é que não percebe que não há notícias coerentes onde não há factos. E nem uma qualquer conspiração pouco provável entre jornalistas chegaria para justificar que as notícias de que fala não tivessem adesão à realidade. Têm. Como mostrou a insuspeita reportagem da Visão, feita por uma jornalista que, salvo erro, poucas vezes veio a Guimarães em trabalho.

A outra coisa que a líder da FCG mostra é que não conhece Guimarães. Já o tinha feito na rábula dos media partners. Agora volta a mostrar que não faz mínima ideia de como funciona este concelho. Não basta ser fotografada na esplanada da praça de S. Tiago para ouvir, de facto, os anseios dos vimaranenses. É preciso falar com eles. Basta sair do palácio, descer a avenida e parar uns minutos que seja no Toural para perceber que a conversa não escapa ao mais comum dos cidadãos.

post scriptum: A presidente da FCG desafia nas mesmas declarações ao canal de TV online a encontrar instituições locais que não estejam a ter um papel activo na programação. De repente, lembro-me de três: A Associação de Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães, a associação Reflexo (é nas Taipas...) e o Gabinete de Imprensa de Guimarães. Não me parecem irrelevantes. E depois é preciso perceber a importância daquilo que algumas das nossas principais associações estão a fazer para a CEC: Não basta tê-los a dobrar jornais para tornar os nossos artistas úteis ao evento.
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Merchandising




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Something is rotten in the state of Denmark


Dizem-me que o "Comércio de Guimarães" avança com mais detalhes sobre a questão. De manhã se verá.

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SuCECso

Neste momento, temos já suficiente informação sobre a CEC2012 para começar a perceber o que se irá passar em Guimarães ao longo do próximo ano. Ainda há muitas lacunas, que suponho que serão preenchidas a prazo. Mas podemos começar a perceber como poderá a CEC ser um sucesso para nós. É esse exercício que aqui faço.

São muitas as obras de requalificação do espaço público que irão ocorrer até lá. Permitirão a quem visita Guimarães usufruir de espaços valorizados, mais adaptados às actuais exigências da nossa sociedade. Espera-se, por exemplo, que venha a ser melhorada a vivência na Colina Sagrada e do Toural e Alameda, permitindo assim reanimar essas zonas, que de certa forma perderam "vida". Serão lugares onde poderemos estar, mais aprazíveis ao convívio e abertos a novas possibilidades na sua animação, permitindo acções (culturais, de artes performativas, por exemplo) até aqui de mais difícil concretizar, valorizando-se também o património edificado existente nestes espaços.

Fotografia da exposição "Árvores do Mundo", disponível no site de Guimarães2012.

Haverá mais oportunidades para a criação artística na cidade. Hoje em dia, Guimarães tem já um nível bastante razoável de programação cultural, mas sente-se uma grande lacuna na criação artística, que os responsáveis por este projecto desde cedo assumiram pretender suprir. Isto acontecerá com a residência de artistas, permitindo que artistas de fora venham a Guimarães produzir e realizar projectos culturais e artísticos, bem como com a Plataforma das Artes, com os seus Ateliers Emergentes de Apoio à Criatividade, "espaços de trabalho vocacionados para jovens criadores que, em diversas áreas de actividade, pretendam desenvolver projectos de carácter temporário" (Notícias de Guimarães de 4/2/2011). Com a visibilidade que estes projectos prevêem, pretende-se também contagiar outros sectores da sociedade vimaranense para este tipo de criações, a maioria delas provavelmente de cariz contemporâneo. Na mesma Plataforma haverá espaço para exposições temporárias e para a colecção José de Guimarães (suponho que a sua colecção de arte africana e pré-colombiana, como chegou a ser noticiado há uns tempos).

Em Couros surgirá um conjunto de edifícios construídos em parceria com a Universidade do Minho, procurando aproximá-la ainda mais da cidade, trazendo consigo as suas valências mais vocacionadas para o design, uma outra aposta estratégica importante para Guimarães (quer falemos de design têxtil, industrial ou de polímeros). Não esquecer que o design é uma das actividades que se integra no conceito abrangente de indústrias criativas, hoje muito em voga e cujo impulsionamento no nosso concelho foi também assumido pelos responsáveis. Aliás, na Plataforma das Artes, aproveitando toda a dinâmica cultural que acontecerá em Guimarães, terá um espaço vocacionado para a incubação de projectos empresariais neste sector.

Da programação cultural sabe-se que será diversificada e intensa. Conhecemos vários projectos que acontecerão na área do cinema e do audio-visual, pretendendo reinterpretar a cidade e projectar a sua imagem no exterior. É um bom sinal e uma aposta segura, de que resultarão muitos "produtos" para memória futura. Da música erudita à dança, às artes performativas ao teatro e às novas tendências musicais urbanas, sabemos que haverá espectáculos para todos os gostos. É bom. Mas não me aprofundarei muito nesta análise pois ainda não foi divulgada a respectiva programação. Registe-se apenas a pluralidade, que permitirá abranger públicos muito diferentes, esperando eu que permita também despertar novos públicos.

O sucesso de tudo isto será o "lastro, a semente" (palavras de Gabriela Canavilhas) que ficará. Os projectos são ambiciosos, principalmente pela diversidade de campos que abrangem. Pretende-se sobretudo que o investimento feito nesse ano não se conclua nele, gere reprodutibilidade. Os consumos culturais em Guimarães terão de aumentar, em número de consumidores e em quantidade (e não atravessamos a época mais simpática para que isto aconteça). Teremos de ser capazes de tornar Guimarães num palco cultural relevante para o Norte de Portugal, ou até para o Noroeste peninsular. E a concorrência aqui será feroz. Para que a CEC seja um sucesso Guimarães precisará de continuar a alimentar o sector cultural (e não poderá nem deverá ser a Câmara ou a Fundação a garantir este "alimento"). A sociedade terá de se dinamizar e despertar para outro tipo de práticas e vivências da polis. E é este despertar que a CEC poderá trazer.

Para que isto aconteça, é também da máxima importância que a CEC chegue a todos os vimaranenses. Não se pode ignorar que uma numerosa franja da nossa população não está sensibilizada para o tipo de oferta cultural que teremos. É importante levar a CEC até eles. É o que afirmam pretender os responsáveis, em particular no teatro. Seria importante que, por exemplo, as nove vilas do concelho tivessem actividades regulares a acontecerem lá. Mesmo que a nível de públicos o sucesso não seja estrondoso (mais do que ver, no sector cultural importa poder ver). A área de Comunidade poderá dar aqui uma ajuda muitíssimo relevante: já provou ser capaz de, partindo de ideias simples e pouco exigentes em termos de recursos, conseguir resultados espantosos e que envolvam a população.

Certamente que a CEC não será panaceia para todos os males de Guimarães, não criará milhares de postos de trabalho nem eventualmente trará emprego a quem mais dele precisa (os desempregados do têxtil, por exemplo). Mas poderá ajudar a criar uma nova dinâmica que ponha Guimarães no mapa da economia criativa peninsular e europeia.

E não nos podemos esquecer de quem mais pensa e traz oferta cultural a Guimarães, historicamente. Falo das associações, um movimento da máxima relevância para a nossa sociedade. Dizem-nos que há projectos a serem trabalhados com estas (o famoso milhão de euros da Tempos Cruzados, de que ainda não se sabe muito). Espera-se que este investimento seja também reprodutor, que lhes permita dar o salto que precisam, mudar métodos de trabalho, que as qualifique em termos físicos e humanos para os muitos desafios a que todos teremos de responder se quisermos que, efectivamente, a CEC seja um sucesso para além da grande festa que será 2012.

Importa também perceber que todos estes aspectos estão interligados. Do sucesso do trabalho fora do centro urbano (onde, por norma, a população está mais sensibilizada para outros tipos de oferta cultural), sermos capazes de despertar novos públicos (e nos "antigos", despertá-los para outras manifestações), criando em Guimarães um ambiente propício a estas actividades e criações culturais, que nos desperte para o trilhar de novos rumos.

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Agendas

Hoje realizou-se a primeira reunião de Câmara após a apresentação do programa da Guimarães 2012. Sobre o tema, nem uma palavra. A única referência - após insistência jornalística - foi sobre o não-assunto da contratação de Ricardo Rio para a CEC. É a oposição que temos.
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Apontamentos sobre o programa

O programa da Guimarães 2012 não nos apresenta grandes novidades face ao que já tinha aprovado no Conselho Geral de Novembro e noticiado em alguns jornais. Mas como a CEC tem passado ao lado da maioria da comunicação social nacional, percebe-se a excitação em volta de alguns nomes apresentado, mesmo que estes sejam tudo menos uma novidade.


O que nos diz, afinal, o tal programa – que dois dias depois ainda não está disponível no site? Diz-nos que a programação vai ser dividida em quatro blocos temporais. A primeira que vai de Janeiro a Março com o nome Tempo de Encontros, outra de Março a Junho (Tempo para criar), uma terceira que se prolonga até Setembro (Tempo Livre) e a última, chamada Tempo de Renascer. A programação vai durar de 20 de Janeiro a 21 de Dezembro, pelo que foi anunciado. O que é surpreendente.


O programa mostra ainda as linhas essenciais das várias áreas de programação. E da leitura dos documentos disponibilizados na sessão ficaram algumas ideias que aqui partilho. Reforço a noção de que o sector da Comunidade tem vindo a fazer um bom trabalho, envolvendo as populações das freguesias mais afastadas da cidade num projecto que é concelhio. E está a fazê-lo de uma forma transversal como foi possível ver pela apresentação do projecto Outra Voz que encerrou a sessão.


Depois do rocambolesco processo em torno do nome de Vargas Llosa, a área do pensamento parece descalça. Sem programador, sobram algumas ideias interessantes como a de recuperar as histórias dos Guimarães espalhados pelo mundo e o pensamento de vimaranenses extraordinários como Sarmento, Sampaio e Novais Teixeira. Mas é pouco para o grandiloquente discurso sobre a vontade de colocar Guimarães no centro da discussão dos grandes temas da Europa feito há um ano.


A área cidade é uma daquelas em que tenho mais dúvidas. Fico com a ideia que Tom Flemming pegou no seu modelo e o esticou sobre o território local, sem grande adesão à realidade vimaranense. A ver vamos. Sobre a programação Tempos Cruzados pensada pelas instituições culturais locais nada foi dito além de uma referência breve à sua existência. Aguardemos, pois.


Sobram as áreas artísticas. Onde as artes visuais apresentam umas dezenas de nomes como Pistoletto, mas onde estranho a ausência de referências ao Laboratório das Artes. A plataforma local tinha sido sempre tida como parceiro central do evento e, de repente, não se vislumbra a sua presença no programa.


Outra apreensão que tenho prende-se com a música e a criação da Fundação Orquestra Estúdio, uma estrutura profissional para jovens músicos. O nome pressupõe que adopte o modelo jurídico de uma Fundação, mas isso não foi explicado e levanta sérias dúvidas. Além disso, por muitos méritos que este projecto possa ter não vislumbro como possa Guimarães sustentá-lo para lá de 2012. Por outro lado, não foram apresentados projectos noutras áreas musicais que não a erudita ou clássica, para além de uma vaga referência a música pop e underground (?). Não era essa a CEC que se imaginava.


De positivo, destaco as ideias apresentadas nas áreas das artes performativas e do cinema e audiovisual. A ideia de criar uma plataforma de produção audiovisual em Guimarães entusiasma, os nomes apresentados e a promessa de produzir duas dezenas de filmes para e sobre Guimarães também.


No cinema temos nomes, projectos concretos e ideias para o futuro, abrindo as portas a novos protagonistas e chegando mais além do que a cidade. Mérito de João Lopes, que soube perceber Guimarães e rodear-se de gente que a conhece melhor do que ele. Há ali competência qb para se atingir o sucesso.


Não por acaso, a outra área que destaco pela positiva é a das artes performativas, liderada pelo homem da casa Marcos Barbosa, que já sabia o que queria para Guimarães antes de o terem contratado para o fazer. Por ali virá Peter Brook, chegará teatro às 69 freguesias e a palavra residência como peça central de tudo. E ficará também na cidade outra estrutura fundamental para o futuro da criação artística local com a criação do teatro estúdio.

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Sinais de cena

No palco do CCVF houve discursos em jeito de recado. Quem lá esteve deve tê-los percebido. E os sinais que passaram revelam algum do desconforto pela forma como o evento tem vindo a ser liderado.


É certo que a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, elogiou o trabalho da presidente da Fundação Cidade de Guimarães (a quem chamou Catarina), mas fê-lo en passant. E dedicou os minutos seguintes a sublinhar o envolvimento de João Serra no processo, o papel do administrador na comunicação com a tutela.


Reduzir a líder da estrutura que organiza o evento a uma nota de rodapé num discurso feito num momento crucial para a CEC tem significado. Só não percebe quem não quiser que a ministra não morre de amores pela presidente da Fundação. E que isso pode ser prejudicial para todo o processo.


O mesmo João Serra, no momento em apresentava os eventos previstos já para este ano, fez aquele que me parece ter sido a intervenção mais relevante da tarde. “O que julgamos possível há dois ou três anos parece agora mais difícil. Mas a CEC merece que nos sentemos a conversar sobre o sentido do que fazemos, para podemos corrigir erros”, afirmou na abertura do discurso.


Serra faz um mea culpa que tenta responder à frustração instalada entre algumas das principais instituições culturais do concelho. E fâ-lo num momento solene, mostrando a todos que se não se faz mais, não é por responsabilidade sua. Também por isso, o elogio de Canavilhas tem simbolismo.

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Haverá obras em 2012

Magalhães confirmou no domingo aquilo que já sabíamos: Haverá obras a decorrer durante a Capital da Cultura. O CampUrbis só ficará pronto em Março e a Casa da Memória no mês seguinte, estando previsto apenas para Junho a inauguração da obra mais emblemática do evento, a Plataforma das Artes.


A boa notícia é que as obras vitais para o dia-a-dia da cidade têm prazos de execução que garantem a sua conclusão até ao final deste ano. E isso é que é essencial. Seria impensável começar o evento com obras em zonas centrais da cidade. Porque durante aquele ano a CEC é acima de tudo uma montra. E ninguém imagina como seria mostrar a cidade com o Toural ou o Castelo convertidos em estaleiro.


Se esses prazos forem cumpridos – e tudo indica que serão – é um bom sinal para a CEC. É certo que Magalhães não cumpre a promessa feita quando o evento ainda vinha longe. Tudo estaria pronto no final de 2011, disse. Não vai estar, mas os 63 milhões investidos garantem a Guimarães um incremento do valor das suas infra-estruturas nunca antes conseguido.


Além disso, os três equipamentos que serão inaugurados já com a Guimarães 2012 a decorrer não são essenciais do ponto de vista do programa artístico. Felizmente a cidade está bem dotada nesse domínio. Serão acima de tudo equipamentos para o futuro, o legado que tanto tem sido sublinhado por estes dias pelos responsáveis. Por perceber está a sua sustentabilidade futura. Mas isso há-de ser outra história.

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Caótico

Mais do que do conteúdo, as conversas sobre a apresentação do programa da Guimarães 2012 têm tido ênfase na forma. E a verdade é que a sessão de domingo foi caótica. Um verdadeiro fungagá da bicharada, diria um dos embaixadores do evento.

Houve deputados da Assembleia da República que não foram sequer convidados, deputados municipais que foram convidados mas ficaram à porta, bem como dirigentes de escolas, de associações culturais.

E mais umas dezenas de pessoas que não pediram para lá estar, mas receberam um telefonema (vindo de um número com prefixo 21) com esse convite. Acederam, foram ao CCVF e ficaram a apreciar a beleza dos jardins. Houve ainda jornalistas a mais para espaço a menos, sentados nas escadas, no chão e onde coubessem.

Coisa nunca vista por estes lados. Porque a máquina da Câmara de Guimarães nunca falhou numa coisa destas. Está tão bem oleada e tem tantos anos de provas dadas na organização de eventos do género que não se compreende a necessidade de pagar fora o que se podia fazer sem custos com a estrutura de cá.

De tão má que foi a coisa, o melhor é rir como faz o Dom Mikelem na discrição mais próxima daquilo a que assistimos no domingo que podemos ler por aí.
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Programa apresentado (II)

Ainda na sequência da apresentação da primeira versão do programa da Guimarães 2012, a Comunicação Social de hoje revela mais algumas coisas e começa a tomar o pulso aos vimaranenses.

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Pechincha

Como mostra a GMR TV, a Guimarães 2012 tem um novo vídeo de apresentação. Está bem catita. E custou 21 mil euros.
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Embaixadores

Além de José Barata-Moura, que será o embaixador da Guimarães 2012 para a Região de Lisboa e Vale do Tejo, o conjunto de personalidades que vão ser figuras centrais da divulgação do evento inclui o Catedrático de Medicina da Universidade do Porto Manuel Sobrinho Simões (Norte), a ex-directora da Casa das Histórias Paula Rego, Dalila Rodrigues (Centro), O empresário Rui Nabeiro (Alentejo), a pró-reitora da Universidade do Algarve Maria Cabral (Algarve), a designer de interiores Nini Andrade e Silva (Madeira) e o padre Duarte Melo (Madeira).

A estes juntam-se 69 crianças de 12 anos, em cada uma das freguesias do concelho, representantes das comunidades portuguesas nas cidades europeias com quem Guimarães está geminada e as artistas vimaranenses Elisabete Matos e Sofia Escobar.
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Banda sonora


José Barata-Moura é um dos embaixadores da Guimarães 2012
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Programa apresentado

A primeira versão do programa cultural da Guimarães 2012 foi ontem apresentado. Eis os ecos dessa sessão na comunicação social nacional.


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O que se escreverá em 2022?

Jorge Marmelo assina um excelente trabalho no Cidades desta semana. O PÚBLICO foi atrás dos protagonistas do Porto e de 2001 e encontrou um cenário algo triste: da grande festa que foi a CEC portuense, quase só a Casa da Música é herança unanimemente reconhecida.
O que se escreverá em 2022, uma década depois da Guimarães 2012? A pergunta faz mais sentido se levarmos em conta os preocupantes sinais que têm vindo a público nos últimos tempos envolvendo a CEC vimaranense. Esperemos ir a tempo de evitar que seja feita uma análise desiludida quando chegar a altura dos balanços.
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No centro das atenções do mundo


Guimarães foi distinguida esta semana, como uma das 41 cidades a visitar no ano de 2011, pelo jornal New York Times, uma das mais reconhecidas publicações a nível mundial. 
Tecendo algumas considerações sobre a importância história da cidade para o país e sobre a juventude da sua população, o principal foco de interesse sobre Guimarães são as suas duas mais recentes distinções: Capital Europeia da Cultura em 2012, e Património Cultural da Humidade para a Unesco. 
Guimarães é ainda considerado um "hot spot" de cultura da Península Ibérica, dando-se destaque ao centro nevrálgico da cena cultural: O Centro Cultural de Vila Flor. 
Aconselha-se aos visitantes a escolha do mês de Março, para vir à cidade, altura em decorrerá o Festival Internacional de Dança Contemporânea.
Esta notícia é antes de mais um motivo de orgulho para os Vimaranenses em particular, mas também para todos os Portugueses. Um pouco o espírito que se espera transversal no ano de 2012, e que se sentiu na altura da distinção da Unesco. Ao mesmo tempo, traz a responsabilidade de saber receber bem, e de proporcionar a actividade cultural que espera quem lê esta sugestão do periódico norte-americano. 
Mas esta distinção é mais do que sentimentos de orgulho. É o reconhecimento do trabalho feito na recuperação urbana e requalificação do centro histórico, pela Câmara Muncipal de Guimarães. Da aposta nas infra-estruturas culturais e na programação daqueles espaços, pela Oficina. Mas também a todo o movimento cultural transversal à cidade e ao concelho, que cria uma imagem de dinâmica capaz de trespassar para uma publicação desta dimensão.